Ao Rock o que é do Rock, ao Folk o que é do Folk? Não, sempre apreciei a
mistura de géneros e sempre me tenho mantido fiel ao Folk-Rock, expressão tão
rica e popular da melhor música praticada nas últimas décadas.
E músicos Folk a interpretarem canções de grupos Rock? Nem sempre
resulta bem mas não me posso esquecer de algumas interpretações, como por
exemplo da June Tabor, Norma Waterson, Richard Thompson, para dizer que sim
quando é feito por quem sabe.
The Cure é um grupo de Rock revelada no final dos anos 70 e com grande sucesso
na década de 80. São claramente mais uma banda pós Punk, tendo em Robert Smith
a sua figura carismática, representativos de um rock alternativo com forte
adesão na juventude da época. Com boa parte dos sucessos centrados nos anos 80
a canção hoje em causa é deles pertença e fazia parte do álbum "Wish" de 1992,
a canção é "Friday I'm In Love".
https://www.discogs.com/
Kate Rusby é uma cantora, compositora surgida nos anos 90 e que se tem
revelado como uma das mais interessantes propostas do Folk inglês. O seu
último álbum, "Hand Me Down", data de 2020 e é constituído por versões de
canções que vão de James Taylor aos ditos The Cure, precisamente com "Friday
I'm In Love".
Particularmente, gosto desta versão bem aveludada pela voz ternurenta de Kate Rusby. Gostam, não gostam? digam de vossa justiça.
Chego assim ao fim destas recordações para memória futura do ano de 2020 e
termino com o melhor, e o melhor é
Sérgio Godinho.
São cada vez menos os cantores portugueses da geração de 60 que se mantêm no
activo, alguns deles já não estão entre nós casos de
José Mário Branco
e ainda este mês de
Carlos do Carmo, é assim que recebo com a maior satisfação notícias de novos discos de
alguém que me traz a melhores recordações da minha juventude e ainda por cima
com a qualidade como o último registo de
Sérgio Godinho.
No meio da pandemia
Sérgio Godinho
escreve "Novo Normal" uma canção bem ao seu estilo com uma letra inteligente e
bem escrita, sem conceder ao facilitismo, como é seu hábito, outros deviam
apender com esta canção,
Van Morrison
é um deles (com as piores canções de 2020 para a revista Variety Magazine).
Edição Universal em CD com a ref: 3539584
O melhor chegaria no final do ano de 2020 com a edição em CD do concerto
efectuado com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e os habituais Assessores em
2018 no Teatro São Luiz em Lisboa. Pela primeira vez ele é acompanhado por um
orquestra, e de que maneira, dando nova vida a um conjunto de canções
verdadeiramente intemporais. É para mim o melhor disco português de 2020. E
fiquei com o seguinte pensamento "Que tal um disco com canções novas com o
suporte de orquestra?, e a resposta "boa ideia".
O disco começa com "Noite e Dia" do então mais recente álbum "Nação Valente"
(2018) e começa bem, ora ouçam.
Últimas recordações de 2020 para a música popular portuguesa, aquela que terei
menos ouvido no ano que passou. Defeito meu?, falta de divulgação?, menos
produção devido à pandemia?, eventualmente um pouco de tudo.
Foram muito poucos os discos que de alguma forma me tenham chamado a atenção,
mesmo assim eis alguns que marcaram este ano tão atípico.
- Três Tristes Tigres - Mínima Luz - Clã - Véspera - Capicua
- Madrepérola - B Fachada - Rapazes e Raposas
- Samuel Úria - Canções do Pós-Guerra
Duas bandas já históricas, por coincidência com início em 1992, marcaram
presença em 2020, Três Tristes Tigres e Clã, as duas com duas vozes
femininas do melhor Pop-Rock nacional, Ana Deus e Manuela Azevedo
respectivamente.
A rapper portuguesa Capicua regressa com "Madrepérola". Um género que
não aprecio mas que ela torna agradável.
B Fachada e Samuel Úria representantes do novo Pop nacional das duas últimas
décadas, os dois oriundos do movimento do início século com origem na
editora discográfica independente FlorCaveira, continuam a profícua produção
musical. Em 2020 cumprem mas não impressionam.
Com letra de Sérgio Godinho e música de Hélder Gonçalves "Tudo no Amor" da
banda portuense Clã representa o que de melhor se fez na música por cá
editada em 2020. Pertence ao álbum "Véspera", o melhor que encontro no meio
de tanta mediocridade que por aí anda.
As edições de Shirley Collins com 85 anos e Bob Dylan com 79 são as minhas
preferências do ano de 2020.
Bob Dylan é, como nos anos 60, um caso à parte na música popular. A virtude
não está com o facto de com 79 anos de idade continuar no activo, há muitos
que o fazem, é a qualidade única que ele ainda continua a demonstrar passados
quase 60 anos das suas primeiras gravações. É dos poucos da geração de 60,
quem mais?, que continua a colocar os seus discos no Top Ten de boa parte das
listas elaboradas com os melhores do ano. Não é todos os dias que nasce um
talento como Bob Dylan,
"Rough and Rowdy Ways" aí está para atestar o que disse. Depois de 8 anos sem
gravações originais, em "Shadows in the Night" (2015), "Fallen Angels" (2016)
e "Triplicate" (2017) revisitou clássicos, em 2020 voltou em grande aos
originais num disco muito, muito bom. Para mim o melhor do ano.
A dar continuidade às minhas preferências dos anos anteriores que foram:
Edição em duplo CD de 2020 pela Columbia com a ref: 19439780982
Não é difícil colocar "Rough and Rowdy Ways" entre os melhores que Bob Dylan
gravou nos anos 60 e 70 tornando-se rapidamente um dos seus clássicos. O
álbum é composto por 9 canções no primeiro CD e um segundo CD com "Murder
Most Foul", a canção mais longa que Bob Dylan escreveu, mais de 16 minutos,
uma fotografia do declínio da América pós assassinato de John Kennedy. Uma
das minhas preferidas é "I've Made Up My Mind To Give Myself To You" uma
bela balada de amor para se ouvir de seguida.
I'm sitting on my terrace, lost in the stars Listening to the sounds of
the sad guitars Been thinking it all over and I've thought it all
through
I've made up my mind to give myself to you...
Bob Dylan - I've Made Up My Mind To Give Myself To You
Se em 1970 me dissessem que passados 50 anos os meu discos preferidos desse
ano iriam ser de artistas que eram então já com carreiras firmadas
dificilmente iria acreditar, mas o que é certo é que esta suposição é bem
verdadeira. Dois discos houve em 2020 que ficaram no topo das minhas escolhas.
A primeira das quais vai para uma senhora com a provecta idade de 85 anos, é
ela Shirley Collins, o disco chama-se "Heart's Ease" e foi genericamente bem
recebido pela crítica.
Em 1970 ela já tinha 35 anos e eu ainda não a conhecia mas começava a apreciar
o Folk-Rock britânico com Sandy Denny à cabeça. Não foi pois difícil de gostar
de Shirley Collins quando mais tarde tomei conhecimento com a sua música,
desde o seminal "Folk Roots, New Routes" (1964) com Davy Graham até à
sua maior aproximação ao Rock em "No Roses" (1971) com The Albion Country Band. Em 2016 regressou às gravações, com o magnífico Lodestar", após um
retiro de 38 anos devido a um distúrbio vocal nunca bem entendido.
Edição em CD de 2020 da editora Domino com a ref: WIGCD454
Deste novo álbum escolhi a canção "Barbara Allen", uma balada escocesa do
século XVII e que Shirley Collins já tinha gravado por duas vezes (em "Sweet
England" (1959) e "The Power of the True Love Knot" (1968)). Desta vez,
segundo ela própria, terá decidido gravá-la depois de ter revisto o filme
"Scrooge" (1951), segundo o livro "A Christmas Carol" de Charles Dickens, onde
a canção pode ser ouvida, da maneira que ela aprendeu na escola, no final do
filme na cena em que o arrependido Scrooge visita o sobrinho.
Se ontem referi "Hard Luck Stories 1972-1982" de Richard and Linda Thompson
como uma das grandes compilações de 2020, para hoje outra caixa que não lhe
fica atrás "Archives - Volume I The Early Years (1963-1967)" da Joni Mitchell.
Se no primeiro estavam incluídos os 6 álbuns originais do duo o que tanto pode
ser considerado uma vantagem como desvantagem, no segundo a lógica é bem
diferente: o período que é coberto de 1963 a 1967 é anterior ao seu primeiro
LP de estúdio "Song to a Seagull" publicado em 1968 ou seja nada nesta caixa
estava previamente editado em discos originais.
A caixa, bem melhor concebida que a de Richard e Linda Thompson, é constituída
por 5 CD e um livreto de 40 páginas com fotos e uma entrevista a Joni Mitchell.
A caixa contém gravações ao vivo, demos caseiros entre as quais 29 composições
nunca antes realizadas. Atendendo às condições de gravação, a qualidade sonora
surpreendeu-me e é bastante boa, mesmo assim algumas faixas não escondem a
forma como foram gravadas e seriam, menos para os fãs, dispensáveis.
As primeiras gravações são de 1963 tinha Joni Mitchell 20 anos e
encontravam-se numa fita etiquetada "Joan Anderson audition tapes",
correspondiam a gravações efectuadas por um disc-jockey de uma estação de
rádio em Saskatoon, Canada, e o nome era ainda o de nascimento. A primeira
canção que é dado ouvir é a bem conhecida "House Of The Rising Sun" e que
sugiro para audição.
Sugestão: ouvir Joni Mitchell e estes seus arquivos no silêncio da noite.
Não se limitou ao EP "Bloody Noses" (ver Regresso ao Passado de ontem) as
novidades vindas de Richard Thompson em 2020. A primeira surgiu logo em Março
com a edição em duplo CD de um concerto de 1986, "Live at Rock City,
Nottingham, November 86". Originalmente gravado para transmissão radiofónica
foi no ano passado publicado em CD e ainda bem pois a qualidade do som supera
as expectativas. Richard Thompson a demonstrar as suas capacidades a tocar
guitarra, complexidade e fantasia são atributos do meu guitarrista preferido,
acompanhado por um conjunto de músicos de luxo num concerto centrado nos
álbuns "Hand Of Kindness" (1983), "Across A Crowded Room" (1985) e "Daring
Adventures" (1986) ou seja os três primeiros álbuns após a separação de Linda Thompson.
O melhor ainda estava para vir, em Setembro é publicada a caixa "Hard Luck
Stories 1972-1982", 8 CD e um livro de 72 páginas, correspondente ao período
com a sua então companheira Linda Thompson. A edição contempla um total de 113
faixas, onde estão incluídos os 6 álbuns originais por eles gravados, das
quais 30 são foram editadas previamente. Os 8 CD são os seguintes:
- 1 - Sometimes It Happens (1972-1973)
Após saída dos Fairport Convention, algumas gravações do colectivo The Bunch ,
alguns demos, passagem pelo primeiro álbum a solo de Richard Thompson "Henry
The Human Fly", ao que parece o disco menos vendido de sempre da Warner Bros Records, e duas
faixas ao vivo completam este primeiro CD.
- 2 - I Want To See The Bright Lights Tonight
Primeiro álbum de Richard and Linda Thompson editado em 1974, acrescido de 5
faixas, 4 ainda não editadas e uma versão ao vivo de "The Great Valério".
- 3 - Hokey Pokey
Segundo álbum de Richard and Linda Thompson editado em 1974, acrescido de duas
faixas, versão ao vivo de "Hokey Pokey" e versão alternativa para "A Heart
Needs a Home".
- 4 - Pour Down Like Silver
Terceiro álbum de Richard and Linda Thompson editado em 1975, acrescido de 6
faixas, 3 previamente não editadas e 3 ao vivo em Oxford Polytechnic em
Novembro de 1975.
- 5 - The Madness of Love (Live 1975 & 1977)
11 faixas ao vivo previamente não editadas
- 6 - First Light
Quarto álbum de Richard and Linda Thompson editado em 1978, acrescido de 6
faixas, trata-se de demos 5 dos quais previamente não editados.
- 7 - Sunnyvista
Quinto álbum de Richard and Linda Thompson editado em 1979, acrescido de 7
faixas, 1 lado B do Single "Civilisation", 3 demos previamente não editados e
3 versões com arranjos de Gerry Rafferty.
- 8 - Shoot Out The Lights
Sexto e último álbum de Richard and Linda Thompson editado em 1982, acrescido de 6
faixas, 1 lado B do Single "Don't Renege On Our Love", 3 novas versões e 2 ao
vivo.
Quem tiver a discografia original é questionável a necessidade desta caixa,
quem não tiver e for de alguma forma admirador de Richard and Linda Thompson
então esta colecção é indispensável, com um senão a edição limitada que teve e
os problemas associados. Resumindo, encomendei "Hard Luck Stories 1972-1982"
antes da data da sua saída, quando foi editada começaram a ser publicadas
queixas da má qualidade dos CD, alguns CD inaudíveis e a dificuldade ou
impossibilidade de ripar para PC. Logo receei pelo pior até ter chegado o meu
exemplar que "felizmente" só apresentava problemas na última faixa do CD 5.
Como tantos outros reclamei para a Universal, em resposta reconheceram o
problema que tiveram com o empacotamento dos CD e pediam para enviar
confirmação da compra que substituiriam os CD com problemas e ainda enviariam
código para download de todo o conteúdo da caixa. Até hoje não enviaram nada
mas sorte a minha que lembrei-me de limpar com um pano o CD com problemas e ao
fim de várias tentativas consegui que o problema desaparecesse.
Portanto cuidado para quem quiser adquirir esta caixa, não só o preço
disparou face à escassez da edição como há a probabilidade de existirem
problemas com os CD. Entretanto, na net, há notícias de quem, em seu devido
tempo, tenha recebido os CD de substituição bem como o código para download.
Com o meu problema resolvido considero "Hard Luck Stories 1972-1982" uma das
melhores compilações que o ano de 2020 conheceu, de outra grande compilação
darei amanhã conhecimento.
Proponho para audição um demo de uma canção não publicada em nenhum álbum de
originais trata-se "The World Is A Wonderful Place" (ficará ainda melhor sem esta maldita pandemia) gravada em 1972.
Richard and Linda Thompson - The World Is A Wonderful Place
Estava previsto para 15 de Agosto de 2020 voltar a ver Richard Thompson em
dose dupla, primeiro a solo e depois com a sua banda de origem os Fairport Convention onde iriam comemorar os 50 anos da realização de "Full House"
tocando-o na íntegra. A pandemia deitou tudo por terra, ficando a esperança
para 2021, pelo menos já está feito o agendamento com validade dos mesmos
bilhete, do mesmo programa. A ver vamos, mas estou descrente.
2020 soube a pouco, mas valeram os mini-concertos caseiros em streaming que
efectuou a partir de Montclair, New Jersey, eis aqueles a que assisti:
- 29 de Março:
Interpretou a seguintes canções
I Misunderstood If I Could Live My Life Again Now Be Thankful Walking
the Long Miles Home As Soon as You Hear the Bell O Cinderella Down
Where the Drunkards Roll Keep Your Distance c The Rattle Within (com
Zara Phillips) She Never Could Resist a Winding Road (com Zara
Phillips) Jet Plane in a Rocking Chair (com Zara Phillips) I Want to
See the Bright Lights Tonight (com Zara Phillips)
Pela primeira vez cantou "As Soon as You Hear the Bell".
- 19 de Abril:
Interpretou as seguintes canções
Bathsheba Smiles
Angel From Montgomery
Walking on a Wire
Beeswing
Sloth
Turning of the Tide
Persuasion
The Storm Won't Come (com Zara Phillips)
Dry My Tears and Move On (com Zara Phillips)
Wall of Death (com Zara Phillips)
My Enemy (com Zara Phillips)
When the Saints Rise Out of Their Graves (com Zara Phillips)
Infelizmente a qualidade do som deste concerto foi fraca.
- 10 de Maio:
Interpretou as seguintes canções
Gethsemane
Withered and Died
If I Could Live My Life Again
The Rattle Within (com Zara Phillips)
Survivor (com Zara Phillips)
The Storm Won't Come (com Zara Phillips)
Wall of Death (com Zara Phillips)
When the Saints Rise Out of Their Graves (com Zara Phillips)
Apesar de ter sido gravado em casa tratou-se do seu contributo face às
dificuldades sentidas pelo Royal Albert Hall durante a pandemia. Ouvi pela
primeira vez "If I Could Live My Life Again" e " Survivor".
- 25 de Maio
The Sun Never Shines on the Poor
Sloth
Stony Ground
Keep Your Distance (com Zara Phillips)
She Never Could Resist a Winding Road (com Zara Phillips)
I Want to See the Bright Lights Tonight (com Zara Phillips)
Participação no Folk On Foot Front Room Festival 2.
- 31 de Maio:
Interpretou as seguintes canções
Sam Jones
The Poor Ditching Boy
Sunset Song
Doctor of Physick
Devonside
The End of the Rainbow
Old Thames Side
Hand of Kindness (com Zara Phillips)
Guns Are the Tongues (com Zara Phillips)
Razor Dance (com Zara Phillips)
Poppy-Red (com Zara Phillips)
She Twists the Knife Again (com Zara Phillips)
- 5 de Julho:
Interpretou as seguintes canções
As Soon as You Hear the Bell
She's A Hard Girl To Know
If I Could Live My Life Again
The Fortress (com Zara Phillips)
Survivor (com Zara Phillips)
What's Up With You? (com Zara Phillips)
Lucky in Life, Unlucky in Love (com Zara Phillips)
When the Saints Rise Out of Their Graves (com Zara Phillips)
Richard Thompson toca bandolim em "Lucky in Life, Unlucky in Love"
Serviu este concerto caseiro para promover a edição do EP "Bloody Noses" com
edição exclusivamente digital composto pelas primeiras 6 canções que
interpretou. Tocou ainda mais dois temas "Lucky in Life, Unlucky in Love" somente disponível na caixa de 2006
"RT - The life and music of Richard Thompson" tocada ao vivo no Folk City em
Nova Iorque em 1982 e "When the Saints Rise Out of Their Graves" que ele explicou estar prevista
ser incluída em próximo álbum com a sua banda. Boa ideia seria retomar
os 6 temas deste EP e desenvolvê-los num próximo disco com suporte físico,
mesmo assim, tendo em consideração a gravação lo-fi, mostram que Richard Thompson está em excelente forma e foi do melhor que ouvi neste
ano.
- 19 de Julho
Integrado no Folk by the Oak’s Family Nest Fest não tirei as canções que
tocou, lembro-me de "Genesis Hall".
2020 um ano com forte presença de Richard Thompson nos meus dias. Amanhã
continuo.
Para hoje de "Bloody Noses", "As Soon as You Hear the Bell", uma das melhores
canções do ano findo, para aquisição em http://bandcamp.com.
Quando em 2017 vi Judy Dyble ao vivo, e tive a oportunidade que ela me
assinasse alguns discos querendo ela saber ao certo como se escrevia o meu
nome, estava longe de imaginar que neste fatídico ano de 2020 ela nos iria
deixar em sequência de doença oncológica.
Nesse dia actuou por duas vezes, primeiro a solo com o acompanhamento da Band
of Perfect Strangers e depois integrada nos Fairport Convention onde lembraram
o início do grupo em 1967. Não faltou mesmo estar a tricotar em palco à
semelhança do que fazia nos remotos dias dos anos 60 então em protesto pela
sua pouca utilização.
No ano anterior (2016) tinha actuado em Cambridge na St. Barnabas Church
resultando daí a gravação de "Weavings of a Silver Magic" uma pequena
maravilha editada em CD em 2020 (ainda antes de falecer). Altamente
recomendado.
Edição do Reino Unido em CD com a ref: CZ00022
O último projecto de Judy Dyble, Dyble Longdon, resulta de uma colaboração
com David Longdon do grupo de Rock progressivo Big Big Train,
"Between A Breath And A Breath", foi publicado em Setembro de 2020 e rapidamente
colocou-se entre as minhas preferências do ano findo. Letra de Judy Dyble e
música de David Longdon, um disco que me transporta para o Folk Progressivo do
final dos anos 60, a lembrar os pré King Crimson de Giles, Giles and
Fripp onde Judy Dyble marcou presença.
Edição do Reino Unido em CD com a ref: EERCD0026
Como o anterior, altamente recomendável. Para abrir o apetite fica o tema
título "Between A Breath And A Breath".
Há semelhança do ano passado justificação para incluir este consagrado Rocker
entre as escolhas de 2020.
Bruce Springsteen volta com mais um álbum que mereceu mais uma vez a
apreciação positiva de maior parte da critica. Bruce Springsteen virou um
consagrado do Rock puro de quem não se espera um mau disco. É evidente que não
tem o encanto da novidade dos anos 70, mas o comercialismo de "Glory Days" e
"Born in U.S.A." também não, e revela-se agora um mais que maduro autor de
canções bem marcantes da cultura norte-americana.
https://en.wikipedia.org/
Depois de "Western Stars" (2019), agora com a sua fabulosa E-Street
Band, Bruce Springsteen trouxe-nos ""Letter To You" (2020) com algumas canções
a recordaremo melhor que eu retinha deste cantor. Um disco cheio de
energia que não denota uma pessoa já com 71 anos, para ficar cativado não é
preciso muito ficamos rendidos logo na faixa inicial "One Minute You're Here".
Um álbum a ir directo para os melhores de Bruce Springsteen.
Americana é um género musical resultante da amálgama do Folk, Country, Blues e
Rock americanos.
Johnny Cash, John Prine, Gram Parsons, Loretta Lynn, Judy Collins, Neil Young, Willie Nelson, Lucinda Williams, Joan Baez, John Fogerty, Bonnie Raitt,
Emmylou Harris são alguns nomes mais conhecidos que podemos associar à música
dita Americana. Também deste lado do Atlântico nomes há que de alguma forma
podemos referenciar àquele género musical, Ian Matthews é um deles.
Ian Matthews, recorde-se, fez parte dos Fairport Convention gravando com eles
os 3 primeiros álbuns. Em 1969 abandona o grupo, inicia carreira solo
e não só, forma os Matthews Southern Comfort e de seguida os Plainsong, em
1973 inicia nova carreira nos Estados Unidos. Em 2000 regressa à Europa,
Holanda concretamente, e com novos músicos recupera o nome Matthews Southern Comfort.
https://www.discogs.com/
É de 2020 o registo mais recente do grupo denominado "The New Mine" onde Ian Matthews continua a revelar dotes significativos na construção de belas
canções assim como um excelente intérprete pese a voz já revelar o fardo da
idade. Mais um disco agradável que o ano transato nos deixou, gravado na
Holanda mas a soar a Americana, não estivesse Ian Matthews 27 anos nos Estados
Unidos, e onde Joni Mitchell não foi esquecida ("Ethiopia"), mais um conjunto de
canções que por vezes nos transportam para os sons dos iniciais Matthews Southern Comfort. "Feed It" é a minha escolha.
Simon Nicol, Dave Pegg, Chris Leslie, Ric Sanders e Gerry Conway constituem a
actual formação dos Fairport Convention que mantêm em 2020 uma legião de fãs
na qual me incluo, não tanto pela produção actual, mas por toda a carga que
transportam após 53 anos de existência (embora só Simon Nicol sobreviva da
primeira formação).
Referência obrigatória do melhor Folk-Rock praticado nas Ilhas Britânicas os
Fairport Convention editaram em 2020 o 29º álbum de estúdio sob a designação
de "Shuffle and Go".
https://en.wikipedia.org/
"Shuffle and Go", editado no início do ano passado, é surpreendentemente
agradável de se ouvir revelando uma frescura que tem mantido os Fairport Convention como uma verdadeira instituição do Folk-Rock britânico. No entanto,
há quase sempre um "no entanto", estão longe dos inesquecíveis trabalhos
que assinaram nos anos 60 e 70, eram outros tempos e os protagonistas também.
Comparativamente, preferi "Est'd 1969" editado meses antes, ainda em 2019,
pelos arqui-concorrentes Steeleye Span.
Chris Leslie, no grupo desde 1997, tem vindo a afirmar-se como um dos
principais compositores do grupo assinando 5 das 13 canções do álbum, é dele a
faixa título "Shuffle and Go" que fica para audição.
A maldita pandemia não permitiu a realização do tradicional festival
Fairport's Cropredy Convention, para o qual já tinha os bilhetes, em Agosto
passado e onde para além dos próprios Fairport Convention que tocariam o álbum
"Full House" (1970) na íntegra, actuariam Richard Thompson e Ian Matthews
com a sua formação Matthews Southern Comfort. O Line-up passou na
totalidade para 2021, será que se vai realizar?
A década de 70 foi a mais produtiva de James Taylor, foi naqueles anos que
gravou canções como "Sweet Baby James", "Country Road", "Fire and
Rain", "You've Got a Friend", "You Can Close Your Eyes" e "Don't Let
Me Be Lonely Tonight". Canções que facilmente ficarão a fazer parte do
cancioneiro norte-americano e que ficaram no imaginário da juventude que viveu
aqueles tempos.
Sempre gostei de James Taylor, das suas canções e interpretações tão suaves e
doces, às quais retorno sempre com satisfação. Entretanto diminuíram os discos
que foi gravando mas é sempre com curiosidade que procuro ouvir os seus novos
álbuns. Em 2020 editou o seu 20º trabalho de estúdio denominado "American
Standard" onde revisita o cancioneiro mais antigo, concretamente 14 canções
datadas entre 1924 e 1961.
https://en.wikipedia.org/
Se muitas vezes não vejo com bons olhos álbuns de versões de standards, como
que um refúgio que alguns artistas efectuam nas suas já longas, por vezes
estafadas carreiras em que a inspiração já se desvaneceu, em James Taylor é
uma satisfação. A voz extraordinariamente acolhedora e confortante que James Taylor ainda apresenta assenta muito bem na recuperação destes "american
standart". É assim uma das boas novidades de 2020 este retorno de James Taylor
5 anos depois de "Before This World". Como exemplo segue "The Nearness Of
You", uma canção de 1939 então interpretada por Glen Miller & his
Orchestra com Ray Eberle na voz.
Neil Young tem tido uma regularidade nas minhas memórias não só de anos mais
distantes como dos mais recentes o que revela a importância que ele tem tido
nas minhas preferências musicais. É verdade que os seus discos mais
significativos se ficaram pelas décadas 70, 80 e 90, mas mesmo assim há alguns
trabalhos posteriores que denotam uma energia e criatividade invejável mesmo para
gerações mais novas.
50 álbuns de estúdio, 8 ao vivo e um sem número de discos recuperados dos Neil
Young Archives (NYA) com destaque para os álbuns sob a designação Performance
Series (PS) e Special Release Series (SRS) são o legado de um proeminente
artista que me tem acompanhado ao longo da minha vida. É certo que os discos
de originais mais recentes não encantam mas mesmo assim não resisto a "The
Monsanto Years" (2015) e a temas como "Driftin' Back"
(2012), "Who's Gonna Stand Up" (2014), "Children of Destiny" (2017)
ou ainda mais recente "Milky Way" (2019).
Mas o melhor tem sido a edição de álbuns retirados dos seus famosos arquivos
(NYA) que têm saído com uma frequência impressionante. Vejamos então as
edições do ano 2020:
- "Homegrown" (SRS 02)
Edição europeia em CD com a ref: 93624898672
"Homegrown" é um álbum gravado em 1974/75 e que não chegou então a ser
publicado. Em detrimento deste foi editado "Tonight's the Night" que já
aguardava a sua vez deste 1973. Sem dúvida que a escolha foi bem feita pois ao
ouvir-se agora "Homegrown" dá-nos, por vezes, a sensação de estarmos na presença
de demos que mereciam ter tido outro desenvolvimento, para não falar da
escusada "Florida". "Love Is a Rose" é uma versão da conhecida "Dance,
Dance, Dance", "Homegrown" e "Star of Bethlehem" já eram conhecidas de
"American Stars 'n Bars" (1977), "Little Wing" abria o álbum "Hawks &
Doves" (1980). Resumindo uma recuperação a valer 3 estrelas.
- "Return to Greendale" (PS 16)
Edição alemã em CD com a ref: 93624893851
Em 2003 Neil Young trouxe-nos "Greendale", a história da família Green numa
pequena cidade norte-americana. Foi genericamente bem recebido pela
crítica com elogios do género:
"Young has rarely sounded so fresh and inspired" em "Chicago Sun-Times"
e "One of the most important [albuns] in Young's storied career" em The
Miami Herald. A acompanhar um muito interessante concerto acústico em formato
DVD gravado em Vicar st., Dublin, com a reprodução de todo o álbum.
No mesmo ano Neil Young e os Crazy Horse reproduzem "Greendale" em palco,
merecendo em 2020 a publicação em diferentes formatos: duplo CD e edição
"deluxe" 2LP, 2CD, Blu-ray e DVD.
Quem já tiver "Greendale" e poder optar pela 2ª escolha (cerca de 100€ !!!)
terá o gosto do Blu-ray mas parece-me pouco para tal preço, quanto ao duplo CD
pouco acrescenta ao original.
- "Neil Young Archives Volume II: 1972–1976"
https://neilyoung.warnerartists.net/
Depois de em 2009 ter sido publicado "The Archives Vol. 1 1963–1972" eis agora
o 2º volume constituído por 10 CD a compreender o riquíssimo período de 1972 a
1976. De qualidade indiscutível parece, no entanto, que esta edição se destina
sobretudo a colecionadores ou eventuais especuladores pois a edição estava
limitada a 3000 exemplares e o custo a cerca de 240€. Este 2º volume tem 10 CD
, num total de 131 faixas, das quais 63 nunca antes editadas mas somente 12
são inéditas as restantes são versões. Ou seja para quem já tinha as edições
originais pouco acrescenta esta edição se tivermos em consideração o custo da
mesma.
- "The Times" - EP
https://www.amazon.co.uk/
Durante o confinamento Neil Young realizou uma série de sessões a partir de
casa, "Fireside Sessions", entre a lareira e as galinhas onde interpretou de
forma descontraída algumas das suas canções, também foi possível ouvir de Bob
Dylan "The Times They Are A-Changin'". Sete destas canções viram edição em EP
sob o nome "The Times" mas que tratando-se de gravações "lo-fi" não vieram
acrescentar nada de novo à sua discografia, a não justificar os 10€.
Resumindo um ano de muita produção mas de pouco sumo. Esperemos, que num
futuro próximo à falta de novos discos continuem a ser publicados os seus
infindáveis arquivos, para já o previsto é "Way Down in the Rust Bucket" mais
um a fazer parte das Performance Series (PS)
Paul McCartney tem 78 anos e é uma referência para todos nós amantes dos anos
60 e dos The Beatles em particular. Foi muito o que ele deu ao mundo em termos
musicais e não só. A melhor forma de agradecer será continuar a ouvi-lo em
particular o que ele produziu naqueles tempos únicos.
Tenho sido razoavelmente crítico em relação a toda a sua produção discográfica
pós-The Beatles e parece que ainda não é desta que mudo de opinião.
As críticas têm sido simpáticas com o último trabalho, "McCartney III", mas
pessoalmente, após uma primeira audição não fiquei convencido. A voz já não
ajuda e o facto de tocar todos os instrumentos também não, a produção é
artesanal quase amadora, apesar de tudo uma ou outra aproximação a algum som
do tempo dos The Beatles mas que depressa se desvanece. Rapidamente fica
insosso sem nenhum rasgo de genialidade de quem tanto deu e de quem tanto se
espera. Assim dificilmente se volta a ouvir este disco depois de uma primeira
audição, é pena e a idade nada justifica face aos bons exemplos que ainda se
encontram de outros da mesma geração.
https://en.wikipedia.org/
"Find My Way" foi a primeira canção escolhida para edição em Single mas não me
convence de todo. prefiro "The Kiss Of Venus" a lembrar outros tempos.
Uns melhores outros nem por isso lá se vão tendo notícias
discográficas de alguns artistas cujas carreiras se tornaram de alguma
forma notadas ainda nos idos anos 60 do século passado, ou seja há mais de 50
anos.
E hoje começo por Van Morrison que tantas horas de prazer me tem proporcionado
ao longo de tantos e tantos anos. Felizmente ainda no activo este artista da
Irlanda do Norte, que tive oportunidade de ver por duas vezes, em 1993 no
Porto e em 2018 em Cascais, tem-se revelado particularmente produtivo nos
últimos anos sem no entanto alcançar a genialidade dos anos 60 e 70.
A pandemia de 2020 veio estragar tudo, depois do promissor "Three Chords &
the Truth" de 2019, esperava-se que continuasse pelo menos no mesmo registo ou
seja com níveis qualitativos idênticos, no entanto tal não aconteceu. Van Morrison escreveu 4 canções de protesto, a saber: "Born To Be Free", "As I
Walked Out", "No More Lockdown" e "Stand and Deliver", esta último com
interpretação de Eric Clapton, e em nenhuma se saiu bem. Uma coisa é combater
o fascismo e a limitação à liberdade, outra coisa é combater uma pandemia e
Van Morrison, infelizmente, parece que confundiu as duas coisas.
Tome-se, por exemplo, "No More Lockdown", quer lírica quer musicalmente
revela-se uma verdadeira decepção. Van Morrison é assim a desilusão de 2020. Para compensar vou ver o Blu-Ray "In Concert" (2018) e acreditar que vai voltar a melhores dias.
Hoje começo com uma lista de discos que de alguma forma parece-me conter
algumas das propostas mais interessantes do ano de 2020. Nesta lista não
constam algumas das minhas preferências do ano transacto e que
correspondem a artistas com origens mais distantes pois nos anos 60
todos eles já tinham efectuado gravações, mas estes ficam para os próximos
dias.
Eis então 30 álbuns, sem qualquer ordem em especial, que, muitas deles, sem
deslumbrarem fui ouvindo ao longo do ano:
Wire - Mind Hive Grimes - Miss Anthropocene
Maria McKee - La Vita Nuova
Jonathan Wilson - Dixie Blur
The Weeknd - After Hours
Anna Calvi - Hunted
The Homesick - The Big Exercise
Porridge Radio - Every Bad Fiona Apple - Fetch The Bolt Cutters
Hamilton Leithouser - The Loves Of Your Life
Perfume Genius - Set My Heart On Fire Immediately Laura Marling - Song For My Daughter
Moses Sumney - Grae
Modern Studies - The Weight Of The Sun
The Magnetic Fields - Quickies
Jehnny Beth - To Love Is To Live
Phoebe Bridgers - Punisher
The Motorcycle Boy - Scarlet
Protomartyr - Ultimate Sucess Today
Fontaine D.C. - A Hero's Death Angel Olsen - Whole New Mess
Stick In The Wheel - Hold Fast
Kevin Morby - Sundowner
Sufjan Stevens - The Ascencion
Bill Callahan - Gold Record Rufus Wainwright - Unfollow The Rules Elvis Costello - Hey Clockface Adrianne Lenker - Songs and Instrumentals
This Is The Kit - Off Off On
Kate Rusby - Hand Me Down
A minha escolha recai sobre este último álbum "Hand Me Down" de Kate Rusby.
https://www.discogs.com/
Kate Rusby é uma cantora Folk inglesa já com créditos firmados que há mais de
duas décadas se tem vindo a revelar como uma das mais importantes intérpretes
Folk-Rock britânicas. Desde que a descobri em "Sleepless" (1999) que sigo esta
excelente cantora-compositora a descobrir novos caminhos para a música
tradicional e popular a fazer-me lembrar, por vezes, a memorável Sandy Denny.
Depois de no ano passado nos ter presenteados com dois álbuns dignos de
registo "Philosophers, Poets & Kings" e "Holly Head" este ano aventura-se
por um disco só de versões, o que é uma aposta claramente ganha. Bangles,
Coldplay, The Kinks, Taylor Swift, Cyndi Lauper, James Taylor, The Cure, Bob Marley, estão aqui tão bem representados que por vezes nos esquecemos do
original.
Gosto, particularmente, de "Friday I'm In Love" dos The Cure, ei-la. Com entrada directa para o meu tema "Grandes Versões".
As minhas escolhas continuam no feminino, depois de nos anos anteriores ter
escolhido respectivamente PJ Harvey, Laura Marling, Lucy Dacus e Angel Olsen,
em 2020 é a vez de Adrianne Lenker.
Se bem que genericamente o seu último trabalho a solo "Songs &
Instrumentals" tenha sido bem recebido pela crítica o mesmo não se fez
reflectir nas listas elaboradas para melhores álbuns de 2020. A melhor que
encontrei foi na nossa revista Blitz que lhe concedeu o 6º lugar.
Na sequência da pandemia, que levou prematuramente ao fim dos concertos que
Adrianne Lenker tinha com o seu grupo, os também aclamados Big Thief
("U.F.O.F." de 2019 a merecer audição), gravou em ambiente caseiro "Songs and
Instrumentals", 11 canções e 2 instrumentais o Folk em modo Lo-Fi.
https://www.discogs.com/
"Songs and Instrumentals" a confirmação de Adrianne Lenker, guitarrista,
cantora, como uma grande construtora de canções. 11 canções genuinamente
simples e belas revelam uma capacidade de composição que me surpreendeu e
encantou logo na primeira audição, sem dúvida uma das boas recordações do ano
passado. O todo é bastante agradável sendo que os 2 instrumentais, colagem de
improvisos e sons da natureza, servem sobretudo para música de fundo enquanto
se anda a devagar pela casa em qualquer afazer. Bendita a hora em que Adrianne
Lenker se decidiu retirar e isolar em terras altas do Massachusetts.
"Anything" é uma pequena maravilha que espero se repita por muitos anos.
Adrianne Lenker bem vinda à galeria das minhas preferências.
And I don’t wanna talk about anything I don’t wanna talk about
anything I wanna kiss, kiss your eyes again Wanna witness your eyes
looking
I don’t wanna talk about anyone I don’t wanna talk
about anyone I wanna sleep in your car while you’rе driving
E aqui estou para a revisitação de mais um ano que acabou. 2020, um ano
para esquecer com a famigerada pandemia que obrigou a confinamentos e à
impossibilidade da realização de concertos e festivais de música como
estávamos habituados.
Mas, mesmo assim, um ano de muitas recordações musicais, concertos on-line,
gravações sem suporte físico e muitas, muitas compilações para todos os gostos
e todas as bolsas, algumas das quais não se consegue resistir.
Olhando para as listas de melhores álbuns dos ano encontra-se um álbum que
parece ter reunido o consenso de maior parte das listas elaboradas e pelo qual
começo. Trata-se do novo disco de Fiona Apple designado "Fetch the Bolt
Cutters". Ora vejamos a sua classificação em algumas listas:
1º lugar - Blitz, Expresso, albumoftheyear.org, Pitchfork, Forbes, Slant Magazine, 2º
lugar - Rolling Stone, npr, The New York Times, 3º lugar - Time
Fionna Apple é uma cantora, compositora norte americana cuja carreira musical
teve início nos anos 90, pratica um Pop alternativo que não é de fácil
aceitação à primeira audição. "Fetch the Bolt Cutters" somente ainda o 5º registo de
longa duração é um álbum experimental que levou cerca de 5 anos a ser
completado. As percussões, num aparente ambiente caótico, definem o som
primordial deste álbum com vocalizações simultaneamente subtis e intensas.
Um disco que não é para se ouvir todos os dias mas que ganha maior dimensão
por cada dia que passa. Portanto não desistir e ouvir Fiona Apple, por exemplo
começar com "Shameika"