Alguns temas da música underground dos anos 60
Nesta curta passagem pela música underground dos anos 60 acabamos como começámos com o agrupamento norte-americano The Fugs.
The Fugs, grupo underground por excelência, produziram de 1965 a 1969 (período de referência da música underground) os discos mais estranhos que nos foi dado ouvir.
Quanto aos espectáculos, esses eram manifestações marcadamente políticas tendo Tuli Kupferberg dito:
"... o nosso intento é conseguir que uma grande parte dos espectadores indecisos se ponha do nosso lado. Isto acontece todas as noites. No início do show há muita insegurança e nervosismo. Alguns espectadores abandonam a sala e outros olham nervosamente a reacção dos vizinhos. Mas como há sempre alguns que se divertem e aplaudem, também outros reagem do mesmo modo, primeiro timidamente, depois com maior entusiasmo. Assim começam a entender o espectáculo e a aplaudi-lo por sua conta. Desta forma se desenvolve uma espécie de processo educativo." conforme "O Mundo da Música Pop".
Lendo-se de seguida:
"O espectáculo dos Fugs é eminentemente político. Resulta evidente na sua crítica social quando na canção «nothing» contrapõem ao ídolo da produtividade norte-americana a negação total do «nothing»."
Voltamos ao primeiro álbum dos The Fugs onde é patente a música anti-estabelishment então praticada. Musicalmente rude, áspero (no melhor estilo garage) é brutalmente espontâneo e transborda energia por todas as espiras.
The Fugs e a "negação total", eis "Nothing".
The Fugs - Nothing
Para uns recordações, para outros descobertas. São notas passadas, musicais e não só...
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domingo, 7 de fevereiro de 2016
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Captain Beefheart and His Magic Band - Abba Zaba
Alguns temas da música underground dos anos 60
Nascido Don Glen Vliet (1941-2010) mas conhecido por Captain Beefheart foi uma figura proeminente do underground norte-americano dos anos 60. Cantor, compositor e mais tarde pintor, Captain Beefheart era amigo de Frank Zappa com quem colaborou e rivalizou na música que desenvolviam.
Ambos com raízes no Blues de Chicago, Captain Beefheart será acompanhado, com diferentes formações, pelo grupo que dava pelo nome The Magic Band e vai desenvolver uma discografia de 13 álbuns de originais no período de 1967 a 1982.
Começamos pela primeira gravação de Captain Beefheart, decorria o ano de 1967 (incontornável este ano!) e o álbum que dava pelo nome de "Safe as Milk", hoje um disco venerado, na altura praticamente ignorado.
Nas notas da edição em CD de "Safe as Milk" pode-se ler:
"Only a handful of rock performers can genuinely claim to have radically changed the parameters and perceptions of the genre, and one of them is Don Van Vliet alias Captain Beefheart."
"Safe as a Milk" é, podemos dizer, um clássico do underground, tendo uma forte influência dos Blues; já aqui recordámos o pouco convencional "Electricity", desta vez ocasião para o estranho "Abba Zaba".
Captain Beefheart and His Magic Band - Abba Zaba
Nascido Don Glen Vliet (1941-2010) mas conhecido por Captain Beefheart foi uma figura proeminente do underground norte-americano dos anos 60. Cantor, compositor e mais tarde pintor, Captain Beefheart era amigo de Frank Zappa com quem colaborou e rivalizou na música que desenvolviam.
Ambos com raízes no Blues de Chicago, Captain Beefheart será acompanhado, com diferentes formações, pelo grupo que dava pelo nome The Magic Band e vai desenvolver uma discografia de 13 álbuns de originais no período de 1967 a 1982.
Começamos pela primeira gravação de Captain Beefheart, decorria o ano de 1967 (incontornável este ano!) e o álbum que dava pelo nome de "Safe as Milk", hoje um disco venerado, na altura praticamente ignorado.
"Only a handful of rock performers can genuinely claim to have radically changed the parameters and perceptions of the genre, and one of them is Don Van Vliet alias Captain Beefheart."
"Safe as a Milk" é, podemos dizer, um clássico do underground, tendo uma forte influência dos Blues; já aqui recordámos o pouco convencional "Electricity", desta vez ocasião para o estranho "Abba Zaba".
Captain Beefheart and His Magic Band - Abba Zaba
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Soft Machine - Hope For Happiness
Alguns temas da música underground dos anos 60
Ainda na cena underground de Londres da década de 60 sobressaiu, para além dos Pink Floyd, o grupo originário de Canterbury, Soft Machine, que se tornariam numa das mais influentes bandas do Rock progressivo.
Em 1966 o mundo assiste a uma verdadeira revolução cultural nascida originariamente em São Francisco, na Califórnia, onde os jovens se juntam aos milhares "e assistem a «espectáculos totais» multidimensionais em que a música, as imagens e os perfumes estão intimamente associados.", era o início do movimento hippie.
"...a América silenciosa que não vê no movimento hippie senão a apologia do sexo, da droga, e da imoralidade, encontra na mesma altura estranhas ressonâncias na Inglaterra. Robert Wyatt, baterista de um conjunto progressista com o curioso nome de Soft Machine (Máquina Suave, segundo o título de um romance de W. Borroughs) declara: «Quase todos os grupos de pop-music, aqui ou na América, fabricam indefinidamente sons e melodias para fazer consumir, sob formas mais ou menos novas, as mesmas emoções, facilmente identificadas e assimiladas pelo público. Queremos quebrar esta imagem e este conceito, reencontrar o espírito do jazz, ou seja uma expressão autêntica, selvagem, mas desta vez nossa e não dos Negros».", citações do livro "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
Depois do Single "Love Makes Sweet Music" editado em 1967, o primeiro LP surge em 1968 e começava com a faixa "Hope For Happiness".
"Hope For Happiness", exemplo da melhor música praticada nos anos 60, para agora recordarmos.
Soft Machine - Hope For Happiness
Ainda na cena underground de Londres da década de 60 sobressaiu, para além dos Pink Floyd, o grupo originário de Canterbury, Soft Machine, que se tornariam numa das mais influentes bandas do Rock progressivo.
Em 1966 o mundo assiste a uma verdadeira revolução cultural nascida originariamente em São Francisco, na Califórnia, onde os jovens se juntam aos milhares "e assistem a «espectáculos totais» multidimensionais em que a música, as imagens e os perfumes estão intimamente associados.", era o início do movimento hippie.
"...a América silenciosa que não vê no movimento hippie senão a apologia do sexo, da droga, e da imoralidade, encontra na mesma altura estranhas ressonâncias na Inglaterra. Robert Wyatt, baterista de um conjunto progressista com o curioso nome de Soft Machine (Máquina Suave, segundo o título de um romance de W. Borroughs) declara: «Quase todos os grupos de pop-music, aqui ou na América, fabricam indefinidamente sons e melodias para fazer consumir, sob formas mais ou menos novas, as mesmas emoções, facilmente identificadas e assimiladas pelo público. Queremos quebrar esta imagem e este conceito, reencontrar o espírito do jazz, ou seja uma expressão autêntica, selvagem, mas desta vez nossa e não dos Negros».", citações do livro "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
Depois do Single "Love Makes Sweet Music" editado em 1967, o primeiro LP surge em 1968 e começava com a faixa "Hope For Happiness".
"Hope For Happiness", exemplo da melhor música praticada nos anos 60, para agora recordarmos.
Soft Machine - Hope For Happiness
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Pink Floyd - See Emily Play
Alguns temas da música underground dos anos 60
Os populares Pink Floyd no seu início foram um grupo ligado à cena underground londrina. Particularmente no seu princípio, antes da entrada de David Gilmour em finais de 1967, ainda sob a liderança de Syd Barrett (1946-2006) a música por eles praticada era estranha, muito estranha com uma larga dose de experimentalismo.
"É em Londres que John Hopkins descobre o grupo, atraído pela sua música e pela forma de se apresentar em palco, profundamente originais. Com efeito, os Pink Floyd, apaixonados pela electrónica e pela ficção científica, começaram já a triturar os sons dos seus instrumentos e a experimentar as técnicas do larsen e do eco. A primeira etapa para se tornarem conhecidos do público é a noite de lançamento do IT na Roundhouse, ocasião para o conjunto enfrentar o underground londrino, com o qual nunca tinha sido verdadeiramente confrontado, apesar de várias passagens na escola experimental livre de John Hopkins." lê-se em "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
No ano de 1967 foram lançados dois Singles e o 1º álbum "The Piper At The Gates Of Dawn".
Em Junho de 1967 é então editado o 2º Single dos Pink Floyd, que tinha "See Emily Play" como tema principal.
Syd Barrett disse: "Estava a dormir num bosque, depois de um espectáculo, quando vi aproximar-se por entre as árvores uma rapariga que gritava e dançava. Era Emily."
Verdade ou mentira (mais tarde Barrett terá dito que era só publicidade) aqui vai a fantasia surrealista de Syd Barrett em "See Emily Play" longe do som mainstream com que os Pink Floyd vieram a terminar.
Pink Floyd - See Emily Play
Os populares Pink Floyd no seu início foram um grupo ligado à cena underground londrina. Particularmente no seu princípio, antes da entrada de David Gilmour em finais de 1967, ainda sob a liderança de Syd Barrett (1946-2006) a música por eles praticada era estranha, muito estranha com uma larga dose de experimentalismo.
"É em Londres que John Hopkins descobre o grupo, atraído pela sua música e pela forma de se apresentar em palco, profundamente originais. Com efeito, os Pink Floyd, apaixonados pela electrónica e pela ficção científica, começaram já a triturar os sons dos seus instrumentos e a experimentar as técnicas do larsen e do eco. A primeira etapa para se tornarem conhecidos do público é a noite de lançamento do IT na Roundhouse, ocasião para o conjunto enfrentar o underground londrino, com o qual nunca tinha sido verdadeiramente confrontado, apesar de várias passagens na escola experimental livre de John Hopkins." lê-se em "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
No ano de 1967 foram lançados dois Singles e o 1º álbum "The Piper At The Gates Of Dawn".
Em Junho de 1967 é então editado o 2º Single dos Pink Floyd, que tinha "See Emily Play" como tema principal.
Syd Barrett disse: "Estava a dormir num bosque, depois de um espectáculo, quando vi aproximar-se por entre as árvores uma rapariga que gritava e dançava. Era Emily."
Verdade ou mentira (mais tarde Barrett terá dito que era só publicidade) aqui vai a fantasia surrealista de Syd Barrett em "See Emily Play" longe do som mainstream com que os Pink Floyd vieram a terminar.
Pink Floyd - See Emily Play
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
The Rolling Stones - Let's Spend The Night Together
Alguns temas da música underground dos anos 60
Numa das várias citações que "O Mundo da Música Pop" faz de Mick Farren (1943-2013), cantor do grupo underground inglês The Deviants, ele afirma:
"Houve um tempo em que as estrelas populares da canção eram uns jovens robustos, amorosamente acarinhados pelos seus empresários. O pior que lhes podia acontecer era acusá-los de se aproximarem da morte ou do sexo ou mesmo de manter estranhas relações com os respectivos empresários. Mas foram desalojados dos seus tronos por essa brigada menos bem aceite de cabeludos, antigos estudantes das belas-artes, expulsos das universidades, beatnicks que tentavam enriquecer. Todos eles poderiam fazer aquilo que nunca interessou aos outros. Sabiam o que se estava a passar. Provavelmente, começaram a produzir a música mais honesta desde o começo da era do rock."
para logo se constatar:
"Gordon McLendon, presidente de uma cadeia de emissores locais norte-americanos ficou desagradavelmente surpreendido com estes novos discos. Irritado, deu a seguinte ordem:
«As emissoras da cadeia McLendon não transmitirão qualquer disco que ataque ou fira, consciente ou inconscientemente, a moral pública, a dignidade e bom gosto».
Por consequência, proibiu a difusão de Let's spend the night together (Rolling Stones), Penny Lane e A day in the life (The Beatles) e Sock it to me Baby (Mitch Rider)."
Não sendo estas canções das mais identificadores do que de mais underground se fazia não deixam de constituir abordagens que à época foram ousadas ao ponto de serem banidas por certa moral estabelecida.
"Let's Spend The Night Together" gravada, em 1967, pelos The Rolling Stones, teve problemas diversos devido à sugestão de carácter sexual da letra, no "The Ed Sullivan Show" tiveram mesmo que alterar a letra passando "Let's Spend The Night Together" a ser "Let's Spend Some Time Together".
The Rolling Stones - Let's Spend The Night Together
Numa das várias citações que "O Mundo da Música Pop" faz de Mick Farren (1943-2013), cantor do grupo underground inglês The Deviants, ele afirma:
"Houve um tempo em que as estrelas populares da canção eram uns jovens robustos, amorosamente acarinhados pelos seus empresários. O pior que lhes podia acontecer era acusá-los de se aproximarem da morte ou do sexo ou mesmo de manter estranhas relações com os respectivos empresários. Mas foram desalojados dos seus tronos por essa brigada menos bem aceite de cabeludos, antigos estudantes das belas-artes, expulsos das universidades, beatnicks que tentavam enriquecer. Todos eles poderiam fazer aquilo que nunca interessou aos outros. Sabiam o que se estava a passar. Provavelmente, começaram a produzir a música mais honesta desde o começo da era do rock."
para logo se constatar:
"Gordon McLendon, presidente de uma cadeia de emissores locais norte-americanos ficou desagradavelmente surpreendido com estes novos discos. Irritado, deu a seguinte ordem:
«As emissoras da cadeia McLendon não transmitirão qualquer disco que ataque ou fira, consciente ou inconscientemente, a moral pública, a dignidade e bom gosto».
Por consequência, proibiu a difusão de Let's spend the night together (Rolling Stones), Penny Lane e A day in the life (The Beatles) e Sock it to me Baby (Mitch Rider)."
Não sendo estas canções das mais identificadores do que de mais underground se fazia não deixam de constituir abordagens que à época foram ousadas ao ponto de serem banidas por certa moral estabelecida.
"Let's Spend The Night Together" gravada, em 1967, pelos The Rolling Stones, teve problemas diversos devido à sugestão de carácter sexual da letra, no "The Ed Sullivan Show" tiveram mesmo que alterar a letra passando "Let's Spend The Night Together" a ser "Let's Spend Some Time Together".
The Rolling Stones - Let's Spend The Night Together
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
MC5 - Motor City Is Burning
Alguns temas da música underground dos anos 60
"Brothers and Sisters! I want to see a sea of hands out there! Let me see a sea of hands! I want everyone to kick up some noise! I want to hear some revolution out there Brothers! I want to hear a little revolution! Brothers and Sisters, the time has come for each and every one of you to decide whether you are going to be the problem or whether you are going to be the solution! (That's right!) You ...must choose Brothers, you must choose! It takes five seconds, five seconds of decision, five seconds to realize your purpose here on the planet! It takes five seconds to realize that it's time to move, it's time to get down with it! Brothers, it's time to testify and I want to know, are you ready to testify? Are you ready? I give you a testimonial!"
Assim começam os MC5 no primeiro álbum do grupo, o famoso "Kick Out the Jams", um LP ao vivo de 1969. Gravado na cidade de Detroit em 1968, num clima pré revolucionário, o álbum é a imagem clara do ambiente de contestação então existente na sociedade norte-americana. Os MC5 ficariam ligados (através do seu manager John Sinclair) à formação do White Panther Party, formação política anti-racista associada aos Black Panthers.
Se a revista Rolling Stones à época o considerou ridículo e pretensioso hoje coloca-o na lista dos 500 melhores discos de todos os tempos.
"Kick Out the Jams" um álbum pleno de energia, hoje considerado uma das melhores gravações Rock ao vivo, onde se destacavam, por exemplo, para além do tema título, a versão de "Motor City Is Burning", original de John Lee Hooker.
MC5 - Motor City Is Burning
"Brothers and Sisters! I want to see a sea of hands out there! Let me see a sea of hands! I want everyone to kick up some noise! I want to hear some revolution out there Brothers! I want to hear a little revolution! Brothers and Sisters, the time has come for each and every one of you to decide whether you are going to be the problem or whether you are going to be the solution! (That's right!) You ...must choose Brothers, you must choose! It takes five seconds, five seconds of decision, five seconds to realize your purpose here on the planet! It takes five seconds to realize that it's time to move, it's time to get down with it! Brothers, it's time to testify and I want to know, are you ready to testify? Are you ready? I give you a testimonial!"
Assim começam os MC5 no primeiro álbum do grupo, o famoso "Kick Out the Jams", um LP ao vivo de 1969. Gravado na cidade de Detroit em 1968, num clima pré revolucionário, o álbum é a imagem clara do ambiente de contestação então existente na sociedade norte-americana. Os MC5 ficariam ligados (através do seu manager John Sinclair) à formação do White Panther Party, formação política anti-racista associada aos Black Panthers.
Se a revista Rolling Stones à época o considerou ridículo e pretensioso hoje coloca-o na lista dos 500 melhores discos de todos os tempos.
"Kick Out the Jams" um álbum pleno de energia, hoje considerado uma das melhores gravações Rock ao vivo, onde se destacavam, por exemplo, para além do tema título, a versão de "Motor City Is Burning", original de John Lee Hooker.
MC5 - Motor City Is Burning
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
The Deviants - Let´s Loot the Supermarket
Alguns temas da música underground dos anos 60
"A alteração produzida na música desde a canção melódica adormecedora e inebriante até às canções politizadas, foi demasiado rápida para a indústria discográfica. Muitos dos economicamente interessados neste mercado, parecem temer que num futuro próximo possam ser desalojados, em virtude da rapidez dos acontecimentos que se abatem sobre eles." em "O Mundo da Música Pop".
Por esta perspectiva alinhava Mick Farren (1943-2013) do grupo underground londrino The Deviants que, de acordo com a mesma fonte, defendeu a um jornalista do "Melody Maker":
"A música pop é ainda o último meio que não se encontra totalmente debaixo do controlo das empresas discográficas".
Mais adiante, é referido: "Em Londres, Mick Farren faz um apelo para o estabelecimento da «guerrilha pop», pois considera a música pop como um dos poucos meios de comunicação verdadeiramente livres.".
Em "Disposable" de 1968, The Deviants começavam em "Somewhere To Go", a faixa de abertura cantando "We want the world to be free", para em "Let's Loot the Market" proclamarem "this is the day civilisation ends".
Sem dúvida, outros tempos, outras músicas. O underground da Grã-Bretanha pelos The Deviants com "Let's Loot the Market".
come on everybody, come gather round friends,
this is the day civilisation ends;
come on everybody, let's sing and dance
and let's go loot the supermarket, while we got the chance.
The Deviants - Let´s Loot the Supermarket
"A alteração produzida na música desde a canção melódica adormecedora e inebriante até às canções politizadas, foi demasiado rápida para a indústria discográfica. Muitos dos economicamente interessados neste mercado, parecem temer que num futuro próximo possam ser desalojados, em virtude da rapidez dos acontecimentos que se abatem sobre eles." em "O Mundo da Música Pop".
Por esta perspectiva alinhava Mick Farren (1943-2013) do grupo underground londrino The Deviants que, de acordo com a mesma fonte, defendeu a um jornalista do "Melody Maker":
"A música pop é ainda o último meio que não se encontra totalmente debaixo do controlo das empresas discográficas".
Mais adiante, é referido: "Em Londres, Mick Farren faz um apelo para o estabelecimento da «guerrilha pop», pois considera a música pop como um dos poucos meios de comunicação verdadeiramente livres.".
Em "Disposable" de 1968, The Deviants começavam em "Somewhere To Go", a faixa de abertura cantando "We want the world to be free", para em "Let's Loot the Market" proclamarem "this is the day civilisation ends".
Sem dúvida, outros tempos, outras músicas. O underground da Grã-Bretanha pelos The Deviants com "Let's Loot the Market".
come on everybody, come gather round friends,
this is the day civilisation ends;
come on everybody, let's sing and dance
and let's go loot the supermarket, while we got the chance.
The Deviants - Let´s Loot the Supermarket
domingo, 31 de janeiro de 2016
Country Joe and the Fish - Superbird
Alguns temas da música underground dos anos 60
A década de 60 viveu, musicalmente, um período único de grande criatividade, de florescimento de múltiplos géneros musicais para os quais o "establishment" não estava preparado. O confronto entre as sucessivas vagas de música Rock e a ordem social estabelecida leva mesmo a revista "Life" a afirmar que "O Rock'n'Roll é subversivo".
Tuli Kupferberg, poeta e mentor dos The Fugs, afirma: "As nossas acções precipitam-se. Será algo de grandioso e excitante, conseguirmos sobreviver a tudo isto".
A música popular era um factor de crítica social e havia quem visse nisso um instrumento da revolução. O mesmo Tuli Kupferberg nela acreditava: "Estamos prestes a descobrir como fazer a revolução. Temos que escolher formas políticas, formas novas, nunca utilizadas. ao mesmo tempo, há que prosseguir a revolução cultural. Ambos os aspectos são partes integrantes de um todo".
Country Joe and the Fish foi um conjunto californiano formado em torno de Country Joe McDonald e Barry "The Fish" Melton e a sua música teve particular importância na cena cultural americana. O amor livre, o uso de drogas e os protestos contra a guerra do Vietname estavam no centro da sua música. Foram nucleares na cena underground americana no período de 1965 a 1970.
Ainda antes de se tornarem conhecidos editam por conta própria 2 EP que tiveram alguma notoriedade no meio underground, em 1967 chega o 1º LP com o sugestivo nome "Electric Music for the Mind and Body".
O livro "O Mundo da Música Pop" referindo-se a Country Joe and the Fish afirma:
"Os seus blues electrónicos não são canções com formosas melodias. Nas suas actuações incluem números marcadamente políticos. Por exemplo, na canção Superbird refere-se ao então presidente Lyndon B. Johnson. Joe McDonald faz baixar o presidente do céu dos super-homes e das super-aeronaves, para devolvê-lo ao rancho do Texas."
(A propósito o jornal Melody Maker no dia 26 de Outubro de 1968 tinha como título na página 13:
"Don't Laugh, but the Next Step Could Be Pop as a Political Power")
Segue "Superbird", eram Country Joe and the Fish e decorria o ano de 1967.
Country Joe and the Fish - Superbird
A década de 60 viveu, musicalmente, um período único de grande criatividade, de florescimento de múltiplos géneros musicais para os quais o "establishment" não estava preparado. O confronto entre as sucessivas vagas de música Rock e a ordem social estabelecida leva mesmo a revista "Life" a afirmar que "O Rock'n'Roll é subversivo".
Tuli Kupferberg, poeta e mentor dos The Fugs, afirma: "As nossas acções precipitam-se. Será algo de grandioso e excitante, conseguirmos sobreviver a tudo isto".
A música popular era um factor de crítica social e havia quem visse nisso um instrumento da revolução. O mesmo Tuli Kupferberg nela acreditava: "Estamos prestes a descobrir como fazer a revolução. Temos que escolher formas políticas, formas novas, nunca utilizadas. ao mesmo tempo, há que prosseguir a revolução cultural. Ambos os aspectos são partes integrantes de um todo".
Country Joe and the Fish foi um conjunto californiano formado em torno de Country Joe McDonald e Barry "The Fish" Melton e a sua música teve particular importância na cena cultural americana. O amor livre, o uso de drogas e os protestos contra a guerra do Vietname estavam no centro da sua música. Foram nucleares na cena underground americana no período de 1965 a 1970.
Ainda antes de se tornarem conhecidos editam por conta própria 2 EP que tiveram alguma notoriedade no meio underground, em 1967 chega o 1º LP com o sugestivo nome "Electric Music for the Mind and Body".
O livro "O Mundo da Música Pop" referindo-se a Country Joe and the Fish afirma:
"Os seus blues electrónicos não são canções com formosas melodias. Nas suas actuações incluem números marcadamente políticos. Por exemplo, na canção Superbird refere-se ao então presidente Lyndon B. Johnson. Joe McDonald faz baixar o presidente do céu dos super-homes e das super-aeronaves, para devolvê-lo ao rancho do Texas."
(A propósito o jornal Melody Maker no dia 26 de Outubro de 1968 tinha como título na página 13:
"Don't Laugh, but the Next Step Could Be Pop as a Political Power")
Segue "Superbird", eram Country Joe and the Fish e decorria o ano de 1967.
Country Joe and the Fish - Superbird
sábado, 30 de janeiro de 2016
Grateful Dead - That's It For The Other One
Alguns temas da música underground dos anos 60
"O Rock subversivo provoca no ouvinte uma tomada de consciência. Mas cuidado: não só a letra provoca essa tomada de consciência, como igualmente a música o faz. Os conjuntos rock como Grateful Dead, MC 5, Limbus ou Khol Caravan [estes 2 últimos grupos alemães] praticam grandemente uma música que se liberta dos condicionamentos económicos e sociais.", pode-se ler em "O Mundo da Música Pop".
Os Grateful Dead foram um dos grupos Rock mais importantes da contracultura dos anos 60. Oriundos de S. Francisco, a cidade onde o movimento underground mais se desenvolveu, os Grateful Dead elaboraram uma sonoridade única repleta de ecletismo onde sobressaíam os longos improvisos nas actuações ao vivo.
"Ao improvisar, os músicos representam-se a si mesmos. Por consequência, praticam também uma música política, já que esta se desenvolve no meio de uma sociedade que impede ao homem de dispor de si próprio." lia-se na continuação da citação anterior.
Esta nova música, cheia de influências mas simultaneamente livre, autónoma, criativa teve nos Grateful Dead a expressão mais genuína; com Jerry Garcia (1942-1995) como o elemento mais destacado do grupo deixaram-nos uma extensa discografia indispensável na compreensão do fenómeno musical de S. Francisco.
"Anthem of the Sun" é o segundo álbum dos Grateful Dead, foi editado em 1968 e era um disco mais complexo que o primeiro do ano anterior. Composto somente por 5 faixas pretendia assim ter uma sonoridade mais próxima dos concertos ao vivo.
Ficamos pela faixa de abertura "That's It For The Other One" bem característica da música então praticada pelos Grateful Dead.
Grateful Dead - That's It For The Other One
"O Rock subversivo provoca no ouvinte uma tomada de consciência. Mas cuidado: não só a letra provoca essa tomada de consciência, como igualmente a música o faz. Os conjuntos rock como Grateful Dead, MC 5, Limbus ou Khol Caravan [estes 2 últimos grupos alemães] praticam grandemente uma música que se liberta dos condicionamentos económicos e sociais.", pode-se ler em "O Mundo da Música Pop".
Os Grateful Dead foram um dos grupos Rock mais importantes da contracultura dos anos 60. Oriundos de S. Francisco, a cidade onde o movimento underground mais se desenvolveu, os Grateful Dead elaboraram uma sonoridade única repleta de ecletismo onde sobressaíam os longos improvisos nas actuações ao vivo.
"Ao improvisar, os músicos representam-se a si mesmos. Por consequência, praticam também uma música política, já que esta se desenvolve no meio de uma sociedade que impede ao homem de dispor de si próprio." lia-se na continuação da citação anterior.
Esta nova música, cheia de influências mas simultaneamente livre, autónoma, criativa teve nos Grateful Dead a expressão mais genuína; com Jerry Garcia (1942-1995) como o elemento mais destacado do grupo deixaram-nos uma extensa discografia indispensável na compreensão do fenómeno musical de S. Francisco.
"Anthem of the Sun" é o segundo álbum dos Grateful Dead, foi editado em 1968 e era um disco mais complexo que o primeiro do ano anterior. Composto somente por 5 faixas pretendia assim ter uma sonoridade mais próxima dos concertos ao vivo.
Ficamos pela faixa de abertura "That's It For The Other One" bem característica da música então praticada pelos Grateful Dead.
Grateful Dead - That's It For The Other One
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
The Mothers of Invension - Brown Shoes Don't Make It
Alguns temas da música underground dos anos 60
A abordagem da música underground não é tão linear quanto há primeira vista pode parecer.
Podemos considerar "...que o underground não é senão uma mentira, uma falsificação." e que "...alguns conjuntos musicais são apresentados como «típicos» representantes underground pelo simples facto de não haver mais nada a identificá-los..." ou seja não passa de uma manobra de marketing das empresas discográficas e nada mais acrescentamos. Ou "... apesar de toda a alienação musical, existe uma música secreta ou underground." e que "Tudo quanto se diga em referência à música underground, diz respeito à música com letra escrita entre 1965 e 1969" (citações tiradas de "O Mundo da Música Pop") .
Se se tiver uma visão muito restritiva do underground ter-se-á que considerar "a total autonomia em relação aos produtores e a relação directa entre a música e a situação sociopolítica dentro da qual actua o conjunto.", numa aproximação mais sensata e alargada podemos considerar o conjunto de géneros musicais que, em particular nos anos 60 (aquela que agora nos interessa), foram contra a cultura dominante. Ou seja podemos aqui englobar alguma da música psicadélica e de protesto então praticada.
Para hoje o retorno a Frank Zappa e a The Mothers of Invention, referências maiores da contra-cultura americana. Já passámos pelo 1º álbum "Freak Out!" de 1966 e 3º "We're Only In It For The Money" de 1968, ficamos agora com o 2º LP "Absolutely Free".
Editado em 1967 "Absolutely Free" é um álbum complexo de forte crítica política e social. Sem estilo definido "Absolutely Free" salta frequentemente de improvisações jazzísticas a influências de Stravinsky. "Brown Shoes Don't Make It", a faixa escolhida para audição, com variações constantes de género musical é o culminar da experimentação de Frank Zappa num período tão criativo. Uma mini Ópera Rock condensada em 7 minutos, eis "Brown Shoes Don't Make It".
The Mothers of Invension - Brown Shoes Don't Make It
A abordagem da música underground não é tão linear quanto há primeira vista pode parecer.
Podemos considerar "...que o underground não é senão uma mentira, uma falsificação." e que "...alguns conjuntos musicais são apresentados como «típicos» representantes underground pelo simples facto de não haver mais nada a identificá-los..." ou seja não passa de uma manobra de marketing das empresas discográficas e nada mais acrescentamos. Ou "... apesar de toda a alienação musical, existe uma música secreta ou underground." e que "Tudo quanto se diga em referência à música underground, diz respeito à música com letra escrita entre 1965 e 1969" (citações tiradas de "O Mundo da Música Pop") .
Se se tiver uma visão muito restritiva do underground ter-se-á que considerar "a total autonomia em relação aos produtores e a relação directa entre a música e a situação sociopolítica dentro da qual actua o conjunto.", numa aproximação mais sensata e alargada podemos considerar o conjunto de géneros musicais que, em particular nos anos 60 (aquela que agora nos interessa), foram contra a cultura dominante. Ou seja podemos aqui englobar alguma da música psicadélica e de protesto então praticada.
Para hoje o retorno a Frank Zappa e a The Mothers of Invention, referências maiores da contra-cultura americana. Já passámos pelo 1º álbum "Freak Out!" de 1966 e 3º "We're Only In It For The Money" de 1968, ficamos agora com o 2º LP "Absolutely Free".
Editado em 1967 "Absolutely Free" é um álbum complexo de forte crítica política e social. Sem estilo definido "Absolutely Free" salta frequentemente de improvisações jazzísticas a influências de Stravinsky. "Brown Shoes Don't Make It", a faixa escolhida para audição, com variações constantes de género musical é o culminar da experimentação de Frank Zappa num período tão criativo. Uma mini Ópera Rock condensada em 7 minutos, eis "Brown Shoes Don't Make It".
The Mothers of Invension - Brown Shoes Don't Make It
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
The Fugs - Kill for Peace
Alguns temas da música underground dos anos 60
Do movimento Underground da segunda metade doa anos 60 já aqui fizemos algumas referências. Dada a sua importância nos vários domínios culturais e sociais a ele voltamos.
Se é verdade que a designação Underground não passou (e agora muito mais) de um engodo comercial de forma a levar os mais incautos a adquirir muitas vezes gato por lebre, não é menos verdade que sob o ponto de vista musical esta designação teve particular significado no período de 1965-1969 onde o movimento Underground foi uma realidade.
Recorrendo-nos do livro "O Mundo da Música Pop":
"Na música. o underground manifesta-se como uma fórmula de experiência e política, socialmente consciente. A música de um conjunto como The Fugs escandaliza qualquer burguês. As experiências de The Mothers of Invention já não podem ser consumidas através do tradicional «easy listenning»."
Revisitemos The Fugs e a sua música.
Recordemos, The Fugs formados, em 1963, em Nova-Iorque pelos poetas Ed Sanders e Tuli Kupferberg são talvez o grupo mais próximo da pureza do significado original do Underground. Juntamente com Ken Weaver constituíram o núcleo central dos The Fugs de 1963 a 1969.
"Os três companheiros trabalharam no início como letristas, sem terem muito a ideia do que era a música. Mas em 1965 tiveram a «vivência de conversão». Passaram a ouvir os Beatles e Bob Dylan e descobriram deste modo, uma possibilidade de transmitir as suas ideias nas suas canções beat."
Em 1966 editam o segundo álbum "The Fugs", mais tarde "The Fugs Second Album", e
é a este LP que vamos buscar o tema de hoje "Kill for Peace". Era a contestação da guerra do Vietname, "...a matança em prol da paz: Kill for peace.".
The Fugs - Kill for Peace
Do movimento Underground da segunda metade doa anos 60 já aqui fizemos algumas referências. Dada a sua importância nos vários domínios culturais e sociais a ele voltamos.
Se é verdade que a designação Underground não passou (e agora muito mais) de um engodo comercial de forma a levar os mais incautos a adquirir muitas vezes gato por lebre, não é menos verdade que sob o ponto de vista musical esta designação teve particular significado no período de 1965-1969 onde o movimento Underground foi uma realidade.
Recorrendo-nos do livro "O Mundo da Música Pop":
"Na música. o underground manifesta-se como uma fórmula de experiência e política, socialmente consciente. A música de um conjunto como The Fugs escandaliza qualquer burguês. As experiências de The Mothers of Invention já não podem ser consumidas através do tradicional «easy listenning»."
Revisitemos The Fugs e a sua música.
Recordemos, The Fugs formados, em 1963, em Nova-Iorque pelos poetas Ed Sanders e Tuli Kupferberg são talvez o grupo mais próximo da pureza do significado original do Underground. Juntamente com Ken Weaver constituíram o núcleo central dos The Fugs de 1963 a 1969.
"Os três companheiros trabalharam no início como letristas, sem terem muito a ideia do que era a música. Mas em 1965 tiveram a «vivência de conversão». Passaram a ouvir os Beatles e Bob Dylan e descobriram deste modo, uma possibilidade de transmitir as suas ideias nas suas canções beat."
Em 1966 editam o segundo álbum "The Fugs", mais tarde "The Fugs Second Album", e
é a este LP que vamos buscar o tema de hoje "Kill for Peace". Era a contestação da guerra do Vietname, "...a matança em prol da paz: Kill for peace.".
The Fugs - Kill for Peace
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