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terça-feira, 22 de setembro de 2020

Miles Davis - So What

               DISCO MÚSICA & MODA, nº 5 de 1 de Abril de 1971


"Os Elementos Constitutivos do Jazz" é o título de um conjunto de artigos que o jornal "DISCO MÚSICA & MODA" publicou nas suas páginas. Os dois primeiros foram dedicados ao "ritmo" e ao "swing", e já se encontram neste blogue, neste terceiro o tema é "tratamento da matéria sonora" e constava no nº 5 daquele jornal.

Trata-se de um aspecto facilmente reconhecido, pois segundo o artigo "A uma primeira (e breve) audição, qualquer indivíduo, por mais afastado que se encontre das lides musicais, pode verificar que a sonoridade do trompete de Louis Amstrong (ou de Miles Davis) é completamente diversa da sonoridade exigida nas escolas onde se ensina a música «erudita» europeia; e ainda que a de Louis é, por sua vez, bastante diferente da de Miles."





As razões desta forma original de "tratamento da matéria sonora" e desenvolvida de seguida em três pontos; muito melhor do que eu tentar falar deles sugere-se a sua leitura.

A única referência a músicos de Jazz é aquela que acima transcrevi, escolho Miles Davis pela "... sua maneira muito especial de encarar o tratamento da matéria sonora".

Ontem John Coltrane hoje Miles Davis, coincidência ou não, duas figuras incontestadas do melhor Jazz produzido que foram das primeira que aprendi a gostar.

Recuo a 1959, para aquele que muitos consideram o melhor disco de Jazz de sempre, "Kind of Blue". Em "So What", a faixa escolhida, o sexteto de gravação foi o seguinte:

Miles Davis - Trompete
Julian "Cannonball" Adderley – Saxofone Alto
Paul Chambers - Baixo
James Cobb - Bateria
John Coltrane - Saxofone Tenor
Bill Evans - Piano



Miles Davis - So What

terça-feira, 24 de abril de 2018

Miles Davis - John McLaughlin

1970 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

Foi sem dúvida excelente o ano de 1970. Dentro das variadíssimas matizes que o Rock tomava, o Jazz-Rock foi uma das que mais se desenvolveu. Não só da parte dos músicos Rock, a incorporar influências do Jazz na sua sonoridade, como da parte de consagrados músicos de Jazz que não resistiram a fazer o percurso inverso e a serem convencidos das vantagens de alguma aproximação ao Rock.
Miguel Esteves Cardoso, no texto "O Ovo e o Novo - (uma) Discografia duma Década de Rock: 1970-1980" que tenho vindo a seguir, chamou de "Fusão (Jazz)" e escolheu 4 álbuns, 3 oriundos mais do Jazz e o outro mais do Rock, que eram os seguintes:

Miles Davis - Bitches Brew
Weather Report - Weather Report
Jean-Luc Ponty - King Kong
Soft Machine - Third

Ao primeiro deu 5 estrelas, aos dois seguintes 3 estrelas e ao último 4 estrelas.

Hoje ficamos com Miles Davis.

Edição de 1987 da série CBS Jazz Masterpieces, referência CBS 460602 2.
(Printed in Holland (Cover), Printed in Austria (Disc))



Do álbum histórico "Bitches Brew", que esbateu fronteiras e aproximou públicos, fica para audição a faixa mais curta de nome "John McLaughlin", o conhecido guitarrista de Jazz-Rock, precisamente. É ele que se ouve na guitarra.




Miles Davis - John McLaughlin

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Miles Davis - One And One

As diversas prestações de Paul Buckmaster nos anos 60 e 70


Paul Buckmaster, violoncelista  com formação clássica, foi uma figura destacada no mundo da música Pop-Rock evidenciando-se em arranjos que efectuou para músicos como Elton John, David Bowie, Leonard Cohen e The Rolling Stones.
Gostava também de música de vanguarda e Jazz, que se veio a reflectir no ano de 1972 ao ter uma significativa colaboração com o músico Miles Davis.
Essa colaboração verificou-se no controverso álbum "On The Corner" gravado e editado nesse mesmo ano.
A wikipédia refere Paul Buckmaster como "Arranger/Conductor" deste LP e encontra-se também informação que o referencia a tocar violoncelo nas sessões de "On The Corner" de 1 e 6 de Junho, mas tal não acontece nos temas da edição original do disco somente com 4 faixas.





No entanto a influência de Paul Buckmaster neste trabalho é determinante, por um lado ao apresentar a Miles Davis a música do compositor alemão Stockausen, pioneiro na introdução de instrumentos electrónicos na música clássica, por outro ao escrever os arranjos que serviram de base às sessões de estúdio.
Segue a faixa "One And One".




Miles Davis - One And One

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Miles Davis - Nature Boy

“Nature Boy” é uma canção composta em 1947 e atribuída a um tal Eden Ahbez (há quem manifeste dúvidas e encontre também semelhanças com um Quinteto de Dvorak  e efectivamente há)



Foi nesse mesmo ano gravada por Nat King Cole  que podemos ver/ouvir no vídeo seguinte.




A canção foi alvo de dezenas de versões desde a triste e dramática interpretação de David Bowie no filme “Moulin Rouge”, passando pela que escolhi e que é, a meu ver, claro, simplesmente irresistível: Miles Davis, no álbum “Blue Moods” de 1955.






Excelente exemplo de um jazz muito “cool” que Miles tão bem praticava nessa década, aqui acompanhado pelos lendários Charles Mingus (baixo) e Elvin Jones (bateria).
Os arranjos de “Nature Boy” vão para o vibrafonista Teddy Charles determinante na atmosfera serena que “Nature Boy” sugere. Uma boa audição.




Miles Davis - Nature Boy

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Miles Davis - Nem Um Talvez

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Duas semanas passadas, a revista "Vida Mundial" retoma o 1º Festival de Jazz de Cascais, agora de forma mais alargada. Com a designação "Sondagem ao Festival de Cascais", num artigo assinado por Jorge Lima Barreto, o nº 1696 de 10 de Dezembro de 1971, volta ao festival ocorrido no mês anterior.

Conhecedor, como poucos, do mundo do Jazz, Jorge Lima Barreto foi ultra crítico em relação aos The Giants of Jazz,"reunião absurda de momentos arqueológicos", e rasgados elogios particularmente para Keith Jarrett e Charlie Haden. De Miles Davis disse:
"Figura de primeiro plano, presença carismática, magnética, de erotismo ostensivo, narcisismo doentio, megalomania indomável."







Miles Davis, nessa época, em forma de Septeto (Keith Jarret piano e órgão, Gary Bartz saxofones, Michael Henderson baixo, Leon Chancler bateria, Don Alias e James Foreman percussões), fez questão de ser o primeiro a actuar no dia 20 de Novembro de 1971. O som praticado, era o novo som de fusão criado por Miles Davis e que o tinha levado no ano anterior a tocar no Festival de Wight ao lado dos The Who, The Doors e Jimi Hendrix (por quem tinha particular admiração). Era o som dos álbuns "Bitches Brew" e "Live-Evil" (este último acabado de ser editado - 17 de Novembro) que se faziam ouvir e é deste álbum o tema com que ficamos, "Nem Um Talvez".




Miles Davis - Nem Um Talvez

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Miles Davis - Sanctuary

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Jorge Lima Barreto (1949-2011) foi um musicólogo e músico de Jazz, cuja carreira se iniciou nos anos 70 na Anarband com Rui Reininho (futuro GNR) e mais tarde, já nos anos 80, e com mais destaque, no Telectu com a companhia de Vitor Rua (ex-GNR). 
Escreveu para tudo quanto era revista ou jornal de divulgação musical. De escrita difícil - musicalmente também - assina um artigo no nº 1658 de 19 de Março de 1971 da revista "Vida Mundial" intitulado "O "Jazz". O Som e a Palavra" onde começa por considerar ultrapassada a definição de Jazz de André Clergeat (1927-2016 - fundador do Hot Club da Universidade de Paris) que diz só se aplicar ao Jazz "clássico".






Desenvolve, de seguida, a sua opinião (leia-se o artigo) ao considerar que o Jazz se podia desenvolver em seis correntes principais.
Entre os músicos referidos está o nome de Miles Davis, segundo Jorge Lima Barreto, inserido na segunda corrente, o Jazz com a influência da música Pop, "Este Jazz-Pop é a melhor música de consumo de momento".

Miles Davis que no final dos anos 60 se aproxima e é influenciado por músicos do Pop-Rock, edita em 1970 o duplo-álbum "Bitches Brew" que ficou uma referência fundamental na música de fusão.




Miles Davis - Sanctuary