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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Gentle Giant - Wreck

   a memória do elefante


Já o devo ter dito, mas repito: os Gentle Giant estavam nos longínquos anos da minha adolescência no topo das minhas preferências no que diz respeito a grupos do chamado Rock Progressivo, género musical a viver então o seu auge. Outros havia, claro, que eu bem apreciava, como por exemplo os Jethro Tull, os Yes ou os inevitáveis King Crimson, mas os Gentle Giant encontravam-se num cantinho bem especial talvez por serem de todos os que apresentavam uma música menos comercial e mais original. Em particular nos primeiros quatro álbuns, editados de 1970 a 1972, que foram os mais inventivos. os mais genuínos de todos os publicados ao longo da década até ao fim do grupo em 1980.

"Acquiring the Taste" de 1971 foi o 2º trabalho dos Gentle Giant, e foi aquele onde levaram mais longe as pretensões experimentais que evidenciavam. Eles tinham noção disso e escreviam na capa do LP:

"It is our goal to expand the frontiers of contemporary popular music at the risk of being very unpopular. We have recorded each composition with the one thought – that it should be unique, adventurous and fascinating. It has taken every shred of our combined musical and technical knowledge to achieve this. From the outset we have abandoned all preconceived thoughts of blatant commercialism. Instead we hope to give you something far more substantial and fulfilling. All you need to do is sit back, and acquire the taste."


Edição Vertigo em vinil com a ref: 6360041

"Acquiring the Taste", álbum por cá pouco divulgado como aliás a generalidade do discografia dos Gentle Giant, não passou despercebido ao jornal "a memória do elefante" que no seu nº 7 de Janeiro/Fevereiro de 1972 o elege para o 12º álbum do ano anterior selecionando a canção "Wreck" para o 20º melhor tema do ano.





Gentle Giant - Wreck

sábado, 23 de setembro de 2023

Gentle Giant - Nothing at All

  O Rock Progressivo nos anos 70


No Top do Top das minhas bandas preferidas conectadas com o Rock Progressivo encontram-se os Gentle Giant. Grupo fundamental do melhor Rock nas expressões experimental, fusionista e progressiva praticado na década de 70 apresentaram uma sonoridade muito sui generis que apesar da pequena legião de seguidores nunca alcançaram o reconhecimento do grande público, o que, diga-se, não seria fácil. Os 4 primeiros álbuns, que na época adquiri e que ainda os possuo, foram os que me fizeram ficar fã deste grupo que apesar de todas as pressões se tem recusado a voltar a tocar juntos (entretanto um dos três irmãos Shulman, Raymond Shulman, co-fundadores do grupo, faleceu em Março deste ano).

Do primeiro álbum, "Gentle Giant" de 1970, sobressaía o tema "Nothing at All" com os seus mais de 9 minutos e cujo vídeo proponho de seguida.



"Nothing at All" é bem representativa da complexidade que os Gentle Giant vieram introduzir ao Rock, então mais do nunca com uma multiplicidade de novos caminhos que, em particular, os grupos de Rock Progressivo vieram introduzir. "Nothing at All" dos Gentle Giant mais um bom exemplo do rasgar de todas as convenções musicais apresentando uma complexidade instrumental e vocal fora do comum. Segue a versão original completa.



Gentle Giant - Nothing at All

sábado, 5 de novembro de 2022

Gentle Giant - Isn't It Quiet And Cold

O Rock Progressivo nos anos 70


Um dos melhores grupos de Rock Progressivo, senão o melhor, foram os Gentle Giant que duraram toda a década de 70 (iniciaram-se em 1970 e terminaram em 1980). Foram também um dos menos conhecidos, talvez por algum experimentalismo que a sua música manifestava mas também pela postura do grupo pouco dado a abordagens comerciais, mesmo depois do fim até hoje recusaram-se a regressar à ribalta.

Com uma discografia composta por onze álbuns de originais, a minha atenção fixou-se nos quatro primeiros trabalhos editados de 1970 a 1972. Pouco a pouco o Rock Progressivo foi perdendo força e também os Gentle Giant não resistiram ao seu declínio.


Edição do Reino Unido com a ref:
6360020. Preço 216$00 (cerca de 1 €)


Do surpreendente 1º álbum de 1970, que já recordei várias vezes, aqui vai uma faixa, "Isn't It Quiet And Cold". Espero que apreciem tanto quanto eu naqueles tempos e ainda agora também.



Gentle Giant - Isn't It Quiet And Cold

terça-feira, 25 de junho de 2019

Gentle Giant – Three Friends

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70

Hoje a terceira e última escolha do ano de 1972, mais uma na área do Rock Progressivo. 11 anos  (1970-1980) duraram os Gentle Giant e 11 álbuns editaram. É verdade que no final da década de 70 já pouco se ouvia falar dos Gentle Giant, não conhecendo eu bem os últimos discos do grupo, no entanto, pelo menos até "Free Hand" (1975) a qualidade é assinalável e sem dúvida recomendada.
Mas estou em 1972, no apogeu do Rock Progressivo, onde os Gentle Giant publicam o 3º LP "Three Friends", a minha escolha de hoje.

"Three Friends" continuava na senda dos dois anteriores e continuava também a surpreender-nos com a sua complexidade (ou aparente complexidade), melodias difíceis, por vezes mesmo confusas, e instrumentações geralmente pouco associadas ao universo Rock. Mas simultaneamente era extraordinariamente belo e envolvente.


Edição do Reino Unido de 1972 da editora Vertigo com a ref: 6360 070
Preço 188$50 (menos de 1 €)




A capa é bem sugestiva da temática do álbum.
"Three Friends" a história de 3 amigos de infância e o seu futuro, lê-se na parte de dentro da capa: "The idea for this album came about simply from normal conversations within the group. You know how people pften reminisce about old school friends and wonder whatever became of them; or the people who surprise us with their successes or failures. Anyway, the theme in this album is based on three people - friends at school but inevitably separated by chance, skill and fate."

O álbum começa assim com "Prologue", "Three friends are made, three lives are laughs and tears/Through years of school and play they share..."





Gentle Giant - Prologue

quinta-feira, 14 de março de 2019

Gentle Giant - Nothing at All

1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


3 estrelas é quanto Miguel Esteves Cardoso dava ao primeiro e homónimo LP dos Gentle Giant. Editado em finais de 1970 e encontra-se entre as escolhas por ele feitas para o ano de 1971 no que diz respeito às publicações na área da "Fusão (sinfónico)". Pelos Gentle Giant parecia não morrer de amores ao afirmar: "Os Procol Harum experimentam ser sinfónicos [referia-se ao álbum "In Concert with the Edmonton Symphony"], mas arrependeram-se e aparecem os Gentle Giant, que faziam pouca falta."

Cá por mim gostei dos Gentle Giant, em particular dos 3 primeiros LP que logo os adquiri.
Mas o primeiro teve um sabor especial, pois estávamos na presença de mais um grupo claramente experimental a desbravar caminhos anteriormente não percorridos.

Uma panóplia de instrumentos muito pouco usuais na música Rock, violinos, instrumentos de sopro diversos, teclados e sintetizadores, e vocalizações estranhas mas lindas compunham o universo sonoro de mais um novo grupo a não se ficar pelo simplismo da música Rock e Pop mais primária e comercial.

Edição do Reino Unido com a ref:
6360020. Preço 216$00 (cerca de 1 €)




Infelizmente não tiveram o sucesso de outras bandas do mesmo género,  mas passadas quase cinco décadas da sua edição é ainda uma verdadeira aventura a sua audição, senão ouçam "Nothing at All", a composição que então eu mais gostava.




Gentle Giant - Nothing at All

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Gentle Giant - Giant

Algumas memórias soltas do ano de 1970 vão ocupar os próximos Regresso ao Passado.

Depois da passagem pelo Rock Progressivo nos anos 60, nada melhor que lembrar Gentle Giant.

Gentle Giant foi a melhor banda de Rock Progressivo e talvez a mais ignorada.
Formados no mesmo ano dos Emerson, Lake & Palmer, 1970, não atingiram a popularidade destes, mas mantiveram uma qualidade e inspiração musical que aqueles foram progressivamente perdendo. Também o primeiro álbum saiu em 1970, não obteve a notoriedade do 1º dos Emerson, Lake & Palmer, mas abriu as portas da música popular para novas vias então desconhecidas.

Eles próprios afirmavam (na interior da capa do 2º álbum):
“ O nosso objectivo é alargar as fronteiras da música contemporânea, mesmo com o risco de nos tornarmos impopulares.”

Combinando o Rock, a Música Clássica, o Jazz, o Folk e até a música medieval criaram sonoridades "avant-garde” que ainda hoje nos surpreendem.





“Se neste momento se pode falar concretamente de inovação em música popular, Gentle Giant terá que ser um nome incluído, e observado com muita atenção.” em “a memória do elefante” nº 9, 1972.

Entre a memória e o que consegui apurar o meu exemplar de "Gentle Giant" é uma edição inglesa de 1973 e então adquirida pelo preço de 216$50, ou seja pouco mais de 1€. Tenho que voltar a ouvi-lo!

Distinto de tudo o que se conhecia em termos de música popular os Gentle Giant abriam os novos caminhos do Rock , já lá vão tantos e bons anos!
A prova vai para "Giant" que dava início ao 1º magnífico álbum.




Gentle Giant - Giant

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Gentle Giant - Funny Ways

O violino no Rock

A originalidade parecia ser uma preocupação constante nos grupos Rock que surgiram no final da década de 60, início da de 70. Gentle Giant é mais um grupo a inserir-se no que ficou conhecido por Rock progressivo e é sem dúvida um dos mais criativos e originais que conhecemos.

Formados a partir dos três irmãos Derek, Phil e Ray Shulman, os Gentle Giant foram absolutamente únicos no género de fusão que então praticaram

De catalogação quase impossível praticavam uma música complexa, por vezes experimental, com frequentes vocalizações polifónicas, mudanças bruscas de tempo, melodias elaboradas e contrastantes. Nada se lhes comparava na época.
Sob o ponto de vista instrumental, eram todos multi-instrumentistas, dispunham de um panóplia impressionante de instrumentos que complexavam, mas simultaneamente enriqueciam a música praticada.





O grupo durou de 1970 a 1980 e, apesar das tentativas para  o seu regresso, tal nunca chegou a acontecer, deixaram-nos 11 álbuns de originais de refinada qualidade. Logo no homónimo LP de estreia de 1970, os Gentle Giant surpreendem-nos nomeadamente pela imprevisibilidade que todo o disco encerra, passando pelo Rock, Jazz, música erudita, num todo coerente e belo a que vale a pena sempre regressar .
De "Funny Ways" a "Nothing at All" a descoberta de um novo mundo sonoro que urge, passados tantos anos, redescobrir.
Entre os muitos instrumentos que os Gentle Giant utilizaram lá estava o violino de Ray Shulman a ter em "Funny Ways" um lugar decisivo.



Gentle Giant - Funny Ways