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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Bert Jansch – January Man

  Os Meses do Ano em Canção


"January Man" é uma canção do ano de 1970 escrita e interpretada a cappela por Dave Goulder, cantor inglês de tradição Folk. Rapidamente conheceu outras interpretações e novas roupagens o que se tem prolongado até aos nossos dias. Dessas, relevo algumas de que gosto particularmente, por ordem cronológica: Martin Carthy (1971, álbum "Landfall"), Bert Jansch (1973. álbum "Moonshine"), Rachel Unthank & The Winterset (2005, álbum "Cruel Sister"), Steeleye Span (2019, álbum "Est'd 1969").

A escolha recai sobre Bert Jansch.

Bert Jansch (1943-2011) foi uma das figuras mais importantes na recuperação da música tradicional britânica que ocorreu nos anos 60/70 do século passado. Quer a solo (primeiras gravações datam de 1965), em parceria com John Renbourn (ouça-se "Bert and John" - 1966) e nos seminais Pentangle (em particular na formação inicial de 1968 a 1972), 


Edição em CD, com a ref: EARTHCD005, de 2015


O primeiro álbum a solo de Bert Jansch após a dissolução dos Pentangle em 1972 foi o álbum "Moonshine" publicado no ano seguinte e conforme se pode ver pela etiqueta da imagem da capa do CD contou com a colaboração de excelentes músicos do Folk-Rock britânico. Um álbum menos considerado na discografia de Bert Jansch mas, com certeza, bem adiantado no tempo.

É nele que se encontra a versão de "January Man" que é a proposta para hoje. Apreciem a sua voz profunda, a maneira única de tocar guitarra que o tornaram um dos músicos mais apreciados por muitos outros músicos daquela época.



Bert Jansch – January Man

sábado, 26 de março de 2022

Bert Jansch - A Woman Like You

DISCO MÚSICA & MODA, nº 9 de 1 de Junho de 1971


Tinha ainda 14 anos quando foi publicado este nº 9 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" que começo hoje a recordar e onde estão reflectidas como veremos várias das minhas preferências musicais daquela época. Algumas das quais ainda hoje se mantêm passados mais de 50 anos.

Basta a idade que tinha para recordar com saudade aqueles tempos que aos olhos da minha adolescência eram bem mais simples e melhores (?) que os actuais. Pelo menos musicalmente eram bem interessantes e diversificados, internacionalmente a variedade era enorme e de qualidade entre as várias tendências que então se afirmavam, estou-me a lembrar do Folk-Rock e do Rock Progressivo e também da afirmação da música popular portuguesa. 




De alguma forma a capa deste nº de "DISCO MÚSICA & MODA" evidenciava alguns dos meus gostos de então, destaque para foto de Bob Dylan que tinha desenvolvimento maior nas páginas centrais, chamadas a artigos de músicos que eu muito apreciava em "A Folk Inglesa" e "Peter, Paul & Mary". O Pop-Rock português tinha no Festival Pop-71 ocorrido em Coimbra o seu desenvolvimento no interior assim como a "Fausto" e o estado da música popular nacional em artigo de um leitor.

A notícia triste era o fim do programa "Em Órbita" do qual eu era ouvinte atento e que contribui decididamente para a formação do meu gosto musical.

A minha proposta para hoje vai para Bert Jansch (1943-2011), músico de excepção do Folk-Rock inglês, e que para além da sua participação nos seminais Pentangle (1967-1972), desenvolvia carreira a solo que vinha já de 1965. "A Woman Like You" pertencia ao seu 6º álbum "Birthday Blues" de 1969.



Bert Jansch - A Woman Like You

domingo, 28 de novembro de 2021

Bert Jansch – Angie

  Raridades


Bert Jansch (1943-2011) é só por si uma raridade. Ou seja é um caso raro de qualidade no tocar da guitarra acústica, Neil Young considerou-o mesmo o Jimi Hendrix da guitarra acústica. Só por isso está justificada a escolha para hoje.

Figura proeminente do Folk britânico da década de 60, é referência para muitos músicos de diversos tempos, de Nick Drake e Donovan nos anos 60 a Johnny Marr (The Smiths) e Bernard Butler (Suede) nos tempos mais recentes. Na sua carreira teve crucial importância o período de 1967 a 1973 onde como membro dos Pentangle fez parte da aventura de fusão do Folk e do Jazz testemunhada em 6 excelentes álbuns. Mas a seu nome já era conhecido na cena Folk britânica, em particular a partir de 1963 nos clubes Folk londrinos como os famosos Troubadour e Les Cousins onde se cruzou, entre outros, com John Renbourn, Jackson C. Frank e Anne Briggs.


Edição em CD do reino Unido com ref: CMRCD204


O primeiro álbum teve edição em 1965, "Bert Jansch", e nele constava o tema "Angie" de Davy Graham figura de proa do Folk inglês e uma das suas principais influências. Verdadeiramente incrível e infelizmente, por cá, pouco conhecida. A edição em CD de 2001 contem duas faixas bónus sendo uma delas uma gravação amadora de "Angie" ao vivo de 1964. Era esta que eu tinha pensado para o Regresso ao Passado de hoje mas não tem a qualidade suficiente pelo que corria o risco de não se ficar com a melhor ideia de "Angie", assim sendo seguem as duas. Disfrutem!

"This is a story set in a strange man's world, where musical truths weave a blue maze.", da contra-capa do disco.



Bert Jansch – Angie (Live)





Bert Jansch – Angie

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Bert Jansch and John Renbourn - East Wind

A música Folk moderna começou por ter o seu destaque maior nos EUA e posteriormente na Grã-Bretanha.
Woody Guthrie (1912-1967) e Pete Seeger (1919-2014) com gravações nos anos 1940, Johnny Cash (1932-2003) anos 1950, Joan Baez primeiro álbum em 1960, Peter, Paul & Mary e Bob Dylan, primeiras gravações em 1962, são os nomes mais destacados a certificar a qualidade e popularidade do género.
Se a música Folk (tradicional) na Grã-Bretanha é incomparavelmente mais antiga (Século XIV, XV) a sua vertente moderna só se faz sentir com alguma notoriedade a meio da década de 60 do século passado e sob grande influência da música americana, nomeadamente os Blues.
Em 1965 surge um conjunto de gravações a merecer o maior destaque, pese os seus autores nunca terem tido a notoriedade dos seus congéneres além Atlântico. Martin Carthy, John Renbourn (1944-2015) e Bert Jansch (1943-2011), foram alguns dos nomes, então na linha da frente, acrescente-se também Davy Graham (1940-2008) já com discografia no início da década. Outros nomes se lhes iriam juntar: Donovan, Nick Drake (1948-1974), John Martyn (1948-2009), Richard Thompson e Sandy Denny (1947-1978) são mais alguns, entre os melhores, a deixarem a sua marca no Folk britânico dos anos 60.


Hoje, o destaque vai para a dupla John Renbourn e Bert Jansch, cada um com uma invejável discografia, gravaram em 1965/66 o excelente e único álbum a duo de nome “Bert and John”.




Entre 1967 a 1973 John Renbourn e Bert Jansch juntamente com Jacqui McShee (que voz!!), Danny Thompson (mas que baixo!!) e Terry Cox bateria constituíram a espantosa formação The Pentangle e deixaram-nos 6 discos de Folk-Jazz indispensáveis, ficam para uma próxima oportunidade. Por enquanto o tema “East Wind” do seminal “Bert and John”.




Bert Jansch and John Renbourn - East Wind

quarta-feira, 4 de março de 2015

Bert Jansch - Needle of Death

Neil Young tem sido nos últimos anos paladino da qualidade sonora na gravação/reprodução. São disso testemunho a preocupação na reedição da sua discografia em “Blue Ray” e a cuidada recuperação e edição de concertos por ele efectuados dos anos 60 e 70. Mais recentemente tornaram-se polémicas as suas afirmações sobre os leitores de mp3 (máximo 320 kbps) afirmando que só dão 5% da qualidade original das músicas e mesmo os CD (1411,2 kbps) que não vão além de 15%. Está à frente do projecto “Pono” leitor digital (a ser lançado ainda este ano com o lema “ WE’RE LETTING MUSIC CHANGE YOU. WE’RE NOT CHANGING MUSIC.“) que permitirá a leitura de ficheiros digitais não comprimidos e portanto sem perda de qualidade. A polémica está instalada!

Em 2014 Neil Young editou o álbum “A Letter Home”, onde recupera temas de Phil Ochs, Tim Hardin, Bert Jansch e outros. Eis que… surpresa! O disco foi gravado em Lo-Fi (baixa qualidade) numa cabine Voice-O-Graphs de 1947 (cabines instaladas na rua que permitiam a gravação da voz em vinil). O próprio site de Neil Young adianta ser “A Letter Home” um conjunto de canções gravadas numa antiga tecnologia electro-mecânica recuperando a essência de algo que se poderia ter perdido para sempre.



Na altura fiquei baralhado com esta aparente incoerência e ainda não me rendi a “A Letter Home”, pese a crónica de João Lisboa no Expresso de 13 de Junho de 2014 vir tranquilizar este desassossego ao afirmar:
“Contradição? Nada disso. Em ambos os casos, o que o motiva é a demanda de uma certa pureza e autenticidade primordiais…” esperemos que esteja certo.

Bem, na busca “de uma certa pureza e autenticidade primordiais” fui recuperar o original de “Needle of Death” de Bert Jansch (1943-2011) outra das minhas preferências de sempre.

Bert Jansch (1943-2011) guitarrista e compositor escocês tido, já hoje, como lendário na síntese, diria perfeita, do Folk e do Blues, grava em 1965 o primeiro álbum onde consta “Needle of Death”. Um álbum que faz parte de “1001 Albums You Must Hear Before You Die”, sem dúvida!



Bert Jansch - Needle of Death