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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Weyes Blood - Movies

 Vamos lá recomeçar estes meus Regresso ao Passado depois de umas férias prolongadas. 

E começo com o último concerto a que assisti, provavelmente o último deste ano, um ano recheado de bons espectáculos musicais. Relembrando os que assisti: Bill Callahan, Canto Nono, Chico BuarqueBob DylanMaria Bethânia, Caetano Veloso e o de ontem e esse foi o de Weyes Blood. Com excepção deste último todos foram em salas de espectáculo, umas melhores que outras, com os devidos lugares sentados. O de Weyes Blood foi o menos concorrido e foram quase 3 horas em pé impróprios para a minha idade. E qual o melhor deles todos? Uma apreciação sempre subjectiva, mas para mim foi sem dúvida a de Weyes Blood, infelizmente pouco conhecida e já com 5 álbuns de estúdio editados.

O concerto centrado nos últimos três trabalhos foi verdadeiramente muito bom revelando Weyes Blood uma empatia com o público que só vem engrandecer o que já conhecíamos em CD ouvidos no conforto do sofá. Será que um concerto na Casa da Música teria o mesmo efeito, tenho dúvidas, mas gostaria que sim. E ela merecia mais público e melhores condições.











Na impossibilidade de tirar fotos com máquina fotográfica ficam algumas imagens sofríveis tiradas de telemóvel por mim e a minha filha Ana.

Para ouvir a proposta vai para "Movies", canção muito bem recebida pelo público oferecendo-lhe DVD com filmes como "Twin Peaks" e "Os Pássaros".





Weyes Blood - Movies

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Tindersticks - Take Care In Your Dreams

Concerto Tindersticks - Casa da Música - 22 de Fevereiro de 2020

Como o vinho do Porto, quanto mais velhos melhores.
Ontem, oportunidade para voltar os Tindersticks, desta mais uma vez na Casa da Música. É o 8º, nas minhas contas, concerto a que assisto e, garanto, com renovado interesse.




Não foi desta que desiludiram, bem pelo contrário, fizeram um concerto sóbrio, elegante a mostrar que passados 28 anos da sua formação continuam a ser das propostas mais interessantes do Rock alternativo. Diria mesmo que desde os anos 90 não encontro outro grupo que me encham as medidas como estes Tindersticks agora talvez menos "orquestrais", menos rebuscados, mas de uma aparente simplicidade inebriante.







O concerto revisitou temas bem conhecidos do público como "Another Night In" do inesquecível "Curtains" (1997) ou o ainda mais distante "Her" do álbum inicial (1993), tão bem recebidos pelo público, até à quase totalidade do mais recente registo "No Treasure but Hope" (2019) do qual se ouviu "The Amputees", "Pinky In The Daylight", "Carousel", "See My Girls", "Tough Love", "For The Beauty", "The Old Man's Gait", "Trees Fall" e finalmente "Take Care In Your Dreams", que tão bem se integram no reportório, como se lá estivessem sempre.
Refira-se também "Willow" da última colaboração com a realizadora Claire Denis para o filme "High Life"






Despediram-se com "Take Care In Your Dreams". Voltem sempre.




Tindersticks - Take Care In Your Dreams

sábado, 11 de janeiro de 2020

Miramar - Pine Trees

Algumas memórias de 2019

No panorama musical português 2019 ficou marcado, definitivamente, pela morte daquele, que para muitos, foi o maior compositor e intérprete da música popular portuguesa dos últimos 60 anos: José Mário Branco.
De resto o ano passado viu-se arredado de qualquer um dos intérpretes que marcaram a minha adolescência e juventude, não tivemos gravações de Fausto, Sérgio Godinho, Júlio Pereira entre outros.

Não me identifico muito com a música portuguesa que nos é dado ouvir hoje em dia, mesmo assim não posso deixar de referir algumas das publicações de 2019 que mereceram a minha atenção.

Camané e Mário Laginha - Aqui está-se Sossegado
Salvador Sobral - Paris, Lisboa
Miramar - Miramar
Capião Fausto - A Invenção do Dia Claro
Manel Cruz - Vida Nova


De referir ainda "Desalmadamente" de Lena d'Água, uma agradável surpresa neste seu regresso aos originais.



https://www.rastilho.com/



É pouco, bem sei, é mesmo muito pouco, falha minha com certeza, mas não consegui ir mais longe.
Aquele que mais me impressionou foi Miramar, o duo constituído por Frankie Chavez e Peixe, os dois já com provas dadas na nossa musica moderna. O álbum tem a particularidade de ser somente instrumental e particularmente agradável de se ouvir.
Para a revista Blitz foi o 3º melhor nacional e Lia Pereira terminava assim a sua apreciação:
"Apesar da diferença de cinco anos, Frankie Chavez e Peixe começaram a tocar guitarra no mesmo ano:1988. Cada vez mais importante ao longo dos anos, para ambos, foi englobar tudo o que ouviam e criar a sua própria linguagem. Hoje, continuam apaixonados pela guitarra ("A guitarra eléctrica é o instrumento mais cool de sempre. Dificilmente vai ser destronado, por mais tecnologia que apareça. É como o livro, compara Peixe) e também maravilhados pela surpresa que a maré lhes trouxe. "De repente tens mais uma coisa bonita na tua vida", diz o portuense sobre o disco. "É quase um bónus, uma prenda do destino". E um dos álbuns mais inspirados e até comoventes do ano."
Do destino veio "Pine Trees", assim começa "Miramar".



Miramar - Pine Trees

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Tindersticks - For the beauty

Algumas memórias de 2019

Não são da geração de 60, mas também não estão entre as propostas mais recentes da música popular, contudo, têm já uma sólida carreira iniciada nos anos 90, são os Tindersticks. E são uma das sugestões  mais interessante da música, digamos, alternativa que nos é apresentada actualmente. Desde 1993 que desenvolvem um percurso que é de enaltecer, pois, têm conseguido, pese as alterações do grupo, uma coerência e qualidade musical pouco vulgar. 12 álbuns de estúdio, várias bandas de sonoras de filmes da realizadora francesa Claire Denis, compilações e registos ao vivo de não menos interesse, compõem a discografia deste grupo oriundo de Nottingham, Inglaterra e que tão frequentemente têm actuado no nosso país.


Edição em CD ref: Lucky Dog 24 / Slang50236




"No Treasure but Hope" é a proposta mais recente e que as mais diversas listas de melhores álbuns do ano ignoraram por completo. Poderá não ser o melhor dos álbuns dos Tindersticks, mas mantém níveis de interesse mais do que satisfatórios para, apesar de ter sido lançado somente em Novembro ter sido o que mais ouvi no ano transacto. Vou mais longe e elejo-o o meu álbum do ano, no seguimento de Richard Thompson, The Unthanks, Shirley Collins e Quercus nos anos anteriores. Os primeiros acordes de "No Treasure but Hope" são assim.



Tindersticks - For the beauty

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Angel Olsen - Lark

Algumas memórias de 2019

Não sou capaz de fazer uma listagem dos melhores discos de Rock e ou suas variantes do ano de 2019. Cada vez se edita mais e cada vez ouço menos as novidades que vão surgindo. Uma ou outra ouço, é evidente, mas não o suficiente para me abalançar em tal tarefa. E, provavelmente é da idade, diga-se em abono da verdade, mas confesso que tenho alguma dificuldade em me identificar com alguma, alguma é generoso, da música que nos chega nos tempos de hoje. Cada vez assiste-se a lançamentos de jovens, cada vez mais jovens, que das duas uma ou são génios ou então são produto de marketing pelo qual não estou interessado, inclino-me mais para este último caso. Veja-se o caso de Billie Eilish, a aclamada adolescente de 2019. Comecei a ouvir o tão falado disco de estreia, "When We All Fall Asleep, Where Do We Go?", o melhor álbum de 2019 para o New York Times,  e não passei da faixa inicial "Bad Guy".
Outro exemplo: FKA Twigs surge em 2019 com o 2º trabalho "Magdalene" e no final da primeira faixa arrepiava de frio, como se estivesse no Pólo Norte, e não tive forças para continuar tão gélida é a sua música, melhor álbum do ano em diversas publicações, o 2º melhor para as consideradas classificações da Pitchfork.


Segue listagem de álbuns que de alguma forma fui ouvindo ao longo ano e que devem ser destacados:
Sharon Van Etten - Remind me Tomorrow
William Tyler - Goes West
Better Oblivion Community Center - Better Oblivion Community Center
The Unthanks - Lines; Part Three: Emily Brontë
Robert Forster - Inferno
Deerhunter - Why Hasn't Everything Already Disappeared?
King Gizzard & the Lizard Wizard - Fishing for Fishies
Big Thief - U.F.O.F.
The Divine Comedy - Office Politics
Bill Callahan - Shepherd in a Sheepskin Vest
Aldous Harding - Designer
Edwyn Collins - Badbea
Thom Yorke - Anima
Devendra Banhart - Ma
Angel Olsen - All Mirrors
Bonnie 'Prince' Billy - When We Are Inhuman

A questão é que ouço estes discos, posso até gostar, mas, na verdade, não me trazem nada de realmente novo, na generalidade é o rever de sonoridades há muito conhecidas e assim sendo geralmente opto pelos sons originais.
Alguns são bem "Noise", electrónicos e experimentais mas muito distantes e pouco cativantes, os mais próximos do Folk e do Folk-Rock nutrem a minha preferência pese a pouca inovação que introduzem.


https://genius.com/


Depois das escolhas de PJ Harvey, Laura Marling e Lucy Dacus nos anos anteriores, destaco para 2019 Angel Olsen com o álbum "All Mirrors". Trabalho que se encontra na intercepção do tradicional e do vanguardismo Pop, entre sonoridades que nos são já familiares e a busca de algo novo que nos prende a atenção e os sentimentos. Para continuar a seguir esta cantora, autora americana que já vai no seu 4º álbum. Será que sou só eu, ao fazer estas escolhas, ou as mulheres estão a dominar o panorama musical ano após ano?




Angel Olsen - Lark

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Van Morrison - You Don't Understand

Algumas memórias de 2019


Quem não é fã de ou não conhece a música de Van Morrison não sabe o que perde. Felizmente sou-o desde há muito, muito tempo. Teria que recuar, provavelmente a 1970 quando pela primeira vez o ouvi (terei ouvido antes, nomeadamente "Gloria", mas sem identificar que era ele quem a interpretava), provavelmente com "Moondance" ou algum tema de "Astral Weeks" que logo ficaram na lista para aquisição há primeira oportunidade.

Van Morrison tem actualmente 74 anos e quem o ouve não os dá tal a frescura que sai das suas canções. E no ano de 2019 publica aquele que é o melhor álbum, pelo menos dos que conheci, dos cada vez menos sobreviventes dos anos 60 que insistem em continuar as suas carreiras quer em gravações quer ainda em actuações.


Edição em CD com a Ref: 0801663



É uma injustiça que "Three Chords & The Truth" não figure em nenhuma das listas, e não foram poucas as que consultei, dos melhores discos de 2019. Merecia-o!
Listas à parte, que valem o que valem, o importante é que consiga manter por muitos anos a qualidade aqui revelada. E já agora a quantidade com que nos tem prendado nos últimos anos. Lembre-se que em 4 anos publicou 6 álbuns! É obra.
Destes 6, "Three Chords & The Truth" é o que prefiro a acompanhar "Keep Me Singing" (2016), pelo meio 4 trabalhos, entre o Jazz e o Blues, que misturavam algumas canções novas com interpretações de temas daqueles universos musicais.
Onde eu gosto mesmo de Van Morrison é quando se desprende de géneros e cria as suas canções no seu género, devia haver um género com o seu nome. É claro que as influências estão lá, principalmente o Blues, é claro, mas "Three Chords & The Truth" ouve-se e apetece dizer "isto sim, é Van Morrison!". 14 canções e quase 70 minutos de audição que fazem o que de melhor o ano de 2019 nos deixou.


Para audição o irresistível "You Don't Understand".




Van Morrison - You Don't Understand

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Neil Young - Milky Way

Algumas memórias de 2019

Presença regular nestes meus Regresso ao Passado, Neil Young faz parte de uma lista reduzida de artistas revelados nos anos 60 do século passado que mantém uma actividade superior ao que seria de esperar, se fosse só por isso já merecia constar neste tema de "Algumas memórias de 2019".
É, na realidade, um caso ímpar na história do Rock este profícuo canadiano que acompanho desde o início da minha adolescência.

Deambulando entre vários estilos musicais, tem vindo nos últimos anos, concretamente na última década, a revelar uma regularidade impressionante de novos disco em estúdios, dez nas minhas contas, e também na edição dos seus famosos arquivos, contabilizei sete da "Performance Series", acrescente-se um duplo álbum ao vivo com os Promise of the Real e ainda a banda sonora de Paradox e ficamos com uma ideia de quão produtivo tem Neil Young estado.

Quanto ao ano de 2019, primeiro foi a edição de "Tuscaloosa" a encaixar como Volume 04 da referida "Performance Series" e corresponde a gravações ao vivo efectuadas em Tuscaloosa, Alabama no ano de 1973 com os The Stray Gators.


Edição em CD com a ref: 93624901112



É a digressão posterior ao sucesso de "Harvest" e nele encontramos canções inesquecíveis como "After the Gold Rust", "Harvest", "Heart of Gold", ou seja do período dourado de Neil Young. Um prazer reviver a música por ele produzida naqueles tempos.

O ano de 2019 de Neil Young é também marcado por mais um disco de originais editado em finais de Outubro passado. Depois dos menos interessantes, quase decepções dos dois álbuns anteriores, "Peace Trail" (2016) e "The Visitor" (2017) era com muita curiosidade que aguardava o novo trabalho de nome "Colorado" gravado com os seus Crazy Horse.


Edição em CD de 2019 com a ref: 93624898900



Crazy Horse que acompanham regularmente Neil Young desde 1968 e as expectativas eram elevadas por um lado porque a última gravação com os Crazy Horse tinha sido o excelente "Psychedelic Pill" de 2012 por outro a saída de Frank "Poncho" Sampedro (guitarra) dava entrada ao regressado Nils Lofgren (guitarra e teclados) (também longo companheiro de Bruce Springsteen na sua E Street Band), mantinham-se os eternos Billy Talbot (baixo) e Ralph Molina (bateria).

"Colorado" sendo melhor que os dois registos anteriores fica mesmo assim aquém das expectativas, ficamos com um disco entre as 3 e 4 estrelas, releve-se temas como "Milky Way", "Rainbow of Colors", refira-se o longo "She Showed Me Love" não fossem os seus escusados últimos 6 minutos. No menos interessante registe-se "I Do" e "Shut It Down". Quando as expectativas são muito elevadas é o que acontece, esperava melhor.

"Milky Way" o tema primeiramente conhecido é o que fica para recordação do ano de 2019.




Neil Young - Milky Way

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Santana - Africa Speaks

Algumas memórias de 2019


Caso sério de popularidade através de várias gerações, ainda granjeia a simpatia das mais diversas camadas de público. Carlos Santana, à semelhança de Iggy Pop (ver Regresso ao Passado de ontem), celebrou os 50 anos do seu primeiro álbum com um novo trabalho neste caso designado "Africa Speaks". Pertencentes a géneros musicais bem distintos, são dois nomes grandes dos anos 60 que resistem ao passar dos anos e, curiosidade, têm ambos 72 anos.

Carlos Santana confunde-se com a história do grupo que tomou o seu nome Santana e que me seduziu com uma sonoridade bem inovadora que se designou de Rock Latino, longe vão os tempos de "Evil Ways", de "Samba Pa Ti", que tanto dancei, ou ainda de "Guajira", tudo nos 3 primeiros LP de Santana.
Exímio guitarrista e hábil fusionista da música latina, lembre-se que Carlos Santana é mexicano, com o Rock dominante do final dos anos 60, o seu percurso ao longo de tantas décadas tem sido ziguezagueante entre sons mais populares como "Maria, Maria" e "Corazón Espinado" (ambas de "Supernatural" de 1999), ao Jazz de fusão que tem experimentado regularmente.






"Africa Speaks" explora a música africana misturando-a com o Rock e o toque latino que ele tão bem sabe proporcionar. Sem margem para dúvidas uma boa representação dos sobreviventes dos anos 60 no ano de 2019. Recomenda-se.
Começa assim este álbum.




Santana - Africa Speaks

domingo, 5 de janeiro de 2020

Iggy Pop - Page

Algumas memórias de 2019

Tem mais de 70 anos e ainda se exibe em palco de tronco nu, quem é? quem é? Iggy Pop, claro, quem mais podia ser?
A solo só se deu a conhecer nos anos 70, mas remonta à década anterior com os seminais The Stooges a sua entrada no universo musical da música Rock. É um dos sobreviventes daquela década. Entre a primeira gravação destes percursores do Punk, ou de forma mais abrangente de um Rock pesado, e o seu último registo medeiam 50 anos. É evidente que entre "The Stooges" (1969) e "Free" (2019) as diferenças são grandes, enquanto no primeiro estamos em presença de um quarteto de Rock (voz, baixo, guitarra e bateria) a praticar um som à época "underground", bastante energético e então pouco acessível, no segundo, o som é nitidamente mais suavizado, até mesmo planante, por vezes próximo da música ambiente e do Cool Jazz, o qual não deve ser indiferente a presença do músico de Jazz Leron Thomas.




"Free", num registo mais calmo, mesmo melancólico, a mostrar que Iggy Pop tem sabido envelhecer mantendo musicalmente uma jovialidade invejável que é de assinalar. Merecia melhor sorte nas tabelas dos melhores do ano.
A proposta de audição fica em "Page", um tema escrito pelo referido Leron Thomas.




Iggy Pop - Page

sábado, 4 de janeiro de 2020

The Who - Ball and Chain

Algumas memórias de 2019

Pete Townshend tem actualmente 74 anos e abraçou o mundo da música em 1962 ao juntar-se ao grupo Detours onde já se encontravam John Entwistle e Roger Daltrey.
Roger Daltrey tem actualmente 75 anos iniciando-se em 1959 também no dito grupo Detours.

Pete Townhend e Roger Daltrey são os dois sobreviventes do grupo The Who, formados em 1964 a partir dos Detours. Da formação clássica, original dos The Who já faleceram John Entwistle (1944-2002) e Keith Moon o carismático baterista (1946-1978).

The Who é um histórico grupo de Rock, ligado nos anos 60 à subcultura Mod dos subúrbios de Londres (veja-se o filme "Quadrophenia" de 1979), serão sempre lembrados pela sua obra maior "Tommy" a redefinir as fronteiras da música Rock. Na década de 70 foram progressivamente perdendo importância até à morte do seu baterista em 1978, fico sempre com a ideia que teria sido a altura ideal para terminarem pois aquilo que produziram posteriormente deixou de me impressionar, valha o lembrar, em concerto, os êxitos antigos.


https://en.wikipedia.org/



2019, passados 13 anos de "Endless Wire", The Who voltam às gravações originais com o álbum designado somente "Who" com 14 novas canções que pouco ou nada acrescentam a quem, como eu, ficou preso ao que eles nos deixaram nos anos 60 e início da década de 70. Faça-se justiça à voz de Roger Daltrey, não estava à espera que se aguentasse tão bem, foi uma surpresa.

Para ouvir "Ball and Chain" a primeira edição em Single extraída do álbum.




The Who - Ball and Chain

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Leonard Cohen - Thanks For The Dance

Algumas memórias de 2019


Leonard Cohen deixou-nos em 2016 e quase em simultâneo foi editado "You Want It Darker", praticamente um  testamento musical, um disco bastante sombrio na discografia deste cantor, poeta canadiano que desde os anos 60 fez parte destacado das minhas preferências musicais.
É verdade que os últimos testemunhos que nos deixou não tinham, para mim, o encanto, a revelação, a surpresa que os primeiros discos tiveram e que retenho na lista restrita de eleitos de sempre da música popular, mas face aos caminhos que actualmente se tem verificado nos mais diversos géneros musicais, do Rock'n'Roll ao Hip-Hop, qualquer disco de Leonard Cohen destaca-se necessariamente.


https://www.amazon.com/


"Thanks For The Dance", disco póstumo de Leonard Cohen, não pode encontrar-se entre o melhor da sua discografia. Pese todos  os cuidados de produção que o seu filho Adam Cohen emprestou a este trabalho e de todos os elogios que tenho lido na imprensa especializada, "Thanks For The Dance" não deixa de me saber a pouco, não fossem as 9 canções nele contidas esboços gravados por Leonard Cohen aquando de "You Want It Darker".

Para audição segue "Thanks For The Dance", o último raio de sol que Leonard Cohen nos deixou para iluminar as nossas vidas.




Leonard Cohen - Thanks For The Dance

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Bruce Springsteen - Hitch Hikin'

Algumas memórias de 2019

Parece que foi ontem, mas Bruce Springsteen já tem 70 anos! Sim, parecem recentes os acordes de "Blinded by the Light" do primeiro registo de Bruce Springsteen do longínquo ano de 1973, onde eram já patentes todas as qualidades do "último" rocker americano, ou se não se quiser recuar tanto, do portentoso "The River" do álbum duplo com o mesmo ano decorria o ano de 1980.

E se nem sempre manteve o nível de "Born To Run" (1975) ou de "Nebraska" (1982), este num registo mais Folk do que Rock, a verdade é que soube sempre manter uma integridade de que poucos se podem gabar.

"Western Stars" não atinge o nível dos álbuns acima referidos, é muito menos roqueiro e remete-nos mais para o Pop e o Country dos anos 60 e 70 o que não é propriamente negativo, pelo contrário é uma abordagem que Bruce Springsteen faz com competência a merecer as críticas mais favoráveis.


https://www.amazon.com/



A revista Blitz ao considerar "Western Stars" o 2º melhor álbum do ano afirma:
"...no seu décimo nono álbum, Bruce Springsteen pensou em Burt Bacharach, Glen Campbell e Jimmy Webb. Pensou na Pop da Califórnia do Sul e naquela vez em que, de coração partido, atravessou o país para começar uma nova vida. Pensou no tempo em que, como explica no filme-concerto recentemente estreado, as autoestradas e o automóvel eram uma metáfora de crescimento e liberdade. E, com uma orquestra e uma pequena banda, fez um álbum-milagre, de pequenas cartas de amor aos protagonistas de cada canção que, na forma como falham e tentam e falham melhor, são ele mesmo."

Sem dúvida um disco a ficar como marca do ano de 2019.




Bruce Springsteen - Hitch Hikin'

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Steelye Span - Harvest

Algumas memórias de 2019


Vão diminuindo as publicações originais de cantores e ou grupos nascidos para a música na década de 60. É natural, é a passagem inexorável do tempo, maior parte dos seus autores estão já na casa dos 70 anos ou mais e muitos deles estão já retirados ou, senão, afastados de novas publicações. Mesmo assim, muito provavelmente haverá edições que me escaparam, pelo menos daqueles que pouco representaram na minha adolescência. Fico-me pois por alguns que teimam em nos prendar com novas gravações, embora sejam ainda menos aqueles que mantêm qualidade assinalável.

Neil Young - Tuscaloosa
Neil Young - Colorado
Van Morrison - Three Chords & the Truth
Iggy Pop - Free
The Who - Who
Santana - Africa Speaks
Leonard Cohen - Thanks for the Dance
Richard Thompson - The Cold Blue

A esta curta lista acrescento Bruce Springsteen, que embora só o tenhamos conhecimento pelas primeiras gravações de 1973, a sua actividade musical remonta ainda aos anos 60, "Western Skies" é o disco. E ainda os Steeleye Span que tiveram o primeiro LP em 1970, mas na realidade constituidos em 1969, restando da formação inicial somente Maddy Prior.
Começo com "Est'd 1969", o novo álbum de originais a comemorar os 50 anos desta instituição do Folk-Rock britânico


http://folkyourself.blogspot.com/


Ashley Hutchings, fundador do grupo saiu logo em 1972, Terry e Gay Woods saíram em 1970 após o primeiro LP e Tim Hart manteve-se até 1982 tendo falecido em 2009. Maddy Prior mantém-se pois como a única sobrevivente da formação inicial.
Figura de proa do Folk-Rock oriundo do Reino Unido, Maddy Prior é uma referência obrigatória deste género musical a par de uma Sandy Denny e uma Jacqui McShee. É pois com toda a simpatia que vejo que continua à frente deste grupo tão popular nos anos 70 e que mantém uma vitalidade e regularidade de gravações assinalável. "Est'd 1969" é uma agradável surpresa, remetendo-nos, por vezes, para o melhor que deles conhecia, pese a voz de Maddy Prior estar longe dos tempos de "Please To See The King" ou "All Around My Hat", se não soubesse que era ela que cantava era capaz de não adivinhar quem estava a cantar. De qualquer forma marca positiva do ano de 2019.

Segue a faixa inicial "Harvest". Que bom em 2019 ter havido música assim!




Steelye Span - Harvest