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segunda-feira, 8 de abril de 2024

Eva Cassidy - Over the Rainbow

Grandes Versões


 Ainda sem rumo definido para a continuação destes meus Regresso ao Passado vou os fazendo ao sabor da ocasião. E tudo serve de pretexto para ir mantendo vivo este Blogue. Tenho estado a ouvir a discografia que disponho de Eva Cassidy, e esse é o pretexto, a saber por ordem de edição:

- The Other Side (with Chuck Brown) (1992)
- Live at Blues Alley (1996) - Ao vivo
- Eva by Heart (1997)
- Songbird (1998) - Compilação
- Time After Time (2000)
- No Boundaries (2000) - Não oficial
- Imagine (2002)
- American Tune (2003) - Ao vivo
- Nightbird (2015) - Ao vivo

Eva Cassidy faleceu em Novembro de 1996 sem ver editado qualquer álbum de estúdio em nome próprio (na realidade "The Other Side" aparece como Chuck Brown and Eva Cassidy) e foi uma cantora com uma voz extraordinária que não foi devidamente reconhecida em vida. Interpretava sobretudo temas de outros compositores tendo uma capacidade impressionante de lhes dar um cunho pessoal que nos faz esquecer muitas vezes o original.
Deixou gravadas, cruzando os mais diversos géneros musicais, canções como  "Bridge over Troubled Water", "Songbird", "Fields of Gold", "Woodstock", "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman", "Who Knows Where the Time Goes?", "Imagine", para citar somente as mais conhecidas, e ainda muitos temas tradicionais e standards de Jazz.


Edição de 2CD+1DVD com a ref: G2 10209





Em "Nightbird" surge uma verão impressionante de "Over the Rainbow", um original de 1939 na voz de Judy Garland, que hoje recupero. Assim cantava Eva Cassidy a 3 de Janeiro de 1996. Fiquem bem.




Eva Cassidy - Over the Rainbow

domingo, 5 de dezembro de 2021

Robert Wyatt - Free Will And Testament

 Raridades


No espaço de poucos dias volto à compilação "eps" de Robert Wyatt de 1999, primeiro a pretexto do tema "Grandes Versões" e hoje para dar continuidade a estas "Raridades". Relembro que "eps" é uma caixa de 5 CD de curta duração, média de 20 minutos, composta por temas de várias fases (de 1974 a 1998) da carreira de Robert Wyatt contendo edições em Single, versões alternativas e remixes.

Hoje, o interesse vai para o 5º CD composto por 4 temas todos eles com origem no álbum "Shleep".


Edição Hannibal do Reino Unido. com ref: HNCD 1440 - 5º CD


"Shleep" é um extraordinário álbum de Robert Wyatt de 1977 que contou entre outros com os ex-Roxy Music Brian Eno e Phil Manzarena e o ex-Jam Paul Weller. Um disco a fazer jus ao renome que entretanto Robert Wyatt foi ganhando como uma das figuras mais respeitadas da música de vanguarda de origem em Canterbury (The Canterbury Sound).

São do próprio Robert Wyatt as seguintes palavras: "... although these four remixes were done even before I'd finished recording, it was only when 'Shleep' was mixed, mastered and manufactured that I could bring myself to listen to the remixes. I was afraid of feeling hopelessly challenged by my archaic inadequacy in the face of modern conputerised know-how; of being so demoralised that I woudn't be able to enjoy the adventure of my own evental mixes. Pathetic really, when you think about it."

Não sendo eu grande fã de remixes, muitas vezes repletos de electrónica, não aderi facilmente a estas versões as quais não ouço com frequência. De qualquer modo aqui fica este remixe de "Free Will And Testament".



Robert Wyatt - Free Will And Testament

sábado, 27 de novembro de 2021

John Renbourn - To Glastonbury

 Raridades


Nova passagem pelo tema "Raridades", valha o nome o que se quiser numa época em que tudo está disponível a um click de distância. São genericamente canções que por qualquer motivo praticamente não tiveram qualquer divulgação tratando-se muitas vezes de gravações perdidas e mais tarde recuperadas, outras vezes gravações ao vivo, tantas vezes objecto de edições contrabandeadas, ou ainda gravações demo a merecerem ser conhecidas.  Assim sendo começo com John Renbourn.

John Renbourn (1944-2015), já marcou presença nestes meus Regresso ao Passado nas suas gravações iniciais com Dorris Henderson, com Bert Jansch e com os Pentangle onde permaneceu até ao seu fim em 1972.

É depois do fim dos Pentangle que John Renbourn grava um conjunto de temas que iriam ficar esquecidos e recuperados somente em 1996 resultando no álbum "Lost Sessions" que hoje aqui trago.


Edição alemã em CD com a ref: EDCD 490


Um disco muito calmo, relaxante onde tudo soa natural e é interpretado de uma forma diria tão fácil. Como diz John Renbourn: "... trying to cheer myself up by gathering together a bunch of friends to play a little music and have good time." Quanto às canções "... were mostly autobiographical, reflecting my move out of the city from an old sailing barge on the Thames - 'Riverside Song', and down to the West Country - 'To Glastonbury'."

Um disco que os fãs de John Renbourn devem adquirir, a juntar à longa e rica discografia que nos deixou.



John Renbourn - To Glastonbury

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Richard Thompson - Substitute

Grandes Versões


Mais um Regresso ao Passado em que o Folk e o Rock se cruzam. não fosse Richard Thompson um dos seminais e principais músicos do Folk-Rock.

Começo pelo Rock, o Rock do grupo inglês The Who que teima em se manter com os sobreviventes Roger Daltrey e Pete Townshend, e uma das suas primeiras canções, "Susbstitute".

"Substitute" foi editada em Single em 1966 e seria uma das canções escolhidas para o primeiro álbum ao vivo do grupo "Live at Leeds" de 1970, um disco que eu particularmente gostava quando este foi publicado. Toda a força e rebeldia do Rock num concerto histórico gravado a Universidade de Leeds em 1970, já The Who tinham atingido o estatuto de representantes do movimento Mod que culminaria anos mais tarde com o álbum e o filme "Quadrophenia".

Quanto a Richard Thompson, já variadas vezes a ele recorri, como uma das figuras mais importantes do Folk e Folk-Rock britânico deste os primórdios dos Fairport Convention até aos nossos dias em ímpar carreira a solo. Desde o Folk mais tradicional a propostas mais arrojadas, com incursões pelo Rock mais pesado, em algumas gravações quando se apresenta como Richard Thompson Electric Trio.

Recordo-me por exemplo da interpretação de "White Room" dos Cream, mas também desta "Substitute" a solo e em formato acústico.


4º CD da caixa The Life & Music of Richard Thompson
de 2006 com a ref: FRQCD-55

Esta versão de "Substitute" consta na caixa "The Life & Music of Richard Thompson", no 4º de 5 CD intitulado "The Songs Pour Down Like Silver - The Covers & Sessions" e foi gravada ao vivo em Bradford, UK em 1992.



Richard Thompson - Substitute

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Robert Wyatt – I’m a Believer (versão longa)

 Grandes Versões


Neste tema de "Grandes Versões" já passei por Robert Wyatt a propósito da canção "Insensatez" de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Robert Wyatt, admirável compositor e intérprete, não se inibe de introduzir na sua obra algumas versões regra geral de muito bom gosto, mesmo quando o original parece não se prestar a isso. Veja-se o exemplo hoje, "I'm a Believer" à qual volto mas agora para uma versão mais longa.

Canção genuinamente Pop que teve na versão dos The Monkees em 1966 o seu maior sucesso, seria mais tarde recuperada por Robert Wyatt editando-a em Single em 1974, é esta que já se encontra aqui noutro Regresso ao Passado.


Edição Hannibal do Reino Unido. com ref: HNCD 1440


Em 1999 foi publicada uma caixa intitulada "eps" que continha 5 CD (de curta duração, vinte e poucos minutos no máximo) com temas editados entre 1974 e 1997 e remasterizados para esta compilação. A primeira das quais é exactamente "I'm a Believer" (previously unreleased extended version). Com produção de Nick Mason são os músicos seguintes que participam nesta canção: Fred Frith (Violino e guitarra), David MacCrae (Piano), Richard Sinclair (Guitarra Baixo), Nick Mason (Bateria) e Robert Wyatt (Voz). É do próprio Robert Wyatt o seguinte texto constante nesta compilação:

  "Mostly this is about asking musicians more accustomed to extende and extemporised music to focus their attention on something short and sweet: a pop format without the career structures associated with the genre.

 However, such mainstream aspirations were definitely becoming priorities for the record company. Opinions were expressed about musical details. Fred Frith's totally original violin break on 'I'm a Believer' might intimidate influential disc jockeys, etc.."

Boa memória esta!





Robert Wyatt – I’m a Believer

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Eva Cassidy – Songbird

 Grandes Versões


Eva Cassidy foi uma extraordinária cantora prematuramente falecida em 1996 com apenas 33 anos. Quis a sua qualidade vocal e capacidade de interpretação de temas de todos os géneros que não fosse devidamente explorada em vida pela indústria musical sempre ávida de catalogação e de abordagens mais comerciais, tendo assim, em vida, sido publicado um único álbum em nome próprio. Mesmo assim, tratava-se de um álbum ao vivo, "Live at Blues Alley", e editado por conta própria. De estúdio ficou um único álbum "Eva By Heart" editado em 1997 já Eva Cassidy tinha falecido. No entanto vários álbuns têm surgido no mercado com gravações de estúdio e ensaios por ela efectuados e que dariam azo a muitos Regresso ao Passado de qualidade indiscutível.

Vamos devagar, para hoje reservei "Songbird", um excelente tema que constava no álbum "Eva By Heart" de 1997.


Edição do Reino Unido em CD com a ref: G2-10147


"Songbird" é um original de Christine McVie e que surge no famosíssimo álbum "Rumours" dos Fleetwood Mac no ano de 1977. E se já aqui se tratava de uma bela canção que dizer desta versão da Eva Cassidy, mais uma vez, para mim, a versão a ultrapassar o original o que não é muito habitual nos meus gostos.



Eva Cassidy – Songbird

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Marianne Faithfull - Flaming September

   Os Meses do Ano em Canção


Não muito distante, no tempo, do Regresso ao Passado de ontem, recorde-se Fiona Apple com "Pale September" (1996), encontra-se Marianne Faithfull com "Flaming September" editado no ano anterior e incluído no álbum "A Secret Life".

A Marianne Faithfull de "As Tears Go By" (1965) já estava muito distante e a sua voz também já não tinha nada a ver, era frágil e melodiosa nos anos 60 e tornou-se áspera e grave logo nos anos 70, quer por problemas de saúde na garganta quer pelo consumo excessivo de drogas. O que é certo é que mesmo assim as suas melhores gravações datam do final dos anos 70 e década de 80 onde destaco os álbuns "Broken English" (1979) e "Strange Weather" (1987). Entre cinema, TV e a música, mais ou menos bem recebida, se tem desenvolvido a sua carreira, recentemente esteve hospitalizada com COVID-19 e já este ano foi editado o seu último trabalho, "She Walks in Beauty", em colaboração entre outros com Warren Ellis, Brian Eno, e Nick Cave, onde declama poesia de autores ingleses do século XIX.


https://www.discogs.com/


Para "A Secret Life" Marianne Faithfull teve a colaboração de Angelo Badalamenti cuja sonoridade etérea e algo misteriosa nem sempre resulta bem neste disco. A excepção vai para "Flaming September" onde a combinação entre os dois melhor resulta.



Marianne Faithfull - Flaming September

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Fiona Apple - Pale September

  Os Meses do Ano em Canção


Quando em 1996 Fiona Apple editou o seu 1º álbum, "Tidal", e apesar da recepção que teve, julgo que estaria longe de imaginar que em 2020 o seu mais recente trabalho, "Fetch the Bolt Cutters", estaria no topo de várias listas de melhores álbuns do ano e mais ainda que receberia uma chamada telefónica de Bob Dylan a convidá-la para participar no álbum "Rough and Rowdy Ways" que também sairia no mesmo ano.

Fiona Apple tem vindo a revelar-se uma agradável surpresa em áreas próximo do Jazz e no Pop experimental com potencial de desenvolvimento mas simultaneamente menos comerciais. É no seu disco de estreia,"Tidal", não tinha Fiona Apple ainda 20 anos, que encontro o tema de hoje "Pale September".


https://www.discogs.com/


Ao ouvir "Tidal", lembrei-me de uma outra grande artista, Laura Nyro (1947-1997), que há muito tempo não ouço. Recuperações a fazer... Para já é com "Pale September" que ficamos.

"Pale September, I wore the time like a dress that year

The autumn days swung soft around me, like cotton on my skin..."



Fiona Apple - Pale September

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Luis Romão - Cavalgando meu País

                DISCO MÚSICA & MODA, nº 5 de 1 de Abril de 1971


"Música Nova", "Música Velha" eis a luta que no início dos anos 70 se travava em Portugal e que o jornal "DISCO MÚSICA & MODA" faz eco no seu nº 5 em Abril de 1971 com um artigo sob o título de "Outra «Alvorada» para a «Música Nova»".

«Alvorada» era uma etiqueta musical pertença da editora Rádio Triunfo que à data deste artigo operava mudança na sua alinha editorial para isso contratou Carlos Portugal com o intuito de renovar a sua política de gravação apostando em jovens de talento que então surgiam em contraponto com artistas mais velhos ligados à música ligeira mais conservadora.

"Que se prensem discos de boa música, de bons intérpretes e de bons compositores é um dos maiores desejos de quem se deseja libertar, pelo esquecimento, das negras brumas musicais do passado." lia-se neste artigo, onde se referiam as gravações já efectuadas com Luís Romão e o duo Elas.




O primeiro Single de Luís Romão, com produção de Carlos Portugal e Direcção musical de Pedro Osório, seria editado em 1971 encontrando-se o seguinte texto na contra-capa:

"Eis o primeiro disco de Luís Romão.
Eis, concretizado, o esforço e o trabalho de quatro meses; mas, também, eis, em Single, o entusiasmo duma equipa crente, deste o primeiro instante, nas excepcionais possibilidades deste novo artista. Eis, finalmente, nas simples espiras dum disco, mais uma vez demonstrada a linha que sempre norteou esta editora: possibilitar a revelação de novos valores.
Cabe, agora, ao público e à crítica apreciar e julgar a voz e o poder interpretativo de Luís Romão.
Por nós ficamos com a certeza de termos divulgado um jovem que irá enriquecer com a sua voz e a sua música o panorama artístico português.
Luís Romão nasceu em Évora, em 1948.
Estudou em Coimbra onde colaborou em vários Conjuntos de estudantes; aí conheceu Carlos Portugal e juntos actuaram em várias festas estudantis. Veio, mais tarde, para Lisboa prosseguir os estudos.
Pertenceu desde a sua fundação, ao Conjunto Fluído como guitarra solo.
Em traços muito largos esta é a "história" de Luís Romão.

No caminho do êxito os primeiros passos começam agora..."

"Cavalgando meu País" é a canção título deste Single que infelizmente não se encontrava entre o mais inovador e consistente da «Música Nova" que então se anunciava.



Luis Romão - Cavalgando meu País

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Richard Thompson - The Who Medley: My Generation/Can't Explain/Substitute

Raridades

As palavras valem o significado que num determinado tempo se lhes dá. É cada vez mais comum assistirmos à adulteração de determinadas palavras, muitas das vezes com a cumplicidade dos media, vulgarizando o significado que tinham. Dou como exemplo as palavras "icónico" e "épico" tão mal tratadas hoje em dia, tudo é icónico, tudo é épico. Evito a utilização de tais palavras.
Noutras o aviltamento não será tão evidente ou não chegará mesmo a acontecer, depende.
Por exemplo "raridade" que serve para este novo tema que hoje introduzo. Raridade ou raridades é um termo que tem vindo a ganhar terreno e a ser utilizado com maior frequência nos meios musicais e que muitas vezes me deixam na dúvida se estão a ser bem utilizadas ou não. Julgo que muitas vezes, mais marketing que outra coisa, é anunciada, nomeadamente na republicação de obra mais antiga de artistas consagrados da música Pop-Rock, a edição de novos discos com raridades quer nas imagens, quer no áudio. Serão mesmo raridades?

O senso comum dizia-me que raridade é algo que é raro ou seja que existe muito pouco e que é muito difícil de encontrar. Tinha uma noção muito restritiva da palavra e 'raramente' a usava.
Vejamos o que diz o Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, Livraria Bertrand, Lisboa 1949:
Raro, Que não é denso ou que é pouco denso. Pouco espesso: arvoredo raro. Que acontece poucas vezes; que não é corrente: as libras hoje são raras. Extraordinário.
ou num dicionário mais recente, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa de 2001:
raro. O m. que ralo
ralo.
1. Que tem pouca espessura, pouca densidade. = RARO
2. Que se apresenta com espaços entre si. = ESPAÇADO, INTERVALADO
3. Que existe em pequena quantidade, em pequeno número; que é pouco frequente. = RARO

Sem contrariar o que eu pensava da palavra, fiquei, no entanto, mais confortável com a sua utilização, podendo haver alguma subjectividade, o que é pequena quantidade?, ou pequeno número? ou ainda pouco frequente?

Assim sendo início hoje o tema "Raridades" que ficará em aberto para futuras passagens.
Começo com Richard Thompson, figura ímpar e pouco conhecida da música Folk-Rock. para uma melhor contextualização sugiro passagem primeira pelas outras entradas referentes a Richard Thompson, por mim anteriormente utilizadas.



Caixa editada pela Free Reed,
Ref: FRQCD-55



Em 2006 é editada uma caixa de 5 CD denominada "RT The life and music of Richard Thompson", e não preciso de chegar ao último CD denominado "Something Here Worth More Than Gold - Real Rarities" para encontrar um tema que considere que merece constar nestas "Raridades". Muitos dos 85 temas que compõem esta caixa são "...previously unreleased and extremely hard to find..." pelo que encaixariam bem neste meu propósito de escolher uma raridade. Fico no CD 4 "Songs pour down like silver - Covers and Sessions" e escolho "The Who Medley: My Generation/Can't Explain/Substitute", nem mais, Richard Thompson a interpretar The Who.






No livro de 167 páginas que acompanha esta caixa pode-se ler, "Thanks to Richard for allowing the inclusion of this very impromptu performance. ("I don't think I know the words to all those songs: ah, I cleraly didn't"), Second encore at this memorable concert, wherein Richard surprises and delights by improvising a medley of My Generation, I Can´t Explain and a rather different version of Substitute"
(gravado em Iron House, Massachusetts, 1990)

Para quem não estiver familiarizado com a música de Richard Thompson esta caixa não será a melhor opção para o fazer, algumas faixas deixam mesmo a desejar em termos de qualidade de gravação, trata-se portanto de uma caixa para os fãs deste histórico músico inglês. Uma boa entrada será a colectânea de 3 CD "Watching The Dark" publicada em 1993.

E aqui fica esta primeira raridade, Richard Thompson a interpretar The Who. Será, ele próprio uma raridade?



Richard Thompson - The Who Medley: My Generation/Can't Explain/Substitute

quinta-feira, 30 de julho de 2020

The Moody Blues - Nights In White Satin

mundo da canção nº 11 de Outubro de 1970


Uma das canções mais bonitas dos anos 60 foi-nos deixada pelos The Moody Blues no álbum conceptual "Days of Future Passed" (1967), trata-se da incontornável "Nights In White Satin", bastante divulgada à época e que promoveram o grupo para a ribalta da melhor música Pop então praticada. Num desafio da editora Decca de adaptarem a sinfonia "New World" de Antonín Dvořák (1841-1904), The Moody Blues responderam com um conjunto de canções, para grupo e orquestra, sobre o ciclo de vida de um dia que muitos consideram o início do Rock Progressivo.

Um disco que muito cedo tomei conhecimento e que tem-me acompanhado desde que o adquiri vai para 50 anos! Um disco transversal a gerações, com ele o meu pai começou a apreciar a nova música Pop     que então explodia, gosto que se prolongou para a minha filha mais velha.

"Nights In White Satin" foi escrita por Justin Hayward recém chegado ao grupo em substituição de Denny Laine (futuro membro dos Wings de Paul McCartney)  e que contribuiria para a nova sonoridade do grupo, até então próxima do Rythm'n'Blues.





A letra vinha publicada, em Outubro de 1970, no nº 11 da revista "mundo da canção", encontrava-se nos "Êxitos de Ontem".
A versão original completa já se encontra neste blogue pelo que desta vez fui buscar uma outra versão, desta vez ao vivo em Red Rocks com a Orquestra Sinfónica do Colorado a 9 de Setembro de 1992, já The Moody Blues viviam de recordações, felizmente boas recordações.



The Moody Blues - Nights In White Satin

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Bright Eyes - June On The West Coast

Os Meses do Ano em Canção


Para começar o mês de Junho cinco canções que têm pouco em comum a não ser ter o nome do mês no seu título, é o retorno ao tema "Os Meses do Ano em Canção".

É com os Bright Eyes que começo e o nome da canção é "June On The West Coast".
Associados ao Rock independente dos anos 90, os Bright Eyes, oriundos do Nebraska, eram das formações mais interessantes que aquela década viu nascer. Infelizmente terminados em 2011 parece que este ano vai conhecer o seu retorno, assim o espero.
Tendo como figura central Conor Oberst multi-instrumentista, autor e cantor deveras singular com uma capacidade interpretativa muito comovente, os Bright Eyes deixaram-nos discos tão marcantes como o EP "Every Day and Every Night" ou os LP "I'm Wide Awake, It's Morning" e "Digital Ash in a Digital Urn", os dois de 2005.



https://www.discogs.com/



"June On The West Coast" é mais antiga, vem do segundo álbum "Letting Off The Happiness" de 1998 e conta somente com Conor Oberst na viola acústica e voz.

Começamos bem o mês, começamos com "June On The West Coast": "I spent a week drinking the sunlight of Winnetka, California/ Where they understand the weight of human hearts..."




Bright Eyes - June On The West Coast

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Tindersticks - For the beauty

Algumas memórias de 2019

Não são da geração de 60, mas também não estão entre as propostas mais recentes da música popular, contudo, têm já uma sólida carreira iniciada nos anos 90, são os Tindersticks. E são uma das sugestões  mais interessante da música, digamos, alternativa que nos é apresentada actualmente. Desde 1993 que desenvolvem um percurso que é de enaltecer, pois, têm conseguido, pese as alterações do grupo, uma coerência e qualidade musical pouco vulgar. 12 álbuns de estúdio, várias bandas de sonoras de filmes da realizadora francesa Claire Denis, compilações e registos ao vivo de não menos interesse, compõem a discografia deste grupo oriundo de Nottingham, Inglaterra e que tão frequentemente têm actuado no nosso país.


Edição em CD ref: Lucky Dog 24 / Slang50236




"No Treasure but Hope" é a proposta mais recente e que as mais diversas listas de melhores álbuns do ano ignoraram por completo. Poderá não ser o melhor dos álbuns dos Tindersticks, mas mantém níveis de interesse mais do que satisfatórios para, apesar de ter sido lançado somente em Novembro ter sido o que mais ouvi no ano transacto. Vou mais longe e elejo-o o meu álbum do ano, no seguimento de Richard Thompson, The Unthanks, Shirley Collins e Quercus nos anos anteriores. Os primeiros acordes de "No Treasure but Hope" são assim.



Tindersticks - For the beauty

domingo, 24 de novembro de 2019

Tom Waits – November

Os Meses do Ano em Canção

Tom Waits é um verdadeiro artista. Primeiro conheci Tom Waits pelo álbum duplo "Nightawks at the Diner" de 1975 e logo vi, temos aqui artista e dos bons. Um disco de estúdio com uma pequena audiência dava-nos o ambiente de um clube de Jazz, onde, inclusive, falava com o público. E aquela voz estranha, a mais "fanhosa" que ouvia depois de Bob Dylan, com apenas 26 anos prometia. Como verdadeiro artista, evoluiu, do Jazz para o Blues com passagens pelo vaudeville com o cimento do Rock a consolidar a sua música. Da música para o cinema foi um passo desempenhando normalmente pequenos papéis com Jim Jarmuch, normalmente, por perto. Desde 2011 que não temos, infelizmente, novidades discográficas de Tom Waits.


https://www.discogs.com/


"November", a canção que lhe fui buscar para esta passagem de canções com o mês de Novembro em título, pertence ao álbum "The Black Rider" do ano de 1993.
Para os amantes do mês de Novembro, esta é uma grande canção a saborear devidamente, prestem atenção à utilização do serrote musical determinante no ambiente criado para esta canção.




Tom Waits – November

sábado, 23 de novembro de 2019

Morrissey – November Spawned a Monster

Os Meses do Ano em Canção

The Smiths foram uma lufada de ar fresco na música Pop dos anos de 80 a fazer pensar que a Inglaterra tinha encontrado legítimos sucessores dos The Beatles. Entre 1984 e 1987 a esperança existiu em 4 álbuns de originais e 3 de compilações, maioritariamente, de Singles não editados em álbum.

Morrissey era o vocalista e, conjuntamente com Johnny Marr, os principais definidores da orientação musical do grupo. Quer um quer outro encetaram carreiras a solo e no que diz respeito a Morrisey  aquém do que era expectável.


https://www.discogs.com/


"November Spawned a Monster" está, infelizmente, entre o menos interessante que Morrisey produziu pós 1987. Arrasta-se, num Pop incaracterístico, para alguns Rock alternativo ou independente, por uns longos 5 minutos, muito, muito longe do que nos tinha habituado na era dos The Smiths.

"November Spawned a Monster" foi editada em Single e data de 1990.




Morrissey – November Spawned a Monster

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

José Mário Branco - Margem De Certa Maneira

Faleceu José Mário Branco


Para ir ouvindo através dos tempos...




Do álbum "Ao Vivo em 1997" escolho "Margem de Certa Maneira" que pertencia ao primeiro LP de 1971.

"...
Escorrego na lama do meu passado
Do meu passado presente
Mas não fico na lama desnorteado
Vou ao fundo da lama do outro lado
Do outro lado da mente
Do outro lado da gente
Do lado da gente do outro lado
Do lado da gente que vive de frente
Da gente que vive o futuro presente
..."




José Mário Branco - Margem De Certa Maneira

Guns N’ Roses – November Rain

Os Meses do Ano em Canção


Num género que tem muitos fãs, os Guns N' Roses surgidos em 1985 quando o Hard-Rock já tinha dado os seu melhor. Com origens nos anos 60 teve o seu apogeu na década seguinte, sendo os Rolling Stones, Led Zeppelin, Deep Purple, The Who, alguns dos seus melhores intérpretes. Pessoalmente fiquei por aqui.
A continuação do géneros e outros sub-produtos continuou nos anos 80 com um manancial de bandas que tiveram legiões de seguidores, entre elas estavam os Iron Maiden, Def Lepard, Scorpions, AC/DC, Whitesnake e muitos outros entre os quais os Guns N' Roses, motivo do Regresso ao Passado de hoje.






Se o sucesso se verificou logo ao 1º LP ("Appetite for Destruction" - 1987) será na década de 90 que se verifica a consagração tendo entretanto adoptado por uma sonoridade menos agressiva, nomeadamente com a introdução de teclados. "Use Your Illusion 1" é o primeiro álbum da década (1991)  e nele aparece a balada "November Rain".
As baladas Rock, que se tornaram numa das características dos Guns N' Roses, tiveram boa aceitação pelo grande público e "November Rain" não foi excepção. Para mim algo xaroposa e extensa demais, eis "November Rain".




Guns N’ Roses – November Rain

terça-feira, 19 de novembro de 2019

José Mário Branco - Quando Eu For Grande (Carta aos meus netos)

Faleceu José Mário Branco


O primeiro contacto que tive com a música de José Mário Branco foi em 1971 a 26 de Novembro quando o programa de rádio "Página Um" realizou em directo do cinema Roma a passagem integral do álbum "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" (claro que sem o José Mário Branco que se encontrava em França).

A última vez que o vi foi a 8 de Setembro de 2018 no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett na apresentação do álbum "Inéditos - 1967/1999".

Pelo meio a sua presença constante na minha vida. José Mário Branco, vida e obra, ficará para sempre entre nós.
É impossível esquecer!






José Mário Branco - Quando Eu For Grande (Carta aos meus netos)

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Van Morrison – I Can’t Stop Loving You

Grandes Versões

Não conhecia a versão original de "I Can´t Stop Loving You", uma canção dos finais dos anos 50 escrita e interpretada pelo cantor country Don Gibson (1928-2003). Creio que aquela que primeiro conheci foi a de Ray Charles do ano de 1962. Na realidade não a associava à música Country, mas sim ao Soul e Rhythm'n'Blues, daí que não me admira-se pela versão que Van Morrison efectuou em 1991 para o seu duplo álbum "Hymns to the Silence".


Edição dos EUA da Polydor em duplo CD, ref: 314 519 219-2


Longe de conhecer todas as versões que esta canção tem, arrisco-me a dizer que esta é a mais bem conseguida, pelo menos entre as que conheço é sem dúvida a melhor interpretação, com a presença de Georgie Fame e dos The Chieftains a dar um contributo significativo. Recupero então novamente "I Can't Stop Loving You".




Van Morrison – I Can’t Stop Loving You

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

June Tabor - All Tomorrow's Parties

Grandes Versões


Uma versão improvável. Sim sem dúvida, o que têm os The Velvet Underground dos anos 60 a ver com a June Tabor dos anos 90? À partida diria nada, The Velvet Underground, formados na cosmopolita Nova Iorque, na vanguarda do Rock mais experimental que na altura se poderia imaginar, June Tabor, nascida em Warwick no centro de Inglaterra, uma das maiores cantoras Folk ainda em actividade.

The Velvet Underground tiveram curta duração (final dos anos 60 inicio da de 70) mas revolucionaram a música Rock e a sua importância é hoje indiscutível, se o nome disser pouco saiba-se que Lou Reed e John Cale foram seus fundadores. June Tabor iniciou-se nas lides musicais nos anos 70 tendo, para além de uma riquíssima discografia a solo, colaborado com nomes importantes do Folk inglês, Maddy Prior, logo no início, os Oysterband,  Iain Ballamy e Huw Warren como Quercus são algumas das suas mais importantes parcerias.


Edição RYCODISC, ref: RCD 10194, de 1990


O original de hoje pertence aos The Velvet Underground no seu disco de estreia "The Velvet Underground & Nico" (1967) e dá pelo nome de "All Tomorrow's Parties", foi composta por Lou Reed tendo Nico dado a voz. E é esta canção que faz a ponte a June Tabor pois constava no álbum "Freedom and Rain" (1990) que esta gravou com a The Oyster Band (antes de ser simplesmente Oysterband) em 1990. Dois mundos quase oposto aqui ligados por uma canção com duas interpretações tão distintas. O original já se encontra neste blogue, resta agora a versão de June Tabor with The Oyster Band.




June Tabor - All Tomorrow's Parties