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terça-feira, 16 de março de 2021

Pentangle - Bruton Town

    DISCO MÚSICA & MODA, nº 6 de 15 de Abril de 1971


Provavelmente foi o primeiro texto que li sobre os Pentangle e não estou certo se nesta altura já tinha ouvido alguma música deles ou não, talvez no "Em Órbita" já os tivesse ouvido, mas se sim não o suficiente para ter uma ideia clara da qualidade da música deste grupo britânico que se tornou, ainda hoje, uma das minhas preferências musicais. Nem de propósito tenho estado a reouvir a discografia mais relevante do grupo que se situou entre 1967 e 1973 com a formação original.

"«Pentangle»: A diversidade dos seus elementos dinamizou a música Folk", assim se intitulava o texto que vinha publicado no nº 6 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" de Abril de 1971 que tenho vindo a recordar e nele lê-se :"«Pentangle» é constituído por músicos com uma completa e diversificada experiência...", "Uma das principais características deste agrupamento é a de ter um som folk simultaneamente voltado para o jazz e para o clássico. Quem começa por ouvir «Pentangle» à espera de encontrar esquemas musicais clássicos na folk-music, ficará surpreendido quando verificar que, de repente, a evolução instrumental segue o caminho do jazz ou da música clássica." 

Sem dúvida, é isso mesmo, quando comecei a ouvir Pentangle (e também, Bert Jansch e John Renbourn a solo) a sensação que tive era que estava na presença de algo completamente novo, como que de um estilo novo se trata-se, na realidade nunca o Folk e o Jazz tinham tido uma abordagem como a que os Pentangle estavam a fazer. Quando é que agora se tem esta sensação? O carácter inovador parece arredado de maior parte da nova música que é divulgada, talvez a última vez que fiquei surpreendido tenha sido já nos idos anos 90 com o surgimento dos Tindersticks e o seu Rock alternativo.




Do 1º álbum de 1968 vou buscar a versão que os Pentangle fizeram de uma canção tradicional chamada "Bruton Town", a melhor que conheço. Espero que gostem tanto quanto eu.



Pentangle - Bruton Town

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Pentangle - Willie O' Winsbury

Balanço de 1973 entre formados e acabados. 

De entre os novos grupos que se constituíram no ano de 1973 pouco há de digno a registar. Eis alguns, que de alguma forma vieram a ter os seus momentos de fama: AC/DC, Bachman-Turner Overdrive, Cabaret Voltaire, Cheap Trick, Los Lobos, Television, The Tubes, Bad Company, Heart, Journey, Kiss, Penguin Cafe Orchestra; ou seja, uma boa parte a prescindir com facilidade, com excepção, talvez, para os Television de Tom Verlaine, Los Lobos e os Penguin Cafe Orchestra; revisão, sobre revisão de sonoridades tiradas ao manancial dos anos 60, sem nada genuinamente novo.

De entre os grupos que terminaram no ano de 1973 os destaques vão para: The Byrds, Free, Spirit, The Doors, Jackson Heights, Manassas, Pentangle, The Velvet Underground, Vinegar Joe; ou seja, uma boa parte, nomes importantes a deixarem marcas, algumas únicas, na música popular dos anos 60 e 70.

Um saldo, para meu gosto claro, negativo, a década continuava no seu ciclo descendente até atingir o fundo em 1975.


Edição em CD de 2003 com a ref: CMQCD555, depois
de descobertas as gravações originais


Os Pentangle, a merecerem outras atenções, terminavam em 1973 sem antes deixarem, no final de 1972, mais um excelente e menos considerado trabalho do Folk-Rock britânico, o sexto álbum “Solomon’s Seal”. Formados por Bert Jansch (1943-2011), John Renbourn (1944-2015), Jacqui McShee (1943-), Danny Thompson (1939-) e Terry Cox (1937-), tudo músicos que marcaram as últimas décadas da música Folk britânica, constituíram um quinteto que elevou (a par com os Fairport Convention) a música de raiz tradicional a patamares até hoje não mais ultrapassados.

Em anexo segue “Willie O' Winsbury” um tema tradicional do século XVIII recriado na perfeição pelos Pentangle (os Fairport Convention também já o tinham feito sob o nome de “Farewell, Farewell” no histórico álbum “Liege & Lief” em 1969).



Pentangle - Willie O' Winsbury

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Pentangle – Travelling Song

Raridades

Entre outros géneros musicais o Folk assistiu, nas ilhas britânicas nos anos 60, a um revivalismo e transformação que mereciam uma abordagem mais elaborada e alargada que espero um dia poder ainda vir a fazer.
Para já outro nome importante na cena Folk inglesa, os Pentangle. Constituídos no mesmo ano dos Fairport Convention, ou seja em 1967, rivalizaram com estes na revitalização da música tradicional mas de uma forma mais vanguardista ao conciliar o Folk com influências do Blues e do Jazz.
Recomendam-se sem reservas os 6 álbuns editados no período de 1968 a 1972 que corresponderam à primeira fase do grupo então formado por Terry Cox - bateria, Danny Thompson - baixo, John Renbourn (1944-2015) - guitarra e voz, Bert Jansch (1943-2011) - guitarra e voz e Jacqui McShee - voz.


Edição do Reino Unido pela
 Sanctuary com a ref: CMXBX664


O propósito de hoje é o tema "Raridades" pelo que me vou servir da caixa de 4 CD "The Time Has Come" (2007) que cobre o período 1967-1973, com muito material que não consta nos 6 discos originais, e é assim formado:
CD1 - Studio 1967-69
CD2 - Studio 1970-73
CD3 - Live at the Royal Festival Hall (June 29 1968)
CD4 - Live, TV & Film 1970-73





Esta colectânea, mal desenhada diga-se de passagem, tem um livreto solto cujos agrafos danificam facilmente a caixa, nele lê-se:
"Jazz, blues, tradicional songs, original material, mediaeval influences, unusual signatures and potentially three vocalists - all the ingredients were now assembled to create, in theory, the front line of a truly unique and outstanding group."
Felizmente não foi só na teoria, a eles, em grupo, a solo ou noutras colaborações, devemos alguns dos melhores momentos do revivalismo Folk.


Em Maio de 1968 é editado o primeiro LP, "Pentangle", e uma semana depois um Single com "Travelling Song" que não constava no álbum o que era então prática corrente. "Travelling Song" é recuperada nesta colectânea referindo-se-lhe o texto do livreto assim:
"Pentangle's 'Travelling Song' (incidentally, their only commercial release to feature orchestration) was referred to in the Melody Maker as "The best single of the week", in a week also saw the release of the Rolling Stones' 'Jumping Jack Flash'".

Diga-se que a orquestração está a mais. Nas vozes Bert Jansch e Jacqui McShee.



Pentangle – Travelling Song

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Pentangle - A Maid That's Deep In Love

1970 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

Mais um excelente disco que constava nas escolhas do Miguel Esteves Cardoso e que, para meu gosto, merecia mais que as 3 estrelas que ele lhe atribuiu no texto "O Ovo e o Novo - (uma) Discografia duma década de Rock: 1970-1980" e que foi publicado como posfácio da 2ª edição do livro "POPMUSIC-ROCK". Trata-se do álbum "Cruel Sister" dos britânicos Pentangle.

Os Pentangle continuam a estar entre as minhas primeiras preferências no que concerne aos grupos musicais oriundos das ilhas britânicas dos finais dos anos 60 início da década de 70. Numa mistura única do Folk com o Jazz, os Pentangle foram, conjuntamente com os Fairport Convention, dos mais importantes na renovação da música com raízes tradicionais.

Se bem que neste blog já tenham sido referidos, ainda não tinham um entrada em nome próprio pelo que é a primeira vez que aqui dou a conhecer um tema deste singular grupo. Começo por destacar os 5 excelentes músicos que compuseram os Pentangle:

- Bert Jansch (1943-2011) - voz e guitarra
- John Renbourn (1944-2015) - voz e guitarra
- Jacqui McShee (1943-) - voz
- Danny Thompson (1939-) - contrabaixo
- Terry Cox (1937-) - voz e bateria


Edição inglesa, de 1997, da etiqueta Transatlantic
com as referências ESMCD 458 e GAS 0000458ESM ACO

Entre 1968 e 1972 editaram 6 álbuns seminais no género, "Cruel Sister" era já o 4º que o grupo tinha produzido e era composto somente por 5 temas todos arranjos de canções tradicionais. No livreto que acompanha a caixa "Pentangle - The Time Has Come 1967-1973" pode-se ler:
"As Renbourn reflects, 'all the tunes on Cruel Sister were mainstays of the performance repertoire and have proved to be the most enduring. Those pieces, in particular, are the ones most requested still in concerts wherever any of us play.'"

"Cruel Sister" mais um disco com muitas estrelas a que se volta sempre com renovado prazer. "A Maid That's Deep In Love" é uma belíssima canção e é a que abre este álbum.




Pentangle - A Maid That's Deep In Love