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sábado, 14 de janeiro de 2017

Elvin Jones - My Ship

A revista "Vida Mundial" e a música popular

O 2º Festival de Jazz de Cascais volta a ter, num país tão pobre, mas ávido, no consumo deste género musical, um cartaz de luxo. Phil Woods, Cannonball Adderley, Dave Brubeck, Jean-Luc Ponty, Elvin Jones, Jimmy Smith  e os portugueses Status são algumas das presenças naquele festival que ocorreu nos dias 11 e 12 de Novembro de 1972.





Desse festival dá Jorge Lima Barreto conta em artigo publicado na revista "Vida Mundial" nº 1750 de 22 de Dezembro daquele ano.
Sob o título "Museologia e "Avant-Garde"?" Jorge Lima Barreto discorre sobre aquele festival alinhando na crítica daqueles que acusavam o Festival de Jazz de Cascais de uma selecção musical "condicionada por pressões do imperialismo discográfico internacional" e defendendo uma maior aposta em "músicos de "jazz" de vanguarda".





As críticas negativas eram muitas, desde os portugueses Status, "o fiasco da ignorância, a defecação da insolência", a Dave Brubeck, ""jazz"-mostruário, "jazz"-mortuário", a Cannonball Adderley, "horribile visu, miserabile auditu", a Phil Woods "O agrupamento foi, consequentemente, incoerente, falho de unidade, aparentemente sólido na sonoridade inconfundível", a Jimmy Smith, "O sistema orgânico dum conjunto deste tipo é simplesmente lamentável".
Pela positiva, estava Jean-Luc Ponty, "Extremamente rico e imaginativo, o "jazz" deste trio evidenciou-se no certame", e Elvis Jones, "O grupo de Elvin Jones foi o conjunto cuja semântica jazzística melhor se encontrou definida".





Recuperamos Elvin Jones (1927-2004), que alguns meses antes de estar presente em Cascais grava ao vivo "Live at the Lighthouse", na Califórnia, duplo LP que seria editado em 1973. Elvin Jones - bateria, em quarteto com Steve Grossman - saxofones, Dave Liebman - saxofones e flauta e Gene Perla - baixo para ouvir "My Ship" um original de Ira Gershwin e Kurt Weill de 1941.




Elvin Jones - My Ship

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Elvin Jones - Reza

A revista "Vida Mundial" e a música popular

A "Vida Mundial", enquanto revista. existiu entre os anos de 1967 e 1979 (teve início em 1939 no formato de jornal). A revista, de edição semanal, era presença em casa dos meus pais, tendo sobrevivido bastantes nºs de 1967 a 1973 os quais ainda guardo. Pese a censura, a "Vida Mundial" constituiu uma lufada de ar fresco na imprensa de então tratando sobretudo de assuntos de política nacional e internacional. Também a cultura tinha presença garantida.

Já foram diversas as referências que fizemos a alguns nºs da "Vida Mundial" onde, de alguma forma, se fazia referência à música popular que então transbordava fronteiras e era ouvida um pouco por todo o lado.

Altura para, de uma forma um pouco mais completa, recordarmos textos que também me ajudaram a tomar contacto com algumas propostas então divulgadas, do Rock ao Jazz, à música popular portuguesa.

Começamos pelo nº 1503 de 29 de Março de 1968 e um artigo de Jazz sobre Elvin Jones intitulado "Uma Bateria Diferente".




Elvin Jones (1927-2004) foi um baterista de Jazz, "indiscutivelmente o maior baterista dos anos 60" citando o artigo.
É efectivamente na década de 60 que Elvin Jones se vai dar a conhecer a um público maior, nomeadamente na passagem pelo famoso quarteto de John Coltrane entre 1960 e 1966.
Conforme o texto, Elvin Jones refere-se àquele período de colaboração e aprendizagem com John Coltrane: "Tenho a noção nítida do que uma criança sentiria se tivesse férias ilimitadas na escola."

É em formato de trio que Elvin Jones grava em 1968 o álbum "Puttin' It Together", referindo-se este artigo ao trio da seguinte forma:
"Jones parece ter encontrado um máximo de efeitos mágicos num trio. Joe Farrel, saxofone-tenor, ágil e vibrante, tem uma estranha maneira de se embrenhar na essência das melodias; e o contrabaixo Jimmy Garrison, ataca as cordas de forma requintada, com interrupções duplas e triplas, ou fá-las cantar, com a clareza e a maviosidade duma guitarra espanhola. Todos três executam as suas complexas improvisações no mais elevado estilo."

A este álbum vamos buscar o tema "Reza", um belíssima canção da Bossa Nova, original de Edu Lobo.



Elvin Jones - Reza