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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Nico - The End

 1974 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Nico (1938-1988) foi uma extraordinária cantora de origem alemã que nos anos 60 fez parte do movimento underground novaiorquino liderado pelo artista Andy Warhol que a impôs no primeiro álbum dos The Velvet Underground de que foi produtor.

Depois do seu afastamento dos The Velvet Underground procurou encontrar o seu próprio estilo, "Foi durante este período que encontrei Jim Morrison e foi ele que finalmente me aconselhou a escrever as minhas próprias canções e a interpretá-las eu mesma, sozinha..." - em "Jim Morrison, para lá dos Doors" de Hervé Muller. Conselho seguido e eis "Chelsea Girl" (1967), "The Marble Index" (1968) e "Desertshore" (1970), este último já gravado no seu regresso à Europa. Participa em filmes de  Philippe Garrel mas continua a actuar em público, em 1972 actua no Bataclan com John Cale e Lou Reed (" Le Bataclan '72", editado em 2004) e em 1974 no Rainbow Theater com Kevin Ayers, John Cale, Brian Eno ("June 1, 1974" de que já dei conta).

E chega-se assim a "The End..." o seu 4º álbum onde marcaram presença John Cale, o suspeito de costume, e ainda Phil Manzanera e Brian Eno que estava em todo o lado.



Edição em vinil do Reino Unido com a ref: ILPS 9311


Nas escolhas de Miguel Esteves Cardoso "The End..." teve três estrelas e escreveu ele: "Nico, sempre produzida e acompanhada pelo génio distorcido de John Cale, torna-se cada vez mais prisioneira do seu castelo gótico, cantando o desfecho da humanidade e da beleza como uma invocação apaixonada à escuridão. É um romantismo doentio, sufocado pela poesia da sua angústia interior e Nico será o "anjo azul" dos anos 70. presidindo ao apocalipse como uma musa caída na desgraça, expulsa do paraíso de outrora. Ferozmente original, Nico nem sempre sabe conter a sua tendência para o exagero e não há dúvida que os seus álbuns mais emocionantes (mas menos perturbantes) datam da década anterior."

"The End" é no original uma canção dos The Doors com uma impressionante interpretação do grupo e de Jim Morrison em particular, a qual, pensava eu, não haveria alguém a querer interpretá-la pois seria insuperável. Surpresa minha, e boa surpresa, quando Nico resolveu inclui-la no seu reportório e gravá-la dando mesmo nome a este álbum.



Nico - The End

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Kevin Ayers, John Cale, Eno, Nico - Baby's on Fire

 1974 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


A presença de Brian Eno prolonga-se para o Regresso ao Passado de hoje num álbum gravado ao vivo e que teve como principais protagonistas, para além dele próprio, John Cale, Nico e Kevin Ayers, mas também por lá passaram como convidados especiais Mike Oldfield e Robert Wyatt.

A ideia inicial terá partido de Kevin Ayers que convidou Nico e por tabela John Cale, os dois ex-The Velvet Underground da formação inicial. John Cale encontrava-se a gravar com Brian Eno  e vai daí este também participa no concerto. Já Robert Wyatt era bem conhecido de Kevin Ayers dos seminais Soft Machine onde militaram nos anos 60 e o jovem Mike Oldfield que fez parte da sua banda, The Whole World, em 1970. E assim a 1 de Junho de 1974, data que deu nome ao álbum, "June 1, 1974", realizaram este concerto, no Rainbow Theatre em Londres.


Edição em CD de 1990 com as refs: IMCD 92; (842 552-2)


Miguel Esteves Cardoso considerou o "... concerto desigual mas refrescante..." e deu-lhe somente três estrelas o que correspondia a "bom".

Num tempo em que o Rock se desenvolveu muito além das suas fronteiras iniciais e se aventurou na exploração de novas sonoridades e que acabou por ficar conhecido por Rock de vanguarda ou experimental, os músicos que participaram neste concerto tiveram boa parte da responsabilidade na sua elaboração e divulgação.

Para ouvir pode ser "Baby's on Fire" um tema de Brian Eno e que fazia parte do seu primeiro álbum a solo, " Here Come the Warm Jets", também de 1974. 



Kevin Ayers, John Cale, Eno, Nico  - Baby's on Fire

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Nico - Janitor of Lunacy

1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Nico é alemã de nascimento e ainda muito nova inicia-se como modelo em Berlim.
Aos 15 anos já está em Ibiza, ilha a que ficará sempre ligada, em Paris continua a sua carreira de modelo e ganha notoriedade.
Em 1959 participa no filme “La Dolce Vita” de Fellini. Em 1962 conhece o actor francês Alain Delon de quem virá a ter um filho. Após de em 1964 ter travado conhecimento com Brian Jones dos The Rolling Stones, surge a sua primeira gravação musical: “I´m Not Saying”, uma canção de Gordon Lightfoot com Jimmy Page na guitarra. Conhece Bob Dylan que lhe dá uma música “I´ll Keep It With You” a qual gravará no álbum “Chelsea Girl”. Este apresenta-a a Andy Wahrol que a introduz no movimento underground Nova-Iorquino. Filma com Paul Morrisey, grava com The Velvet Underground. Toca com Tim Hardin, Tim Buckley, Lou Reed e John Cale. Chega a viver com o então jovem (17 anos) Jackson Browne de quem grava algumas composições em “Chelsea Girls”. Conhece, influencia e é influenciada por Jim Morrison e Leonard Cohen. Tem um caso com Iggy Pop que conhece quando John Cale produzia o primeiro álbum dos The Stooges.
Grava os seus 3 primeiros discos “Chelsea Girls”, “Marble Index” e “Desertshore” entre 1967 e 1970. Todos produzidos por John Cale, aqui fica definida a originalidade do seu som, denso, experimental, profundo, melancólico, intrigante.
“Chelsea Girls” tem os contributos de Jackson Browne, Tim Hardin, Bob Dylan, Lou Reed e John Cale.
“Marble Index” seria dos três, o disco mais frio, distante, chega mesmo a ser arrepiante, é autora de todos os temas e toca harmónio, o qual ajudaria a caracterizar o som monocórdico. Um álbum fora de todas as convenções.



Edição alemã em CD , ref: 925 870-2



Finalmente “Desertshore” para muitos o seu melhor álbum. Mais uma vez todas as composições são assinadas por ela. Na linha do anterior mas mais belo e simultaneamente mais acessível.
É a este "Desertshore" (1970) que Miguel Esteves Cardoso, nas suas escolhas do ano de 1971, dá 4 estrelas, afirmando: "O álbum de Nico é complexo, fabulosamente misterioso e retém todo o seu encanto em 1980". Afirmação que em 2019 se mantém válida.

Fica a surpreendente "Janitor of Lunacy".




Nico - Janitor of Lunacy

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Nico - Chelsea Girls

Os anos 60 foram um verdadeiro viveiro, onde proliferaram em quantidade e qualidade as mais diferenciadas propostas musicais, muitas delas verdadeiramente inovadoras em relação ao que era dado ouvir até ao momento. Na história da música popular, a década de 60 é a que faz maior diferença entre o que se ouvia no seu início e no seu fim.

Hoje a recordação vai para Nico (1938-1988).
Nico, alemã de nascimento, é ainda muito nova que se inicia como modelo em Berlim. Aos 15 anos já está em Ibiza, ilha a que ficará para sempre ligada, mas é em Paris que continua a sua carreira de modelo e onde ganha notoriedade. Em 1959 participa no filme “La Dolce Vita” de Fellini. Em 1962 conhece o actor francês Alain Delon de quem virá a ter um filho.
Após ter travado conhecimento em 1964 com Brian Jones dos The Rolling Stones, surge a sua primeira gravação musical: “I´m Not Saying”, uma canção de Gordon Lightfoot com Jimmy Page na guitarra.
Entre Nova-Iorque e Paris, conhece Bob Dylan que a apresenta a Andy Warhol e a introduz no movimento underground Nova-Iorquino. Andy Warhol impõe-na como cantora no primeiro álbum dos Velvet Underground, e “Velvet Underground & Nico” ficará como o mais ignorado e o mais importante álbum da história do Rock. O grupo, que teria (e tem) uma importância fundamental na música moderna dos nossos dias,  era formado por John Cale, Lou Reed, Sterling Morrison, Maureen Tucker e a não desejada Nico, voz principal em "Femme Fatale", "All Tomorrow's Parties" e "I'll Be Your Mirror". A assinatura de Lou Reed ou Reed/Cale marca o vanguardismo de todas as composições. A voz forte, calma, arrastada, monocórdica de Nico, suaviza a agressividade patente ao longo de boa parte do álbum.




Filma com Paul Morrisey, toca com Tim Hardin, Tim Buckley e Jackson Browne, este então um jovem com 17 anos com quem chega a viver. Conhece, influencia e é influenciada por Jim Morrison e Leonard Cohen. Tem um caso com Iggy Pop que conhece quando John Cale produzia o primeiro álbum dos The Stooges.




Ainda na década de 60 grava os seus três primeiros e fundamentais álbuns. Com temas de Jackson Browne, Bob Dylan, Tim Hardin, Lou Reed e John Cale grava, em 1967, o primeiro registo de nome “Chelsea Girls”. É um disco de difícil definição, algures no folk de vanguarda, mas não é claro o seu enquadramento, era mais um dos caminhos que se abria à enorme diversidade e originalidade que então se vivia na música popular.
A escolha vai para o tema, título do álbum, “Chelsea Girls” de Lou Reed/Sterling Morrison.




Nico - Chelsea Girls

sexta-feira, 24 de julho de 2015

The Velvet Underground - All Tomorrow's Parties

Talvez o grupo com menos popularidade e o que se revelou mais importante na história do Rock: The Velvet Underground.

Formados por Lou Reed (1942-2013), John Cale, Sterling Morrison (1942-1995) e Maureen Tucker dão o primeiro concerto como The Velvet Underground a 11 de Novembro de 1965.
The Velvet Underground foi a primeira e a melhor banda de Rock de vanguarda.
O termo vanguarda, tantas vezes mal utilizado, aplica-se aqui justamente, o som praticado era único e explorava caminhos até então inéditos no Rock. Desalinhados com a música psicadélica dominante oriunda da West Cost, não são reconhecidos no seu tempo (1965-1971) mas são das bandas mais influentes nas gerações seguintes.
Andy Warhol, o artista plástico da Pop-Art, apadrinha-os e produz o primeiro álbum do grupo. Também impõe Nico (1938-1988) em três faixas do disco e o famoso álbum da "banana" (capa desenhada por Andy Warhol) editado em 1967 vai designar-se "The Velvet Underground and Nico".


Deste álbum verdadeiramente histórico ficamos com "All Tomorrow's Parties", escrita por Lou Reed, interpretada por Nico, inspirada no ambiente que se vivia na Factory, o estúdio de Andy Warhol.

"Nos anos 60 toda a gente se interessava por toda a gente. A contracultura, a subcultura, a pop, as superstars, a droga, as luzes, as discotecas. Havia sempre uma festa algures: numa cave, num sótão, num autocarro ou no metro. Se não era num barco, era na estátua da Liberdade. Os anos 60 eram a balbúrdia. E os Velvets cantavam All Tomorrow's Parties." Andy Warhol em "Superstars - Andy Warhol e os Velvet Underground".



The Velvet Underground - All Tomorrow's Parties