The Beatles terminaram em 1970, mas o contributo individual e as influências
que exerceram no universo musical perduraram no tempo. Apesar de Paul McCartney e Ringo Starr ainda hoje continuarem no activo na realidade
importância da música por eles actualmente praticada é podemos dizer nula,
resta a recordação de outros tempos o que não é pouco.
Em 1971 estava tudo ainda muito fresco, "Let It Be", o último álbum do grupo,
tinha somente um ano de existência e as gravações a solo sucediam-se deixando
esperanças nos respectivos futuros individuais. Na revista "mundo da canção"
eram presença assídua e este nº 18 de 1971 não é excepção.
Vejamos o caso de John Lennon, é dele com a Plastic Ono Band que são
publicadas as letras de duas canções: "Working Class Hero" do álbum "John
Lennon/Plastic Ono Band" de 1970 e "Power To The People" editada em Single já
em 1971.
Destes testemunhos revolucionários proponho "Working Class Hero".
O património que The Beatles nos deixou é enorme. Uma década e treze álbuns
foram suficientes para alterar o panorama musical da música dita popular, há
um antes e depois The Beatles. Mesmo na sua discografia as diferenças são
enormes entre 1963, ouça-se "Please Please Me", e 1970, ouça-se "Let It Be"
que nem é o álbum mais importante do grupo. Bem, o mais importante é aquele
que cada um quiser, mas arrisco-me a afirmar que a maioria faria uma escolha
entre o que foi publicado entre 1966 e 1969.
É deste período o duplo álbum "White Album" (1968) que com o passar dos anos
foi ganhando, pelo menos em mim, uma importância cada vez maior pela riqueza e
constantes descobertas que novas audições provocam.
"Blackbird" e "Julia" eram duas canções deste álbum cujas letras constavam no
nº 16 da revista "mundo da canção", estávamos já em Março de 1971, a realidade
musical era já outra (como as alterações eram tão rápidas) mas a qualidade e o
interesse estava, e está ainda hoje, garantido.
"Julia" escrita e interpretada exclusivamente por John Lennon mas creditada
Lennon-McCartney como era habitual é uma canção dedicada a sua mãe Julia
falecida em 1958. E o Regresso ao Passado de hoje termina bem, termina com
"Julia".
Os primeiros anos após a separação do grupo The Beatles em 1970 foram
interessantes de seguir. Isto pelas expectativas elevadas que se tinha
relativamente às carreiras a solo dos quatro músicos que compunham The Beatles. A maior ia directamente para Paul McCartney e a menor para Ringo Starr o menos dotado em composição e com uma voz pouco interessante. John Lennon e George Harrison ficavam algures a meio, mas a curiosidade era enorme.
Passados estes anos todos, a minha memória diz que Paul McCartney não realizou
o grande álbum que se esperava, que John Lennon confirmou os seus dotes
musicais e George Harrison o que mais surpreendeu, talvez pelo menor
protagonismo que tinha tido face à dupla Lennon/McCartney que assinavam a
maior parte das músicas do grupo de Liverpool.
John Lennon teve o seu ponto alto com o álbum "Imagine" (1971) mas já no ano
anterior tinha tido excelente prestação com a sua Plastic Ono Band. A faixa de
abertura de "John Lennon/Plastic Ono Band" era "Mother" cuja letra vinha
reproduzida no nº 16 da revista "mundo da canção", estávamos em Março de 1971.
E em 1975 como estavam os ex-Beatles? Mal diria eu, The Beatles já tinham
acabado, que não as suas influências, mas as carreiras dos 4 ex-Beatles já
tinham tido dias melhores. E quase a contrariar este tema "Canções que se ouviam no ano de 1975" pouco se ouviam...
Começo com John Lennon. Talvez aquele que ainda melhor se apresentava. 1975
foi o ano de "Rock 'n' Roll", álbum de versões de canções dos primórdios do
Rock'n'Roll e não me ficou no ouvido, mas ainda do ano anterior e do álbum
anterior "Walls and Bridges", é publicado em Single "#9 Dream".
https://www.discogs.com/ - capa da edição portuguesa
Em "#9 Dream" estamos perante uma agradável, cativante e suave melodia, mais
uma bela composição de John Lennon, esta ainda a recordar outros tempos ainda
mais antigos.
Comecei este tema sobre 1974 com Paul McCartney que finalmente dava sinais de
alguma da criatividade que tinha demonstrado nos idos anos 600 com os, agora
históricos, The Beatles. E como era em relação aos outros três ex-Beatles?
Todos eles se mantinham, em 1974, bem activos independentemente da qualidade
que manifestavam, os três publicaram os seus LP e ainda se ouviam na rádio.
Começo com John Lennon.
Em 1974 publica mais um álbum "Walls and Bridges" donde saíram dois Singles,
respectivamente "Whatever Gets You Thru the Night" e "#9 Dream". Hoje, "Walls
and Bridges" não é mais que uma simpática passagem, ouve-se do início ao fim e
pronto acabou, nada de especial fica ..., nenhuma canção nos cativa em
particular, a obra-prima que foi "Imagine" não mais se repetiu.
https://www.discogs.com/ - edição portuguesa
Dum álbum mediano, "Whatever Gets You Thru the Night" iria ser o seu único
Single a alcançar o nº 1 nos Estados Unidos tendo como particularidade a
colaboração de Elton John nos teclados e harmonias vocais.
Recuo ao dia 15 de Abril de 1971 para dar inicio a mais um conjunto de
Regresso ao Passado referentes ao jornal "DISCO MÚSICA & MODA" que nesta
data publicava o seu nº 6.
A primeira página era ocupada quase na totalidade pelos ex-BeatlesPaul McCartney, John Lennon e George Harrison em artigo com o sugestivo título
"Beatles Nova Ofensiva". E a justificação eram as mais recentes edições
daqueles três músicos dos quais tanto se esperava. O que mais surpreendeu foi
George Harrison com o seu triplo álbum "All Things Must Pass" onde constava a
faixa de maior sucesso "My Sweet Lord. O que mais desiludiu, pois esperava-se
muito mais, foi Paul McCartney com o seu "McCartney" mas que o Single seguinte
"Another Day" vinha devolver alguma esperança. Já John Lennon com a sua
Plastic Ono Band mantinha a virtuosidade que se lhe conhecia, primeiro com o
álbum "John Lennon/Plastic Ono Band" e depois com o poderoso Single "Power To
The People". Quanto a Ringo Starr, o Single "It Don't Come Easy" tinha acabado
de ser editado e, se bem me lembro, não fazia parte de qualquer álbum
contrariamente ao sugerido no texto.
Depois de "Give Peace A Chance" John Lennon continua a sua cruzada por um
mundo melhor com o apelo urgente de "Power To The People", um objectivo que
nunca está terminado.
Em abono da verdade, pelo menos para meu gosto, à medida que a década de 70
avançou diminuiu a qualidade dos quatro ex-Beatles, numa prova que, neste
caso, a soma das partes era bem superior às partes em separado. A inércia
inicial ia diminuindo e as desilusões sucedendo-se, de Ringo Starr não se
podia esperar mais do que já tinha mostrado, George Harrison tinha-se esgotado
em "All Things Must Pass", Paul McCartney parecia perdido e não conseguia
mostrar que era o melhor dos quatro, John Lennon tinha dado tudo com "Imagine"
e não mais se igualou até à sua morte em 1980.
https://www.discogs.com/ - edição portuguesa
"Mind Games" começava com o tema título e era o melhor que o disco tinha para
dar, a recordar ainda os bons anos 60, mas não consegue nas restantes canções
manter a chama inicial. Nada de imprescindível, portanto.
Com o fim dos The Beatles em 1970, as expectativas em relação a cada um deles eram muito diferenciadas.
Em relação a Ringo Starr as expectativas eram nulas e assim se confirmaram.
Já em relação a Paul McCartney acreditava-se no melhor, mas o melhor nunca chegou a concretizar-se. Alguns álbuns interessantes, mas o grande disco não aconteceu (e já não vai ser agora). George Harrison teve o seu maior arrojo de criatividade, logo em 1970, com o triplo álbum “All Things Must Pass” e o melhor ficou aqui.
Com John Lennon a cena foi um pouco diferente, teve, apesar de tudo, uma discografia mais consistente. Depois da experiência com a Plastic Ono Band (por exemplo: “Mother”), grava o álbum “Imagine” a figurar entre os melhores de toda a história dos 4 músicos que compuseram The Beatles. Continuou a gravar com qualidade irregular, destacando-se dos outros ex-Beatles, até à sua morte a 8 de Dezembro de 1980.
Uma semana depois da sua morte encontrava-me eu em Londres e o som de “Double Fantasy” (álbum muito desigual), acabado de sair, invadia as ruas e espaços comerciais.
“Woman” era das canções que mais se ouvia e é a que segue.
1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso Depende dos gostos, mas muito provavelmente o melhor trabalho de um ex-Beatle vai para John Lennon e o seu "Imagine" decorria o ano de 1971.
Miguel Esteves Cardoso dá-lhe mesmo 5 estrelas e considera que "O álbum do ano, no Reino Unido, é "Imagine" - menos dramático do que o anterior, mas mais equilibrado, com quatro composições potentes ("Give me Some Truth", "How Do You Sleep", "Crippled Inside" e "Jealous Guy") e uma nova acuidade lírica. Este seria o último álbum verdadeiramente indispensável de Lennon, apesar de momentos fulgurantes em "Wall and Bridges" (74)."
Efectivamente John Lennon (à semelhança dos restantes ex-Beatles), terá tido o seu melhor período nos primeiros anos da separação, caindo posteriormente em progressiva desinspiração.
Socorro-me ainda de Miguel Esteves Cardoso que se lhe refere da seguinte maneira: "Até ao ano de 1975, altura em que Lennon lança o seu último da década ("Rock'n'Roll"), não consegue recapturar a garra irrequieta que inscrevera nas obras-primas de 1970, se bem que nunca tenha deixado de se manter fiel aos seus princípios."
https://www.amazon.co.uk
Fugindo à super conhecida "Imagine", a escolha recai sobre "How Do You Sleep?", resposta de John Lennon aos supostos ataques de Paul McCartney no álbum "Ram" desse mesmo ano.
mundo da canção nº 7 de Junho de 1970 John Lennon ainda estava nos The Beatles. Estávamos em 1969 quando John Lennon se casa com Yoko Ono, acontecimento que aproveitaram para efectuar várias manifestações pacifistas contra a guerra do Vietname. Entre elas encontravam-se as célebres "Bed-In" que realizaram em quartos de hotel com as portas abertas aos jornalistas.
"Give Peace a Chance" era o que John Lennon pretendia ao chamar a atenção da comunicação social com os seus "Bed-In", daí a tornar-se uma canção foi um instante. É num hotel em Montreal que "Give Peace a Change" é gravada, num simples gravador de quatro pistas, com a presença de dezenas de jornalistas e a presença de nomes famosos como Allen Gisnberg (poeta), Timothy Leary (escritor) e Petula Clark (cantora).
É no Verão de 1969 que a canção se torna um êxito, sendo a primeira gravação que surgiu sob o nome de Plastic Ono Band. Era o primeiro Single que ele gravava ainda como membro dos famosos The Beatles.
Retomo então "Give Peace a Chance", cuja letra vinha publicada na revista "mundo da canção" em Junho de 1970, ou seja praticamente um ano depois da sua edição.
Ao enorme desenvolvimento ocorrido nas décadas de 60 e 70 da música popular nas suas diversas formas, do Pop ao Jazz, tinha de corresponder logicamente um aumento na sua divulgação. Um pouco por todo o lado tal ocorreu e por cá não foi excepção pese as limitações de vivermos sob um regime fascista até 1974.
Progressivamente foi-nos dado ouvir na rádio programas de inquestionável valor que se dedicavam a passar o que de melhor a música popular anglo-saxónica, mas a portuguesa também, se fazia. Não só The Beatles e Rolling Stones se ouvia, também se ouvia desde os psicadélicos Grateful Dead, da costa oeste dos Estados Unidos, aos Fairport Convention renovadores do Folk inglês. O portugueses Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, José Mário Branco lá se conseguia ir ouvindo. Recordo-me de programas como: "Página um", "23ª Hora", "Espaço 3P", "Em Órbita", "Vector" em contraponto com outros programas por demais ultrapassados mas muito populares como "Quando o Telefone Toca" ou o "Clube das Donas de Casa".
Também no panorama escrito a situação se alterou radicalmente. Desde a quase nula existência de imprensa escrita musical ao surgimento de várias publicações, mais ou menos efémeras é verdade, fundamentalmente na década de 70. No início era a imprensa escrita especializada estrangeira como o "Melody Maker", o "New Musical Express" ou a "Rock & Folk", depois começámos a ter a nacional, primeiro o "mundo da canção", depois o "DISCO MÚSICA & MODA", a "memória do elefante", o "musicalíssimo" etc, etc.
A revista "mundo da canção", iniciada em Dezembro de 1969, tenho eu vindo a recordar regularmente os seus conteúdos, começo hoje os referentes ao jornal "DISCO MÚSICA & MODA" cujo início se verificou em Fevereiro de 1971. Era a seguinte a capa do nº 1:
Conforme se pode ver, o destaque maior ia para uma fotografia dos Crosby, Stills, Nash & Young, objecto de desenvolvimento no interior, havia também uma foto de Elton John, realço ainda uma entrevista de Mick Jagger, e a preparação do VIII Grande Prémio TV da Canção. Sob o título "Não acredito nos Beatles" um texto relativo a entrevista de John Lennon concedida à "Rolling Stone" tinha ainda lugar na 1ª página.
"Sim, não acredito nos Beatles. O sonho acabou. Temos que acordar e encarar uma coisa que se chama realidade", dizia ele. Nessa altura ouvia-se "Love" do álbum "John Lennon/Plastic Ono Band" o primeiro após o fim dos The Beatles. E o sonho continuava...
1970 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso
O 3º LP, na área do "Mainstream" com 5 estrelas nas escolhas de Miguel Esteves Cardoso, no ano de 1970, que ele publicou no longo artigo "O Ovo e o Novo - (uma) Discografia duma Década de Rock: (1970-1980)" e que eu tive a felicidade de obter, pois constava na 2ª edição do livro "POPMUSIC-ROCK", foi o álbum "John Lennon/Plastic Ono Band"
Tratava-se do 1º álbum a solo de John Lennon, depois da separação dos The Beatles naquele mesmo ano, e foi seguramente um dos seus melhores. "Na Inglaterra, os Beatles fazem o mesmo que fizeram os CSN&Y nos Estados Unidos - os seus talentos explodem brilhantemente, mas é também, para todos os efeitos, o canto de cisne", comentava o Miguel Esteves Cardoso no citado artigo. E adiantava ainda relativamente a este álbum: "Ainda hoje, as canções poderosamente confessionais desse álbum de 1970 (com realce para a força crua de "Mother" e a honestidade autobiográfica de "Working Class Hero") rivalizam em qualidade com as melhores canções dos Beatles."
Tinha eu 14 anos, andava no 5º ano do liceu (actual 9º ano) e lembro-me tão bem deste disco, em particular de canções como "Mother" e "Working Class Hero", mas também, não fazendo parte do álbum mas editada pouco depois a canção "Power To The People". Rivalizava no meu gosto com "All Things Must Pass" do também ex-Beatles George Harrison.
De um disco religioso e muito triste, ouçamos "Mother".
mundo da canção nº 5 de Abril de 1970 Em 1970, John Lennon encontrava-se no auge da sua popularidade. Pese a polémica ligação, e o respectivo casamento em 69, com Yoko Ono, que muitos apontaram e não perdoaram como a causadora do fim dos The Beatles, John Lennon mostrava-se bastante criativo.
No ano anterior para além das últimas gravações com The Beatles para o LP "Abbey Road" tinham sido publicados, sob o nome da banda entretanto criada, a Plastic Ono Band, 2 Singles, o sucesso pacifista que foi "Give Peace a Chance" e "Cold Turkey". Antes do final do ano ainda a gravação ao vivo do concerto do Festival de Toronto "Live Peace In Toronto 1969".
O primeiro trabalho de 1970 foi a gravação do Single "Instant Karma!", cuja letra a revista "mundo da canção" publicava em Abril desse ano.
Não teve a receptividade de "Give Peace a Chance" mas teve uma notoriedade incomparavelmente superior à estranha "Cold Turkey". Agora, o prazer de recordar John Lennon nos bons tempos da Plastic Ono Band, é "Instant Karma!".
“O Roque e a amiga” era um dos segmentos que compunha o saudoso programa “pão com manteiga”.
Textos escritos por Bernardo Brito e Cunha e lidos pelo Carlos Cruz, fiquemos com mais um: “Roque meteu a chave à porta e, ouvindo acordes de um tango, franziu o sobrolho, interrogativo. A amiga, aparecendo à porta da cozinha secando uma última lágrima, deu de caras com Roque que, sorrindo, lhe oferecia um ramo de cravos. Vendo-a descomposta, Roque perguntou, apaziguador: - Mas então o que é isso? A mãe surgiu por trás da amiga, protectora. Roque avançou rápido, beijou-a prodigamente e perguntou afável: - Então, minha querida sogra, por cá? - Não me beije – deitou-lhe a sogra, tarde demais. – Você é um monstro! - Eu? – Surpreendeu-se Roque, voltando-se, inocente, para a amiga. - É, Roque – a amiga hesitou. – Sabe… você às vezes excede um bocadinho a minha escala… Roque abraçou-a pela cintura e perguntou, quase meigo: - Não é por causa da americana, pois não? A amiga sorriu ao de leve. - Não Roque – e acrescentou: – Estou tão contente por você ter voltado! A amiga beijou-o longamente e a mãe insurgiu-se: - Mas então… tanto barulho para nada? A amiga voltou-se para a mãe e, piscando-lhe o olho, murmurou: - É que o Roque mãe… O Roque é diferente: o Roque é outra música.”
E ouve-se “Rip It Up” de John Lennon.
“Rip It Up” é uma canção, de 1956, de Little Richard, aqui integrada no meddley “Rip It Up/Ready Teddy” e interpretado por John Lennon. Faz parte do álbum “Rock’n’Roll” de 1975.
A música Folk começou a década de 60 de forma acústica, com Pete Seeger, Joan Baez, Judy Collins, Bob Dylan, Peter Paul and Mary, transformou-se e terminou a década de forma eléctrica com o Folk-Rock de Bob Dylan, Fairport Convention, Pentangle, Steeleye Span, Crosby, Stills and Nash. A evolução técnica e musical foi enorme.
Pelo meio oportunidade para um nome meio obscuro da cena Folk Novaiorquina da 2ª metade dos anos 60: David Peel, ou David Peel and The Lower East Side.
Rolf-Ulrich Kaiser descreve assim uma tarde de Domingo (presumo que em 1968) no bairro East Village de Nova Iorque onde decorre um espectáculo do coro Up With People: "... Todo esse espectáculo conscientemente preparado, só tem um senão: ninguém ouve as suas melodias. O público prefere ouvir um pequeno grupo que, a escassos metros dali, entoa canções contestatárias. David Peel trouxera consigo esse grupo, amigos e amigas despenteados e cobertos de roupas andrajosas. Jovens sem lugar, sem pais. Jovens desordenados, como dizem os bons burgueses. Estes jovens, sentados à volta de David Peel, fazem a sua música. À sua maneira, produzem sons, ruídos, com pancadas em garrafas, em tubos de metal, etc.. São cerca de trinta e acompanham, constantemente o cantor popular David Peel. Foi com esta gente, diante da qual se erguem microfones, que David fundou o Lower East Side."
E mais adiante citando um artigo da revista Others Scenes sobre o grupo de David Peel: "Este grupo está presente em qualquer acontecimento local, seja grande ou pequeno, grátis ou remunerado cantam com a confiança de quem consegue expressar os sentimentos daqueles que, naquele momento, os escutam."
E conclui: "Aqui renasce o cenário do folk."
Em 1968 grava o primeiro álbum "Have a Marijuana" gravado ao vivo nas ruas de Nova Iorque. "The American Revolution" e "The Pope Smokes Dope" foram os LP que se seguiram. Este último editado em 1972 foi produzido por John Lennon e Yoko Ono e é dele o tema "Hippie from New York City" que no vídeo pode ser visto com John Lennon e Yoko Ono a integrarem o grupo num estilo muito Skiffle.
Numa cena muito rude, um folk em estado bruto poder-se-ia dizer protopunk, David Peel e a sua The Lower East Side é agora recordado com o seu "I Like Marijuana", estávamos nos anos 60, concretamente em 1968.
David Peel and The Lower East Side - I Like Marijuana
Há 45 anos, The Beatles aproximavam-se a passos largos do fim. No Verão de 1969 gravaram o último álbum, por sinal o excelente "Abbey Road". A influência de Yoko Ono sobre John Lennon acentuava-se, torna-se presença assídua nos estúdios de gravação, muitos acusam-na de ser a principal causa do fim dos The Beatles.
Depois das experiências vanguardistas:
"Unfinished Music Nº1: Two Virgin" (1968),
"Unfinished Music Nº2 - Life With Lions" (1969),
"Wedding Album" (1969)
Lennon e Yoko formam em 1969 a Plastic Ono Band e aparecem ao vivo no Rock'n'Roll Revival Festival de Toronto. Estão presentes os heróis da juventude de John Lennon: Bo Diddley, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Little Richard. Yoko Ono é apresentada ao mundo da música.
A primeira gravação do grupo é a conhecida "Give Peace a Chance" que interpretaram no referido Festival a 13 de Setembro de 1969.
(reconhecer Eric Clapton, nesta altura, também nos amigos da Plastic Ono Band)
"Give Peace a Chance" seria o primeiro "Single" gravado por um dos elementos dos The Beatles, com a banda ainda no activo. A ideia surgiu no "Bed-In" de lua-de-mel de Lennon e Yoko quando à pergunta de um jornalista sobre o que é que ele pretendia com aquela representação, ele respondeu: "All we are saying is give peace a chance". Assim seja!
A gravação de "Give Peace a Chance" foi efectuada num quarto de Montreal na presença de dezenas de jornalistas e personalidade do movimento hippie de então (Timothy Leary e Allen Ginsberg entre eles).