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domingo, 22 de maio de 2022

Tonicha - Terras de Garcia Lorca

 

Também a multifacetada Tonicha não passou incólume à canção de intervenção que proliferou após os 25 de Abril de 1974. E se nos tinha surpreendido com discos como o EP "4 Canções de Patxi Andion" de 1972, também é verdade que não aquele, a meu ver, o seu tipo de canção predileto. Diria que a canção ligeira, tipo "Menina" com que venceu o Festival da RTP da Canção em 1971, e a música folclórica por exemplo "Canções e Folclore", LP de 1973, se enquadravam melhor no seu perfil musical.

Assim entre trabalhos mais comercias e outros com preocupações qualitativas mais notórias publica em 1975 o LP "Canções de Abril" onde surgem temas novos, alguns com letra de Ary dos Santos, ou ainda uma versão de "Somos Livres" já aqui recordada no original de Ermelinda Duarte. Os arranjos e direcção ficaram entregues a Jorge Palma




"Terras de Garcia Lorca", a faixa que abria este álbum, tinha letra de Ary dos Santos e era uma homenagem a Frederico Garcia Lorca, poeta espanhol assassinado durante a Guerra Civil Espanhola (1936), lembre-se que em 1975 Espanha ainda vivia sob a ditadura franquista.



Tonicha - Terras de Garcia Lorca

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Tonicha - Menina

 mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Inevitavelmente este nº da revista "mundo da canção" com a publicação de várias letras de canções participantes no Festival RTP da Canção de 1971 trazia também a vencedora do certame, "Menina" na voz da Tonicha tinha sido a canção eleita sendo a letra de Ary dos Santos e a música de Nuno Nazaré Fernandes.




Em sequência é também publicada uma entrevista, da autoria da Maria Teresa Horta, com o Ary dos Santos onde ele fala da importância da sua participação nos Festivais, da canção vencedora, da canção "Cavalo à Solta" defendida pelo Fernando Tordo ou ainda da "Flor Sem Tempo" do Paulo de Carvalho onde considerava que "...as palavras são de tostão...".




Quanto às expectativas para Dublin, onde se realizou o Festival da Eurovisão daquele ano, mostrou-se pessimista e não via muitas possibilidades, mesmo assim "Menina" acabou classificada em 9º lugar, a melhor obtida até então, entre 18 países concorrentes.



Tonicha - Menina

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Tonicha - Resineiro

mundo da canção nº 14 de Janeiro de 1971


E este é o último Regresso ao Passado tendo por base o nº 14 da revista "mundo da canção" editado no início de 1971.

Para o fim ficou um texto assinado por Arnaldo Jorge Silva sob o título "Casos" onde o autor parodia com a situação musical portuguesa, "... dizem as más línguas que: Aretha, Ella Fitzgerald, Baez , Mahaila e Melanie estão deveras preocupadas pois sabem que popularidade e contratos estão em perigo devido ao aparecimento das duas portuguesas no mercados mundial."

As "duas portuguesas" referidas aparecem na imagem colagem e eram "insinuantes intérpretes de FOLK (Resineiro Ingraçado), JAZZ (Os Teus Olhos Verdes)..." e só podiam ser a Tonicha e a Lenta Gentil, duas vozes da música ligeira menos interessante do que cá se fazia, mais a segunda que a primeira.




"Resineiro Engraçado" tema popular da Beira-Baixa teve uma bela versão na voz de José Afonso que a publicou no álbum "Cantares de Andarilho", mas não tão bem conseguida pela Tonicha que não faz esquecer a de José Afonso.

"Resineiro" foi publicada em EP no ano de 1969, numa altura em que o reportório de Tonicha assistiu a um incremento de canções de raiz folclórica.



Tonicha - Resineiro

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Grupo In-Clave - Portugal Ressuscitado

"Portugal Ressuscitado" é uma canção do 25 de Abril. Gravada sob o nome de Grupo In-Clave, quem faria parte do grupo?, na contra capa dá as vozes ao Grupo In-Clave, Fernando Tordo e Tonicha, quanto à letra e música vão directamente para Ary dos Santos e Pedro Osório.

Disco único sob o nome do Grupo In-Clave continha três temas, o dito "Portugal Ressuscitado", "In-Memorium", poema declamado pelo próprio Ary dos Santos e "Canção Combate" com letra também de Ary dos Santos e música de Fernando Tordo.


https://www.discogs.com/


"Portugal Ressuscitado" ficou como uma canção panfletária, ouvida em excesso em tudo o que era manifestação popular, não a apreciava particularmente. Ficou mais conhecida pelo refrão "Agora o povo unido / nunca mais será vencido / nunca mais será vencido", não confundir com a canção do mesmo ano de Luís Cília "A Povo Unido Nunca Mais Será Vencido" adaptação da canção revolucionária chilena.

Como se estivéssemos em 1974 aqui fica "Portugal Ressuscitado", outros tempos...



Grupo In-Clave - Portugal Ressuscitado

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Tonicha - Obrigado Soldadinho

 Em 1974, depois do 25 de Abril, proliferaram as canções de cariz popular que celebravam a liberdade então conquistada. E essas canções surgiram um pouco por todos os géneros, quer na música então dita de intervenção que obviamente enaltecia os tempos que se começavam a viver, quer da música mais ligeira.

A Tonicha encontrava-se neste último lote e também não ficou indiferente à situação política e social que se vivia cheia de esperanças e de dúvidas e incertezas também.

Tonicha era uma cantora bem conhecida do antes do 25 de Abril com uma vasta obra editada desde 1965. Já tinha revelado várias facetas ao gravar temas desde o folclores de características mais acessíveis a interpretar versões de canções de Patxi Andión, em 1974 grava o LP "As Duas Faces de Tonicha" bem condizente com o período que se vivia..


https://www.discogs.com/


O álbum era composto por 11 canções com letras de Ary dos Santos sendo o lado A com música de Fernando Tordo e o lado B com música de Pedro Osório, a que ficou mais conhecida foi "Obrigado Soldadinho" que agora recupero.



Tonicha - Obrigado Soldadinho

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Tonicha – Com um Cravo na Boca

 Lembranças contraditórias quando se fala da Tonicha em parte devidos ao seu reportório muito diversificado desde a canção ligeira e popular ao folclore de mais baixa qualidade. Também a voz por vezes muito estridente não ajudou a que dela tivesse uma opinião mais positiva. Já no que diz respeito aos textos também aqui foram bastante diversificados mas onde não se pode deixar de relevar a presença de Ary dos Santos em canções como "Menina" com a qual ganhou o Festival da Canção em 1971.

Prova desta miscelânea de géneros está no LP de 1973, "Canções e Folclore", como o nome indica uma compilação de temas de música ligeira e do nosso folclore mais tradicional. Um disco desinteressante para meu gosto. Mas entre o nada atrativo lado B todo ocupado por temas de folclore e no lado A canções de vários autores como "Glória, Glória Aleluia" (José Cid) e outras onde refiro as que tinham letra de Ary dos Santos: "Menina", "Mulher e Força" e "Com um Cravo na Boca".




Esta última uma canção de 1973 e então também publicada em EP conjuntamente com "A Rapariga e o Poeta", "Contraluz" e "Rosa, Rosae". "Com um Cravo na Boca", uma bonita canção de Ary dos Santos e Jorge Palma a merecer uma melhor interpretação.



Tonicha – Com um Cravo na Boca

terça-feira, 16 de junho de 2020

Tonicha – Puedo Inventar

Mais uma voz feminina no panorama da música popular portuguesa no ano de 1972, Tonicha.

Não se encontrando entre as minhas preferências, gostava muito mais de uma Daphne praticamente desconhecida, tenho procurado trazer aqui a Tonicha numa vertente para mim muito mais agradável do que a faceta mais popular, diria popularucha, pela qual ficou mais conhecida.

Bem conhecida do grande público com êxitos muito comerciais e de gosto fácil, teve paralelamente um conjunto de gravações que não tiveram a divulgação merecida. Recorde-se, por exemplo, a colaboração, nos anos 60 com José Cid ou em 1972 a participação no trabalho de José Niza "Fala do Homem Nascido". 





Também do ano de 1972 é o EP com quatro canções do cantor espanhol Patxi Andión que Ary dos Santos tratou de adaptar para português. É dele o texto que consta na contra-capa do disco:
"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um «caso» musical. Mas, quanto a mim, a grandeza desse «caso» reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino.
Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Cano de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personalizado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."


"Puedo Inventar" é uma canção do álbum "Palabra por Palabra" que Patxi Andión publicou em 1972, no mesmo ano Tonicha cantava-a assim:



Tonicha – Puedo Inventar

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Tonicha - Emporte-Moi Loin d'Ici

A música Pop no feminino no Portugal dos anos 60

As duas passagens que fiz da Tonicha foram referentes a gravações já dos anos 70, "Menina" (1971) e "Poema da Auto Estrada" (1972), mas  a sua carreira vinha de há quase uma década atrás.

Entre gravações extremamente comercias, por exemplo: "Zumba na Caneca", a trabalhos de maior qualidade que a levaram a gravar com José Cid ou a efectuar versões de canções de Patxi Andión, um pouco de tudo se encontra. Voz bonita mas ecletismo em excesso para meu gosto, tinha qualidades que deveriam ter sido aproveitadas para um repertório mais consistente.





A fase mais Pop começa no final dos anos 60 com a colaboração que teve de José Cid e em 1968 surgia o 1º EP dessa parceria e nele encontrava-se "Emporte-Moi Loin d'Ici". Desta faceta, por ventura menos conhecida mas não menos interessante, "Emporte-Moi Loin d'Ici" escrita por José Cid é a proposta de audição desta voz que tinha potencialidades para ter ido mais longe.




Tonicha - Emporte-Moi Loin d'Ici

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Tonicha - Poema da Auto Estrada

Regresso à música popular portuguesa dos primeiros anos da década de 70 para recordar algumas canções praticamente esquecidas.
Opções muito variadas, começo com a Tonicha.

Entre o popularucho de “Zumba na caneca”, passando pela bem conhecida canção “Menina” vencedora do Festival da Canção de 1971, até à colaboração nessa quase esquecida obra da música popular portuguesa que foi o LP “Fala do Homem Nascido”, decorria o ano de 1972, deparamo-nos com a Tonicha.
Como é fácil constatar, evidenciou ao longo da carreira diversas matizes musicais, mas, infelizmente, ficou sempre associada a músicas menores, muitas vezes próximo do nacional - cançonetismo e fica a pena de não ter sido mais atrevida noutras abordagens explorando as potencialidades vocais que possuía (fica também a tentativa de uma abordagem mais Pop com a colaboração do Quarteto 1111 no final dos anos 60, ou ainda em 1972 a interpretação de músicas de Patxi Andion).

Exemplo duma faceta pouco cultivada é a versão de “Oh Pastor que choras”, renomeada somente “Pastor”, e já aqui abordada no original do José Almada.


  


Mas melhor ainda está na participação no projecto colectivo que deu voz à poesia de António Gedeão no referido “Fala do Homem Nascido”. Recorda-se aqui “Poema da auto-estrada” na voz da Tonicha

Afirma a "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX":
”Enquanto intérprete saliente-se a capacidade de adaptação a vários estilos musicais, além de uma clareza e cuidado na interpretação do texto”. Ou seja do melhor ao pior, ou como se poderia ter ganho uma bela cantora.




Tonicha - Poema da Auto Estrada

sexta-feira, 29 de março de 2019

Tonicha - Menina

Ainda o ano de 1971 na música popular portuguesa, ainda mais um nome feminino, a bem conhecida e popular Tonicha.

Se Tonicha nunca preencheu o meu ideário da melhor música portuguesa, lembro-me sempre do raio da "Zumba na Caneca", também é verdade que houve períodos em que, afastando-se da música ligeira, teve contribuições muito positivas numa vertente mais Folk e Pop.
Alguns destaques de Tonicha vão para a colaboração com José Cid entre 1968 e 1972, a interpretação de canções de Patxi Andión (1972), a participação no LP "Fala do Homem Nascido" (1972) com Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel e o destaque de hoje a colaboração com o poeta José Carlos Ary dos Santos.
Ontem foi a colaboração de Ary dos Santos com a Teresa Silva Carvalho, hoje com a Tonicha.

https://www.discogs.com


É no Festival RTP da Canção de 1971 que se dá o encontro de Tonicha e de J.C. Ary dos Santos, com a canção "Menina (do alto da serra)" vence o Festival e representa Portugal no Festival da Eurovisão em Dublin obtendo o 9º lugar, a melhor classificação conseguida até então. A colaboração com Ary dos Santos prolongar-se-ia, ao que consegui apurar, até pelo menos 1976.

"Menina", editada pela "Zip-Zip", teve uma divulgação internacional significativa, com versões em castelhano, italiano, francês e inglês.




Tonicha - Menina