Seria de todo injusto terminar estas recordações do ano de 2022 sem referir,
relativamente à música nacional, o álbum de Carlos Alberto Moniz.
Da geração de 60 já poucos se mantêm em actividade e aqueles que ainda estão,
estou a lembrar-me por exemplo do Sérgio Godinho, Fausto e Jorge Palma, não
tiveram trabalhos novos no ano que terminou. Foi pois com alguma admiração que
tomei conhecimento de novo trabalho de Carlos Alberto Moniz, tanto mais que
que já vai com 74 anos e gravou logo um triplo CD.
Se bem que nunca tenha ido a correr comprar os discos de Carlos Alberto Moniz,
tenho que reconhecer o seu papel na história da música popular nos últimos 50
anos de que este novo álbum faz resenha. O álbum é, como disse, triplo e tem
por nome "Por Esse Mar Abaixo" e contêm 51 canções tantas quanto os anos
de carreira.
Para o efeito contou com a colaboração de mais de 80 músicos entre os quais
estão Sérgio Godinho e Jorge Palma, Pedro Abrunhosa e Luís Represas,
e também o improvável Quim Barreiros. "Chamateia" é uma das canções, aqui com
a colaboração de António Zambujo.
E para terminar estas memórias recentes, vejamos alguns dos trabalhos na
música portuguesa do ano findo.
A primeira constatação é que verifico haver muitas novas gravações por cá
feitas e das quais não tomei conhecimento. Mais uma vez, problema meu ou má
divulgação, eis a questão.
De qualquer forma aqui estão 10 trabalhos aos quais prestei atenção, são:
- Miramar - Miramar II - Mário Barreiros - Dois Quartetos Sobre o Mar -
Linda Martini - ERRÔR - Miguel Araújo - Chá Lá Lá - Amélia Muge -
Amélias - Márcia - Picos e Vales - Maria Reis - Benefício da Dúvida -
Ana Moura - Casa Guilhermina - Carlos Alberto Moniz - Por Esse Mar
Abaixo
- A Garota Não - 2 de Abril
Começo por destacar Amélia Muge, uma das mais importantes cantoras da nossa
música popular e que não teve até hoje o devido reconhecimento. Divulguemos
Amélia Muge! Já dela aqui falei quando referi o seu inicial projecto
musical, o duo Irmãs Muge, formado em Moçambique e do qual sobrou somente um EP
gravado em 1971.
Passou a viver em Portugal a partir de 1984 e o seu primeiro trabalho a solo
só surgiu em 1991 com o excelente "Múgica". De então para cá são vários os
trabalhos editados com uma regularidade que ronda os quatro anos e que vêm
enriquecer, e abrir caminhos, à nossa música popular.
É o caso do último "Amélias", um álbum sobretudo à cappela, por vezes a
lembrar-me os saudosos Banda do Casaco e também José Mário Branco.
Como é que eu não a descobri mais cedo? Por vezes é assim, algo de importante
nos escapa, e Weyes Blood, de verdadeiro nome Natalie Merling, foi uma delas.
Mas espero ainda ir a tempo, pelo menos pelas amostras existentes creio que
sim, Weyes Blood terá futuro na música popular norte-americana e eu espero cá
estar para o testemunhar.
"And in the Darkness, Hearts Aglow", o álbum de 2022, foi o que me levou à sua
descoberta, para logo constatar que já em 2019 ela recolhia críticas bem
positivas com o então álbum "Titanic Rising".
https://www.discogs.com/
Com uma sensibilidade musical imensa é um enorme prazer a audição da sua
música, mas também as versões de canções antigas que ela não se inibe de
interpretar, por exemplo: "Woodstock" (Joni Mitchell, The Air That I Breath
(The Hollies), The White Shade Of Pale (Procol Harum), God Only Knows (The Beach Boys).
"It's Not Just Me, It's Everybody" a melhor canção original de 2022 e Weyes
Blood uma das mais talentosas artistas da nova geração.
Desde 2016 que tenho escolhido um álbum que reuniu as minhas preferências
nesse ano, quase sempre artistas emergentes a afirmarem-se e (ou) a
consagrarem-se na melhor produção musical destes tempos.
Este ano não é excepção e acrescento a esta lista o álbum que provavelmente
mais ouvi em 2022. A escolha recai sobre The Unthanks e o seu mais recente
trabalho "Sorrows Away".
Edição do Reino Unido, da editora Rabble Rouser, com a ref:RRM024B,
CD book, edição limitada
The Unthanks são o que de melhor existe na área do Folk contemporâneo
britânico. Há quase duas décadas que se vêm impondo como a melhor expressão
musical com raízes na música tradicional, verdadeiras herdeiras dos Fairport Convention, Pentangle, Richard and Linda Thompson e Shirley Collins que
durante tantos anos não tiveram verdadeiros sucessores (excepção feita para
June Tabor).
No entanto deste 2015, desde "Mount the Air", que The Unthanks não me
surpreendiam. Trabalhos temáticos como "The Songs and Poems of Molly Drake"
(2017) ou "Lines" (2019), 3 álbuns com as designações "Part One: Lillian
Bilocca", Part Two: World War One" e "Part Three: Emily Brontë", não
conseguiram cativar-me. Parecia haver uma crescente homogeneização sonora
provocada por Adrian McNally, produtor e posteriormente elemento
integrante do grupo, que lhes retirava alguma vivacidade.
Eis que, passados 7 anos, "Sorrows Away" retoma a atmosfera de "Mount the Air"
e nos cativa progressivamente em sucessivas audições.
Canções como "Sandgate Dandling", "The Old News", "Royal Blackbird", "Water of
Tyne" e o tema título "Sorrows Away", a tornarem-se rapidamente standards no
reportório deste grupo a merecer melhor divulgação.
Entre os discos que mais ouvi no ano de 2022 consta o álbum escolhido para
este Regresso ao Passado, trata-se de "Big Time" da norte-americana Angel Olsen. Está entre aqueles álbuns que quanto mais se ouve mais se gosta. Sem
dúvida um trabalho a destacar no ano findo.
Angel Olsen tem 35 anos. é uma cantora deste século. Norte-americana de
nascimento, mais uma grande cantora Folk que vemos surgir na cena
internacional. É uma cantora que tenho vindo a seguir há já alguns anos, já
aqui tive oportunidade dela falar quando a destaquei com o álbum "All Mirrors"
de 2019, e cuja qualidade é agora confirmada com o seu sexto álbum "Big Time",
uma das melhores recordações que o ano de 2022 nos deixou.
Edição europeia em CD com a ref:JAG424
Com "Big Time" Angel Olsen confirma-se como uma nova referência para os novos
caminhos que a música popular tem vindo a traçar neste século. Afirma-se como
uma aposta segura entre os melhores compositores desta geração, acrescente-se
a voz excelente e os arranjos sóbrios e envolventes e perceber-se-á porque é
um disco que leva o seu tempo a ficar-se rendido.
Rock alternativo, Folk independente com alguns laivos de Country assim se faz
"Big Time".
Num ano que não me pareceu particularmente interessante, estava à espera que a
paragem devida ao COVID 19 desse azo a uma maior
quantidade/qualidade/criatividade de publicações ou talvez isso ocorra em
2023, eis um conjunto de disco que de alguma forma foram objecto de alguma
atenção pela minha parte.
Alguns com passagem rápida outros mais longa ao ponto de os adquirir. Uma boa
parte deles de figuras já conhecidas do panorama musical actual e já com um
histórico bem significativo. Ei-los, sem nenhuma ordem em especial:
Beach House - Once Twice Melody Cat Power - Covers Big Thief - Dragon
New Warm Mountain I Believe In You Meskerem Mees - Julius ElvisCostello - The Boy Named If Calexico - El Mirador Rosalía -
Motomami The Weather Station - How Is It That I Should Look at the Stars ArcadeFire - We The Smile - A Light for Attracting Attention Angel Olsen -
Big Time Mary Halvorson -Amaryllis
Björk - Fossora
Naima Bock - Giant Palm Bill Callahan - YTI⅃AƎЯ Brian Eno -
ForeverAndEverNoMore
Porque mereceram e merecem uma atenção especial, eis algumas das minhas
preferências. Para hoje Bill Callahan e o álbum "YTI⅃AƎЯ".
Edição europeia em CD com a ref: DC859CD
Bill Callahan não é um novato nem um desconhecido que agora se revela,
bem pelo contrário conta já com uma carreira bem consolidada
inicialmente conhecido como Smog, e em nome próprio a partir de 2007,
cujas primeiras gravações datam da década de 90.
Produzindo um música nas fronteiras do Folk-Rock, Folk aqui, um
pouco de Blues ali, alguns elementos de Jazz acolá e uma voz bem
profunda, a lembrar por vezes Bonnie 'Prince' Billie e um acompanhamento
bem competente pleno de intuição e devidamente contido, arrisco-me a
afirmar que Bill Calahan produziu aos 56 anos o seu melhor trabalho.
"YTI⅃AƎЯ" é para ouvir, ouvir, ouvir... por muitos e bons anos.
(Ao vivo teremos a oportunidade de ver Bill Callahan a 15 de Abril, no Theatro Circo, em Braga. A não perder)
Na actualidade os Tindersticks são uma das minhas bandas preferidas. Vou
vê-los sempre que posso nas frequentes passagens que fazem pelo nosso país e
no ano de 2022 não foi excepção. No Tour comemorativo dos 30 anos dos
Tindersticks oportunidade para os voltar a ver (foi a 9ª vez) em mais uma
passagem pelo Coliseu do Porto desta vez com orquestra o que faz aproximar a
música ao vivo com as edições discográficas.
Quanto a estas tivemos em Março a publicação de "Past Imperfect - The Best of
Tindersticks '92 - '21", um triplo CD, o primeiro é duplo faz uma revisão dos
30 anos de carreira incluindo dois inéditos: "Willow" interpretada por Stuart Staples (existia a versão interpretada pelo actor Robert Pattison para o
filme "High Life" (2018) da realizadora Claire Denis) e "Both Sides Of The
Blade" também de um filme de Caire Denis, "Avec Amour et Acharnament" (2021).
Edição europeia com as ref: Lucky Dog 30 /Lucky Dog 07
O CD extra foi gravado ao vivo em Glasgow a 5 de Outubro de 2008. Para quem
não conhecer bem a música dos Tindersticks é um excelente ponto de entrada
para este universo musical.
CD extra - gravação ao vivo em Glasgow
Ainda de 2022 uma nova publicação dos Tindersticks, a banda sonora do filme
"Stars at Noon", novamente da realizadora Claire Denis.
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Infelizmente, até ao momento, só com edição digital, "Stars at Noon", o tema
principal é mais uma preciosidade deste grupo britânico, absolutamente
maravilhosa esta ternurenta canção. Do melhor que o ano transacto nos deixou.
A evolução negativa é algo comum em boa parte dos artistas da música Pop-Rock.
Uma boa parte desaparece rapidamente, alguns persistem em continuar, é o caso
do grupo de hoje que teve o seu auge, e a minha maior admiração no final da
década de 60 primeiros anos dos anos 70, são os Chicago.
Os Chicago entusiasmaram-me e de que maneira nos primeiro 4 álbuns editados de
1969 a 1971 e logo com 3 duplos LP e 1 quádruplo ao vivo!! De então para cá
têm sido bastante regulares em publicações tendo em 2022 saído o 38º,
precisamente "Chicago XXXVIII: Born for This Moment". Mantêm a numeração em
romano de maior parte dos discos assim como o logotipo bem característico, o
mesmo não se pode dizer em termos qualitativos.
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Os Chicago foram um dos grupos mais significativos no chamado Jazz-Rock com
uma relevante e inspirada secção de metais formada por Lee
Loughnane, James Pankow e Walter Parazaider, mantendo-se, na
formação actual, os dois primeiro e ainda Robert Lamm (teclados).
Actualmente são uma sombra daquilo que foram noutros tempos, infelizmente
"Chicago XXXVIII: Born for This Moment" é um álbum Pop desenxabido com o qual
se perde pouco tempo. Confesso que não o ouvi até ao fim.
Estas primeiras memórias foram para aristas a solo que os grupos sobreviventes
dos anos 60 ainda são mais raros. Pelo menos dois dos grupos que eu então
admirava gravaram em 2022.
Começo pelos Jethro Tull que em 2022 publicam "The Zealot Gene", o 22º álbum
de estúdio após um interregno de 9 anos. E confesso que as expectativas não
eram grandes, há muito que estes Jethro Tull já não são os Jethro Tull que me
surpreenderam na minha adolescência. Das várias formações dos anos 60 e 70 só
Ian Anderson se mantém no grupo sendo seu líder incontestado, julgo mesmo que
os Jethro Tull já deviam ter acabado, ficando na memória os bons velhos
tempos, e Ian Anderson actuar e gravar em nome próprio.
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Nota-se que é um álbum esforçado na busca da melhor sonoridade que nos liga
aos Jethro Tull, mas fica-se por uma pálida imagem daquilo que os Jethro Tull
já representaram. Falta energia e a capacidade vocal de Ian Anderson é
notoriamente menor, resumidamente: ouve-se uma vez sempre na expectativa de
encontrar algo que nos cative o que não chega a acontecer.
Começa assim este novo trabalho de... Ian Anderson.
É notória a menor capacidade da geração de 60 de se manter à tona em 2022.
Para muitos o seu tempo já passou, é da vida. Alguns ainda resultam bem ao
vivo com efeitos e arranjos que disfarçam o avançar da idade, o que já é bem
bom. Roger Waters não é excepção.
Roger Waters abandonou os Pink Floyd em 1983 e depois do promissor "The Pros
and Cons of Hitch Hiking" (1984) foi parca a sua produção discográfica em
termos de originais de estúdio, somente mais três a ficarem aquém do
desejado. Mais uns tantos álbuns ao vivo rememorando os tempos dos Pink Floyd
e pouco mais ou seja é curto de quem tanto se esperava.
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Quanto a 2022 dá início a um novo Tour, "This Is Not a Drill", com polémicas
declarações sobre a guerra da Ucrânia, e um EP com seis faixas. Não, não se
trata de seis novas canções mas sim de recriações de temas antigos (cinco do
tempo dos Pink Floyd e só uma posterior, a solo), são "The Lockdown Sessions"
que infelizmente não deram para a produção de novo material.
De qualquer modo boas recordações destacando-se a nova versão de "Comfortably
Numb" e que serve de abertura no novo Tour. Ei-la.
The Moody Blues terminaram oficialmente em 2018. Ray Thomas, flautista,
faleceu nesse ano e em 2021 foi a vez do baterista Graeme Edge. Da formação
clássica do grupo sobrevivem Mike Pinder que abandonou o grupo em 1978, John
Lodge e Justin Hayward que prosseguiram carreiras a solo.
Se é verdade que The Moody Blues não fizeram nada de verdadeiramente
significativo depois de 1972, também é verdade que a solo nenhum dos elementos
deixou até à data obra relevante, exceptue-se "Blue Jays" (1975) trabalho
conjunto de John Lodge e Justin Hayward.
Justin Hayward, a voz e autor da célebre "Nights In White Satin", tinha uma
lindíssima voz e maravilhou-nos nos bons tempos dos The Moody Blues, e é com
essas memórias que sempre que há novidades discográficas faço a comparação.
Justin Hayward vai já nos seus 76 anos e mantêm ainda uma voz agradável de se
ouvir, o mesmo não se podendo afirmar em termos de composição. Foi pelo menos
esta a opinião com que fiquei ao ouvir "Living For Love" a nova canção
publicada em 2022 e só disponível em formato digital.
Ouvi "Living For Love" e despertou-me saudades de outros tempos, de outras
músicas...
John Cale é um dos músicos mais subestimados da história do Rock. Por muito
que se tenha recuperado o legado dos The Velvet Underground e reconhecido a
sua importância na influência que tiveram no desenvolvimento da música Rock
nos distantes anos 60, o papel de John Cale parece ter sido um tanto
secundarizado pelo menos face à divulgação que Lou Reed, também por mérito
deste, teve.
A música de John Cale foi sempre mais vanguardista e menos acessível a
públicos mais alargados, talvez seja essa a razão e, por isso, com uma produção
discográfica menos difundida e com maiores dificuldades nas tabelas de vendas
que a de Lou Reed.
Há já alguns anos que não havia notícias discográficas de John Cale e mesmo a
última "M:FANS" (2016) era uma revisão de "Music for a New Society" esse
trabalho extraordinário do longínquo 1982. Por isso é sempre com enorme
curiosidade que recebo notícias de novas gravações de John Cale tanto mais que
já vai na provecta idade de 80 anos!
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2022 não teve um álbum novo, esse de nome "Mercy" está anunciado para o início
deste, mas foram publicados 2 Singles com temas a serem incluídos no dito
álbum, são eles "Night Crawling" e ""Story of Blood".
Dois temas demasiado electrónicos que não vão de encontro às minhas
preferências. menos ainda a deprimente "Story of Blood" que nem a presença da
grande revelação que é Weyes Blood minimiza.
De qualquer forma a revelar uma vitalidade na permanente busca de novos
caminhos para a música como poucos o fazem.
Para ouvir "Night Crawling", uma canção escrita a pensar nas noites passadas
com David Bowie nos anos 70.
Ontem recordei a edição em vinil de "Gold Dust (The Final Concert)", o
último concerto em vida da
Sandy Denny
efectuado em 1977. Hoje continuo com a
Sandy Denny
pois o ano de 2022 trouxe em vinil não só as últimas canções por ela
interpretadas como também as primeiras gravações que ela realizou em casa nos
anos de 1966, 1967 e 1968.
Estas gravações já eram conhecidas na caixa de 19 CD, que hoje em dia custa
uma fortuna, de 2010 onde a obra de
Sandy Denny
está devidamente esmiuçada, mas agora o prazer de as ouvir, pela primeira vez, em duplo álbum formato de vinil.
Edição em duplo vinil com a ref: EARTH LP048
Com uma qualidade sonora assinalável, o que me surpreendeu, lá estão duas
gravações caseiras de "Who Knows Where The Time Goes", uma de 1967 e outra de
1968, temas de Jackson C. Frank,
Bert Jansch,
Bob Dylan,
Anne Briggs, Fred Neil, alguns temas tradicionais e ainda alguns originais, uns que ela
regravaria mais tarde como "Carnival" e "Boxful Of Treasures" outros que foi
pena não o ter feito como por exemplo "In Memory (The Tender Years)" tinha ela
19 anos em 1966.
"In Memory (The Tender Years)" provavelmente a primeira canção que Sandy Denny escreveu.
Sandy Denny! O que haverá ainda por editar? Nada, praticamente nada... O sua
obra está devidamente esmiuçada e dificilmente poderá surgir ainda algo digno
de nota a ser editado. A caixa de 19 CD publicada em 2010 contem o que de mais
importante ela nos deixou. E lá está também "Gold Dust (The Final Concert)" gravado em Londres no Royalty Theatre a 27 de Novembro de 1977, poucos meses
antes de morrer.
Disco que tinha sido dado a conhecer em 1998 ou seja 20 anos depois o seu
prematuro desaparecimento. Nessa altura problemas técnico com as bobines
originais levaram a que partes da guitarra de Rob Hendry fossem regravadas por
Jerry Donahue assim como acrescentados coros por parte de Simon Nicol e Chris
Leslie.
Em 2022 Sandy Denny faria 75 anos se fosse viva e eis que surge "Gold Dust -
Live At The Royalty" edição em vinil que procura ser uma edição mais fiel ao
original onde inclusive se mantiveram as palavras de introdução de Sandy Denny
e os aplausos do público.
Edição 2022 em vinil com a ref:UMC 4503112
Um prazer ver uma nova edição, neste caso melhor ainda pois é em vinil,
daquela que foi a artista mais importante da minha vida. "No More Sad
Refrains" pertencia ao último álbum, "Rendez-Vous", editado em vida por Sandy Denny em 1977 e é o tema que termina este novo LP e que agora vos deixo
para audição.
Bruce Springsteen já vai nos 73 anos e apesar das suas primeiras gravações só
datarem da década de 70, o seu início musical vem dos anos 60 pelo que aqui o
incluo neste grupo de artistas vindos desta década e em actividade no ano de
2022.
Depois de dois álbuns que particularmente me agradaram e que manifestaram um
Bruce Springsteen com uma vitalidade notável, refiro-me a "Western Stars"
(2019) e "Letter to You" (2020), 2022 vê publicado o álbum "Only the Strong
Survive" que, parece-me, uns furos abaixo dos anteriores.
"Only the Strong Survive" não é um álbum de originais mas sim versões de
canções predominantemente de Rhythm'n'Blues, Funk e Soul aqui e ali, o que só
por si já é factor de alguma desconfiança. Tenho este defeito, embora tenha
neste blogue um tema dedicado a "Grandes Versões", regra geral prefiro
originais a versões pelo que fico sempre com um pé a trás quando se trata de
um álbum todo ele de versões.
Claro que é agradável de se ouvir, tanto mais que está centrado em temas dos
anos 60, mas fica-me a sensação de saber a pouco e que este não é bem o
território de Bruce Springsteen.
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Segue-se "The Sun Ain't Gonna Shine Anymore" é uma dessa canções. Quando a
ouvi fui logo recordá-la na voz dos The Walker Brothers (1966) o que sugiro
que o façam e cada um tire as suas conclusões. Para mim não é fácil
"libertar-me" dos The Walker Brothers...
Bruce Springsteen - The Sun Ain't Gonna Shine Anymore
Pois é, John Mayall tem já 89 anos e aí está ele a marcar presença em 2022.
Nem mais, formou o primeiro grupo no ano em que nasci ou seja em 1956 e desde
então para cá, com particular destaque para os anos 60 e 70, tornou-se num dos
maiores intérpretes de Blues do lado de cá do oceano Atlântico sendo figura de
proa do chamado British-Blues. Eric Clapton, The Rolling Stones, Led Zeppelin,
por exemplo fariam parte desta cena que se revelou na predominância da
guitarra eléctrica na sonoridade do Blues.
Em 2022 é editado "The Sun Is Shining Down" que revela um John Mayall com uma
vitalidade invejável para a idade que tem. 10 temas onde John Mayall toma
conta da voz, harmónica e teclados e onde partilha este gosto pelos Blues com
alguns artistas convidados, Scarlet Rivera, Buddy
Miller, Melvin Taylor entre outros.
"The Sun Is Shining Down" está nomeado para os Grammy Awards na categoria Best Traditional Blues Album.
O álbum termina com o tema título, "The Sun Is Shining Down", onde se destaca
também Carolyn Wonderland na guitarra eléctrica.
O regresso de Joni Mitchell aos palcos constitui um dos pontos mais altos nas
recordações de 2022.
Para a história fica a inesperada aparição de Joni Mitchell no Newport Folk
Festival onde ela tinha actuado pela primeira vez em 1967 pela mão de Judy Collins. Sob o nome Brandi Carlile and Friends surge a surpresa da Joni Mitchell que já não actuava desde 2000. Lembre-se que Joni Mitchell,
actualmente com 79 anos sofreu, em 2015, de um aneurisma cerebral que lhe
retirou mobilidade e capacidade de falar e tocar. Um longo processo de
recuperação e de reaprendizagem permitiu que se pudesse voltar a ouvir Joni Mitchell cantar temas tão carismáticos como "Both Sides Now", "Circle Game",
"Big Yellow Taxi" ou, novidade, a interpretação do clássico "Summertime".
Entretanto em termos discográficos Joni Mitchell continua empenhada na edição
dos seus arquivos, para além de material nunca editado também a edição
remasterizada da discografia oficial.
The Asylum Albuns (1972-1975)-Caixa de 4 CD com refs:R2 680935 / 603497840960-1
Depois da caixa "The Reprise Albums
(1968–1971)" editada em 2021, seguiu-se no ano que acabou "The Asylum Albums
(1972–1975)" contendo os seguintes álbuns:
- For the Roses (1972) - Court and Spark (1974) - Miles
of Aisles (1974)
- The Hissing of Summer Lawns (1975)
Neil Young escreve para Joni Mitchell
Em "Miles of Aisles" pode-se ouvir a seguinte versão ao vivo de "Both Sides Now".
Recorde-se a maravilhosa Joni Mitchell!
Richard Thompson é um dos meus músicos preferidos desde há mais de 50 anos.
Tem sabido gerir a sua carreia com qualidade relevante e continua aos 73 anos
a ser uma figura de referência no melhor Folk-Rock praticado. Quanto ao ano de
2022 não foi, no que diz respeito a edições discográficas, dos mais
significativos.
Espera-se, ansiosamente, por novo álbum de inéditos, o último "13 Rivers" data
de 2018 não considerando a edição caseira de "Bloody Noses/Serpents Tears"
(2021), que tanto quanto sei não tem ainda data prevista. Não foi em 2022,
esperemos que seja em 2023.
Quanto a 2022 as novidades ficaram pela reedição de "Music from Grizzly Man"
banda sonora do filme-documentário "Grizzly Man" de Werner Herzog editado em
2005. Eu, que não sou muito dado a bandas sonoras reconheço e recomendo este
CD, podem primeiro ver o filme e depois adquiri-lo.
Edição USA, pela No Quarter com a ref: NOQ080-2
Em Agosto foi editado o álbum "Live From Honolulu" pelo The Richard Thompson
Acoustic Trio formado por ele próprio e mais dois músicos
extraordinários, Michael Jerome, percussões e Danny Thompson no baixo.
Infelizmente a edição só está disponível em formato digital e a aguardada
edição física ainda não se realizou, esperemos.
Entretanto fiquemos com esta pequena maravilha, "Waltzing's For Dreamers" que
pertencia originalmente ao álbum "Amnesia" de 1988. Richard Thompson ao vivo
em Honolulu em data incerta mas provavelmente 2006.
Admirável é a persistência de Neil Young, que aos 77 anos, tal como Van Morrison, mantem uma actividade surpreendente, senão vejamos:
Em termos de gravações são publicados no ano de 2022 nada mais que 7 álbuns, a
saber:
Na longa e complexa divisão discográfica em séries dos arquivos oram
publicados, em Maio de 2022, 3 álbuns Official Bootleg Series (OBS) cujo
propósito seria melhorar a qualidade sonora de gravações que circulam de forma
não oficial. Depois do promissor "Carnegie Hall", OBS01, publicado em 2021,
eis os referidos álbuns:
- OBS03 - "I'm Happy That Y'all Came Down" gravado em Los Angeles Music Center
Dorothy Chandler Pavilion a 1 de Fevereiro de 1971
https://www.discogs.com/
- OBS04 - "Royce Hall" gravado em Royce Hall (UCLA-Los Angeles) a 30 de
Janeiro de 1971.
https://www.discogs.com/
e
- OBS05 - "Citizen Kane Jr. Blues" gravado em The Bottom Line, New York City,
16 de Maio de 1974
Edição Shakey Pictures Records em CD
Optei pela aquisição deste último por se tratar de um período menos
explorado, comparado com os anos de 1970, 1971, em termos de gravações ao
vivo e com o aliciante de ouvir temas do álbum "On The Beach" ao vivo. No
entanto, contrariamente às expectativas, pois Neil Young é um arauto da
qualidade sonora, o som é de baixa qualidade, trata-se mesmo de um
"bootleg"!
No mês de Julho mais um álbum novo de Neil Young, desta feita acompanhado
pelos Crazy Horse. Trata-se do álbum "Toast" a fazer parte da Special
Release Series (SRS) com o nº 09.
Edição canadiana da Reprise, em CD, com a ref: 93624985150
O álbum foi gravado em 2001com os Crazy Horse e que Neil Young pôs de lado,
por ser demasiado triste, gravando e editando em seu lugar "Are You
Passionate?", um álbum então menos bem recebido mas que eu apreciei. Quatro
das sete canções que compõem "Toast" foram regravadas em "Are You
Passionate?". "Toast", um grande álbum felizmente editado, entre o melhor de
Neil Young.
O mês de Agosto trás mais um álbum de Neil Young, agora a encaixar em PS
(Performance Series) tendo o nº 21. "Noise & Flowers" é mais um grande
álbum de Neil Young aqui acompanhado pelos Promise of the Real, gravado ao
vivo na Europa em 2019 e dedicado ao seu manager, Elliot Roberts, por mais
de 50 anos e falecido pouco antes. Um disco a agradar a fãs de várias
gerações e portanto bastante recomendado.
E chega o mês de Novembro e com ele um novo álbum de originais a integrar a
Original Realease Series (ORS), trata-se de "World Record" e leva o nº 52.
Edição alemã da Reprise, em CD, com a ref:93624869009
Com apreciações contraditórias "World Record" encontra-se, para mim abaixo,
dos anteriores "Colorado" (2019) e "Barn" (2021), talvez por procurar novos
ambientes não característicos do acompanhamento dos Crazy Horse e por falta
de maturação de algumas boas ideias. Parece-me um álbum inacabado, tanto
mais que sendo um duplo CD, o primeiro só tem cerca de 30 minutos e o
segundo não chega aos 18. Nada que me surpreenda, sempre tive a sensação que
se Neil Young fosse mais ponderado no nº de gravações o produto final
poderia ser ainda melhor.
E finalmente veio o mês de Dezembro e a edição comemorativa dos 50 anos do
álbum "Harvest", o 4º da sua discografia a solo e aquele que lhe trouxe
maior popularidade. "Harvest - 50th Anniversary Edition" é composto por 3 CD
e 2 DVD e é com certeza de se adquirir à primeira oportunidade, pelo menos
pelos fãs como eu.
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Que assim continue por muitos e bons anos, serão mais horas de prazer
àquelas que ele já me forneceu desde que há mais de 50 anos o descobri.
Do álbum "World Record" a proposta vai para "Chevrolet", aqui Neil Young e
os Crazy Horse no seu melhor.
Depois de um interregno maior do que estava à espera, férias e Natal pelo
meio, eis que estou, neste início de ano de volta aos meus Regresso ao
Passado. E começo por uma viagem curta no tempo, como tem sido meu hábito com
uma retrospectiva do ano terminado, ou seja alguma da música que fui ouvindo
ao longo do ano de 2022.
Para começar recordar como é que a velha geração dos anos 60 marcou presença
neste ano. E, embora sejam cada vez menos os sobreviventes daqueles anos,
alguns teimam em, de alguma forma, se manterem musicalmente vivos.
Começo com Van Morrison que mais uma vez marca presença com nova gravação.
"What's It Gonna Take?" é o 43º álbum de estúdio e continua marcado pela sua
posição contra a aceitação da pandemia COVID o que contribui para um álbum
mediano e dos menos interessantes da sua longa carreira. Salva-se pela boa
prestação musical a que nos habituou, de qualquer forma um disco que não
ficará para a história. Eu sei que a idade não o permite, Van Morrison já tem
77 anos, mas talvez devesse fazer uma pausa nas gravações o que parece que não
irá acontecer pois já foi anunciado novo álbum, "Moving On Skiffle", para
Março próximo.
Ouça-se "Pretending", como se Van Morrison fosse novo...