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sábado, 4 de fevereiro de 2023

Family Fair - Soldier

 mundo da canção


A atenção de o "mundo da canção" à música portuguesa está patente em alguns artigos de mais este nº 17 de Abril de 1971.

Começa com uma entrevista a Carlos Cruz, então com grande protagonismo na televisão e rádio face ao sucesso que o programa "Zip-Zip" tinha tido em 1969. Seguiu-se a criação da editora "Zip" e o programa da Rádio Renascença "Tempo Zip" (1970 a 1972).




Continua com "Casos" onde se põe a nu o nacional-conçonetismo aqui nos artistas Mafalda Sofia a interpretar "Cavalo à Solta", a Lenita Gentil e o seu apreço por José Afonso e Luís Cília e, finalmente, Paco Bandeira na altura muito popular com "A Minha Cidade" que se considerava "completamente ridículo" e "perfeitamente desactualizado de qualquer padrão de música ligeira".



Para, por fim, chegarmos ao melhor e o melhor encontrava-se no projecto Family Fair centrado em Nuno Rodrigues e a cantora Daphne. Sob o título "Family Fair Uma experiência positiva e honesta" referia-se a proximidade sonora a grupos do melhor Folk-Rock então praticado como Fairport Convention, Pentangle, Fotheringay e Matthews Southern Comfort.





Era ainda reproduzida a letra de "Soldier", um tema onde era criada "uma atmosfera estranha, exótica..." onde "A voz de Daphne aparece aqui dotada de uma transparência e espiritualidade serenas servindo muitas vezes de contraponto músico-instrumental ..."





Family Fair - Soldier

terça-feira, 9 de abril de 2019

Family Fair - Soldier

Da nossa música Folk, ou Folk-Rock, daquela que se aproximava daquilo que melhor então se fazia, em particular, no Reino Unidos com os Fairport Convention, Pentangle e Incredible String Band, não ficaram muitos registos. Também pouca houve, é verdade. Um dos melhores exemplos resume-se a um Single editado no ano de 1971 e é a proposta para hoje, são os Family Fair.

Os antecedentes destes Family Fair são os seguintes.
Em 1969, Nuno Rodrigues formou conjuntamente com Clara Stock Aguiar (Daphne), António Lobão e Judi Brennan o grupo Música Novarum de boa memória e de curta duração, deixou um EP gravado que tenho vindo a recordar.
Em 1971 é a vez dos Family Fair, ou seja Nuno Rodrigues e Daphne com Carlos Zíngaro, Celso de Carvalho e Carlos Coelho Achega. Lembre-se que no mesmo ano Daphne participou no Festival RTP com a canção "Verde Pino" composta por Nuno Rodrigues da qual já dei nota.





A sonoridade dos Family Fair é absolutamente incrível no contexto musical da época, o Single é uma raridade e vale bom dinheiro. Na contra-capa um texto de Tito Lívio:
"Torna-se sempre arriscado e comprometedor para um crítico aceitar sobre si a responsabilidade da apresentação de uma nova gravação no tão pobre e confuso panorama da "nova" canção portuguesa.
Escutei várias vezes este "single" de "Family Fair". Com agrado, com uma surpresa não isenta de alegria, de prazer. Aquele que nos comunica a validade e qualidade de uma experiência.
Música que enraíza nos grupos folk-rock como os Fairport Convention, Fotheringay, Mathew´s Southern Comfort  e Pentangle ela aparenta-se ainda quanto à instrumentação utilizada (ausência absoluta da percussão por desnecessária) com Jim Webb e John Mayall.
Em "Soldier" há desde o início a criação de uma atmosfera estranha, exótica que nos é fornecida pelo som  acre dos instrumentos utilizados (recuperados assim para a pop experiência rara entre nós): violino e violoncelo. A voz de Daphne aparece aqui dotada de uma transparência  e espiritualidade serenas servindo muitas vezes de contraponto instrumental, sublinhando a força de um poema-tema actual e oportuno.
"Mrs Colbeck" - um poema de raízes surrealistas, melodia com uma instrumentação mais curiosa embora não tão colorida e rica como "Soldier" em que a viola (ela própria quando seca utilizada como percussão) vai marcando o ritmo e criando um crescendo de intensidade sonora muito belo.
"Family Fair" constitui, sem dúvida, desde já, uma experiência muito positiva e honesta merecedora de toda a nossa atenção."


Para mim a lembrar os Pentangle de Jacqui McShee, segue "Soldier".




Family Fair - Soldier

domingo, 29 de janeiro de 2017

Nuno Rodrigues - Versos

Algumas memórias de 2016

Na música popular portuguesa, o Fado continuou a dominar o ano de 2016. Se, nesta área, já não assistimos a nada de verdadeiramente inovador no novo Fado que este milénio nos trouxe, continua a ser dominador e a afirmar-se no mercado nacional.

Nesta área destacam-se:

Ricardo Ribeiro - Hoje É Assim, Amanhã Não Sei
Gisela João - Nua
Cristina Branco - Menina

Faltaram Camané e Ana Moura ainda a viver dos sucessos de 2015

Vindos do Fado, mas cada vez mais longe dele, tivemos António Zambujo com "Até Pensei que Fosse Minha" em tributo a Chico Buarque e Carminho com "Carminho Canta Tom Jobim" em tributo a Tom Jobim.

No Pop Rock destacaram-se Capitão Fausto com "Têm os Dia Contados", cada vez mais reconhecidos e para muitos o melhor disco português do ano, Samuel Úria com "Carga de Ombro", já com uma vasta discografia mas ainda não suficientemente divulgado, em sonoridades mais afastadas Rodrigo Leão em parceria com o australiano Scott Matthew continua uma sólida carreira a solo que começou com "Ave Mundi Luminar" em 1993.

Menos divulgados mas nem por isso menos importantes dois discos de 2016 que gostamos particularmente, de Old Jerusalem, o portuense Francisco Silva que foi buscar o seu nome artístico a uma canção do seu mentor Will Oldham (Bonnie Prince Billy) no tempo dos Palace Music, assina mais um álbum intimista de nome "A Rose is a Rose is a Rose is a Rose" a demonstrar uma evolução segura e consistente.





Finalmente o disco que terá sido em 2016 mais ignorado, "Pérolas d'Alma" de Nuno Rodrigues. Aos 67 anos Nuno Rodrigues (ex-Musica Novarum, ex-Banda do Casaco) assina o primeiro disco a solo musicando a poesia de Florbela Espanca. Um disco de rara beleza, cuidadosamente trabalhado a colocá-lo, claramente, entre o melhor que 2016 nos deixou.






Nuno Rodrigues - Versos

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Música Novarum - Temporal no Monte

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Mais um grupo predominantemente vocal que se estreou no programa da TV "Zip-Zip", foram os Música Novarum.

Formados no ano de 1969, os Música Novarum eram constituídos por Nuno Rodrigues, Daphne Stock, António Lobão e Judi Brennan. Musicalmente, manifestavam um som Folk com aproximação à música renascentista, arranjos vocais, uma viola e uma flauta protagonizavam o som dos Música Novarum.

Na passagem pelo "Zip-Zip" interpretaram a canção "Temporal No Monte" que viria a ser editada no disco "O Último Zip" com data provável de 1971. Na contra-capa do LP, Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz assinavam o seguinte texto:
"Foram 7 meses de amanhecer difícil. Por não poder fazer mais... por não saber fazer melhor. Mas ficou a semente. Dar uma mãozinha. Gostar de gente. O Zip foi a esperança no entendimento. Hoje é apenas a maior saudade. Pelo menos de nós três".

Do blog Ié-Ié


O quarteto teria curta duração, em 1974 Nuno Rodrigues estaria na génese de um dos grupos mais interessantes da música popular portuguesa, a Banda do Casaco.
Em 2016 Nuno Rodrigues edita o primeiro CD  a solo de nome "Pérolas d'Alma" com poesia de Florbela Espanca.



Música Novarum - Temporal no Monte