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segunda-feira, 29 de março de 2021

Duke Ellington - Cotton Tail

   Cinco minutos de Jazz


A divulgação do Jazz nunca foi tarefa fácil, antes do 25 de Abril de 1974 ainda mais complicado o era. O acesso à música Jazz e a qualquer informação a ela relacionada era extremamente difícil e pior se não se vivia em Lisboa ou vá lá no Porto, o que era o meu caso. Assim, restava o pouco que se conseguia ouvir na rádio e aqui José Duarte teve papel fundamental com o seu "Cinco minutos de Jazz" e também com outras iniciativas algumas de duração curta, escrevia ele no nº 1 do boletim por ele lançado de distribuição gratuita:

"Na linha de realizações de maior projecção (reportagens directas de festivais em Paris, Newport, Varsóvia, Londres, Montreux, entrevistas com músicos, organização dos concertos de Lacy e de Wright, sessões com discos, projecções e conversa), o boletim ferve há anos e tem dignos antepassados: o do selado Clube Universitário de Jazz (1958/61) e o do silenciado Zip (1970/71). A concretização deste deve-se à Tecla que assegura a impressão e distribuição, e, como quem colabora não «toca» qualquer tipo de remuneração, a assinatura é gratuita.
A queda-ascensão-queda de várias rubricas semelhantes tem sido lastimável, embora o lugar do jazz na rádio deva ser o mesmo dos outros tipos de música digna e não «ghettos» fixos e rotulados." 




Neste nº 1 do referido boletim dava-se nota dos destaques, para o mês de Novembro, para a rubrica de rádio "Cinco minutos de Jazz" e entre eles constava a de Ben Webster para as noites de 19, 20 e 21.

Ben Webster (1909-1973) foi um saxofonista de Jazz considerado ao nível de Coleman Hawkins e Lester Young, entre 1940 e 1943 fez parte da orquestra de Duke Ellington, como primeiro solista tenor, e era desta colaboração que o "Cinco minutos de Jazz" fazia eco.




"Cotton Tail" é uma composição de Duke Ellington com os arranjos partilhados com Ben Webster e é a que fica para ilustrar o Regresso ao Passado de hoje.



Duke Ellington - Cotton Tail

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Nat ‘King’ Cole – Sweet Lorraine

Para hoje um Regresso ao Passado bem antigo.
Na década de 30 a música Jazz é dominada pelas grandes orquestras. Os pianistas estão a elas subordinados o que lhes quarteja a criatividade. O final da década vê surgir a formação de Trios (Piano, Baixo e Bateria ou Piano, Baixo e Guitarra – ou Quarteto juntando a guitarra e a bateria) , permitindo maior liberdade interpretativa, e que vão proliferar nos anos seguintes. São ainda hoje uma fórmula bem querida dos músicos de Jazz.

Dos primeiros a adoptar a formação de Trio foi Nat ‘King’ Cole em 1939. Nat ‘King’ Cole (1919-1965) foi um músico de Jazz, o reconhecimento do grande público chegaria nos anos 50  depois de pouco a pouco abandonar o piano e alterar o seu repertório, sendo como crooner (cantor de temas populares suportados por orquestra – Frank Sinatra, BingCrosby e Dean Martin foram os de maior êxito) que ficou para a história.

“Cole era um bom pianista… e um cantor de jazz de tonalidade suave e quente antes de iniciar, nos primeiros anos da década de 50, uma carreira na música popular, mas mesmo no trabalhos mais populares manteve sempre um certo sentido do jazz.” em “O Jazz” de Morley Jones.

A voz suave e doce caracterizavam a sua forma de cantar permitindo assim alcançar largas faixas da população branca. 

 
Recuando agora aos primórdios de Nat ‘King’ Cole, mais concretamente a King Cole Trio e ao primeiro êxito gravado em 1940, “Sweet Lorraine”.
“Sweet Lorraine” é um standard do Jazz, original de 1928, agora na versão de Nat ‘King’ Cole (King Cole Trio), piano, guitarra e baixo.


Nat ‘King’ Cole – Sweet Lorraine