domingo, 28 de fevereiro de 2021

Traffic - John Barleycorn

 DISCO MÚSICA & MODA, nº 6 de 15 de Abril de 1971

Ainda as tabelas de vendas de discos que apareciam no jornal "DISCO MÚSICA & MODA" nº 6 que comecei a recordar. Para hoje a tabela de venda de álbuns em Portugal e veja-se a surpreendente qualidade dos 10 primeiros LP que nela constam. Os Led Zeppelin chegam ao primeiro lugar com "Led Zeppelin III", os Fotheringay da Sandy Denny sobem ao 2º lugar com "Fotheringay" e Elton John entra directamente para o 3º lugar com "Elton John", 3 álbuns de excelência a ocupar os 3 primeiros lugares. Vejam também as distintas entradas directas para este Top 10, por elas já passei e hoje volto aos Traffic e a "John Barleycorn Must Die".




Depois da curta experiência que foi durante o ano de 1969 o super grupo Blind Faith constituído por Steve WinwoodEric Clapton, Ric Grech e Ginger Baker, o primeiro retoma os Traffic mas já sem Dave Mason e gravam o que será o 4º LP do grupo, "John Barleycorn Must Die" o disco  mais bem sucedido do grupo.

Um registo que atravessa vários estilos, Rock, Blues, Folk mas com uma identidade própria dos Traffic e onde todas as canções são originais menos a que dá nome ao álbum. "John Barleycorn" é uma canção tradicional com muitas versões de músicos da área do Folk-Rock, por exemplo: Steeleye Span em 1972, The John Renbourn Group em 1977, Fairport Convention em 1978 que são as que melhor conheço. Para ouvir fica a versão dos Traffic que não sendo propriamente uma banda Folk, consegue fazer uma versão que não fica atrás das outras, bem pelo contrário será a mais arrojada.



Traffic - John Barleycorn

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Séverine - Un Banc, un Arbre, une Rue

DISCO MÚSICA & MODA, nº 6 de 15 de Abril de 1971


Página 2 do nº 6 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" com as habituais tabelas de vendas. Começo pela tabela de vendas de Singles e EP no nosso país onde se mantinha em primeiro lugar há mais de dois meses "My Sweet Lord" de George Harrison. O destaque nesta tabela vai para a invasão de canções que participaram no Festival da Eurovisão da Canção ocorrido a 3 de Abril, são elas: 2º lugar - "Menina" da Tonicha que ficou em 9º lugar entre 18, 3º lugar - "Un banc, un arbre, une rue" da Séverine que ganhou o certame em representação do Mónaco, 4º lugar - "L'amore è un attimo" de Massimo Ranieri pela Itália, 7º lugar - "En un mundo nuevo" da Karina com um honroso 2º lugar para a Espanha, 9º lugar - "Diese Welt" da Katja Ebstein pela Alemanha e finalmente no 15º lugar - "Pomme, Pomme, Pomme" pela Monique Melsen em representação do Luxemburgo.





Do tempo em que ainda se seguia com toda a atenção quer o Festival da Canção da RTP quer depois o Concurso da Eurovisão e quando se lamentava, por regra, a classificação portuguesa normalmente ignorada pela Europa, recorda-se a canção vencedora, "Un banc, un arbre, une rue" pela francesa Séverine




Séverine - Un Banc, un Arbre, une Rue

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

John Lennon - Power To The People

DISCO MÚSICA & MODA, nº 6 de 15 de Abril de 1971


Recuo ao dia 15 de Abril de 1971 para dar inicio a mais um conjunto de Regresso ao Passado referentes ao jornal "DISCO MÚSICA & MODA" que nesta data publicava o seu nº 6.

A primeira página era ocupada quase na totalidade pelos ex-Beatles Paul McCartney, John Lennon e George Harrison em artigo com o sugestivo título "Beatles Nova Ofensiva". E a justificação eram as mais recentes edições daqueles três músicos dos quais tanto se esperava. O que mais surpreendeu foi George Harrison com o seu triplo álbum "All Things Must Pass" onde constava a faixa de maior sucesso "My Sweet Lord. O que mais desiludiu, pois esperava-se muito mais, foi Paul McCartney com o seu "McCartney" mas que o Single seguinte "Another Day" vinha devolver alguma esperança. Já John Lennon com a sua Plastic Ono Band mantinha a virtuosidade que se lhe conhecia, primeiro com o álbum "John Lennon/Plastic Ono Band" e depois com o poderoso Single "Power To The People". Quanto a Ringo Starr, o Single "It Don't Come Easy" tinha acabado de ser editado e, se bem me lembro, não fazia parte de qualquer álbum contrariamente ao sugerido no texto.




Depois de "Give Peace A Chance" John Lennon continua a sua cruzada por um mundo melhor com o apelo urgente de "Power To The People", um objectivo que nunca está terminado.



John Lennon - Power To The People

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Xarhanga - Great Goat

A primeira metade dos anos 70 em Portugal é caracterizada pela forte influência de conjuntos como os Led Zeppelin, Deep Purple, Uriah Heep ou ainda os Black Sabbath, todos eles no topo das suas carreiras.

Por cá os grupos formavam-se, desfaziam-se, fundiam-se a uma velocidade que não era por vezes fácil de acompanhar. Os Pentágono, Psico, Psicágono fusão temporária daqueles dois, Heavy Band, Beatniks, Albatroz dos irmãos Sarbib, Objectivo, Xarhanga são alguns exemplos. Até o José Cid, um tanto à deriva, não resiste ao hard-rock então dominante, veja-se no tema “Doce e Fácil Reino do Blá, Blá, Blá” de 1973.




Mas a atenção vai agora para os Xarhanga com um dos sons mais pesados praticados na época por cá. O destaque vai para o vocalista Carlos Cavalheiro e o guitarrista Júlio Pereira (esse mesmo! o da música popular, do cavaquinho e da braguesa).

Os Xarhanga editaram 2 Singles em 1972 e 1973 revelando fortes influências, mormente dos Uriah Heep e  Atomic Rooster. No tema escolhido, “Great Goat” do segundo single, está patente o tom bem pesado, ainda invulgar na maioria dos conjuntos portugueses, praticado pelos efémeros Xarhanga.



Xarhanga - Great Goat

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Smoog - What’s Going On

 Os Pop Five Music Incorporated terminaram em 1972. Miguel Graça Moura forma, entretanto, apresentando-se como seu “fundador e director”, os Smoog de curta duração. Na realidade, estes Smoog duraram apenas de Outubro de 1972 a meados de 1973, o tempo suficiente para a gravação de um single com os temas “Smoogin’” e “What's Going On”. Disco com múltiplas influências do Rock Progressivo então praticado, dos Emerson, Lake and Palmer aos King Crimson.

“O estilo vive principalmente do virtuosismo dos executantes, da procura de um tipo de som original, até pela própria constituição do grupo, e que em termos de concepção formal tem a ver com um misto de rock e jazz.”, Entrevista de Miguel Graça Moura ao jornal “musicalíssimo” de nº 32, de Junho de 1973.

A grande novidade era a utilização do sintetizador “Moog” (“… é o primeiro na península a ser empregado por um agrupamento. Tem possibilidades espantosas, quase infinitas e, portanto, torna-se uma aventura apaixonante a exploração sonora desse aparelho” dizia Miguel Graça Moura na mesma entrevista) que os Smoog estreiam na primeira parte do concerto de Freddie King em Julho de 1973.

Dizia ainda acerca de “What’s Going On”: “uma música que me parece bastante rica do ponto de vista musical e relativamente avançada, onde a par da realização avançada da electrónica se empregam métodos mais ou menos inéditos neste tipo de música – como seja um diálogo entre um violoncelista e uma flauta”





O nº 38 do “musicalíssimo” de Julho de 1973 voltava aos Smoog após o concerto no Coliseu de Lisboa: “O rock do Smoog é uma mistura de influências – desculpem de cópias – de grupos como Emerson, Lake and Palmer, Gentle Giant e Yes. Cópias bastante más. E século XIX erudito (Graças a Graça-Moura). Tudo muito mau, tudo muito monótono, sem vida.”

Segue “What’s Going On”, "Smoogin'" já se encontra disponível noutro Regresso ao Passado.



Smoog - What’s Going On

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Petrus Castrus – País Relativo

Entre Novembro de 1972 e Abril de 1973 os Petrus Castrus, já com 2 EP editados, aventuram-se na gravação de um álbum conceptual, de nome “Mestre”, gravado nos conceituados Strawberry Studios (Château d’Hérouville - Paris), lugar onde José Mário Branco tinha gravado os seus 2 primeiros álbuns, aliás ele ainda por lá andava e chega a participar na gravação da faixa “S.A.R.L.” deste 1º LP dos Petrus Castrus.

Para além de algumas letras escritas por João Seixas (baterista do grupo), encontramos poemas de Bocage, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Alexandre O’Neill e Ary dos Santos e dão a “Mestre” os ingredientes para mais uma sátira à sociedade portuguesa de então. Prolongavam assim um trabalho já iniciado com “Epopeia” da Filarmónica Fraude (1969) e também o álbum homónimo do Quarteto 1111 de 1970; claro que, à semelhança destes, confiscado pela censura. As sonoridades eram, no entanto, mais próximas do Rock Progressivo que então por cá já pesavam nas influências dos grupos nacionais.

 




É, por muitos, considerado um dos melhores discos de Rock progressivo português de todos os tempos e a raridade da edição em vinil é avidamente disputada em leilões na internet chegando a preços superiores a 400 Euros(no ebay o EP “Marasmo” de 1971 encontrava-se também a mais de 400 euros).

 Segue o tema "País Relativo” com letra de  Alexandre O'Neill e música dos irmãos José e Pedro Castro.



Petrus Castrus – País Relativo

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

José Afonso - Era Redondo o Vocábulo

 Depois de ter trocado “o modernismo elaborado pela simplicidade actuante” - no dizer do jornal “musicalíssimo” no nº 5 de Dezembro de 1972 - (ou seja, do álbum “Cantigas de Maio” para “Eu Vou Ser como a Toupeira”) José Afonso (1929-1987), em Outubro de 1973, dá de novo a volta e grava em Paris, com arranjos e direcção musical mais uma vez de José Mário Branco, um álbum cheio de modernidade e complexidade acrescida. “Venham Mais Cinco” é o 7º álbum de originais e a última gravação a ser efectuada por José Afonso antes do 25 de Abril.


Edição Movieplay em CD de 1987


A anteceder a realização de “Venham mais Cinco” uma passagem de 21 dias, nos meses de Abril e Maio, pelo Forte de Caxias onde escreveria algumas canções de pendor claramente surrealista, como “Era um Redondo Vocábulo”, e que iriam surgir em “Venham mais Cinco”. “Era um Redondo Vocábulo” fazia parte de um género de canções, como por exemplo “Nefredite não tinha papeira”, que José Afonso cultivava de não fácil assimilação e não audível nas ruas, às quais os arranjos de José Mário Branco prolongavam uma expressividade até então não usuais na música portuguesa dita popular.

“Venham mais Cinco” ir-se-ia ouvir por todo o ano de 1974 e representava um dos caminhos mais interessantes para a nossa então nova música popular. Teríamos que esperar por 1975 para outros caminhos com “Coro dos Tribunais”.

Por enquanto é “Era um Redondo Vocábulo”, letra escrita e música pensada no retiro de Caxias, que nos faz recordar, mais uma vez, José Afonso.



José Afonso - Era Redondo o Vocábulo

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Sérgio Godinho – Barnabé

Independentemente da qualidade intrínseca de cada álbum da vasta e duradoura discografia de Sérgio Godinho, o LP de 1973 “pré-histórias” foi aquele que vivi mais intensamente. Era o seu segundo registo e era aguardado com grande expectativa (José Mário Branco já tinha editado o 2º álbum e sabia-se que o do Sérgio Godinho estava na forja).

10 temas inesquecíveis preenchiam este álbum onde o destaque maior ia para, talvez, a melhor canção que o Sérgio Godinho alguma vez compôs: “A Noite Passada”. De “Barnabé” a “O Homem dos 7 Instrumentos” eram novas as sensações que se usufruíam advindas de uma forma de escrita única e verdadeiramente revolucionária, acrescidas da subtileza de arranjos e vocalizações tão peculiares e inauditas.


Gravação alemã em CD com ref: 848103-2


Claro que rapidamente a malta decorou o disco da frente para trás, de trás para a frente e era ver-nos pela avenida do Furadouro, alegres e felizes, a cantar de forma desafiante, mas igualmente ingénua,

“Eh, meu irmão, que é que tens 
que tremes como um chouriço? 
Eh, meu irmão que é que tens,
parece que viste bicho!”

 à noite juntávamo-nos junto ao paredão e aí cantarolávamos

 “A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas…”

 Muito redutoramente Sérgio Godinho continua a ser por muitos catalogado como um “cantor de intervenção”. Quem assim o vê desconhece completamente a sua obra. A diversificada temática por ele abordada nas suas letras e os diferentes estilos musicais utilizados fazem dele “um «cantautor» transocial e transgeracional” no dizer, e bem, da “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX”.

 Para terminar ficamos com “O Barnabé” e digam lá o “Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?”



Sérgio Godinho – Barnabé

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Luís Cília - Canto de Esperança

 Ainda o ano de 1973, mas agora, novamente de volta à música popular portuguesa. Deste ano já é possível encontrar neste Regresso ao Passado bastante informação do que de mais importante se fez em terras lusitanas. Mas, mesmo assim, não é demais voltar a alguns nomes fundamentais da nossa música de expressão popular naquela ano que antecedia o derrube do regime opressor ainda existente.

Depois da viragem histórica de 1971/2, o ano de 1973 revelou-se menos produtivo (e praticamente sem novas revelações) em gravações de música popular, destacando-se, mesmo assim, alguns álbuns que ficaram merecidamente na nossa memória:

Venham Mais Cinco – José Afonso
Contra a Ideia da Violência a Violência da Ideia – Luís Cília
Pré-Histórias – Sérgio Godinho
Mestre – Petrus Castrus

 

Destes, ocupo-me hoje daquele que será por ventura o menos conhecido: “Contra a Ideia da Violência a Violência da Ideia” de Luís Cília.




Contrariamente à imagem que alguns possam ter de um Luís Cília mais básico e panfletário (“Avante Camarada”, “O Povo Unido Jamais Será Vencido”), Luís Cília é possuidor de uma vasta discografia de reconhecida qualidade, com particular destaque, para meu grado, a produção da década de 80.

Mas, por agora, estamos no ano de 1973 e aí ficamos. Editado em França, precisamente nesse ano, pela “Chant du Monde”, “Contra a Ideia da Violência a Violência da Ideia” será somente editado em Portugal em 1974 (e em Espanha em 1975) e teve uma divulgação relativamente reduzida.

Com letras de autores bem conhecidos donde destaco Daniel Filipe, Ary dos Santos, Eugénio de Andrade e Mário Dionísio a escolha vai para este último e o poema “Canto de esperança”.

Como dizia Mário Correia, na década de 80, em “Música Popular Portuguesa – UmPonto de Partida”:
"… Luís Cília, pela sua música, que é especificamente portuguesa, possui um dom muito marcado da melodia, à qual alia um tom nostálgico. Pela voz profunda e sensível de Luís Cília, estes poemas transmitem-nos a esperança, a mensagem de amor, de paz e de comunhão fraterna”.
 Em tempos de falta dela, a esperança, como é bom regressar a Luís Cília! Mesmo com plics e plocs, segue “Canto de esperança”.



Luís Cília - Canto de Esperança

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Judee Sill - The Kiss

  1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Termino esta passagem pelas escolha de Miguel Esteves Cardoso para o ano de 1973 por onde ele começou, com Judee Sill.

Nestas escolhas MEC só deu cinco estrelas a três álbuns, foram "Dark Side Of The Moon" dos Pink Floyd e "Selling England By The Pond" dos Genesis, o terceiro foi para Judee Sill com o seu "Heart Foot".

A música popular está repleta de histórias de vida de figuras que passaram por um motivo ou outro ao lado do reconhecimento público. Algumas delas, vidas curtas e trágicas, mas que conseguiram deixar-nos algumas relíquias que o tempo não fez esquecer e que vão sendo recuperadas por uma indústria sempre ávida de negócio.

Judee Sill (1944-1979) foi uma cantora centrada no Folk-Rock que marcou de forma impar a primeira metade da década de 70. Resumindo: Morte de pai e irmão ainda muito nova, segundo casamento de uma mãe alcoólatra que nunca aceitou, cedo se vicia em drogas que não vai conseguir abandonar e das quais vai morrer de “overdose” aos 35 anos. Musicalmente deixou dois meritórios e pouco divulgados LP álbuns respectivamente de 1971 e 1973 que vão surpreender os mais atentos. Do primeiro, "Judee Sill", sobressaía "Jesus Was A Cross Maker", do segundo, "Heart Food", destacava-se aquela que é, para mim, a melhor composição de 1973, "The Kiss".



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Para Miguel Esteves Cardoso "Judee Sill é a voz mais bonita da década, com uma amplitude expressiva que deita abaixo quem a ouça pela primeira vez. É a cantora do chamado "Jesus Rock", mas nem essa mensagem entediante consegue roubar nem um frémito de prazer ou de despoluída espiritualidade à sua voz e ao seu talento de composição."

"Heart Food", um disco introspectivo onde Judee Sill privilegiava temas de cariz espiritual, entre eles constava este "The Kiss".



Judee Sill - The Kiss

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Judy Collins - Secret Gardens

 1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Mais de 60 anos tem Judy Collins de actividade artística, mas é nos anos 60 e 70 do século passado que se encontra o seu melhor. Possuidora de uma voz ímpar e acolhedora que se impôs em belíssimas canções como "Both Sides, Now" (1967) original da Joni Mitchel, "Who Know Where The Time Goes" (1968) original da Sandy Denny sem esquecer "Send In The Clows" já em 1975.

Mas estamos no ano de 1973, ano em que publicou "True Stories And Others Dreams", um disco intimista e melancólico ao qual Miguel Esteves Cardoso dá três estrelas e se lhe refere, comparando-a com a magnifica Judee Sill: "Judy Collins, uma voz semelhante (muito limpa, mas mesmo assim nada que se compare à voz de Sill), assina o último LP meio-decente da década, antes de se entregar quase totalmente ao seu novo papel de Barbra Streisand dos hippies quarentões."


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Pela primeira vez Judy Collins assina a maior parte das canções donde destaco esta muito bonita "Secret Gardens", um ponto alto das canções por ela escritas, uma canção triste e uma voz muito calmante, a ouvir.



Judy Collins - Secret Gardens

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Leo Kottke - Louise

1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Hoje, um nome novo nestes meus Regresso ao Passado.

Passagem primeira por Leo Kottke a propósito das escolhas de Miguel Esteves Cardoso para o ano de 1973, referenciando dois LP "Greenhouse" (na realidade de 1972) e "My Feet Are Smiling" com respectivamente quatro e três estrelas.

Leo Kottke é um exímio tocador de guitarra acústica com algum prestígio alcançado na distante década de 70. Pessoalmente, conheci a sua música ao seu terceiro registo, "Mudlark" do ano de 1971, e fiquei surpreendido pela sua forma de tocar, gostava de temas como "Cripple Creek", a impressionante versão de "Eight Miles High", a adaptação do clássico de Bach "Bourrée" que já conhecia via Jethro Tull.


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Para Miguel Esteves Cardoso "Leo Kottke atinge o seu auge, conseguindo aproveitar a sua voz limitada de forma conspícua e exibindo a sua notável proficiência técnica, em "Greenhouse"".

Do exuberante para o sentimental assim se faz o álbum ao vivo "My Feet Are Smiling", caí para a sobriedade de "Louise" que pertencia a  "Greenhouse" o outro álbum aqui considerado.



Leo Kottke - Louise

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

The Band - The Great Pretender

    1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Robbie Robertson (guitarra-solo, vocalista), Rick Dankon (guitarra-baixo, vocalista), Richard Manuel (piano, órgão, bateria, vocalista) Garth Hudson (órgão, piano, metais, acordeão), Levon Helm (bateria, guitarra, vocalista) são nomes que devem ser recordados em boa medida pelos anos de 1968 a 1977 e que constituíram a formação base do grupo que deu pelo nome The Band. Antes desta aventura tinham ganho notoriedade a acompanhar Bob Dylan entre 1965 e 1967 quando este de forma polémica abraçou o som eléctrico.

Em 1973 eram já um grupo bem conhecido mais não fossem canções como "The Weight", a versão de "I Shall Be Release" original de Bob Dylan, "The Night They Drove Old Dixie Down", canção bem conhecida em particular na versão de Joan Baez. Tinham já publicado quatro LP de estúdio e o mais recente era um duplo ao vivo, mas o melhor encontrava-se nos dois primeiros gravados ainda nos anos 60.


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Miguel Esteves Cardoso dizia nas suas escolhas de 1973: "Entretanto os Band, que haviam caído em maus tempos, surpreendem toda a gente com a excelência criativa de "Moondog Matinne"." e atribuía-lhe três estrelas.

Se bem que a criatividade não se tivesse concretizado em novas canções, pois "Moondog Matinne" é um álbum de versões, não deixa de ser um álbum agradável de se ouvir principalmente se se estiver numa de saudades por sonoridades já pouco praticadas. Está, no entanto, longe do melhor que The Band nos deixou, segue "The Great Pretender", sucesso em 1955 pelos The Platters, aqui na voz de Richard Manuel.



The Band - The Great Pretender

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

The Ozark Mountain Daredevils - Country Girl

   1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Para hoje uma banda que desconhecia por completo, ou, na melhor das hipóteses, que já não constava na minha memória, The Ozark Mountain Daredevils. Pouco provável que a tenha conhecido, não só não me lembro de nenhuma canção como o nome também nada me dizia.

The Ozark Mountain Daredevils formaram-se em 1972 e mantêm-se ainda hoje embora com uma formação completamente da original, o Country-Rock é a sonoridade dominante, por vezes a lembrar os Eagles que por esta altura também se davam a conhecer.


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O primeiro trabalho de nome homónimo foi publicado em 1973 e mereceu três estrelas por parte de Miguel Esteves Cardoso dizendo somente que The Okark Mountain DareDevils eram "uma espécie de Eagles menos axaropados".

Mais um disco que se aconselha a sua audição para períodos de descompressão e desanuviamento, bom para ouvir quando se dá o passeio higiénico. Comprove-se com a audição de "Country Girl", a proposta para hoje. 



The Ozark Mountain Daredevils - Country Girl

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Little Feat - Dixie Chicken

  1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Na década de 70 houve uma banda norte-americana de grande sucesso à qual não dei a merecida atenção, foram os Little Feat.

Na sua primeira existência (1969-1979), centrada na dupla Lowell George (1945-1979) na voz e guitarra e Bill Payne voz e teclados, este ainda hoje no grupo depois de várias reformulações, gravaram 7 álbuns de estúdio que não me lembro de por cá serem suficientemente divulgados. 

Os Little Feat praticavam uma mescla de estilos que hoje poderíamos enquadrar no género Americana e que nem sempre preenche as minhas preferências. Em 1973 é publicado o terceiro álbum, "Dixie Chicken", para o qual Miguel Esteves Cardoso deu três estrelas dizendo, no entanto, que "... os Little Feat treinam agradavelmente para a qualidade total do seu álbum seguinte - "Feats Don't Fail Me Now", de 1974."


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"Dixie Chicken", um disco bem disposto e descontraído para usufruir em momentos de relaxamento. Como prova, o tema título "Dixie Chicken".



Little Feat - Dixie Chicken

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Nitty Gritty Dirt Band - I'm Thinking Tonight of My Blue Eyes

 1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Já efectuei uma passagem pelo grupo de hoje, os Nitty Gritty Dirt Band, precisamente pelo mesmo disco ao qual volto hoje, "Will The Circle Be Unbroken". Dou assim continuidade à selecção efectuada pelo Miguel Esteves Cardoso para o ano de 1973 em mais uma escolha na área do Country-Rock. Prova de que esta mistura de influências do Country, do Rock e também do Bluegrass era então bem sucedida.

Sobre eles e este disco dizia Miguel Esteves Cardoso:
"Os Nitty Gritty Dirt Band, uma banda radicalmente enraízada e completamente avessa a qualquer compromisso, que possuía um espírito semi-anárquico, lançam o seu melhor álbum - já com influências menos restritas (menos vaudeville e menos música de "jug-band") e consequentemente mais ecléctico e acessível - salientem-se as faixas "House at Pooh Corner" e a versão deliciosa de "Mr. Bojangles"."


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E aqui é que a porca torce o rabo, isto porque bem que procurei as duas faixas que são referidas e não as encontrei entre as 38 que compõem este álbum, fui encontrá-las sim no álbum "Uncle Charlie & His Dog Teddy" de 1970. Algo parece estar errado no texto de Miguel Esteves Cardoso que não consigo explicar. Adiante, são muitas as escolhas possíveis, talvez "I'm Thinking Tonight of My Blue Eyes", canção dos anos 20 do século passado para concluir o Regresso ao Passado de hoje.



Nitty Gritty Dirt Band - I'm Thinking Tonight of My Blue Eyes

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Gram Parsons - That's All It Took

   1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

A aproximação da música Country ao Rock veio-lhe dar uma nova vitalidade e alargar públicos até aí distantes.

Tudo aconteceu nos finais dos anos 60 quando Bob Dylan, The Byrds e Buffalo Springfield se aproximaram do estilo Country, ouça-se respectivamente "Lay Lady Lay", "You Ain't Goin' Nowhere" e "Kind Woman".

Um nome há que é incontornável, contribuiu decididamente para afirmar o Country-Rock e fazer-me apreciá-lo, foi Gram Parsons.

Gram Parsons (1946-1973) depois da curta existência da sua primeira formação, The International Submarine Band, colabora, no ano de 1968 com The Byrds, resultando no seminal álbum de Country-Rock "Sweetheart Of The Rodeo", segue-se a formação do grupo The Flying Burrito Brothers que deixou dois marcantes discos: "The Gilded Palace of Sin" (1969) e "Burrito Deluxe" (1970). Só em 1973, depois de se casar, descobrir Emmylou Harris e procurar deixar a dependência da heroína, surge o primeiro álbum a solo "GP".


Edição alemã em CD com a ref: 7599-26108-2
dos álbuns "GP" e "Grievous Angel"

Referindo-se a "GP", ao qual dá quatro estrelas, dizia Miguel Esteves Cardoso:

"Enquanto os "consagrados" têm um ano menos brilhante, Gram Parsons consegue a fusão de Country e de Rock mais perfeita de sempre, o fruto de quase uma década de labuta honesta (nos International Submarine Band, nos Byrds, e nos Flying Burrito Brothers) e indisputavelmente superior à grande maioria dos álbuns dessas bandas. Os vocais trepidantes e nervosos de Emmylou Harris casam-se imperceptivelmente aos seus e o resultado é comovente, na sua inocência romântica, mas também na força subjacente às suas composições."

Três minutos são suficientes para se ficar rendido ouça-se a "That's All It Took" dueto de Gram Parsons com Emmylou Harris então ainda uma desconhecida.



Gram Parsons - That's All It Took

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Neil Young - Journey Throught The Past

   1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Mais uma das imensas passagens que Neil Young merece. Uma das poucas presenças constantes desde a minha adolescência.

Após o sucesso de "Harvest" (1972) as expectativas em relação ao seu próximo trabalho eram enormes e foram defraudadas, muito defraudadas. Ainda em 1972 é publicado o duplo "Journey Throught The Past" banda sonora do filme com o mesmo nome e a recepção não podia ser pior, um verdadeiro fiasco. "Para os críticos, os trabalhos incluídos eram tão maus, que tudo aquilo não passava de mera exploração. Na falta de novas canções, o compositor fazia dinheiro à sombra de Harvest, editando um duplo álbum mal concebido e totalmente irrelevante." escrevia Johnny Rogan no livro "Neil Young - A história definitiva da sua carreira musical".

Em 1973 surge novo álbum, mas não ainda o desejado sucessor de "Harvest", tratava-se de "Time Fades Away"  álbum ao vivo, quase todo resultante da turné de 1973 sendo todas as composições inéditas. Se as apreciações mais recentes de "Time Fades Away" são genericamente favoráveis nem sempre foi assim. Aquando da sua edição e de acordo com a mesma fonte acima citada "Time Fades Away seria tudo menos cuidadosamente elaborado. Revelou um Young novo, rude, impreciso e intratável. Para muitos críticos foi sem dúvida a última pedra." mas para Johnny Rogan "Embora Time Fades Away apresente uma qualidade irregular, parecendo falho de consistência, é, apesar de tudo, um álbum interessante, com alguns momentos inesquecíveis. Young dá novo passo no seu desenvolvimento artístico, tornando-se mais agressivo, peremptório e corajoso do que nunca."


Edição alemã, em vinil, de 2016, ref:2151-1



Do álbum "Time Fades Away" escolho "Journey Throught The Past" curiosamente a canção que dava o nome ao álbum anterior e que nele não constava.

Quase me esquecia, estou no tema "1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso" e para quem "Time Fades Away" mereceu três estrelas.



Neil Young - Journey Throught The Past

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Loudon Wainwright III - Dead Skunk

  1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Loudon Wainwright é Loudon Wainwright III que para além de cantor é humorista e actor, como cantor Folk iniciou-se no final dos anos 60. mantem-se e bem no activo, em 2020 grava "I'd Rather Lead a Band" uma agradável colecção de canções dos anos 20 e 30 do século passado

Loudon Wainwright III constava entre as preferências de Miguel Esteves Cardoso nos primeiros anos da década de 70. Em 1973, apesar do LP ser de 1972, inclui nas suas escolhas o terceiro LP, "Album III", atribuindo-lhe três estrelas.


https://www.amazon.co.uk/


"Album III" ficou até hoje entre as melhores gravações de Loudon Wainwright, é um disco a que é sempre aprazível voltar e bem demonstrativo da sua qualidade musical. Era o primeiro em que se fazia acompanhar com uma banda dando-lhe uma mais acentuada nota Folk-Rock.

"Dead Skunk" abria o disco.





Loudon Wainwright III - Dead Skunk

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Tim Buckley - Dolphins

 1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Outro nome, que ontem não referi e que esteve sempre na lista reduzida das minhas preferências é Tim Buckley. Também ele ficou aquém das expectativas em 1973.

Tim Buckley (1947-1975) foi um prodígio da música popular, começou bem, particularmente bem,  explorando em 1966, com "Tim Buckley", o Folk-Rock, para infelizmente terminar menos bem, em áreas que ele procurou explorar como o Funk, em 1974, com "Look at the Fool" e falecer tragicamente no ano seguinte. Tivesse ele mantido a genialidade de álbuns como "Goodbye and Hello" (1967), mas a inconformado Tim Buckley teimou em sondar muitas outras áreas: o Rock e o Folk Psicadélico, a fusão do Jazz com o Folk, o experimentalismo com o Funk, o Rhythm'n'Blues, o Soul e nem sempre se saiu bem. "Sefronia" de 1973 é prova disso.


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"Sefronia" não deixa de ser um bom disco, Miguel Esteves Cardoso dá-lhe três estrelas, mas ficou bem aquém do que ele tinha realizado até então. Mesmo assim tinha esta espantosa versão de "Dolphins" um original de Fred Neil de 1966.



Tim Buckley - Dolphins

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Leonard Cohen - Tonight Will Be Fine

1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Não foi particularmente bom, em termos de edições discográficas, o ano de 1973 para alguns dos consagrados e meus preferidos de sempre, estou-me a lembrar da Joni Mitchell, Leonard Cohen, Neil Young e ainda a Sandy Denny. A primeira e a última simplesmente não editaram nada neste ano, os outros dois marcaram presença mas não deslumbraram.

A trilogia de álbuns, "Songs of Leonard Cohen" (1967), "Songs from a Room" (1969) e "Songs of Love and Hate" (1971), teriam sido suficientes, não tivesse Leonard Cohen gravado mais nada, para ocupar um lugar no Olimpo da música popular, não terá pois sido fácil a preparação do sucessor "New Skin for the Old Ceremony" que surgiria somente em 1974. Nos entretantos, como tantas vezes sucedia com muitos artistas, o espaço era ocupado ou por uma colectânea ou uma gravação aos vivo. Foi esta última que aconteceu com Leonard Cohen em 1973.


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"Live Songs", ao qual Miguel Esteves Cardoso deu três estrelas, é composto maioritariamente por canções do 2º LP gravadas durante a turné de 1972, no entanto duas são de 1970 sendo que uma delas é "Tonight Will Be Fine" gravada aquando da passagem de Leonard Cohen no Festival da Ilha de Wight passava já das 4 horas da manhã, ora ouçam.



Leonard Cohen  - Tonight Will Be Fine

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Paul Simon - American Tune

  1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Mais um conjunto de álbuns que fazem parte das escolhas de 1973 de Miguel Esteves Cardoso, alguns deles sem qualquer consideração em especial, somente listados, é, por exemplo, o caso de hoje: Paul Simon e o álbum "There Goes Rhymin' Simon" com a atribuição de quatro estrelas.

"There Goes Rhymin' Simon" era o 2º álbum a solo de Paul Simon após o fim do duo Simon and Garfunkel que nos maravilhou anos antes. Talvez com a carga que o duo teve sempre fiquei com a sensação, talvez injustamente, de que os trabalhos de Paul Simon ficavam sempre um pouco aquém do que poderiam ter sido. O legado era muito pesado.


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Ouvido hoje "There Goes Rhymin' Simon" parece atingir uma nova dimensão e torna-se irresistível ouvir canções como "Tenderness", "Take Me to the Mardi Gras" ou ainda a imperdível "American Tune" a lembrar outros tempos. Com o quanto baste de influências como o Gospel em "Loves Me Like a Rock" ou o Reggae em "Was a Sunny Day", "There Goes Rhymin' Simon" foi um dos melhores do ano de 1973.            

Ao ouvir pela primeira vez "American Tune" lembrei-me logo de Art Garfunkel, era uma daquelas que se enquadrava na perfeição naquela dupla. Até que um dia a pude ouvir no álbum "The Concert in Central Park" que os dois efectuaram em 1981 com edição no ano seguinte.



Paul Simon - American Tune

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Walter Carlos - William Tell Overture (Abridged)

  1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Os sintetizadores desde que surgiram nos finais dos anos 50 que foram progressivamente ganhando terreno no desenvolvimento da música popular, do Pop ao Rock até ao experimentalismo de grupos como os Pink Floyd, os Tangerine Dream ou os Kraftwerk. Também músicos de vanguarda com John Cage e Karl Stockausen  adoptaram os novos instrumentos mas é a partir de 1968 com a publicação de "Switched-on Bach" composições de Bach adaptadas ao sintetizador Moog por Walter Carlos que ganha maior relevo.


https://en.wikipedia.org/


É de Walter Carlos o propósito de hoje. O disco é "A Clockwork Orange" banda sonora do filme de Stanley Kubrick com o mesmo nome por cá estreado em 1974, versava a delinquência juvenil e lembro-me de à época ser considerado de extrema violência.

Miguel Esteves Cardoso dá-lhe três estrelas e refere-se-lhe:"1973 é também o ano do sintetizador de Walter Carlos e a banda sonora do filme "A Clockwork Orange" ora épico, ora frívolo, é mais uma ode à electrónica do que qualquer outra coisa".

Com música clássica vária, Beethoven, Rossini, Elgar entre outros, foi um disco que ouvi bastante à época e a composição que mais me ficou na memória, para além do tema título, foi a "William Tell Overture (Abridged)" que agora recupero.



Walter Carlos - William Tell Overture (Abridged)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Kraftwerk - Elektrisches Roulette

 1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


De iniciadores do Krautrock a pioneiros da Música Electrónica os Kraftwerk encarnaram o maior sucesso que uma banda alemã conheceu internacionalmente. Estilos que nunca me conseguiram seduzir suficientemente. Sonoridades frias, distantes, para mim pouco emotivas, mas é claro que naqueles anos da década de 70 não deixei de os ouvir de forma curiosa.

Os Kraftwerk formados a partir do duo Ralf Hütter (actualmente ainda à frente do grupo) e Florian Schneider (abandonou o grupo em 2008 e faleceu em 2020) assinavam em 1973 o terceiro LP precisamente com o nome "Ralf und Florian" e fazia parte da seleção de Miguel Esteves Cardoso com três estrelas.


http://krautrockmaniac.blogspot.com/


Estava assim concluída a fase inicial de pesquisa e desenvolvimento necessária para o sucesso que viria no ano seguinte com "Autobahn". 

"Os Kraftwerk divestem-se [?] das influências anteriores (Terry Riley, os Floyd) e surgem com um estilo independente - rítmico-monótono, atmosférico-industrial, técnico-frio. Destruindo qualquer vestígio de "imagem", os Kraftwerk reproduzem o expressionismo alemão dos anos 30 ("Metropolis", o filme de Lang, ocorre à memória) nos seus aspectos mais simétricos e maquinais." escrevia Miguel Esteves Cardoso.

Para quem goste, "Elektrisches Roulette".



Kraftwerk - Elektrisches Roulette

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Fripp & Eno - The Heavenly Music Corporation I

1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Nas escolhas de Miguel Esteves Cardoso para o ano de 1973 constavam os dois álbuns dos Roxy Music, o primeiro a solo de Bryan Ferry e também o primeiro de Brian Eno após a sua saída dos Roxy Music, ou melhor dizendo o álbum colaborativo com Robert Fripp, daí Fripp & Eno.

O álbum, "(No Pussyfooting)", é composto por duas únicas faixas, uma em cada lado no disco em vinil e resultou da parceria de Robert Fripp (antes e depois da gravação de "Larks' Tongues in Aspic" dos King Crimson que MEC não considera (lapso?!) entre as escolhas do ano embora antes o coloque entre os melhores por eles realizados) e Brian Eno (antes e depois da gravação de "For Your Pleasure" o último com os Roxy Music).


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Brian Eno nos sintetizadores e teclados a dar largas à imaginação na manipulação sonora criando o que viria a ser por ele rotulado de música ambiente, enquanto Robert Fripp sobrepunha as suas deambulações na guitarra (Frippertronics), criavam um som intenso que MEC parecia não apreciar muito, dizia ele: "Eno dá largas à imaginação na sua colaboração com Robert Fripp num álbum desigual, com momentos de tensão e de excessiva indulgência a intercalarem-se anarquicamente."

Para os amantes deste estilo musical, este disco é um marco na definição sonora deste estilo que se iria desenvolver ao longo da década. A primeira faixa intitulada "The Heavenly Music Corporation" era constituída por cinco partes, fica a primeira.



Fripp & Eno - The Heavenly Music Corporation I

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Bryan Ferry - These Foolish Things

     1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Ainda em 1973 Brian Eno abandona os Roxy Music deixando-o parcialmente órfão do vanguardismo que o grupo revelava e dando espaço para o progressivo crescimento de um Rock distinto e requintado do líder Bryan Ferry.

Mesmo assim Bryan Ferry precisava do seu espaço próprio iniciando, mas mantendo-se nos Roxy Music, carreira a solo ainda no mesmo ano. Dizia Miguel Esteves Cardoso:
"Quando se separaram, as diferenças eram exibidas com flagrante despudor - enquanto Eno se preocupava em inventar uma linguagem, Ferry queria renovar a tradição dos "crooners" (Sinatra, Dean Martin), O seu álbum "These Foolish Things" é uma jóia de falso sentimentalismo e de gloriosa superficialidade que mostra o lugar perfeito para a sua voz acetinada."

Para "These Foolish Things" destinou-lhe três estrelas. 


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"These Foolish Things" é um álbum de versões como tantos outros que Bryan Ferry efectuou ao longo dos anos não só revisitando temas próprios como, sobretudo, de outros autores muitas vezes bem díspares. É o caso deste primeiro trabalho a solo onde aparecem canções de The Miracles a The Rolling Stones ou muito mais antigas como o tema título que remonta a 1935. Segue "These Foolish Things".



Bryan Ferry - These Foolish Things

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Roxy Music - Do The Strand

    1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

Em 1973 para além de algum Folk-Rock ainda merecedor de atenção as minhas preferências iam para para um Rock com abordagens experimentalistas e vanguardistas que procuravam dentro das limitações do Rock alargar as suas fronteiras com originalidade e criatividade. Entre elas estavam os Roxy Music de boa memória.

Depois do prometedor álbum de estreia, "Roxy Music" (1972), publicam no ano seguinte mais dois LP, respectivamente "For Your Pleasure" e "Stranded" sendo neste três discos que se encontra o som mais puro e original da banda, mesmo que em "Stranded" já não contassem com Brian Eno.


Edição portuguesa de 1983 em vinil com a ref: 2310 551


Edição portuguesa de 1983 em vinil com a ref: 2310 550



A par de David Bowie, Bryan Ferry e os Roxy Music são das personagens mais importantes dos anos 70. O gosto de Bryan Ferry pelo kitsch e pela vida decadente dos anos 20 e o bom conjunto de músicos de que se fez rodear fizeram com que os Roxy Music criassem um som e um visual dos mais inovadores daquela década.

Para Miguel Esteves Cardoso, que atribuiu quatro estrelas aos dois álbuns, "Os Roxy Music mostram ter encontrado o seu nicho, igualmente romântico mas menos poderoso que o de Lou Reed. Brian Eno partiria em fins de 1973 e os Roxy Music perdiam o carácter algo intransigente de experimentalismo Rock para se dedicarem à visão polida e sofisticada de Ferry."

Tempos aventurosos que o Rock não voltou a repetir, de "For Your Pleasure" para muitos o álbum mais arrojado dos Roxy Music, escolho "Do The Strand"



Roxy Music - Do The Strand

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Lou Reed - Berlin

   1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Em 1973 Lou Reed lança um dos melhores discos da sua carreira, "Berlin", um disco que foi ganhando ao longo dos anos crescente importância na sua discografia.

Ao terceiro registo a solo, Lou Reed assina um álbum conceptual baseado na relação do casal Jim e Caroline onde temas como a violência doméstica, a droga e a prostituição tomam lugar central. Retrato de um tempo em que a música popular expandia fronteiras e buscava novas vias, um disco pesado, perturbador mas simultaneamente maravilhoso e cativante.


Edição alemã com a ref: NL 84388 de 1981



"Berlin" está entre as escolhas de Miguel Esteves Cardoso para o ano de 1973 dando-lhe quatro estrela e dele dizendo:

"Lou Reed produz uma obra-prima de dramatismo decadente com "Berlin" - talvez o LP mais menosprezado de toda a sua obra. Profundamente teatral, Reed levanta uma atmosfera fumarenta populada por seres humanos em situações extremas de declínio e de masoquismo. Duma força quase visual, os textos condensam as obsessões estilísticas de Reed - uma espécie de elegância do desespero."



Em 2007 "Berlin" voltou à ribalta com uma série de concertos com um grupo de 30 músicos e um coro onde marcava presença Antony, desses resultou a realização por Julian Schnabel de um filme-concerto com boa recepção da crítica.

O tema inicial "Berlin" aqui fica para recordação e(ou) aperitivo para ouvir todo o álbum ou rever o filme que é o que eu vou fazer.



Lou Reed - Berlin