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sábado, 28 de setembro de 2019

Donovan - Lalena

mundo da canção nº 9 de Agosto de 1970


Não sei quando a ouvi pela primeira vez, mas foi há muito, muito tempo. "Lalena" é uma belíssima canção de Donovan que terei ouvido, provavelmente nos finais dos anos 60 e que não mais esqueci. Procurei encontrá-la nos álbuns de Donovan e não consegui, claro, não fazia parte de nenhum dos discos originais de longa duração, tinha sido publicada somente em Single em 1968. O que é certo é que não mais a esqueci e um dia encontrei-a (na capa constava a lista de canções e lá estava "Lalena", comprei de imediato) num álbum ao vivo de Donovan, prensagem portuguesa com capas originais em italiano. Data de 1974, embora a tenha adquirido já nos anos 80 e a qualidade de gravação, se bem me lembro, já não o ouço há muitos anos, não era a melhor. Ao que apurei não faz parte da discografia oficial deste tão importante músico escocês que está entre as melhores recordações da minha juventude.






Tudo isto pelo propósito de no nº 9 de Agosto de 1970 a revista "mundo da canção" trazer publicada a letra de "Lalena" ou "Laléna" que, já neste século, Donovan revelou ter sido inspirada em Lotte Lenya (1898-1981), a actriz esposa do compositor Kurt Weill.




Retorno a "Lalena" com Donovan, claro.



Donovan - Lalena

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Donovan - Hurdy Gurdy Man

mundo da canção nº 8 de Julho de 1970

Figura representativa do movimento hippie dos anos 60 Donovan mantém-se ainda hoje, com os seus 73 ano, em actividade musical, o seu mais recente trabalho dá pelo nome de "Jump In the Line" (Maio de 2019) e é um álbum tributo a Harry Belafonte, cantor Pop norte-americano que se notabilizou na divulgação do Calypso (uma das influências de Donovan).
No entanto, Donovan já não encanta como o fez nos idos anos 60 e 70, perdeu-se muita da magia que ele transportava na sua música simples e eclética que ia do referido Calypso ao Folk psicadélico.

A canção de hoje "Hurdy Gurdy Man" dava nome ao 6º álbum de originais publicado em 1968 e foi gravado num período de forte meditação. Foi nesta época que Donovan passou pela Índia e que com outros músicos, nomeadamente The Beatles, praticou meditação transcendental.






Poema, música e interpretação de Donovan, assim se referia o nº 8 da revista "mundo da canção" de Julho de 1970, onde era publicada a letra de "Hurdy Gurdy Man". Aqui fica esta bela recordação.



Donovan - Hurdy Gurdy Man

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Donovan - The Star

1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Donovan teve sempre uma predilecção por canções para crianças, no seu primeiro álbum duplo, "a gift from a flower to a garden" (1968), o segundo LP, "For Littles Ones", era composto por canções para crianças. Em 1971 é editado novo álbum duplo  desta vez totalmente concebido com canções supostamente infantis.
É a este trabalho, "... uma alegria sincera no álbum-para-crianças-adultas de Donovan ...", que Miguel Esteves Cardoso coloca entre as escolhas dele de 1971 atribuindo-lhe 3 estrelas.






"The Golden Era of the singer/songwriter came when Donovan, one of the first and most successful singer/sonwriters, was making albuns for children! He should not br derided for what might look like a foolish change of direction - he had become a major international star with a string of hit records, butm more important to him was the fact that he was about to become a father; his wife, Linda Lawrence (an ex-girl friend of Rolling Stone Brian Jones), produced a daughter named Astrella in October, 1970, just three months after the 'HMS Donovan' album was released, and the album must have largely recorded at a time when his thoughts were conceivably to some extend on his impending fatherhood.", contextualizava John Tobler em 1997.


28 canções de encantar compõem o álbum, a escolha vai para a pequena "The Star", nada mais que a tradicional "Twinkle, Twinkle, Little Star"




Donovan - The Star

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Donovan - Mellow Yellow

mundo da canção nº 7 de Junho de 1970

Não uma, não duas, mas três, era o nº de letras de canções de Donovan que vinham publicadas em Junho de 1970, no nº 7, da revista "mundo da canção". Publicadas em páginas diferentes da revista, elas eram respectivamente: "To Susan On the West Coast Waiting",  "Sunshine Superman" e "Mellow Yellow".
Destas canções já recordei "Sunshine Superman" pelo que, das outras duas, escolho para hoje a mais antiga, ou seja "Mellow Yellow" de 1966.
Tinha eu 10 anos pelo que as minhas recordações são necessariamente vagas e provavelmente posteriores a 1966, mas lembro-me por exemplo de a ouvir no Colégio de Ovar, onde eu estudava na época, julgo eu nas vésperas das festas final do ano, baile de finalistas incluído, lembro-me também bem da capa estilizada do LP que tomou o mesmo nome e que um amigo da minha irmã possuía. De qualquer forma foi uma canção que, julgo, terá passado com alguma frequência na nossa rádio e que ajudou a popularizá-la. "Mellow Yellow" é mesmo das canções de Donovan uma das mais conhecidas e é uma das muito belas canções que nos deixou.





Segue "Mellow Yellow" bem representativa também da melhor música Pop então praticada. Bela recordação, digo eu.




Donovan - Mellow Yellow

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Donovan - There Is a Mountain

A Flauta no Rock

A flauta no contexto do Rock é um instrumento que no início dos anos 60 lhe era estranho, mas que aos poucos foi ganhando o seu terreno. É disso que procuro dar conta nestes Regresso ao Passado. Em áreas afins ao Rock, em particular no Folk-Rock já a introdução da flauta não revela a mesma estranheza, bem pelo contrário é um género onde a sonoridade da flauta se enquadra com maior naturalidade.

Nesta área do Folk-Rock regresso a Donovan, essa figura ímpar do Folk britânico e que cedo trilhou percursos mais elaborados misturando o Jazz e o Folk-Rock de características psicadélicas, não estivéssemos nos criativos e peculiares anos 60.


Donovan com o guru Maharishi Mahesh Yogi

Foi pois fácil encontrar a presença da flauta nas suas canções. Logo em 1965 surge em "Sunny Goodge Street" do álbum "Fairytale", em 1967 em duas canções do álbum "Mellow Yellow", e ainda, pelo menos, nos álbuns "A Gift From a Flower to a Garden" (1967), "Hurdy Gurdy Man" (1968) e "Barabajal" (1969). Em algumas canções somente editadas em Single também se encontra a flauta, como nas lindíssimas "There Is a Mountain" e "Lalena" de 1967 e 1968 respectivamente.

Não resisto a "There Is a Mountain", os créditos da flauta vão, não só nesta canção como nos álbuns alteriormente referidos, para o músico jamaicano Harold McNair (1931-1971).




Donovan - There Is a Mountain

sexta-feira, 9 de março de 2018

Donovan - Guinevere

As 15 melhores canções de 1966 segundo o programa de rádio "Em Órbita"


Pela segunda vez surge Donovan na classificação das 15 melhores canções, de acordo com o programa de rádio "Em Órbita", referente ao ano de 1966.

Logo em 1966 Donovan marca presença dupla, presença essa que seria constante até 1970, o último ano em que o "Em Órbita" elaborou listagens com as melhores canções e álbuns do ano. Presença assídua a deste escocês que ficou símbolo do melhor Folk-Rock e Folk Psicadélico daqueles anos. Dono de uma discografia ímpar no período de 1965 a 1973, o sua melhor fase, da qual nos deixou canções inesquecíveis.
Entre elas constava "Guinevere" que o "Em Órbita" considera a 7ª melhor do ano.


Edição austríaca em CD da etiqueta EPIC com a referência 474602 2,
 ano de edição não identificado. É a versão,capa e conteúdo, da edição original
nos US.

"Guinevere" pertencia ao álbum "Sunshine Superman" onde se podia também encontrar esse exemplar único do Folk Psicadélico que foi "Season of the Witch" (já aqui recordada na versão de Mike Bloomfield, Al Kooper & Steve Stills).

Agora, a atracção de Donovan pelos temas medievais, é a balada "Guinevere". Na cítara pode-se ouvir Shawn Phillips.




Donovan - Guinevere

quarta-feira, 7 de março de 2018

Donovan - Sunshine Superman

As 15 melhores canções de 1966 segundo o programa de rádio "Em Órbita"


Iniciado em Abril de 1965 no Rádio Clube Português em frequência modulada, vulgo FM, o programa de rádio "Em Órbita" teve,desde o seu início, entre as suas preferências o músico escocês Donovan Leitch, ou simplesmente Donovan. É também, entre os cantautores da década de 60, uma das minhas preferências.

Antes de mais um esclarecimento que o artigo, já anteriormente referido, publicado na revista Século Ilustrado de 14 de Janeiro de 1967 e que eu fui "buscar" ao blog http://portadaloja.blogspot.pt/, dá quando à votação que o programa fez para determinar as melhores canções do ano de 1966. Diz o artigo em caixa sob o título «Sobre a Votação»:
"Acerca do verdadeiro significado da votação a que se procedeu, é necessário tornar públicos alguns esclarecimentos:
« 1º - Foi considerado fora de votação todo o material gravado e editado por Bob Dylan. Os motivos desta deliberação estão no lugar completamente à parte que Dylan ocupa no panorama da música popular em todo o Mundo, lugar simultaneamente acima e fora de tudo o que se produz nesse campo em Inglaterra e nos Estados Unidos.
2º - Muito embora se incluam com regularidade no programa «Em Órbita», foram também excluídas as gravações de «jazz» e de Folk (por exemplo: os «singles» de Ramsey Lewis e os «singles» e LP´s de Peter, Paul and Mary).
3º - Não foram também considerados como sujeitos a votação as gravações por intérpretes negros que mais se aproximam das formas de música popular negra norte-americana que vulgarmente se designa por Blues, Folk Blues ou Rythm & Blues.
4º - Inclui-se Donovan , uma vez que este intérprete deixou de poder considerar-se como um cantor Folk no sentido rigoroso desse termo.» - Lido aos microfones do R. C. P. , em 29 de Dezembro de 1966."

 Critérios que não se mantiveram iguais ao longo dos anos, veja-se a inclusão de Peter, Paul and Mary em 1967 e 1969. Quanto a Donovan aí está ele na classificação de 1966.


Edição austríaca em CD da etiqueta EPIC com a referência 474602 2,
 ano de edição não identificado.  É a versão,capa e conteúdo, da edição original
nos US.

Donovan aparece em 9º lugar com a canção "Sunshine Superman" editada em Single em Julho de 1966, era também a faixa de abertura do álbum homónimo do mesmo ano. Um regalo para o ouvido, melhor que agora ouvir "Sunshine Superman", só mesmo ouvir o álbum por completo.




Donovan - Sunshine Superman

sábado, 30 de dezembro de 2017

Donovan - Curry Land

Na história da divulgação da melhor música popular anglo-saxónica é incontornável a abordagem ao programa de rádio “Em Órbita”da segunda metade dos anos 60, início dos anos 70. Passava na Rádio Clube Português, em FM, com duas emissões, primeiro das 20h às 22h e depois das 00h à 1h (das 20h às 21h havia conflito de interesses com o programa “Página Um” na Rádio Renascença). Por estes programas passava o que de melhor e mais recentes era editado principalmente em Inglaterra e nos EUA, mas também em França, Espanha,… e Portugal (Portugal, no caso do programa “Página Um”). Estes e alguns pouco mais (todos em FM – Frequência Modulada) destacavam-se da mediania, mesmo mediocridade, da maior parte da programação radiofónica. Mas nada melhor que recuperar alguns extractos de textos publicados pela revista “Vida Mundial” em rubrica dedicada à rádio de então:
“Sempre pensámos ter chegado a hora de se pensar no radiouvinte, não apenas em termos de mercado, e que é preciso dar-lhe algo em troca daquilo que ele paga. Pode-se interessar o povo com o folhetim piegas ou entrevistas bacocas, mas pode-se também interessá-lo com boa música popular, por exemplo (um Correia de Oliveira, um Luís Cília, um Manuel Freire, etc., são belas lições a ministrar) que é a expressão mais geral e comunicativa da educação de um público. E por música...” Vida Mundial Nº 1566 de 13-06-1969

“Não chega. Não basta ter uma boa ideia. Não basta ser um bom rapaz. Não chegam os Quakers, nem os Adventistas do Sétimo Dia. Rubricas como «Que Quer Ouvir», «Quando o Telefone Toca», «Cartas a Ninguém», «Uma Vedeta na Noite», «Grande Feira do Disco», «Vozes que São Êxito», etc., são o papel químico umas das outras, repetindo a mesma mediocridade, a mesma inutilidade e idêntica sensaboria. Nada as destaca, nada as distingue, constituem, apenas, uma forma de preencher tempo, a mesma colecta de publicidade.
E mais adiante:
“Seria óptimo saber quais as intenções que movem os responsáveis de tais rubricas, e indagar porque as defendem eles com unhas e dentes. Talvez fosse este o modo de se chegar a outras e proveitosas conclusões, sobretudo, às de carácter cultural, social e pedagógico. Sim, porque não acreditamos não ser deliberada a prioridade radiofónica dada a tais absurdos, assim como não acreditamos que outros não vejam e reconheçam a inutilidade de tais emissões. Um propósito existe. Qual?” 
Vida Mundial Nº 1575 de 15-08-1969

E, relativamente ao referido programa “Em Órbita”:
“«Em órbita» embarcou na nave cósmica do êxito e transmite dos espaços siderais, com repetições de eco que se perdem no infinito, os últimos sucessos dos Beatles, de Donovan e de outros. E faz critica, fiscalização minuciosa ao que é verdadeiramente mau. Aberta ao que em educação musical da canção moderna tem realmente valor e significado e às inovações que uma exigência rigorosa possa ir certamente justificando, «Em órbita» é de facto uma excepção no panorama radiofónico nacional. Rádio funcional, sendo simultaneamente um processo de assimilação de formas sócio-culturais, «Em órbita», é uma espécie de canção de protesto e um conceito que vai abrindo caminho e está contido numa única palavra — seriedade.”
Vida Mundial Nº 1560 de 02-05-1969



Porque ouvia diariamente o programa “Em Órbita”, recordo-me, por exemplo, da passagem de "Curry Land" do cantor folk escocês Donovan. Pertencia ao álbum “Open Road” (1970) e na classificação final do ano, que já tivemos oportunidade de recordar, “Curry Land” tomava o 7º lugar na lista das melhores canções.
 Agora, recuar no tempo, e deliciar-mo-nos, novamente, com “Curry Land”.




Donovan – Curry Land

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Donovan - Open Road

Os 15 melhores álbuns de 1970 segundo o programa de rádio "Em Órbita"

Continuamos com mais uma presença assídua no programa "Em Órbita". Esteve presente entre os melhores nas classificações do "Em Órbita" em 1966, 67, 68 e 69, 1970 não era excepção, continuava uma referência do programa, para além de constar entre as melhores canções com "Curry Land", também nos álbuns o seu 8º LP "Open Road" aparecia classificado na 10ª posição.

Assim dizia o "Em Órbita":
"Donovan transformou-se ao longo dos seis anos de "Em Órbita", numa das figuras mais queridas e necessárias à sua história.
«Open Road» é ainda a crença mística num mundo de sonho e magia, recusa de alienação contida nas solicitações absurdas do viver de agora."





"Open Road" no lote dos meus primeiros discos adquiridos, referência E 30125 com prensagem norte-americana do ano de 1970. Um disco de viragem na carreira de Donovan, infelizmente depois deste disco foi evidente a perda de "energia" que até então tinha evidenciado.

Deste álbum saiu em Single "Kiki Tiki Tavi" que agora se recorda.




Donovan - Riki Tiki Tavi

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Donovan - Curry Land

As 15 melhores canções de 1970 segundo o programa de rádio "Em Órbita"


Sem dúvida uma das preferências, com presença regular, do programa "Em Órbita".
Em 1970 ia já longe o Donovan de 18 anos quando se deu a conhecer ao mundo, em 1965, com o seu encantador "Catch The Wind". Distante estava já da imagem inicial de resposta britânica a Bob Dylan."Sunshine Superman" e "Mellow Yellow" associaram-no ao movimento hippie, ficando para sempre uma referência do Flower Power e da meditação transcendental.




Em 1970 é editado o 8º registo de originais de longa duração (LP) e nele constava "Curry Land", canção eleita para o 7º lugar na lista das melhores canções do ano. "Em Órbita" refere-se-lhe assim:
"Donovan continua a ascender em momentos de envolvente beleza. Dotado de uma sensibilidade fora do comum, todas as suas criações se revestem de uma ternura quase não possível.
“Curry Land” é o continuar do que já fora contado em “Atlantis”. Cântico mágico, onde o sagrado e o profano se interpenetram na ânsia de um êxtase."

"Curry Land" mais uma pequena maravilha de Donovan.



Donovan - Curry Land

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Donovan - Barabajagal

mundo da canção nº 4

Correndo o risco de me contradizer, ou seja afirmar o mesmo relativamente a muitos e variados músicos dos anos 60, Donovan era uma das minhas maiores preferências. Pelo menos deste "Mellow Yellow" que comecei a gostar de Donovan, o escocês que rivalizou com Bob Dylan.

Figura emblemática do movimento hippie do Reino Unido, emergiu da cena Folk a meio da década de 60, tendo gravado entre 1965 e 1969 sete álbuns representativos do melhor Folk-Rock então praticado. O último destes álbuns é "Barabajagal", editado em 1969, e continha a canção título escolhida para hoje.
Rodeado de excelentes músicos, dos quais destaco, Jeff Beck e Ronnie Wood (guitarra), John Paul Jones e Danny Thompson (baixo), Nick Hopkins (teclados), Madeline Bell, Leslie Duncan e Rod Stewart (vozes), "Barabajagal" continha temas intemporais como "Atlantis" e de "Susan On The West Coast Waiting", mas também "Barabajagal" que tão bem me recordo de ouvir na nossa rádio.



É a letra de "Barabajagal" que a revista "mundo da canção", no seu nº 4 de  Março de 1970,  então publica e que agora sabe tão bem recordar.




Donovan - Barabajagal

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Donovan - Jennifer Juniper

mundo da canção nº 3

Com um peso significativo na revista "mundo da canção" a música Pop-Rock, o Rock e suas variantes, em particular a vinda do Reino Unido e dos Estados Unidos, continuava a ter no nº 3 de Fevereiro de 1970 o devido destaque.
De notar o ecletismo que a revista manifestava ao divulgar letras de canções que iam de um Donovan, Leonard Cohen ou Bob Dylan a um menos recomendável Tommy Roe com "Dizzy" ou o holandês David Alexander Winter com "Oh! Lady Mary". Talvez para iludir a censura... Assim o diz Viriato Teles no prefácio do volume 1 de "Entrevistas MC" publicado em Dezembro de 2005:
"Há que dizer, em jeito de parêntesis e para quem não saiba (ou já não se lembre) que, quando a liberdade é escassa, os criadores não têm outro remédio que não seja o de se tornarem ainda mais criativos, de forma a driblarem com êxito os que têm por função cercear a palavra alheia. Isto é, e e no que ao «Mundo da Canção» diz respeito: se a revista tinha por objectivo divulgar a melhor música que então se fazia, com particular atenção às novas correntes musicais que despontavam no nosso país, e se essas formas de expressão eram particularmente incómodas para o regime vigente, então não havia outra solução que não fosse iludir os polícias do pensamento, fazendo-os crer que a revista tratava essencialmente de temas inócuos - como é suposto ser o entretenimento em geral e as publicações «de variedades» em particular. Assim,uma das maneiras encontradas para despistar os fiscais do espírito consistia, por exemplo, na publicação dos êxitos mais populares da música anglófona (alguns nada inocentes, diga-se de passagem, mas havia sempre a esperança de que o bufo de serviço não fosse bom em línguas estrangeiras), no meio dos quais se misturavam as canções com cabeça, tronco e membros dos nossos melhores criadores." (negrito nosso).

Depois desta explicação, comecemos então a recuperar os temas em inglês publicados no nº 3 do "mundo da canção", começamos com Donovan.



Donovan era então uma das nossas preferências e neste nº a revista trazia a letra de duas canções de 1968: "Junnifer Junifer" e "Atlantis". Esta última já por aqui passou, ficamos então com "Junnifer Juniper".




Donovan - Jennifer Juniper

sábado, 10 de dezembro de 2016

Donovan - Lalena

Passagem, agora, por algumas canções soltas do final dos anos 60 que de alguma forma preenchem o nosso imaginário. Começamos com Donovan Leitch.

Donovan Leitch, mais conhecido só por Donovan. Símbolo maior do movimento hippie e do “flower power” dos anos 60 na Europa. Gravou entre 1965 e 1971 nove álbuns de qualidade superior. O seu estilo peculiar de mistura folk/jazz e o seu domínio do “vibrato” vocal produziram temas inesquecíveis como "Catch the Wind", "Colours", "Season of the Witch", "Mellow Yellow", "Jennifer Juniper", "Atlantis", "Celia of the Seals" e muitas, muitas mais … Hoje vamos ficar com um tema belíssimo, muito pouco conhecido e não gravado em nenhum LP de originais e é uma das minhas preferidas: “Laléna”.

Nas antípodas de Donovan, os Deep Purple gravam em 1969, no 3º álbum, “Laléna” dando azo às fantasias de John Lord no órgão. Outros tempos, onde tudo se cruzava. A versão dos Deep Purple está disponível no YouTube.




Gravado em Single em 1968 a origem do título “Laléna” manteve-se desconhecido até que em 2004 o próprio Donovan ter esclarecido:
“It's not very well-known, but Laléna is a composite title made up from the name of the German actress Lotte Lenya*. I was fascinated with The Threepenny Opera as a socially conscious musical, so when I saw the movie version with Lotte Lenya, I thought: "OK, she's a streetwalker, but in the History of the world, in all nations, women have taken on various roles from priestess to whore to mother to maiden to wife". 
(*Lotte Lenya cantora e actriz casada com o compositor Kurt Weill, já anteriormente recordada a interpretar “Alabama Song”)

Junto segue esta bela canção “Laléna” na versão original de Donovan.

“When the sun goes to bed
That's the time you raise your head
That's your lot in life,
Laléna
Can't blame ya
Laléna 

Arty-tart, la-de-da 
Can your part get much sadder? 
That's your lot in life, 
Laléna 
Can't blame ya 
Laléna 

 Run your hand through your hair 
Paint your face with despair 
That's your lot in life,
Laléna 
Can't blame ya 
Laléna”



Donovan - Lalena

terça-feira, 21 de junho de 2016

Donovan - Atlantis

As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"


E chegamos à canção nº 1 de 1969.

11º em 1967 com "Sand and Foam", 6º em 1968 com "The Hurdy Gurdy Man", é nº 1 em 1969 com "Atlantis". Donovan é o músico que nos deixou estas pérolas da música popular
"Atlantis" editada em Single ainda no ano de 1968, surge integrada, em 1969, no álbum "Barbajagal" e o "Em Órbita" fiel à obra de Donovan vai colocá-la no topo das melhores canções do ano.




No dizer do "Em Órbita":
"Atlantis é um acto de conquista.
Cruzada maravilhosa empreendida por novos guerreiros que partem na certeza antecipada de uma vitória final, empolgante e decisiva.
É um ritual de mágico encantamento, que nos transporta até às diluídas fronteiras de um nobre e novo país, onde tudo se sublima em atmosferas de transbordante paixão.
Fascinante sussurro de um Deus perfeito que, mordido pelo fogo de uma eterna insatisfação, se projecta ao assalto de metas sempre mais longínquas.
Subtil murmúrio que em brusca e prodigiosa metamorfose se transforma no grito visceral e puro de um novo Sol a nascer.
Atlantis é todo o fascínio de uma Nova e Desconhecida Aventura.
Atlantis é um dos mais belos momentos de toda a história da música popular.
Atlantis é a melhor gravação de 1969."



Donovan - Atlantis

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Donovan - The Fat Angel

A influência da música indiana na música Pop nos anos 60

Continuando na senda de canções Pop, produzidas na segunda metade da década de 60, com influência da música oriental, em particular a indiana, chegamos inevitavelmente a Donovan.

Donovan, tinha somente 18 anos quando em 1965 se torna conhecido com o êxito da canção "Catch The Wind". Logo ganhou o estatuto da resposta britânica a Bob Dylan, as canções "Colours", "Turquoise", "Universal Soldier", vieram consolidar a imagem de cantor Folk.
Rapidamente evoluiu do Folk acústico para um estilo mais eclético, mas distintivo, colocando-o nas fronteiras do Folk-Rock e Folk psicadélico. Tornar-se-ia um símbolo do movimento hippie e do "Flower Power" e o álbum duplo "a gift from a flower to a garden", de finais de 1967, um marco na discografia de Donovan, num período de meditação transcendental com direito a uma fotografia na contra-capa com o guru Maharishi Mahesh Yogi (o mesmo dos The Beatles e The Beach Boys, por exemplo).



Mas já antes, no muito aclamado "Sunshine Superman" de 1966, embora ainda um disco de música Folk, Donovan incorporava novas sonoridades sendo mesmo uma das primeiras abordagens à música psicadélica. Com uma variedade e complexidade instrumental pouco usual "Sunshine Superman" é um dos primeiros álbuns na década de 60 a usar a cítara.
"The Fat Angel" é uma das canções a introduzir a cítara e é um tributo psicadélico aos Jefferson Airplane e a Mama Cass.

He will bring happiness in the pipe
He'll ride away on his silver bike
And apart from that he'll be so kind
In consenting to blow your mind


Fly Jefferson Airplane
Get you there on time
Fly Jefferson Airplane
Get you there on time
Guess, guess

"The Fat Angel" uma viagem que nos leva ao melhor dos anos 60.



Donovan - The Fat Angel

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Donovan - Universal Soldier


Com o impulso de Bob Dylan a cena Folk teve um desenvolvimento ímpar em quantidade, qualidade e diversidade de propostas. Múltiplos projectos musicais, abordando diferentes matizes do Folk se desenvolveram, Country-Folk, Electric-Folk, Folk-Rock foram alguns dos sub-géneros então surgidos; um manancial de intérpretes se destacaram, nos Estados Unidos, dos The Mamas and Papas a Simon and Garfunkel, The Byrds a Neil Young, na Grã-Bretanha de Donovan, Bert Jansch aos populares Steeleye Span, sem esquecer os Fairport Convention.

Matéria de sobra para muitos, muitos e bons Regresso ao Passado, por agora, Donovan.

No ano de 1965, Donovan editou 3 Singles, 1 EP e 2 LP, passou de um desconhecido a uma reconhecida Pop Star.
À época Donovan foi considerado como a resposta europeia a Bob Dylan e as comparações não se fizeram esperar. Dois meses separam as edições de "Bringing It All Back Home", o 5º álbum de Bob Dylan e "What's Bin Did And What's Bin Hid"  o primeiro longa duração de Donovan e o jornal britânico "Melody Maker" sob o título "Donovan and Dylan Again" escrevia:
"Donovan's LP... can only emphasise the British singer's allegiance to the Dylan camp of singing...
While Bob's lyrics have the vision and depth, Donovan's have the romance of youth... Donovan's performances are vocally sweet; Dylan's are more raw."

Pese as semelhanças iniciais, Donovan, ao escrever maior parte das canções que  interpretava, rapidamente criou a sua própria atmosfera, uma imagem hippie e um estilo musical que podemos rotular de Folk psicadélico, tornaram-no num dos mais originais cantores da década de 60.



"Universal Soldier" não é um original de Donovan mas sim da cantora Folk canadiana Buffy Sainte-Marie. É, no entanto, na versão de Donovan que vai ganhar notoriedade na edição em formado de EP, em 1965.


Donovan - Universal Soldier

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Donovan - A Gift from a Flower to a Garden

Os 10 melhores álbuns de 1968 segundo o programa de rádio "Em Órbita"

Donovan foi um dos maiores criadores da música popular da segunda metade da década de 60 e início da de 70. A quando da edição de "A Gift from a Flower to a Garden", em 1968, a sua popularidade era já enorme dos dois lados do Atlântico.
Era mais uma obra-prima do ano de 1968. O programa "Em Órbita" considera-o o 3º melhor álbum  do ano. "A Gift from a Flower to a Garden" tinha formato de um duplo-álbum, um disco eléctrico, do melhor Folk-Rock (também conhecido por "Wear Your Love Like Heaven") e um acústico com canções para crianças (também conhecido por "For Little Ones"), ou melhor, para todas as idades.



"Deve ser considerada como a obra máxima de Donovan.
Um duplo álbum que encerra todas as potencialidades de um criador insatisfeito, cujos objectivos de perfeição não conhecem limites."

Do álbum acústico ficamos com o belo tema que abre o disco "Song of the Naturalist's Wife".



Donovan - Song of the Naturalist's Wife

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Donovan - Hurdy Gurdy Man

As 10 melhores canções de 1968 segundo o programa de rádio "Em Órbita"

Donovan Leitch, mais conhecido simplesmente por Donovan, já aqui foi recuperado diversas vezes, nomeadamente entre as escolhas de "Em Órbita" para os melhores registos de 1967. Estamos em 1968 e "Em Órbita" volta a Donovan quer nas melhores canções quer nos melhores álbuns.
"Hurdy Gurdy Man" a canção vai preceder o álbum homónimo do mesmo ano.



"Hurdy Gurdy Man" foi escrita durante a viagem à Índia, onde também se encontrava George Harrison, e reflecte as influências orientais então ocorridas. Donovan na fase psicadélica.

"O primeiro grande ensaio de Donovan ao aproveitamento de processos sonoros que tradicionalmente vinha mantendo à margem.
Ainda e sempre uma poesia da máxima musicalidade. Um contraste maravilhoso entre a subtileza do conteúdo lírico e a tranquilidade na articulação interpretativa, com a novidade de uma intensidade rítmica e instrumental.
A costumada articulação rigorosa das palavras à respectiva textura musical." dizia o "Em Órbita" para "Hurdy Gurdy Man", a sexta melhor canção do ano .

 "Hurdy Gurdy Man" mais uma pequena maravilha, das muitas, que Donovan nos deixou, recordemos. Ocupou o 6º lugar entre as melhores canções do ano.



Donovan - Hurdy Gurdy Man

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mike Bloomfield, Al Kooper & Stephen Stills - Season Of The Witch


Mike Bloomfield (1943-1981), guitarrista de Blues norte-americano passou pelos The Paul Butterfield Blues Band entre 1965 e 1967, formou The Electric Flag de curta duração e em 1968 encontra-se com Al Kooper e Steve Stills.
Al Kooper, pianista de Blues, e não só, tocou em 1965 com Bob Dylan, em 1967 faz parte da formação inicial dos Blood, Sweat and Tears, donde sai em 1968. Neste ano encontra-se com Mike Bloomfield e Steve Stills.
Steve Stills, guitarrista Folk-Rock norte-americano pertence aos Buffalo Springfield de 1966 a 1968. Neste ano encontra-se com Mike Bloomfield e Al Kooper.

Mike Bloomfield, Al Kooper & Steve Stills gravam e editam em 1968 o álbum de Blues "Super Sessions". Na realidade "Super Sessions" é  o resultado de 2 dias de gravações tidas como "Jam Sessions" em estúdio alugado por Al Kooper, primeiro com Mike Bloomfield e no segundo dia com Stephen Stills.
A escolha vai para "Season Of The Witch" um original do músico Folk Donovan.



"Super Sessions" um disco em vinil a que retorno com regularidade, custou há longínquos anos 350$00, ou seja menos de 2 €.
"Season Of The Witch" é, em "Super Sessions", desenvolvida para 11 longos e aprazíveis minutos, aqui vai.



Mike Bloomfield, Al Kooper & Stephen Stills - Season Of The Witch

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Donovan - Atlantis

Algumas canções divulgadas pelo programa de rádio "Em Órbita"

Donovan Leitch, ou simplesmente Donovan é um cantor escocês que nos encantou na década de 60 e 70. No seu período mais produtivo (1965 a 1973) gravou dezenas de canções que nos deliciou e que se mantêm bem vivas na memória.
Em 1969, 6 excelentes LP depois, grava o álbum "Barabajagal" recheado de boa música e acompanhado por músicos que iam de The Jeff Beck Group, a John Paul Jones (futuro Led Zeppelin), a Danny Thompson (à época já nos Pentangle)  ao suporte vocal de Madeline Bell e Lesley Duncan .


Neste álbum evidenciava-se "Atlantis", já editada em Single no ano anterior, e que vai mesmo ser considerada pelo programa "Em Órbita" como a melhor canção de 1969.

"Donovan, sempre em momentos de envolvente beleza, uma simplicidade fora do comum,  todas as suas criações revestem-se de uma ternura quase não possível, uma viagem inesquecível, Atlantis.", assim era apresentada pelo programa.
Recordemos "Atlantis"!



Donovan - Atlantis