sexta-feira, 5 de outubro de 2018

José Jorge Letria - Tango dos Pequenos Burgueses

O ano de 1971 tinha sido marcado por quatro músicos (e respectivos álbuns) , José Mário Branco, Sérgio Godinho, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira; o ano de 1972 seria igualmente marcado por mais quatro excelentes álbuns, “Margem de Certa Maneira” de José Mário Branco, “Eu Vou Ser Como a Toupeira” de José Afonso, “Fala do Homem Nascido” de Samuel/Carlos Mendes/Duarte Mendes/Tonicha e “Até ao Pescoço” de José Jorge Letria (fica de fora “Pré-Histórias” de Sérgio Godinho gravado em 1972 mas somente editado em 1973).

José Jorge Letria foi nos anos 70 um reconhecido cantor da música popular portuguesa, é actualmente mais conhecido como dramaturgo e ficcionista de obras para crianças (e também música para crianças, “Pim Pam Pum” de 1999), tendo entretanto recebido diversos prémios literários Mas o destaque, agora, vai mesmo para a gravação de 1972, o LP “Até ao Pescoço” que tinha então passagem regular na nossa rádio (“Pare, Escute e Olhe” lembram-se?), em particular, no excelente programa, já aqui referido várias vezes, “Página um” de José Manuel Nunes.

Tem participação activa antes e pós 25 de Abril como cantor de intervenção ao lado de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e tantos outros. Infelizmente, no pós 25 de Abril a sua música torna-se excessivamente panfletária e hoje de difícil audição. Com uma robusta voz grave, facilmente reconhecida, deixou-nos algumas pequenas maravilhas, algumas cheias de ironia, como a hoje escolhida, “Tango dos Pequenos Burgueses”.




“Até ao Pescoço”, gravado em França com arranjos de José Mário Branco, é dos melhores discos de música portuguesa da fértil década de 70 e está praticamente e imerecidamente esquecido. Incrível como é que a discografia original de José Jorge Letria não está editada em CD (julgo eu). Continuamos pequenos. Um prazer, com certeza todos vão gostar de recordar.




José Jorge Letria - Tango dos Pequenos Burgueses

PS: Num “Auto de Busca e Apreensão” da Pide/DGS efectuado em Fevereiro de 1973 à discoteca Sassetti de Lisboa podia-se ler:
“E, finda ela, foi encontrado o seguinte: seis exemplares do disco intitulado “ATÉ AO PESCOÇO”, da autoria de José Jorge Letria: três exemplares do disco intitulado “CHANTS DE LA REVOLUTION CUBAINE”, três exemplares do disco intitulado “MARGEM DE CERTA MANEIRA”, da autoria de José Mário Branco; e três exemplares do disco intitulado “LENINE ET LES CHANSONS”, os quais foram apreendidos e transportados para a sede da Direcção-Geral de Segurança.”, no Blog Cais do Olhar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Carlos Mendes - Poema do Fecho Éclair

Em 2009 faleceu José Calvário, em 2011 faleceu José Niza. Este fez as músicas, aquele dirigiu a orquestra. É tempo de recordar “Fala do Homem Nascido” de 1972.

O início dos anos 70 começa com a explosão da nossa “Nova Música Popular” onde pontificaram Sérgio Godinho e José Mário Branco. Rapidamente os novos sons e preocupações estéticas por eles trazidas tiveram eco em muitos outros músicos. Em 1972 é gravado um magnífico álbum que está praticamente esquecido, trata-se de “Fala do Homem Nascido” com poemas de António Gedeão e música de José Niza, tendo as interpretações ficado a cargo de um colectivo composto por Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha.
Coisa pouco vulgar, as letras todas de um poeta, música de um autor não intérprete, interpretações diversificadas. No final uma obra harmoniosa, arrojada e sempre agradável de revisitar.





A faixa escolhida vai para “Poema do Fecho Éclair” na voz de Carlos Mendes que tantas vezes se ouviu na nossa rádio (bastante boa à época!). “Fala de um homem nascido” um disco sem tempo, completamente esquecido.




Carlos Mendes - Poema do Fecho Éclair

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Luiz Rego - Quadras Soltas

Já aqui falei de Luíz Rego e da frescura que representou a canção “Amor Novo”, em 1970, no panorama musical de então, “Uma das «pérolas da música pop portuguesa»” no dizer de Luís Pinheiro de Almeida.

Recordemos que Luíz Rego encontrava-se emigrado em França desde 1962 onde forma o conjunto de sucesso Les Problèmes. Em 1966 chegam mesmo a vir a Portugal a convite do Vasco Morgado, sendo Luiz Rego de imediato preso pela PIDE na fronteira de Vilar Formoso.
Les Problèmes gravam, em 1966, um tema intitulado “Ballade à Luís Rego, Prisionner Politique”, que podemos ouvir no Youtube.





Voltando ao Single “Amor Novo”  o qual continha uma segunda faixa que não me recordo de à época ser divulgada e que se intitulava “Quadras Soltas”, versos de Fernando Pessoa e música do próprio Luíz Rego. Igualmente de acordo com Luís Pinheiro de Almeida “Luís Rego terá sido o primeiro músico português a musicar a poesia de Fernando Pessoa”.
Chegou então a altura de recuperar “Quadras Soltas”, para os que conheciam e não conheciam como eu.




Luíz Rego - Quadras Soltas

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Irmãs Muge - Muianá

Amélia Muge gravou o primeiro álbum a solo em 1992, de nome “Múgica”, e de então para cá tem tido um percurso de vero destaque na cena da música popular portuguesa.
Nascida em Moçambique, onde o Conjunto de Oliveira Muge, oriundo da minha terra, Ovar, iria fazer enorme sucesso (“A Mãe”, talvez a canção mais ouvida pelos militares portugueses, chegou a ter problemas com a censura.), dá os primeiros passos para a música em 1967 ao formar, com a irmã Teresa, o duo Irmãs Muge.


http://guedelhudos.blogspot.com


O universo sonoro de Amélia Muge é recorrentemente considerado como um cruzamento do passado e do presente, do antigo e do moderno, do popular e do erudito “desafiando as fronteiras dos géneros e dos estilos” (http://mocambiquesempre.spaces.live.com/blog/).
Num registo antigo das Irmãs Muge, é possível “ver” as influências da música popular moçambicana, uma das muitas que a Amélia Muge preserva ao longo da sua carreira. Ainda não se ouvia falar em “World Music” (termo surgido nos finais dos anos 80 para caracterizar “práticas híbridas em que confluem características estilísticas associadas ao local e ao global, à «tradição» e à «modernidade» …”- Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX) e já nós navegávamos por essas águas (aqui, não esquecer também o Duo Ouro Negro).

A escolha vai então para “Muianá” (tema popular) pelas Irmãs Muge, decorria o ano de 1971, tinha Amélia Muge 18 anos e era estudante do 7º ano de Letras, conforme informação da contra-capa do EP (os arranjos e direcção musical são do Pedro Osório).




Irmãs Muge - Muianá

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Intróito - Barcos Velhos

O Festival RTP da Canção atingiu ao seu auge entre 1970 e 1973. Veja-se o ano de 1971 e reparem nos intérpretes: Daphne, Tonicha, Intróito, EFE 5, Hugo Maia de Loureiro, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Duarte Mendes. Ou seja a generalidade dos participantes a atreverem-se a novas abordagens musicais e a imporem-se ao nacional-cançonetismo.

Por vezes a lembrar os Peter, Paul & Mary do início da década de 60, os Intróito foram um quarteto vocal dado a conhecer em 1969 no programa Zip-Zip (que programa!) e viram o seu fim no conturbado ano de 1975. Tempo para gravarem 3 Singles e um EP, que eu conheça.

Os anos de 70/71 foram um período muito activo com gravações de discos para a etiqueta "Zip-Zip" e ainda a participação nos Festivais da Canção. Os Intróito começaram por cantar espirituais negros e canções populares mas nos festivais a abordagem era nitidamente na área da música ligeira. Entre os 2 festivais gravaram o EP “Andorra” donde escolhi a canção “Barcos Velhos”, das mais interessantes que gravaram. “Não gravamos espirituais, só por uma questão de ordem comercial…” in "DISCO MÚSICA & MODA" nº 1, Fevereiro de 1971.





Até 1975 integrariam o movimento de canções de protesto intervindo em espectáculos ao lado dos grandes nomes da música popular portuguesa: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, José Jorge Letria, etc. Particular destaque para a participação no mais importante espectáculo de música de intervenção anterior ao 25 de Abril e que ocorreu a 30 de Março de 1974 (faltava pouco), no Coliseu de Recreios de Lisboa.

Junto os Intróito e “Barcos Velhos”.




Intróito - Barcos Velhos

domingo, 30 de setembro de 2018

José Cid - Olá Vampiro Bom

E vamos lá continuar com mais alguns temas da música popular portuguesa dos primeiros anos da década de 70

E o Quarteto 1111 já deu o que tinha a dar, mas a figura de José Cid vai continuar presente. É verdade!
E por mais algum tempo ainda vai manter alguma da chama que tinha animado o melhor Pop feito em Portugal.
E em 1971 vamos ter o José Cid pela primeira vez a solo com a edição de 1 LP e 2 EP.





E aparecem os primeiros “clichés”, não só vocais mas também na composição, a querer imitar descaradamente Elton John (por exemplo “Não Convém”). "Se Elton John tivesse nascido na Chamusca, não teria tido tanto êxito como eu." dizia José Cid in Pública, 2003 – fonte a Wikipédia. E as fragilidades eram evidentes, mas mesmo assim ainda nos fazia sonhar que se mantivesses nos melhores caminhos, por exemplo, a escolha de hoje, “Olá Vampiro Bom”, encontra-se, ainda, entre o melhor que conheço de José Cid/Quarteto 1111.
E “O Dragão” também!
E “Dom Fulano” é insuportável!
E o resto do LP ouve-se.
E o José Cid toca todos os instrumentos.
E José Cid é dos músicos portugueses que mais tenho recordado!
E, vamos lá ouvir “Olá Vampiro Bom”.




José Cid - Olá Vampiro Bom

sábado, 29 de setembro de 2018

Petrus Castrus - Marasmo

Em 1971 Portugal não foi imune ao domínio crescente do Rock Progressivo na cena internacional. E viu surgir um dos grupos mais interessantes, que é hoje referência do que de melhor, por cá, se fez naquela área.
Iniciadores do Rock Progressivo, em Portugal, os Petrus Castrus eram liderados pelos irmãos Pedro Castro e José Castro e dele fez parte o então desconhecido Júlio Pereira (“Fernandinho vai ao vinho” – 1976, Cavaquinho – 1981, etc, etc).






No ano de 1971 gravam o primeiro EP de nome “Marasmo” cujo tema título segue para audição.
O texto da contra-capa ditava assim:
“Era uma vez dois latinos irmãos, o Pedro e o José que desde pequenos gostavam de fazer música. Cresceram e quando já centuriões do Nostrum Impérium Musicales, resolveram gravar um acetatus. O Petrus trocou a lira pela viola, o José pôs a cítara de lado e virou-se para o piano.
Influenciados pelos Saxões Emerson Lake & Palmer, Moody Blues, Pink Floyd e Beatles eles começaram a fazer música cantada na nossa língua e tal como o Ícaro da mitologia, também querem voar, e cada vez mais alto. São o lançamento da nova era musical V. C. (Valentim de Carvalho) e serão ouvidos por muitas centúrias neste ano que começa.
O Rui no piano, o João na bateria e o Júlio na viola também deram uma ajuda.
Historiámos os Petrus Castrus. 
Segundo Isidrus da Ulissipe
IV-XII-LXXI”

Gravaram ainda 2 álbuns, o prestigiadíssimo “Mestre” de 1973 e “Ascensão e Queda” em 1978.

 Fica o álbum “Mestre” para próxima abordagem, para já escutemos do 1º EP o tema “Marasmo”.




Petrus Castrus - Marasmo

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Heavy Band - Beggar Man

No início da década de 70, até ao 25 de Abril, as influências Hard-Rock dos Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, Atomic Rooster, etc, fizeram-se, por cá, sentir através de uma série de conjuntos a apresentarem uma qualidade técnica digna de nota, pese a sua música não passar, regra geral, de cópias mais ou menos evidentes daqueles grupos de êxito internacional.
Alguns exemplos: Objectivo, Psico, Pentágono, Heavy Band, Albatroz, Beatniks, Xarhanga, Kama-Sutra.

Desta vez recuperamos os Heavy Band, então formados por Fernando Girão, Filipe Mendes, Zé Nabo e João Heitor. Dos Heavy Band destaquemos Fernando Girão: brasileiro de nascença, tornou-se, por cá, conhecido em 1969 quando integrou os Turma 6 de Braga (quem se lembra? era então conhecido como o “Very Nice”), em 1970 passa para os Pentágono do Porto e em 1971 nova mudança, agora para os Heavy Band de Lisboa. Entre 1971 e 1973 tocam em Angola e Brasil. Em Angola gravam, em 1972, dois Singles dos quais escolho, do primeiro, o tema “Beggar Man”. As influências Hard-Rock são mais do que nítidas, mas o destaque vai direito para o vozeirão que Fernando Girão já evidenciava.


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Um comentário na internet dizia “Beggar Man, Portugal, some things never change, do they?”.
Ok. Vamos lá ouvir “Beggar Man” (mesmo com uma qualidade sonora menor), eram os Heavy Band.

Ainda o texto da contra-capa do Single:
"Apresentação para quê?
Todos sabem tratar-se do NICE, XICO, BETO, ZE EDUARDO e do PHIL (Antigo Grupo 5).
Foram os precursores da música progressiva em Angola.
Ninguém pode negar-lhes isso !
Partiram.
No entanto não o quiseram fazer sem deixarem aos seus admiradores, algo que demonstra serem no momento presente, o melhor conjunto português, no género.
Neste Single você encontra provando a afirmação, dois trechos, compostos e gravados cá, para si !!!"




Heavy Band - Beggar Man


PS: A voz de Fernando Girão ficou famosa no anúncio dos 20 anos da Regisconta “AQUELA MÁQUINA!!!”

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Edmundo Falé - Big Brother Joe

Edmundo Falé é um cantor português nascido no Porto.
Nos anos 60 passou pelos conjuntos Ekos e Conjunto Mistério, tendo ainda em 1966 começado carreira a solo que se mantém ainda hoje. Possuidor de uma interessante voz acabou a animar casinos, hotéis e cruzeiros com um repertório marcado por recordações de êxitos antigos.
O ano que nos interessa é o de 1972, onde Edmundo Falé grava dois singles com a colaboração de José Cid (José Cid na fase “de tudo um pouco”: ele, o Quarteto 1111, os Green Windows, José Cheta, Frei Hermano da Câmara, Simone, Edmundo Falé, …) e arranjos e direcção musical do Quarteto 1111.



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 O primeiro Single tinha, no lado A, uma canção em inglês de nome “Big Brother Joe” e no lado B o tema “Primeiro Gesto”. O 2º Single repetia a dose, um tema em inglês “Born On The Riverside” e outro em português “Poema Verde do Espanto”. O mais interessante vai para “Big Brother Joe” a denunciar um caminho que a ser seguido nos deixaria outras recordações.

Na contra-capa Júlio Isidro assinava o seguinte texto:
"Vou falar-vos de Edmundo Falé.
Nem imaginam com que alegria me encarrego desta missão de escrever qualquer coisa para a contra-capa do 1º disco do Falé na casa Valentim de Carvalho.
Duas razões justificam o meu enorme gosto em falar do Falé""
1ª - Porque se trata de um amigo, daqueles com letra grande e desde quando «éramos pequeninos».
2ª - Porque se trata de um enorme intérprete de música popular, muito embora quase totalmente desconhecido do público.
Quais os motivos pelos quais, sendo o Edmundo Falé um cantor de possibilidades para além do comum, se tem mantido num mais que discreto anonimato?
Apenas porque ele é um brincalhão!
Vive a vida a sorrir, a brincar, comunicando a sua alegria e o seu senso de humor àqueles que com ele privam.
É despreocupado, talvez demasiado, para chamar a si a pesada responsabilidade de contribuir para o enriquecimento do nosso meio da canção tão falho de intérpretes de valor.
O Falé gosta muito de cantar.
Por ele e para o tal grupo de amigos nos quais eu gostosamente me incluo.
Mas o Falé tem a obrigação de se mostrar mais e de dar a conhecer as suas qualidades interpretativas de excepção.
Por tudo isso, ele aparece finalmente com um disco cujo êxito está de antemão assegurado. É ainda de referir a participação preciosa do Quarteto 1111 que harmonizam de forma perfeita as interpretações do Edmundo Falé.
Para terminar apenas uma linha especialmente dedicada ao intérprete.
«Meu caro se não reincides em gravar cortamos relações»!!
Escrevi com gosto"


Segue “Big Brother Joe” e a agradável voz de Edmundo Falé há 46 anos.




Edmundo Falé - Big Brother Joe

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Sindicato - SINDIblues Swede CATO'S Shoes

O grupo Sindicato existiu de 1969 a 1971 e nele destacava-se o (agora) conhecido Jorge Palma. Por lá passaram outros nomes de relevo do panorama musical português, a lembrar: Vitor Mamede (bateria), Edmundo Falé (Voz), Rui Cardoso e Rão Kyao nos metais. As grandes influências do grupo eram os Blood, Sweat & Tears e os Chicago que no single “Smile” de 1971 são mais do que evidentes.

“«Sindicato» Nove Músicos à procura de um conjunto” era o título do artigo de duas páginas, saído no nº 6 de 15 de Abril de 1971 do jornal “DISCO MÚSICA & MODA”, onde Rui Cardoso afirmava: “Quanto a mim, interessa-me apenas o jazz e o jazz não é uma música que se venda, como diz o Jorge Palma. Quanto mais o seu nível sob, mais se vão reduzindo os auditórios mais rareiam os apreciadores”

No nº 13 de 1 de Agosto de 1971 do mesmo jornal na apresentação dos conjuntos portugueses que iriam estar presentes no Festival de Vilar de Mouros na semana seguinte dizia dos Sindicato: “Segundo as palavras de um dos elementos do grupo no campo artístico eles procuram o melhor que de bom se faz lá fora, Blood, Sweat ant Tears e Chicago. A meta para alguns dos membros do grupo será o jazz, mas como Jazz não é vendável…” 

Quanto à participação dos Sindicato no Festival de Vilar de Mouros, ainda o jornal “DISCO MÚSICA & MODA” no seu nº 14 de 15 de Agosto de 1971 ao fazer o balanço do festival afirmava: “A primeira novidade fornecida pelo Sindicato foi a saída do Ricardo, o vocalista e a entrada de Edmundo Falé um veterano nestas andanças (e mudanças) dos conjuntos portugueses, que como vocalista, cantou reportório dos Blood, Sweat and Tears. Principais coordenadas da actuação do Sindicato foram o bom trabalho do baixo, e a superioridade instrumental do Jorge Palma no órgão e do Rão no sax-alto. O público, talvez porque ainda não totalmente integrado na música que se iria tocar, protestou várias vezes contra o muito tempo que demorou cada composição (o Sindicato tocou 3 composições em meia hora) e não correspondeu à boa música que foi tocada” .






Depois de já ter recordado “Smile”, agora é a vez do lado B do Single com o tema “SINDIblues Swede CATO'S Shoes” que, fiquem descansados, dura só 3 minutos, uma versão de “Blue Suede Shoes”, de Carl Perkins.




Sindicato - SINDIblues Swede CATO'S Shoes

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Beatniks - Cristine Goes to Town

Em 1971 os Beatniks já tinham 6 anos de existência. A formação já não era a inicial e a sonoridade também tinha evoluído para ambientes mais progressivos, condizentes com as influências externas dominantes no início da década de 70. Num artigo com o título “a insistência fez os Beatniks” publicado no jornal “DISCO MÚSICA & MODA” de Junho de 1971 podia-se ler:
“Musicalmente os Beatniks evoluíram nestes seis anos paralelamente à música que lá fora se faz. Dentro duma linha progressiva vivendo de um baixo uma bateria e um solo o agrupamento tem, do ponto de vista instrumental, condições para criar e praticar um Pop progressivo nacional …” 

O ano de 1971 terá sido particularmente positivo para o grupo, a edição de um EP e a vitória no “Festival Pop-71 de Coimbra” assim o atestam. Neste festival para além de terem sido considerados o melhor conjunto, tiveram o melhor baterista, Mário Ceia, melhor letra, “Cristine Goes to Town” e melhor composição, novamente, “Cristine Goes to Town”.


https://www.discogs.com



Na contra-capa do EP lia-se:
“… O nome fica, mas o objectivo agora é diferente – a introdução da música progressiva em Portugal. João Ribeiro, 24 anos, viola-baixo, Mário João Ceia, 20 anos, bateria, Rui Silva, 19 anos, viola-solo e José Diogo, 21 anos, vocalista formam os «BEATNIKS». São pois eles que dão expressão à agressividade da sua música. O 1º Prémio no recente Festival de Coimbra, veio apenas confirmar o sucesso de todas as suas tentativas. A concretização das suas ideias é um facto.” 

Ainda em 1971 representam Portugal no Festival de Vigo com “Cristine Goes to Town”. Segue a dita  a confirmar a sonoridade Hard-Rock que praticavam, é também um testemunho de uma das primeiras gravações do género feitas em Portugal.




Beatnicks - Cristine Goes to Town

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Mini-Pop - Reflections of my Life

Vamos lá puxar por essas memórias? Alguém se lembra dos Mini-Pop?
Eram do Porto e, quando começaram em 1969, o mais velho tinha 11 anos. Percorreram quase toda a década de 70 e gravaram vários EP/Singles, tiveram razoável sucesso com aparições na RTP, nomeadamente no Festival da Canção e em 1971 foram muito bem recebidos no Festival de Vilar de Mouros.
“Acabou o Psico de tocar e apareceram no palco a maior surpresa que me foi dado ver neste festival: o Mini-Pop. Não porque tocassem nenhuma música excepcional mas sim porque demonstraram estar perfeitamente à vontade nas composições que interpretaram, com uma sobriedade e uma perfeição que espantou. Garotinhos (o mais velho tem 12 anos, os outros têm 8 e 9), muito pequeninos (a viola-baixo era maior do que o músico que a tocava) e a tocarem tão bem. Interpretaram «Friends» (Elton John), Dee Murray, que estava no palco aplaudiu-os delirantemente, «Spinning Wheel» e «Make me smile» (Chicago). O que me pareceu melhor, talvez por ser o mais velho, foi o organista; o mais fraco o «baixo», mas este tem desculpa pois eu estava ao lado dele e vi que os dedos não lhe chegavam às cordas (desculpa essa que outros «baixos» que tocaram em Vilar de Mouros não podem apresentar). Mas distinguir alguém num grupo tão unidinho, tão bem ensaiado (Até o bateria fez as suas «flores») seria quase crime. Por isso não acrescento mais nada sobre o Mini-Pop; só que gostei mesmo muito.”, assinava Hélio Sousa Dias em artigo no jornal “DISCO MÚSICA & MODA” Nº 14 de 15 de Agosto de 1971.





O primeiro EP é precisamente de 1971 e constava de 3 temas cantados em português e um quarto em inglês, nada mais que uma versão de “Reflections of My Life” dos The Marmalade.
Junto, vai a versão dos Mini-Pop, com todas as limitações que se possa imaginar, mas com bom gosto na selecção das músicas que tocavam.




Mini-Pop - Reflections of my Life

PS: 3 dos elementos dos Mini-Pop eram os irmãos Barreiros, que nos anos 80 tiveram o êxito que se sabe com os Jáfumega.

domingo, 23 de setembro de 2018

Pop Five Music Incorporated - Orange

O panorama musical em Portugal no ano de 1971 era marcado, na cena Pop-Rock, por grupos com uma abordagem sonora mais progressiva, evolução nítida face ao simplismo maioritário da década anterior. Por um lado a evolução tecnológica é notória, por outro a qualidade técnica dos seus executantes também; finalmente, as influências externas conduziam os grupos portugueses a uma actualização das suas sonoridades, o Ié-Ié estava, definitivamente, muito longe.

Destacavam-se, então, os Pop Five Music Incorporated e são hoje o motivo de mais este regresso. Em 1971 os Pop Five Music Incorporated eram liderados, depois da saída de TóZé Brito e David Ferreira, pelo novo elemento do grupo Miguel Graça e Moura.
Diz a “Enciclopédia da música em Portugal no Século XX”:
“No final de 1969, D. Ferreira deixou o grupo e Miguel da Graça Moura (instrumentos de tecla) assumiu a direcção musical (arranjo e composição), privilegiando a improvisação e o uso dos mais recentes instrumentos electrónicos de tecla (órgão Hammond, mellotron, pianos eléctricos)”.

A formação clássica de Miguel Graça Moura iria fazer-se sentir nas próximas gravações do grupo. No ano de 1971 os “Pop Five…” tiveram acesso aos estúdios da Pye em Londres donde resultaram vários Singles editados entre 1971 e 1972 ano em que os “Pop Five…” deram o último suspiro.

“Com a aparelhagem que foi posta à nossa disposição, tivemos oportunidade de trabalhar com efeitos electrónicos que não poderíamos ter aqui.” dizia Miguel Graça Moura ao jornal “DISCO, MÚSICA & MODA” em Setembro de 1971.






O primeiro desses Singles foi “Orange”, opção para hoje, que teve algum sucesso (lembrar que era a primeira gravação após o êxito que “Page One” teve). Contrariando, algumas boas influências que o grupo tinha, pois interpretavam Jeff Beck, Chicago, Blood, Sweat & Tears ou ainda Emerson, Lake & Palmer, em “Orange” as influências iam directas para uns menores Wallace Collection, grupo belga que teve um êxito estrondoso com “Daydream”, lembram-se?.
De há precisamente 47 anos, segue “Orange” dos portuenses Pop Five Music Incorporated e reparem nas semelhanças com os ditos Wallace Collection.




Pop Five Music Incorporated - Orange

sábado, 22 de setembro de 2018

Quarteto 1111 - Ode to the Beatles

1971.
The Beatles já não existiam, cada um tinha seguido o seu caminho.
George Harrison liberto da dupla Lennon/McCartney agradecia aos deuses e clamava “My Sweet Lord”, John Lennon gritava pela “Mother”, para Paul McCartney era somente “Another Day” e Ringo Starr, que a imaginação não dava para mais, ficou-se pelos “Beaucoups of Blues”.

E por cá? Por cá tínhamos o nosso José Cid e o seu Quarteto, o 1111, que começando a dar alguns sinais de menor criatividade homenageavam, quem eles julgavam que podiam vir a ser nestas terras lusitanas, The Beatles, pois claro, e gravaram “Ode to the Beatles”. Ele que ainda em 1970 dizia a propósito do fim dos The Beatles: “Os Beatles também há algum tempo brincavam com o mau gosto como por exemplo em “Ballad to John and Yoko” e “Obladi oblada””, em “mundo da música” nº 13 de Dezembro de 1970.


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Se com alguma razão, no que ele próprio rapidamente se transformaria. “Ode to the Beatles” num ambiente pouco “1111” e muito na linha beatleniana (e mais uma tentativa portuguesa falhada de internacionalização), pouco inspirada e socorrendo-se de fragmentos de letras e harmonias dos homenageados. Segue então“Ode to the Beatles”.




Quarteto 1111 - Ode to the Beatles

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Os Steamer's - I am a chancho

A proliferação de conjuntos de música moderna nos anos 60 foi, por cá, enorme. Uns mais próximos do Ié-Ié, do Twist e do Rock ‘n Roll, outros mais influenciados pela música pop vinda de França e Itália, a multiplicação de conjuntos fez-se sentir de uma forma que, em meu entender, não ficou nada a dever, antes pelo contrário, ao chamado “boom” do Rock português dos anos 80. Isto numa época em que a abertura do país ao exterior era praticamente nula e onde os sons agitados e atrevidos vindos de fora não eram bem vistos por um regime que pretendia uma juventude dócil e obediente. Daí que, pese a pouca qualidade que grande parte manifestava, não sejam de ignorar os muitos conjuntos que não tendo conseguido grande popularidade, conseguiram, no entanto, efectuar a gravação de um Single ou EP (ou pouco mais), era obra!

É neste role que vamos encontrar, por exemplo, Os Celtas, Os Telstars, Os Steamer’s, Os Vodkas, Os Blusões Negros, Os Álamos, Os Jets, alguns de relativa pouca qualidade.
Fixemo-nos, por agora em Os Steamer’s. No blog “Under Review” o som do grupo é tido como “…estranho, hipnótico, sujo, foleiro, kitch, psicadélico e ácido, tendo sido verdadeiros outsiders num Pais cinzento e triste”. E no blog “5dias.net” no post “Os “Steamer’s”: para a história do rock político português (I)”: “…“I am a Chancho”, letra explícita sobre um indivíduo falhado e miserável, ainda sobre pobreza e bairros de lata. Depois, “Mr. Pum Pum!”, uma referência à PIDE e “Será assim até morrer”, alusão à emigração.” e ainda o blog “Poeira Cósmica” fala de “I am a Chancho” como o “mais grandioso monumento do absurdo da Pop nacional”.




Gravaram um só EP em 1970 de gosto, em meu entender, muito duvidoso. Desde influências psicadélicas mal assimiladas em “Será Assim Até Morrer” (mesmo assim a que se apresenta com maior potencial, “Cuidado daquele que pobre nasceu, e será assim até a gente morrer”), à desenquadrada versão de “Let the heartaches begin” de Long John Baldry (nº 1 em Inglaterra em 1968), ou ainda um horrível “Mr Pum Pum”. Sobra ainda a xaroposa “I am a Chancho” que segue para audição.
Resumindo um EP deveras fraco. A qualidade do som da gravação disponível na internet parece também não ajudar.




Os Steamer's - I am a chancho

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Sid Vicious - My Way

Falecidos na Década de 70

Esta é a última recordação sob o tema "Falecidos na Década de 70". O ano é o de 1979 e o desaparecido é já representante de nova geração e de novas sonoridades que então se impunham.

Sid Vicious (1957-1979), baixista e vocalista do grupo de Punk-Rock Sex Pistols faleceu a 2 de Fevereiro na sequência de overdose de heroína.
Os Sex Pistols foram uma das bandas originárias do Punk-Rock surgido na segunda metade dos anos 70. Em contra-ponto ao Rock mais elaborado que se vinha a assistir o Punk-Rock privilegiava a velocidade na execução, assim como o ruído, ou barulho se assim o entenderem, os seus intérpretes apresentavam uma atitude violenta e niilista. Os Sex Pistols foram de curta duração (1976-1978) e deixaram um único álbum de estúdio, o seminal "Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols".



https://www.thefamouspeople.com

Quando Sid Vicious ingressou nos Sex Pistols, em 1977 em substituição de Glen Matlock, foi ainda  a tempo de tocar baixo em "Bodies" do já citado "Never Mind the Bollocks...". Mas o fim dos Sex Pistols estava para breve, desentendimentos constantes levaram à rápida ruptura. Em 1978 cada um seguiu o seu caminho, ainda neste ano é gravado o duplo LP "The Great Rock 'n' R oll Swindle" com participações diversas, que seria editado no ano seguinte, banda sonora de documentário sobre os ditos Sex Pistols. Neste trabalho Sid Vicious interpreta 3 canções: "My Way", "C'mon Everybody" e "Something Else".

A título póstumo é editado o LP "Sid Sings" com gravações ao vivo onde consta nova versão de "My Way", a única indicada como gravada em estúdio.




Sid Vicious - My Way

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Chicago - An Hour In The Shower

Falecidos na Década de 70

Estou quase a chegar ao fim destas memórias de "Falecidos na Década de 70". Hoje vou para o ano de 1978 que viu partir um músico, de uma banda que no início da década estava claramente entre as minhas preferidas. O grupo dava pelo nome de Chicago, e o músico Terry Kath era o guitarrista e uma das vozes.


https://www.guitarplayer.com

Terry Kath (1946-1978) fez parte dos famosos Chicago desde a sua formação em 1967, fazendo assim parte de um colectivo, então de 7 músicos, que se destacou pela habilidade na fusão das sonoridades Rock com o Jazz.
As contribuições dos diversos elementos fizeram-se sentir de forma diferente, mas no final obtinha-se uma unidade incrível que infelizmente se foi perdendo à medida que a influência de Peter Cetera se foi impondo, mas com Terry Kath tínhamos os Chicago no seu melhor. Foi ele que deu voz a canções como "Make Me Smile", "Colour My World", "Introduction" e muitas outras que se tornaram marcas inconfundíveis do som praticado pelos Chicago. Evidenciou-, claro, na guitarra em temas únicos do grupo como "25 or 6 to 4", ele era a marca do melhor dos Chicago.


A escolha para esta lembrança dos Chicago, e em particular de Terry Kath, vai para "An Hour In The Shower" que pertencia ao álbum "Chicago III". Composição de Terry Kath que assegura a voz e guitarra.

Terry Kath faleceu a 23 de Janeiro de 1978 quando disparou uma arma sobre si próprio pensando que estava descarregada.




Chicago - An Hour In The Shower

terça-feira, 18 de setembro de 2018

The Who - Substitute

Falecidos na Década de 70


The Who são um grupo inglês de Rock formado em 1964 e que ainda se mantém em actividade com dois dos elementos iniciais: Roger Daltrey (Voz) e Pete Townshend (Guitarra e Voz). No seu início eram um quarteto, adicionando-se àqueles dois os nomes de John Entwistle (Baixo) (1944-2002) e Keith Moon (Bateria) (1946-1978). O seu período mais marcante foi claramente o dos anos 60 e primeira metade dos anos 70.


The Who, da esquerda para a direita: Keith Moon, John Entwistle,
Roger Daltrey e Pete Townshend. Foto incluída no álbum
"Live at Leeds"


O seu início ficou ligado ao recrudescer do movimento "mod" (modernist), centrado na moda, no gosto pela música, nomeadamente o British Blues, e no uso de "scooters" pela juventude britânica, em rivalidade com os "rockers" virados mais para o Rock dos anos 50, cabelo à Elvis Presley, para as motas e casacos de cabedal. O tema "mod" seria retomado no último álbum dos The Who que me lembro de ouvir completo, o duplo álbum "Quadrophenia".
Tiveram, até então, um percurso marcadamente inovador, não só com a Ópera Rock "Tommy" (1969), mas já anteriormente com o conceptual álbum "The Who Sell Out" (1967) e ainda com "My Generation" (1965) e "A Quick One (1966).

Criaram uma sonoridade muito própria que era facilmente identificável como "The Who". Se Roger Daltrey se impunha com as suas vocalizações cheias de energia, Pete Townshend era o principal compositor do grupo e original tocador de guitarra, John Entwistle era um exímio e discreto baixista ficando para Keith Moon toda a exuberância na bateria.

Keith Moon  faleceu a 7 de Setembro de 1978, vítima de excesso de um sedativo que ele tomava no combate à dependência do álcool, numa fase já menos interessante deste importante grupo inglês.


Edição de 1970, referência Track 2406 001

Capa de papel agrafada com diversa memorabilia do início do grupo


Um disco que sempre apreciei foi "Live at Leeds", o primeiro álbum gravado ao vivo e editado em 1970, é a ele que vou buscar "Substitute", que tinha sido editada em Single em 1966.


"There is no substitute" diz uma placa no Golders Green Crematorium onde Keith Moon foi cremado.




The Who - Substitute

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Sandy Denny - No End

Falecidos na Década de 70

No ano de 1978 mais dois nomes grandes de áreas bem distintas da música popular nos deixaram. Primeiro Sandy Denny, depois Keith Moon.




Sandy Denny (1947-1978) foi, entre as perdas ocorridas na década de 70 e que tenho vindo a recordar, a que eu mais senti. Sandy Denny foi, continuou a ser e ainda é a minha maior paixão em termos musicais.
Sandy Denny é única e continua a dar momentos de enorme prazer sempre que a ouço. Ficou, infelizmente, pouco conhecida, a sua música foi pouco divulgada e acabou por ficar conhecida por "meia-dúzia de privilegiados" que tiveram a "sorte" de a conhecer.
Teria eu 13, 14 anos quando ouvi pela primeira vez a sua voz naquele que muitos anos mais tarde a merecer o título de "Most Influential Folk Album of All Time" pelos ouvintes da BBC, era o álbum "Liege & Lief" dos Fairport Convention.
Em 1970 e 1971 é considerada a "Melhor Cantora Britânica" pelos leitores do jornal Melody Maker, mas nem assim a sua popularidade aumentou de forma significativa.
De então para cá a sua presença foi constante na minha vida através da aquisição da sua discografia enquanto viva mas também na descoberta de gravações inéditas que ainda vai acontecendo.


Duplo CD "I've Always Kept A Unicorn - The Acoustic Sandy Denny",
edição Island, Referência 536 735-0 de 2016
Não há necessidade de me alongar mais, aos poucos e poucos continuarei a trazer a música maravilhosa desta cantora ímpar. A sugestão vai para o trabalho mais recentemente editado em nome da Sandy Denny, a compilação "I've Always Kept A Unicorn" de 2016. Um duplo CD com versões acústicas despidas dos arranjos originais e ainda três demos inéditos do período The Bunch. Escolho "No End", trata-se de um demo datado de 1972, anterior, portanto, ao original conhecido do álbum "Like an Old Fashioned Waltz" de 1974.

Sandy Denny faleceu a 21 de Abril de 1978 com uma hemorragia cerebral na sequência de uma queda numas escadas. Não é alheia à sua morte a crescente depressão em que se encontrava, acrescida do consumo de álcool e drogas.




Sandy Denny - No End

domingo, 16 de setembro de 2018

T. Rex - Get It On

Falecidos na Década de 70

O ano de 1977 teria ainda mais uma morte de uma figura importante do mundo do Rock, foi Marc Bolan e ocorreu a 16 de Setembro no resultado de um acidente de automóvel.

Marc Bolan (1947-1977) ficou conhecido como o guitarrista e vocalista do grupo de Rock inglês T. Rex. Formaram-se ainda nos anos 60 como Tyrannosaurus Rex de que resultaram a edição de 4 LP, mas é a partir de 1970, quando simplificam o nome para T. Rex e mudam de género musical, do Folk predominante para um Rock glamoroso, que se tornam populares com várias canções a chegar ao Top 10 e mesmo ao primeiro lugar nas tabelas de vendas.
O álbum de maior sucesso foi "Electric Warrior" (1971) donde emergiram as canções de sucesso "Get It On" e "Jeepster" sucedâneas de "Hot Love" o tema que os projectou.


https://www.planetrock.com

Marc Bolan, a par com David Bowie, foi um pioneiros do movimento Glam-Rock que surgiu nos primeiros anos da década de 70. Musicalmente diversificado era mais identificado pelo visual extravagante e andrógino dos seus interpretes.
A canção escolhida para hoje é "Get It On" onde podemos ouvir Rick Wakeman (ex-Strawbs ingressou nos Yes em 1971) nos teclados e Ian McDonalds (ex-King Crimson à época na formação McDonalds and Giles) no saxofone.




T. Rex - Get It On

sábado, 15 de setembro de 2018

Elvis Presley - Way Down

Falecidos na Década de 70

Elvis Presley faleceu em 1977. Tinha 42 anos e era referido e ainda o é como "The King".
Quando no final dos anos 60 comecei a interessar-me pela música popular, ou seja por toda a panóplia de bons grupos e músicos que então pululavam e dos quais tenho vindo a dar conta, já o pioneiro do Rock'n'Roll nos anos 50 pouco espaço ocupava nos lugares cimeiros das tabelas de venda. A sua importância tinha diminuído significativamente face à qualidade e quantidade de música que então se publicava. Talvez por isso, eu nunca tenha ouvido devidamente a música de Elvis Presley e não tenha, naquele tempo, dado conta da importância que ele teve na definição da sonoridade Rock na década anterior.


https://en.wikipedia.org

O seu reaparecimento no final dos anos 60, talvez também por isso, ou seja estar eu virado para outras músicas, passou-me razoavelmente ao lado. Assim como a sua morte a 16 de Agosto de 1977 vítima de ataque de coração.

Recorda-se "Way Down", do último Single editado em vida.




Elvis Presley - Way Down

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Free - The Stealer

Falecidos na Década de 70


"All Right Now" foi a canção que ficou mais conhecida e que lançou, em 1970, o grupo britânico Free. Constituídos em 1968, tinham já 2 LP editados quando o sucesso lhes bateu à porta com aquele tema e consequentemente o 3º álbum de originais "Fire and Water".
Os Free eram um quarteto formado por Paul Rodgers (voz), Andy Fraser (baixo e teclados), Paul Kossoff (guitarra), e Simon Kirke (percussões), formação que se manteve constante até 1971. As composições estavam entregues sobretudo aos dois primeiros tendo Paul Rodgers uma longa carreira, desde 2004 que colabora como vocalista nos históricos Queen. Aquele que hoje me interessa particularmente é Paul Kossof falecido em 1976.

Paul Kossoff (1950-1976) foi um guitarrista de eleição que integrou nos meados dos anos 60 o movimento Blues-Rock britânico. O seu sucesso maior veio com o grupo Free onde se destacou com os seus poderosos riff de guitarra, ouça-se "All Right Now". A sua guitarra dava um som pesado ao grupo o que levou a serem considerados percursores do Hard-Rock.
Depois do sucesso daquela canção e da sua participação no famoso Festival da Ilha de Wight de 1970 veio novo álbum, menos conseguido mas aproveitando-se do sucesso do anterior. "The Stealer", assinado por Paul Rogers, Andy Fraser e Paul Kossoff era o tema que mais se ouvia e é o agora recordado.


http://happybluesman.com


O consumo de drogas debilitou-lhe a saúde tendo falecido a 19 de Março de 1976 de embolia pulmonar.




Free - The Stealer

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Phil Ochs - The Crucifixion

Falecidos na Década de 70

Progredimos na década e no rol de nomes do mundo musical que a mesma viu desaparecer e os quais eram do meu agrado.
Não está entre os que mais ouvi, mas de alguma forma terei conhecido alguma da sua música, Phil Ochs é a evocação de hoje.

Phil Ochs (1940-1976) foi um cantor Folk norte-americano cujas canções foram predominantemente de protesto, sendo exemplo a luta pelos direitos sociais e a guerra do Vietname. As gravações de estúdio (7 álbuns) decorreram no período de 1964 a 1970 pelo que já tardiamente terei ouvido falar dele.
Os três primeiros álbuns gravados para a etiqueta Elektra são vincadamente Folk enquanto que ao quarto LP de nome "Pleasures of the Harbour", gravado para a A&M, são utilizados arranjos orquestrais que conferiam uma complexidade não habitual na sua música. Um bom exemplo é a longa "The Crucifixion" que segue para audição.


http://phil-ochs.blogspot.com

Phil Ochs sofria de depressão e consumia álcool em excesso que o levaram ao suicídio a 9 de Abril de 1976.




Phil Ochs - The Crucifixion

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Tim Buckley - Dolphins

Falecidos na Década de 70

A década de 70 viu morrer alguns dos cantores, autores que eu mais admirava e que continuam na lista de eleição entre os melhores de sempre. Entre eles consta Jim Morrison e Nick Drake, já recordados, mas ainda outros iriam-nos deixar naquela década madrasta. Tim Buckley foi mais um que partir prematuramente.

A obra de Tim Buckley (1947-1975) ficou registada em 9 LP de estúdio anteriores à sua morte e diversos álbuns ao vivo para além de diversas compilações.
Socorrendo-me de uma entrevista dada a Izzy Young em Março de 1967 e disponível no folheto do CD editado em 2009 "Live at the Folklore Center, NYC - March 6, 1967" ficamos a saber que entre as suas referências constavam Fred Neil, Tim Hardin e Leonard Cohen: "As far as singing goes, I like Fred Neil and Tim Hardin. As far as writing, the most refreshing thing is Leonard Cohen".

Já no que diz respeito a nomes como Tom Paxton, Phil Ochs e Bob Dylan eis o que pensava: "I never really got interest in Paxton and Ochs. Dylan was the one who intrigued me, because he grew with each album. These other people stayed in the same thing, and that showed me that they didn't grow. At the time, I was growing, wanted to see it in others and Dylan was the only one." o que mostra bem as preferências e caminhos que ele gostaria de percorrer.


www.amazon.com

Como que uma aversão a tocar sempre o mesmo leva-o a percorrer estilos bem distintos que começaram no Folk-Rock e terminaram no Soul e Funk, passando pela fusão do Folk com o Jazz e outras manifestações mais experimentais. Da simplicidade inicial assente no Folk ao ecletismo pouco convincente no final, a evolução não foi, infelizmente e para meu gosto, no bom sentido.
Para sempre ficou a sua voz única e superiormente utilizada, "Sometimes he used it simply as a vehicle to carry the lyrics. Other times he used it as an extraordinary musical instrumental in its own right." como escreveu Lee Underwood (guitarrista que o acompanhou em quase toda a sua obra).

Do LP "Sefronia" (1973), o penúltimo, recupero "Dolphins" uma canção de Fred Neil que há muito ele interpretava e que se enquadra bem nos anos 60 da sua carreira.

Tim Buckley faleceu a 29 de Junho de 1975 de overdose de drogas, heroína incluída.




Tim Buckley - Dolphins

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Nick Drake - Tow the Line

Falecidos na Década de 70

O nome de Nick Drake está, no mundo da música popular, entre os meus preferidos. Algures, no início da década de 70 ouvi a sua música e foi um nome que nunca mais esqueci. Tive que esperar até aos finais dos anos 80, início de 90 para que, com a edição em CD da sua curta produção discográfica, a pudesse adquirir e desfrutar desde então, na totalidade, da magia da sua música.
Nick Drake está na galeria muito reduzida das minhas preferências de sempre e ainda hoje, em tempos em que o seu nome começa a ter alguma notoriedade, nomeadamente na utilização da sua música em bandas sonoras de filmes, a sua audição é uma satisfação incrível. Será sempre.





Nick Drake (1948-1974), nasceu em Myanmar, antiga Birmânia, onde o pai fazia o serviço militar. É já em Inglaterra enquanto estudante de literatura em Cambridge  que toma conhecimento da música de Van Morrison e Tim Buckley, interpreta Bob Dylan, Bert Jansch e Jackson C. Frank, desenvolvendo entretanto o seu próprio estilo.
Em 1968, Ashley Hutchings, baixista dos Fairport Convention, descobre-o  e dá-lo a conhecer ao produtor Joe Boyd. Será ele o produtor dos 2 primeiros LP, respectivamente "Five Leaves Left" (1969) e "Bryter Layter" (1971). Atravessando períodos de depressão e com vendas desanimadoras Nick Drake grava um 3º LP despido de arranjos e músicos convidados, a obra de arte que é "Pink Moon" viu a luz no dia no ano de 1972 e foi o seu último trabalho editado enquanto vivo.


Edição Island de 2004 com as referências: CID 8141 / 986 631-8

A recordação de hoje vai para a compilação "Made To Love Magic" surgida em 2004 que contem a canção inédita "Tow the Line" tida como a última por ele gravada em Julho de 1974.
Nick Drake faleceu a 25 de Novembro de 1974, Foi encontrado morto pela sua mãe e a causa da morte foi atribuída a overdose de um anti-depressivo que ele tomava para dormir. No gira-discos encontrava-se o Concerto de Brandenburg de Johann Sebastian Bach, na mesinha de cabeceira o livro de Albert Camus "O Mito de Sísifo", sobre o absurdo da vida e o suicídio.

(Texto com base nos folhetos do referido CD "Made To Love Magic" e de "Tanworth-in-Arden 1967/68" uma colecção de 18 gravações raras efectuadas em casa)




Nick Drake - Tow the Line