1976 não foi, para meu gosto, claro, um ano particularmente interessante sob o
ponto de vista musical.
O melhor do Rock Progressivo já tinha sido feito e uma boa parte dos artistas
consagrados não davam grandes mostras de inovação, aguardava-se o boom do
Punk-Rock prestes a acontecer.
Veja-se o caso dos quatro ex-Beatles, a presença deles neste ano é quase
imperceptível a nível de novas gravações e pouco ficou na memória daquele ano.
Na realidade John Lennon não editou nada, George Harrison um sofrível "Thirty
Three & 1/3" que não deixou marcas e Ringo com "Ringo's Rotogravure"
passou despercebido. Falta Paul McCartney que com os Wings grava o 5º álbum do
grupo, "Wings at the Speed of Sound". Também nada de relevo se verifica com
este trabalho do qual não tenho praticamente memória.
https://www.discogs.com/ - Capa edição portuguesa
Talvez alguns acordes de "Silly Love Songs" que foi, por cá, também editada em
Single. Muito pouco de quem tanto se esperava, digo eu.
Em 1970 é consumado o fim dos The Beatles e os quatro ex-Beatles publicam os
seus álbuns a solo. Do primeiro álbum a solo de Paul McCartney, "Paul
McCartney", não foi extraído nenhum Single apesar de "Maybe I'm Amazed" ser a
mais bem posicionada para o ser. Entre este e "Ram", o segundo álbum creditado
a Paul and Linda McCartney, é publicado o primeiro Single de Paul McCartney,
"Another Day".
"Another Day" foi gravada durante as sessões de "Ram" mas não consta no álbum.
Em Portugal teve a sua edição e na contra-capa lia-se:
"Esta é a primeira gravação em Single de Paul McCartney antigo viola baixo
e autor dos mais importantes êxitos dos Beatles. Como nota curiosa a canção
do lado A tem a particularidade de ter sido composta em conjunto com Linda,
mulher de Paul."
Em Abril de 1971, a revista "mundo da canção", nº 17, publicava a letra de
"Another Day". A vida triste de uma mulher no dia a dia de casa e emprego,
afinal "It's just another day".
Talvez já o tenha dito, se sim volto a dizer, as expectativas em relação a
Paul McCartney eram muito elevadas após o fim dos The Beatles. Pelo menos para
mim eram, e a verdade é que nunca consegui uma verdadeira adesão à sua
produção a solo ou com The Wings como a que tinha anteriormente. Problema meu,
provavelmente, mas que hei-de eu fazer? o meu entusiasmo foi esmorecendo e não
mais me convenceu. Vejamos o ano de 1975.
O ano de 1975 é o ano de "Venus and Mars", seguia-se a "Band on the Run"
(1973) então muito bem recebido e talvez o seu melhor trabalho pós-Beatles,
mas ficou bem distante deste. Na realidade parece um disco sem chama e que se
prescinde com facilidade, não fica em nenhuma lista de discos a levar para uma
ilha deserta.
https://www.discogs.com/ - capa da edição portuguesa
Vários Singles foram extraídos deste álbum o primeiro dos quais foi "Listen To
What The Man Said" e sendo assim vamos lá ouvir o que ele tem para dizer...
Terminada a passagem que fiz com o tema "Cinco minutos de Jazz" cujo terceiro
e último boletim saiu em Janeiro de 1974 e permitiu recordar alguma da música
Jazz que nos era possível ouvir naquela altura, proponho agora abrir novo tema
( prolongamento do mesmo tema de anos anteriores) "Cancões que se ouviam no
ano de 1974" para lembrar algumas das canções que se ouviam no outro lado da
música popular, ou seja a música Pop e Pop-Rock alguma de caris bem comercial,
aquela que era mais divulgada e consumida cá e não só.
Começo com Paul McCartney ou melhor a formação Wings por ele constituída em
1971 e cujo sucesso, com a devida qualidade com excepção da canção "My Love", só se
revelou ao 3º LP "Band On The Run" editado no final de 1973.
https://www.discogs.com/ - Edição portuguesa
Do álbum, um dos melhores da sua carreira pós-The Beatles, foi extraída e
editada em Single, entre outras, a canção título "Band On The Run", uma as que
Paul McCartney teve de maior sucesso com os Wings.
Editada em Single também em Portugal foi uma das canções que marcou o ano de
1974.
Paul McCartney tem 78 anos e é uma referência para todos nós amantes dos anos
60 e dos The Beatles em particular. Foi muito o que ele deu ao mundo em termos
musicais e não só. A melhor forma de agradecer será continuar a ouvi-lo em
particular o que ele produziu naqueles tempos únicos.
Tenho sido razoavelmente crítico em relação a toda a sua produção discográfica
pós-The Beatles e parece que ainda não é desta que mudo de opinião.
As críticas têm sido simpáticas com o último trabalho, "McCartney III", mas
pessoalmente, após uma primeira audição não fiquei convencido. A voz já não
ajuda e o facto de tocar todos os instrumentos também não, a produção é
artesanal quase amadora, apesar de tudo uma ou outra aproximação a algum som
do tempo dos The Beatles mas que depressa se desvanece. Rapidamente fica
insosso sem nenhum rasgo de genialidade de quem tanto deu e de quem tanto se
espera. Assim dificilmente se volta a ouvir este disco depois de uma primeira
audição, é pena e a idade nada justifica face aos bons exemplos que ainda se
encontram de outros da mesma geração.
https://en.wikipedia.org/
"Find My Way" foi a primeira canção escolhida para edição em Single mas não me
convence de todo. prefiro "The Kiss Of Venus" a lembrar outros tempos.
As últimas gravações dos The Beatles datam de 1969, o anúncio oficial do fim
do grupo foi dado por Paul McCartney a 10 de Abril de 1970. A 17 de Abril é
publicado o seu primeiro álbum a solo, "McCartney".
"McCartney" é um álbum caseiro com Paul McCartney a tocar todos os
instrumentos e o resultado é fraco com canções praticamente por acabar, no
mínimo faltou produção, muito aquém do que seria de esperar daquele que era
considerado a figura de proa dos The Beatles, John Lennon e George Harrison
fizeram nitidamente melhor.
Poucas memórias ficaram deste disco, "Maybe I'm Amazed" era a única que
mostrava potencial, sendo mais tarde recuperada pelos Wings, a banda que
entretanto McCartney formou, sendo editada em Single em 1977.
De resto pouco se aproveita. A revista "mundo da canção" nº 12 publica as
letras de "Junk" e "Every Night". Proponho esta última que merecia melhor
tratamento, parece um demo e não uma canção acabada.
(Nota: em 1980 Paul McCartney insistiu no modelo em "McCartney II", produção caseira e tocar todos instrumentos, e não se saiu melhor, este ano de 2020, passados 50 anos da primeira experiência, volta aos mesmo formato com "McCartney III" a ser editado nos próximos dias. Será que é desta? costuma-se dizer que à terceira é de vez, mas pessoalmente não acredito, a ver (ouvir) vamos)
As minhas expectativas em relação a Paul McCartney após o términos dos The Beatles em 1970 eram muito grandes. Expectativas que foram esmorecendo com o
avançar dos anos. A solo ou com os Wings nunca mais chegava o grande disco que
tanto ansiava e fui progressivamente deixando de seguir com pormenor os álbuns
que iam sendo publicados. Aqui e acolá aparecia uma canção interessante mas
não um álbum de grande fôlego apesar de continuar bastante produtivo.
Começou a década de 70 em nome próprio mas rapidamente forma os Wings com os
quais grava até ao final da década. Em 1973 vai para o 4º LP pós-Beatles, o 2º
com os Wings, designado "Red Rose Speedway" e era mais um disco a não passar
da mediania, nem a capa se salvou. Dele se destacou e foi editada em Single a
canção "My Love" com alguns resquícios do Paul McCartney dos anos 60 a manter
a chama viva e a esperança que algo de melhor viesse a ser produzido.
www. discogs.com - edição portuguesa
"My Love" foi mesma única canção de "Red Rose Speedway" que me recordo de
ouvir em 1973. Altura de a ouvir mais uma vez.
Com o passar dos tempos é comum ficar-se mais tolerante, tornando-se o filtro,
das memórias musicais mais remotas, mais largo. Ou seja, muitas músicas a que
não se deu, por vezes, a devida atenção, ou porque passaram mais ou menos
despercebidas, ou não passaram no filtro exigente da juventude, o simples
recordá-las provoca uma sensação de bem-estar de não fácil explicação (na
realidade nem sempre é assim, por vezes acontece também interrogarmo-nos de
como é que eu gostava desta ou aquela música. Adiante).
Tenho, por vezes, tentado a utilização de um filtro tipo banda larga na
esperança de encontrar registos que de alguma forma me tenham escapado.
Por exemplo, tentei-o com The Moody Blues alargando o filtro além 1972 e
não fui bem sucedido, o mesmo para os Pink Floyd pós 1973, o mesmo efeito. E
podia continuar com muitos outros exemplos.
A reedição de “RAM” de Paul McCartney em 2012 e os adjectivos elogiosos por
parte de alguma imprensa (por exemplo, o “Expresso” de 7 de Julho de 2012 dá 5
estrelas a “RAM” e considera-o “uma peça maior” ao nível de “Revolver” ou
“Rubber Soul” e em 1 de Setembro de 2012 volta à carga e refere-se à reedição
de “RAM” como “obra-prima”) fizeram-me aplicar o mesmo exercício a Paul McCartney, ou seja, vamos lá ouvir, como se fosse a primeira vez, o que ele
fez depois da separação dos The Beatles, na expectativa de, de alguma forma,
ficar agradavelmente surpreendido.
O primeiro registo de Paul McCartney pós The Beatles foi, ainda em 1970, “McCartney” e foi penoso recordá-lo, simplesmente para esquecer. O segundo foi
precisamente “RAM” já lá vão 48 anos e por muito que alargasse o filtro nunca
consegui passar das 3 estrelas. Excepção para “Uncle Albert/Admiral Halsey”
que provocou a tal sensação de bem-estar e que fica como a escolha para hoje.
Canções que se ouviam no ano de 1972
A missão Apolo 17 descobre, na lua, rochas cor de laranja; Nos Estados Unidos rebenta o escândalo Watergate, Nixon visita a China; Nas olimpíadas de Munique 11 atletas de Israel são mortos por guerilheiros árabes, morrem os atletas e os raptores são igualmente mortos, agora por comandos alemães; Conflito tribal no Burundi faz milhares de mortos; Em Paris morre Maurice Chevalier; A Irlanda do Norte vem para as primeiras páginas dos jornais pelos piores motivos, eram os acontecimentos do “Bloody Sunday” ocorridos a 30 de Janeiro de 1972.
A música toma partido. Em protesto, Paul McCartney grava “Give Ireland Back to the Irish” que é banida das rádios no Reino Unido e é, claro, nº 1 na República da Irlanda. Por cá, “Give Ireland Back to the Irish” passava na nossa rádio e o Single era editado, na contra-capa lia-se: "Quando os Beatles se separaram, perdeu-se um grupo que marcou uma viragem espantosa na música pop em todos os tempos. Poesse motivo os 4 elementos do extinto grupo acarretavam com enormes responsabilidades, quando individualmente viessem, como aliás aconteceu, a fazer música. Todos gravaram com maior ou menor êxito, dando, no entanto, a sensação de que a solo nunca se projectariam como quando em conjunto. Depois das primeiras gravações individuais PAUL McCARTNEY resolve formar o seu grupo. Chama-se WINGS e tem como elementos, a sua mulher LINDA McCARTNEY, o bateria DENNY SEIWELL e ainda porventura a melhor aquisição - DENNY LAINE que pertenceu à fundação dos famosíssimos Moody Blues. Este é o primeiro single do grupo WINGS e para os mais saudosistas podemos já dizer que nele se vislumbram reminiscências do som dos Beatles"
Eram os Wings de Paul McCartney, "para os mais saudosistas" aqui vai "Give Ireland Back to the Irish".
DISCO MÚSICA & MODA, nº 2 de Fevereiro de 1971
Continuo a lembrar o nº 2 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" que viu a luz do dia em Fevereiro de 1971. Na página 10 encontro o artigo que hoje recupero, intitula-se "A TV Britânica Despreza a Música Pop?" e dava-nos uma perspectiva da situação dos programas musicais na televisão inglesa.
Convido-vos a ler este artigo onde se manifesta o descontentamento pelo "quase desprezo da televisão inglesa pelos gostos de uma enorme camada de público" e da pouca importância dada à música Pop. Para além de programas de autor como os de Tom Jones e Lulu são referidos o "Disco 2" e o bem conhecido "Top Of The Pops".
"Top Of The Pops" foi durante muitos anos (1964 a 2006 segundo a wikipédia) o programa mais conhecido por onde passavam as canções que mais se destacavam nas tabelas de venda, pelo que se pode facilmente imaginar quão eclético era o programa.
Eis algumas das passagens no programa de 25 de Fevereiro de 1971:
Atomic Rooster – Tomorrow Night
Ray Stevens – Can We Get To That
The Mixtures – The Pushbike Song Lynn Anderson – Rose Garden
The Showstoppers – Ain’t Nothin’ But A Houseparty
Perry Como – It’s Impossible
Chairmen Of The Board – Everything’s Tuesday
Dana – Who Put The Lights Out The Four Seasons – Let’s Hang On; Medley Paul McCartney – Another Day George Harrison – My Sweet Lord
George Harrison ocupava o primeiro lugar com o seu "My Sweet Lord", já Paul McCartney com "Another Day", que tinha acabado de ser editada, posicionava-se em 24º lugar.
Entre o primeiro LP a solo "McCartney" (1970) e o segundo "Ram" (1971) encontrava-se este Single "Another Day" a fazer-me crer que o melhor Paul McCartney iria continuar na era pós-Beatles.
1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso
Outro ex-Beatle marcava presença nas escolhas do Miguel Esteves Cardoso para o ano de 1971, era Paul McCartney, na realidade Paul and Linda McCartney, com o seu 2º álbum a solo de nome "Ram" e tinha 3 estrelas.
Também ele teve um percurso pós-Beatles menos interessante, para mim foi, dos quatro, a maior desilusão, sempre à espera de um disco ao nível do melhor dos The Beatles o que nunca chegou a acontecer. Se o primeiro álbum a solo "McCartney" (1970) não entusiasmava, já com o sucessor "Ram" se manifestavam melhorias assinaláveis com algumas faixas a ficarem-nos na memória como por exemplo "Uncle Albert/Admiral Halsey".
Miguel Esteves Cardoso manifestava-se a este período de Paul McCartney da seguinte forma: "Paul McCartney lança o seu primeiro álbum a solo, antes da separação dos Beatles (McCartney). Embora desigual, revela uma sensibilidade reprimida pelo formato multi-talentado dos Beatles e constitui um esforço interessante que viria a surgir numa forma mais completa e conseguida em "Ram" e, especialmente, em "Wild Life", o primeiro dos Wings (ambos de 1971)."
O álbum começava com "Too Many People" e abria as hostilidades a John Lennon e Yoko Ono. A resposta de John Lennon ouvimo-la ontem com "How Do You Sleep?", fica hoje a provocação de Paul McCartney.
Mais um ano passado, mais algumas recordações musicais deste ano que agora nos deixou. Começo com alguns trabalhos de sobreviventes dos anos 60 que teimam em continuar a gravar, alguns deles com inquestionável qualidade outros nem por isso.
Sinais do tempo, consulto algumas listas dos melhores álbuns de 2018 e para além de não conhecer a maioria deles, a geração de 60 desapareceu por completo. O melhor que consegui apurar foi, na listagem dos melhores 50 álbuns da revista "Uncut", a presença de Richard Thompson a ocupar o 11º lugar com o seu último trabalho "13 Rivers", a ele voltarei daqui a alguns dias.
No entanto, alguns outros trabalhos merecem no mínimo a devida referência e a sua audição numa primeira oportunidade, embora nem todos estejam à altura das expectativas criadas por quem os assina:
Todos eles, de alguma forma, conhecidos do mundo musical já nos idos anos 60, uns mais que outros, é claro.
A passagem hoje vai para Paul McCartney com o seu "Egypt Station".
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Paul McCartney, agora com 76 anos, teima em continuar a gravar e sempre que é anunciado um novo trabalho fica-se à espera de uma surpresa, ou seja de um disco que esteja à altura do génio que foi na década de 60. No entanto, tudo aponta para que isso não mais aconteça e ficamos com um disco pobre muito pobre que muito facilmente se esquece. Confesso que foi com dificuldade que o ouvi até ao fim, tal o enfado que ele me provocou. Talvez fosse altura de deixar de gravar e dedicar-se aos concertos que, parece, manterem-se num nível muito positivo.
Carlos Mendes foi um dos elementos fundador de um dos mais prestigiados conjuntos Pop-Rock dos anos 60, os Sheiks. Data, portanto, de 1965 a primeira gravação onde pudemos ouvir a bonita voz de Carlos Mendes, ouça-se, por exemplo, a bela versão em ritmo Pop de "Summertime".
Em 1967 saiu do grupo e enceta carreira a solo. Logo em 1968 participa no Festival RTP da Canção e sai vencedor com a canção "O Verão", uma canção Pop fora do habitual do Festival até então. Termina a década com mais 2 discos, 1 EP com composições de Pedro Osório e 1 Single a justificar o Regresso ao Passado de hoje.
"Penina" é uma canção que o Paul McCartney improvisou aquando de férias no hotel Penina, no Algarve, em Janeiro de 1969. Ofereceu-a ao grupo que estava a tocar no hotel. Já a recordámos na interpretação do grupo que dava pelo nome de Jotta Herre.
Também em 1969 Carlos Mendes edita um Single com esta canção. A capa tinha uma fotografia de Albufeira, onde se pode ler no muro "Carlos Mendes Penina Paul McCartney".
A memória diz-me que vi o Carlos Mendes a cantar "Penina" num programa da RTP, espero não estar a ser atraiçoado. De qualquer forma aqui está "Penina" pelo Carlos Mendes.
Já agora, Jean Sarbib tocava o baixo, Marcos Resende o piano e Adrien Ransy bateria.
Só editaram um disco EP e já por aqui passaram, eram os Guitarra de Fogo.
Formaram-se no início da década de 60, actuavam no intervalo do filme “Uma Rapariga nos Teus Braços” de Cliff Richard, andaram pelo Concurso Ié-Ié no Teatro Monumental, passaram pela RTP.
O disco gravado à pressa é muito eclético, 2 faixas de inspiração africana, um tema de Chuck Berry (Memphis) e ainda uma versão em português de “I’ll Follow the Sun”, uma canção de Lennon/McCartney do álbum “Beatles for Sale” de 1964.
Recordemos “I’ll Follow the Sun” numa interpretação de Paul McCartney em 2005.
De volta ao EP dos Guitarra de Fogo que, recorda José Lourenço, baterista do conjunto, em "Biografia do Ié-Ié" de Luís Pinheiro de Almeida, “Gravámos nos Estúdios da Valentim em Paço de Arcos, mas só nos deram duas horas. O disco é mau. Ainda tentámos evitar que ele saísse, mas não foi possível.”
Não é efectivamente de qualidade que se recomende, mas, se não tivesse saído, como é que agora recordávamos “Seguirei o Sol”? Ora aí vai.
A competição entre The Beatles e The Rolling Stones é bem conhecida. A popularidade, os discos gravados, o nº de discos vendidos, os concertos, a roupa, os penteados tudo foi alvo de comparação. A evolução musical dos dois conjuntos também o foi, em "O Mundo da Música Pop" lê-se: "Os Beatles orientaram a sua música progressivamente no sentido de um beat familiar com música simples. Os Rolling Stones, por sua vez, baseavam-se no protesto dos negros norte-americanos, de aceitação muito mais difícil.".
"Help!" o quinto álbum dos The Beatles editado em 1965 contem a canção que mais versões teve em toda a história da música popular, "Yesterday". Uma melodia sonhada por Paul McCartney, cuja letra foi escrita em Portugal, em Maio de 1965, quando ia a caminho do Algarve. Gravada em Junho e editada pela primeira vez em Agosto na álbum "Help!".
"Yesterday", uma balada à qual foi adicionada um quarteto de cordas, era uma das canções mais melodiosas que The Beatles tinham editado e que com certeza ajudou à aceitação dos The Beatles por outras gerações. A consideração pelos The Beatles era então total, em 12 de Junho de 1965 eram condecorados, pela rainha, com a ordem do império britânico.
Mas com o LSD e o psicadelismo prestes a chegar o ar composto dos The Beatles iria terminar e a melhor produção musical iria começar.
Agora é tempo para "Yesterday", eram The Beatles (ou direi Paul McCartney e um quarteto de cordas?) e talvez o seu maior êxito.
Que a influência dos The Beatles foi grande em boa parte dos conjuntos
portugueses nos idos anos 60 já todos
sabemos, que Paul McCartney tinha escrito, em Portugal, uma música, e que a tinha
oferecido a um desconhecido conjunto português, já poucos saberão.
Foi há 45 anos, mais precisamente de 7 para 8 de Janeiro de 1969, e reza assim
a história pelo próprio Paul McCartney:
“"Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já
alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu
acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma
canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu
dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio". - em “Biografia do IÉ-IÉ” de Luís
Pinheiro de Almeida.
O grupo era pouco conhecido, davam pelo nome de Jotta Herre e por lá
passaram pelo menos 2 nomes mais tarde com sucesso: Jean Sarbib, de quem já
falámos acerca do Quinteto Académico, e, o então jovem, Vitorino.
Os Jotta Herre gravaram “Penina” sem grande êxito, embora o EP tenha sido editado em
diversos países. Carlos Mendes também assinaria a sua versão com um pouco mais
de notoriedade. Quanto aos The Beatles a música ficaria por um demo (menos de 1
minuto) gravado aquando das sessões de “Let it Be”.
Aqui fica esta curiosidade, pois não estamos a falar propriamente dos atributos
da música.