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segunda-feira, 30 de maio de 2022

Samuel - Tu Dizes Que Me Queres Muito

 


Samuel é um cantor que teve notoriedade principalmente nos anos 70 do século passado. Possuidor de uma voz muito interessante revelou-se como uma promessa da nossa nova música popular que naquela década brotava com intensidade. Particularmente interessantes o Single de estreia, "O Cantigueiro", e a sua participação no LP "Fala do Homem Nascido" onde José Niza musicou a poesia de António Gedeão, ambos os registos datam de 1972.

Infelizmente nada mais de relevante deixou Samuel gravado e em 1975 foi mais um a alinhar pela música de clamor revolucionário sem nada a merecer o devido realce. Dois discos de formato pequeno, um com 6 canções, "De Pé Pela Revolução", e um Single com as habituais duas canções, "Hino da Reforma Agrária".


https://www.discogs.com/


Do disco "De Pé Pela Revolução" constavam canções tão populares como "Venceremos" e "O Povo Unido", mas também esta "Tu Dizes Que Me Queres Muito". Ouve-se e pouco fica, então como agora.



Samuel - Tu Dizes Que Me Queres Muito

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Trio Zé Ferrugem - Zé Ferrugem

 

1975 foi propício à formação de grupos ocasionais que deram voz ao fulgor revolucionário que então se vivia. Alguns mesmo muito pontuais que não passaram de uma gravação, é o caso de hoje com o Trio Zé Ferrugem.

O Trio Zé Ferrugem resultou da vontade de Samuel, José Jorge Letria e Nuno Gomes dos Santos (este oriundo do grupo Intróito) de que resultou o álbum "Zé Ferrugem" tendo ainda João Paulo Guerra emprestado a voz na leitura de textos introdutórios.




O peso da situação política a levar os autores deste disco a fazerem música muito aquém daquilo que eles já tinham demonstrado saber fazer. Texto altamente politizados e melodias de fácil assimilação é o que fica deste álbum que até a capa faz jus à ideologia revolucionária então dominante.

Com uma sonoridade mais Pop aqui fica o início deste trabalho, precisamente "Zé Ferrugem".



Trio Zé Ferrugem - Zé Ferrugem

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Samuel – Poema da Malta das Naus

No livreto do CD "Margem de Certa Maneira" de José Mário Branco podia-se ler:
"Nos habituais balanços de fim de ano, o "Diário de Lisboa" ouviu, entre outros, Carlos Cruz essa avaliação: "O mais importante deste ano está nos LPs do José Mário Branco, do José Afonso, do José Letria e no álbum 'Fala do Homem Nascido' com música do Niza e poemas do Gedeão." (31/12/72)".

Antes demais duas notas, primeira, bons tempos em os balanços e escolhas dos melhores do ano se faziam no final do ano e não, como agora, que no mês de Novembro já há listas com os melhores do ano, segunda a esta lista falta o, já por mim referido, 1º LP de Sérgio Godinho, um marco importante de 1972.
Posto isto, eis a escolha de hoje, precisamente o álbum "Fala do Homem Nascido" que tinha como intérpretes Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha. Coisa pouco comum, um trabalho de colaboração de vários artistas para composições de um outro, neste caso, José Niza.






Já dei testemunho deste álbum nas vozes de Tonicha e Carlos Mendes, respectivamente com Poema da Auto Estrada" e "Poema do Fecho Éclair", hoje proponho Samuel com o "Poema da Malta das Naus".



Samuel – Poema da Malta das Naus

sábado, 6 de outubro de 2018

Samuel - O Cantigueiro

Em tempos em que não tinham licença de cantigueiro porque não eram os bobos do rei, um conjunto de músicos destacou-se num país cinzento e atrasado. Em 1972 a juntar-se a músicos já com credenciais firmadas, Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Manuel Freire e os recém chegados José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, surge mais um nome, a merecer agora a devida recordação: Samuel.

De acordo com a "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX", “Em 1972 mudou-se para Setúbal com a família e desenvolveu amizade com J. Afonso, que teve sobre si uma grande influência e o incentivou a seguir uma carreira musical”. Em consequência grava ainda em 1972 o seu tema mais bem conseguido de nome “Cantigueiro”, a ele volto.
Dizia Tito Lívio no nº 33 da revista “mundo da canção”:
“Uma das maiores qualidades, para além de um comprometimento com uma canção de constatação, deste disco está na instrumentação – em CANTIGUEIRO a harmónica criando uma atmosfera folk, de cerco, densa e cerrada na qual se irá introduzir, de uma forma muito bela, a viola. De notar, ainda aqui, a extraordinária pontuação do baixo, ajudando a marcação e divisão das palavras e sílabas. Como recurso inteligente, a dobragem da voz no refrão.” 






Destaque ainda para a participação nesse grande disco “Fala do Homem Nascido”, também gravado em 1972, juntamente com Carlos Mendes, Duarte Mendes e Tonicha, com poesia de António Gedeão, e que já tive oportunidade de recordar.

“Cantigueiro” de Samuel, decorria o ano de 1972:
“… Se tal soubesse
não cantaria
tudo o que já cantei 
Só tem licença
de cantigueiro
quem for o bobo do rei”




Samuel - O Cantigueiro

sábado, 7 de julho de 2018

Samuel – O Cantigueiro

A Música Popular Portuguesa anterior ao 25 de Abril de 1974

Sons novos se fizeram ouvir nos anos que antecederam o 25 de Abril de 1974. Era a busca de caminhos mais modernos para a música popular portuguesa que desde o início dos anos 60 vinha progressivamente a desenvolver-se em formas de maior contemporaneidade, mais consentâneas com a produção estrangeira que nos chegava e nos era dada a conhecer através da rádio e nos discos em vinil.

Foi na rádio que tomei conhecimento de um novo nome que veio engrossar a fileira cada vez maior dos cantores ditos de intervenção, era o Samuel. Arrisco-me a afirmar, tal a probabilidade de estar certo, que foi no programa radiofónico "Página Um" que pela primeira vez o ouvi. Estávamos no ano de 1972 e a audição de "O Cantigueiro", com o seu toque de Folk e Country, correspondia a uma experiência original no contexto da música por cá produzida. Era agradável e refrescante aquela viola e a harmónica, com os arranjos de José Calvário, a suportarem aquele texto arrojado e certeiro:

"...Mau pregador
justo auditório
Pior a pregação
Verdades ditas
fora do tempo
e o pregador vai para a prisão

Não há fiança
pr'o cantigueiro
e ele nem dinheiro tem
se viu demais
que arranque os olhos
e a vida correrá bem..."





O ano de 1972 ficaria ainda marcado pela colaboração com Carlos Mendes, Duarte Mendes e Tonicha num grande trabalho da música portuguesa, o álbum "Fala do Homem Nascido".
Para já é com "O Cantigueiro" que ficamos.




Samuel – O Cantigueiro