quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Curved Air - U.H.F.

A formação base de um grupo de Rock é: um vocalista, um guitarrista, um baixista e um baterista. Mas, de muito cedo, esta constituição sofreu variações evidentes com a introdução de uma segunda guitarra (uma ritmo, outra solo), ou uma guitarra acústica (viola). Nos primórdios do Rock’n’Roll também o piano se afirmou (mas seria rapidamente suplantado pela guitarra eléctrica) e nos anos 60 o órgão era bastante comum na constituição dos grupos de Rock. Os metais também se intrometeram aproximando o Rock ao Jazz. A diversificação dos instrumentos nos grupos de Rock seria nos anos 60 marcante na inovação, diferenciação da sonoridade de muitos conjuntos. Nos Procol Harum destacavam-se os teclados, nos The Moody Blues os sintetizadores e harmonias vocais, nos Blood, Sweat and Tears os saxofones, trompetes e trombone, nos Jethro Tull era (imagine-se!) a flauta. Em 1967 The Moody Blues tiveram o arrojo de gravar com a The London Festival Orchestra; em 1969 os Deep Purple gravavam ao vivo com a The Royal Philarmonic Orchestra, o álbum “Concerto for Group and Orchestra”; em 1971 era a vez dos Procol Harum gravarem “Procol Harum Live In Concert with the Edmonton Symphony Orchestra”.

Também o violino acabou por ser introduzido na formação base de alguns grupos de rock identificados por sonoridades mais progressistas, por exemplo: The Velvet Underground e os King Crimson. Também em agrupamentos menos identificados com o Rock tais como a Mahavishnu Orchestra, os Fairport Convention ou os Bluesbreakers de John Mayall.


Edição do Reino Unido em Vinil de 1973 com as Ref:
K46224; K 46224




Em 1974 ouvia-se “Air Cut” dos Curved Air, era o 4º de uma discografia iniciada em 1970 e tinha sido editado no ano anterior. O destaque ia directo, para além da voz cristalina de Sonja Kristina, para o violino, assegurado neste álbum por Eddie Jobson (posteriormente nos Roxy Music, King Crimson ou ainda com passagens esporádicas pela banda de Frank Zappa, pelos Yes e Jethro Tull). Anteriormente e posteriormente o violino foi assegurado pelo virtuoso Darryl Way.

O menos considerado álbum “Air Cut” é, talvez, o menos progressivo dos Curved Air, mas é talvez dos que melhor sobreviveu ao passar dos anos. Em anexo segue o tema “U.H.F.” bem demonstrativo do estilo musical dos saudosos Curved Air.



Curved Air - U.H.F.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Marvin Gaye - Come Get To This

É sabido, a década de 70 foi uma curva de Gauss invertida, ou seja, algo parecida com um U (esta analogia é da autoria de Miguel Esteves Cardoso). No ano de 1973 estávamos pois no lado descendente da curva até atingirmos o pior dos anos: 1975. De uma forma necessariamente sucinta passemos os olhos (ou os ouvidos? para quem tem boa memória auditiva) pelo que nos era dado ouvir na rádio (em FM, claro) no dito ano de 1973.

Elton John. Ouvia-se “Daniel”, mas também “Saturday Night’s Alright For Fighting” e “Goodbye Yellow Brick Road” numa tentativa desesperada de evitar a derrocada.

Rolling Stones. Do álbum “Goats Head Soup” saía “Angie”, mas o melhor já tinha passado.

Chicago. Rendiam-se a uma música mais ligeira e comercial com “Feeling Stronger Everyday” e “Just You ‘n’ Me”.

Paul McCartney. “My Love”, “Live And Let Die”, e “Helen Wheels” não escondiam a menor criatividade deste ex-Beatle; Ringo Starr raiava a mediocridade com “Photograph” e “You’re Sixteen”; John Lennon desembaraçava-se com “Mind Games”, o mesmo não acontecendo com George Harrison e o seu “Give Me Love”.

Doobie Brothers e The Eagles ganhavam notoriedade. Os primeiros com “China Grove” e “Long Train Running”; os segundos, com “Peaceful Easy Feeling” e “Take it Easy”, iniciavam uma ascensão meteórica.

Entre os consagrados ouvia-se The Moody Blues, do estertor de “Seventh Sojourn” saía a bela “For My Lady”; dos Led Zeppelin ouvia-se ainda com agrado “The Song Remains the Same”; “Smoke On The Water” dos Deep Purple escutava-se por todo o lado; Paul Simon continuava a encantar-nos, agora com “American Tune”, embora a mais popular fosse “Kodachrome”.

Na música negra ouvia-se Gladys Knight & The Pips com “Midnight Train To Georgia” e “Neither One Of Us”; Diana Ross e “Touch Me In The Morning”; Stevie Wonder estava no topo e entre as que mais se ouvia constava "You Are the Sunshine of My Life", Robert Flack deslumbrava com “”Killing Me Softy”. Mas o melhor estava reservado para Marvin Gaye e o seu “Let’s Get It On”.




Marvin Gaye (1939-1984) cantor soul com longa discografia de que se destacam os anos de 1971 e 1973 com, respectivamente, “What’s Going On” e “Let’s Get It On”.

Deste último álbum recupero "Come Get To This".



Marvin Gaye -  Come Get To This

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Clifford T. Ward - Gaye

De entre os bons programas de divulgação musical que a nossa rádio tinha antes de Abril de 74 havia um que ficará para a memória de todos os que seguiam atentamente a produção musical dessa época. Não só a música anglo-saxónica nas suas mais variadas formas: Pop, Rock, Folk, Rock-Folk, Rock progressivo, Country … mas também a música francesa, a melhor nova música portuguesa, a MPB, etc.

O programa dava pelo nome "Página Um", era apresentado pelo José Manuel Nunes (uma voz que nunca mais se esquece) e passava na Rádio Renascença das 19H30M às 20H30M, mais tarde até às 21H. A liberdade, o bom gosto e a variedade musical que se verificava em todo o programa talvez se devesse ao facto do programa ser na Rádio Renascença e esta não estar, talvez, sujeita a uma censura tão apertada quanto as restantes estações.

O indicativo do programa era "Page One" um tema do grupo do Porto Pop Five Music Incorporated ainda sem Miguel Graça Moura. A música começa com uma batida forte de bateria e baixo, o programa é anunciado e o indicativo termina antes da parte cantada começar (Got to be page one …).

O programa apostava na diversidade, qualidade e actualidade musical e manifestava ainda preocupações políticas e sociais (nomeadamente pelas reportagens do Adelino Gomes); ouviam-se músicas incómodas para o regime, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, José Mário Branco e José Afonso eram passagens regulares. Recordo-me em 1971 da transmissão, em directo a partir do Cinema Roma, do lançamento do 1º álbum do José Mário Branco "Mudam-se os tempos mudam-se as vontades" e do 1º EP do Sérgio Godinho "Romance de um dia na estrada" e da importância que tal facto então teve.

A enumeração de grupos e músicos então divulgados é infindável, eis alguns, poucos: Crosby, Stills, Nash & Young ("Déjà Vu", "Four Way Street") e todas as suas variantes, Neil Young ("After the Gold Rush", "Harvest"), Graham Nash ("Songs For Beginners", "Wild Tales"), Stephen Stills ("I" e "II") e posteriormente no grupo Manassas, David Crosby e esse monumento que é “If I Could Only Remember My Name”. Joni Mitchell ("Blue") a voz de Rouxinol como dizia o José Manuel Nunes, Sandy Denny ("Like An Old-Fashioned Waltz"), Maggie Bell e a Claire Hamill. Jethro Tull ("Benefit"), The Moody Blues ("Question of Balance"), Genesis ("Foxtrot"), Barclay James Harvest e o inesquecível “Mockingbird”. E ainda Maxime Le Forestier (quem se lembra dele?), Serge Reggiani, Léo Ferré. E mais, muito mais, T. Rex, Janis Joplin, Eric Burdon, Cat Stevens, Ian Matthews, Plainsong, Judee Sill, Clifford T. Ward….


Edição Virgin de 1992 com as Ref:
CASCD 1066; 7876862

Agora é só recuar, neste caso, até 1973 e imaginar uma possível apresentação de, por exemplo, Clifford T. Ward (1944-2001):

Clifford T. Ward tem 28 anos é professor do ensino secundário numa pequena cidade do interior de Inglaterra e dirige o grupo de teatro da escola. Dando prioridade à sua actividade docente rejeita a fama e o vedetismo que o êxito do seu álbum “Home Thougths” alcançou. O jornal Melody Maker rasga-lhe fortes elogios e coloca “Gaye” ao nível de “Yesterday” de Paul McCartney. De seguida ouve-se “Gaye”:
 


Clifford T. Ward - Gaye

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

King Crimson - Book of Saturday

De entre os muitos grupos de Rock Progressivo que dominaram a cena musical na primeira metade da década de 70 encontrava-se um grupo denominado King Crimson, um dos que maior qualidade transportou para o universo da música Rock

Os King Crimson formaram-se em 1968 e foram (são) o alter-ego de Robert Fripp (guitarrista e principal compositor), músico fundador e elemento constante nas inúmeras formações que conheceram. Depois do primeiro e um dos melhores álbuns de Rock Progressivo de sempre, “In the Court of the Crimson King”, obrigatório em qualquer discoteca básica, os King Crimson iam, em 1973, no seu quinto registo e na sua quinta formação, mas a qualidade essa continuava intacta. Foi há 47 anos que surgiu esse álbum que deu pelo estranho nome de “Larks’ Tongues in Aspic”.

O tema título, que aqui aparece em 2 partes, teria futuros desenvolvimentos em 1984 (parte 3) e 2000 (parte 4).


Edição em vinil, de 1973, importada do Reino Unido
com a ref: ILPS 9230


Tiveram o bom senso de, contrariamente a muitos outros que se arrastaram penosamente no declínio que este género musical então iniciou, terminarem em alta, no ano de 1974, após a gravação de mais dois álbuns.

Em 1982, no primeiro regresso dos King Crimson, tive oportunidade de os ver, em Lisboa, no Estádio de Belém, a fazer a primeira parte (antecedidos pelos Heróis do Mar) dos também, entretanto, regressados Roxy Music de Brian Ferry, mas com uma grande diferença: os King Crimson estavam renovados e criativos, enquanto os Roxy Music, não disfarçavam desgaste, algumas vezes xaroposos nas fórmulas menos interessantes de “Avalon”. Curiosidade, o custo do bilhete foi de 600$00 (cerca de 3€)!

Bem, mas voltando a 1973 e a esse tal disco de nome estranho, a ele vou buscar o tema para hoje: “Book of Saturday”.



King Crimson - Book of Saturday

domingo, 27 de dezembro de 2020

John Cale - Paris 1919

Tenho de o reconhecer, John Kay, J. J. Cale, John Cage, John Cale, eram nomes que no início dos anos 70, por vezes, me baralhavam. Na leitura de algum artigo ou alguma referência em programa na rádio deixavam-me na dúvida a quem, de facto, se estariam a referir. A música, essa era bem distinta e não deixava, normalmente, campo para dúvida. Para que não haja confusões:

John Kay (1944-) – Guitarrista e vocalista do grupo Steppenwolf dos anos 60. Ficaram para sempre ligados ao seu tema mais conhecido, o hino rock “Born to Be Wild” popularizado no filme “Easy Ryder”. 

J. J. Cale (1938-2013) – Cantor, compositor e guitarrista norte-americano com uma longa discografia e maneira peculiar de tocar guitarra. Dizem, fonte de inspiração para a forma de tocar de Mark Knopfler. Eric Clapton teve um grande êxito com uma canção de J. J. Cale, “Cocaine”. 

John Cage (1912-1992) – Músico norte-americano de vanguarda, experimentalista, explorador do silêncio e do ruído. Ficou célebre a peça 4’33’’, composição com 3 andamentos, sem qualquer nota. as diferentes formas do silêncio?


Edição alemã em CD de 1993 com a ref: 7599-25926-2

John Cale (1942-) – Músico galês, compositor, interprete, membro fundador conjuntamente com Lou Reed do grupo mais importante da história do rock, The Velvet Underground. No início da década de 60 chegou a colaborar com John Cage (para ajudar na minha confusão) e mais tarde com os músicos vanguardistas La Monte Young e Terry Riley. Seis décadas depois é referência obrigatória na história da música rock. A sua música ficará na história do rock e, acredito, a ser, no futuro, objecto de estudo.

Actualmente com 78 anos, continua activo com algumas passagens pelo nosso país. Tive oportunidade de o ver no já longínquo ano de 1988, no Rivoli.

Segue para audição o estado da arte do rock de John Cale em 1973. Do álbum “Paris 1919”, um dos melhores registos de John Cale.



John Cale - Paris 1919

sábado, 26 de dezembro de 2020

Cockney Rebel - Sebastian

A memória não ajuda muito e a internet pouco mais. Mas aqui vai: de entre os excelentes programas de rádio que tivemos nos anos 60, 70 e até 80, já aqui referi por mais de uma vez o “Página Um” e o “Em Órbita”, no entanto outros houve que merecem ser recordados.

Lembro-me de um denominado “Dois Pontos” diariamente das 11h às 13 horas, apresentado pelo Jaime Fernandes. A fórmula era simples, nas duas horas que durava faziam a passagem integral de 2 álbuns, normalmente recém editados, podendo-se assim proceder à gravação, nas velhas cassetes, desses mesmos discos sem qualquer interferência. Pink Floyd, os alemães Can, os The Nitty Gritty Dirt Band, os Flying Burrito Brothers, Roy Harper do álbum “Bullinamingvase” são alguns que me recordo de ouvir, se a memória não me atraiçoa.

Mas há um disco cuja passagem na íntegra me ficou particularmente registada, tratava-se do primeiro álbum de 1973 dos Cockney Rebel. Liderados por Steve Harley, os Cockney Rebel perduraram até aos nossos dias, ora somente como Steve Harley, ora como Cockney Rebel ou ainda Steve Harley & Cockney Rebel e inseriam-se, no seu início, no Rock Progressivo então em voga. No entanto a música que se ouvia em “The Human Menagerie” (assim se chamava o álbum) era, por vezes, demasiado “graciosa” para a associarmos ao Rock Progressivo, mas simultaneamente de uma complexidade que a afastava do universo Pop. Era uma música estranha (como a voz de Steve Harley, dialecto Cockney?) que talvez justifique o relativo pouco sucesso.


https://www.discogs.com/


Em “The Human Menagerie” destacava-se o tema “Sebastian” que tendo todos os ingredientes para ter sido um êxito maior do que aquele que efectivamente teve, não chegou a alcançar os primeiros lugares dos Top.

Parece que ainda hoje estou a ouvir qualquer coisa do género: “Vamos ficar, nesta primeira hora do programa, com a passagem integral do primeiro álbum “The Human Menagerie” do grupo inglês Cockney Rebel" (E agora sem nenhuma perturbação ouça-se “Sebastian”). 



Cockney Rebel - Sebastian

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Kevin Ayers - Oh! Wot a Dream

 “Era um dos grandes excêntricos da pop, um eremita sem temperamento e estrutura para jogar o jogo da celebridade. Era um bon vivant convicto, um dandy que saía de cena, não para criar uma aura de mistério à sua volta, mas porque preferia simplesmente ambientes “relaxados”, “com um melhor sentido de cerimónia para as coisas básicas da vida – comida, música, dança, sexo”.”

Foi assim que o jornal "O Público" reagiu à notícia da morte de Kevin Ayers em Fevereiro de 2013. Kevin Ayers foi um dos ídolos da minha juventude que apreciei quer enquanto fundador, em 1966, conjuntamente com Robert Wyatt dos essenciais Soft Machine, quer numa vasta discografia a solo a partir de 1968.

O destaque vai para o período de 1969 a 1974 onde se encontram 6 discos da melhor Pop experimental que conheço. Possuidor de uma peculiar voz de barítono, conviveu e gravou com os melhores músicos da época como John Cale, Brian Eno, Nico e Mike Oldfield.


Edição EMI, em CD, de 2003 com a ref: 07243-582780-2-6


"Bananamour" era, em 1973 , o seu 4º trabalho a solo e dele recordo "Oh! Wot a Dream", a admiração de Kevin Ayers por Syd Barrett, disse ele sobre esta canção: "The sincerest form of flattery being imitation, it's quite deliberately sung in Syd Barrett's style. What I tried to do was get some of the feeling that's unique to him just to show that, althought we don't meet or talk, I have a certain closeness to what he's doing and can relate to it."



Kevin Ayers - Oh! Wot a Dream

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Renaissance - Carpet Of The Sun

Os Renaissance foram uma banda inglesa de Rock Progressivo com razoável sucesso nos anos 70. Experimentaram a fusão do Rock progressivo com  Folk, apresentavam arranjos exuberantes e eram muito agradáveis de ouvir, seriam mais uma banda a não resistir (infelizmente) à explosão do movimento punk no final da década. A música centrada no piano e na voz cristalina de Annie Haslam (excelente voz injustamente esquecida), uma viola acústica à medida e um baixo mais forte do que era comum, teria um dos seus melhores momentos no 4º e bem conseguido LP, “Ashes Are Burning” de 1973.


Edição alemã de 1995 com a ref: REP 4575-WY


Os temas, sempre bem desenvolvidos, com influências clássicas de Albinoni a Rimsk-Korsakov, tinham normalmente durações muito além dos habituais 3 minutos. Tiveram em Annie Haslam, que substituiu Jane Relf em 1971 e que continua ainda hoje a liderar o grupo, uma das principais referências.

Estes Renaissance e Annie Haslam mereciam ter ido mais longe (soube a pouco), “Carpet Of The Sun”, o tema mais curto de “Ashes Are Burning”  é prova disso, ora ouçam.



Renaissance - Carpet Of The Sun

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Nitty Gritty Dirt Band - Will The Circle Be Unbroken

Apareceu por cá em 1973 um álbum, editado em 1972 em formato triplo, de um grupo, já com algum nome, designado Nitty Gritty Dirt Band, dando a gravação pelo título de “Will the Circle Be Unbroken”.

Os Nitty Gritty Dirt Band navegavam nas águas do Country-Rock, género que foi particularmente fértil na primeira metade da década de 70. Um grupo constituído ainda nos anos 60 que persiste nos nossos dias pese as alterações em relação à formação original.

Os Nitty Gritty Dirt Band convidaram, para a realização do álbum, um conjunto de músicos consagrados nos anos 40, 50 e 60 e revisitaram ao longo de 37 canções muitos temas populares do country e bluegrass norte-americano. Experiência que seria continuada em 1989  e 2002.


https://www.discogs.com/


“Will the Circle Be Unbroken”, a canção, é um gospel tradicional do início do século XX e conheceu versões de Johnny Cash a Jeff Buckley. Mas a interpretação que eu prefiro é sem dúvida a efectuada pelos Pentangle (a merecerem uma evocação mais alargada) em 1971 e que é absolutamente imperdível (não há estrelas suficientes para os classificar, a ela hei-de chegar).

Segue a versão gospel/bluegrass de “Will the Circle Be Unbroken” pelos Nitty Gritty Dirt Band que hoje aqui trago pela primeira vez.



The Nitty Gritty Dirt Band - Will the Circle Be Unbroken

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Pentangle - Willie O' Winsbury

Balanço de 1973 entre formados e acabados. 

De entre os novos grupos que se constituíram no ano de 1973 pouco há de digno a registar. Eis alguns, que de alguma forma vieram a ter os seus momentos de fama: AC/DC, Bachman-Turner Overdrive, Cabaret Voltaire, Cheap Trick, Los Lobos, Television, The Tubes, Bad Company, Heart, Journey, Kiss, Penguin Cafe Orchestra; ou seja, uma boa parte a prescindir com facilidade, com excepção, talvez, para os Television de Tom Verlaine, Los Lobos e os Penguin Cafe Orchestra; revisão, sobre revisão de sonoridades tiradas ao manancial dos anos 60, sem nada genuinamente novo.

De entre os grupos que terminaram no ano de 1973 os destaques vão para: The Byrds, Free, Spirit, The Doors, Jackson Heights, Manassas, Pentangle, The Velvet Underground, Vinegar Joe; ou seja, uma boa parte, nomes importantes a deixarem marcas, algumas únicas, na música popular dos anos 60 e 70.

Um saldo, para meu gosto claro, negativo, a década continuava no seu ciclo descendente até atingir o fundo em 1975.


Edição em CD de 2003 com a ref: CMQCD555, depois
de descobertas as gravações originais


Os Pentangle, a merecerem outras atenções, terminavam em 1973 sem antes deixarem, no final de 1972, mais um excelente e menos considerado trabalho do Folk-Rock britânico, o sexto álbum “Solomon’s Seal”. Formados por Bert Jansch (1943-2011), John Renbourn (1944-2015), Jacqui McShee (1943-), Danny Thompson (1939-) e Terry Cox (1937-), tudo músicos que marcaram as últimas décadas da música Folk britânica, constituíram um quinteto que elevou (a par com os Fairport Convention) a música de raiz tradicional a patamares até hoje não mais ultrapassados.

Em anexo segue “Willie O' Winsbury” um tema tradicional do século XVIII recriado na perfeição pelos Pentangle (os Fairport Convention também já o tinham feito sob o nome de “Farewell, Farewell” no histórico álbum “Liege & Lief” em 1969).



Pentangle - Willie O' Winsbury

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Matching Mole - Instant Pussy

Em 1972 discutia-se o Euro-Rock.

Em artigo intitulado precisamente “Euro-Rock” saído no nº 5 do jornal “musicalíssimo” de Dezembro de 1972 dizia-se:

“Exceptuando os Stones e The Who, os artistas (…) britânicos dão-se a fazer música forte, suave, melodiosa, estridente, com o único objectivo de que ela resulte bem. Resulta mal, dado que passa a ser, quando consumida como acontece em doses fabris, uma manifestação de acordo com as situações vigentes aqui, ali e, sobretudo lá - onde eles vivem e convivem (?). O que, até revisão das estruturas em que nos baseamos, está errado.

A “nova escola” inglesa não só assume esta posição como se testemunha, consciente ou inconscientemente, não importa, contra os princípios que regiam os passos a dar pelo rock quando do seu aparecimento. Os que “a” integram são músicos, apenas isso, e mais não querem ser.

O mesmo acontece com alguns grupos franceses e alemães que, apesar de terem uma consciência de grupo mais coadunável com a dos colegas norte-americanos, passaram a basear-se nos princípios postulados (?) pelos seus congéneres ilhéus. Tal facto origina a formação de um movimento musical a nível continental a que podemos chamar… Euro-Rock.”

Neste movimento destacavam-se em França os Magma e os Gong, enquanto na Alemanha a referência ia para os Amon Düül II, Can e Faust. Das ilhas britânicas podíamos escolher os Nice, os Pink Floyd e os Soft Machine.

Fiquemos com estes últimos: os Soft Machine. Formados, em 1966, no movimento underground britânico, destacam-se, na sua prolífera discografia, os 4 primeiros álbuns gravados entre 1968 e 1971 ainda com a presença do inventivo baterista e vocalista Robert Wyatt. De então para cá conheceram inúmeras formações por onde passaram mais de duas dezenas de excelentes músicos fixando-se numa sonoridade de fusão rock-jazz.

Em 1971, Robert Wyatt forma os Matching Mole - trocadilho do nome em francês (Machine Moelleux) do seu anterior grupo os Soft Machine - de que resultariam dois únicos álbuns gravados em 1972 seguindo-se o término do grupo.  

O ano de 1973 seria fatídico para Robert Wyatt: uma queda de uma janela de um terceiro andar deixa-o paraplégico, terminando assim as suas aventuras como baterista. O retorno à música far-se-ia no ano de 1974 com o aclamado álbum a solo “Rock Bottom” com o excepcional tema “Sea Song”, imperdível.


https://cuneiformrecords.bandcamp.com/


Construtor de uma inusitada discografia, Robert Wyatt é hoje admirado e venerado por uma legião de músicos e fiéis seguidores. A sua última obra, com Gilad Atzmon e Ros Stephen, “For the Ghosts Within” de 2010 assim o confirma.

Mas, voltemos ao euro-rock dos anos 70  para finalizar com os Matching Mole e o tema “Instant Pussy” gravado ao vivo algures na Europa em 1972 (o destaque vai directo para Robert Wyatt – voz e percussão).



Matching Mole - Instant Pussy

domingo, 20 de dezembro de 2020

Country Joe & The Fish - I Feel Like I'm Fixin' To Die Rag

Em oposição ao confinamento provocado por esta pandemia que tem tem restringido as nossas liberdades no ano de 2020, o Festival de Woodstock ocorrido em 1969 durante 3 dias no mês de Agosto onde estiveram presentes cerca de 400000 jovens ávidos de paz, amor e boa música em ambiente de total liberdade.

Mais de 50 anos de Woodstock! É muito tempo! É tempo de celebrar Woodstock!

A forma mais simples será, para quem já viu, rever o filme, para quem nunca viu, é aproveitar estes tempos de vida mais caseira para o verem pela primeira vez e já agora recuperar o álbum triplo que na sequência do festival foi editado.

Por lá passaram Jimi Hendrix, Janis Joplin, (só faltou Jim Morrison), Joan Baez, Santana, The Who, Crosby, Stills, Nash & Young, Jefferson Airplane e tantos, tantos outros em pleno auge criativo. Se a música era da melhor (já se encontram versões de 20 CD com as sucessivas recuperações de 3 dias de “peace & music”) é no entanto no filme/documentário de Michael Wadleigh que melhor se descobre o espírito da época. 


https://www.discogs.com/


Um dos que melhor traduzia esse estado de alma era Country Joe McDonald, então vocalista da banda de Pop/rock psicadélico Country Joe & The Fish e já com uma discografia reconhecida. Lá interpretou “Feel Like I'm Fixing To Die Rag” que hoje recordo mas na versão original do LP "I-Feel-Like-I'm-Fixin'-to-Die" publicado em 1967.



Country Joe & The Fish - Cheer & I-Feel-Like-I'm-Fixin'-To-Die Rag

sábado, 19 de dezembro de 2020

Chick Corea - What Game Shall We Play Today

 

Até ao final do ano  algumas recordações  avulso sem qualquer temática subjacente. Uma parte vou buscar a 1973, ano que tenho dado particular relevo nos últimos meses, mas não só é por exemplo a recordação de hoje.

Talvez pelo confinamento que esta pandemia tem provocado, recordei-me de alguns concertos que assisti e que agora eram impossíveis de serem realizados, por exemplo os do Porto Blues Jazz organizados pela Câmara do Porto já lá vão alguns anos. Lembrei-me de Herbie Hancock em 2008 e de Chick Corea & Gary Burton em 2009. Realizados nos aprazíveis jardins do Palácio Cristal eram de entrada gratuita e de um bom gosto inegável. Este último trazia Chick Corea, um dos maiores vultos do Jazz mundial e Gary Burton um dos maiores vibrafonistas da actualidade.


Chick Corea - Porto em 2009


Um concerto excelente na simplicidade com que tocaram temas do último álbum conjunto ("The New Crystal Silence"), mas também noutras abordagens, na homenagem a Bud Powell, na música de Thelonious Monk ou no belo “Waltz for Debby” de Bill Evans.


Edição alemã da ECM (1987) com as
 ref: ECM 1022; 811 978-2 Y

Foquemo-nos em Chick Corea, o seu contributo maior foi/é no Jazz de Fusão que vem dos tempos de Miles Davis de “Bitches Brew”. Fusão com o Rock mas também com outras sonoridades como a música brasileira, em particular na formação Return to Forever do início dos anos 70 onde participava esse excelente casal de músicos brasileiros Airto Moreira (bateria) / Flora Purim (voz).

Em 1972 gravam um dos melhores álbuns de Jazz que conheço, precisamente “Return to Forever”.
“Return to Forever” (o álbum) aconselhável para amantes de Jazz e não só.

Agora ouçam, deixem-se envolver pelo som de “What Game Shall We Play Today “ terceira faixa de “Return to Forever”.



Chick Corea - What Game Shall We Play Today

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Janis Ian – Calling Your Name

 mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970

Janis Ian é uma cantora norte-americana que se revelou muito nova nos anos 60 com a canção "Society's Child" que já a recordei quando passei por "Os 10 melhores álbuns de 1967 segundo o programa de rádio "Em Órbita". Uma grande promessa que definitivamente não vingou a nível internacional pese o seu sucesso em 1975 com o LP "Between The Lines" e a canção "At Seventeen". Pena é que não tivesse um reconhecimento maior, talvez culpa da falta de marketing ou dela própria cujo "click" nunca disparou para ficar entre as cantores mais recordadas dos anos 60 e 70.

Daí alguma surpresa em encontrar referência a ela, ainda que seja um pequeníssimo texto, no nº 12 da revista "mundo da canção" que hoje termino de recuperar. Texto descontextualizado no espaço que ocupava mas suficiente para me ter despertado a atenção e fixado aquele nome que mais tarde me iria surpreender (precisamente com "Between The Lines").



Entretanto com apenas 19 anos tinha já publicado 4 LP, o mais recente era de 1969, "Who Really Cares" e nele constava este "Calling Your Name".



Janis Ian – Calling Your Name

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Shirley Bassey - Something

   mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


De passagem já me tinha referido a Shirley Bassey, a propósito da sua versão de "Love Story" e "I (Who Have Nothing)", agora, mais do que justo, passagem em nome próprio.

Numa pequena rúbrica intitulada "Sabias Que ..." a revista "mundo da canção" nº 12  trazia pequenas notícias, que recupero na imagem seguinte, referentes a Melanie, Shirley Bassey, Paul McCartney, The Moody Blues, Jimi Hendrix, Elvis Presley, Rolling Stones e Mud.




"Disco de prata, em Inglaterra, para SHIRLEY BASSEY pela venda de 250000 cópias de «Something»", era a curiosidade referente a Shirley Bassey.

Shirley Bassey, actualmente com 83 anos, galesa de origem estreou-se no mundo musical nos anos 50 do século passado, grava os primeiros discos nessa década e nos anos 1959 e 1960 o jornal New Musical Express atribui-lhe o prémio de "Favourite British Female Singer". O sucesso internacional vem na primeira metade da década de 60 com canções como "I (Who Have Nothing)" e "Goldfinger" (da banda sonora do filme de 007) até chegarmos a 1970 com a gravação de "Something".

"Something" canção escrita por George Harrison e editada pelos The Beatles no álbum "Abbey Road" aqui na voz de Shirley Bassey.



Shirley Bassey - Something

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Bob Dylan - Days of 49

  mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


1970 é o ano do polémico álbum "Self-Portrait" de Bob Dylan. Mal recebido pela crítica que via neste disco o aburguesamento e acomodação a sonoridades mais acessíveis.

É um disco muito eclético na variedade sonora, Folk, Country, Blues pincelados de Rock. Temas originais e versões, gravações de estúdio e ao vivo da passagem pelo Festival da Ilha de Wight. Percebo a polémica da época face à qualidade dos álbuns que até então tinha gravado, mas hoje é extraordinariamente agradável de se ouvir.

Para Tito Lívio que assinava, no nº 12 da revista "mundo da canção", o artigo de crítica a "Self-Portrait", considerava, conforme título "Um Dylan mais rico apesar de tudo".





Deste duplo álbum, uma canção ficou-me para sempre no ouvido e é a primeiro de que me recordo quando por qualquer razão volto a este disco. É "Days of 49", "Um Dylan depurado, com um acompanhamento simples de guitarra acústica" dizia Tito Lívio.



Bob Dylan - Days of 49

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Eric Clapton - Let It Rain

 mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970

Para hoje a rúbrica "mc Notícia" publicada na revista "mundo da canção" nº 12. Estamos em Novembro de 1970 e neste texto dá-se conta do lançamento de alguns novos disco todos de pequena duração, EP ou Single.

As novas edições são de: Black Sabbath, Affinity, Adriano Celenteno, Ray Morgan, Eric Clapton, The Strawberry Alarm Clock e Matthews Southern Comfort.




Escolho Eric Clapton.

Eric Clapton no seu início, início a solo que para trás já trazia uma mais que sólida carreira, a saber: primeiro com The Yardbirds (1963-1965), depois com John Mayall & The Bluesbreakers (1965-1966), a seguir com os Cream (1966-1968), os Blind Faith (1969) depois com a Plastic Ono Band (1969) de John Lennon e finalmente com Derek and The Dominos (1970).

Nesta altura Eric Clapton gozava já de uma fama invejável como exímio tocador de guitarra no Rock e no Blues, chegou ao ponto de ter o seu nome pintado nas paredes de Londres onde se lia "Clapton Is God".

Em "mc Notícia" anunciava-se a edição de um Single com as canções "Let It Rain" e "Lonesome And A Long Way From Home" referindo-se-lhe como "o mais venerado músico contemporâneo" segundo o conhecido radialista John Peel.

O Single terá sido editado em Portugal em 1971 e o sítio discogs.com considera-o a "Rare Portuguese pressing".



Eric Clapton - Let It Rain

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Vieira da Silva - Porque É Urgente Cantar

  mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970

Para completar esta passagem pelo nº 12 da revista "mundo da canção" falta mostrar alguns textos, alguns deles rubricas já habituais, outros textos conjunturais.

O primeiro vai para A. Vieira da Silva que assinou Um pequeno texto intitulado "da canção portuguesa", a visão do autor do que devia ser a canção portuguesa no contexto da época.

Lembro que Vieira da Silva era na altura um cantor dito de intervenção já com dois discos EP editados e que viria a ser colaborador da revista a partir do ano seguinte conforme informação constante em http://www.vieiradasilva-ilhavo.com/, mais tarde viria a ser mesmo seu director.




Como cantautor Vieira da Silva desenvolveu um registo baseado na Canção de Coimbra então ainda em voga em intérpretes como Adriano Correia de Oliveira e António Bernardino. Do 2º EP, editado em Janeiro de 1970, proponho "Porque É Urgente Cantar" com letra e música do próprio.



Vieira da Silva - Porque É Urgente Cantar

domingo, 13 de dezembro de 2020

Paul McCartney - Every Night

 mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


As últimas letras publicadas neste nº 12 da revista "mundo da canção" iam para Paul McCartney.

As últimas gravações dos The Beatles datam de 1969, o anúncio oficial do fim do grupo foi dado por Paul McCartney a 10 de Abril de 1970. A 17 de Abril é publicado o seu primeiro álbum a solo, "McCartney".

"McCartney" é um álbum caseiro com Paul McCartney a tocar todos os instrumentos e o resultado é fraco com canções praticamente por acabar, no mínimo faltou produção, muito aquém do que seria de esperar daquele que era considerado a figura de proa dos The Beatles, John Lennon e George Harrison fizeram nitidamente melhor.

Poucas memórias ficaram deste disco, "Maybe I'm Amazed" era a única que mostrava potencial, sendo mais tarde recuperada pelos Wings, a banda que entretanto McCartney formou, sendo editada em Single em 1977.




De resto pouco se aproveita. A revista "mundo da canção" nº 12 publica as letras de "Junk" e "Every Night". Proponho esta última que merecia melhor tratamento, parece um demo e não uma canção acabada.
(Nota: em 1980 Paul McCartney insistiu no modelo em "McCartney II", produção caseira e tocar todos instrumentos, e não se saiu melhor, este ano de 2020, passados 50 anos da primeira experiência, volta aos mesmo formato com "McCartney III" a ser editado nos próximos dias. Será que é desta? costuma-se dizer que à terceira é de vez, mas pessoalmente não acredito, a ver (ouvir) vamos)




Paul McCartney - Every Night

sábado, 12 de dezembro de 2020

Blue Mink - Our World

mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


Blue Mink foi um grupo Pop britânico que obteve algum êxito no início dos anos 70. Tomei conhecimento deste grupo precisamente em 1970 com a canção que hoje vou recordar, "Our World". Tínhamos nessa altura alguns bons programas de rádio em FM, como por exemplo o "Página Um" que divulgava atempadamente as canções de maior sucesso no Reino Unido e Estados Unidos da América, deve ter sido neste programa que ouvi pela primeira vez os Blue Mink.

A avalanche de boa música que aqueles anos proporcionaram não deram muito espaço, como por exemplo a estes Blue Mink, cuja divulgação ficou por uma ou outra canção que se destacou nas tabelas de vendas. Se bem que "Melting Pot" do ano anterior tivesse maior sucesso comercial foi este "Our World" que me recordo de ouvir pela primeira vez na rádio.

Os Blue Mink tinham a particularidade de ter como cantora Madeline Bell, cantora negra norte-americana, que eu apreciava, tendo durante alguns anos seguido a sua carreira a solo.




"Our World" o Pop descontraído e agradável dos Blue Mink, numa época em que, como as cerejas, vinham umas atrás das outras. "The Banner Maner" seria a próxima.



Blue Mink - Our World

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Edwin Starr - War

     mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


No contexto de "Canções que se ouviam no ano de 1970" já referi e recordei a canção a que volto hoje, "War" do cantor negro Edwin Starr. Agora o pretexto é outro, à revista "mundo da canção" não passou despercebida esta canção, que tanto ouvi na nossa rádio, e publicou a letra no seu nº 12 de Novembro de 1970.

Edwin Starr (1942-2003) foi um cantor norte-americano da área do Soul e Rhythm'n'Blues, que pese os vários LP que gravou não deixou de ficar conhecido como um "one-hit wonder" ou seja só ter logrado obter um single de sucesso em toda a carreira. "War" é uma canção anti-guerra ("War, what is it good for? Absolutely nothin'!), neste caso a do Vietnam tão contestada na época pela juventude norte-americana.




Recordo, então, novamente "War" na voz de Edwin Starr e lembrar que a mesma teve várias versões das quais destaco as de Frankie Goes To Holywood (1984) e a de Bruce Springsteen (1986). Ainda em 1970 também The Temptations a gravaram sem a força que Edwin Starr lhe deu.



Edwin Starr - War

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

The Moody Blues - Balance

    mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


Em páginas separadas  a revista "mundo da canção", no seu nº 12, trazia publicadas mais duas letras do grupo britânico The Moody Blues, eram respectivamente "Melancholy Man" e "The Balance". As duas pertenciam ao então mais recente álbum do grupo, "A Question Of Balance", mais um trabalho de grande sucesso de um dos grupos mais populares do Rock Progressivo e Sinfónico. Distinto dos restantes grupos, bem distinto, e facilmente identificados pela sonoridade tão própria que criaram, quer nas harmonias vocais quer nos arranjos "clássicos" de que eram mestres.

"A Question Of Balance" era já o 5º álbum dos The Moody Blues com a formação que se convencionou clássico, excluindo portanto o LP inicial "The Magnificent Moodies" (1965). Com este novo disco The Moody Blues aproximavam-se mais dos álbuns convencionais, um somatório de canções sem o carácter concepcional que os anteriores tiveram. Lembro-me que, por isso, ficou aquém das minhas expectativas, mas mesmo assim apressei-me a comprá-lo (edição original importada com a referência THS 3 e capa inédita tipo envelope). Quem resistia a "Question" ou a "Melancholy Man"?






"The Balance", assim terminava o disco, música de Ray Thomas, letra de Graeme Edge com narração de Mike Pinder. Ainda o melhor dos The Moody Blues ou o princípio do declínio?



The Moody Blues - Balance

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Ten Years After - I'm Going Home

   mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


Em 1970 os Ten Years After  estavam próximos de atingir o pico de popularidade. Ainda fiéis ao Blues-Rock e impulsionados pelos sucesso do Festival de Woodstock (1969) gravam mais dois LP de estúdio respetivamente "Cricklewood Green", o tal que tinha "Love Like a Man", e "Watt". Actuam nos mais importantes festivais da época, nomeadamente em 1970 no Festival da Ilha de Wight, e nas salas mais conceituadas, por exemplo no Fillmore East em Nova Iorque.

O concerto desta sala foi então gravado, sendo publicado em 2001 em duplo CD e nele constam algumas das canções que melhor definiram o som dos Ten Years After. Versões de temas do Rock'n'Roll e do Blues, algumas delas bem longas, onde perpassava a competência musical do grupo e o virtuosismo do seu líder, o guitarrista Alvin Lee (1944-2013). Também originais de Alvin Lee se podiam ouvir, entre os quais "I'm Going Home" que tinha surgido no álbum ao vivo "Undead" (1968), e fazia parte do filme e álbum resultantes do Festival de Woodstock.




A letra vinha publicada no º 12 da revista "mundo da canção", para ouvir, como já publiquei a versão de "Undead", proponho agora a versão mais longa de "Live at the Fillmore East 1970".



Ten Years After - I'm Going Home

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

The Beatles - She Came In Through The Bathroom Window

  mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970

Presença quase obrigatória no primeiro ano de existência da revista "mundo da canção" foi a dos The Beatles que viam as letras das suas canções serem publicadas nas páginas daquela revista.

Estou no nº 12 e lá estavam mais duas canções de "Abbey Road" aquele que foi o último álbum por eles gravado, o penúltimo editado, a obra quase perfeita dos The Beatles, eram : "She Came In Through The Bathroom Window" e "Mean Mr. Mustard".




As duas faziam parte do meddley de mais 16 minutos composto por 9 faixas que ocupavam parte do lado B do disco original em vinil. Entre "Please Please Me" e "Abbey Road" foram somente 6 anos que passaram e a evolução que o grupo operou foi fantástica, algum outro grupo teve tal evolução? De um início divertido, por exemplo: "Love Me Do" à complexidade deste meddley, hoje um verdadeiro clássico da música... moderna.



The Beatles - She Came In Through The Bathroom Window

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Crosby, Stills, Nash & Young - Our House

 mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970

Crosby, Stills, Nash & Young, ou simplificadamente CSNY.

Primeiro foram somente CSN e do trio resultou a obra-prima do Folk-Rock norte-americano que foi "Crosby, Stills & Nash" (1969). A necessidade de maior instrumentação levou à necessidade de mais um músico, Stephen Stills disse:

"Eu fui para Nova Iorque à procura dum organista, mas não consegui encontrar ninguém, por isso, fui ter com Ahmet que sugeriu pôr-se o Neil a tocar Guitarra, o que me deixava livre para toma conta das teclas. Voei de volta à Califórnia, fui a casa de Neil e perguntei-lhe o que achava da ideia. Ele havia assistido a um dos nossos ensaios e tinha ficado entusiasmado com o nosso som vocal... visto isso e os factos, ele veio connosco e tornámo-nos os Crosby, Stills, Nash & Young, nome que indicava claramente que estávamos todos uns com os outros, mas que continuávamos a ser músicos com carreiras individuais às quais poderíamos regressar sempre que nos apetecesse."

"Déjà Vu" acabado de gravar no início de 1970 revelava uma sonoridade mais potente que "Crosby, Stills & Nash", mas não disfarçava, era evidente, o contributo de cada um ou seja os quatro caminhos individuais ("4 Way Street" seria o nome do álbum ao vivo de seguida editado)  eram patentes nas 10 composições do álbum. Um disco excepcional entre o Folk e o Rock com admiráveis harmonias vocais, um disco quase perfeito e uma sonoridade, pelo menos para mim, totalmente inovadora. Nunca tinha ouvido nada assim.




De Graham Nash sai a canção de hoje, "Our House", que era objecto de publicação da letra no nº 12 da nossa revista "mundo da canção". "Our House" escrito por Graham Nash, em casa enquanto Joni Mitchell, com quem ele então vivia, estava no jardim a apanhar flores e por onde deviam andar os dois gatos que possuíam. A letra relata o momento em que foi escrita.



Crosby, Stills, Nash & Young - Our House

domingo, 6 de dezembro de 2020

Neil Diamond - Cracklin' Rose

mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970

E aqui estou eu de volta a Neil Diamond. O motivo, a publicação da letra de "Cracklin' Rose" na revista "mundo da canção", ia no seu nº 12 em Novembro de 1970.

Se bem que Neil Diamond fosse já um artista bem conhecido, pelo menos do público norte-americano, 1970 é o ano da consagração e da sua internacionalização. Para isso contribuíram os Singles editados, pelo menos oito, e ainda o LP "Tap Root Manuscript" e a gravação ao vivo "Gold: Recorded Live at the Troubadour". Entre as muitas canções que neste ano popularizaram Neil Diamond, uma há que o catapultou, um pouco por todo o lado, para os primeiros lugares nos Top de vendas, foi "Cracklin' Rose".




"Cracklin' Rose", uma canção incontornável de Neil Diamond e do ano de 1970. Outros tempos a criarem canções intemporais, actualmente, ou eu ando muito distraído, parece estar-se a atravessar um verdadeiro deserto na música dita Pop.



Neil Diamond - Cracklin' Rose

sábado, 5 de dezembro de 2020

The Carpenters - Close To You

   mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


The Carpenters têm por direito próprio um lugar na história da música popular do século passado, em particular na década de 70 onde se regista quase toda a produção discográfica. Constituídos como duo no final dos anos 60, os irmãos Karen e Richard Carpenter com a sua imagem conservadora e bem comportada, ficaram conhecidos pelas suas interpretações muito cheias de ternura e frescura, diria em oposição ao Rock mais pesado então dominante. A morte de Karen, de anorexia, ditou o fim do duo, mas algumas gravações ainda foram editadas posteriormente.

Em 1970 publicaram o seu 2º LP, "Close To You" e foi aqui que tomei conhecimento da sua música, um disco que agora recordo com muita nostalgia. Canções lindíssimas, tão bem interpretadas com arranjos acertados que naquele tempo não valorizei devidamente, um disco quase na perfeição no que se convencionou designar por "Easy Listening". Ouça-se "We've Only Just Begun", "I'll Never Fall In Love Again", "Reason To Believe" ou a canção que dá nome ao álbum "(They Long To Be) Close To You".




Esta é uma canção de 1963 do compositor Burt Bacharach que já tinha sofrido várias versões mas nenhuma sem alcançar a beleza desta interpretação que lhes veio a valer um Grammy no ano seguinte.

Era também a letra transcrita no nº 12 da revista "mundo da canção". É mais uma daquelas que para quem a conheceu que tenham uma boa recordação, para os outros que a apreciem devidamente.



The Carpenters - Close To You

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Mary Hopkin - Que Sera, Sera

  mundo da canção nº 12 de Novembro de 1970


Aquando do regresso dos The Beatles da Índia em 1968 foi por eles formada a Apple Records para onde passaram a gravar colectiva e individualmente. O primeiro Single gravado, mas ainda a ter o nº de catálogo da EMI com quem The Beatles tinham contrato,  foi "Hey Jude" dos próprios e atingiu o 1º lugar de vendas na Grã-Bretanha. Seguiu-se "Those Where The Days" de uma desconhecida Mary Hopkin, apadrinhada e produzida por Paul McCartney que iria destronar "Hey Jude" do primeiro lugar. Foi o maior sucesso que Mary Hopkin obteria, seguindo-se alguns anos de relevo com sucessos como "Goodbye"(1969) uma versão da canção dos The Beatles e em 1970 "Knock Knock (Who's There?)" com a qual concorreria ao Festival da Eurovisão obtendo o 2º lugar.




Por insistência de Paul McCartney, Mary Hopkin gravou uma versão da canção "Que Sera, Sera" que parece não foi muito do agrado da própria não tendo conhecido edição no Reino Unido. Em 1970 é publicada em vários países, entre os quais Portugal. Talvez por isso a publicação da letra pela revista "mundo da canção" no seu nº 12.

Segue então "Que Sera, Sera" na voz da Mary Hopkin. Não iguala o original da Doris Day de 1956 mas não deixa de ser um agradável momento na bonita voz que Mary Hopkin possuía.



Mary Hopkin - Que Sera, Sera