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domingo, 5 de agosto de 2018

Julie Rogers - Almost Close to You

mundo da canção nº 6 de Maio de 1970

A origem do Regresso ao Passado de hoje é o mesmo de ontem, ou seja a pequena notícia que constava no nº 6 da revista "mundo da canção" intitulada "Discos Zip Apresentaram em Portugal Lee Lynch e Julie Rogers".  Nela se dava conta da edição pela nossa editora "Zip-Zip" de 2 EP dos artistas referenciados no título e que tinham actuado a 20 de Abril de 1970 no Teatro Villaret.




Ontem foi a vez de Lee Lynch, hoje recupera-se Julie Rogers.
Actualmente com 75 anos, Julie Rogers teve o seu sucesso maior, em Inglaterra, de onde era originária, e nos Estados Unidos, na primeira metade da década de 60. As suas gravações efectuaram-se sobretudo naquela década e na seguinte.
Quando ao disco cá editado pela "Zip-Zip", tratava-se de um EP composto pelas seguintes canções: "Almost Close To You", "Come Tomorrow", "You Better Sit Down Kids" e "This Is Me".

Dentro do género da música ligeira, então em queda face ao predomínio do Pop-Rock, segue para audição o tema principal "Almost Close To You".




Julie Rogers - Almost Close to You

sábado, 4 de agosto de 2018

Lee Lynch - Stay Awhile

mundo da canção nº 6 de Maio de 1970


"Zip-Zip" foi, para além do programa televisivo que passou na RTP no ano de 1969, uma editora discográfica nacional que maioritariamente se dedicou, na década de 70, à publicação de música portuguesa, tendo no entanto também editado alguma música Pop internacional.

Sob o título "Discos Zip Apresentaram em Portugal Lee Lynch e Julie Rogers", o nº 6 da revista "mundo da canção" dá a conhecer a actividade da recém criada editora.






Ficamos assim a saber que a editora tinha trazido a 20 de Abril de 1970, ao Teatro Villaret, os artistas Lee Lynch e Julie Rogers para a presentação dos EP entretanto cá editados.

Lee Lynch (1937-2012) foi um cantor e autor de canções nascido na Irlanda, no início dos anos 60 começa carreira artista em Inglaterra, sendo em 1969 que se destaca internacionalmente. De acordo com o seu site (http://www.leelynch.co.uk/):
"In 1969, Lee represented Great Britain in an international song contest in Belgium with a song called 'Stay Awhile', which soon went to the top of the Belgian charts and was a huge success in various countries."

O EP editado pela "Zip-Zip" contém precisamente "Stay Awhile" e ainda "A Bad Time To Stop Loving Me", "They've Taken Our Childhood Away" e "Don't Hold On To Yesterday".

Para audição proponho "Stay Awhile".




Lee Lynch - Stay Awhile

sábado, 12 de novembro de 2016

Manuel Freire - Menina dos Olhos Tristes

mundo da canção nº 2

Já com 2 EP gravados é, no entanto, a passagem pelo programa "Zip-Zip", em 1969, que vai tornar Manuel Freire conhecido com o êxito estrondoso que foi a interpretação da canção "Pedra Filosofal".

Iria ser precisamente "Pedra Filosofal" o tema principal do 3º disco de Manuel Freire, um Single editado em 1970 já pela etiqueta "Zip-Zip". A canção tornar-se-ia rapidamente um hino de resistência ao fascismo até ao 25 de Abril de 1974.

Na página "mc notícia" dá-se nota do lançamento do disco:
"No dia 14 do mês que passa , foi lançado o quarto disco de Manuel Freire, pela marca "Zip-Zip Movieplay", A composição "Pedra filosofal", de António Gedeão, foi transmirida, nesse mesmo dia, pelo menos dezasseis vezes."

A revista "mundo da canção", que deu sempre o devido destaque a Manuel Freire, publica logo em Janeiro de 1970, no seu segundo número, a letra de "Pedra Filosofal" e fecha este nº 2 com uma ficha com o historial do cantor.




Como já recordámos, neste Regresso ao Passado, a faixa principal "Pedra Filosofal", oportunidade, agora, para o lado B com a menos conhecida "Menina dos Olhos Tristes".




Manuel Freire - Menina dos Olhos Tristes

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Objectivo - Dance Of Death

Se na década de 60 a rádio teve a primazia na divulgação da música Pop-Rock que por cá e lá fora se fazia, no final da década a televisão começou a ter algum destaque na difusão de sonoridades contrárias aos standards instalados.
Praticamente tudo começa com o programa “Zip-Zip”, em 1969, que, para além de dar a conhecer os chamados baladeiros como Manuel Freire, José Jorge Letria, José Barata Moura, Padre Fanhais, também a música Rock menos convencional fez aqui a sua presença. É o caso do grupo Objectivo que teve aqui a sua primeira aparição (1969), o público, ao que parece, participou na escolha do nome do grupo.
Com 1 EP e 3 Singles gravados entre 1969 e 1972 tiveram diversas formações, diferentes em cada disco gravado. Por lá passaram alguns conhecidos músicos portugueses como Mário Guia (ex- Ekos), Zé Nabo (futuro baixista de Rui Veloso, Salada de Frutas, etc.), Zé da Cadela (reconhecido baterista de Rock progressivo, Xharanga e KamaSutra). Entre os estrangeiros os destaques vão para o conhecido escocês Mike Sergeant, o americano Kevin Hoidale e Jim Cregan que passou pelos Cockney Rebel, Family e foi durante muitos anos músico de Rod Stewart. A sonoridade era típica do hard-rock da época e as letras eram em inglês.





De acordo com Luís Pinheiro de Almeida, em "Biografia do Ié-Ié" foram os primeiros a gravar um Single em estéreo em Portugal, era o Single de 1970 que inclui “The Dance of Death”.




Objectivo - The Dance Of Death

sábado, 3 de setembro de 2016

Filarmónica Fraude - Menino

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Com estas passagens que fizemos de alguma da música portuguesa que passou pelo programa de televisão "Zip-Zip" no ano de 1969, poderá ficar a ideia, para quem não viveu esses tempos,  de se tratar de um programa normal de divulgação musical. Não é verdade.
Não só a música que nele passou não era de todo habitual num programa televisivo, como o programa era constituído por outras rubricas, como as entrevistas, não só a eminentes figuras da cultura mas também a gente do povo, como ainda as rábulas cómicas a cargo do Raul Solnado.
Foi assim possível, apesar da proibição da passagem do cantor José Afonso e da poetisa Natália Correia, tomar contacto com personalidades da nossa cultura como Almada Negreiros, Ary dos Santos, Amélia Rey Colaço, António Victorino d'Almeida, e ainda gente comum como um limpa-chaminés, o Carlos dos jornais (ardina lisboeta), o fotógrafo ambulante ou o último aguadeiro de Lisboa.

Para terminar estas recordações da música que passou pelo "Zip-Zip" guardámos a proposta mais interessante que surgiu no ano 1969, a Filarmónica Fraude.
A Filarmónica Fraude tinha um EP editado quando foi para o ar a 23 de Junho de 1969 o programa "Zip-Zip" onde participaram. José Nuno Martins, o apresentador dos momentos musicais, recorda essa passagem transcrita em "E Tudo Acabou em 69":
"... no que toca à Filarmónica que (conforme a afinação possível...) apresentou o tema «Flor de Laranjeira», creio que terá excedido as expectativas."
E, na mesma fonte, refere António Pinho, elemento da Filarmónica Fraude:
"Uma correria. Nem houve tempo de fazer uma passagem da »Flor de Laranjeira» no Villaret para ensaiar o som. Aquilo era ao vivo, e devia ter-se ensaiado num intervalo do programa. Mas houve lá qualquer trapalhada, porque levaram a alta velocidade o Solnado, que ia dar uma entrevista a fazer de Camões no respectivo largo.
Aquilo deu para ali uma confusão dos diabos. Resumindo, só sei que de repente era a nossa vez de entrar no ar, e nem ensaio de som tínhamos feito."




"Flor de Laranjeira" já foi objecto de passagem neste Regresso ao Passado, do mesmo EP escolhemos, tendo por base "Canção da Beira Baixa", a bem conhecida canção "Menino".

Finalmente alguns nomes que passaram no "Zip-Zip", e que não foram agora recordados: George Fame, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Patxi Andión. Quem sabe, uma oportunidade para um dia voltarmos a recordar o "Zip-Zip".



Filarmónica Fraude - Menino

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pop Five Music Incorporated - Adagio

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Os Pop Five Music Incorporated eram um grupo oriundo do Porto que existiu entre 1967 e 1972.
O repertório era predominantemente de versões dos grupos Rock de melhor gosto como The Beatles, King Crimson, Chicago, Procol Harum, The Moody Blues o que os distinguia da generalidade dos grupos Pop-Rock nacionais de gosto mais fácil, não que, nas primeiras gravações, não estivessem incluídos temas bem comerciais com "Those Were The Days" e "Ob-La-Di Ob-La-Da".

Depois da edição de 2 EP , onde constavam as canções acima referidas, respectivamente em 1968 e 1969, é editado o único LP por eles gravado de nome "A Peça".
Pelo programa "Zip-Zip", atento ao que de melhor por cá se fazia, passam os Pop Five Music Incorporated dando-se assim a conhecer a um público mais vasto.




E não avançamos mais na história dos Pop Five Music Incorporated, ficamos no ano de 1969 e no 2º EP onde fomos buscar o tema "Adagio" uma adaptação do conhecido tema do compositor barroco italiano Tomaso Albinoni (1671-1751).



Pop Five Music Incorporated - Adagio

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Sindicato - Smile

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Na sequência do êxito de grupos como os Blood, Sweat & Tears e depois os Chicago, praticantes de um Rock de fusão com o Jazz, também por cá surgiram grupos a alinharem por sons similares. Foi o caso dos Sindicato, tinham, portanto, uma secção de metais nos quais sobressaía Rui Cardoso e também o então jovem Rão Kyao, o conhecido Jorge Palma integrava o grupo cabendo-lhe teclados e voz.

Depois de, em Julho de 1969, terem participado, e ficado em 2º lugar (o 1º lugar foi para os Música Novarum) no 1º Festival de Conjuntos Pop da Costa do Sol, passam pelo programa da TV "Zip-Zip".
O "Zip-Zip" atento, para além da dominante música de intervenção, ao fenómeno Pop-Rock por cá tão mal divulgado.



Em rtp.pt

Quanto aos Sindicato será necessário esperar por 1971 para surgir a primeira e única gravação, em nome próprio. Tratou-se de um Single com as composições "Smile" e "SINDIblues Swede CATO'S Shoes". Ficamos com "Smile" um tema assinado por Jorge Palma, Ricardo Levy e Victor Mamede.



Sindicato - Smile

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Pamela Murphy - Lullaby

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Pamela Murphy conheceu Luís Pinto de Freitas (1946-2015), ex-viola-solo de Os Claves, no Algarve, no Verão de 1967.

"Conheci um guitarrista com quem tinha uma total e completa união e compreensão musical. Comecei a cantar com ele em 1967, quando nos conhecemos." afirmou Pamela Murphy.

Mais tarde contraíram matrimónio e ficaram para sempre ligados, musicalmente e não só.
No ano de 1969 dá-se a conhecer no programa televisivo "Zip-Zip" acompanhada por Luís Pinto de Freitas e por Luís de Freitas Branco (também ex-Claves), nesse mesmo ano grava um EP para a Polydor que será editado no ano seguinte.

O EP, registo único de Pamela Murphy, constituído por 4 faixas, continha 2 originais compostos pelo duo, "Please Come Back" e "Why", e duas versões,"Lullaby" e "Glad Bluebird of Happiness".




A escolha vai para "Lullaby", versão do tema do filme "Rosemary's Baby", de 1968, de Roman Polansky.



Pamela Murphy - Lullaby

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Música Novarum - Temporal no Monte

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Mais um grupo predominantemente vocal que se estreou no programa da TV "Zip-Zip", foram os Música Novarum.

Formados no ano de 1969, os Música Novarum eram constituídos por Nuno Rodrigues, Daphne Stock, António Lobão e Judi Brennan. Musicalmente, manifestavam um som Folk com aproximação à música renascentista, arranjos vocais, uma viola e uma flauta protagonizavam o som dos Música Novarum.

Na passagem pelo "Zip-Zip" interpretaram a canção "Temporal No Monte" que viria a ser editada no disco "O Último Zip" com data provável de 1971. Na contra-capa do LP, Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz assinavam o seguinte texto:
"Foram 7 meses de amanhecer difícil. Por não poder fazer mais... por não saber fazer melhor. Mas ficou a semente. Dar uma mãozinha. Gostar de gente. O Zip foi a esperança no entendimento. Hoje é apenas a maior saudade. Pelo menos de nós três".

Do blog Ié-Ié


O quarteto teria curta duração, em 1974 Nuno Rodrigues estaria na génese de um dos grupos mais interessantes da música popular portuguesa, a Banda do Casaco.
Em 2016 Nuno Rodrigues edita o primeiro CD  a solo de nome "Pérolas d'Alma" com poesia de Florbela Espanca.



Música Novarum - Temporal no Monte

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Intróito - Steady

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Pertenciam ao coro do Orfeão Académico de Lisboa e constituíram-se no final da década de 60 como quarteto vocal. Tomaram a designação de Intróito quando em 1969 tiveram a oportunidade de participar no programa televisivo "Zip-Zip".
Interpretavam música Folk e espirituais negros, mas também abordaram a música ligeira, ao participar nos Festivais da Canção em 1970 e 1971, e a música de intervenção antes (nomeadamente no espectáculo de 29 de Março de 1974 no Coliseu de Lisboa) e depois do 25 de Abril de 1974.





A discografia dos Intróito anterior ao 25 de Abril foi constituída por 3 Singles e 1 EP gravados entre 1970 e 1972.
No 1º disco da editora "Zip-Zip", um LP colectânea de 1969 com participantes no programa da TV, consta interpretado pelos Intróito o tema tradicional norte-americano "Steady".



Intróito - Steady

domingo, 28 de agosto de 2016

EFE 5 - I'll Not Marry At All

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Nem só de cantores de intervenção se fazia o espaço musical do programa de TV "Zip-Zip" no ido ano de 1969.
Outras passagens, outras sonoridades se fizeram sentir, longe da música ligeira de mau gosto que estava então generalizada nos meios de radiodifusão. Assim, foi possível assistir à divulgação de grupos musicais de raiz popular como os EFE 5, o Intróito, a Música Novarum e ainda grupos emergentes do Pop-Rock como os Pop Five Music Incorporated, o Sindicato e a Filarmónica Fraude.

O 1º EP do grupo editado pelo "Zip-Zip" em 1970 e eram apresentados assim na contra-capa:
"Cantam porque gostam de cantar.
Começou há dois anos o EFE 5. Começaram a cantar música folclórica norte-americana e actuavam em convívios estudantis e espectáculos académicos. Mais tarde marcaram presença na TV, integrados em dois programas Zip-Zip.
O conjunto EFE 5, que é constituído por Fátima, Maria João, Carlos, João e Agostinho, apresenta hoje um repertório novo - canções populares alentejanas interpretadas em estilo diferente, muito pessoal. Vamos ouvi-los?" 





Aquando da passagem pelo "Zip-Zip" ficou a gravação, que apareceu na colectânea "Zip-Zip", já aqui referida como o primeiro LP da nova editora, de uma canção tradicional norte-americana de nome "I'll Not Marry At All" e é a proposta para hoje.



EFE 5 - I'll Not Marry At All

sábado, 27 de agosto de 2016

Manuel Freire - Pedra Filosofal

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Manuel Freire não era um desconhecido quando em 1969 faz a sua passagem pelo programa televisivo "Zip-Zip". Já sectores variados da sociedade portuguesa conheciam a música de Manuel Freire através de 2 EP gravados em 1968, em particular o primeiro com "Dedicatória", "Livre", "Eles" e "Pedro o Soldado".
Foi o cantor de intervenção a obter maior sucesso com a participação no "Zip-Zip", aqui deu a conhecer aquela que é uma das canções mais bonitas da música popular portuguesa, a bem conhecida "Pedra Filosofal". O belo poema de António Gedeão musicado e cantado por Manuel Freire vai ser o seu maior êxito e um verdadeiro hino da canção de intervenção. Uma canção que marcou uma geração na luta contra um regime que não sabia "...que o sonho é uma constante da vida...".

"Este belo poema tornou-se de tal modo popular e o seu êxito foi tão imediato que o Manuel acabou por voltar, poucas semanas depois, para fechar o ciclo do programa, e quando a gravação acaba, que era feito ao vivo, com assistência, no Teatro Villaret, como nos conta, uma agradável surpresa era-lhes reservada: já na rua, uma banda sobe a Avenida Fontes Pereira de Melo a tocar a «Pedra Filosofal», cantada em coro por todos - cantor, organizadores, público, etc.." em "Canto de Intervenção 1960-1074" de Eduardo Raposo.




O meu pai era amigo e colega de trabalho de Manuel Freire pelo que sabíamos antecipadamente da sua participação no programa "Zip-Zip", tínhamos pois razões acrescidas para nessas noites de Segunda-feira assistirmos com maior ansiedade ao "Zip-Zip".

No ano seguinte "Pedra Filosofal" seria editada em Single da editora, entretanto criada, "Zip-Zip".



Manuel Freire - Pedra Filosofal

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

José Froes Leitão - Farrapo

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Em 1969, pelo programa "Zip-Zip" passaram muitas propostas musicais, boa parte delas bem desconhecidas do grande público. Se alguns já tinham alguma divulgação e já eram nomes importantes na música popular, por exemplo, Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire, outros foram aqui descobertos e fizeram, posteriormente, o seu percurso musical, seja o José Jorge Letria, o Pedro Barroso, o José Barata Moura, outros ainda tiveram uma passagem fugaz pelo programa e, não fosse este, não teria ficado qualquer testemunho musical gravado, é o caso de José Froes Leitão.


Em "Canta, Amigo Canta" de João Carlos Callixto pode-se ler:
"José Froes Leitão foi um dos nomes divulgados pelo "Zip-Zip", em 1969. No entanto, e ao contrário de grande parte dos nomes que passaram pelo programa, não lograria gravar qualquer disco a solo. A sua discografia resume-se assim à participação no LP de estreia da editora "Zip-Zip", onde surge com o tema "Farrapo", de sua autoria".





Neste LP já aqui, por diversas vezes referido consta precisamente a canção "Farrapo" que José Froes Leitão interpretou no programa. "Farrapo" a evidenciar potencialidades que infelizmente não se concretizaram.



José Froes Leitão - Farrapo

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

José Jorge Letria - Arte Poética

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969  


José Jorge Letria, hoje mais conhecido escritor de literatura infanto-juvenil e jornalista, foi nos anos 70 um cantautor da nova música portuguesa que florescia no início da década, destacando-se no seu posicionamento anti regime e na procura de sonoridades mais elaboradas que as tradicionais baladas.

Estreia-se no programa televisivo "Zip-Zip" e a primeira edição discográfica data de 1970 com o EP "História do José-sem-Esperança".

Em 18 de Julho de 1969 a revista "Flama" em artigo de análise sobre o "Zip-Zip" publica um depoimento de José Jorge Letria:
"José Jorge Letria, tem 18 anos e é segundanista da Faculdade de Direito de Lisboa. cantor e compositor de baladas, antigo colaborador do «Diário de Lisboa Juvenil», tinha muita coisa a dizer. Eis o que disse e como disse:
«Zip-Zip» é incontestavelmente um fenómeno, porém um fenómeno tardio e como todos os fenómenos tardios já em larga medida contaminado por certos vícios e concepções que são o resultado flagrante de uma espera excessivamente prolongada.
«Zip-Zip» é o quotidiano aprisionado em cada tarde de Sábado, um quotidiano feito programa de televisão, programa esse que nasce quando a semana morre para depois morrer quando a semana nasce. E isto porque «Zip-Villaret» e «Zip-Lumiar» são duas realidades bem distintas, por vezes bem extremamente difíceis de justapor ou identificar entre si. Entre «Zip-Lumiar» e «Zip-Villaret» há dois dias de fermentação, dois dias de adaptação, dois dias de meditação para quem viu o «Zip-Villaret»".
(como se sabe a transmissão do "Zip-Zip" não era em directo, era gravado no Sábado no Teatro Villaret e transmitido na Segunda-feira nos estúdios do Lumiar, pelo meio tínhamos a censura)




Ainda no dizer de José Jorge Letria, em "Canto de Intervenção 1960-1974" de Eduardo Raposo: "O programa veio, em certa medida, consagrar a importância que a canção de intervenção começava a ter na vida cultural do país e no trabalho da resistência".

Com edição "Zip-Zip" sai, em 1971, o Single "Pare, Escute e Olhe", no lado B constava "Arte Poética", texto de Hélia Correia e música de José Jorge Letria.



José Jorge Letria - Arte Poética

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Rui Mingas - Ixi Ame (Minha Terra)

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969

O "Zip-Zip" é considerado, e bem, um dos melhores programas de sempre da RTP. Foi, no ano de 1969, um fenómeno de popularidade tendo como apresentadores o Carlos Cruz, o Fialho Gouveia e o Raul Solnado. Terá sido o primeiro Talk-Show da nossa televisão.

Adelino Gomes, ao recordar o programa em texto no jornal "Público" de 20 de Outubro de 2002, lembra a recepção da crítica logo manifestada ao primeiro programa que foi para o ar a 26 de Maio de 1969:
"A crítica nos jornais de terça-feira, 27, o dia seguinte à emissão, não esconde a surpresa e abre-se em elogios. "As câmaras de TV, finalmente, aproximaram-se do povo", avisa, ainda algo incrédulo, Miguel Serrano no "República". "De súbito prova-se que era possível o humor; que era possível refrescar as variedades; que era possível a convivência da inteligência e do riso", aplaude Castrim no "Lisboa". "Nunca tinha acontecido: o espectáculo convivente, a escolha inteligente de cada passo, a graça e a alegria no tom exacto (...) tudo num só programa de televisão", corrobora Correia da Fonseca em "A Capital"."

A divulgação de novos cantores era uma das marcas do programa, e deles estamos, agora, a dar nota, um deles foi Rui Mingas.




Rui Mingas é um cantor angolano, nos anos 60 vivia em Lisboa onde estudava e praticava atletismo. Em 1969 é dado a conhecer ao público português no programa "Zip-Zip". Lá interpretou "Ixi Ame (Minha Terra)" que vai sair, nesse ano, integrada na colectânea "Zip-Zip" com alguns dos convidados do programa. Faz parte também do primeiro álbum editado no ano seguinte de nome "Angola Canções", em França tomou o nome de"África Negra".


Rui Mingas - Ixi Ame (Minha Terra)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Nuno Filipe - Roteiro de Lisboa

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


Nuno Filipe (1947-2002) é um nome que ficou, infelizmente, relativamente pouco conhecido. Cunhado da poetisa Maria Teresa Horta com ela fez parceria no período em que efectuou gravações, ou seja entre 1967 e 1970. Deixou-nos uma discografia curta (3 EP e 1 Single) mas deveras singular.



Em
musicaapretoebranco.blogspot.pt
Em 1969 passa pelo programa "Zip-Zip" e edita o 3º EP "Nossas Canções/1". Neste disco assina 4 temas em parceria Maria Teresa Horta e é acompanhado pelo conjunto Álamos.
Em "Canta, Amigo, Canta" de João Carlos Callixto pode-se ler:
"Partindo do universo musical do pop rock - e os dois primeiros discos de Nuno Filipe são notáveis trabalhos na área do rock psicadélico -, quer a própria natureza dos textos de Maria Teresa Horta quer depois a mudança de editora da Philips para a Movieplay acentuariam a vertente de inquietação social patente na obra do músico."

"Roteiro de Lisboa" é uma bela canção e faz parte do 3º EP já referido.



Nuno Filipe - Roteiro de Lisboa

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Hugo Maia de Loureiro - Fonte de Água Vermelha

A Propósito do Programa Televisivo Zip-Zip - 1969


Hugo Maia de Loureiro teve o seu ponto mais alto e foi onde ganhou maior popularidade, ao interpretar em 1970, no VII Festival RTP da Canção, a extraordinária canção "Canção de Madrugar" de Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes. Fica em 2º lugar, sendo vencedor Sérgio Borges com "Aonde Vais Rio que Eu Canto".
Dotado de particular capacidade interpretativa, Hugo Maia de Loureiro dá-se primeiramente a conhecer em 1969 no programa da RTP "Zip-Zip" onde interpretou o tema, para hoje escolhido, "Fonte de Água Vermelha".
Não integrando a onda dos Cantores de Intervenção é, no entanto, um renovador da chamada canção ligeira.




"Fonte de Água Vermelha", numa toada baladeira, iria fazer parte do LP colectânea "Zip-Zip", ainda de 1969, e que iria dar início à editora com o mesmo nome, também faria parte do primeiro EP gravado por Hugo Maia de Loureiro e editado em 1970.



Hugo Maia de Loureiro - Fonte de Água Vermelha

domingo, 21 de agosto de 2016

José Barata Moura - Frère Souviens-Toi

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969

José Barata Moura ficou conhecido pelo grande público pelas suas canções destinadas às crianças: "Olha a Bola Manel", "Joana Come a Papa". "Fungágá da Bicharada", etc., etc.. No seu início fez também parte do grupo dos cantores de intervenção que no final da década de 60 despontaram fulgurantemente contra o regime fascista de então.

"No período de estudante universitário participou nas lutas estudantis que culminaram na crise académica de 1969. No mesmo ano, a sua participação no programa televisivo Zip-Zip foi decisiva, permitindo-lhe gravar no ano seguinte o EP Balade de Bidonville e, em 1971, o EP infantil Olha a Bola, Manel, ambos para a editora Zip, além de ter participado no álbum colectivo Zip-Zip (1969)." pode-se ler na "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX".

Em "Canto de Intervenção 1960-1974" a propósito do José Barata Moura, depois de se indicar que começou a cantar em público a partir de 1963, refere-se:
"O grande ponto de viragem foi a sua participação no «Zip-Zip»,..."  e mais adiante, conforme entrevista:
"Refere as proibições e a participação em espectáculos com o José Afonso, o Adriano, o Manuel Freire, o Fanhais, o José Jorge Letria, e a importância que o «Zip-Zip» teve para a difusão da nova geração de cantores de intervenção, com um circuito não apenas restrito ao meio universitário - como acontecera inicialmente com o Zeca e o Adriano - mas as consequências de incentivar a actividade de sessões culturais nas colectividades e nos grupos um pouco por todo o país, embora tendo em conta todo o trabalho político de intervenção cultural."





Ainda em 1969 é gravado o LP "Zip-Zip", uma colectânea que incluía alguns dos convidados do programa e dava início a uma editora com a mesma designação. Desse LP recuperamos do José Barata Moura, "Frère Souviens-Toi".



José Barata Moura - Frère Souviens-Toi

sábado, 20 de agosto de 2016

Deniz Cintra - Balada dos Homens e Mulheres Sentados

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969


O programa de televisão "Zip-Zip" ocorrido em 1969 foi de tal maneira importante, no que diz respeito à divulgação da chamada música de intervenção que os cantores que por lá passaram ficaram mesmo conhecidos por "cantores Zip".

Em "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX" lê-se:
"A importância do Zip-Zip para a música em Portugal no séc. xx reside no facto de este programa ter sido um dos principais veículos de divulgação de muitos cantores de intervenção (além de ter contribuído para o estabelecimento de uma rede de contactos entre eles), que de outro modo não dispunham de canais de divulgação do seu trabalho perante audiências mais alargadas."

Um desses cantores foi Deniz Cintra (1951-1990), participa em Julho no "Zip-Zip" e em Agosto grava o primeiro EP que só será editado no ano seguinte.




Pelo interesse, reproduzimos o texto da contra-capa escrito por Nuno Portas  (adaptação de um depoimento publicado em "A Mosca", em 13 de Setembro de 1969):
"“A balada, prenúncio de uma nova geração, não tem tido as mesmas condições de expressão de outras espécies de música dita ligeira mais ou menos comercial quer pelo desconforto temático que introduz, quer pela perturbação que poderia introduzir, quando atingida dimensão popular, nos interesses organizados da indústria e no clima passivo dos espectáculos musicais. Por este motivo interessa discuti-la – não na base das duas intenções mas antes nas potencialidades de comunicação-participação, ou de outro modo, na força que contenha ou possa desenvolver para a criação de um espaço cultural de gente nova acordada - em ritmo-comum. Daí a dívida que temos pelo arranque dado por um José Afonso ou um Adriano Correia de Oliveira.
O impacto sobre a sociedade ou sobre a cultura virá dela ser expressão não já de ideias mas de formas de vida que estão sendo, ou querem ser, vividas e por isso mesmo podem ser gritadas como alternativas aos modelos da sociedade estabelecida. Algo que está muito para além da maior ou menor coragem das "letras" (perspectiva ainda do literato) para assumir a inovação rítmica, a forma de cantar, as regras dos meios de comunicação de massa e, até, o seu consumo voraz. 
Dylan, Baez, Gil ou deste lado os Beatles, são chefes de fila, ou melhor, interpretes privilegiados de movimentos culturais avassaladores que estão abalando relações sociais e valores tradicionais e encontram numa poesia-outra, uma música-outra, uma arma de solidariedade de que já ousa viver outros valores mas tem de o dizer (cantar) para que possa continuar junta e a criar outras formas de viver. Na nova canção (balada será termo demasiado particular de um género demasiado revivalista) o intérprete é a chave do elemento significante ao mesmo nível das palavras e do tema musical. A sua forma de cantar é já em si mesma parte decisiva da mensagem: a que nos permite perceber a autenticidade, o inconfundível. Por isso senti na força irresistível vocal do Deniz Cintra, quando o ouvi ao vivo, potencialidades para romper com a relativa passividade, talvez de ilustradores de poema, que me parece dominar na actual fase desta forma de comunicação, a que atribui uma importância cultural própria para além de uma intenção de alargamento do consumo da poesia-escrita que me parece bem secundária e mesmo esteticamente equívoca. O suporte poético usado (cantado) na nova canção não pode senão sofrer nela uma metamorfose, não pode senão ser traído, em nome de outra vontade e de outra forma e de outro tempo de comunicar. É a incessante re-descoberta da comunicação colectiva, feliz, que a todos importa.” 

De Deniz Cintra, que chegou a actuar com Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Francisco Fanhais, José Almada, este último não tendo chegado a participar no "Zip-Zip" (pois entretanto o programa acabou), recuperamos "Balada dos Homens e Mulheres Sentados".



Deniz Cintra - Balada dos Homens e Mulheres Sentados

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Francisco Naia - Barco Novo

A Propósito do Programa televisivo Zip-Zip - 1969

Em a "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX" começa assim a entrada "Zip-Zip":
"Programa televisivo emitido de Mai. a Dez. de 1969. Gravado aos sábados à tarde, no Teatro Villaret, e transmitido às segundas-feiras à noite, era concebido e realizado por uma equipa constituída por Carlos Cruz, Raul Solnado e Fialho Gouveia. Tratava-se de um Talk-Show semanal composto por entrevistas, música e sketches de humor, incidindo em temáticas da actualidade e divulgando novas formas musicais, o que incentivou o surgimento de novos valores."

Na lista dos novos valores que surgiram no "Zip-Zip" está, entre outros, o de Francisco Naia.

Francisco Naia, nome surgido nos finais da década de 60 vai revelar-se ao país no final da década de 60 através da participação no programa "Zip-Zip" e é um daqueles cantores esquecidos da música popular de intervenção.

Primo da popular cantora Tonicha, foi aluno de José Afonso quando este dava aulas em Aljustrel, e, por influência do pai maestro e compositor, cedo mostrou vocação para  a música.




Em 1969 grava o primeiro EP "Barco Novo", logo proibido pela censura, e participa no programa "Zip-Zip".  Em "Canto de Intervenção 1960-1974"  Eduardo Raposo recorda a passagem pelo programa citando o próprio:
"No 'Zip-Zip', nunca mais me esqueço, fui aplaudido de pé. Fui extremamente censurado. Dos vinte temas apresentados escolheram quatro. ... mas fui muito bem recebido no Teatro Villaret e isso deu-me muita força para continuar a fazer aquele género de música, para continuar a cantar."

Recordamos a canção "Barco Novo", ou o regresso dos barcos vindos da guerra do ultramar:



Francisco Naia - Barco Novo