Mostrar mensagens com a etiqueta Jim Morrison. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jim Morrison. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

The Doors - L.A. Woman

1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

"Quatro álbuns que iriam ter uma responsabilidade maciça na nova vaga de 1978-1980", assim dizia Miguel Esteves Cardoso sobre quatro discos que ele colocava entre as suas escolhas do ano de 1971, são eles:
L.A. Woman - The Doors
Lou Reed - Lou Reed
Church of Anthrax - John Cale
Desertshore - Nico

Começo pelo primeiro "L.A. Woman", dos sempre bem vindos The Doors, que era o último do grupo com Jim Morrison vivo. Sobre ele referia Miguel Esteves Cardoso no seguimento da frase anterior: "O último dos Doors é menos evocador, mas agressivamente lírico.", 4 estrelas era quanto lhe atribuía.

Edição portuguesa em vinil com a ref: LP-S-58-9, data incerta




O álbum possuía 2 canções que particularmente se destacavam pela sua duração (mais de 7 minutos), mas não só, eram  "... ambas completa e poderosamente autobiográficas, e ambas lírica e musicalmente fortes." (em "Daqui Ninguém Sai Vivo" de Jerry Hopkins/Danny Sugerman). Era Jim Morrison e The Doors no seu melhor.

As canções eram as agora clássicas "Riders on the Storm" e "L.A. Woman", a primeira mais lenta e melódica, a segunda mais aguerrida e poderosa onde Jim Morrison homenageia a Cidade da Noite, Los Angeles.

...
If they say I never loved you
You know they are a liar
Driving down your freeways
Midnight alleys roam
Cops in cars, the topless bars
Never saw a woman so alone
...

Da edição do 40 aniversário dos The Doors (1967-2007), em CD, segue "L.A. Woman", tem mais 10 segundos que o original, no começo ouve-se a guitarra a tocar o hino dos EUA.



The Doors - L.A. Woman

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Jim Morrison - Abismos (escritos inéditos)

Abismos (escritos inéditos), no original "Wilderness", é um livro de poesia de Jim Morrison publicado pela primeira vez em Portugal pela Assírio e Alvim em Maio de 1991, era o nº 20 da colecção Rei Lagarto. O meu exemplar corresponde à 2ª edição de Abril de 1994.

Possibilidade de se conhecer a faceta de Jim Morrison para além de músico, a de poeta:
"Oiçam, a verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta.
...e é por isso que sinto pela poesia este apelo tão forte - porque é eterna. Enquanto houver pessoas, elas podem lembrar-se de palavras de combinações de palavras. Mas nada pode sobreviver ao holocausto a não ser a poesia e as canções. Ninguém se consegue lembrar  de um romance inteiro. Ninguém consegue descrever um filme, uma escultura, uma pintura, mas enquanto houver seres humanos, as canções e a poesia sobreviverão.
Se a minha poesia pretende atingir alguma coisa, é libertar as pessoas dos limites em que se encontram e que sentem." em AUTO-ENTREVISTA, tradução de Ana Paula Sousa e António Costa.





O livro termina com a seguinte nota final:
"James Douglas Morrison, aliás Jim Morrison, ou simplesmente Jim, para amigos, discípulos e fãs. Nasceu em Melbourne, Flórida, em 8 de Dezembro de 1943 e morreu em Paris, França, em 3 de Julho de 1971. Uma morte prematura e misteriosa, uma vida à beira do abismo ou ultrapassando os limites, tornaram-no mito, lenda viva do rock & Roll, já lá vão mais de duas décadas.
Publicou em vida quatro livros de poemas e gravou várias horas de poesia em estúdio. Em finais de 1989 é editado o primeiro volume de Wilderness, um conjunto de inéditos de Morrison, dispersos em papéis e cadernos. É esse volume que aqui se apresenta."


"cada dia é uma viagem pela história", Jim Morrison no poema LATITUDES DO CAVALO.

The Doors - Riders On The Storm

Falecidos na Década de 70

Vamos para 1971 e mais uma morte ensombra a música Rock. Nove meses após a morte de Jimi Hendrix e Janis Joplin os fãs do grupo norte-americano The Doors são surpreendidos com a notícia da morte do seu líder, Jim Morrison.
À semelhança daqueles faleceu com 27 anos, estava então em Paris quando foi encontrado morto na banheira, a 3 de Julho em Paris, pela sua namorada Pamela Courson. Excesso de álcool e drogas estarão nas causas mais prováveis da sua morte.
Dos três referidos, Jim Morrison era o que eu melhor conhecia e mais apreciava, era, para mim, o melhor vocalista da música Rock e conhecia razoavelmente bem a sua música. Em particular o duplo LP ao vivo "Absolutely Live" e o recém editado "L.A. Woman". Da obra anterior eram vários os temas que já tinha ouvido, nomeadamente o "antigo" "Light My Fire" e o "mais recente" "Peace Frog". Foi, portanto a morte que eu mais senti.


Da edição comemorativa dos 40 anos dos The Doors (1967-2007),
edição em CD de "L. A. Woman"


Não sei, ao certo, quando soube da morte de Jim Morrison. Naquele tempo a informação era parca quer nos meios audiovisuais quer na imprensa escrita. Mas o artigo, do meu conhecimento, onde primeiro era referido o seu desaparecimento era assinado por Octávio A. F. Silva que assinava um artigo de duas páginas, sobre The Doors e Jim Morrison, no nº 6 de Novembro-Dezembro de 1971, do jornal "memória do elefante". Terminava o artigo assim:

"Já em 1971 editou-se um LP retrospectivo, «Doors 13», e pouco antes do desaparecimento de Jim Morrison apareceu o seu último trabalho: «L. A. Woman». Neste álbum, ainda uma última criação de génio em RIDERS ON THE STORM. Apelo prolongado e desesperado, envolve-nos na sua densidade ultra-sólida para nos prostar atentos num encanto pós orgástico. RIDERS ON THE STORM é ainda uma sequência do anteriormente exposto. Porém os «Doors» chegaram também a algo de muito incaracterístico, que com o desaparecimento de Morrison talvez nunca cheguemos a compreender se fosse possível compreender.
Esperemos o futuro dum grupo que foi um dos maiores de toda a música popular dos anos 60, asseverando, no entanto que as excelentes qualidades dos seus músicos não chegarão com certeza para suprir a falta dum dos génios primeiros dessa mesma música popular."






The Doors - Riders On The Storm

sábado, 7 de outubro de 2017

Jim Morrison - Daqui Ninguém Sai Vivo

"Daqui Ninguém Sai Vivo"



"Daqui Ninguém Sai Vivo" é um livro escrito por Jerry Hopkins e Danny Sugerman relatando-nos a vida do cantor Jim Morrison, líder do grupo Rock The Doors, que teve uma curta existência. Faleceu, com 27 anos, a 3 de Julho de 1971. Tinha eu 15 anos e era uma das minhas preferências musicais de então (e de agora também).
Esta edição é de Abril de 1982 e foi publicada pelo "Assírio e Alvim", era o nº 2 da colecção "Rei Lagarto". Custou à época 360$00 ou seja cerca de 1,3€.






No Prefácio de Danny Sugerman pode-se ler:
"Jim Morrison estava no bom caminho para se tornar um herói mítico ainda em vida - ele era , pocos o contestarão, uma lenda viva. A sua morte, envolta em mistério e numa especulação contínua, completou a consagração, assegurando-lhe um lugar no panteão dos artistas dilacerados e talentosos, que sentiram demasiadamente a vida para conseguirem vivê-la: Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire, Lenny Bruce, Dylan Thomas, James Dean, Jimi Hendrix e outros."

para terminar:
"Não importa como Jim morreu. Nem importa particularmente que ele nos tenha deixado tão novo. Só é importante que Jim Morrison viveu e viveu com o objectivo que o nascimento propõe: descobrirmo-nos a nós próprios e o nosso próprio potencial. Ele fê-lo. A curta vida de Jim exprime-o bem. E eu já falei demais.
Nunca mais haverá alguém como ele."

A reler numa primeira oportunidade.

The Doors - Morrison Hotel

Os 15 melhores álbuns de 1970 segundo o programa de rádio "Em Órbita"

"Morrison Hotel" merecia melhor classificação, o passar dos anos diz-me que merecia estar no Top 5 dos álbuns de 1970. À época, o programa "Em Órbita" considera-o na 13ª posição nos melhores LP do ano.

Depois dos desvios orquestrais do álbum "The Soft Parade", The Doors voltam ao som Rock e Blues-Rock que melhor os caracterizava. Um som forte, coeso, com os dois lados do LP a serem abertos por duas tremendas canções Rock, "Roadhouse Blues" e "Land Ho!" respectivamente, e pequenas maravilhas saídas do talento de Jim Morrison como "Blue Sunday", "The Spy" ou "Indian Summer" (este em parceria com Robby Krieger).

No livro "Daqui Ninguém Sai Vivo", a biografia de Jim Morrison por Jerry Hopkins e Danny Sugerman lê-se acerca de "Morrison Hotel":
"Apesar de Morrison Hotel não ter produzido um single de êxito, restabeleceu os Doors como favoritos dos críticos, recolhendo análises favoráveis em quase todas as publicações importantes. Não só não havia cordas ou metais, como também a banda tinha tido tempo de aperfeiçoar algumas das músicas em concerto, antes de gravar - a primeira vez que tinham tido este luxo desde a gravação do seu primeiro álbum. Foi recompensador. Morrison Hotel possuía uma intensidade que tinha faltado aos últimos dois álbuns. A voz de Jim tinha amadurecido, tinha-se tornado mais profunda, e os outros tinham evoluído como músicos. Foi um regresso artístico: os Doors tinham conseguido engatilhar uma colecção de músicas que corriam juntos com uma força assustadora."






Para o "Em Órbita" a apreciação era a seguinte:
"Só em álbum se pode medir duma forma mais exacta a extensão do talento inovador dos Doors.
Grupo fiel a um estilo pouco cómodo, eles são o eclodir da própria violência.
«Morrison Hotel» - um manifesto de inquebrantável força."

Um disco a que sabe sempre bem voltar. Agora com "Land Ho!"




The Doors - Land Ho!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Jim Morrison - Père Lachaise

Em 1995, em passeio por Paris, a visita à campa de Jim Morrison no cemitério Père Lachaise. Entre outros, o registo em fotografia desse momento, eu e a minha filha Ana então com 13 anos.



Jim Morrison - Uma Canção Americana e Outros Escritos

Jim Morrison - Uma Canção Americana e Outros Escritos

Editado, em 1981, pela Assírio & Alvim "Uma Canção Americana e Outros Escritos" contem  as letras (edição bilingue) de todas as canções de Jim Morrison, do álbum "The Doors" de 1967 a "An American Prayer" de 1978.

Contem ainda o poema "Ode to L. A. While Thinking of Brian Jones, Deceased" distribuído nos concertos dos The Doors após a morte de Brian Jones, dos The Rolling Stones, em 3 de Julho de 1969, e um texto publicado na revista "EYE".




Na introdução, de Manuel João Gomes, pode-se ler:
"Foi em 1967, quando boa parte dos movimentos juvenis viviam empenhados no culto da paz e do amor, quando São Francisco abrigava a grande fuga hippy, quando os Beatles aderiam ao orientalismo e o status que recuperava comercial e culturalmente a paz, o amor e a flor.
Jim Morrison, descendente dum marujo que não suportava terra firme, insistia, com os Doors, em apelar para a violência e para o caos, em fazer guerra às normas universais e às modas mais evidentes, em demandar praias distantes e portos por achar."

Fundamental para qualquer fã (ou curioso) de Jim Morrison, da sua música e da sua poesia.

The Doors - A Feast Of Friends

The Doors, uma muito breve história

Ainda The Doors e Jim Morrison.

Após a sua morte, Jim Morrison vai ser absorvido e mesmo banalizado pelo sistema. À época figura de grande riqueza intelectual (ver a sua poesia) e espontaneidade nos seus actos (ver as suas actuações) que não eram propriamente bem vistos por um sistema tradicionalista. Averso à autoridade, era permanentemente inconformado. Para alguns a razão de ser no ícone em que se tornou. No entanto, e de acordo também com alguns autores, tentando explicar o porquê da sua importância como símbolo de revolta de uma geração, crêem que a sua projecção se deveu, não tanto à sua poesia (complexa e muitas vezes de difícil entendimento), ou à sua performance em palco (afinal poucos o puderam presenciar, na Europa só fizeram uma tournée em 1968), mas sim à sua voz (ou seja o que atingiu um maior número de pessoas).
Diz Hervé Muller em “Jim Morrison para lá dos Doors”:
“… é essa voz, mais ainda do que a sua aparência física ou o seu comportamento no palco, precedendo tudo que iria fazer dele o mais poderoso símbolo de revolta da sua geração. Essa voz! Ela era de tal modo sonora e poderosa, que Morrison foi provavelmente o único cantor branco a ter conseguido atingir tais paroxismos de violência, sem nunca dar a impressão de forçá-la o mínimo que fosse, como se tivesse sempre uma reserva ilimitada de força vocal.”

É verdade, era a voz que nos fascinava, a melhor voz Rock alguma vez ouvida; talvez, nem ele próprio tivesse noção disso, pois que a sua maior preocupação estava, mais do que no canto, fundamentalmente na escrita, “Eu sou um homem de palavras” afirmava Jim. A música ligeira tinha Frank Sinatra, no rock tínhamos Jim Morrison.
É a esperança de se tornar reconhecido como escritor que o leva a afastar-se dos The Doors e ir para Paris, em 1971, onde faleceria a 3 de Julho. Consta que Pamela, companheira de Jim, escreveu na certidão de óbito: “James Douglas Morrison, poeta”.

Desenho de Jim Morrison usado no álbum
"An American Prayer"


Em 1978 os restantes elementos dos The Doors gravam o álbum póstumo “An American Prayer”. Trata-se, fundamentalmente, de declamações de poemas gravados em vida por Jim Morrison aos quais foi adicionada música pelos restantes The Doors, mais uma vez “Eu provoco o caos com as palavras, os outros restabelecem a ordem com a música”, dizia Jim Morrison.
Destaque para o poema título “An American Prayer” do qual escolho a parte final do mesmo. A música é uma adaptação do “Adagio” de Albinoni que The Doors já tinham gravado (não editado) em 1968 e aqui recuperada. A parte final do poema ficou conhecida por “A Feast Of Friends” e é com ele que ficamos, agora mais de 45 anos depois da morte de Jim Morrison:

“Wow, I´m sick of doubt
Live in the light of certain
South Cruel bindings
The servants have the power
dog men and their mean women
pulling poor blankets over our sailors
I´m sick of dour faces
Staring at me from the T.V. Tower
I want roses in my garden bower; dig?
Royal babies, rubies
must now replace aborted
Strangers in the mud
These mutants, blood meal
for the plant that´s plowed

They are waiting to take us into the severed garden

Do you know, how pale and wanton thrillful
comes death in a strange hour
unannounced, unplanned for
like a scaring over-friendly guest you´ve brought to bed

Death makes angels of us all and gives us wings
where we had shoulders, smooth as ravens claws

No more money, no more fancy dress
This other kingdom seems by far the best
until it´s other jaw reveals incest
And loose obidience to a vegetable law

I will not go
Prefer a Feast of Friends
To the Giant Family




The Doors - A Feast Of Friends

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

The Doors - Hyacinth House

The Doors, uma muito breve história


E chegamos ao último álbum de originais dos The Doors (com Jim Morrison vivo, na realidade The Doors gravaram ainda mais 2 álbuns de muito menor interesse).
Em finais de 1970 The Doors iniciam as gravações de “L.A. Woman” que veria a luz do dia em Abril de 1971.
Jim Morrison já se tinha retirado para Paris (deixando em suspenso o futuro dos The Doors) onde viria a falecer a 3 de Julho. O álbum teve um êxito enorme e as críticas foram quase unânimes quanto à qualidade deste último registo, um único senão, pela primeira vez a voz de Jim Morrison denota alguma falta de clareza a que não será alheio a consumo excessivo de álcool e drogas.
Deste último álbum ficaram para sempre composições como “L.A. Woman”, “Riders on the Storm” ou ainda “Love Her Madly”.

Na edição de Novembro/Dezembro de 1971 do jornal de “Música popular, jazz, erudita e rádio” “a memória do elefante” Octávio A. F. Silva escrevia:
“…pouco antes do desaparecimento de Jim Morrison apareceu o seu último trabalho: «L.A.WOMAN». Neste álbum, ainda uma última criação de génio em RIDERS ON THE STORM. Apelo prolongado e desesperado, envolve-nos na sua densidade ultra-sólida para nos prostrar atentos num encanto pós orgástico. RIDERS ON THE STORM é ainda uma sequência do anteriormente exposto. Porém, os «Doors» chegaram também a algo de muito incaracterístico, que com o desaparecimento de Morrison talvez nunca cheguemos a compreender. Esperemos o futuro dum grupo que foi um dos maiores de toda a música popular dos anos 60, asseverando, no entanto, que as excelentes qualidades dos seus músicos não chegarão com certeza para suprir a falta dum dos génios primeiros dessa mesma música popular.” (claro que acertou em cheio).

Um interessante vídeo com “Riders On The Storm” pode agora ser visto.




A escolha para audição vai para a menos conhecida “Hyancinth House”, onde uma menor qualidade vocal de Jim Morrison é notória, sendo o solo de Ray Manzarek inspirado na composição de Chopin “Polonaise in A-flat major, Op. 53”.

Na edição de Janeiro/Fevereiro de 1972 do jornal “a memória do elefante” “L.A.Woman” aparece entre as dez escolhas dos melhores álbuns de 1971:
“… Desenrolar contínuo de violência que não desmente os propósitos de rotura revelados desde o primeiro momento de acção, L.A.WOMAN é o continuar dos ataques frontais à sociedade americana, atitude de que os Doors nunca desistiram muito embora essa permanência ideológica activa lhes trouxesse demasiados incómodos. A sua grande vitória foi precisamente fazer sentir a impossibilidade da sua recuperação. Aos olhos da classe dominante do seu país, o seu nome esteve sempre ligado a uma sensação de insegurança que obrigava a uma vigilância cuidada de todos os seus movimentos. Doors de Jim Morrison: uma forma que acaba para sossego dos tradicionalistas americanos. L.A.WOMAN: música popular que nos será sempre grato recordar.”


Passados mais de 45 anos de “L.A.Woman” e da morte de Jim Morrison, recordemos então “Hyancinth House”.



The Doors - Hyacinth House

terça-feira, 27 de setembro de 2016

The Doors - Universal Mind

The Doors, uma muito breve história

O ano de 1970 vê sair o primeiro registo ao vivo dos The Doors naquele que é considerado um dos melhores álbuns ao vivo de sempre, o duplo “Absolutely Live”.

Não é, efetivamente, fácil de encontrar melhor, sou fã indefetível deste álbum gravado em diversos concertos no conturbado ano de 1969 e ainda em 1970.
Jim Morrison dizia: “Eu provoco o caos com as palavras, os outros restabelecem a ordem com a música”, “Absolutely Live” é disso testemunho.
Por entre versões de Bo Diddley (“Who do you love”), Willie Dixon (“Back Door Man” e “Close to you”) e ainda Bertolt Brecht/Kurt Weill nessa magnífica interpretação de “Alabama Song”, a recuperação de temas já anteriormente gravados “Five to One”, “Soul Kitchen” e essa espantosa interpretação de “When the music’s over” de 16 minutos, surgem 4 inéditos “Love Hides”, “Build me a Woman”, “Universal Mind” e, pela primeira vez, a superior interpretação do épico “The Celebration of the Lizard” em 14 minutos de The Doors inigualáveis.

(No vídeo excelente versão de "Universal Mind" de mais de 8 minutos)



A seleção vai, no entanto, para a transcendente “Universal Mind”, surpreendente pela simplicidade, beleza e interpretação de Jim Morrison.

"I was doing time
In the universal mind,
I was feeling fine.
I was turning keys,
I was setting people free,
I was doing alright.

Then you came along,
With a suitcase and a song,
Turned my head around.

Now I'm so alone,
Just looking for a home
In every place I see.

I'm the freedom man.
Yeah, that's how lucky I am."



The Doors - Universal Mind

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

The Doors - Peace Frog/Blue Sunday

The Doors, uma muito breve história


O ano de 1969 foi de grande turbulência na carreia dos The Doors.
Senão vejamos:
Concerto esgotado no Madison Square Garden no início do ano, a que se seguiram as sessões de gravação de “Soft Parade “.
Jam Session conhecida por “Rock is Dead”, ou o desencanto (premonição?) de Jim Morrison com o Rock: “As long as I got breath, the death of rock is the death of me, and rock is dead!”.
Ligação ao “Living Theatre” grupo de teatro radical criticado como sendo um grupo de vagabundos em busca do paraíso.
Em Março o célebre concerto em Miami perante mais de 10 mil pessoas. Jim transpunha para o palco a experiência do “Living Theatre” e interrompia, sistematicamente, as canções para falar/provocar a audiência: “São todos um bando de escravos! O que é que vão fazer para isso acabar?” ou “Quero ver dançar, quero ver divertirem-se.”, “Não existem regras, não existem limites”. Jim é acusado de embriaguez e de comportamento “impúdico e lascivo”, “exibição das partes íntimas” e “simulação de actos de masturbação e copulação oral” (citações do livro "Jim Morrison para lá dos Doors"). O FBI emite mesmo mandato de captura e a revista “Rolling Stone” publica o famoso poster de Jim Morrison “Wanted”.





A reputação do grupo atingiu níveis muito baixos em particular na conservadora Flórida com lançamento de campanhas pela decência em diversas cidades. Em consequência concertos são cancelados por todo o país.
Termina ainda a realização do filme “Feast of Friends”.
Segue-se a edição do livro de poesia “The Lords” de Jim Morrison.
Nas montanhas da Califórnia Jim inicia as filmagens de um novo filme (HWY - An American Pastoral).
Só em Julho realizam, na cidade do México, os primeiros concertos pós-Miami.
É entretanto lançado “Soft Parade”, o 4º álbum, com violenta reação de alguma crítica pela introdução de orquestra de cordas e metais.
Iniciam, ainda em 1969, as gravações do 5º álbum de originais de nome “Morrison Hotel”.
Jim deixa crescer a barba, engorda e aumenta o consumo de álcool.

“Morrison Hotel” sai em Fevereiro de 1970. É o retorno aos Blues (“Gosto de cantar blues – esses blues profundos, longos e desenfreados, sem princípio nem fim específicos” – dizia Jim Morrison) e a um Rock mais pesado. O álbum abre com o excelente “Roadhouse Blues”.





Também por cá o álbum foi devidamente assinalado. O programa “Em Órbita” considerava “Peace Frog” entre as melhores canções do ano e lia o seguinte texto: “Os Doors continuam a compor um dos mais polémicos agrupamentos de hoje. Praticantes duma forma desencantada de música popular, amantes do desequilíbrio, da violência e da provocação, as suas criações assumem, desde os primeiros dias, as proporções dum interminável combate. “Peace Frog” é o mais representativo trabalho dos Doors do ano findo.”

“Peace Frog” seguida da muito bela “Blue Sunday” é a proposta para hoje. Para ouvir repetidas vezes.



The Doors - Peace Frog-Blue Sunday

domingo, 25 de setembro de 2016

The Doors – Shaman’s Blues

The Doors, uma muito breve história

A vida de Jim Morrison extravasava a do grupo The Doors.

Entre 1968 e 1969 publica o conjunto de poemas “The New Creatures” e “The Lords”. Em 1970 em edição de autor é publicado “An American Prayer”.
Entre 1968 e 1969 realiza vários pequenos filmes (“Feast of Friends” e “HWY- An American Pastoral”).
É no meio de toda esta actividade que The Doors gravam o 4º álbum ”Soft Parade” saído em 1969. E é o álbum que mais se afasta do som típico dos The Doors sendo por isso o disco mais criticado (em particular pelos mais puristas defensores do som dos primeiros álbuns).
Gravado com orquestra de cordas e metais, Robbie Krieger (guitarra) toma parte mais activa com alguns temas de sua autoria. Não é, no entanto, um álbum menor, pelo contrário, estamos na presença de uns The Doors em expansão das suas fronteiras (se é que elas existiam). O tema de maior êxito foi “Touch me” (de Robbie Kriger) que podemos ver em mais um excelente vídeo numa passagem dos The Doors pela TV.





O álbum retomava mais um tema de longa duração, precisamente “Soft Parade” de nove minutos que encerra o álbum, um dos melhores de sempre.
Outra faceta determinante de Jim, na escrita e nas actuações, era o seu lado místico. O xamanismo era parte integrante da sua personalidade. No culto dos Índios da América Latina, nas cerimónias religiosas onde pontifica o Xamã em estado de transe, assim se via Jim Morrison.
Os concertos eram como que a cerimónia e ele o Xamã em viagem alucinogénica. (“Is everybody in? The ceremony is about to begin”. Dizia Jim no início de “Celebration of the Lizard”.)

A escolha, do álbum “The Soft Parade”, vai para “Shaman’s Blues” onde, a certa altura e subtilmente, “and your mind” (o vosso espírito) se transforma em “and you’re mine” (e vocês pertencem-me), Jim Morrison no seu melhor.




The Doors – Shaman’s Blues

sábado, 24 de setembro de 2016

The Doors - Not to Touch the Earth

The Doors, uma muito breve história

Jim Morrison foi um bom aluno, estudou sociologia, biologia e literatura na Flórida. Em 1964 ingressa na UCLA (Universidade de Cinema de Los Angeles) para o curso de teatro e cinema. Possuia pois uma cultura literária e cinematográfica que não era comum no universo dos músicos de Rock.
Pela cultura literária, admirava Baudelaire, Aldous Huxley, William Blake, Appolinaire, Rimbaud tendo publicado vários livros, The Doors beneficiaram assim da sua poesia; da sua experiência cinematográfica, manifestava preferências por Visconti, Fellini e Godard e realizaria também vários pequenos filmes, viria a influência para as suas teatrais representações em palco.

Depois dos primeiros dois álbuns gravados em 1967 e da projecção alcançada, a expectativa em relação ao próximo álbum era grande. No primeiro álbum sobressaía o tema final, de longa duração,  “The End”, o segundo álbum terminava com 11 minutos de “When the music’s over”.
Como seria no terceiro? A ideia inicial consistia na versão musical do poema épico de Jim “The Celebration of the Lizard”, no entanto as gravações ficaram por um “demo” com mais de 17 minutos e acabou por não ser incluído.

Do terceiro álbum de 1968 de nome “Waiting for de Sun” o sucesso maior foi “Hello, I love you”, mas também “Spanish Caravan” ("Take me to Portugal, Take me to Spain" dizia Jim Morrison) ou ainda “Unknown soldier” (abordagem à guerra do Vietname, simulando Jim Morrison, em palco, um fuzilamento).

Excelente o vídeo seguinte com a performance de “Unknown Soldier”.





A escolha do 3º álbum de originais vai para “Not to Touch the Earth" uma pequena amostra do que seria a suite “The Celebration of the Lizard” que só apareceria completa no álbum ao vivo de 1970 “Absolutely Live”. Sem nenhuma música de longa duração “Waiting for de Sun” mantêm o rótulo de indispensável.




The Doors - Not to Touch the Earth

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

The Doors - Moonlight Drive

The Doors, uma muito breve história


“West Coast Sound” foi a designação que ficou para identificar a corrente musical inovadora e criativa surgida na Costa Oeste Americana, de Los Angeles a San Francisco, nos meados dos anos 60.

Grateful Dead, Love, Buffalo Springfield, Byrds e também The Doors são algumas das melhores expressões desse movimento.
Contrariando a tendência “Flower Power” da generalidade dos grupos, The Doors desenvolveram um registo mais “underground”, contra-corrente da tendência geral. Música bela mas simultaneamente angustiante; por um lado os poemas complexos de Jim Morrison, por outro a agressividade desconcertante da sua música e ainda a singularidade da sua voz (e das suas representações).
Voz grave, possante, cheia de improvisos (então praticamente inédito no contexto do Rock), seria, em muitos concertos, perturbador e dificultante na tarefa dos restantes elementos do grupo.

A história dos The Doors começou algures em 1965 quando Ray desafia Jim a cantar um dos seus poemas e ele surpreende-o com “Moonlight Drive”:
“Let’s swim to the moon 
Let’s climb throught the tide 
Penetrate the evening 
That the city sleeps to hide …” 

Ainda em 1967, depois do primeiro álbum “The Doors”, gravam o segundo, de nome “Strange Days”, e é aqui que “Moonlight Drive” aparece.
No vídeo temos The Doors ao vivo em 1968 interpretando “Moonlight Drive” .




 Desse segundo e esplêndido “Strange Days” aqui fica “Moonlight Drive”, a versão de estúdio.




The Doors - Moonlight Drive

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

The Doors - Alabama Song

The Doors, uma muito breve história

The Doors são a mítica banda dos anos 60 liderada pelo carismático Jim Morrison que todo o mundo conhece. Merecem uma abordagem mais extensa tal a importância que a banda teve e ainda hoje tem, quer em termos de influência musical, quer na figura lendária de Jim Morrison. A obra dos The Doors está praticamente toda esmiuçada, desde os discos originais, concertos ao vivo, compilações, “bootlegs”, até à descoberta das “Lost Paris Tapes” que por aí circulam, sem esquecer o infindável número de livros com todas as histórias (verdadeiras e não verdadeiras) da banda. Procurarei pois fazer a selecção de músicas que de alguma forma me pareçam menos óbvias (será possível?) e que mereçam o devido destaque. Evitarei assim temas evidentes e extensos, como “Light My Fire”, “The End”, “When The Music Is Over”, “Riders On The Storm”, “L.A. Woman” e outros, também pela sua extensão, como por exemplo esse magnífico “Celebration of the Lizard”, tema ímpar da obra dos The Doors e na realidade não tão conhecido, ou ainda “Soft Parade”.

Ray Manzarek (Teclas) e Jim Morrison (Voz) conheceram-se em 1965 como estudantes de cinema na UCLA. John Densmore (bateria) e Robbie Krieger (guitarra) eram conhecidos de Ray num centro de meditação “Maharishi”. Jim mais dado à poesia e ao teatro deu o nome ao grupo.
The Doors vem de uma frase do poeta inglês William Blake:

 “There are things that are known and things that are unknown; in between are doors”.

Ou ainda, também de William Blake:

“If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is: Infinite”

O sucesso foi imediato nos Estados Unidos com razoável atraso na Europa, e claro em Portugal. Durante muitos anos The Doors foram o meu grupo preferido, até aos excessos comerciais dos anos 80 (após “Apocalypse Now” de Coppola em 1980 – Banda sonora dos The Doors) e 90 (após o filme “The Doors” de Oliver Stone em 1991). O mesmo não aconteceu, felizmente, com o interessante filme de 2010 “You're Strange: A Film About The Doors” com narracção de Johnny Depp.
Agora, passados mais de 45 anos da morte de Jim Morrison e Ray Manzarek falecido há 3, é altura de recuperarmos The Doors sobretudo naquilo que efectivamente mais interessa, a música dos The Doors e a poesia de Jim Morrison.

Do primeiro álbum “The Doors” de 1967 (um dos melhores álbuns Rock de sempre) a escolha vai para “Alabama Song” (uma das duas canções não originais). Trata-se de um tema retirado de uma ópera alemã dos anos 30 (Bertolt Brecht – Letra e Kurt Weill – Música), no vídeo “Alabama Song” cantado por Lotte Lenya (mulher de Kurt Weill).





Indispensável também vídeo ao vivo dos The Doors interpretando "Alabama Song".




Do ano mágico de 1967 segue, do primeiro álbum, "Alabama Song".




The Doors - Alabama Song

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Blitz nº 86 de 24 de Junho de 1986

Jornal "Blitz"

A capa do nº 86 do jornal Blitz que saiu há 30 anos tinha na capa a fotografia mais conhecida de Jim Morrison (na realidade parte da fotografia em que Jim Morrison está de tronco nu e braços abertos).





- Fofoquices de Ok! sem interesse preenchem a página 2.
- Pequenas notícias ocupam a página 3: A digressão em favor da Amnistia Internacional de que fizeram parte entre outrso, os U2, Lou Reed, Peter Gabriel Sting, Bob Dylan, Joan Baez, Brian Adams e Jackson Brown; Os Xutos e Pontapés vão assinar pela Polygram; os desconhecidos Woodentops vêm tocar ao Rock Rendez-Vous.
- Página 4 para os UHF, nova formação novo espectáculo: "UHF on the road"
- Página 5 com anúncio único da "Dansa do Som", a grande discoteca do país em venda postal. LP entre os 850$00 e 1250$00 (4,25€ e 6,25€).
- "Bonnie Tyler - rock no feminino" ó título do artigo na página 6. Elogios à carreira da cantora galesa noticiando-se o novo LP "Secret Dreams and Forbidden Fire"
- Página 7 com "Busca no Sótão" recorda a via e obra dos The Doors e do seu líder Jim Morrison, continuava bem viva a lenda de Jim Morrison.
- Página 8 tem "Doces Agressões", são as iniciativas de convívio de estudantes de várias faculdades de Lisboa, numa delas um vídeo dos Joy Division gravado em Bruxelas em 16 de Outubro de 1979.
- Na Página 9 dá-se a conhecer um desconhecido Andrew Poppy com um uci álbum editado e de passagem por Lisboa para ceder uma faixa do disco para o filme português "Uma Rapariga no Verão".
- Páginas centrais para o duplo álbum colectânea "Divergências", edição da editora Ama Romanta da música moderna portuguesa que então era feita e pouco divulgada. Mler If Dada, João Peste, Pop Dell'Arte, Croix Sainte, Bye Bye Lolita Girl, Essa Entente são alguns que fazem parte desta duplo LP.
- Página 12 dá-se a conhecer a biografia oficial de um grupo novo do País de Gales, os Kooga, tinham um LP de nome "Across the Water".
- Página 13 totalmente ocupada com os habituais "Pregões e Declarações".
- Página 14 dedicada à moda sem qualquer interesse.
- O Cardápio na página 15 anuncia Carla Bley e Egberto Gismonti para o Coliseu de Lisboa na noite de 30.
- Numa altura em que se fizeram dos melhores clip musicais, sob o título "O manifesto surrealista", na página 16, fala-se do clip de Peter Gabriel "Sledgehammer".
- Página 17, em "Este Mundo e o Outro" destaque para dois discos, de Philip Glass, "Songs From Liquid Days" e de Ryuichi Sakamoto, "Field Work".
- As listas dos Top ocupam as páginas 18 e 19, nos LP, em Portual o 1º lugar ia para "Bem Bom" de Gal Costa" nos EUA era o álbum homónimo de Whitney Houston e na Grã-Bretanha o LP "A Kind of Magic" dos Queen. O mais interessante andava na lista de Independentes, por exemplo "Victorialand" dos Cocteau Twins e "Hatefull of Hollow" dos Smiths estavam entre os dez primeiros.
- Finalmente a página 20 sob o título "Aí vai (Vroum! Vroum!) esse chiante aerodinâmico roquenrol kôr de karamelo e frutas" dá-se a conhecer Tom Wolfe jornalista americano "com um gosto especial pela cultura Pop".


sexta-feira, 3 de abril de 2015

JIM MORRISON para lá dos DOORS

"JIM MORRISON para lá dos DOORS" é o título do livro editado em 1981 pela Centelha com uma tiragem de 3000 exemplares. O livro escrito por Hervé Muller  dá-nos a conhecer, e bem, em 170 páginas, o mundo de Jim Morrison e do grupo The Doors que encantou a minha juventude.
 

Terá sido das primeiras obras a historiar a vida de Jim Morrison e julgo a 1ª a ser editada em Portugal. De acordo com o Epílogo de 1978 "Depois da edição deste livro, nos princípios de 74 ..." ou seja Jim Morrison tinha morrido há menos de 3 anos.
"JIM MORRISON para lá dos DOORS", uma abordagem simples e lúcida sobre The Doors:
"Os Doors eram portanto um cantor, compositor, cineasta, actor, um pouco exibicionista e alcoólico, Jim Morrison, e três músicos, Ray Manzarek, Robbie Krieger e John Densmore."

The Doors - Light My Fire

"O grupo americano mais popular até 1968. O seu comportamento em palco contribui em muito para isso: antigos estudantes, como a maior parte dos membros dos grupos psicadélicos, os Doors, mais que qualquer outros, tinham-se inspirado no teatro, ..., particularmente no opúsculo teórico de Antonin Artaud, O Teatro da Crueldade.
...
Os Doors levaram em conta os concelhos sobre encenação, vestuário, relação actor/espectador, luz (vermelha para uma atmosfera tensa/trágica), linguagem cénica («Não se trata de suprimir a fala articulada mas sim de dar às palavras, pouco mais ou menos, a importância que têm no sonho.»). O que veio a dar, na boca de Jim Morrison, inspirado por Freud: «Pai? Sim, meu filho? Quero matar-te. Mãe, quero-te Aaaaaahrr.» Ou ainda: «Queremos o mundo, e queremo-lo agora.»" do livro POPMUSIC-ROCK.

De notar que Ray Manzarek e Jim Morrison fundadores do grupo The Doors eram alunos na "UCLA School of Theater, Film and Television".
The Doors diferenciou-se de todas as outras bandas da West Coast e foi a mais evoluída.

"...se, na nossa ignorância e com o erro de perspectiva que dão 8000 km de distância, tivéssemos tendência a assimilar os Doors à mesma fonte que a dos Jefferson Airplane e pensássemos que eles vinham também de S. Francisco, era evidente que esta violência angustiada não condizia com o apelo ao amor e ao «flower power».
Com os Doors aparecia já o inverso do décor, a «bad trip» da realidade que mascarava o nosso sonho ingénuo, o fim das ilusões, o fim...
The end.", escrevia Hervé Muller em "JIM MORRISON para lá dos DOORS".

e mais adiante:

"Era preciso ser já marginal, pelo menos numa certa medida, para apreciar verdadeiramente o rock dos Jefferson Airplane ou dos Grateful Dead. Em compensação, a música dos Doors não pedia nenhum condicionamento prévio, pelo contrário, agia como detonador e neste aspecto, era mais efectivamente subversiva."

Em 1966 actuavam no "Whiskey-a-Go-Go", ainda sem nenhum disco gravado, tinham já muitas composições originais, entre as quais se encontrava "The End", uma canção que foi evoluindo noite após noite com sucessivas improvisações de Jim Morrison (vocalista e líder do grupo).

"... um sábado à noite, muito tarde, de madrugada, quando a sala do «Whiskey» estava cheia a rebentar e o público particularmente receptivo, Jim Morrison, em lugar de encadear normalmente, improvisou o monólogo que iria fazer de «The End» a canção mais discutida da história do rock:

The killer awoke before Dawn,
He put his boots on,
He took a fac from the ancient gallery,
And he walked on down the hall.
He went to the room where his sister lived.
And then he paid a visit to his brother,
And he come to a door,
And he looked inside,
«Father?»
«Yes, son?»
«I want to kill you.»
«Mother! I want to...»

E explodiu então num grito demencial... Chegado a este ponto, o público estava como que hipnotizado. O grupo terminou o trecho e foi o silêncio absoluto. Ninguém aplaudiu nem disse uma palavra." ainda de "JIM MORRISON para lá dos DOORS".




Resultado, foram despedidos do "Whiskey-a-Go-Go" e passados alguns dias estavam a gravar o 1º e excelente álbum "The Doors" que seria editado no início de 1967.
Desse 1º álbum ficamos com o grande êxito que foi "Light My Fire".



The Doors - Light My Fire