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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Leonard Cohen - A Bunch Of Lonesome Heroes

mundo da canção nº 9 de Agosto de 1970

Leonard Cohen (1934-2016) ficará para a história como um dos maiores cantautores da música popular dos séculos XX e XXI. É consensual, todo o mundo admira Leonard Cohen, as suas belas melodias, as letras das canções e o seu cantar ou melhor o seu sussurrar. Foram 14 os trabalhos, em LP, originais que nos deixou entre 1967 e 2016 todos eles dignos de nota, mas, pelo menos para mim, teriam sido suficientes os três primeiros LP, "Songs of Leonard Cohen" (1967), "Songs From A Room" (1969) e "Songs Of Love And Hate" (1971) para que ele tivesse um lugar muito especial na galeria dos mais importantes escritores de canções do século passado.
Foram três discos que me acompanham ao longo da minha vida e aos quais volto com alguma regularidade.





Hoje, o motivo vai para a revista "mundo da canção" no seu nº 9 de Agosto de 1970, que então publicava a letra de "A Bunch Of Lonesome Heroes".
Estonteante a beleza e simplicidade desta canção, estávamos em 1969 e pertencia ao 2º LP.




Leonard Cohen - A Bunch Of Lonesome Heroes

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Leonard Cohen, Redescoberta da Vida e Uma Alegoria a Eros

Data de Dezembro de 1975 e é considerado raro o livro "Leonard Cohen, Redescoberta da Vida e Uma Alegoria a Eros" de Manuel Cadafaz de Matos.





Manuel Casdafaz de Matos é, segundo https://www.goodreads.com, "Mestre em Literatura e Culturas Portuguesas - Época Moderna (1990) e Doutor em Estudos Portugueses - especialidade História do Livro (1998), pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nova de Lisboa". Fez parte da redacção inicial do jornal "Blitz" com início de publicação em 1984.

Quanto ao livro é um estudo do trabalho literário e da carreira musical de Leonard Cohen até 1974. Inclui uma entrevista com Leonard Cohen realizada em Paris a 8 de Setembro de 1974 no dia a seguir a ter actuado na festa anual do jornal "L'Humanité" e ainda as letras, em inglês e português, das canções até então editados.


Trata-se uma edição da Livros E(CO)LOGIAR A TERRA.


Leonard Cohen – Songs of Love and Hate

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70

Do Canadá vieram três nomes dos que mais apreciei, e aprecio, desde a explosão da música popular nos anos 60 e que rapidamente me cativaram. Nesta "Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70" já passei dois deles, Neil Young e Joni Mitchell, faltava o inevitável Leonard Cohen.

Leonard Cohen (1934-2016), poeta de raiz, emprestou os seus poemas e a sua voz sussurrada a lindíssimas melodias que concebeu e arquitectou desde o seu primordial "Songs of Leonard Cohen" (1967) até ao seu testamentário "You Want It Darker" (2016). Mais de 50 anos na música e 14 álbuns de originais são o legado musical que Leonard Cohen nos deixou para nosso contentamento e para todo o sempre.

Não foi o seu disco mais popular, esse viria mais tarde com "Im Your Man" (1988), mas é aquele que mais horas de fruição me deu, falo de "Songs of Love and Hate" (1971), um álbum singular de um ano altamente produtivo. Os arranjos sumptuosos de Paul Buckmaster deram uma intensidade e dramatismo que levou o próprio Leonard Cohen e secundarizá-lo, mas para mim vieram somente intensificar e evidenciar a grandeza das suas composições de "amor e ódio".


Edição portuguesa de 1971 com a referência S 69004


O álbum termina com a conhecida e belíssima canção "Joan of Arc" com os seus longos 6 minutos e meio.
No livro "Leonard Cohen - Redescoberta da Vida e uma Alegoria a Eros" de Manuel Cadafaz de Matos, na entrevista por este feita a Leonard Cohen, em Paris, a 8 de Setembro de 1974 à pergunta "... Tu tens mostrado há já longa data um certo favoritismo por essa figura nacional francesa [Joana d'Arc]. Onde talvez conseguiste atingir uma maior craveira poética dessa mulher foi na última canção do álbum «Songs Of Love And Hate» no tema com o seu nome. É uma das tuas composições que eu considero como uma de maior profundidade talvez até a nível metafísico. Esse tema não terá para ti fundamentos psicanalíticos ou então de tendências psicológicas? Que representa esse tema para ti?
respondeu Leonard Cohen:
"É muito difícil falar sobre isso porque eu apenas compreendo que Joana d'Arc está no poema. Não consigo bem explicar porque todos os meus sentimentos e emoções estão destilados no poema que é um «todo» que eu sinto e não consigo dissecá-lo. Sinto o poema mas não o posso explicar".
E a entrevista continuava assim:
"-Tu principiaste a interessar-te pelo tema Joana d'Arc a partir de um determinado momento histórico, não é verdade? Foi a sua lenda que te influenciou? A sua vida e a sua obra e o que ela representou para o povo francês numa época determinada?
- Historicamente eu conheci Joana d'Arc pela sua lenda. Mas hoje, nos nossos dias, eu sinto que ela está viva, pois (ainda) representa certas relações existentes entre os homens e as mulheres. É uma personagem actual muito grande, muito importante, muito viva, numa paisagem secreta, vivendo em todos os corações. Em França, no Quebeque e até mesmo nos Estados Unidos ela existe como qualquer qualquer coisa muito difícil de definir. Para mim eu sei-o, apenas talvez não o consiga neste momento dizer aos outros. O que eu sei é que a personagem de Joana d'Arc tocou em mim e atraíu-me.
- Por exemplo quando tu afirmas no teu poema-canção «Joana d'Arc»: «If he was fire, oh then she must be wood», «Se ele era fogo, oh então ela (Joana) devia ser lenha (para ser ardida)», não será que tu consideras que uma mulher normal - que vieram a rotular de santa - tem necessidade de ser satisfeita nas suas mais elementares necessidades biológicas como é o caso da satisfação sexual?
- Sim e não, porque eu acho que o poema tem a sua vida própria. Temos de analisar um todo e não só um elemento. Passei dois anos a escrever esta canção, mudando com frequência as suas formas musicais e poéticas. Lembro-me bem da manhã em que comecei a escrever esta canção. Estava num quarto do Hotel Chelsea em Nova Iorque."

Depois confessa que começou a escrever o poema depois de ter "...tido relações sexuais. Mas já não me lembro do nome dela pois isto passou-se num daqueles dias em que eu tomava ácido e me drogava."

Referindo-se a esta canção a wikipédia afirma: "This song was apparently inspired by Cohen's love for the German model Nico" pelo que fica agora a dúvida, inspirado em Nico, que cativou o mundo artístico underground dos anos 60, ou simplesmente fruto de uma relação ocasional e sob efeitos de droga?









Com a letra e respectiva tradução, que também faz parte do mesmo livro, e sem mais delongas segue para audição "Joan of Arc".




Leonard Cohen - Joan of Arc

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Leonard Cohen - Famous Blue Raincoat

Depois de 2 magníficos álbuns, 1971 seria o ano de Leonard Cohen gravar o sobre-excelente e inultrapassável “Songs of Love and Hate”.
Este é um dos pontos mais altos da música popular dos últimos 60 anos. É um álbum triste, como quase toda a discografia de Cohen, de uma beleza angustiante, por vezes mesmo depressivo (neste particular só ultrapassável, anos mais tarde, por Ian Curtis e os Joy Division). Canções de ódio, mas também de amor como “Famous Blue Raincoat” que escolhi para hoje. “Songs of Love and Hate” acabaria por ser um marco, os anos sessenta terminavam aqui.


Edição portuguesa de 1971 com a referência S 69004


Socorrendo-me de um artigo intitulado “Como ser um Crítico de Rock – um guia prático” de Miguel Esteves Cardoso publicado na revista “Música e Som” em 1981, recomendava ele a certa altura:
“Há duas coisas que nunca deveria escrever: a primeira é «a não perder» e a segunda «indispensável». Sabe-se que «indispensável» quer dizer algo sem o qual não se pode absolutamente passar e, à parte a excepção que constitui «Songs of Love and Hate», de Leonard Cohen, não há disco algum que corresponda a essa exigência. É logo evidente que todos os discos Rock são dispensáveis, uns mais que outros.” 

“Songs of Love and Hate” é a obra-prima de Leonard Cohen. “Songs of Love and Hate” é um disco indispensável e “Famous Blue Raincoat” o seu expoente máximo.




Leonard Cohen - Famous Blue Raincoat

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Leonard Cohen - Bird on the Wire

mundo da canção nº 8 de Julho de 1970

De um poeta, Bob Dylan no Regresso ao Passado de ontem, para outro poeta Leonard Cohen (1936-2016) infelizmente já desaparecido entre nós, por coincidência no ano em que o outro recebia o Prémio Nobel da Literatura. Também Leonard Cohen era um nome que vinha sendo falado como candidato àquele prémio, o que não veio a acontecer e que reconhecia justiça na atribuição do Nobel a Bob Dylan ao afirmar que era como: "dar uma medalha ao monte Evereste por ser a montanha mais alta".

Os dois acompanharam a minha juventude, mais Leonard Cohen que Bob Dylan, pese Leonard Cohen ter em 1970 somente dois álbuns gravados, muito menos que Bob Dylan já com uma longa discografia, ao longo dos tempos a situação foi gradualmente invertendo-se e neste século ouvia muito mais Bob Dylan que Leonard Cohen.






Os dois apareciam lado a lado nas páginas do nº 8 do "mundo da canção" de Julho de 1970, Bob Dylan com a letra de "All Along the Watchtower", Leonard Cohen com "Bird on the Wire" a sugestão para audição de hoje.




Leonard Cohen - Bird on the Wire

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Leonard Cohen - Love Calls You by Your Name

1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso


Evidência da qualidade musical do ano de 1971 está nas escolhas de Miguel Esteves Cardoso que estavam descritas no artigo "O Ovo e o Novo (Uma) Discografia duma Década de Rock: 1970-1980"

Depois de algumas escolhas em nome feminino, continuo com essa evidência com alguns nomes masculinos , e o trabalho de Leonard Cohen daquele ano está à cabeça. Era o álbum "Songs of Love and Hate" a que Miguel Esteves Cardoso atribui 5 estrelas.

Sobre este disco escrevia ele: ""Songs of Love and Hate", lançado em 1971, discutivelmente o seu álbum mais poderoso, é uma colecção de canções que são documentos dum desespero quase final. Contém as canções mais deprimentes de toda a história da música popular, debruçadas para o suicídio e sem uma única faísca de esperança."



Edição portuguesa de 1971 com a referência S 69004




Se bem que já conhecesse a música de Leonard Cohen, este é o seu primeiro disco que me recordo da sua edição e foi um dos primeiros que adquiri. É um dos discos da minha vida, acompanhou-me sempre, primeiro em vinil e depois em CD numa edição austríaca de 1988 com a referência CDCBS 32219.
É tempo de voltar à sua audição, mas primeiro fica aqui a faixa "Love Calls You by Your Name", que no dizer do MEC "não é uma canção de amor - mas uma declaração contra o amor. Está nas antípodas de "So Long Marianne" ou de "Suzanne"."




Leonard Cohen - Love Calls You by Your Name

domingo, 16 de dezembro de 2018

Leonard Cohen - So Long, Marianne

mundo da canção nº 7 de Junho de 1970

Agora, que alguns dos meus favoritos de sempre começam a nos deixar, Leonard Cohen, David Bowie, Aretha Franklin (e outros também, alguns menos conhecidos, a merecerem ser devidamente recordados como Marty Balin, Charles Aznavour, Chuck Berry, Tom Petty, Holger Czukay), é sempre bom voltar às suas músicas que preencheram momentos tão bons da minha juventude.

Leonard Cohen, foi um deles e ocupa um lugar muito especial no meu baú de memórias, em particular os seus primeiros álbuns, verdadeiras pérolas da melhor música popular que alguma vez me foi dado ouvir.
Algures no final dos anos 60 conheci a sua música, teria sido o seu primeiro álbum editado "Songs of Leonard Cohen" (1967), ou talvez já o segundo "Songs from a Room" (1969), quando primeiro ouvi algumas canções soltas, provavelmente no programa de rádio "Em Órbita", e depois o álbum inicial por completo, empréstimo de um amigo mais velho que o possuía.
E lá estava entre outras "So Long, Marianne" que noutra ocasião já aqui a recordei.




A ela volto hoje, sendo o pretexto a publicação da letra no nº 7 da revista "mundo da canção" de viu a luz dia em Junho de 1970. Sempre bom a ela voltar.




Leonard Cohen - So Long, Marianne

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Leonard Cohen - Avalanche

As diversas prestações de Paul Buckmaster nos anos 60 e 70

Gravado ainda em 1970, mas com edição em 1971, "Songs of Love and Hate" é o 3º e provavelmente o melhor disco de Leonard Cohen e é hoje em dia um clássico da música popular.

O mérito deste excelente  álbum vai directo, claro, para Leonard Cohen e a sua capacidade única de musicar e interpretar os seus poemas de amor e ódio, mas neste disco sobressaem também os arranjos de cordas que devem ser devidamente relevados.

Para além do álbum "Elton John" de 1970, foi neste disco que melhor tomei conhecimento de Paul Buckmaster ao qual dei a devida importância. Ouça-se os arranjos em canções como "Avalanche", "Famous Blue Raincoat" ou ainda "Joan of Arc", umas vezes densos e pesados outras discretos e subtis, e reconheça-se a riqueza acrescentada por Paul Buckmaster a este conjunto de canções que marcaram a minha adolescência.

"Songs of Love and Hate" foi o primeiro LP de Leonard Cohen que tive, é uma edição portuguesa de 1971, a contra capa tinha um pequeno poema de Cohen:

"They locked up a man
Who wanted to rule the world
The fools
They locked up the wrong man"






"Songs of Love and Hate" abre com a pesada e frígida "Avalanche" onde a constante guitarra flamenga de Leonard Cohen é acompanhada por densos e ameaçadores crescendos saídos da inspiração de Paul Buckmaster.
Um trabalho notável de Leonard Cohen e... Paul Buckmaster.




Leonard Cohen - Avalanche

sábado, 15 de julho de 2017

Leonard Cohen - The Stranger Song

mundo da canção nº 4


Terá sido na revista "mundo da canção" (ou na contra-capa do 1º LP?) que li os primeiros poemas de Leonard Cohen. No nº 3 da revista vinha publicado "Suzanne", no nº 4 de Março de 1970, que agora recuperamos, "The Stranger Song", as duas vinham publicadas na contra-capa do álbum "The Songs Of Leonard Cohen" ao qual pertenciam.

Começamos com Leonard Cohen, e precisamente "The Stranger Song", a passagem pelas letras em língua inglesa transcritas neste nº do "mundo da canção".
"The Stranger Song" tornou-se como todas as canções do primeiro LP parte das canções essenciais de Leonard Cohen.




Editado no auge do movimento hippie, no singular ano de 1967, onde se desenvolveram múltiplas expressões musicais, muitas delas facilmente datadas, "The Songs Of Leonard Cohen" destacava-se pelo intimismo interpretativo original de Leonard Cohen e nos arranjos simultâneamente simples e densos originando um estilo único e inspirador mas que mais ninguém conseguiu igualar. "The Songs Of Leonard Cohen" é uma obra intemporal e "The Stranger Song" uma das suas peças.




Leonard Cohen - The Stranger Song

quinta-feira, 23 de março de 2017

Leonard Cohen – Songs Of Leonard Cohen

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 60


O magnífico ano de 1967 não iria terminar sem o aparecimento de um cantor e respectivo 1º LP que ficariam para sempre entre o mais importante de toda a música popular feita de então até aos nossos dias, o disco dava pelo nome de "Songs Of Leonard Cohen" e, claro, o seu autor o inevitável Leonard Cohen.



Miguel Esteves Cardoso escrevia, em 1980, acerca de Leonard Cohen, um dos sobreviventes da década de 70: "...é um poeta que usa a canção, ao contrário da vasta maioria dos artistas semelhantes que são cantores que usam a poesia." Leonard Cohen quando edita o 1º LP tinha já 33 anos e vários livros de poesia editados, chega, portanto tardiamente ao mundo da música tendo sido influenciado pelas cantoras Nico e Judy Collins, tendo esta última, ainda em 1966, sido a primeira a interpretar a canção "Suzanne".
Ainda Miguel Esteves Cardoso: ""Songs of Leonard Cohen", editado em 1967, é um álbum de canções de amor o mais persistentemente apaixonado de todos. "Suzanne" e "Hey That's No Way to Say Goodbye" são limpidamente belas e, embora eivadas duma saudade suavemente suportada, fundamentalmente alegres. Mas, nesse mesmo LP, notam-se já as obsessões eternas: a inveja, a traição e a atracção/repulsa da Pátria.Não há temas nem histórias nem imagens a acrescentar depois desta colecção..."

e conclui,

"...a única coisa que distingue o álbum dos outros é essa suavidade de amor, sem raiva nem cobiça, sem paixão nem fome, que pervade as duas canções acima referidas."


Das duas canções referidas já passou por este Regresso ao Passado a canção "Suzanne", é agora a vez de "Hey That's No Way to Say Goodbye" com a letra por mim transcrita sabe-se lá quando (há muitos, muitos anos) e como (donde retirei a letra?).







Leonard Cohen - Hey That's No Way to Say Goodbye

quinta-feira, 9 de março de 2017

Leonard Cohen - Suzanne

mundo da canção nº 3


Leonard Cohen (1934-2016) acompanha-me desde sempre.
É ao 3º álbum "Songs of Love and Hate" de 1971 que vou ficar rendido ao cantor canadiano Leonard Cohen, mas já antes o ouvia nas passagens pelo programa de rádio "Em Órbita" e pela audição do 1º LP "Songs of Leonard Cohen" emprestado por um amigo mais velho.
1967 marca a estreia tardia de Leonard Cohen nas gravações, tinha já 33 anos, apresentando-se assim como um dos mais velhos entre os cantores da geração de 60. Para trás tinha já iniciado uma carreira de poeta com vários livros publicados.

"Songs Of Leonard Cohen" é um disco marcante da década de 60, é o disco de canções inesquecíveis como "Suzanne", "So Long, Marianne", "Hey, That's No Way To Say Goodbye" e "Sister Of Mercy", difíceis de igualar, mesmo pelo próprio ao longo da sua longa produtiva carreira.





O nº 3 da revista "mundo da canção" em Fevereiro de 1970 recupera "Suzanne" e publica a respectiva letra, provavelmente a primeira vez que li o poema pela primeira vez. Pretexto para mais uma passagem por "Suzanne".




Leonard Cohen - Suzanne

sábado, 12 de novembro de 2016

Leonard Cohen - You Want It Darker

2016 viu desaparecer dois dos nomes maiores da música popular contemporânea: David Bowie e Leonard Cohen.

Duas figuras únicas no panorama musical das últimas décadas, duas figura de culto a constarem no panteão da melhor música que nos foi dado ouvir. Duas figuras de quadrantes distintos da música popular. David Bowie no Rock, junto dos camaleões, Leonard Cohen no Folk, junto dos constantes.

Em termos discográficos ambos começaram em 1967, David Bowie era um dos benjamins do Rock, tinha somente 20 anos, Leonard Cohen, um já conhecido poeta, um iniciado no Folk, um dos mais velhos da geração de 60, tinha já 33 anos. Os respectivos últimos álbuns anunciavam a partida, David Bowie com “Blackstar” – (Look up here, I’m in heaven) -, Leonard Cohen com “You Want It Dark” - (I’m ready, my lord) -, discos a preto e branco, as capas também.

Dois discos pesados, difíceis, nenhum dos discos é para se ouvir regularmente.
Mais David Bowie, um disco mais obscuro, complexo, menos catalogável na sua discografia.
Menos Leonard Cohen, um disco mais na continuidade, menos distante da globalidade da sua discografia.

A última chama, para perdurar através dos tempos, é “You Want It Dark”, é Leonard Cohen, sempre!






Leonard Cohen - You Want It Darker

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Leonard Cohen - So Long, Marianne

Faleceu Leonard Cohen.


Data de 1956 a edição do primeiro livro de LeonardCohen “Let Us Compare Mythologies”.
“Nessa obra situam-se os primeiros temas que se tornarão inseparáveis da obra deste autor: a história e o misticismo, numa dualidade judaico-cristã, colocando uma forte oposição entre o Belo e o Feio, a Pureza e a Corrupção, o Espírito e a Carne” no dizer de Manuel Cadafaz de Matos no livro “Leonard Cohen – Redescoberta da vida e uma alegoria a Eros” publicado em 1975. Este dualismo verificar-se-á ao longo da sua carreira, entre o aprofundar da sua vida interior, reflectida na escrita ou em períodos de reclusão, e a necessidade de ligação ao mundo exterior, o retorno à música.
Ainda do mesmo livro: “todos esses escravos que vivem (enlatados) nas grandes cidades… poderiam ir perfeitamente viver para as florestas pois felizmente ainda existem grandes florestas e grandes paisagens no mundo” dizia Leonard Cohen em entrevista, em Paris, a Manuel Cadafaz de Matos, em 1974. Ele próprio experimentaria na década de 90 o isolamento num mosteiro budista onde seria ordenado monge.
É em situação de semi-reclusão que conhece e vive com Marianne Ihlen (falecida em Julho deste ano tendo Leonard Cohen dito na altura "acho que vou seguir-te muito em breve"), nos anos 60, na ilha de Hydra, na Grécia. A ela dedicará “So Long, Marianne” no seu primeiro álbum.



Vasculhava eu uns caixotes, com velharias e coisas antigas que se guardam vá-se lá saber porquê, quando encontrei umas folhas por mim manuscritas, muito provavelmente no final dos anos 60, com as letras de três canções do primeiro álbum de Leonard Cohen: “So Long, Marianne”, “Sister of Mercy“ e “Hey, that’s no way to say goodbye”. Como as obtive é uma incógnita que julgo não conseguir desvendar. Senão vejamos, como é que nessa época se conseguia obter as letras de uma música?
Podiam vir impressas na capa do disco. Ok, não era o caso.
Podia ter ouvido essas músicas até conseguir a transcrição das letras. Pouco provável, pois não têm um único erro.
Podiam vir publicadas nalguma revista. Talvez na revista “mundo da canção” que começou a ser publicada em Dezembro de 1969 e reproduzia letras de músicas (algumas a pedido). É uma hipótese, mas logo três canções? E se sim, para quê copiá-las?
Uma coisa é certa. O meu fascínio pelo primeiro álbum, e em particular por estes três temas, de Leonard Cohen era imenso.
Desde logo tornou-se um dos meus autores preferidos. As melodias, a peculiaridade da forma de cantar (declamar?), as orquestrações de Paul Buckmaster e as letras (não esquecer que Leonard Cohen era antes de músico, um poeta) constituíam então um todo único e insuperável. Até hoje!

Lembramos agora as primeiras espiras do lado B do primeiro disco de Leonard Cohen, "So Long, Marianne".




Leonard Cohen - So Long, Marianne

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Leonard Cohen - Songs From A Room

Os 15 melhores álbuns de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"


Estranhamente, a menos que a informação que disponho contenha alguma lacuna, Leonard Cohen ainda não tinha aparecido nas listas do programa "Em Órbita". O seu primeiro LP "Songs of Leonard Cohen", nem nenhuma das canções que o compõem, constam nas classificações dos anos de 1967 e 1968. Difícil de entender, um disco com canções como "Suzanne", "Sisters of Mercy", "So Long, Marianne" e "Hey, That's No Way to Say Goodbye" não figurarem nas listas dos anos anos anteriores.

O ano de 1969 ia ser diferente. Leonard Cohen edita o 2º álbum "Songs from a Room" e entra directamente para o 2º lugar na lista dos melhores álbuns do ano de 1969.
Era o seguinte o texto lido pelo "Em Órbita" referente a este trabalho de Leonard Cohen:
"A maior confirmação do ano de 1969, se é que se tornava necessária uma confirmação.
Um poeta dos maiores.
Manancial inesgotável de imagens transbordantes de pureza mística, que nos oferecem as sombras e os perfumes libertos de uma nunca sonhada experiência alquímica."




A canção que abre o disco é a que normalmente Leonard Cohen interpretava no início dos seus concertos e é uma marca do melhor que Leonard Cohen compôs, é "Bird on the Wire".



Leonard Cohen - Bird on the Wire

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Leonard Cohen - Suzanne

Se "All Along the Watchtower" de Bob Dylan vinha mostrar que em 1968 o Folk-Rock estava vivo e recomendava-se, outras gravações deste período confirmam que, apesar do desvario experimentalista que a música Rock atravessou, a música Folk, nas suas mais diversas matizes, se mantinha com velhos e novos intervenientes a mostrar doses generosas de criatividade.

Podíamos citar, começando pelos mais antigos, Johnny Cash e o álbum ao vivo "At Folsom Prison", Donovan ao vivo com "Donovan in Concert" e em estúdio com o excelente "The Hurdy Gurdy Man", Simon and Garfunkel e a beleza de "Bookends" e os novos, The Band e o primeiro álbum "Music from Big Pink", Arlo Guthrie e o primeiro "Alice's Restaurant" e por fim o poeta judeu canadiano Leonard Cohen e a primeira gravação "Songs of Leonard Cohen".



Já com vários livros editados, é na 2ª metade dos anos 60 que Leonard Cohen, sendo apanhado pela cena Folk de Nova Iorque, se inicia na música. As suas canções vão ser primeiramente conhecida através da cantora Judy Collins que em 1966 no seu álbum "In My Life" inclui as canções "Suzanne" e "Dress Rehearsal Rag".

O primeiro álbum de Leonard Cohen abria com "Suzanne", eternamente bela, uma das canções da minha adolescência.



Leonard Cohen - Suzanne

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Neil Young - Who's Gonna Stand Up

Um Regresso ao Passado mais recente, o ano de 2014 nos sobreviventes da década de 60.
As expectativas, sempre elevadas, relativamente a um conjunto de músicos que seguimos desde os remotos anos 60 ficaram globalmente aquém do desejado, mas houve excepções.

Richard Thompson gravou uma compilação acústica com o nome "Acoustic Classics" e ainda um álbum com a restante família e assim chegou "Family" pelos Thompson. O sempre aguardado álbum de inéditos a solo não chegou, aguardamos.

Bob Dylan, depois do excelente "Tempest" de 2012 parece estar em reserva, para o próximo mês espera-se "Shadows In the Night", álbum de versões de canções de Frank Sinatra (!). Não é suficiente, venha daí novo disco de originais.

Robert Wyatt, desde 2010 que aguardamos disco novo. Em 2014 sai a biografia "Different Every Time" e uma colectânea com o mesmo nome. Tudo bem, mas falta o tão esperado original.

David Bowie, um Single com duas novas canções (Sue (Or In A Season Of Crime)/'Tis A Pity She Was A Whore), não anunciaram um novo álbum mas sim uma nova colectânea "Nothing Has Changed". Soube a pouco...

Leonard Cohen. Do músico canadiano nunca veio um mau disco, "Popular Problems" não é excepção e rapidamente agradou a todos, crítica incluída com as 5 estrelas da praxe. No entanto, a não fazer esquecer os registos dos ano 60 e 70.

Neil Young continua super produtivo e em 2014 apresenta-nos 2 álbuns. Primeiro o discutível "A Letter Home" (de muito bom a muito mau há apreciações para todos os gostos), um álbum de versões gravado em antigo equipamento electromecânico de 1947, depois "Storytone" com a gravação orquestral e a solo do mesmo conjunto de canções originais. Neil Young a não desiludir!





















De Neil Young começamos com a versão orquestral de  "Who's Gonna Stand Up",




para acabar com a versão solo. Neil Young ainda entre o melhor que o ano de 2014 produziu.



Neil Young - Who's Gonna Stand Up

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Leonard Cohen – Filhos da Neve



Agora que Leonard Cohen edita, aos 80 anos, o 13º álbum de originais: “Popular Problems”, altura de recuperar a sua poesia mais antiga.

“Os poemas cujas versões são aqui apresentadas, foram extraídas dos seguintes livros: Let us compare mythologies, The spice-box of earth, Flowers for Hitler, Parasites of Heaven, New Poems, The energy of slaves. A selecção obedeceu apenas a um único – e sagrado – critério: o do prazer.
Tentamos na medida do possível preservar a melodia intrínseca de cada poema, a temperatura ora de chumbo derretido ora de neve. Só nos resta esperar que apesar da mudança de leito – e de águas – este rio que é a poesia de Leonard Cohen, consiga apanhar o leitor desprevenido – como apanhou os tradutores – num dos deus inúmeros redemoinhos.” na Nota Marginal de Jorge de Sousa Braga e Carlos Tê ao livro “Leonard Cohen – Filhos da Neve” edição bilingue da Assírio e Alvim de 1985.




Jeff Buckley - Halleluyah

Pese a magia do período que vai de 1967 a 1974 (a minha preferida), Leonard Cohen nunca fez um disco menor. É mesmo à década de 80 ao álbum “Various Positions” (1984) que vamos buscar uma das mais intensas composições de Leonard Cohen e alvo de múltiplas versões de superior qualidade (de John Cale a Jeff Buckley): “Hallelujah”.

Leonard Cohen em 1988 ao vivo em San Sebastian interpreta “Hallelujah”.




Não é fácil pensar na música de Leonard Cohen interpretada por outros tal é a sua força e peculiaridade.
No entanto desta “Halleluyah” há uma versão que não fica a dever nada ao original. Refiro-me a Jeff Buckley e à sua interpretação de “Halleluyah” incluída no único disco “Grace” de 1994 editado antes da sua morte prematura em 1997 com apenas 31 anos. “Grace”, uma gravação que viria rapidamente a alcançar o estatuto de disco de culto. É notória a semelhança vocal com seu pai Tim Buckley, também ele precocemente falecido (28 anos) em 1975. Tal como o pai, possuidor de um estilo único e inconfundível. Subtil, enérgica, adjectivos para a música de ambos (atributos só para alguns, para Leonard Cohen também).
Tim e Jeff Buckley vidas trágicas com grandes músicas.

Quase 7 minutos de prazer para ouvir repetidas vezes, Jeff Buckley e “Halleluyah”:


Jeff Buckley - Halleluyah