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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

June Tabor - All Tomorrow's Parties

Grandes Versões


Uma versão improvável. Sim sem dúvida, o que têm os The Velvet Underground dos anos 60 a ver com a June Tabor dos anos 90? À partida diria nada, The Velvet Underground, formados na cosmopolita Nova Iorque, na vanguarda do Rock mais experimental que na altura se poderia imaginar, June Tabor, nascida em Warwick no centro de Inglaterra, uma das maiores cantoras Folk ainda em actividade.

The Velvet Underground tiveram curta duração (final dos anos 60 inicio da de 70) mas revolucionaram a música Rock e a sua importância é hoje indiscutível, se o nome disser pouco saiba-se que Lou Reed e John Cale foram seus fundadores. June Tabor iniciou-se nas lides musicais nos anos 70 tendo, para além de uma riquíssima discografia a solo, colaborado com nomes importantes do Folk inglês, Maddy Prior, logo no início, os Oysterband,  Iain Ballamy e Huw Warren como Quercus são algumas das suas mais importantes parcerias.


Edição RYCODISC, ref: RCD 10194, de 1990


O original de hoje pertence aos The Velvet Underground no seu disco de estreia "The Velvet Underground & Nico" (1967) e dá pelo nome de "All Tomorrow's Parties", foi composta por Lou Reed tendo Nico dado a voz. E é esta canção que faz a ponte a June Tabor pois constava no álbum "Freedom and Rain" (1990) que esta gravou com a The Oyster Band (antes de ser simplesmente Oysterband) em 1990. Dois mundos quase oposto aqui ligados por uma canção com duas interpretações tão distintas. O original já se encontra neste blogue, resta agora a versão de June Tabor with The Oyster Band.




June Tabor - All Tomorrow's Parties

terça-feira, 30 de julho de 2019

June Tabor - The Band Played Waltzing Matilda

Mais algumas memórias soltas dão continuidade a estes Regresso ao Passado até interromper por alguns dias para umas merecidas férias.

A primeira recordação vai June Tabor.

Em 1978 falecia a minha cantora preferida de sempre, Sandy Denny, e um enorme vazio se me apoderou pois sabia da impossibilidade de alguma vez o ver superado. Ainda hoje, a minha paixão por Sandy Denny é incontornável e como esperava não mais encontrei alguém que preenche-se o espaço por ela deixado. À época procurei entre as vozes femininas que mais apreciava, Maddy Prior dos Steeleye Span, Jacqui McShee dos Pentangle (nas afinidades musicais mais próximas), Annie Haslam dos Renaissance, Sonja Kristina dos Curved Air, Grace Slick dos Jefferson Airplane (em afinidades bem mais remotas) uma sucedânea para a minha Sandy Denny, mas genericamente todas elas já estavam em fase descendente ou numa fase menos interessante das suas carreiras. Havia ainda a Joni Mitchell, mas essa já ocupava um lugar especial ao lado da Sandy Denny.

Até que um dia conheci um álbum designado “Silly Sisters”, de 1976, de um duo de música Folk que tomou o mesmo nome, formado pela Maddy Prior já referida e por uma tal June Tabor. E desde logo me prendeu a atenção a qualidade interpretativa desta última, então desconhecida para mim. Acompanhei, dada a sua pouca divulgação por cá, o mais perto que pude o percurso que June Tabor foi trilhando. Exímia interprete “a capella” foi ao longo dos anos abraçando vários estilos, do Folk tradicional, a standards de Jazz (mal recebidos pela crítica mais puritana) ou ainda ao Rock independente de uns The Velvet Underground ou Joy Division.


Edição em CD de 1989 com as ref: TSCD 298; TSCD298

A voz tornou-se progressivamente mais grave, mas sempre de uma pureza e integridade manifestas. Hoje, aos 71 anos é, para mim, a mais importante e bonita cantora Folk, ocupando, por especial valor, um lugar singular ao lado da Sandy Denny e Joni Mitchell. Ainda em 1976 grava o primeiro álbum a solo designado “Airs and Graces” e dele recupero a canção “The Band Played Waltzing Matilda”.
Escrita em 1971 por Eric Bogle tem como origem “Waltzing Matilda” do cancioneiro australiano do início do século XX. Ouçam então “The Band Played Waltzing Matilda” em silêncio de preferência, como diz a própria June Tabor: “O silêncio é tão importante como as notas”.




June Tabor - The Band Played Waltzing Matilda

 PS1: Na noite fria de 2 de Março de 1993, num Rivoli quase deserto, assisti a um concerto, belo e intimista, de June Tabor. Lembrei-me da Sandy Denny. Não a substituiu, mas ajudou a minorar o vazio por ela deixado.

PS2: Reproduzindo João Lisboa na crónica de 21 de Setembro de 2013, no Expresso: “Elvis Costello não se fica por meias palavras: “Se não gostam de escutar June Tabor, melhor seria que desistissem de ouvir música””

sábado, 19 de janeiro de 2019

June Tabor - All This Useless Beauty

Maddy Prior tocou no Porto em 2 de Abril de 1992, passado menos de um ano, mais concretamente a 2 de Março de 1993, era a vez de June Tabor actuar no mesmo espaço da sua amiga ou seja no Teatro Rivoli.
Dois monstros da música Folk e tradicional britânica actuavam então na cidade do Porto, tendo eu não perdido a oportunidade de as ver. Contrariamente ao concerto de Maddy Prior, deste lembro-me bem da sua extraordinária actuação numa noite muito fria e um Rivoli despido como ela não merecia.

Se a primeira vinha já dos anos 60, colaboração com Tim Hart e início dos históricos Steeleye Span, June Tabor iniciou-se precisamente com Maddy Prior em 1976 com o álbum "Silly Sisters", nome pelo qual o duo ficou conhecido, tendo ainda gravado "No More To The Dance" em 1988. De então para cá construiu uma carreia a solo irrepreensível, assim como colaborações com outros músicos e grupos, como a Oysterband e actualmente o trio Quercus.





Aquando deste concerto June Tabor era uma cantora madura e tinha essa confirmação no seu então mais registo álbum, o belíssimo "Angel Tiger".

A anteceder o concerto em entrevista a Fernando Magalhães publicada no jornal Público a 24 de Fevereiro





June Tabor é "Uma grande cantora, perto da perfeição", é o que eu penso também. Um bom exemplo vem da interpretação de "All This Useless Beauty" escrito por Elvis Costello para ela e é a escolha de hoje. Pertence ao álbum "Angel Tiger" altamente recomendável.




June Tabor - All This Useless Beauty

quinta-feira, 14 de junho de 2018

June Tabor – Lassie Lie Near Me

Este blog tem estado centrado sobretudo na música dos anos 60 e 70. Por vezes tenho que fazer um intervalo e saltar algumas décadas para não deixar passar outras músicas que independentemente da data fazem parte do meu imaginário. Tenho pois que ir abrindo excepções para não deixar passar discos que merecem uma absoluta referência. O salto hoje vai para o ano de 2013.

Neste ano não posso deixar de destacar um dos melhores discos que nesse ano me foi dado ouvir: “Quercus” de June Tabor/Iain Ballamy/Huw Warren, respectivamente voz, saxofones e piano.


Edição alemã da ECM, em CD, com referências: ECM 2276; 372 4555

É um disco da editora alemã ECM, especialista em música Jazz, e é a abertura do catálogo da editora a músicas oriundas de outras paragens. Entre originais e temas tradicionais assim se desenvolvem mais de 50 minutos de uma beleza rara. June Tabor, tinha então 67 anos, e é para mim a cantora Folk inglesa viva mais importante da actualidade. Com incursões pontuais por outras sonoridades, que não a música tradicional, como o Rock ou o Jazz, realiza, com os músicos de Jazz Iain Ballamy e Huw Warren, “Quercos”.
Diz a “amazon”: “’Quercos’ significa 'carvalho' em latim e as raízes desta árvore cavam fundo na música popular britânica, enquanto folhas e galhos alcançam níveis superiores para abraçar um jazz inspirado de improvisação lírica.” É verdade!
O crítico João Lisboa no balanço dos melhores discos de 2013 coloca “Quercos” entre os dez melhores e afirma “…June Tabor integrada nos Quercos abriu mais uma janela por onde a tradição, coabitando com o jazz contemporâneo respira ar fresco…”.

A música é calma, mas simultaneamente enérgica e profundamente comovente, para ouvir em silêncio absoluto, sem a respiração se ouvir.
“Quercos” foi dos álbuns que mais ouvi em 2013, segue o tradicional “Lassie Lie Near Me”, o tema de abertura do disco.




June Tabor – Lassie Lie Near Me

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Quercus - Auld Lang Syne

Algumas memórias de 2017

Foi o último CD que adquiri no ano transacto mas rapidamente ficou como referência maior do ano de 2017. 2015 foi do grupo inglês The Unthanks com o álbum "Mount The Air", 2016  foi da regressada Shirley Collins com "Lodestar", 2017 vai directo para o trio Quercus com "Nightfall".





June Tabor, actualmente com 70 anos, continua a ter um percurso ímpar na música Folk britânica.
Desde meados dos anos 70, quando em duo gravou 2 discos com Maddy Prior, até 2017, com June, conjuntamente com Iain Ballamy e Huw Warren, a tomar o nome do disco anterior "Quercus", que June Tabor em tido uma carreira notável. Com a música tradicional como principal referência, Tabor não se coíbe de abraçar diferentes géneros, do Folk-Rock com The Oyster Band, ao Jazz ou ao Folk-Jazz do actual trio Quercus.


Edição alemã, em CD, de 2017, Ref: ECM 2522/574 3078



Com Iain Ballamy nos saxofones e Huw Warren no piano, June Tabor tem vinda a expandir as suas qualidades vocais para níveis invulgares, este "Nightfall", que hoje é aqui objecto, é mais uma prova. June Tabor a maior cantora Folk britânica viva ou pelo menos a minha preferida.

"Nightfall", composto por vários temas tradicionais, acrescido de alguns standards da música popular como "You Don't Know What Love Is", "Somewhere" e "Don't Think Twice It's Alright", é um prazer para os sentido que se renova a cada nova audição.
"Nightfall" rivaliza com "Triplicate" de Bob Dylan para o meu disco preferido de 2017.

Para se ficar com maior vontade de se conhecer este disco segue a faixa de abertura, o tradicional escocês da hora da despedida "Auld Lang Syne".




Quercus - Auld Lang Syne