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sexta-feira, 18 de março de 2022

Lou Reed - Sad Song


Lou Reed (1942-2013) é um nome fundamental no melhor Rock que se tem produzido.  

Lou Reed, membro fundador dos vanguardistas, alternativos e experimentais The Velvet Underground, viria a abandonar o grupo em 1970, depois de 4 álbuns seminais e reduzido sucesso comercial (hoje, a banda mais influente da história do Rock!). Seria ao 2º álbum a solo (“Transformer” de 1972) que Lou Reed teria o devido reconhecimento, nomeadamente através do tema “Walk on the Wild Side”.

Em 1973, contrariando o sucesso de “Transformer”, Lou Reed grava “Berlin”, um disco fora de tempo e então pouco notado, a revista “Rolling Stones” considera-o mesmo um desastre. O fracasso do casamento de Lou Reed estaria na origem deste álbum conceptual sobre o amor, as drogas, a prostituição e o suicídio. Um disco pesado que ficou esquecido.

A sua recuperação só seria feita em 2006/7 através de uma série de concertos que dariam origem ao filme “Lou Reed’s Berlin”, disponível em DVD. Mas para começar nada como recuar no tempo, mais precisamente a 29 de Janeiro de 1972, irmos ao Bataclan a Paris, onde os ex-velvetianos Lou Reed, John Cale e Nico (1938-1988) apareceram juntos pela primeira vez após a separação e ver/ouvir o tema “Berlin”:


Reed tinha escrito para Nico, “Femme Fatale”, “I’ll Be Your Mirror” e “All Tomorrow´s Parties”, fica a dúvida se também terá escrito “Berlin” a pensar nesta alta e germânica Nico entretanto partida, Nico que “… foi breve e simultaneamente namorada de Reed e Cale no início dos ensaios dos Velvet Underground” in “Andy Warhol e os Velvet Underground”, edição Assírio & Alvim, 1992. A letra de “Berlin” pode impelir para Nico, ora vejamos:

“In Berlin, by the wall
You were five foot ten inches tall
It was very nice 
Candlelight and Dubonnet on ice

We were in a small cafe
You could hear the guitars play
It was very nice
It was paradise

You're right and I'm wrong
Hey babe, I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day …”

E repare-se no final do vídeo, Lou deixa de olhar o público para se fixar em Nico que ouvia “Berlin” senão pela primeira vez, de certeza uma das primeiras.

Suposições. Agora, um salto para 2006, para “Berlin” no filme “Lou Reed’s Berlin”:



Já em 1980 Miguel Esteves Cardoso reconhecia a genialidade de “Berlin”: “obra-prima de dramatismo decadente”, “o LP mais menosprezado de toda a sua obra”.

Finalmente, em mais esta passagem pela obra a solo de Lou Reed, a faixa que terminava o álbum, "Sad Song", entre o melhor que o ano de 1973 nos deixou.





Lou Reed – Sad Song

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Lou Reed – September Song

Os Meses do Ano em Canção


Volto a "September Song". Já a lembrei na  belíssima versão de Bryan Ferry, mas há mais que devem ser devidamente consideradas.

Lembro que esta canção foi composta por Kurt Veill (1900-1950) a pensar na sua esposa a cantora Lotte Lenya (1898-1981) tendo sido objecto de muitas interpretações. O original é cantada por Walter Huston em 1938 e a própria Lotte Lenya gravou-a em 1958. Também Bing Crosby e Frank Sinatra a cantaram e mais recentemente destaco as versões de Bryan Ferry (1999) que já recordei e a de hoje, uma versão improvável, ou talvez não, de Lou Reed.

 "Lost in the Stars: The Music of Kurt Weill" foi um álbum tributo a Kurt Veill editado em 1985 onde surge a versão de Lou Reed para "September Song".


https://www.discogs.com/


De início estranha-se, mas, aos poucos e poucos, esquecendo outras versões e focando-se no universo musical de Lou Reed, "September Song", ganha nova vida e a ela aderimos com facilidade.



Lou Reed – September Song

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Lou Reed - Intro, Sweet Jane

  1974 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Ainda neste grupo de vanguarda, irrequieto que esteve na década 70 em constante pesquisa/evolução não deixando estagnar pelo êxito inicial mais dois nomes que editaram no ano de 1974 e incontornáveis na história da música Rock pós anos 60: Lou Reed e David Bowie.

Segundo Miguel Esteves Cardoso "Lou Reed e David Bowie regressam à crueza do Rock and Roll, talvez enfastiados com a indefinição atmosférica dos seus álbuns de 73", recorde-se "Berlin" e "Alladin Sane", "Pin-Ups" respectivamente. Talvez fossem estes "regressos" que permitiam depois novos avanços, "Coney Island Baby" para Lou Reed em 1975 e "Station To Station" para David Bowie em 1976.

Hoje Lou Reed, amanhã David Bowie.

Lou Reed edita dois álbuns, "Rock 'n' Roll Animal" e "Sally Can't Dance" aos quais Miguel Esteves Cardoso atribui respectivamente quatro e e três estrelas.



Edição portuguesa em vinil de 1975 com a ref: APL1 0472


"Rock 'n' Roll Animal" é primeiro álbum ao vivo de Lou Reed, composto por somente cinco faixas, quatro das quais vindas do tempos dos The Velvet Underground e talvez fosse por isso que Miguel Esteves Cardoso escreveu:"... Reed mostra que nunca perdera a sua paixão de adolescente...", mas ao mesmo tempo adiantado no tempo ao considerar ""Rock'n'Roll Animal" um monumento às intenções da New Wave americana de 77".

"Rock 'n' Roll Animal" começa com uma introdução a que se segue "Sweet Jane", uma das muitas canções que ficaram como marca do génio de Lou Reed. "Sweet Jane" vinha do 4º LP "Loaded" dos The Velvet Underground já sem a presença de John Cale. Grande interpretação esta.



Lou Reed - Intro, Sweet Jane

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Lou Reed - Berlin

   1973 Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Em 1973 Lou Reed lança um dos melhores discos da sua carreira, "Berlin", um disco que foi ganhando ao longo dos anos crescente importância na sua discografia.

Ao terceiro registo a solo, Lou Reed assina um álbum conceptual baseado na relação do casal Jim e Caroline onde temas como a violência doméstica, a droga e a prostituição tomam lugar central. Retrato de um tempo em que a música popular expandia fronteiras e buscava novas vias, um disco pesado, perturbador mas simultaneamente maravilhoso e cativante.


Edição alemã com a ref: NL 84388 de 1981



"Berlin" está entre as escolhas de Miguel Esteves Cardoso para o ano de 1973 dando-lhe quatro estrela e dele dizendo:

"Lou Reed produz uma obra-prima de dramatismo decadente com "Berlin" - talvez o LP mais menosprezado de toda a sua obra. Profundamente teatral, Reed levanta uma atmosfera fumarenta populada por seres humanos em situações extremas de declínio e de masoquismo. Duma força quase visual, os textos condensam as obsessões estilísticas de Reed - uma espécie de elegância do desespero."



Em 2007 "Berlin" voltou à ribalta com uma série de concertos com um grupo de 30 músicos e um coro onde marcava presença Antony, desses resultou a realização por Julian Schnabel de um filme-concerto com boa recepção da crítica.

O tema inicial "Berlin" aqui fica para recordação e(ou) aperitivo para ouvir todo o álbum ou rever o filme que é o que eu vou fazer.



Lou Reed - Berlin

terça-feira, 12 de maio de 2020

Lou Reed - Walk on the Other Side

1972 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

Outro nome incontornável de 1972, a par de David Bowie, foi Lou Reed.
Miguel Esteves Cardoso vai mais longe e afirma mesmo: "A dupla Lou Reed-David Bowie é a mais influente da década".
O ano começou com a edição do primeiro LP a solo de Lou Reed, "Lou Reed" e não terminou sem a publicação do magnífico "Transformer", álbum que contou precisamente com a produção de David Bowie.





Para Miguel Esteves Cardoso ""Tranformer é a afirmação definitiva da estética Warholiana, a celebração final da maquilhagem ("Make-up"), da bissexualidade "Walk on the Other Side") e do humor irónico que são os alicerces do Novo Romantismo".
Quanto a Lou Reed "A grande força de Lou Reed é a sua habilidosa forma de escrever, semi-satírica e semi-séria, sempre deliciando-se com a sua sugestiva ambiguidade".

Entre os discos desta "nova era", "Transformer" era o único que obtinha cinco estrelas ou seja excelente, continha algumas das suas melhores composições de sempre como "Walk on the Other Side" e "Perfect Day". É com a primeira que hoje ficamos.




Lou Reed - Walk on the Other Side

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Lou Reed - Lisa Says

1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso

Entre 1967 e 1970 o grupo The Velvet Underground editou 4 álbuns seminais do Rock de vanguarda, os 4 tiveram a presença marcante de Lou Reed.

Em 1970 abandona The Velvet Underground, seguindo as pisadas de John Cale que já o tinha feito em 1968, entrando em estúdio no ano seguinte para a gravação do seu primeiro álbum a solo "Lou Reed" que viria a luz dos escaparates em 1972. Miguel Esteves Cardoso, inclui-o, no entanto, nas suas escolhas para 1971 dando-lhe 4 estrelas.


https://en.wikipedia.org/


Era o início de uma carreira impressionante de um dos mais importantes músicos do universo Rock.
Com algumas oscilações, é certo, mesmo na década de 70, soube entretanto envelhecer mantendo-se fiel ao seu estilo de Rock tantas vezes imitado, era um verdadeiro animal do Rock'n'Roll.

Quanto a "Lou Reed" está longe de ser o seu melhor álbum, lugar discutido por outros registos como "Tranformer" (1972), "Berlin" (1973) ou "New York" (1989), é um disco de transição das influências dos The Velvet Underground (8 das 10 canções que compõem o álbum vêm de tempo anterior tendo inclusive sido tocadas por eles) e novos caminhos que começava a trilhar com novos temas ( "Going Down" e "Berlin").

Proponho "Lisa Says", canção que pode também encontrar-se nos álbuns "1969: The Velvet Underground Live" (álbum duplo ao vivo editado em 1974 de concertos de 1969) e "VU" (compilação editada em 1985 de gravações não anteriormente editadas pelos The Velvet Underground em 1968 e 1969).




Lou Reed - Lisa Says

sábado, 15 de outubro de 2016

The Velvet Underground - Heroin

O violino no Rock


The Velvet Underground tem um lugar à parte na história do Rock, digamos que tivemos The Velvet Underground e os outros.

Um grupo experimental a executar música de vanguarda será uma das possíveis definições para este grupo de Nova Iorque formado contra a corrente (flower-power, west coast sound) em 1965.
Em "Superstars - Andy Warhol e os Velvet Underground" pode-se ler:
"Os Velvet Underground foram a primeira e a melhor banda de rock de vanguarda. Foram vanguardistas no verdadeiro sentido de exploradores de territórios desconhecidos. As suas canções não só tinham um som diferente como exprimiam atitudes, sensações e experiências nunca antes ouvidas no rock'n'roll. Conduziram a música tão longe quanto era possível sem perda de consciência (o que os separa dos seus contemporâneos da década de 60 que a perderam) e estabeleceram um quadro de referências para o género (combinando poesia e lixo, primitivismo e sofisticação, delicadeza e violência). Fundaram virtualmente as bases para uma nova geração de rock'n'roll. Influenciaram as gerações seguintes mas não a sua."

A formação principal ocorreu de 1966 a 1968 e tinha Lou Reed (1942-2013), na voz e guitarra, John Cale na voz, teclados, baixo e violino (na realidade tratava-se de uma viola de arco, ligeiramente maior que o violino e com um som mais grave), Sterling Morrison (1942-1995), na voz e guitarra e Maureen Tucker na bateria.




Para a ilustração do violino no Rock mantemo-nos no primeiro LP de 1967, o famoso "The Velvet Underground & Nico" com a cantora germânica Nico (1938-1988) e produção de Andy Warhol.

São várias as faixas onde John Cale, principal responsável pela sonoridade neste álbum, exibe o seu heterodoxismo ao tocar a electrificada viola de arco, a escolha vai para o tema de Lou Reed, "Heroin".


The Velvet Underground - Heroin

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Superstars - Andy Warhol e os Velvet Underground

Nº 22 da colecção Rei Lagarto "Superstars - Andy Warhol e os Velvet Underground" é uma edição da Assírio & Alvim de 1992, com tradução, actualização e anexos de João Lisboa.


É constituído por três partes, "Heróis" uma entrevista de Christian Fevret aos elementos do grupo, "Dicionário" tudo de A a Z sobre The Velvet Underground e Anexos organizados por João Lisboa.

"Perante a fuga à agonia urbana reivindicada pelo movimento hippie, os Velvet Underground davam mais importância às grandes cidades, optando por enfrentá-las a partir do interior e esgrimindo as mesmas armas: o ruído anárquico do grupo frente ao ruído atroador das urbes. Eles eram Nova Iorque, eram o reflexo das suas ruas e das suas gentes, chegando a encarnar o mais duro e puro som da metrópole de forma obsessiva e autodestrutiva." na entrada Urbanos da letra U.

The Velvet Underground - All Tomorrow's Parties

Talvez o grupo com menos popularidade e o que se revelou mais importante na história do Rock: The Velvet Underground.

Formados por Lou Reed (1942-2013), John Cale, Sterling Morrison (1942-1995) e Maureen Tucker dão o primeiro concerto como The Velvet Underground a 11 de Novembro de 1965.
The Velvet Underground foi a primeira e a melhor banda de Rock de vanguarda.
O termo vanguarda, tantas vezes mal utilizado, aplica-se aqui justamente, o som praticado era único e explorava caminhos até então inéditos no Rock. Desalinhados com a música psicadélica dominante oriunda da West Cost, não são reconhecidos no seu tempo (1965-1971) mas são das bandas mais influentes nas gerações seguintes.
Andy Warhol, o artista plástico da Pop-Art, apadrinha-os e produz o primeiro álbum do grupo. Também impõe Nico (1938-1988) em três faixas do disco e o famoso álbum da "banana" (capa desenhada por Andy Warhol) editado em 1967 vai designar-se "The Velvet Underground and Nico".


Deste álbum verdadeiramente histórico ficamos com "All Tomorrow's Parties", escrita por Lou Reed, interpretada por Nico, inspirada no ambiente que se vivia na Factory, o estúdio de Andy Warhol.

"Nos anos 60 toda a gente se interessava por toda a gente. A contracultura, a subcultura, a pop, as superstars, a droga, as luzes, as discotecas. Havia sempre uma festa algures: numa cave, num sótão, num autocarro ou no metro. Se não era num barco, era na estátua da Liberdade. Os anos 60 eram a balbúrdia. E os Velvets cantavam All Tomorrow's Parties." Andy Warhol em "Superstars - Andy Warhol e os Velvet Underground".



The Velvet Underground - All Tomorrow's Parties

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Blitz nº 7 de 18 de Dezembro de 1984

Jornal "Blitz"

No nº7, de Dezembro de 1984, há precisamente 30 anos, o jornal Blitz fazia capa com Lou Reed., com chamadas para This Mortal Coil e Dream Syndicate.



- Nas pequenas notícias das páginas 2 e 3, uma referência a Michael Jackson acusado de plágio em "Please Love Me Now", ficava-se ainda a saber que os que gostam de música «antiga», Beatles, Doors, Yes, Pink Floyd, Rolling Stones eram os «amigos de Alex» e anunciava-se o primeiro single a solo de Ian McCulloch, líder dos Echo and the Bunnymen.
- Na  página 4 o RRV (Rock Rendez-Vous) fazia notícia pela passagem do 10º aniversário e a página 5 era toda ocupada com um artigo do António Sérgio sobre os This Mortal Coil sob o título "Ilusão e Enigma".
- Na página 5 num anúncio do "mundo da canção" (mc/discoteca) ficamos a saber que o preço de um álbum em 1984 variava entre 560$00 e 64$00 (2,8 e 3,2 €)
- Dream Syndicate - O Sonho Americano, ocupa toda a página 6. Era o melhor Rock que então se praticava com esta banda de Los Angeles.
- As páginas centrais, 8 e 9 vão para Lou Reed, o concerto de Barcelona e o novo disco "New Sensations".
- As páginas 10 e 11, perdem-se com cartas dos leitores e a 12 com electrónica e computadores.
- A página 13 é fundamental, recorda-nos "Os melhores de 1967 segundo Em Órbita".
- Na página 14 o destaque vai para os discos editados na semana em Portugal e a Escolha Blitz vai, entre outros, para Paul McCartney com "Give My Regards To Broadstreet", "Unforgettable Fire" dos U2 e "Cádoi" de Júlio Pereira.
- A página 15 era ocupada com as habituais listas de vendas. Em Portugal, nos Singles o 1º lugar era ocupado por "I Just Called TO Say I Love You" de Stevie Wonder, o mesmo ocupava o 1º lugar nos álbuns com "The Woman In Red".
- Última página dedicada a Simone, não a nossa, mas a brasileira a propósito do último disco "Desejos".