segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Erlon Chaves - Eu também Quero Mocotó

  mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


A 2ª referência à música brasileira que vinha publicada no nº 15 da revista "mundo da canção" e que eu ontem referi é uma canção de Jorge Ben de 1970 de nome "Eu Também Quero Mocotó". Infelizmente não consegui encontrá-la na interpretação do próprio, se é que ele a chegou a gravar (se alguém a tiver, ou conhecer onde a encontra muto agradeço a informação), mas sim várias versões da mesma, a maior parte de 1970.




Aquela que eu suponho ter sido cá divulgada, pelo menos encontrei um Single que teve edição nacional, é aquela que escolhi para o Regresso ao Passado de hoje. Trata-se de uma versão assinada pela Banda Veneno de Erlon Chaves e a S.A.M. (Sociedade Amigos do Mocotó) que a interpretou no V Festival Internacional da Canção em 1970.

Erlon Chaves (1933-1974) foi um maestro, cantor brasileiro, falecido prematuramente ao que parece na sequência de profunda emoção ao visitar Wilson Simonal então preso pela ditadura militar brasileira.



Erlon Chaves - Eu também Quero Mocotó

domingo, 30 de janeiro de 2022

Jair Rodrigues - Deixa isso pra lá

 mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Ainda em língua portuguesa, mas agora do outro lado do Atlântico, a revista "mundo da canção" nº 15 publicava duas notícias sobre a música brasileira. Primeiro é um texto de Tito Lívio sobre Jair Rodrigues o outro é uma letra de Jorge Ben e fica para amanhã.

Jair Rodrigues (1939-2014) foi um cantor brasileiro muito popular que se revelou nos anos 60 no género bem tradicional do Samba que cultivou e desenvolveu. São deles canções tão populares como "Tristeza" (quantas vezes a dancei e cantei nos bailes de Carnaval da minha juventude em Ovar), "Deixa isso pra lá" e "Disparada".





Tito Lívio apresenta-o como "uma das maiores vozes do Brasil" da "música tradicional, com raízes populares - o samba, o velho samba nascido nas favelas do morro, entre os crioulos conservando o ritmo e os instrumentos dos antepassados africanos."

"Deixe que digam, que pensem, que falem..." assim começava a canção "Deixa isso pra lá" sucesso do seu 2º LP de 1964, tinha eu 10 anos,  e que muito se ouviu por cá. Hoje em dia considerado um percursor do Rap brasileiro, ora ouçam.



Jair Rodrigues - Deixa isso pra lá

sábado, 29 de janeiro de 2022

Teresa Paula Brito - O Cavaleiro e o Anjo

mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


E este nº da revista "mundo da canção" terminava com a parte respeitante à música portuguesa com a ficha nº 13 dedicada a Teresa Paula Brito.

Resumo da carreira desta cantora relativamente bem conhecida do público nacional e que foi sofrendo variações de género. Fico com a impressão de que andou sempre à procura do seu estilo num país em que a maior parte das cantoras se cingiam à música ligeira.




Em 1971, como anuncia o artigo, seria editado aquele que me parece o disco mais bem conseguido da sua carreira, foi o EP "Minha Senhora de Mim" que resultou da sua colaboração com o músico Nuno Filipe e a poetisa Maria Teresa Horta. Quando este texto foi publicado o seu trabalho mais recente era um outro EP do ano anterior e que continha 4 canções de José Afonso.

Deste disco faltava-me recordar "O Cavaleiro e o Anjo" canção de José Afonso que este tinha publicado no LP " Cantares de Andarilho" de 1968.



Teresa Paula Brito - O Cavaleiro e o Anjo

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Tonicha - Menina

 mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Inevitavelmente este nº da revista "mundo da canção" com a publicação de várias letras de canções participantes no Festival RTP da Canção de 1971 trazia também a vencedora do certame, "Menina" na voz da Tonicha tinha sido a canção eleita sendo a letra de Ary dos Santos e a música de Nuno Nazaré Fernandes.




Em sequência é também publicada uma entrevista, da autoria da Maria Teresa Horta, com o Ary dos Santos onde ele fala da importância da sua participação nos Festivais, da canção vencedora, da canção "Cavalo à Solta" defendida pelo Fernando Tordo ou ainda da "Flor Sem Tempo" do Paulo de Carvalho onde considerava que "...as palavras são de tostão...".




Quanto às expectativas para Dublin, onde se realizou o Festival da Eurovisão daquele ano, mostrou-se pessimista e não via muitas possibilidades, mesmo assim "Menina" acabou classificada em 9º lugar, a melhor obtida até então, entre 18 países concorrentes.



Tonicha - Menina

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Adriano Correia de Oliveira - Cantar de Emigração, António Bernardino - Cantiga Para Os Que Partem

mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Nunca o referi mas digo-o agora: os textos e letras que a revista "mundo da canção" careciam de organização na sua disposição nas páginas da revista, ao folhear a revista é uma perfeita anarquia sem lógica e razão de ser, a não ser que... exista uma, a de dificultar a censura a que mais tarde viria a ser sujeita. Ocorrei-me esta ideia a propósito da canção de hoje, cuja letra era reproduzida no nº 15 que estou a recuperar.

A páginas tantas aparece a letra de "Cantar de Emigração" e na mesma página duas letras dos Dawn e ainda uma dos Herman's Hermits e disse para comigo: "que raio é que a letra de "Cantar de Emigração" faz aqui? Não tem nada a ver com as outras." Foi quando me ocorreu estaria desenquadrada para eventualmente não chamar a atenção? Sei lá, talvez não seja tão disparatado quanto isso.

Bem, independentemente de tudo o que agora interessa é recordar esta canção, grande canção, mais uma verdadeiro hino de oposição ao regime fascista.




A letra é uma tradução de José Niza de um poema da galega Rosalía de Castro (1837-1885), sendo a música também de José Niza. Quanto à interpretação são referidas duas, a de Adriano Correia de Oliveira e António Bernardino.

Adriano Correia de Oliveira gravou-a no LP "Cantaremos" de 1970 e foi a mais conhecida, ei-la:



Adriano Correia de Oliveira - Cantar de Emigração


Quanto a António Bernardino gravou-a também em 1970 e pertencia ao álbum "Flores para Coimbra", um grande disco do Fado de Coimbra e pouco conhecido, tomando o nome de "Cantiga Para Os Que Partem"



António Bernardino - Cantiga Para Os Que Partem


Duas grandes interpretações, qual preferem?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Hugo Maia de Loureiro - Crónica de um Dia

   mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Tal como os Intróito que ontem recordei Hugo Maia de Loureiro deu-se a conhecer ao público português em 1969 no programa da RTP "Zip-Zip", de igual modo participou nos Festivais da RTP da Canção de 1970 e 1971 respectivamente com as canções "Canção de Madrugar" e "Crónica de um Dia", a primeira, uma canção absolutamente excepcional, ficaria injustamente classificada em 2º lugar, quanto a "Crónica de um Dia", uma canção menos bem conseguida, com letra de Fernando Guerra e música do próprio alcançaria somente o 4º lugar.

A sua última gravação é de 1973 com o álbum "Gesta" mas já no ano de 1977 participa no então bem conhecido programa da RTP "A Visita da Cornélia" tendo saído vencedor do concurso que o programa promovia.




Também "Crónica de um Dia" via a sua letra publicada na revista "mundo da canção" no seu nº 15 e é ela que hoje fica para recordação em mais este Regresso ao Passado.



Hugo Maia de Loureiro - Crónica de um Dia

domingo, 23 de janeiro de 2022

Intróito - Palavras Abertas

  mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Intróito foi um agrupamento vocal existente no período de 1969 a 1975, era constituído por 4 elementos a partir do Orfeão da Universidade Técnica de Lisboa e deram-se a revelar no programa televisivo "Zip-Zip" (1969) e no ano seguinte no "Curto-Circuito".

Em 1970 participam no Festival da RTP da Canção com a canção "Verdes Trigais" e no ano de 1971 a ele voltam, agora com a canção "Palavras Abertas" ficando-se pelo 5º lugar. 

Fizeram parte do movimento musical de contestação do regime tendo participado a 29 de Março de 1974, já muito próximo do fim da ditadura, no que ficou famoso I Encontro da Canção Portuguesa promovido pela Casa da Imprensa no Coliseu de Lisboa ao lado de nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, José Jorge Letria, Fausto e Vitorino.




A letra de "Palavras Abertas" da autoria de Ary dos Santos vinha publicada no nº 15 da revista "mundo da canção" sendo a música de Nuno Gomes dos Santos um dos elementos do grupo e é o pretexto para voltarmos aos Intróito.



Intróito - Palavras Abertas

sábado, 22 de janeiro de 2022

Fausto - Quando Eu Morrer um Dia

 mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Acompanhei desde muito cedo a carreira de Fausto, lembro-me bem de "Chora, Amigo, Chora" ainda do ano de 1969 bem como primeiro LP publicado no ano seguinte, um disco esquecido e parece que mesmo menos considerado pelo próprio Fausto.

Havia pelo menos um programa que o divulgava e é donde me lembro de o ouvir, era o programa de rádio "Página Um" que ia para o ar às 19h30m na Rádio Renascença e era uma referência na divulgação do que mais recente então se fazia. O programa atribuiu-lhe mesmo o Prémio Revelação pelo EP que publicou em 1969.




Do primeiro LP ficaram-me bem na memória dois temas, "Ó Pastor que Choras" e "Quando Eu Morrer um Dia". A letra deste último vinha publicada no nº 15 da revista "mundo da canção", talvez mais uma razão para dele me recordar bem e agora a ele voltar.



Fausto - Quando Eu Morrer um Dia

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

José Barata Moura - Olha a Bola, Manel

mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971

Continuo a folhear o nº 15 da revista "mundo da canção" em busca de novidades da música popular portuguesa.

Passo pela letra da canção "Chico Triste" do cantor Fernando Manuel Laranjeira que pertencia ao EP "Retalhos de Verdade" e cuja música não consegui, infelizmente, arranjar. Sigo em frente, a paragem seguinte é num texto de Tito Lívio sobre o disco EP de José Barata Moura onde constavam as canções "Olha a Bola, Manel", "Cantiga ao Desafio", "O Banho de Dom Beltrão de Furdigongas" e "Canção da Roda".




Era o primeiro disco que José Barata Moura publicava com canções para crianças, ou melhor dizendo, como sugere o texto, "um disco de canções... feito com as crianças", um trabalho que iria culminar, anos mais tarde. com o bem conhecido "Fungagá da Bicharada".

De um tempo em que as gravações de canções infantis era quase inexistente recorda-se "Olha a Bola, Manel".



José Barata Moura - Olha a Bola, Manel

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Duarte Mendes - Adolescente

   mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Na ressaca do VIII Festival RTP da Canção a revista "mundo da canção" publicava as letras de algumas das canções que concorreram àquele certame. Entre elas constava "Adolescente" com letra de Ivette Centeno e música de Luís Tinoco e que teve a interpretá-la a bonita voz de Duarte Mendes quedando-se, no entanto, por um modesto 8º lugar.




Duarte Mendes tinha aqui a sua segunda participação no Festival tendo ainda concorrido nos anos de 1972, 1973 e 1975 saindo vencedor na última edição com a canção "Madrugada" e abandonando de seguida a carreira musical.

Duarte Mendes, mais um renovador da música ligeira portuguesa, aqui com "Adolescente".



Duarte Mendes - Adolescente

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Paulo de Carvalho - Flor Sem Tempo

  mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Paulo de Carvalho encontrava-se no topo da música ligeira  ao tempo em que foi editado o nº 15 da revista "mundo da canção". Mais do que uma referência se encontra na revista a Paulo de Carvalho. Primeiro a propósito dos prémios da imprensa relativos a 1970 onde é distinguido com o Prémio de Interpretação "pelo seu trabalho de vocalização em «Corre Nina» e «A Casa da Praia»", depois a publicação da letra de "Flor Sem Tempo" canção que lhe tinha valido o 2º lugar no Festival da RTP da Canção de 1971 e finalmente num pequeno texto, "Opiniões", de José Nuno Martins sobre a escolha da canção a representar Portugal na Eurovisão.




Diz José Manuel Nunes (quem se lembra dele como apresentador do programa de rádio "Página Um"?): "O Paulo tem uma grande canção para Europa" que ao contestar a escolha do júri (Tonicha com "Menina") considera que "De qualquer forma, uma canção para a Europa dos nossos dias é a «Flor sem Tempo»".




Do tempo em que a música ligeira se esforçava por se libertar das amarras do nacional-cançonetismo, velho, caduco e reacionário.



Paulo de Carvalho - Flor Sem Tempo

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

José Manuel Osório - Quadras Populares

  mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Neste pequeno texto publicado na revista "mundo da canção" recorda-se os prémios da imprensa de música ligeira referentes ao ano de 1970. Os diversos prémios atribuídos eram bem indicadores dos ares de mudança que então se manifestavam no panorama musical português. Os nomes premiados eram bem reveladores dessa mudança, desde José Afonso a Rui Mingas passando por José Manuel Osório que ganhou o Prémio de Intérprete de Fado "pela originalidade do estilo e por procurar libertar o fado de temas passadistas".




José Manuel Osório (1947-2011), foi, entre outras actividades, um fadista que se notabilizou nos finais dos anos 60 e década de 70 ao procurar renovar o fado então comummente ligado ao regime e a temáticas retrógadas, com ligação ao PCP viu os seus discos e actuacões proibidos. Nos seus primeiros trabalhos encontram-se letras de Ary dos Santos, Manuel Alegre e António Aleixo. "Quadras Populares", deste poeta popular, fazia parte do EP "Fado" de 1970 e que antecedeu a atribuição do prémio acima indicado.



José Manuel Osório  - Quadras Populares

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

José Afonso - Carta a Miguel Djéje

 mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Nos Prémios da Imprensa da Música Ligeira de 1970 o Prémio Autor de Música e Letra foi para José Afonso "pela qualidade global do seu disco «Traz Outro Amigo Também»" conforme noticiava a revista "mundo da canção" no seu nº 15 em Fevereiro de 1971 e cujo texto reservo para amanhã.

"Traz Outro Amigo Também" foi um trabalho notável de José Afonso e marcante dos anos que antecederam o 25 de Abril de 1974. São dele canções tão importantes como "Canto Moço", "...obra exemplar, onde letra, música e interpretação constituem um todo perfeito e útil", o tema título, "Epígrafe Para a Arte de Furtar", "Os Eunucos (No Reino da Etiópia)", "Avenida de Angola"... bem, na realidade um ponto alto na discografia de José Afonso, o álbum em que José Afonso atinge a maturidade.




Deste álbum a revista "mundo da canção" publicava a letra de "Carta a Miguel Djéje" onde as influências africanas estão bem patentes. Um dos temas menos divulgados deste LP.



José Afonso - Carta a Miguel Djéje

domingo, 16 de janeiro de 2022

Padre Fanhais - Cantata da Paz

mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


Vamos então percorrer mais este nº da revista "mundo da canção" e recordar tempos em que a liberdade não existia, a censura controlava maior parte da imprensa audiovisual e escrita. Mesmo assim muitos houve que de alguma forma se levantaram e ousaram afrontar o regime. Entre eles estava a revista "mundo da canção" que à sua dimensão seu o seu contributo em abrir novos horizontes e dar voz a quem era ostracizado por boa parte da comunicação social.

Para hoje um artigo e uma canção. O artigo intitulava-se "Previsões Astrólogo-Cançonetistas para 1971" que de forma satírica gozava com a situação musical do país. Assim, por exemplo, o Festival de Newport por onde passaram Joan Baez, Judy Collins e Bob Dylan iria contar com a presença de Gina Maria, Tony de Matos e a Tonicha




Ou ainda que o programa "Serões para Trabalhadores" da Emissora Nacional iria contar com a presença de Francisco Fanhais, José Barata Moura e José Jorge Letria. Ah! Ah! Ah!






De Francisco Fanhais, na altura também conhecido por Padre Fanhais vinha publicada a letra de "Cantata da Paz". Fazia parte do álbum "Canções da Cidade Nova" que merecia, também neste nº do "mundo da canção", análise não favorável de Tito Lívio que considera "...que nada traz de notável ou razoável contributo à música portuguesa".







Com letra de Sophia de Mello Breyner, "Cantata da Paz" foi mais um hino de resistência ao fascismo. Como consequência da actividade do Padre Fanhais, este foi proibido de exercer o sacerdócio, de dar aulas e cantar. Francisco Fanhais parte para França onde se radicaliza politicamente tornando-se membro da LUAR.



Padre Fanhais - Cantata da Paz

sábado, 15 de janeiro de 2022

Fernando Tordo - Cavalo à Solta

 mundo da canção nº 15 de Fevereiro de 1971


O panorama da música popular portuguesa em 1971 era pobre pese todo o esforço de renovação que se fazia sentir desde meados da década anterior e que iria sofrer significativo incremento exactamente no final de 1971. A prova dessa pobreza estava no Festival RTP da Canção que em 1971 ia na sua 8ª edição e que continua a ser a realização que monopolizava a atenção da população em geral e da imprensa especializada em particular. Veja-se o caso da revista "mundo da canção" de periocidade mensal que nos nºs de Janeiro e Fevereiro ocupa os seus editoriais com o referido certame e cujas capas são ocupadas com dois dos concorrentes. Desta vez era Fernando Tordo a merecer honras de capa.






O Editorial evidencia a opinião da revista ao considerar que o que melhorou no Festival foi a qualidade dos poemas das canções em grande parte devido a Ary dos Santos que assinava a letra de três das nova canções a concurso, entre as quais a da canção vencedora "Menina" interpretada pela Tonicha, "Uma canção feita de encomenda para o público."




Outra foi a letra de "Cavalo à Solta" interpretada pelo Fernando Tordo e que era, conjuntamente com outras, reproduzida no interior.

É com "Cavalo à Solta" que ficamos mais uma vez, nunca é de mais e dou assim início à recordação de mais um nº da revista "mundo da canção, era o seu nº 15.



Fernando Tordo - Cavalo à Solta

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Old Jerusalem - Youth and Grandeur

   Algumas memórias de 2021


Ou é impressão minha ou 2021 não foi um ano particularmente interessante para a música popular feita em Portugal? Ou não estará a ser divulgada da melhor maneira. Uma coisa é certa ouvi, infelizmente, pouca música portuguesa no ano passado, à qual procuro dar, na medida do possível, a melhor atenção.

O anos 60 e 70 estão muito, muito longe e nenhum dos "sobreviventes" desse tempo se mostraram, que eu me tenha apercebido, activos sobre o ponto de vista de efectuarem novas gravações. Assim, é em novas gerações, algumas não tão jovens quanto isso, que recordo o ano passado.

Consultei algumas listagens de melhores álbuns portugueses de 2021 e alguns dos que ouvi estavam lá outros não. No fim escolhi alguns que me parecem ter qualidade e a merecerem a respectiva audição, ei-los:

Camané - Horas Vazias
Salvador Sobral - bpm
Bruno Pernadas - Private Reasons
Rodrigo Leão - A Estranha Beleza da Vida
Moullinex - Requiem for Empathy
António Zambujo - Voz e Violão
Minta & The Brook Trout
Old Jerusalem - Certain Rivers
Sensible Soccers - Manoel
Sean Riley & The Slowriders - Life

(Mas o destaque maior de 2021 vai para a reedição dos álbuns "Cantares do Andarilho", "Contos Velhos Rumos Novos e "Traz Outro Amigo Também" de José Afonso)


https://www.fnac.pt/


A proposta de audição que faço não significa que seja aquele que considero o melhor disco de 2021, mas simplesmente porque é um nome que há quase 2 décadas faz discos Folk cuja qualidade justifica que fosse muito mais divulgado. Old Jerusalem é a designação que dá nome ao projecto musical de Francisco Silva, músico do Porto que em 2021 editou, pelas minhas contas o seu 8º álbum de originais, "Certain Rivers". 

Dele fica "Youth and Grandeur". Espero que gostem.





Old Jerusalem - Youth and Grandeur

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

The Beatles - The Long And Winding Road (Glyn Johns Mix)

  Algumas memórias de 2021


Logicamente muito mais haveria a recordar do ano que passou, mas fico por aqui e nas minhas escolhas internacionais deixei para o fim The Beatles, cujos arquivos parecem não ter fim.

Para começar de referir o documentário "The Beatles: Get Back" de quase 8 horas (resultado de mais de 60 horas de filmagens e 150 de áudio gravado) dividido em três episódios e disponíveis em Disney+ desde Novembro passado. É um regalo para a vista e para os ouvidos as horas passadas a ver este documentário realizado por Peter Jackson que nos relatam os ensaios durante 21 dias das sessões, conhecidas como "Get Back", ocorridas em Janeiro de 1969 e que tinham como propósito a gravação de um álbum, a realização no final de um concerto (que acabou por ser a actuação surpresa nos telhados do edifício da Apple onde gravavam) e um documentário.

Deste documentário retive, entre outras coisas, que Paul McCartney assume-se claramente como o líder dos The Beatles, John Lennon é o mais divertido dos quatro, George Harrison aparece como o mais recatado, introvertido e por vezes ignorado (a parecer que era o que mais desejava o fim dos The Beatles) e Ringo Starr para quem tudo parecia estar bem, o que lhe interessava era tocar bateria.

Destas sessões acabaria por sair o último álbum do grupo "Let It Be" publicado em 1970, embora antes ainda fosse editado em 1969, mas gravado depois, o álbum "Abbey Road".

"Let It Be: Special Edition" foi a caixa de 5 CD que foi contemplada em 2021 e que para além de nova mistura do álbum original contempla gravações do mesmo período do documentário que inicialmente referi nomeadamente aquele que era suposto ter sido o álbum "Get Back" com misturas de Glyn Johns e rejeitadas pelo grupo. A título de exemplo eis a versão de "The Long And Winding Road" que supostamente faria parte desse álbum.



The Beatles - The Long And Winding Road (Glyn Johns Mix)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

The Beach Boys - Tears in the Morning

 Algumas memórias de 2021


As compilações estão, parece-me a mim, definitivamente a conquistar o mercado discográfico. Pelo menos pelo que vou vendo são cada vez mais as edições, nos mais diversos formatos e para todas as bolsas, ou talvez só, melhor dizendo, para algumas, que ocorrem todos os anos. Em particular de grupos e artistas Pop-Rock que tiveram os seus tempos áureos nas décadas de 60 e 70, talvez explorando o mercado de pessoas com mais de 60 anos e para os quais a música daquelas décadas foi determinante na sua juventude.

Rivalizaram nos anos 60 e parece que o mesmo se passa agora com a escalpelização de tudo o que deixaram gravado e que agora é alvo de publicação, é dos The Beach Boys e The Beatles que estou a falar.

"Feel Flows: The Sunflower & Surf's Up Sessions 1969–1971" é mais uma das muitas compilações dos The Beach Boys que temos vindo a assistir a chegar ao mercado. Com vários formatos, a mais completa consta de 5 CD com a remasterização dos álbuns "Sunflower" (1970) e "Surf's Up" (1971) acrescentada de gravações ao vivo, faixas extra e gravações das sessões que deram origem àqueles álbuns.



https://www.discogs.com/

Para os fãs dos The Beach Boys, ou para quem queira descobri-los, são umas horas bem passadas que não se darão por perdidas. Para aguçar o apetite proponho "Tears in the Morning" fazia parte do álbum "Sunflower".



The Beach Boys - Tears in the Morning

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Joni Mitchell - The Dawntreader

 Algumas memórias de 2021


E eis Joni Mitchell! Em 2021 fez 50 anos a obra-prima que é "Blue", finalmente a ter um reconhecimento que na época não teve. "Blue" era o culminar de uma estrela em ascensão tornando-se numa das mais fascinantes autoras da música popular de sempre.

Actualmente com 78 anos, mantem-se em recuperação de um aneurisma cerebral ocorrido em 2015, e continua a ser alvo de homenagens pela sua carreira e contributo na música popular como o ocorrido em Dezembro passado quando recebeu o "Kennedy Center Honor".

Entretanto tem-se ocupado com a recuperação dos seus arquivos bem como a sua discografia original. Seguindo uma ordem cronológica, e depois da caixa "Joni Mitchell Archives – Vol. 1: The Early Years (1963–1967)" editada em 2020, eis que em 2021 tivemos primeiro a edição da caixa "The Reprise Albums (1968–1971)" com os primeiros 4 álbuns originais remasterizados, a saber:

– Song to a Seagull (1968)
– Clouds (1969)
– Ladies of the Canyon (1970)
– Blue (1971)


Edição alemã de 4 CD com as ref: R2 653984 / 603497844548



seguindo-se, já no final do ano, "Joni Mitchell Archives – Vol. 2: The Reprise Years (1968–1971) ou seja precisamente o mesmo período da caixa anterior mas agora com material inédito. Constituída por 5 Cd contem as seguintes preciosidades:

- CD1*:
Home Demo: Joni’s Home (Late 1967/Early 1968) - 4 faixas
Jane Lurie’s Apartment: Chelsea, Manhattan, New York City, NY (Late 1967/Early 1968) - 2 faixas
Home Demo: Joni’s Home (Late 1967/Early 1968) - 3 faixas
Song to a Seagull Session: Sunset Sound, Hollywood, CA (January 24, 1968) - 4 faixas
Jane Lurie’s Apartment: Chelsea, Manhattan, New York City, NY (Early 1968) - 2 faixas
Live at Canterbury House: Ann Arbor, MI (March 10, 1968) - 3 faixas

- CD2*:
Le Hibou Coffee House: Ottawa, Ontario, Canada (March 19, 1968) - 22 faixas
Studio Session, Western Recorders: Hollywood, CA (May 31, 1968) - 1 faixa
Jane Lurie’s Apartment: Chelsea, Manhattan, New York City, NY (Summer 1968) -3 faixas
Top Gear BBC Radio Broadcast: London, England (September 23, 1968) - 6 faixas

- CD3*:
Live at Carnegie Hall, New York City, NY (February 1, 1969) - 22 faixas

- CD4*:
Live at Carnegie Hall, New York City, NY (February 1, 1969) - 2 faixas
Clouds Sessions: A&M Studios, Hollywood, CA (Spring 1969) - 3 faixas
Jane Lurie’s Apartment: Chelsea, Manhattan, New York City, NY (Mid 1969) - 2 faixas
The Dick Cavett Show ABC TV Broadcast: New York City, NY (August 18, 1969) - 5 faixas
Ladies of the Canyon Demo Session: A&M Studios, Hollywood, CA (Late 1969) - 1 faixa
Live at Centennial Auditorium, Saskatoon, Saskatchewan, Canada (November 1, 1969) - 3 faixas
Ladies of the Canyon Sessions: A&M Studios, Hollywood, CA (January 30, 1970) - 1 faixa
Ladies of the Canyon Sessions: A&M Studios, Hollywood, CA (February 2, 1970) - 1 faixa
In Concert BBC TV Broadcast (September 3, 1970) - 1 faixa
Blue Demo Sessions: A&M Studios, Hollywood, CA (Summer1970) - 2 faixas
Greenpeace Benefit Concert for Amchitka (October 16, 1970) - 2 faixas

- CD5*:
In Concert BBC Radio Broadcast (October 29, 1970) - 23 faixas
Blue Sessions (late 1970) - 3 faixas

*algumas faixas correspondem a introduções.


Edição alemã de 5 CD com as ref: R2 653989 /603497844524



Bons motivos para umas horas bem passadas a ouvir os arquivos daquela que é, entre os vivos, a minha cantora preferida.
Destas gravações não posso deixar de referir a efectuada no clube Le Hibou em Ottawa pelo simples facto de terem sido efectuadas pelo improvável Jimi Hendrix. Do livro, que faz parte desta caixa, com a entrevista a Joni Mitchell transcrevo esse episódio:
"Thet came and told me, "Jimi Hendrix is here, and he's at the front door." I went to meet him. He had a large box. He said to me, "My name is Jimi Hendrix, I'm on the same label as you, Reprise Records." We were both signed about the same time. He said, "I'd like to record your show. Do you mind?" I said "No, not at all." There was a large reel-to-reel tape recorder in the box"..."

E a entrevista continua com o relato da noite no hotel onde estavam os dois hospedados, o desaparecimento, no dia seguinte, da gravação e o seu aparecimento mais de 50 anos depois.

Daquela noite proponho "The Dawntreader", pelos vistos a preferida de Jimi Hendrix.



Joni Mitchell - The Dawntreader

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

David Bowie - The London Boys

Algumas memórias de 2021


Anteontem faria 75 anos se fosse vivo e hoje faz 6 anos que ele nos deixou, era David Bowie. Na realidade não nos deixou de todo, por um lado porque a importância da sua música, quer a editada em vida quer a que nos vai sendo agora revelada, é tal que estou certo que irá perdurar nos tempos vindouros.

Como todos sabemos David Bowie era a um verdadeiro camaleão, não só no conjunto de personalidades que foi encarnando quer na diversidade musical que foi desenvolvendo. A sua obra que se prolongou por 6 décadas percorreu, na verdade, os mais diversos géneros, absorvendo não só as influências musicais vigentes como desenvolvendo-as, recriando-as a novos níveis. Tendo o Rock como base ele foi Pop, Folk, Blues, Hard, Avant-Garde, Ambiente e mais todos os sub-géneros que se queiram imaginar e ainda o Jazz ao qual não foi indiferente.

A década de 90 foi talvez a mais estranha, a menos acessível e a menos divulgada em toda a discografia de David Bowie, foram os anos em que predominaram a Electrónica, o Rock dito Industrial e Experimental também e onde nem o Drum'n'Bass faltou.

 Para uma completa abordagem ao legado sonoro que David Bowie nos deixou seria necessário conhecer em pormenor todas as 5 caixas que já foram publicadas e que cobrem no total os anos de 1969 a 2001 (faltam portanto ainda alguns anos da sua carreira) o que na realidade não conheço. A última caixa foi editada em 2021, é constituída por 11 CD e designou-se "Brilliant Adventure (1992–2001)". São 5 álbuns de originais remasterizados e muito mais, ei-los:

- CD1: "Black Tie White Noise"

- CD2: "The Buddha of Suburbia"

- CD3: "Outside"

- CD4: "Earthling"

- CD5: "Hours"

- CD6 e 7: "BBC Radio Theatre, London, June 27, 2000"

- CD8: "Toy"

- CD9, 10 e 11: "Re:Call 5



Edição do Reino Unido, 11 CD, com a ref: 0 190295 253479


Completa esta caixa ainda um livro com textos exclusivos e fotos raras e inéditas, a lamentar, pelo menos no meu caso, a falta de paginação do mesmo quando a ela são feitas referências.

"The London Boys" é uma canção original de David Bowie publicada pela primeira vez como lado B do Single "Rubber Band" em 1966, recriada por ele em 2000 para   o álbum "Toy" que não chegou a ver a luz do dia até ser incluído nesta "Brilliant Adventure (1992–2001)",



David Bowie - The London Boys

domingo, 9 de janeiro de 2022

Robert Plant & Alison Krauss - Quattro (World Drifts In)

Algumas memórias de 2021


Entre os bom regressos de 2021 encontra-se Robert Plant antigo vocalista dos Led Zeppelin.

Do início dos Led Zeppelin ao último disco editado, "Raise the Roof" (2021) em colaboração com  Alison Krauss vão mais de 50 anos e Robert Plant tem sido um bom exemplo de saber envelhecer, não só na utilização das suas capacidades vocais, como no estilo de composições que tem vindo a adoptar. Do Rock mais pesado ao Folk-Rock actual ao qual a sua voz se melhor adapta, também ninguém estaria por certo à espera que aos 73 anos Robert Plant tivesse a voz dos tempos dos Led Zeppelin (1968-1980).

"Raise the Roof" é o segundo trabalho em parceria com Alison Krauss, o primeiro "Raising Sand" data de 2007, e tal como no primeiro predominam as sonoridades Folk e Country com um cruzamento de vozes muito agradável.


https://www.discogs.com/

"Raising Sand" é composto por 13 canções sendo somente uma um original assinado por Robert Plant e T Bone Burnett, trata-se portanto de um trabalho de versões que vão desde o Country-Rock americano dos The Everly Brothers ao Folk britânico mais puro de Anne Briggs e Bert Jansch. Mas passa também pelos excelentes Calexico do álbum "Feast of Wire" de 2003 com a canção de abertura "Quattro (World Drifts In)". É ouvir e... pedir mais, que discos destes se repliquem por muitos anos.



Robert Plant & Alison Krauss - Quattro (World Drifts In)

sábado, 8 de janeiro de 2022

David Crosby - The Other Side of Midnight

  Algumas memórias de 2021


Se Neil Young foi desde sempre o mais produtivo do quarteto Crosby, Stills, Nash and Young que em 1970 recriaram o Folk-Rock norte-americano a um nível superior, David Crosby tem mostrado nestes últimos anos uma vitalidade, 7 álbuns entre 2014 e 2021, que se lhe desconhecia. Na memória estava somente esse álbum espantoso "If I Could Only Remember My Name" de 1971.

Pois é David Crosby está com 80 anos e parece estar a recuperar o tempo perdido com o álcool, drogas e outros problemas com a justiça. E á assim que em 2021 nos prenda com "For Free", um disco particularmente bem recebido pela crítica. Um álbum muito bem interpretado, com canções bem relaxantes, um sentimento reconfortante fica no final da audição.


https://www.discogs.com/


"The Other Side of Midnight" é um das 10 temas que compõem este álbum, o melhor trabalho de David Crosby de há muitos anos, que se prolongue por muitos mais...

David Crosby uma boa surpresa em 2021.





David Crosby - The Other Side of Midnight

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Neil Young - Only Love Can Break Your Heart

 Algumas memórias de 2021


Continuo com Neil Young. Sim a produção em 2021 de Neil Young justifica uma segunda passagem. Ontem foi o álbum de originais, "Barn", hoje é a vez de vermos o que é que Neil Young foi buscar aos seus arquivos e publicou.

Foram 3 os álbuns que foram editados a saber:

- "Way Down in the Rust Bucket" (Performance Series 11.5) 





Trata-se de uma gravação ao vivo de Novembro de 1990, do tempo, portanto, do aclamado "Ragged Glory". Acompanhado dos Crazy Horse "Way Down in the Rust Bucket" é para os fãs de Neil Young versão eléctrica mais um motivo de satisfação, sem dúvida um grande duplo CD a juntar-se a gravações como "Live Rust" e "Weld". Único senão que encontro é na duração das gravações que quase esgotam a capacidade permitida pelos CD o que provoca que o meu leitor encontre dificuldade em reconhecer e iniciar os CD, mas depois é o gozo total.


- "Young Shakespeare" (Performance Series 03.5)





Gravação ao vivo de Janeiro de 1971, três dias após "Live at Massey Hall 1971" (PS 03), é um concerto a solo e acústico no teatro Shakespeare em Stratford, Connecticut e transporta-nos para os tempos de "After The Gold Rush" aquele que considero, quase sempre, depende do estado de espirito, o melhor disco de Neil Young.

Finalmente:

- Carnegie Hall 1970 (Official Bootleg Series 01)

Mais um duplo CD, desta vez para os fãs de Neil Young acústico, que inaugura uma nova série (Official Bootleg Series) nos seus  arquivos. Como o nome indica a intenção é publicar concertos com uma qualidade sonora superior àquela que se verifica em edições contrabandeadas. Neste caso "Carnegie Hall 1970" Neil Young preferiu publicar o concerto realizado a 4 de Dezembro do que o que existia em circulação do dia 5 que considera inferior.

À data o álbum mais recente era "After The Gold Rush" e várias são as canções deste álbum que se podem encontrar neste duplo CD, por exemplo "Only Love Can Break Your Heart" com que termino este Regresso ao Passado.



Neil Young - Only Love Can Break Your Heart

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Neil Young - Welcome Back

Algumas memórias de 2021


Se bem que inicialmente a designação NYA (Neil Young Archives) fosse usada para a publicação de material antigo de Neil Young (concertos, álbuns que ficaram na gaveta, etc.) e não editado originando assim as colecções PS (Performance Series), OBS (Official Bootleg Series), SRS (Special Release Series), aquela estendeu-se à discografia oficial do músico tomando a designação ORS (Official Release Series) tendo o novo disco de Neil Young, "Barn", saído em 2021 tomado o nº 51 (ORS51).

Pese o contexto de pandemia em que vivemos, 2021 foi mais um ano de grande actividade para Neil Young que se traduziu num conjunto de novas edições tirados dos arquivos dos quais amanhã darei conta e ainda sobrou tempo para um disco novo, o referido "Barn" com o seu conjunto preferido os Crazy Horse.



Edição alemã em CD com a ref: 093624878438


Não fascina, mas de forma alguma desilude, e este regresso aos Crazy Horse, tal como o anterior "Colorado" (2019), parece revigorar a sua música e mostrar que, actualmente com 76 anos, é, de entre os da sua geração ainda no activo, aquele que mais e melhor nos tem a oferecer.

De "Barn" sobressaiu para mim o tema "Welcome Back" a ir directo para a galeria dos grandes temas de Neil Young, aguarda-se a sua performance ao vivo...



Neil Young - Welcome Back

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Richard Thompson - Widow's Walk

Algumas memórias de 2021


Richard Thompson tem sido uma companhia certa desde os longínquos anos 60 em que foi um dos  fundadores dessa verdadeira instituição britânica do Folk-Rock, os Fairport Convention.

É de 2018 o seu último verdadeiro e tão bem recebido novo álbum "13 Rivers". Depois foi a recuperação e edição de 2 álbuns ao vivo dos anos 80 respectivamente "Across A Crowded Room Live at Barrymore's 1985" e "Live at Rock City, Nottingham, November 86", ainda a banda sonora do filme "The Cold Blue" e, entretanto, chega a famigerada pandemia. Em 2020 assistimos à publicação da excelente caixa de 8 CD "Hard Luck Stories (1972 - 1982)" e ainda 6 novas canções editadas então exclusivamente em formato digital com a aquisição a ser possível a partir de https://richardthompson.bandcamp.com/.




2021 começa com a edição também em formato digital do concerto efectuado em streaming em Londres, "Live from London", seguir-se-ia mais 6 novas canções ainda em formato digital.




Finalmente a edição física em CD de "Bloody Noses" e  "Serpent's Tears" mas somente disponível na página de Richard Thompson (https://www.richardthompson-music.com/).


Edição Beeswing com ref: 8 60003 61752 6


12 boas composições mas a saber a pouco que é como quem diz fica a sensação destas canções necessitarem de um outro desenvolvimento em estúdio com arranjos mais arrojados como quando grava com grupo. Note-se as potencialidades que uma canção como "Widow's Walk" tem.

Fica-se a aguardar o verdadeiro sucessor de "13 Rivers" e já agora uma questão, quando é que começam a fazer capas bem melhores e condizentes com o estatuto de Richard Thompson?



Richard Thompson - Widow's Walk

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Van Morrison - Only a Song

 Algumas memórias de 2021


No ano de 2021 a gravações dos sobreviventes dos anos 60 deixaram de constar entre as melhores do ano pelo menos nas listas que fui consultando. Parece que estão definitivamente postos de lado, no entanto olhando para algumas dessa gravações parece-me que deviam ter tido melhor atenção por parte de quem elabora as ditas listas. É verdade que nalguns casos é difícil voltarem a igualar as suas melhores produções de tão longas carreiras, mas mesmo assim ainda fico agarrado e surpreso pela jovialidade de alguns deles.

Vejamos alguns desses artistas e as suas realizações em 2021. Começo com Van Morrison.

Definitivamente Van Morrison é um dos melhores autores que a música popular conheceu. É verdade que já não faz álbuns encantadores como "Astral Weeks" (1968) e "Moondance" (1970) e ainda por cima a sua recente polémica opinião sobre as restrições na luta contra a pandemia e as decepcionantes canções que lançou em 2020 não ajudam, mas temos de reconhecer as qualidades interpretativas que Van Morrison aos 76 anos continua a revelar.




Duplo CD, edição alemã com a ref: 538666260


E em 2021 surpreendeu com mais um álbum novo e logo duplo, como quem diz estou aqui para dar e durar e ainda tenho muito a dar à musica popular. "Latest Record Project, Volume 1", o nome do novo disco assim o sugere ficando-se à espera de novos volumes...

É no entanto um disco irregular, com altos e baixos, e que não iguala mesmo alguns dos seus discos recentes como "Keep Me Singing" (2016) e "Three Chords & the Truth" (2019). De realçar a excelente voz que Van Morrison continua a evidenciar e o conjunto de músicos de que se faz acompanhar com particular relevo para Richard Dunn no órgão Hammond que é verdadeiramente surpreendente.

Para ouvir segue a agradável "Only a Song".





Van Morrison - Only a Song

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Tindersticks - Lady with the Braid

Algumas memórias de 2021


Uns gosto, outros não e para outros ainda a minha indiferença, foram as minhas reacções a álbuns que fui ouvindo ao longo do ano alguns dos quais aparecem agora nas listas internacionais dos melhores do ano. Mas genericamente continuo a não me sentir empolgado com as propostas que vão surgindo e talvez pela idade refugio-me no porto seguro de alguns veteranos resistentes dos anos 60 e 70 que me deslumbraram na juventude.

De qualquer forma eis uma lista que proponho para audição e que reúne algumas das propostas que nos são feitas como sendo das mais significativas do ano de 2021. É ouvir e fazer a devida selecção:

 - Tindersticks - Distractions
- Shame - Drunk Tank Pink
- Celeste - Not Your Muse
- The Weather Station - Ignorance
- James Yorkston & The Second Hand Orchestra - The Wide, Wide River
- Smerz - Believer
- Lael Neale - Acquainted With Night
- Nick Cave & WarrenEllis - Carnage
- St. Vincent - Daddy's Home
- Wolf Alice - Blue Weekend
- Matt Sweeney & Bonnie Prince Billy - Superwolves
- LucyDacus - Home Video
- Billie Eilish - Happier Than Ever
- Idles - Crawler
- Low - Hey What
 


A minha proposta de audição vai para os Tindersticks e é digamos paradoxal, por um lado é o álbum menos interessante do grupo, por outro, onde é que li isto?, mesmo assim consegue ser melhor do que a maior parte das propostas que nos são sugeridas.


Edição 2021 em CD com as refs: Lucky Dog 27 / Slang50349


"Distractions" é o 13º álbum de estúdio dos Tindersticks que me têm feito companhia há quase 30 anos e que se tornaram no grupo que eu mais vezes vi ao vivo. "Distractions" surgiu no meio da pandemia e talvez isso justifique ter ficado aquém das expectativas que qualquer novo álbum do grupo tem. Composto por 7 composições, com somente 4 originais o que sabe a pouco e ainda por cima com uma faixa inicial de 11 minutos, "Man Alone (Can't Stop the Fadin')", que ainda não conseguiu conquistar-me e 3 versões sendo nestas que encontro a minha faixa preferida. "Lady with the Braid", que os Tindersticks, ou diria Stuart A. Staples?, foram buscar a Dory Previn (1925-2012) de 1971, é a faixa que me enche as medidas.

Espera-se com ansiedade a vinda dos Tindersticks no próximo mês de Maio na comemoração dos 30 anos do grupo, para já fiquem com "Lady with the Braid".



Tindersticks - Lady with the Braid