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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Van Morrison - Memories and Visions

 Algumas memórias de 2025

É verdade, os últimos álbuns de Van Morrison não me satisfizeram. Não que fossem de se ignorar mas também não ficaram para múltiplas audições, faltava qualquer coisa que discos mais antigos de Van Morrison possuíam. E, confesso, tinha já dúvidas se voltaria a sentir aquele prazer único que noutros tempos os seus trabalhos proporcionavam. E eis que o álbum que mais terei ouvido em 2025 foi o último álbum de originais designado "Remembering Now" e junta-se assim ao melhor que neste século gravou como "Magic Time" (2005), "Keep Me Singing" (2016) e "Three Chords & the Truth" (2019).


CD editado por Exile Productions com a ref: 4003445666

Sem acusar os seus já 80 anos "Remembering Now" encontra-se entre o melhor que o ano de 2025 nos deixou, um ano que parece não primar por grandes novidades...

"Memories and Visions" revela bem a qualidade deste álbum. Que se repita por muitos anos pois a música popular bem precisa de Van Morrison.


Van Morrison - Memories and Visions


sábado, 4 de janeiro de 2025

Van Morrison - Someone Like You

Algumas memórias de 2024

Mais um ano, mais uma presença de Van Morrison.

Tudo dito de um dos nomes mais importantes da música popular com origem nos anos 60 e uma das minhas preferências de sempre. 79 anos é a idade de Van Morrison e o álbum de 2024 designa-se "New Arrangements and Duets".




Vão-me desculpar os indefectíveis de Van Morrison, mas "New Arrangements and Duets", ouve-se com agrado mas, já não traz nada de novo. Diga-se, em abono da verdade, a discografia de Van Morrison da década de 2020 é prescindível. Começou com um "pretencioso" duplo CD ("Latest Record Project, Volume 1"), continuou com o negacionismo do Covid-19 em "What's It Gonna Take?" e remeteu-se de seguida a um processo de retorno a memórias mais antigas e (ou) revisão da matéria dada. É o caso deste último "New Arrangements and Duets" onde recupera temas anteriormente gravados entre 2014 e 2019 e ainda não editados. Na realidade parecem sobras que nada acrescentam à sua riquíssima obra.

Fica o dueto em "Someone Like You" com Joss Stone. Prefiro o original de 1987.



Van Morrison - Someone Like You



terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Van Morrison - Beyond Words

Algumas memórias de 2023


2023 foi o ano em que alguns músicos bem conhecidos com origem nos anos 60 consideraram efectuar gravações em revisão do seu passado. De modo diferente, uns revisitando a sua própria discografia ou, no caso de hoje, recuperando música da sua infância e que, de alguma forma, o influenciou, falo de Van Morrison.

Van Morrison, actualmente com 78 anos, publicou no ano de 2023 três álbuns continuando com uma actividade discográfica impressionante. Van Morrison, já o devo ter dito não sei quantas vezes, é um dos meus músicos preferidos de sempre e dele tenho quase toda a sua extensa discografia. No entanto, tenho de ser sincero, há já alguns anos que a genialidade de Van Morrison parece ter diminuído ou mesmo desaparecido, efctuando um conjunto de gravações que nada acrescentam ao melhor a que estava habituado. Tenho que recuar a "Three Chords & the Truth" (2019) para encontrar um álbum que mereça múltiplas audições.


CD duplo com a ref: 4819141


São de 2023 os álbuns "Moving On Skiffle" (duplo CD) que, como nome indica se ancora no Skiffle dando-nos a ouvir 34 canções bem interpretadas e agradáveis de se ouvir e "Accentuate the Positive" 19 versões de canções em toada Rock'n'Roll e que dificilmente se ouve 2ª vez, assim pensando não o adquiri. 


https://www.discogs.com/


Pelo meio ficou ainda um terceiro álbum bem original na discografia de Van Morrison pois é somente instrumental e que é constituído por 17 temas não editados das décadas de 70, 80, 90 e 2000. Este álbum inaugura uma nova editora do próprio, "Orangefield Records", que será vocacionada para a edição dos arquivos de Van Morrison.


https://www.vanmorrison.com/


Deste trabalho sugiro "Beyond Words" o tema de abertura.





Van Morrison - Beyond Words

domingo, 1 de janeiro de 2023

Van Morrison - Pretending

 Algumas memórias de 2022


Depois de um interregno maior do que estava à espera, férias e Natal pelo meio, eis que estou, neste início de ano de volta aos meus Regresso ao Passado. E começo por uma viagem curta no tempo, como tem sido meu hábito com uma retrospectiva do ano terminado, ou seja alguma da música que fui ouvindo ao longo do ano de 2022.

Para começar recordar como é que a velha geração dos anos 60 marcou presença neste ano. E, embora sejam cada vez menos os sobreviventes daqueles anos, alguns teimam em, de alguma forma, se manterem musicalmente vivos.

Eis alguns nomes: Roger Waters, Neil Young, Van Morrison, Justin Hayward, Bruce Springsteen, John Cale, John Mayall, Richard Thompson, Joni Mitchell e ainda os Jethro Tull, Chicago...




Começo com Van Morrison que mais uma vez marca presença com nova gravação. "What's It Gonna Take?" é o 43º álbum de estúdio e continua marcado pela sua posição contra a aceitação da pandemia COVID o que contribui para um álbum mediano e dos menos interessantes da sua longa carreira. Salva-se pela boa prestação musical a que nos habituou, de qualquer forma um disco que não ficará para a história. Eu sei que a idade não o permite, Van Morrison já tem 77 anos, mas talvez devesse fazer uma pausa nas gravações o que parece que não irá acontecer pois já foi anunciado novo álbum, "Moving On Skiffle", para Março próximo.

Ouça-se "Pretending", como se Van Morrison fosse novo...





Van Morrison - Pretending

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Van Morrison - Only a Song

 Algumas memórias de 2021


No ano de 2021 a gravações dos sobreviventes dos anos 60 deixaram de constar entre as melhores do ano pelo menos nas listas que fui consultando. Parece que estão definitivamente postos de lado, no entanto olhando para algumas dessa gravações parece-me que deviam ter tido melhor atenção por parte de quem elabora as ditas listas. É verdade que nalguns casos é difícil voltarem a igualar as suas melhores produções de tão longas carreiras, mas mesmo assim ainda fico agarrado e surpreso pela jovialidade de alguns deles.

Vejamos alguns desses artistas e as suas realizações em 2021. Começo com Van Morrison.

Definitivamente Van Morrison é um dos melhores autores que a música popular conheceu. É verdade que já não faz álbuns encantadores como "Astral Weeks" (1968) e "Moondance" (1970) e ainda por cima a sua recente polémica opinião sobre as restrições na luta contra a pandemia e as decepcionantes canções que lançou em 2020 não ajudam, mas temos de reconhecer as qualidades interpretativas que Van Morrison aos 76 anos continua a revelar.




Duplo CD, edição alemã com a ref: 538666260


E em 2021 surpreendeu com mais um álbum novo e logo duplo, como quem diz estou aqui para dar e durar e ainda tenho muito a dar à musica popular. "Latest Record Project, Volume 1", o nome do novo disco assim o sugere ficando-se à espera de novos volumes...

É no entanto um disco irregular, com altos e baixos, e que não iguala mesmo alguns dos seus discos recentes como "Keep Me Singing" (2016) e "Three Chords & the Truth" (2019). De realçar a excelente voz que Van Morrison continua a evidenciar e o conjunto de músicos de que se faz acompanhar com particular relevo para Richard Dunn no órgão Hammond que é verdadeiramente surpreendente.

Para ouvir segue a agradável "Only a Song".





Van Morrison - Only a Song

sábado, 4 de dezembro de 2021

Van Morrison - Vanlose Stairway

  Raridades


Se está no Youtube já não é uma raridade. Se for esta a lógica provavelmente tudo o que publiquei sobre o tema "Raridades" não o é. É também o caso de hoje com Van Morrison (Já agora veja-se no Youtube a versão recente (09/11/2021) de "Ballerina" com os seus 12 minutos ao vivo na Real World Studios em Bath, Inglaterra). 

Van Morrison é um resistente e é um sobrevivente dos anos 60, poucos chegaram a 2021 com a qualidade e interesse que a música de Van Morrison mantem. Eu sei, eu sei que o factor "novidade" já não existe, mas, mesmo assim, qualquer disco novo de Van Morrison é melhor que boa parte da música hoje produzida.

Não é o caso de hoje, pois vamos recuar no tempo para o ano de 1982 e para um disco que não consta na sua discografia oficial. 


Edição europeia em CD com a ref: GSCD 1105


"Live In Essen, 1982" é um registo ao vivo de um concerto de Van Morrison na cidade alemã de Essen a 4 de Abril de 1982 e adquiri-o já não sei quando nem aonde. Mais uma vez temos de fazer um desconto da qualidade sonora pelo que o disco só se recomenda para fãs incorrigíveis de Van Morrison.

1982 foi o ano da edição do LP " Beautiful Vision" onde constavam temas como "Celtic Ray", "Northern Muse", "Dweller on the Threshold", "She Gives Me Religion", "Cleaning Windows", "Vanlose Stairway" e "Scandinavia", todos eles tocados neste concerto.

Segue "Vanlose Stairway" uma das canções mais tocadas ao vivo por Van Morrison.



Van Morrison - Vanlose Stairway

domingo, 26 de setembro de 2021

Van Morrison - September Night

Os Meses do Ano em Canção


Para estes últimos dias de Setembro volto ao tema "Os Meses do Ano em Canção" e não podia começar melhor, começo com Van Morrison e a sua "September Night".

Entre os sobreviventes da década de 60, Van Morrison terá sido um dos que melhor atravessou os anos 80. Foi com mestria que, naqueles anos dados a outras sonoridades onde militavam os Joy Division/New Order, Durutti Column, Young Marble Giants,The Specials, Joe Jackson, Dexys Midnight Runners, The Fall, U2, Echo and the Bunnymen, The Jam, Psychedelic Furs, Talking Heads, The Pretenders para citar os mais influentes, Van Morrison editou nada mais que 8 álbuns, alguns dos quais verdadeiramente imprescindíveis.



Edição em vinil portuguesa de 1983 com a ref:811 140-1


"Inarticulate Speech of the Heart", com influências diversas, que vão da música Celta ao Jazz, foi publicado em 1983 e é ainda hoje um prazer absoluto a sua audição, note-se o ambiente criado que convida à descontração e à meditação. Não tivesse 4 faixas somente instrumentais, o que julgo ser inédito na sua discografia, a ajudar na criação de uma atmosfera bem relaxante. Entre elas encontra-se "September Night" que agora proponho para uma destas últimas noite de Setembro.





Van Morrison - September Night

domingo, 15 de agosto de 2021

Van Morrison - Bulbs

  1974 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Van Morrison está entre os meus músico preferidos de sempre. Entre 1968 e 1974 gravou 7 álbuns que considero imprescindíveis  e bem significativos da música popular daqueles anos. Não tivesse gravado mais nada e mesmo assim teria lugar na galeria das figuras mais importantes na criação de uma sonoridade fusionista e renovadora.

Tenho pena de não o ter visto ao vivo neste período de que é testemunho o álbum ao vivo "It's Too Late To Stop Now" (1974), um dos melhores álbuns ao vivo que conheço. Vi-o em 1993 no Coliseu do Porto e em 2018 em Cascais e aquilo que posso dizer é que soube envelhecer, em 2018 melhor que em 1993. Sob o ponto de vista discográfico não mais deslumbrou, como eu tenho dito por várias vezes ancorou no porto seguro do Blues e com algumas variações que lhe são características e por aí ficou.

Adiantado no tempo é quanto parecia estar Miguel Esteves Cardoso ao referir-se ao álbum "Veedon Fleece" de 1974, já aqui dizia ele "Van Morrison recusa-se a avançar além do conforto encontrado ..." atribuindo somente três estrelas a este trabalho.



Edição alemã em vinil de 1989 com a ref: 839 164-1


"Veedon Fleece" tem sido revisto positivamente ao longo dos tempos e parece ter-se tornado consensual que se encontra entre os melhores álbuns que Van Morrison realizou. Marcou, pelo menos o fim de uma época, Van Morrison só voltaria a gravar três anos depois com o sofrível "A Period of Transition".

"Bulbs", editado em Single é o que fica para se ouvir, no sossego da noite...



Van Morrison - Bulbs

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Van Morrison - No More Lockdown

 Algumas memórias de 2020


Uns melhores outros nem por isso lá se vão tendo notícias discográficas de alguns artistas cujas carreiras se tornaram de alguma forma notadas ainda nos idos anos 60 do século passado, ou seja há mais de 50 anos.

E hoje começo por Van Morrison que tantas horas de prazer me tem proporcionado ao longo de tantos e tantos anos. Felizmente ainda no activo este artista da Irlanda do Norte, que tive oportunidade de ver por duas vezes, em 1993 no Porto e em 2018 em Cascais, tem-se revelado particularmente produtivo nos últimos anos sem no entanto alcançar a genialidade dos anos 60 e 70.

A pandemia de 2020 veio estragar tudo, depois do promissor "Three Chords & the Truth" de 2019, esperava-se que continuasse pelo menos no mesmo registo ou seja com níveis qualitativos idênticos, no entanto tal não aconteceu. Van Morrison escreveu 4 canções de protesto, a saber: "Born To Be Free", "As I Walked Out", "No More Lockdown" e "Stand and Deliver", esta último com interpretação de Eric Clapton, e em nenhuma se saiu bem. Uma coisa é combater o fascismo e a limitação à liberdade, outra coisa é combater uma pandemia e Van Morrison, infelizmente, parece que confundiu as duas coisas.




Tome-se, por exemplo, "No More Lockdown", quer lírica quer musicalmente revela-se uma verdadeira decepção. Van Morrison é assim a desilusão de 2020. Para compensar vou ver o Blu-Ray "In Concert" (2018) e acreditar que vai voltar a melhores dias.



Van Morrison - No More Lockdown

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Van Morrison – Buena Sera

 Raridades

Para os menos novos Van Morrison praticamente não necessita de apresentação, acredito, que para os amantes da música popular, de alguma forma ele se terá cruzado nas suas vidas. Para os mais novos é mais do que altura de o descobrir.

Van Morrison, actualmente com 74 anos e que desde o início dos anos 60 tem tido uma impressionante carreira, é hoje o mais importante músico que a Irlanda do Norte nos deu. Mais de 40 álbuns a solo onde afirmou uma sonoridade própria inconfundível que atravessa praticamente todos os géneros musicais mas muito centrada no Rock e no Rhythm'n'Blues.

A grande maioria das suas gravações são originais por ele assinados, verdadeiros clássicos hoje em dia, mas não se esquiva a reconhecer as suas influências e é vê-lo com regularidade a interpretar nomes como por exemplo John Lee Hooker, Willie Dixon, Sam Cooke, Sonny Boy Williamson, Ray Charles, só para citar alguns nomes grandes da música negra.

Em 1974 foi editado um dos melhores álbuns ao vivo que conheço: "It's Too Late To Stop Now", álbum duplo, que correspondia à digressão do ano anterior contendo gravações efectuadas na Califórnia e Londres. 2016 conheceu o prolongamento com "...It's Too Late To Stop Know...Volumes II, III, IV & DVD" onde são recuperados os concertos no Troubadour, Los Angeles a 23 de Maio de 1973, Santa Monica Civic, Califórnia a 29 de Junho de 1973 e no Rainbow, em Londres a 23 e 24 de Julho do mesmo ano. Imperdível!



Aqui se encontram algumas das suas melhores canções à época assim como algumas versões de canções de alguns dos músicos negros acima referidos. Pese a versatilidade e transversalidade de géneros que ele aborda surge naquela digressão uma canção que eu diria improvável e julgo não a encontrar em mais nenhum dos seus registos oficiais, "Buena Sera", sucesso dos anos 50 por Louis Prima e alvo de múltiplas versões. Aparece no Volume III e IV. Vamos então para a Califórnia para 29 de Junho de 1973 ouvir o inconfundível Van Morrison com "Buena Sera". Conheciam?



Van Morrison – Buena Sera

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Van Morrison - You Don't Understand

Algumas memórias de 2019


Quem não é fã de ou não conhece a música de Van Morrison não sabe o que perde. Felizmente sou-o desde há muito, muito tempo. Teria que recuar, provavelmente a 1970 quando pela primeira vez o ouvi (terei ouvido antes, nomeadamente "Gloria", mas sem identificar que era ele quem a interpretava), provavelmente com "Moondance" ou algum tema de "Astral Weeks" que logo ficaram na lista para aquisição há primeira oportunidade.

Van Morrison tem actualmente 74 anos e quem o ouve não os dá tal a frescura que sai das suas canções. E no ano de 2019 publica aquele que é o melhor álbum, pelo menos dos que conheci, dos cada vez menos sobreviventes dos anos 60 que insistem em continuar as suas carreiras quer em gravações quer ainda em actuações.


Edição em CD com a Ref: 0801663



É uma injustiça que "Three Chords & The Truth" não figure em nenhuma das listas, e não foram poucas as que consultei, dos melhores discos de 2019. Merecia-o!
Listas à parte, que valem o que valem, o importante é que consiga manter por muitos anos a qualidade aqui revelada. E já agora a quantidade com que nos tem prendado nos últimos anos. Lembre-se que em 4 anos publicou 6 álbuns! É obra.
Destes 6, "Three Chords & The Truth" é o que prefiro a acompanhar "Keep Me Singing" (2016), pelo meio 4 trabalhos, entre o Jazz e o Blues, que misturavam algumas canções novas com interpretações de temas daqueles universos musicais.
Onde eu gosto mesmo de Van Morrison é quando se desprende de géneros e cria as suas canções no seu género, devia haver um género com o seu nome. É claro que as influências estão lá, principalmente o Blues, é claro, mas "Three Chords & The Truth" ouve-se e apetece dizer "isto sim, é Van Morrison!". 14 canções e quase 70 minutos de audição que fazem o que de melhor o ano de 2019 nos deixou.


Para audição o irresistível "You Don't Understand".




Van Morrison - You Don't Understand

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Van Morrison – I Can’t Stop Loving You

Grandes Versões

Não conhecia a versão original de "I Can´t Stop Loving You", uma canção dos finais dos anos 50 escrita e interpretada pelo cantor country Don Gibson (1928-2003). Creio que aquela que primeiro conheci foi a de Ray Charles do ano de 1962. Na realidade não a associava à música Country, mas sim ao Soul e Rhythm'n'Blues, daí que não me admira-se pela versão que Van Morrison efectuou em 1991 para o seu duplo álbum "Hymns to the Silence".


Edição dos EUA da Polydor em duplo CD, ref: 314 519 219-2


Longe de conhecer todas as versões que esta canção tem, arrisco-me a dizer que esta é a mais bem conseguida, pelo menos entre as que conheço é sem dúvida a melhor interpretação, com a presença de Georgie Fame e dos The Chieftains a dar um contributo significativo. Recupero então novamente "I Can't Stop Loving You".




Van Morrison – I Can’t Stop Loving You

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Van Morrison – It´s Too Late To Stop Now

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70

Eis o 2º disco escolhido do ano de 1974, trata-se do duplo álbum ao vivo de Van Morrison intitulado "It´s Too Late To Stop Now".
Se juntarmos os atributos quantidade, qualidade e criatividade à discografia de Van Morrison é ao período de 1970 a 1974 que vou parar (ficando de fora "Astral Weeks" de 1968). Nada mais que 6 álbuns de originais e ainda este famoso álbum ao vivo, "It´s Too Late To Stop Now", resultado da passagem por Los Angeles, Santa Monica e Londres na tournée de 1973, conjunto de concertos tão relevantes na carreira de Van Morrison que em 2016 seria editada a caixa "..It's Too Late To Stop Now... Volumes II. III. IV & DVD" a complementar, com os respectivos concertos completos, a edição que hoje destaco.

Ficaram lendários estes concertos de Van Morrison, com acompanhamento de 11 elementos que formavam a Caledonia Soul Orchestra, estes registos são ainda hoje considerados das melhores gravações ao vivo, não só dele, Van Morrison, como da música popular em geral.


Duplo CD, edição alemã com a ref: 839 166-2



Ouvi muito este disco que, infelizmente, só mais tarde o adquiri em CD.
Como sempre a recomendação é para a aquisição deste disco, não se vão arrepender, entretanto, para aguçar o apetite proponho a faixa final, a extraordinária "Cypress Avenue" que contem a frase que dá nome ao disco, "It´s Too Late To Stop Now".




Van Morrison - Cypress Avenue

quarta-feira, 6 de março de 2019

Van Morrison - You're My Woman

1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Três anos para trás e três anos para a frente e apanhamos o período histórico de Van Morrison, aquele que nos deu "Astral Weeks", mas também "It's Too Late to Stop Now". O ano agora em causa é o de 1971 onde tenho estado a seguir as escolhas feitas por Miguel Esteves Cardoso. E lá estava mais um disco indispensável de Van Morrison, "Tupelo Honey" de seu nome, e aprovado com 3 estrelas.

A sucessão de álbuns de excelência era uma constante, anteriormente tinha sido (esquecendo, por agora, o discutível primeiro LP "Blowin' Your Mind!" de 1967)  "Astral Weeks" (1968), "Moondance" (1970) e "His Band and the Street Choir" (1970), "Tupelo Honey" não era excepção e continuava as experiências anteriores, consolidando um percurso musical esse sim de excepção.

Edição portuguesa de 1972 com a referência WAR 46114




Centrado no Blues, mas longe de a eles estar preso, Van Morrison constrói uma sonoridade própria e única com incursões pelo Jazz, o Country e o Soul.

A canção "Tupelo Honey" é mais uma dádiva dos deuses que Van Morrison tão bem agarrou e nos prendou. Uma pequena maravilha. Dou agora conta que já aqui lembrei "Tupelo Honey" pelo que passo para "You're My Woman" mais uma pérola saída do cultivo de Van Morrison.




Van Morrison - You're My Woman

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Van Morrison - I Can't Stop Loving You

"Tocado Pela Mão de Deus" é o título de um artigo publicado a 17 de Fevereiro de 1993 no jornal O Público e antecedia a vinda a Portugal, julgo que pela primeira vez, de Van Morrison para dois concertos que se realizaram no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa a 19 de Fevereiro e no Coliseu do Porto no dia seguinte. Foi este último que tive a oportunidade de assistir.

O artigo salientava o seu lado místico desde os tempos de "Gloria" ao então álbum mais recente que era "Hymns To The Silence", que o autor do artigo considerava ser o que Van Morrison perseguia, "é a ambiência e a solenidade, o espaço mágico propício ao êxtase místico". Terminava questionando se tal era possível "num recinto "desportivo" como o pavilhão Carlos Lopes?". A mesma questão se poderia ter posto relativamente ao dia seguinte no Coliseu do Porto, recinto mais apropriado a este tipo de evento.




No entanto, o que me ficou na memória desse concerto foi que ficou muito aquém das expectativas, foi curto, certinho mas pouco emotivo, mesmo descontando o facto de sabermos que Van Morrison não é muito dado a muita interacção com o público. Assim como chegou assim partiu, aliás como no concerto de 2018 em Cascais no EDPCOOLJAZZ mas desta vez num concerto muito mais bem conseguido.

Edição dos EUA da Polydor em duplo CD, ref: 314 519 219-2

Van Morrison foi, é e espero que continue a ser, um dos meus músicos preferidos, há quase 50 anos que sigo a sua música que me tem proporcionado inúmeras horas de satisfação. De "Hymns To The Silence" recordo uma belíssima versão de uma canção dos anos 50, aqui interpretada com o acompanhamentos dos The Chieftains, "I Can't Stop Loving You".




Van Morrison - I Can't Stop Loving You

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Van Morrison - Got To Go Where The Love Is

Algumas memórias de 2018


Van Morrison parece ter definitivamente ancorado no porto seguro do Jazz e do Blues. Pelo menos é que mostram os seus últimos 5 álbuns editados nos últimos 3 anos. Mais evidente nestes últimos trabalhos a sua ligação de sempre ao Blues, de que é hoje em dia um dos seus maiores intérpretes, Van Morrison tem vindo a gravar conjuntamente com temas novos ("Got To Go Where The Love Is", por exemplo) ou novas versões de canções suas mais antigas ("The Way Young Lovers Do", por exemplo), standards do Blues e do Jazz de seu agrado.
Evidência maior nas duas publicações de 2018: "You're Driving Me Crazy" e "The Prophets Speaks", que tiveram a colaboração do organista e trompetista Joey DeFrancesco, tomando mesmo o nome Van Morrison and Joey DeFrancesco no primeiro daqueles registos.



Edição Exile Productions, Ref: 19075820032, de 2018



No conjunto dos dois álbuns temos um total de 29 canções, sendo na realidade canções novas somente 6 o que não é suficiente para um álbum de originais.
Talvez seja demonstrativo do estado actual de Van Morrison, mais interessado em recriar canções que gosta do que propriamente criar novas canções. Assim sendo e não pondo em causa a qualidade inquestionável destes álbuns, gostaria de voltar a ouvir Van Morrison com canções novas, e liberto da homogeneização sonora que ultimamente tem revelado.


Edição Exile Productions, Ref: 7707186, de 2018



Ainda não totalmente digerido este "The Prophet Speaks", editado em Dezembro último, mas de destacar de imediato a excelente qualidade do som e a voz impecável de Van Morrison nesta fusão do Jazz e do Blues.
A este ritmo, daqui a 6 meses teremos outro novo disco, tempo suficiente para a digestão de mais este belo trabalho.
No ano de 2018 de destacar ainda o concerto no EDPCOOLJAZZ, já neste blogue devidamente noticiado.




Van Morrison - Got To Go Where The Love Is

domingo, 25 de novembro de 2018

Van Morrison - Tupelo Honey

Canções que se ouviam no ano de 1971

Já em 1971 era um nome grande da música popular, ainda hoje o é!
Na altura com uma produção discográfica impressionante, tal e qual hoje!
Na época criativo e inovador, agora maduro e seguro!
É de Van Morrison que se trata, esse músico norte-irlandês que me acompanha ao longo da vida.

Em 1971 publicava o 5º disco de longa duração a solo após a sua passagem pelo grupo de Blues-Rock Them. Actualmente vai no 39º álbum e aguarda-se ainda antes do final do ano o novo "The Prophet Speaks". Se hoje nos surpreende pela longevidade, Van Morrison tem 73 anos, e capacidade interpretativa que ainda mantém, em 1971, ainda sem a legião de fãs que actualmente tem, revelava uma capacidade de composição, onde misturava diversos géneros musicais (do Blues ao Folk), singular e cativante.


Edição portuguesa de 1972 com a referência WAR 46114




"Tupelo Honey" passou por cá relativamente despercebido, por isso não foi tão ouvido quanto isso, mas com o passar dos anos canções como o tema título tornaram-se marca da sua melhor capacidade de composição.

Segue, claro, "Tupelo Honey". Irresistível!.




Van Morrison - Tupelo Honey

terça-feira, 31 de julho de 2018

Van Morrison - EDPCOOLJAZZ 2018

E finalmente às 20h30m em ponto eis Van Morrison, Van the man.
Já algum público, em desrespeito para com o músico e resto da assistência, parecia ignorar que o concerto já tinha começado e passado algumas canções ainda procuravam os seus lugares com as mãos ocupadas por sandes e copos de cerveja que já deviam ter sido digeridos. Quando é que assistirei em Portugal a um concerto em que as pessoas tomam os seus lugares a seu devido tempo e o início não é perturbado pelos "com licença, com licença" de quem parece estar ali por estar, sem se interessar pelo objecto do espectáculo?
Quanto ao concerto, propriamente dito só há que enaltecer. Desde a qualidade sonora, à prestação de Van Morrison e restantes acompanhantes esteve tudo bem. Van Morrison com os seus 72 anos apresenta uma voz invejável, embora naturalmente diferente da que conhecíamos dos anos 60 e 70, mas só surpreendeu quem não acompanhou a longa e excelente carreira deste músico.




Escondido no seu fato às riscas, chapéu e óculos escuros, cantou e tocou o seu saxofone, durante mais de 90 minutos e assim como entrou assim saiu com apenas uns "thanks" no final. "Encore" não é com ele, foi-se embora e deixou o restante grupo a deliciar-nos com variações em torno de "GLORIA".





Num concerto centrado no Blues e no Jazz onde ele se tem acantonado nos últimos anos, mas aos quais nunca foi alheio, interpretou temas de "GLORIA" (1964) a "Broken Record" (2017) que percorreram mais de 50 anos de uma brilhante carreira. Entre as 20 canções interpretadas lá estava "The Way Young Lovers Do" (1968) na versão 2018 de "You're Driving Me Crazy", o blues "Baby Please Don't Go" (original de 1935) por ele interpretada em 1964 com os Them e aqui acrescida de "Got My Mojo Working" popularizada em 1957 por Muddy Waters e "Days Like This" do álbum homónimo de 1995. Não podia faltar "Moondance" do também álbum homónimo de 1970, o standard "Bye, Bye Blackbird" de "Versatile" (2017), "Have I Told You Lately" do álbum "Avalon Sunset" (1989) sem esquecer "Brown Eye Girl" do primeiro LP a solo "Blowin' Your Mind" (1967).




No final, tal como há 25 anos no Coliseu do Porto, soube a pouco, tal é a quantidade de temas que preenchem a minha memória e que logicamente não ouvi, "Cyprus Avenue", "Ballerina", "Into the Mystic", "Domino", "Listen to the Lion", "Saint Dominic's Preview", "Snow in San Anselmo", só para citar algumas do final dos anos 60, início de 70, do século passado. Mas era pedir demais, era querer meter o Rossio na rua da Betesga.

Nota final para a excelente banda que o acompanhou, tanto quanto consegui apurar formada por: Paul Moran - teclados, trompete, Dave Keary - guitarras,  Paul Moore - baixo, Mez Clough - bateria, Dana Masters - voz, Teena Lyle - vibrafone e percussões.

Para lembrar ficamos com "Magic Time" de 2005, aqui na versão de 2018 do álbum "You're Driving Me Crazy" e que ele também interpretou.




Van Morrison - Magic Time

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Van Morrison - EDPCOOLJAZZ 2018

A vinda de Van Morrison a Portugal é um acontecimento imperdível.
Já o tinha visto há 25 anos atrás no Coliseu do Porto e tinha ficado com um "sabe a pouco" que queria ultrapassar. Assim, quando soube da vinda dele ao EDPCOOLJAZZ, não exitei e logo adquiri os bilhetes para este concerto que se realizou na Sábado passado. Comprei-os pois logo no início do ano e reservei hotel em Oeiras pois era no Parque dos Poetas que o acontecimento estava anunciado.



Mas algum tempo antes dei conta que o local do concerto tinha sido alterado, mantendo-se a hora  para as 19h, e já não era em Oeiras mas sim em Cascais no hipódromo Manuel Possolo. Bom, o hotel já estava marcado em Oeiras, já não era tempo de o alterar e assim ficou. Entretanto constatei que para as 19h tinha sido acrescentado, a anteceder o Van Morrison, um grupo português de nome Off The Road. Tudo bem, antes a mais do que a menos ...

Chega o dia e já depois das 18h (no bilhete diz abertura de portas às 18h) dirigimo-nos, eu e a minha esposa, para a entrada que ainda se encontrava fechada e uma longa fila se desenhava pelo passeio fora. Rápido foi, no entanto, a entrada quando esta se abriu.



Chegamos ao interior do parque, no acesso ao hipódromo, fomos informados que o Van Morrison só actuava às 20h e 30m. Os tais Of The Road, não actuavam ali mas sim no jardim anexo onde estava instaladas as barracas de cerveja e fast-food.
Para lá nos dirigimos e lá actuaram os ditos num palco que quase passava despercebido e que serviu de entretenimento enquanto se passeava pelo jardim e, ou, se matava a fome e a sede nas referidas barracas.





Para que conste 2 copos pequenos de cerveja custaram 7€ (!!), sendo os copos reutilizáveis mas não reembolsáveis.
Portanto o tempo que antecedeu o concerto foi mais de comes e bebes do que propriamente musical.
Mas tudo valeu a pena, pois de Van Morrison se tratava. Amanhã continuo, mas fica desde já uma pergunta: pelo que descrevi não há muita falta de planeamento, sendo este já o 15º evento?

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Van Morrison - Moondance

A Flauta no Rock

Van Morrison, uma das figuras mais importantes da história do Rock, absorveu as influências mais diversas, Rock, Jazz, Blues, Folk, Pop, para citar só as principais, e ao mesmo tempo criou uma sonoridade identitária e única. Também sob o ponto de vista de suporte musical ele é feito normalmente por um conjunto alargado de músicos, alguns multi-instrumentistas, das mais diversas origens.

A flauta não é um instrumento estranho ao universo musical de Van Morrison. É possível encontrar o instrumento em muitos discos deste cantautor da Irlanda do Norte. Na maior parte da discografia até finais dos anos 80 a flauta aparece regularmente, de forma mais discreta ou evidenciada como em "Irish Heartbeat" não fosse a presença dos The Chieftains.
Eis uma lista com alguns dos álbuns onde se pode escutar a flauta:

- Astral Weeks
- Moondance
- Tupelo Honey
- Saint Dominic's Preview
- Hard Nose the Highway
- Veedon Fleece
- Common One
- Beautiful Vision
- Inarticulated Speech of the Heart
- Live at the Grand Opera House Belfast
- Poetic Champions Compose
- Irish Heartbeat
- Enlightenment
- Hymns to the Silence
- The Philosopher's Stone
- Down the Road
- What's Wrong with This Picture


Para hoje socorro-me do álbum "Moondance" (1970) e da canção título.


Edição alemã, provavelmente de 1979, referências K 46 040, WS 1835




"Moondance" é das canções mais conhecidas e interpretada com frequência ao vivo ao longo de muitas décadas. Uma bela canção, próxima do Jazz, que ainda hoje, como aliás toda a sua música, se ouve com a maior satisfação.
A não perder a próxima vinda de Van Morrison a Portugal, é no dia 28 de Julho no EDPCOOLJAZZ no Parque dos Poetas em Oeiras.




Van Morrison - Moondance