Ainda sem rumo definido para a continuação destes meus Regresso ao
Passado vou os fazendo ao sabor da ocasião. E tudo serve de pretexto para ir
mantendo vivo este Blogue. Tenho estado a ouvir a discografia que disponho de
Eva Cassidy, e esse é o pretexto, a saber por ordem de edição:
- The Other Side (with Chuck Brown) (1992) - Live at Blues Alley
(1996) - Ao vivo - Eva by Heart (1997) - Songbird (1998) -
Compilação - Time After Time (2000) - No Boundaries (2000) -
Não oficial - Imagine (2002) - American Tune (2003) - Ao
vivo
- Nightbird (2015) - Ao vivo
Eva Cassidy faleceu em Novembro de 1996 sem ver editado qualquer álbum de
estúdio em nome próprio (na realidade "The Other Side" aparece como Chuck
Brown and Eva Cassidy) e foi uma cantora com uma voz extraordinária que não
foi devidamente reconhecida em vida. Interpretava sobretudo temas de outros
compositores tendo uma capacidade impressionante de lhes dar um cunho pessoal
que nos faz esquecer muitas vezes o original.
Deixou gravadas, cruzando os mais diversos géneros musicais, canções
como "Bridge over Troubled Water", "Songbird", "Fields of
Gold", "Woodstock", "(You Make Me Feel Like) A Natural
Woman", "Who Knows Where the Time Goes?", "Imagine", para citar somente
as mais conhecidas, e ainda muitos temas tradicionais e standards de Jazz.
Edição de 2CD+1DVD com a ref: G2 10209
Em "Nightbird" surge uma verão impressionante de "Over the Rainbow", um
original de 1939 na voz de Judy Garland, que hoje recupero. Assim cantava Eva Cassidy a 3 de Janeiro de 1996. Fiquem bem.
No espaço de poucos dias volto à compilação "eps" de Robert Wyatt de 1999,
primeiro a pretexto do tema "Grandes Versões" e hoje para dar continuidade a
estas "Raridades". Relembro que "eps" é uma caixa de 5 CD de curta duração,
média de 20 minutos, composta por temas de várias fases (de 1974 a 1998) da
carreira de Robert Wyatt contendo edições em Single, versões alternativas e
remixes.
Hoje, o interesse vai para o 5º CD composto por 4 temas todos eles com origem
no álbum "Shleep".
Edição Hannibal do Reino Unido. com ref: HNCD 1440 - 5º CD
"Shleep" é um extraordinário álbum de Robert Wyatt de 1977 que contou entre
outros com os ex-Roxy MusicBrian Eno e Phil Manzarena e o ex-Jam Paul Weller.
Um disco a fazer jus ao renome que entretanto Robert Wyatt foi ganhando como
uma das figuras mais respeitadas da música de vanguarda de origem em
Canterbury (The Canterbury Sound).
São do próprio Robert Wyatt as seguintes palavras:
"... although these four remixes were done even before I'd finished
recording, it was only when 'Shleep' was mixed, mastered and manufactured
that I could bring myself to listen to the remixes. I was afraid of feeling
hopelessly challenged by my archaic inadequacy in the face of modern
conputerised know-how; of being so demoralised that I woudn't be able to
enjoy the adventure of my own evental mixes. Pathetic really, when you think
about it."
Não sendo eu grande fã de remixes, muitas vezes repletos de electrónica, não
aderi facilmente a estas versões as quais não ouço com frequência. De qualquer
modo aqui fica este remixe de "Free Will And Testament".
Nova passagem pelo tema "Raridades", valha o nome o que se quiser numa época
em que tudo está disponível a um click de distância. São genericamente canções
que por qualquer motivo praticamente não tiveram qualquer divulgação
tratando-se muitas vezes de gravações perdidas e mais tarde recuperadas,
outras vezes gravações ao vivo, tantas vezes objecto de edições
contrabandeadas, ou ainda gravações demo a merecerem ser conhecidas.
Assim sendo começo com John Renbourn.
John Renbourn (1944-2015), já marcou presença nestes meus Regresso ao Passado
nas suas gravações iniciais com Dorris Henderson, com Bert Jansch e com
os Pentangle onde permaneceu até ao seu fim em 1972.
É depois do fim dos Pentangle que John Renbourn grava um conjunto de temas que
iriam ficar esquecidos e recuperados somente em 1996 resultando no álbum "Lost
Sessions" que hoje aqui trago.
Edição alemã em CD com a ref: EDCD 490
Um disco muito calmo, relaxante onde tudo soa natural e é interpretado de uma
forma diria tão fácil. Como diz John Renbourn:
"... trying to cheer myself up by gathering together a bunch of friends
to play a little music and have good time."
Quanto às canções
"... were mostly autobiographical, reflecting my move out of the city from
an old sailing barge on the Thames - 'Riverside Song', and down to the West
Country - 'To Glastonbury'."
Um disco que os fãs de John Renbourn devem adquirir, a juntar à longa e rica
discografia que nos deixou.
Mais um Regresso ao Passado em que o Folk e o Rock se cruzam. não fosse
Richard Thompson um dos seminais e principais músicos do Folk-Rock.
Começo pelo Rock, o Rock do grupo inglês The Who que teima em se manter com os
sobreviventes Roger Daltrey e Pete Townshend, e uma das suas primeiras
canções, "Susbstitute".
"Substitute" foi editada em Single em 1966 e seria uma das canções escolhidas
para o primeiro álbum ao vivo do grupo "Live at Leeds" de 1970, um disco que
eu particularmente gostava quando este foi publicado. Toda a força e rebeldia
do Rock num concerto histórico gravado a Universidade de Leeds em 1970, já The Who tinham atingido o estatuto de representantes do movimento Mod que
culminaria anos mais tarde com o álbum e o filme "Quadrophenia".
Quanto a Richard Thompson, já variadas vezes a ele recorri, como uma das
figuras mais importantes do Folk e Folk-Rock britânico deste os primórdios dos
Fairport Convention até aos nossos dias em ímpar carreira a solo. Desde o Folk
mais tradicional a propostas mais arrojadas, com incursões pelo Rock mais
pesado, em algumas gravações quando se apresenta como Richard Thompson
Electric Trio.
Recordo-me por exemplo da interpretação de "White Room" dos Cream, mas também desta
"Substitute" a solo e em formato acústico.
4º CD da caixa The Life & Music of Richard Thompson de 2006 com
a ref: FRQCD-55
Esta versão de "Substitute" consta na caixa "The Life & Music of Richard
Thompson", no 4º de 5 CD intitulado "The Songs Pour Down Like Silver - The
Covers & Sessions" e foi gravada ao vivo em Bradford, UK em 1992.
Neste tema de "Grandes Versões" já passei por Robert Wyatt a propósito da
canção "Insensatez" de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Robert Wyatt, admirável
compositor e intérprete, não se inibe de introduzir na sua obra algumas versões
regra geral de muito bom gosto, mesmo quando o original parece não se prestar
a isso. Veja-se o exemplo hoje, "I'm a Believer" à qual volto mas agora para
uma versão mais longa.
Canção genuinamente Pop que teve na versão dos The Monkees em 1966 o seu maior
sucesso, seria mais tarde recuperada por Robert Wyatt editando-a em Single em
1974, é esta que já se encontra
aqui
noutro Regresso ao Passado.
Edição Hannibal do Reino Unido. com ref: HNCD 1440
Em 1999 foi publicada uma caixa intitulada "eps" que continha 5 CD (de curta
duração, vinte e poucos minutos no máximo) com temas editados entre 1974 e
1997 e remasterizados para esta compilação. A primeira das quais é exactamente
"I'm a Believer" (previously unreleased extended version). Com produção de
Nick Mason são os músicos seguintes que participam nesta canção: Fred Frith
(Violino e guitarra), David MacCrae (Piano), Richard Sinclair (Guitarra
Baixo), Nick Mason (Bateria) e Robert Wyatt (Voz). É do próprio Robert Wyatt o
seguinte texto constante nesta compilação:
"Mostly this is about asking musicians more accustomed to extende and
extemporised music to focus their attention on something short and sweet: a
pop format without the career structures associated with the genre.
However, such mainstream aspirations were definitely becoming priorities for
the record company. Opinions were expressed about musical details. Fred
Frith's totally original violin break on 'I'm a Believer' might intimidate
influential disc jockeys, etc.."
Eva Cassidy foi uma extraordinária cantora prematuramente falecida em 1996 com
apenas 33 anos. Quis a sua qualidade vocal e capacidade de interpretação de
temas de todos os géneros que não fosse devidamente explorada em vida pela
indústria musical sempre ávida de catalogação e de abordagens mais comerciais,
tendo assim, em vida, sido publicado um único álbum em nome próprio. Mesmo
assim, tratava-se de um álbum ao vivo, "Live at Blues Alley", e editado por
conta própria. De estúdio ficou um único álbum "Eva By Heart" editado em 1997
já Eva Cassidy tinha falecido. No entanto vários álbuns têm surgido no mercado
com gravações de estúdio e ensaios por ela efectuados e que dariam azo a
muitos Regresso ao Passado de qualidade indiscutível.
Vamos devagar, para hoje reservei "Songbird", um excelente tema que constava
no álbum "Eva By Heart" de 1997.
Edição do Reino Unido em CD com a ref: G2-10147
"Songbird" é um original de Christine McVie e que surge no famosíssimo álbum
"Rumours" dos Fleetwood Mac no ano de 1977. E se já aqui se tratava de uma
bela canção que dizer desta versão da Eva Cassidy, mais uma vez, para mim, a
versão a ultrapassar o original o que não é muito habitual nos meus gostos.
Não muito distante, no tempo, do Regresso ao Passado de ontem, recorde-se
Fiona Apple com "Pale September" (1996), encontra-se Marianne Faithfull com
"Flaming September" editado no ano anterior e incluído no álbum "A Secret
Life".
A Marianne Faithfull de "As Tears Go By" (1965) já estava muito distante e a
sua voz também já não tinha nada a ver, era frágil e melodiosa nos anos 60 e
tornou-se áspera e grave logo nos anos 70, quer por problemas de saúde na
garganta quer pelo consumo excessivo de drogas. O que é certo é que mesmo
assim as suas melhores gravações datam do final dos anos 70 e década de 80
onde destaco os álbuns "Broken English" (1979) e "Strange Weather" (1987).
Entre cinema, TV e a música, mais ou menos bem recebida, se tem desenvolvido a
sua carreira, recentemente esteve hospitalizada com COVID-19 e já este ano foi
editado o seu último trabalho, "She Walks in Beauty", em colaboração entre
outros com Warren Ellis, Brian Eno, e Nick Cave, onde declama poesia de
autores ingleses do século XIX.
https://www.discogs.com/
Para "A Secret Life" Marianne Faithfull teve a colaboração de Angelo Badalamenti cuja sonoridade etérea e algo misteriosa nem sempre resulta bem
neste disco. A excepção vai para "Flaming September" onde a combinação entre
os dois melhor resulta.
Quando em 1996 Fiona Apple editou o seu 1º álbum, "Tidal", e apesar da
recepção que teve, julgo que estaria longe de imaginar que em 2020 o seu mais
recente trabalho, "Fetch the Bolt Cutters", estaria no topo de várias listas
de melhores álbuns do ano e mais ainda que receberia uma chamada telefónica de
Bob Dylan a convidá-la para participar no álbum "Rough and Rowdy Ways" que
também sairia no mesmo ano.
Fiona Apple tem vindo a revelar-se uma agradável surpresa em áreas próximo do
Jazz e no Pop experimental com potencial de desenvolvimento mas
simultaneamente menos comerciais. É no seu disco de estreia,"Tidal", não tinha
Fiona Apple ainda 20 anos, que encontro o tema de hoje "Pale September".
https://www.discogs.com/
Ao ouvir "Tidal", lembrei-me de uma outra grande artista, Laura Nyro
(1947-1997), que há muito tempo não ouço. Recuperações a fazer... Para já é
com "Pale September" que ficamos.
"Pale September, I wore the time like a dress that year
The autumn days swung soft around me, like cotton on my skin..."
"Música Nova", "Música Velha" eis a luta que no início dos anos 70 se travava
em Portugal e que o jornal "DISCO MÚSICA & MODA" faz eco no seu nº 5 em
Abril de 1971 com um artigo sob o título de "Outra «Alvorada» para a «Música
Nova»".
«Alvorada» era uma etiqueta musical pertença da editora Rádio Triunfo que à
data deste artigo operava mudança na sua alinha editorial para isso contratou
Carlos Portugal com o intuito de renovar a sua política de gravação apostando
em jovens de talento que então surgiam em contraponto com artistas mais velhos
ligados à música ligeira mais conservadora.
"Que se prensem discos de boa música, de bons intérpretes e de bons
compositores é um dos maiores desejos de quem se deseja libertar, pelo
esquecimento, das negras brumas musicais do passado."
lia-se neste artigo, onde se referiam as gravações já efectuadas com Luís Romão e o duo Elas.
O primeiro Single de Luís Romão, com produção de Carlos Portugal e Direcção
musical de Pedro Osório, seria editado em 1971 encontrando-se o seguinte texto
na contra-capa:
"Eis o primeiro disco de Luís Romão. Eis, concretizado, o esforço e o trabalho de quatro meses; mas, também, eis,
em Single, o entusiasmo duma equipa crente, deste o primeiro instante, nas
excepcionais possibilidades deste novo artista. Eis, finalmente, nas simples
espiras dum disco, mais uma vez demonstrada a linha que sempre norteou esta
editora: possibilitar a revelação de novos valores. Cabe, agora, ao público e à crítica apreciar e julgar a voz e o poder
interpretativo de Luís Romão. Por nós ficamos com a certeza de termos divulgado um jovem que irá enriquecer
com a sua voz e a sua música o panorama artístico português. Luís Romão nasceu em Évora, em 1948. Estudou em Coimbra onde colaborou em vários Conjuntos de estudantes; aí
conheceu Carlos Portugal e juntos actuaram em várias festas estudantis. Veio,
mais tarde, para Lisboa prosseguir os estudos. Pertenceu desde a sua fundação, ao Conjunto Fluído como guitarra solo. Em traços muito largos esta é a "história" de Luís Romão.
No caminho do êxito os primeiros passos começam agora..."
"Cavalgando meu País" é a canção título deste Single que infelizmente não se
encontrava entre o mais inovador e consistente da «Música Nova" que então se
anunciava.
As palavras valem o significado que num determinado tempo se lhes dá. É cada
vez mais comum assistirmos à adulteração de determinadas palavras, muitas das
vezes com a cumplicidade dos media, vulgarizando o significado que tinham. Dou
como exemplo as palavras "icónico" e "épico" tão mal tratadas hoje em dia,
tudo é icónico, tudo é épico. Evito a utilização de tais palavras.
Noutras o aviltamento não será tão evidente ou não chegará mesmo a acontecer,
depende.
Por exemplo "raridade" que serve para este novo tema que hoje introduzo.
Raridade ou raridades é um termo que tem vindo a ganhar terreno e a ser
utilizado com maior frequência nos meios musicais e que muitas vezes me deixam
na dúvida se estão a ser bem utilizadas ou não. Julgo que muitas vezes, mais
marketing que outra coisa, é anunciada, nomeadamente na republicação de obra
mais antiga de artistas consagrados da música Pop-Rock, a edição de novos
discos com raridades quer nas imagens, quer no áudio. Serão mesmo raridades?
O senso comum dizia-me que raridade é algo que é raro ou seja que existe muito
pouco e que é muito difícil de encontrar. Tinha uma noção muito restritiva da
palavra e 'raramente' a usava.
Vejamos o que diz o Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo,
Livraria Bertrand, Lisboa 1949:
Raro, Que não é denso ou que é pouco denso. Pouco espesso:
arvoredo raro. Que acontece poucas vezes; que não é corrente:
as libras hoje são raras.
Extraordinário.
ou num dicionário mais recente, o Dicionário da Língua Portuguesa
Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa de 2001:
raro. O m. que ralo
ralo.
1. Que tem pouca espessura, pouca densidade. = RARO
2. Que se apresenta com espaços entre si. = ESPAÇADO, INTERVALADO
3. Que existe em pequena quantidade, em pequeno número; que é pouco frequente.
= RARO
Sem contrariar o que eu pensava da palavra, fiquei, no entanto, mais
confortável com a sua utilização, podendo haver alguma subjectividade, o que é
pequena quantidade?, ou pequeno número? ou ainda pouco frequente?
Assim sendo início hoje o tema "Raridades" que ficará em aberto para futuras
passagens.
Começo com Richard Thompson, figura ímpar e pouco conhecida da música
Folk-Rock. para uma melhor contextualização sugiro passagem primeira pelas
outras entradas referentes a Richard Thompson, por mim anteriormente utilizadas.
Caixa editada pela Free Reed, Ref: FRQCD-55
Em 2006 é editada uma caixa de 5 CD denominada "RT The life and music of
Richard Thompson", e não preciso de chegar ao último CD denominado "Something
Here Worth More Than Gold - Real Rarities" para encontrar um tema que
considere que merece constar nestas "Raridades". Muitos dos 85 temas que
compõem esta caixa são
"...previously unreleased and extremely hard to find..." pelo que
encaixariam bem neste meu propósito de escolher uma raridade. Fico no CD 4
"Songs pour down like silver - Covers and Sessions" e escolho "The Who Medley:
My Generation/Can't Explain/Substitute", nem mais, Richard Thompson a
interpretar The Who.
No livro de 167 páginas que acompanha esta caixa pode-se ler,
"Thanks to Richard for allowing the inclusion of this very impromptu
performance. ("I don't think I know the words to all those songs: ah, I
cleraly didn't"), Second encore at this memorable concert, wherein Richard
surprises and delights by improvising a medley of My Generation, I Can´t
Explain and a rather different version of Substitute"
(gravado em Iron House, Massachusetts, 1990)
Para quem não estiver familiarizado com a música de Richard Thompson esta
caixa não será a melhor opção para o fazer, algumas faixas deixam mesmo a
desejar em termos de qualidade de gravação, trata-se portanto de uma caixa
para os fãs deste histórico músico inglês. Uma boa entrada será a colectânea
de 3 CD "Watching The Dark" publicada em 1993.
E aqui fica esta primeira raridade, Richard Thompson a interpretar The Who.
Será, ele próprio uma raridade?
Richard Thompson - The Who Medley: My Generation/Can't Explain/Substitute
Uma das canções mais bonitas dos anos 60 foi-nos deixada pelos The Moody Blues
no álbum conceptual "Days of Future Passed" (1967), trata-se da
incontornável "Nights In White Satin", bastante divulgada à época e que
promoveram o grupo para a ribalta da melhor música Pop então praticada. Num
desafio da editora Decca de adaptarem a sinfonia "New World" de Antonín
Dvořák (1841-1904), The Moody Blues responderam com um conjunto de canções,
para grupo e orquestra, sobre o ciclo de vida de um dia que muitos consideram
o início do Rock Progressivo.
Um disco que muito cedo tomei conhecimento e que tem-me acompanhado desde que
o adquiri vai para 50 anos! Um disco transversal a gerações, com ele o meu pai
começou a apreciar a nova música Pop que então explodia, gosto que se prolongou para a minha filha
mais velha.
"Nights In White Satin" foi escrita por Justin Hayward recém chegado ao
grupo em substituição de Denny Laine (futuro membro dos Wings de Paul McCartney) e que contribuiria para a nova sonoridade do grupo, até
então próxima do Rythm'n'Blues.
A letra vinha publicada, em Outubro de 1970, no nº 11 da revista "mundo da canção", encontrava-se nos "Êxitos de Ontem".
A versão original completa já se encontra neste blogue pelo que desta vez fui
buscar uma outra versão, desta vez ao vivo em Red Rocks com a Orquestra
Sinfónica do Colorado a 9 de Setembro de 1992, já The Moody Blues viviam de
recordações, felizmente boas recordações.
Para começar o mês de Junho cinco canções que têm pouco em comum a não ser ter o
nome do mês no seu título, é o retorno ao tema "Os Meses do Ano em Canção".
É com os Bright Eyes que começo e o nome da canção é "June On The West Coast".
Associados ao Rock independente dos anos 90, os Bright Eyes, oriundos do
Nebraska, eram das formações mais interessantes que aquela década viu nascer.
Infelizmente terminados em 2011 parece que este ano vai conhecer o seu
retorno, assim o espero.
Tendo como figura central Conor Oberst multi-instrumentista, autor e cantor
deveras singular com uma capacidade interpretativa muito comovente, os Bright
Eyes deixaram-nos discos tão marcantes como o EP "Every Day and Every Night"
ou os LP "I'm Wide Awake, It's Morning" e "Digital Ash in a Digital Urn", os
dois de 2005.
https://www.discogs.com/
"June On The West Coast" é mais antiga, vem do segundo álbum "Letting Off The
Happiness" de 1998 e conta somente com Conor Oberst na viola acústica e voz.
Começamos bem o mês, começamos com "June On The West Coast": "I spent a week drinking the sunlight of Winnetka, California/ Where they understand the weight of human hearts..."
Algumas memórias de 2019
Não são da geração de 60, mas também não estão entre as propostas mais recentes da música popular, contudo, têm já uma sólida carreira iniciada nos anos 90, são os Tindersticks. E são uma das sugestões mais interessante da música, digamos, alternativa que nos é apresentada actualmente. Desde 1993 que desenvolvem um percurso que é de enaltecer, pois, têm conseguido, pese as alterações do grupo, uma coerência e qualidade musical pouco vulgar. 12 álbuns de estúdio, várias bandas de sonoras de filmes da realizadora francesa Claire Denis, compilações e registos ao vivo de não menos interesse, compõem a discografia deste grupo oriundo de Nottingham, Inglaterra e que tão frequentemente têm actuado no nosso país.
Edição em CD ref: Lucky Dog 24 / Slang50236
"No Treasure but Hope" é a proposta mais recente e que as mais diversas listas de melhores álbuns do ano ignoraram por completo. Poderá não ser o melhor dos álbuns dos Tindersticks, mas mantém níveis de interesse mais do que satisfatórios para, apesar de ter sido lançado somente em Novembro ter sido o que mais ouvi no ano transacto. Vou mais longe e elejo-o o meu álbum do ano, no seguimento de Richard Thompson, The Unthanks, Shirley Collins e Quercus nos anos anteriores. Os primeiros acordes de "No Treasure but Hope" são assim.
Os Meses do Ano em Canção Tom Waits é um verdadeiro artista. Primeiro conheci Tom Waits pelo álbum duplo "Nightawks at the Diner" de 1975 e logo vi, temos aqui artista e dos bons. Um disco de estúdio com uma pequena audiência dava-nos o ambiente de um clube de Jazz, onde, inclusive, falava com o público. E aquela voz estranha, a mais "fanhosa" que ouvia depois de Bob Dylan, com apenas 26 anos prometia. Como verdadeiro artista, evoluiu, do Jazz para o Blues com passagens pelo vaudeville com o cimento do Rock a consolidar a sua música. Da música para o cinema foi um passo desempenhando normalmente pequenos papéis com Jim Jarmuch, normalmente, por perto. Desde 2011 que não temos, infelizmente, novidades discográficas de Tom Waits.
"November", a canção que lhe fui buscar para esta passagem de canções com o mês de Novembro em título, pertence ao álbum "The Black Rider" do ano de 1993.
Para os amantes do mês de Novembro, esta é uma grande canção a saborear devidamente, prestem atenção à utilização do serrote musical determinante no ambiente criado para esta canção.
Os Meses do Ano em Canção The Smiths foram uma lufada de ar fresco na música Pop dos anos de 80 a fazer pensar que a Inglaterra tinha encontrado legítimos sucessores dos The Beatles. Entre 1984 e 1987 a esperança existiu em 4 álbuns de originais e 3 de compilações, maioritariamente, de Singles não editados em álbum.
Morrissey era o vocalista e, conjuntamente com Johnny Marr, os principais definidores da orientação musical do grupo. Quer um quer outro encetaram carreiras a solo e no que diz respeito a Morrisey aquém do que era expectável.
"November Spawned a Monster" está, infelizmente, entre o menos interessante que Morrisey produziu pós 1987. Arrasta-se, num Pop incaracterístico, para alguns Rock alternativo ou independente, por uns longos 5 minutos, muito, muito longe do que nos tinha habituado na era dos The Smiths.
"November Spawned a Monster" foi editada em Single e data de 1990.
Faleceu José Mário Branco
Para ir ouvindo através dos tempos...
Do álbum "Ao Vivo em 1997" escolho "Margem de Certa Maneira" que pertencia ao primeiro LP de 1971.
"... Escorrego na lama do meu passado Do meu passado presente Mas não fico na lama desnorteado Vou ao fundo da lama do outro lado Do outro lado da mente Do outro lado da gente Do lado da gente do outro lado Do lado da gente que vive de frente Da gente que vive o futuro presente ..."
Os Meses do Ano em Canção
Num género que tem muitos fãs, os Guns N' Roses surgidos em 1985 quando o Hard-Rock já tinha dado os seu melhor. Com origens nos anos 60 teve o seu apogeu na década seguinte, sendo os Rolling Stones, Led Zeppelin, Deep Purple, The Who, alguns dos seus melhores intérpretes. Pessoalmente fiquei por aqui.
A continuação do géneros e outros sub-produtos continuou nos anos 80 com um manancial de bandas que tiveram legiões de seguidores, entre elas estavam os Iron Maiden, Def Lepard, Scorpions, AC/DC, Whitesnake e muitos outros entre os quais os Guns N' Roses, motivo do Regresso ao Passado de hoje.
Se o sucesso se verificou logo ao 1º LP ("Appetite for Destruction" - 1987), será na década de 90 que se verifica a consagração tendo entretanto adoptado por uma sonoridade menos agressiva, nomeadamente com a introdução de teclados. "Use Your Illusion 1" é o primeiro álbum da década (1991) e nele aparece a balada "November Rain".
As baladas Rock, que se tornaram numa das características dos Guns N' Roses, tiveram boa aceitação pelo grande público e "November Rain" não foi excepção. Para mim algo xaroposa e extensa demais, eis "November Rain".
O primeiro contacto que tive com a música de José Mário Branco foi em 1971 a 26 de Novembro quando o programa de rádio "Página Um" realizou em directo do cinema Roma a passagem integral do álbum "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" (claro que sem o José Mário Branco que se encontrava em França).
A última vez que o vi foi a 8 de Setembro de 2018 no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett na apresentação do álbum "Inéditos - 1967/1999".
Pelo meio a sua presença constante na minha vida. José Mário Branco, vida e obra, ficará para sempre entre nós.
É impossível esquecer!
José Mário Branco - Quando Eu For Grande (Carta aos meus netos)
Grandes Versões
Não conhecia a versão original de "I Can´t Stop Loving You", uma canção dos finais dos anos 50 escrita e interpretada pelo cantor country Don Gibson (1928-2003). Creio que aquela que primeiro conheci foi a de Ray Charles do ano de 1962. Na realidade não a associava à música Country, mas sim ao Soul e Rhythm'n'Blues, daí que não me admira-se pela versão que Van Morrison efectuou em 1991 para o seu duplo álbum "Hymns to the Silence".
Edição dos EUA da Polydor em duplo CD, ref: 314 519 219-2
Longe de conhecer todas as versões que esta canção tem, arrisco-me a dizer que esta é a mais bem conseguida, pelo menos entre as que conheço é sem dúvida a melhor interpretação, com a presença de Georgie Fame e dos The Chieftains a dar um contributo significativo. Recupero então novamente "I Can't Stop Loving You".
Grandes Versões
Uma versão improvável. Sim sem dúvida, o que têm os The Velvet Underground dos anos 60 a ver com a June Tabor dos anos 90? À partida diria nada, The Velvet Underground, formados na cosmopolita Nova Iorque, na vanguarda do Rock mais experimental que na altura se poderia imaginar, June Tabor, nascida em Warwick no centro de Inglaterra, uma das maiores cantoras Folk ainda em actividade.
The Velvet Underground tiveram curta duração (final dos anos 60 inicio da de 70) mas revolucionaram a música Rock e a sua importância é hoje indiscutível, se o nome disser pouco saiba-se que Lou Reed e John Cale foram seus fundadores. June Tabor iniciou-se nas lides musicais nos anos 70 tendo, para além de uma riquíssima discografia a solo, colaborado com nomes importantes do Folk inglês, Maddy Prior, logo no início, os Oysterband, Iain Ballamy e Huw Warren como Quercus são algumas das suas mais importantes parcerias.
Edição RYCODISC, ref: RCD 10194, de 1990
O original de hoje pertence aos The Velvet Underground no seu disco de estreia "The Velvet Underground & Nico" (1967) e dá pelo nome de "All Tomorrow's Parties", foi composta por Lou Reed tendo Nico dado a voz. E é esta canção que faz a ponte a June Tabor pois constava no álbum "Freedom and Rain" (1990) que esta gravou com a The Oyster Band (antes de ser simplesmente Oysterband) em 1990. Dois mundos quase oposto aqui ligados por uma canção com duas interpretações tão distintas. O original já se encontra neste blogue, resta agora a versão de June Tabor with The Oyster Band.