Nova passagem por um grupo da Holanda, sinal que em 1970 o Pop-rock
ultrapassava as fronteiras dominantes do Reino Unido e Estados Unidos, e que a
revista "mundo da canção" divulgava na sua edição nº 12 de Novembro de 1970. Infelizmente a qualidade
não era a melhor, se ontem eram os
Ekseption, hoje é a vez dos
Tee Set.
Tee Set
que a memória cola a "Ma Belle Amie", única canção a alcançar sucesso
significativo, estarão já esquecidos para quem naqueles tempos os ouviu e, na
verdade, nada se perde de importante. Não fosse estas minhas passagens pela
revista "mundo da canção" e pelo certo que não teria motivo de os recordar.
Assim, conseguem ser razão para mais uma passagem, "If You Believe in Love"
foi a canção que se seguiu a "Ma Belle Amie" mas sem qualquer repercussão
digna de nota. A letra vinha publicada neste nº 12 da revista "mundo da canção", estávamos no ano de 1970.
Quando a megalomania se apoderou do Pop-Rock surgiram grupos que começaram a
introduzir na sua música influências da música clássica ou mesmo fazendo
versões Pop de temas clássicos bem conhecidos. E, como em tudo, houve quem o
fizesse bem e fosse mesmo inovador nesse conceito mais progressivo da música
Rock (The Nice, por exemplo) e quem ficasse pelo aproveitamento fácil e mais
comercial, por exemplo os Ekseption, era pelo menos esta a minha percepção.
Os Ekseption foram uma banda holandesa tornada conhecida no final dos anos 60
pela adaptação de clássicos ao Rock, quem se lembra de "The Fifth" (Beethoven)
ou "Air" (Bach). Foi esta a faceta mais divulgada do grupo. Nalguns discos, no
entanto, diminuíam a carga clássica e incluíam canções originais numa amálgama
que, hoje, ainda parece menos interessante, diria mesmo algo piroso. Era o que
acontecia no 2º LP, "Beggar Julia's Time Trip" de 1970 onde misturava a
pretensiosa abordagem clássica, quer com temas próprios quer com adaptações de
Bach e Tchaikovsky, com temas Pop-Rock.
Era com a letra da canção "Julia" que a revista "mundo da canção" se estreava
na divulgação deste grupo oriundo da Holanda. Ekseption um grupo perdido no
tempo e com poucos motivos de se recuperar.
mundo da canção nº 9 de Agosto de 1970
Ainda ecoavam no ar os sons de "Venus", o mega sucesso dos Shocking Blue do ano anterior, quando "Never Marry A Railroad Man" foi publicado em busca de êxito semelhante. Na realidade não o teve com a mesma dimensão, mas mesmo assim lembro-me bem deste "Never Marry A Railroad Man".
Êxito circunstancial, pelo menos por cá, rapidamente se deixou de ouvir falar dos Shocking Blue, a meio da década de 70 já tinham terminado.
Não era de todo o tipo de música que mais apreciava, ouvia-a porque passava na rádio e andava nos Top, mas as minhas preferências iam para outras sonoridades bem mais elaboradas. De qualquer modo, passados estes anos todos, é com agrado, nostalgia?, que volto a "Never Marry a Railroad Man", cuja letra vinha publicada no nº 9 da revista "mundo da canção" de Agosto de 1970.
mundo da canção nº 6 de Maio de 1970
Porque não só de divulgação de música de qualidade vivia a revista "mundo da canção", também lá se encontravam com regularidade letras de canções de êxito fácil, de rápido consumo, e que rapidamente passavam ao esquecimento. É o caso de hoje, o exemplo vai para os Tee Set e a canção "Ma Belle Amie".
Os Tee Set eram oriundos da Holanda, então a começar a ter algum destaque no Pop-Rock internacional, e tiveram em 1970 o seu ano de fama à custa de uma canção que andou pelos Top e, claro, muito se ouvia na rádio, era "Ma Belle Amie". Por cá o seu êxito foi efémero, passado "Ma Belle Amie" deixou-se de ouvir falar nos Tee Set e, na realidade, pouco se perdeu pois nada de novo vieram acrescentar à música Pop-Rock.
"Ma Belle Amie" estava entre as canções de "usar e deitar fora" e como tal não perdurou no tempo.
Valha-lhe a recordação deste nº da revista "mundo da canção" onde a letra vinha publicada.
Estes meus Regresso ao Passado têm-se esgotado, quase na totalidade, na música dita popular, produzida nos anos 60 e 70, nas Ilhas Britânicas, nos Estados Unidos e em Portugal. Algumas excepções já passaram por aqui, que aquelas sonoridades rapidamente se espalharam um pouco por todo o planeta, como Patxi Andion e Joan Manuel Serrat em Espanha, Chico Buarque e Elis Regina no Brasil, Aphrodite's Child na Grécia, mas são manifestamente insuficientes para demonstração do vigor da música popular, naquele período, nesses países. E de todos os outros países, nem é bom falar, pois rapidamente poderíamos encontrar referências da influência do Pop-Rock em países tão distantes como o Camboja ou a Indonésia.
Não vou tão longe, fiquemos pela Europa, mais concretamente pela Holanda, país que pelas suas especificidades poderia ter concorrido em quantidade/qualidade com a dominante Inglaterra. Estranhamente não o fez.
Culturalmente era um país aberto aos movimentos mais vanguardistas que então se manifestavam. O movimento hippie teve lá particular implementação, o chamado movimento do “provotariado”, tão bem descrito pelo nosso Fernando Namora em “Estamos no Vento” (“Foi com o título Provo que, em 1965, apareceu um jornal copiografado, antecedido, a breve distância, pelas folhas Provocação I e Provocação II, panfletos predominantemente antimonárquicos, postos a circular aquando do noivado de uma princesa da Holanda”), teve em Amsterdão a sua maior expressão.
Tinham o caldo cultural necessário para o surgimento de uma produção musical que tivesse um destaque que nunca chegou a verificar-se.
O primeiro grande sucesso pop de que me recordo foi para os pouco interessantes Shocking Blues e o super-êxito que foi “Venus” estávamos no ano de 1969, depois foram os desinspirados Ekseption, no rock progressivo dos anos 70 e ainda, os mais interessante, os Focus de Jan Akkerman.
Ficaram, no entanto, penosamente datados. Ora recordem.
Tudo isto para chegar à escolha de hoje, uma musiquinha que, por vezes, me vem à cabeça, vá-se lá saber porquê (talvez porque tenho o Single da canção que vamos ouvir), de um grupo holandês denominado George Baker Selection e que em 1970 alcançou os top com a sua “Little Green Bag”.
mundo da canção nº 3
O ecletismo da revista "mundo da canção" na divulgação musical era em termos de género uma realidade, em termos de qualidade também. Entre muitas canções de inegável bom gosto lá eram publicadas algumas letras de canções de gosto muito duvidoso, algumas grandes sucessos outras nem por isso, assim no nº 3, de Fevereiro de 1970, aparecem letras como "Make Me An Island" de Joe Dolan, "Viva Bobby Joe" dos The Equals, "Venus" dos Shocking Blue, "In The Year 2525" de Zager & Evans, "Dizzy" de Tommy Roe, "Oh! Lady Mary" de David A. Winter e "Tomorrow" de Mike Kennedy.
Para hoje escolhemos "Venus" dos holandeses Shocking Blue.
Foi um êxito tremendo, um êxito muito, muito grande este "Venus" que então se ouviu até à exaustão, volta a se-lo novamente em 1986, mas agora na interpretação das Banarama.
No ano seguinte ainda perseguem o sucesso com "Never Marry a Railroad Man", mas nunca mais atingem o nível que tiveram com "Venus".
"Venus" um exemplo de música comercial e de fácil agrado, eram os Shocking Blue, eram outros tempos, eram outras músicas.