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quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Soft Machine - Moon in June

O Rock Progressivo nos anos 70


A designação Rock Progressivo vale o que vale. É mais uma tentativa de catalogar um diverso estilo musical dos muitos que floriram nos anos 60 do século passado. Nos anos 60 exploraram-se intensivamente novos caminhos para a música popular e alguns grupos começaram a abandonar as clássicas canções de 3, 4 minutos para composições bem mais elaboradas e complexas com durações que ultrapassavam facilmente os 10 minutos. É o caso da escolha de hoje, os Soft Machine com "Moon in June".

Começo com uma versão de 12 minutos disponível no YouTube e que diz ser realizada ao vivo no "Blizen Jazz And Pop Festival" que terá ocorrido a 22 de Agosto de 1969. Aqui em formato de trio com  Mike Ratledge no órgão, Hugh Hopper no baixo e Robert Wyatt na bateria e voz.




Depois de termos apreciado ao vivo, ficamos com o mesma tema mas agora na gravação em estúdio, mais desenvolvida, incluída no duplo álbum "Third" publicado em 1970. "Moon in June" foi escrita por Robert Wyatt e manifesta uma complexidade lírica e musical assinalável. Um trabalho muito avançado para quando foi editada, prova do melhor Rock Progressivo que então se desenvolvia.



Soft Machine - Moon in June

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Soft Machine – Moon In June

   O Rock Progressivo nos anos 70


Os Soft Machine foram um dos grupos mais importantes do Rock Progressivo do Reino Unido. Formados em Canterbury em 1966 foram o centro musical do que ficou conhecido como "Canterbury Scene", conjunto de músicos que privilegiaram O Rock Progressivo, o improviso e o Rock de fusão com o Jazz.

Talvez o grupo que melhor aproximação fez do Rock ao Jazz. Os anos de ouro dos Soft Machine foram de 1968 a 1971, antes da saída de Robert Wyatt, período em que gravaram quatro álbuns seminais bem distintos do que a maior parte dos grupos faziam, mesmos os da área do Rock Progressivo.




"Third" era o terceiro álbum do grupo e foi publicado em 1970. Quatro faixas, cada uma a ocupar cada lado do álbum duplo que era, no tempo do vinil.

Com mais de dezanove minutos segue "Moon In June", da autoria de Robert Wyatt, uma das minhas preferidas do grupo.



Soft Machine – Moon In June

domingo, 13 de setembro de 2020

Soft Machine - Kings And Queens

      DISCO MÚSICA & MODA, nº 5 de 1 de Abril de 1971

Continuando a folhear este nº do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" deparo-me na página 5 e parte da 6 com artigo dedicado a Robert Wyatt, nome à época pouco conhecido isoladamente, e que em tempos já a ele me tinha referido. O artigo dava pelo nome "Lamento grande parte do que fiz - confessa Robert Wyatt", recorde-se: Robert Wyatt foi um eminente baterista, fundador do grupo Soft Machine, aqueles que, para meu gosto, melhor fizeram a fusão do Rock com o Jazz, depois de 1970 iniciou brilhante carreira a solo, acentuada após o acidente de 1973 que o deixou paraplégico.

O título do artigo dá uma importância a uma frase dele que na realidade não tem (o artigo original de 2 de Janeiro do jornal britânico "Melody Maker" era sem dúvida mais apropriado, sendo "Inside the mind of a Machine"). pelo contrário, logo no início do artigo fica-se a saber que "O ano de 1970 foi fecundo para Robert Wyatt" e que "... ascendeu a um lugar de baterista de excepção na música britânica dos nossos dias".



No ano de 1970 para além das gravações do 4º álbum, "Fourth", dos Soft Machine, esteve nos projectos Keith Tippett Centipede e Symbiosis e ainda colaborou com o seu ex-colega de grupo Kevin Ayers

Para ilustração deste Regresso ao Passado recorro ao álbum dos Soft Machine que continuavam na senda da melhor aproximação que o Rock fazia ao Jazz, no outro lado do Atlântico passava-se o inverso com as aproximações que o Jazz fazia ao Rock tendo Miles Davis à cabeça com "Bitches Brew".

Robert Wyatt, na bateria, está soberbo atribuindo grande coesão à complexa sonoridade do grupo.



Soft Machine - Kings And Queens

sábado, 19 de maio de 2018

Soft Machine - Out of Tunes

A Flauta no Rock

Já evoquei os Soft Machine, entre outros motivos, na escolha de "Alguns temas da música underground dos anos 60" e nos grupos que marcaram "O Rock Progressivo nos anos 60". Hoje, mais um "A Flauta no Rock".

Os Soft Machine constituíram uma das propostas musicais mais arrojadas na cena Rock dos anos 60. Conectados com o som de Canterbury, donde eram originários, os Soft Machine procuraram a diferenciação, procurando novos caminhos na música Rock, tendo o atrevimento de prescindirem durante muitos anos de um guitarrista. A instrumentação assentava em bateria, teclados, saxofones e flauta.


Robert Wyatt, Hugh Hooper e Mike Ratledge, formação dos Soft Machine
para "Volume 2"


"There is music for the body and there is music for the mind. Music for the body picks you off the floor and hurls you into physical activity of whatever type you may prefer at the moment. Music for the mind floats you gently downstream, through pleasurable twists and turns, ups and downs, rapids and calm waters. 
The Soft Machine plays music for the mind. In its strictest sense, it may impose some cerebral responsibility on the listener, because you can't really hum along or have the tune pass through your head as you walk in the streets. But the ultimate good feeling that the Machine generates will always remain with you , and the final emotional benefit is well worth the thinking toll." pode-se ler na capa do segundo disco dos Soft Machine.

Mike Ratledge, nos Soft Machine de 1966 a 1976, era o responsável pelos teclados e foi ele que primeiramente assegurou a presença da flauta. Tal aconteceu, precisamente neste disco formado por 2 temas, um em cada lado do disco de vinil, e subdivididos em pequenas peças. No lado A o tema era "Rivmic Melodies" e a última peça, a décima, era "Out of Tunes" onde Mike Ratledge acrescenta, a esta "música para a mente", a referida flauta.




Soft Machine - Out of Tunes

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Soft Machine - Slightly All the Time

1970 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

O outro disco que seleccionei para hoje recordar, e que estava nas escolhas do Miguel Esteves Cardoso que ontem referi, no que concerne à chamada música de "Fusão (Jazz)" no ano de 1970, é "Third" dos ingleses Soft Machine.

Os Soft Machine que vinham desbravando, desde 1967, novos caminhos para a música Rock têm em "Third", como o nome indica, o seu 3º registo e tratava-se de um álbum duplo. Era o primeiro com o saxofonista Elton Dean (a quem Elton John foi buscar o primeiro nome) e onde pontificavam já Mike Ratledge, Rober Wyatt e Hugh Hopper (Kevin Ayers já tinha partido) e é o meu álbum preferido dos Soft Machine.
O álbum era composto por quatro faixas, cada uma ocupando um lado do disco em vinil e tinham todas mais de 18 minutos. A minha edição é em CD, de ano incerto, da colecção "Rewind" da Sony Music com a referência 471407 2, são dele as imagens seguintes.






Dada a extensão das músicas a opção fica por parte do tema "Slightly All the Time" de Mike Ratledge e Hugh Hopper.




Soft Machine - Slightly All the Time (parte)

sábado, 10 de junho de 2017

Soft Machine - Joy of a Toy

O Rock Progressivo nos anos 60

Começámos esta passagem pelo Rock Progressivo nos anos 60 com os Caravan, nada mais natural que continuar com os Soft Machine.

Caravan e Soft Machine tiveram a mesma origem, a cidade de Canterbury, e alguns dos seus principais músicos tiveram passagem pelo mesmo grupo, The Wilde Flowers, os quais não nos deixaram qualquer registo original (excepção para um conjunto de demos editados em 1994). Entre os músicos que integraram The Wilde Flowers encontravam-se Robert Wyatt e Kevin Ayers que em 1966 estiveram na génese dos Soft Machine.

Em 1968 faziam já digressão pelos Estrados Unidos, onde vão gravar o 1º LP, "The Soft Machine" ou como também ficou conhecido "Volume One". Um disco a desbravar novos caminhos para o Rock, um trabalho bastante experimental, hoje considerado pioneiro do Rock Progressivo.




Neste disco os Soft Machine eram um trio formado pelos já citados Robert Wyatt (bateria e voz), Kevin Ayers (baixo e voz) e Mike Ratledge (teclados) e exploravam novas sonoridades, onde as diversas músicas se fundiam umas nas outras, misturando um Rock psicadélico cheio de energia com improvisações de inspiração jazzística. É o exemplo de "Joy of a Toy" que interligava "Hope for Happiness" e a sua reprise.




Soft Machine - Joy of a Toy

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Soft Machine - Hope For Happiness

Alguns temas da música underground dos anos 60

Ainda na cena underground de Londres da década de 60 sobressaiu, para além dos Pink Floyd, o grupo originário de Canterbury, Soft Machine, que se tornariam numa das mais influentes bandas do Rock progressivo.

Em 1966 o mundo assiste a uma verdadeira revolução cultural nascida originariamente em São Francisco, na Califórnia, onde os jovens se juntam aos milhares "e assistem a «espectáculos totais» multidimensionais em que a música, as imagens e os perfumes estão intimamente associados.", era o início do movimento hippie.

"...a América silenciosa que não vê no movimento hippie senão a apologia do sexo, da droga, e da imoralidade, encontra na mesma altura estranhas ressonâncias na Inglaterra. Robert Wyatt, baterista de um conjunto progressista com o curioso nome de Soft Machine (Máquina Suave, segundo o título de um romance de W. Borroughs) declara: «Quase todos os grupos de pop-music, aqui ou na América, fabricam indefinidamente sons e melodias para fazer consumir, sob formas mais ou menos novas, as mesmas emoções, facilmente identificadas e assimiladas pelo público. Queremos quebrar esta imagem e este conceito, reencontrar o espírito do jazz, ou seja uma expressão autêntica, selvagem, mas desta vez nossa e não dos Negros».", citações do livro "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.



Depois do Single "Love Makes Sweet Music" editado em 1967, o primeiro LP surge em 1968 e começava com a faixa "Hope For Happiness".
"Hope For Happiness", exemplo da melhor música praticada nos anos 60, para agora recordarmos.



Soft Machine - Hope For Happiness

domingo, 12 de abril de 2015

Soft Machine - Love Makes Sweet Music

Do movimento hippie florescente a meio da década de 60 nos EUA, em particular na Califórnia já aqui demos eco nos grupos musicais que apareceram naquele período: Jefferson Airplane, Grateful Dead, Quicksilver Megssenger Service, The Doors, etc., etc..
E em Inglaterra como era?
Vejamos o que diz Hervé-Muller em "JIM MORRISON para já dos DOORS":
"... o fogo já se propagava, mas o movimento era então «underground» no sentido mais estrito do termo, reservado a um punhado de iniciados e de percursores que se juntavam numa pequena sala de Tottenham Court Road, baptizada UFO e em alguns outros clubes, ao som de grupos cujos nomes eram ainda mais surpreendentes: Soft Machine, Pink Floyd...
E depois, bruscamente, alguns meses mais tarde, «isso» tinha literalmente explodido publicamente. As ruas cinzentas e feias de Londres, de repente tinham-se identificado com as de S. Francisco, belas e luminosas, pela magia de uma horda florida e de cores berrantes, que deixava atrás dela odores de incenso e de cannabis.
Em Maio, escrevia-me uma amiga: «Ouviste falar dos hippies da Califórnia? Agora nós temos os nossos hippies de Londres: flores nos cabelos, sininhos à volta do pescoço, etc.»."

Estávamos em 1967.

Os Soft Machine formados em 1966 em Canterbury, estiveram ligados ao movimento underground londrino surgido em 1967 e foram uma das suas maiores referências. Cultivaram o psicadélico e a fusão com o Jazz, tiveram diversas formações por onde passaram mais de duas dezenas de músicos, dos primeiros anos de actividade os destaques vão para Robert Wyatt (bateria, voz), Kevin Ayers (1944-2013) (baixo e voz), Mike Ratledge (teclados), Hugh Hooper (1945-2009) (baixo) e Elton Dean (1945-2006) (Saxofone).



São do início dos Soft Machine as seguintes palavras de Rober Wyatt:
"Quase todos os grupos pop-music, aqui ou na América, fabricam indefinidamente sons e melodias para fazer consumir, sob formas mais ou menos novas, as mesmas emoções, facilmente identificadas e assimiladas pelo público. Queremos quebrar esta imagem e este conceito, reencontrar o espírito do jazz, ou seja, uma expressão autêntica, selvagem, mas desta vez nossa e não dos Negros".

A primeira gravação efectuada pelos Soft Machine foi um Single no início de 1967, no lado A "Love Makes Sweet Music", ainda com uma sonoridade identificável como Pop, com Robert Wyatt na voz principal, é a que fica para audição.



Soft Machine - Love Makes Sweet Music

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

DISCO MÚSICA & MODA, nº 5 de 1 de Abril de 1971

A 1 de Abril de 1971, Robert Wyatt merecia (a par de Ian Anderson) destaque na capa do nº 5 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA". A chamada para a página 4 remetia para um artigo de quase 2 páginas com o título "Lamento grande parte do que fiz - confessa Robert Wyatt".




"O ano de 1970 foi fecundo para Robert Wyatt. O ano em que ascendeu a um lugar de baterista de excepção na música britânica dos nossos dias; o ano também em que experimentou agir fora do espírito dos Soft Machine, colaborando, durante algum tempo com Kevin Ayers e assumindo, depois, mais intensamente, o seu papel dentro do projecto «Keith Tippett Centipede»,onde sobressaiu de forma impressionante nos três números iniciais. E assim, neste ano de afirmação, acentuou, ainda mais a sua identidade tornando-se a primeira figura do Simbiosis, esse grupo extraordinariamente livre e impulsivo, e atingiu o seu auge, ao produzir o seu próprio álbum: «The end of an Ear», um trocadilho cheio de propriedade, no seu caso." Início do longo artigo com entrevista a Robert Wyatt, no ano que veria o fim da sua colaboração nos Soft Machine.



Robert Wyatt uma referência obrigatória na música popular dos anos 60, até hoje.



Robert Wyatt - Sea Song

Robert Wyatt é uma referência obrigatória na música popular dos anos 60 até aos nossos dias.

De 1968 a 1971, baterista, vocalista e compositor dos Soft Machine com quem grava 4 álbuns vanguardistas na fronteira do Rock e do Jazz.
1971-1972, continuação da obra iniciada nos Soft Machine, agora nos Matching Mole de curta duração.
1973, ano fatídico para Robert Wyatt. Embriagado, cai de uma janela e fica paraplégico.
1974, marca o retorno de Robert Wyatt, agora a solo, e , claro, sem bateria. Outras percussões, piano, trompete e uma panóplia de outros instrumentos (e a voz, evidente) vão determinar uma sonoridade e criatividade ímpar, sendo cada trabalho, ainda hoje, aguardado com enorme expectativa.
Mas não avancemos mais, ficamos em 1974 e nesse magnífico álbum "Rock Bottom", começamos com "Alifib",





e terminamos com "Sea Song", o melhor de 1974, foi há 40 anos.


Robert Wyatt - Sea Song