quinta-feira, 29 de setembro de 2016

The Doors - A Feast Of Friends

The Doors, uma muito breve história

Ainda The Doors e Jim Morrison.

Após a sua morte, Jim Morrison vai ser absorvido e mesmo banalizado pelo sistema. À época figura de grande riqueza intelectual (ver a sua poesia) e espontaneidade nos seus actos (ver as suas actuações) que não eram propriamente bem vistos por um sistema tradicionalista. Averso à autoridade, era permanentemente inconformado. Para alguns a razão de ser no ícone em que se tornou. No entanto, e de acordo também com alguns autores, tentando explicar o porquê da sua importância como símbolo de revolta de uma geração, crêem que a sua projecção se deveu, não tanto à sua poesia (complexa e muitas vezes de difícil entendimento), ou à sua performance em palco (afinal poucos o puderam presenciar, na Europa só fizeram uma tournée em 1968), mas sim à sua voz (ou seja o que atingiu um maior número de pessoas).
Diz Hervé Muller em “Jim Morrison para lá dos Doors”:
“… é essa voz, mais ainda do que a sua aparência física ou o seu comportamento no palco, precedendo tudo que iria fazer dele o mais poderoso símbolo de revolta da sua geração. Essa voz! Ela era de tal modo sonora e poderosa, que Morrison foi provavelmente o único cantor branco a ter conseguido atingir tais paroxismos de violência, sem nunca dar a impressão de forçá-la o mínimo que fosse, como se tivesse sempre uma reserva ilimitada de força vocal.”

É verdade, era a voz que nos fascinava, a melhor voz Rock alguma vez ouvida; talvez, nem ele próprio tivesse noção disso, pois que a sua maior preocupação estava, mais do que no canto, fundamentalmente na escrita, “Eu sou um homem de palavras” afirmava Jim. A música ligeira tinha Frank Sinatra, no rock tínhamos Jim Morrison.
É a esperança de se tornar reconhecido como escritor que o leva a afastar-se dos The Doors e ir para Paris, em 1971, onde faleceria a 3 de Julho. Consta que Pamela, companheira de Jim, escreveu na certidão de óbito: “James Douglas Morrison, poeta”.

Desenho de Jim Morrison usado no álbum
"An American Prayer"


Em 1978 os restantes elementos dos The Doors gravam o álbum póstumo “An American Prayer”. Trata-se, fundamentalmente, de declamações de poemas gravados em vida por Jim Morrison aos quais foi adicionada música pelos restantes The Doors, mais uma vez “Eu provoco o caos com as palavras, os outros restabelecem a ordem com a música”, dizia Jim Morrison.
Destaque para o poema título “An American Prayer” do qual escolho a parte final do mesmo. A música é uma adaptação do “Adagio” de Albinoni que The Doors já tinham gravado (não editado) em 1968 e aqui recuperada. A parte final do poema ficou conhecida por “A Feast Of Friends” e é com ele que ficamos, agora mais de 45 anos depois da morte de Jim Morrison:

“Wow, I´m sick of doubt
Live in the light of certain
South Cruel bindings
The servants have the power
dog men and their mean women
pulling poor blankets over our sailors
I´m sick of dour faces
Staring at me from the T.V. Tower
I want roses in my garden bower; dig?
Royal babies, rubies
must now replace aborted
Strangers in the mud
These mutants, blood meal
for the plant that´s plowed

They are waiting to take us into the severed garden

Do you know, how pale and wanton thrillful
comes death in a strange hour
unannounced, unplanned for
like a scaring over-friendly guest you´ve brought to bed

Death makes angels of us all and gives us wings
where we had shoulders, smooth as ravens claws

No more money, no more fancy dress
This other kingdom seems by far the best
until it´s other jaw reveals incest
And loose obidience to a vegetable law

I will not go
Prefer a Feast of Friends
To the Giant Family




The Doors - A Feast Of Friends

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