sábado, 7 de janeiro de 2017

Archie Shepp - Naima

A revista "Vida Mundial" e a música popular

A "Vida Mundial" vai, ao longo do ano de 1972, publicar uma série de artigos sobre o Jazz. O "culpado" foi o Jorge Lima Barreto que, de alguma forma, vem renovar a crítica da música Jazz feita em Portugal, recordamos também os textos por ele publicados primeiro no "mundo da canção", e mais tarde no jornal "a memória do elefante".

O nº 1713, de 7 de Abril de 1974, trás mais um artigo assinado por Jorge Lima Barreto, a merecer a devida leitura. "A Vingança de Archie Shepp (História de um Negro Norte-Americano)" é o nome do artigo dedicado a Archie Shepp, acreditamos que, à época, pouco conhecido em Portugal.







Archie Shepp nasceu em 1937, as primeiras gravações em nome próprio datam do início da década de 60, período em que se vai destacar como músico comprometido na guerra racial que então se vivia nos Estados Unidos de forma tão intensa. Colabora com Cecil Taylor e John Coltrane e é um dos iniciadores do Free Jazz, em 1964 grava o LP "Four For Trane" com 4 das 5 faixas originais de John Coltrane. "Naima"é a escolhida.




Archie Shepp - Naima

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Miles Davis - Nem Um Talvez

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Duas semanas passadas, a revista "Vida Mundial" retoma o 1º Festival de Jazz de Cascais, agora de forma mais alargada. Com a designação "Sondagem ao Festival de Cascais", num artigo assinado por Jorge Lima Barreto, o nº 1696 de 10 de Dezembro de 1971, volta ao festival ocorrido no mês anterior.

Conhecedor, como poucos, do mundo do Jazz, Jorge Lima Barreto foi ultra crítico em relação aos The Giants of Jazz,"reunião absurda de momentos arqueológicos", e rasgados elogios particularmente para Keith Jarrett e Charlie Haden. De Miles Davis disse:
"Figura de primeiro plano, presença carismática, magnética, de erotismo ostensivo, narcisismo doentio, megalomania indomável."







Miles Davis, nessa época, em forma de Septeto (Keith Jarret piano e órgão, Gary Bartz saxofones, Michael Henderson baixo, Leon Chancler bateria, Don Alias e James Foreman percussões), fez questão de ser o primeiro a actuar no dia 20 de Novembro de 1971. O som praticado, era o novo som de fusão criado por Miles Davis e que o tinha levado no ano anterior a tocar no Festival de Wight ao lado dos The Who, The Doors e Jimi Hendrix (por quem tinha particular admiração). Era o som dos álbuns "Bitches Brew" e "Live-Evil" (este último acabado de ser editado - 17 de Novembro) que se faziam ouvir e é deste álbum o tema com que ficamos, "Nem Um Talvez".




Miles Davis - Nem Um Talvez

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

The Giants of Jazz - 'Round Midnight

A revista "Vida Mundial" e a música popular

O ano de 1971 foi particularmente significativo no que diz respeito à música ouvida em Portugal. Na música dita popular teve no surgimento de José Mário Branco e Sérgio Godinho a principal e revolucionária marca, no Pop-Rock realizou-se no Verão o 1º Festival de Vilar de Mouros e a 20, 21 de Novembro o 1º Festival de Jazz de Cascais.

Este último o mais arrojado e importante de todos, a comprová-lo os nomes que por lá passaram, eis alguns: Miles Davis (com Keith Jarrett), Ornette Coleman (com Charlie Haden), Phil Woods, Dexter Gordon, The Giants of Jazz (com Dizzy Gillespie, Thelonious Mounk, Art Blakey) e ainda os nacionais The Bridge.





"Cascais: Dez Horas de "Jazz"", era a súmula que o nº 1694 de 26 de Novembro da revista "Vida Mundial" trazia dos 2 dias do festival que tinha terminado com The Giants of Jazz:
"Quando Art Blakey arremessou as baquetas para o público, após uma hora a "bater" na sua "máquina", o Primeiro Festival de "Jazz" de Cascais chegava ao fim. O "fecho" foi um "diálogo"  entre a trompeta de Gillespie e o sax de Stitt, com 8 mil pessoas a testemunhar, mais uma vez, a imortalidade do "jazz"."

The Giants of Jazz eram constituídos por Dizzy Gillespie no trompete, Sonny Stitt nos saxofones, Kay Winding no trombone, Thelonious Monk no piano, Al McKinbbon no baixo e Art Blakey na bateria, estavam em digressão pela Europa, tendo alguns dos seus concertos ficado registados em disco. Duas semanas ante de actuarem em Cascais, tocaram em Boblingen na Alemanha, onde vamos buscar o conhecido "'Round Midnight" de Thelonious Monk.




The Giants of Jazz - 'Round Midnight

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Objectivo - A Place In The Sky

A revista "Vida Mundial" e a música popular


Depois do Woodstock, em 1969, de Wight, em 1970, Portugal, em 1971, também iria ter à sua maneira, que quer dizer à sua dimensão, o seu festival, foi o Festival de Vilar de Mouros.
Tendo por cabeças de cartaz os então conceituados Manfred Mann e Elton John, respectivamente nos dias 7 e 8 de Agosto e teve a adesão de cerca de "...Uns 15 mil jovens embrulhados por entre um colorido de mantas espalhadas pelo relvado às margens do rio."

Era assim que era referido o festival na revista "Vida Mundial" nº 1679 de 13 de Agosto daquele ano sobre o qual publicava um artigo sob o título de "Os Sons de Vilar de Mouros". Os pormenores: custo de vida, quanto ganhou Elton John, os custos do festival, etc., ficam para quem ler o artigo que aqui se recupera.






Interessa agora saber que tivemos "Nos intervalos, os rapazes portugueses do Objectivo, do Pentágono, do Quarteto 1111, do Chinchilas e outros."

É verdade, em Vilar dos Mouros estiveram presentes a quase totalidade de grupos Pop-Rock portugueses com alguma relevância, acrescente-se o Sindicato (de Jorge Palma e Rão Kyao), Celos, Pop Five Music Incorporated, Psico, Bridge, Contacto e Mini-Pop.

A Vilar dos Mouros havemos de voltar para uma passagem mais prolongada, hoje, a vez para os Objectivo. Quanto actuaram em Vilar dos Mouros tinham um EP e um Single gravados. Recuamos a 1969 para lembrar "A Place In The Sky".




Objectivo - A Place In The Sky

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Bob Dylan - New Morning

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Depois de já ter marcado presença, em Dezembro de 1970, na revista "Vida Mundial", a 13 de Agosto de 1971, Bob Dylan regressa às páginas da revista, desta vez com direito à capa e um extenso artigo de 7 páginas assinado por Fernando Dil.




É sob o título "Bob Dylan: O Profeta" que o nº 1679 da revista "Vida Mundial" sumariza a carreira de Bob Dylan e os seus 11 álbuns de originais.

"Perguntam-me frequentemente se eu penso ser portador de alguma mensagem. Ora, para mim, a palavra "mensagem" não existe e nenhum cantor poderá pretender tal coisa... Um dia reunirei trinta sindicalistas em Town Hall e, então, isso fará um belo espectáculo de mensagens." - Bob Dylan.


Já tudo foi dito sobre Bob Dylan, em particular agora que teve o prémio Nobel da Literatura, interessante lembrar o que em 1971, uma revista como a "Via Mundial" com o selo de "Visado Pela Censura", dizia sobre o "profeta".



"...Bob Dylan é mais poeta do que músico. Pelas notas da sua viola atravessa toda a ironia corrosiva dos seus poemas."
...
"Depois do acidente de moto de 1966, "apresentou-se ao vivo" apenas três vezes. E numa delas, na Ilha de Wight, com uma viola e catorze poemas pôs duzentas mil pessoas em delírio."




"... a partir de Bob Dylan a "pop-music" passou como que a agrupar uma curiosa força ideológica, um novo pensamento"



"a denúncia de alienação da sociedade e o seu grito a chocar-se contra um mundo de betão e aço, impulsionado por sons amalgamados de "blues" negro e de folclore branco, passaram a significar toda a súbita consciência de uma geração de americanos e a simbolizar o voo livre de cada um deles, o seu protesto, a sua canção: "protest songs"."



"Foram sete as canções gravadas; todas tipicamente "folk". E foi daí que ele "nasceu, com uma guitarra simples, uma voz rouca, textos ricos e uma harmónica bucal."



"Naquele Agosto de 69, em Wight, estavam distantes e ausentes Dylan e o seu público."




"... poderemos arriscar dizer que Dylan - Buda da "pop-music" - perde-se hoje por entre os seus milhares de continuadores, no meio do próprio fenómeno de mutação que tentam compreender."


À data da publicação deste nº da "Vida Mundial" o disco mais recente de Bob Dylan era "New Morning" editado no final do ano anterior, dele recuperamos o tema título.




Bob Dylan - New Morning

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Joan Baez - I Live One Day At A Time

A revista "Vida Mundial" e a música popular

A década de 60 tinha terminado e com ela a revolução musical que se operou. Revolução que não foi só musical, também o foi nos usos e costume, sociologicamente as diferenças de 1960 para 1970 são, um pouco por todo o lado, enormes.
Alguns pretendiam ir mais longe, mas a revolução tinha acabado. Woodstock (1969) e Wight (1970) eram irrepetíveis e os diversos festivais que começaram a proliferar um pouco por toda a Europa, França e Alemanha, em particular, não tiveram o mesmo impacto. O sonho terminava e era absorvido pela máquina comercial que sempre atenta não perdeu a oportunidade, até hoje.






Sob o título "«Pop-Music» e Revolução" a revista "Vida Mundial", publicava no nº 1649 de 15 de Janeiro de 1971, um interessante artigo do francês Jean Michel Damian que terminava assim:
"É preciso, também, perguntar-se qual é a parte da música e a do desenvolvimento social nesta evolução. Que importa, na realidade, se Zappa é um irresponsável. Cohen um plutocrata. Dylan um pai de família e Joan Baez dirigente de escuteiros. A sua música mudou qualquer coisa, mais longe e mais profunda do que se imagina muitas vezes em França. Força, é qualquer maneira de verificar que a «Pop Music»é tornada a linguagem comum de toda uma geração para além-fronteiras."

No ano de 1970, Joan Baez edita o álbum "One Day At A Time" era o seu 12º registo e continha 3 canções que tinha interpretado em Woodstock. "I Live One Day at a Time", de Willie Nelson, era uma delas, aqui interpretada com Jeffrey Shurtleff.




Joan Baez - I Live One Day At A Time

sábado, 31 de dezembro de 2016

Louis Armstrong - When It's Sleepy Time Down South

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Louis Armstrong faleceu a 6 de Julho de 1971. A 16 de Julho do mesmo ano, no nº 1675 da revista "Vida Mundial", tinha direito a capa e a desenvolvido artigo (3 páginas) assinado por Fernando Dil.




O Jazz é uma música que não se define e Louis Armstrong sabia-o bem ao dizer que o Jazz "É a maneira como eu acho que se deve tocar uma melodia."









Sob o título "Armstrong: A Linguagem" a "Vida Mundial" dava a conhecer a figura de Louis Armstrong, um virtuoso do trompete, cuja história se confunde com a do próprio Jazz. «Satchmo» (satchel-mouth - boca em forma de saco), como era conhecido, foi um mestre do trompete. A sua paixão pelo trompete era assim relatada:
"Com esse instrumento Louis manteve um duelo carinhoso por toda a vida. «Nenhuma mulher - disse certa vez sua mãe - foi ou será tão importante para ele como a trompeta.»" 

Fernando Dil, parecia não apreciar particularmente, a fase final de Louis Armstrong que chegou a interpretar e gravar versões de canções de, por exemplo, The Beatles, "...Em Armstrong ficam melhores as imagens das docas de Nova Orleães, a lembrança de um grande lenço branco na mão esquerda, a enxugar o suor do rosto largo; os seus gemidos sensuais e nostálgicos, a boca eternamente húmida, o seu sorriso empolgante e livre, a beleza da sua rude cultura e as quatro primeiras notas, lentas, de «Sleepy Time Down South»."

Miles Davis dele disse: "A partir do momento em que se sopra para um instrumento, sabemos que não se lhe pode tirar som nenhum que Louis não tenha já tirado" (em "Os Grandes Criadores de Jazz).

Com uma versão de 1941 recordamos "When It's Sleepy Time Down South".




Louis Armstrong - When It's Sleepy Time Down South

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Miles Davis - Sanctuary

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Jorge Lima Barreto (1949-2011) foi um musicólogo e músico de Jazz, cuja carreira se iniciou nos anos 70 na Anarband com Rui Reininho (futuro GNR) e mais tarde, já nos anos 80, e com mais destaque, no Telectu com a companhia de Vitor Rua (ex-GNR). 
Escreveu para tudo quanto era revista ou jornal de divulgação musical. De escrita difícil - musicalmente também - assina um artigo no nº 1658 de 19 de Março de 1971 da revista "Vida Mundial" intitulado "O "Jazz". O Som e a Palavra" onde começa por considerar ultrapassada a definição de Jazz de André Clergeat (1927-2016 - fundador do Hot Club da Universidade de Paris) que diz só se aplicar ao Jazz "clássico".






Desenvolve, de seguida, a sua opinião (leia-se o artigo) ao considerar que o Jazz se podia desenvolver em seis correntes principais.
Entre os músicos referidos está o nome de Miles Davis, segundo Jorge Lima Barreto, inserido na segunda corrente, o Jazz com a influência da música Pop, "Este Jazz-Pop é a melhor música de consumo de momento".

Miles Davis que no final dos anos 60 se aproxima e é influenciado por músicos do Pop-Rock, edita em 1970 o duplo-álbum "Bitches Brew" que ficou uma referência fundamental na música de fusão.




Miles Davis - Sanctuary

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Bob Dylan - If Not For You

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Mais um nº da revista "Vida Mundial" onde a música popular marcava presença. Estamos no final do ano de 1970, precisamente no nº 1646 de 25 de Dezembro, onde é publicado um artigo sobre Bob Dylan. Sob o título "O Fenómeno "Pop" e Bob Dylan" pode-se ler que há um novo disco na forja onde participam Al Kooper e o ex-Beatle George Harrison e que após a desaparição dos The Beatles "... fica, com 29 anos, o único mito do mundo «pop», um buda indiferente a tudo o que se possa dizer dele, fugindo ao sagrado jogo das etiquetas, solitário, taciturno, extravagante, seguindo o seu caminho, numa viagem ao fundo das coisas, ao fundo de si mesmo. Com um orgulho distante. Em voo livre."







O disco novo que é referido trata-se de "New Morning" entretanto já editado. Quanto à colaboração de George Harrison, ela limitou-se a "If Not For You", o maior êxito comercial do disco, numa versão que acabou por não ser incluída no álbum. Aliás "If Not For You", original de Bob Dylan, foi primeiramente editada no triplo LP "All Things Must Pass" de George Harrison, alguns meses antes. "If Not For You" foi ainda um grande êxito, em 1971, na versão da cantora Olivia Newton-John.

Ficamos com Bob Dylan e "If Not For You".




Bob Dylan - If Not For You

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Wallace Collection - Memorabilia

O sucesso "Daydream" dos Wallace Collection foi, em Portugal, editado em EP de 7", pela Valentim de Carvalho com a etiqueta LMEP 1360 e continha as seguintes faixas:

A - Daydream
B1 - Baby I Don't Mind
B2 - Fly Me To The Earth

Segue a capa do meu exemplar:




Wallace Collection - Day Dream

A revista "Vida Mundial" e a música popular


Wallace Collection foi um grupo belga que teve um super-êxito com a canção "Daydream" decorria o ano de 1969.
Em 1970, os Wallace Collection estiveram em Portugal, actuaram no Coliseu do Porto a 21 de Março, mas primeiro estiveram em Lisboa. De acordo como sítio http://www.ondapop.pt/:
" A 17 de Março de 1970 voam de Orly para Lisboa. São recebidos como verdadeiras estrelas de Rock por muitos fãs e seguem directamente para os estúdios da Televisão (RTP). No dia seguinte entrevistas nas Rádios. Tudo está bem orquestrado. O público português recebia os criadores de "Daydream". Um dos primeiros grupos que a ditadura de Marcelo permite. No Monumental dia 19 a sala esgotada e a multidão em histeria. Tanto a chegada ao Teatro como a saída foram difíceis porque a multidão queria autógrafos e mesmo a polícia teve dificuldade para controlar os fãs. No final do espectáculos e perante os aplausos que não terminavam, o jovem Denis chegou-se ao microfone e solou um "Blue" na harmónica que fez as delícias de todos. Só depois de duas horas nos camarins a polícia garantiu segurança para saírem do Teatro. Acabaram a noite num "party" de gente muito "chique". O concerto do dia seguinte foi semelhante."







Recordo-me de ver os Wallace Collection na RTP, tendo o nº 1622 de 10 de Julho da revista "Vida Mundial", na secção "Actualidade «V. M.»", na rubrica "TV", se lhes referido assim:
«Wallace Collection» mantém-se dentro da linha dignificante, no âmbito de uma música «pop» a todos os títulos «sui generis», e que serve de paradigma como honestidade de processos e como inquietação criadora num campo intencionalmente ligeirista. Sabendo-se por conseguinte, as coordenadas em que semelhante música se insere, mais difíceis se tomam os esforços para a obtenção da qualidade, qualidade essa que surge revestida de uma carapaça tendente a seduzir o chamado grande público. Em nosso entender, o mérito maior de «Wallace Collection» reside na procura do sério, do estruturado, do qualitativo, através do ligeiro..."

O mesmo artigo referia-se ainda à passagem de Jorge Ben pelo mesmo programa o "Tele-Ritmo" e a dos Up With People no "Curto Circuito". Quem se lembra?




Wallace Collection - Day Dream

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

The Beatles - The Long and Winding Road

A revista "Vida Mundial" e a música popular

A 10 de Abril de 1970 Paul McCartney anunciou a saída dos The Beatles, era o já esperado fim do grupo.
A 27 de Maio o nº 1616 da revista "Vida Mundial" trazia um artigo de Philippe Koechlin exclusivo para a a revista e para o "Le Nouvel Observateur" que, sob o título "Desintegração", fazia um breve resumo da carreira dos The Beatles. Arriscava-se um futuro menos interessante - e acertado, dizemos hoje - em relação a cada um dos elementos do grupo ao afirmar:
"Ora os Beatles, cada um por seu lado, arriscam-se a ver as suas qualidades banalizarem-se, enquanto, em conjunto, elas se expandiam, granjeando-lhes um sucesso extraordinário."








Ainda no ano de 1970 cada um dos The Beatles edita o seu disco a solo:
Ringo Starr fica-se pelo sofrível "Sentimental Journey". Data de edição - 27 de Março
Paul McCartney desilude com "McCartney". Data de edição - 17 de Abril
John Lennon entusiasma com "John Lennon/Plastic Ono Band". Data de edição - 11 de Dezembro
George Harrison surpreende com "All Things Must Pass". Data de edição - 27 de Novembro

A este discos havemos um dia de chegar. Para hoje ainda The Beatles e o último registo publicado, o álbum "Let It Be" a 8 de Maio.

"Let It Be" foi o 12º e último álbum de originais e representava um abandonar da complexidade dos álbuns anteriores.
Deste álbum sobressaia, para além do tema título, o muito bonito e melancólico "The Long and Winding Road" que seria, em Single, o último nº 1 dos The Beatles.




The Beatles - The Long and Winding Road

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Janis Joplin - Summertime

A revista "Vida Mundial" e a música popular


Janis Joplin faleceu em 4 de Outubro de 1970 com apenas 27 anos (uma semana depois de Jimi Hendrix, também com 27 anos).
Poucos meses antes, a 15 de Maio, a revista "Vida Mundial" nº 1614 publicava um pequeno artigo intitulado "A explosiva Janis Joplin", a legenda da fotografia dizia somente "JOPLIN - Um furacão".

Janis Joplin tinha sido dada a conhecer no Festival de Monterey, em 1967, e rapidamente teve o reconhecimento que a consagrou como "a mais negra das cantoras brancas". A crítica norte-americana recebeu-a bem e dizia: "Ela está a tomar de assalto o mundo dos músicos negros do Sul dos Estados Unidos" e BB King afirmava: "Janis Joplin tem a garra de uma negra".




Entre digressões, que incluíram uma tournée pela Europa, Janis Joplin gravou 2 LP com o grupo Big Brother & The Holding Company, respectivamente "Big Brother & The Holding Company" e "Cheap Thrills", a solo deixou ainda mais 2 LP "Kozmic Blues" e "Pearl", este último editado postumamente.

"O seu disco «Cheap Thrills» atingiu uma venda de 1 milhão de exemplares em menos de 3 meses" lê-se no artigo da "Vida Mundial" e nele constava o tema escolhido para hoje, o clássico "Summertime" na voz incrível de Janis Joplin.



Janis Joplin - Summertime

domingo, 25 de dezembro de 2016

Carlos do Carmo - Fica Comigo Saudade

A revista "Vida Mundial" e a música popular

Já recuperámos textos de Jazz, música popular brasileira, francesa, espanhola e portuguesa publicados pela revista "Vida Mundial". Hoje mais um artigo relativo à música que por cá se fazia, em particular o Fado. Sob o título "Carlos do Carmo: ruptura de um quadro", o nº 1594 de 26 de Dezembro de 1969 da revista "Vida Mundial", divulgava a figura de Carlos do Carmo como a esperança maior na renovação do Fado.

"Talvez esteja em Carlos do Carmo o primeiro passo para a difícil renovação do Fado." começava assim o dito artigo. Sem nunca fazer referência a qualquer disco de Carlos do Carmo, remete para as actuações no restaurante O Faia, e dá-nos a conhecer algumas das características, o estilo, o espectáculo, a música, na renovação do Fado que Carlos do Carmo então começava a operar.




Com gravações desde 1963 em diversos Singles e EP, em 1969 são editados os primeiros dois LP, "O Fado de Carlos do Carmo" e "O Fado em Duas Gerações", este último a meias com a sua mãe Lucília do Carmo.

Deste último álbum recorda-se a faixa inicial, "Fica Comigo Saudade".



Carlos do Carmo - Fica Comigo Saudade

sábado, 24 de dezembro de 2016

Duke Ellington - Satin Doll

A revista "Vida Mundial" e a música popular

De pianista de Ragtime, aos 17 anos, a chefe de Orquestra foram somente 8 anos. Depois foram 50 anos em que o génio de Duke Ellington compôs mais de um milhar de temas e o tornaram no maior compositor da história do Jazz.

Em 1969, quando a revista "Vida Mundial" publicou, no seu nº 1592 a 12 de Dezembro de 1969, um artigo sobre ele, Duke Ellington tinha 70 anos e andava em tournée pela Europa. Nesse artigo dizia-se:
"O importante em Duke Ellington é a renovação permanente do seu trabalho, sem perder de vista a origem negra da sua mensagem, pois, segundo ele diz, «a minha música é o canto vivo da minha raça e eu não sou mais do que um embaixador do seu povo»."






Na renovação permanente da sua música teve um percurso que passou pelo Ragtime, Jungle, Mood, Swing, Suites, Sacred Music, ou melhor dizendo simplesmente Jazz, eis então o grande Duke Ellington aqui lembrado neste Regresso ao Passado pela primeira vez.

Miles Davis disse:
"Penso que todos os músicos de jazz deveriam reunir-se num certo dia do ano e ajoelhar-se juntos para prestar homenagem a Duke" (em "Os Grandes Criadores de Jazz").

Celebremos Duke Ellington! Do álbum "70th Birthday Concert" gravado ao vivo em Inglaterra em Novembro de 1969 e editado no ano seguinte vamos buscar o belo tema "Satin Doll".



Duke Ellington - Satin Doll

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Georges Brassens - La Mauvaise Réputation

A revista "Vida Mundial" e a música popular

"«As pessoas sensatas não gostam que os outros sigam um caminho diferente do seu» (Georges Brassens, em «A Má Reputação»).
— Tenho uma voz desgraçada, não faço nada em cena, a minha música é sempre idêntica, não falo senão de canalhas, de morte, de prostitutas e mesmo assim, isto já dura há 17 anos!
Corre tudo tão bem que, desde 1952, Brassens vendeu qualquer coisa como dezasseis milhões de discos de 45 rotações, dos quais cerca de dois milhões de 30 cm., ou seja, muito mais do que qualquer outro cançonetista francês. As letras, publicadas na colecção «Poetas de hoje» da edição Seghers, chamaram a atenção de 300 mil leitores, e em 1967 foi-lhe atribuído o prémio de poesia da Academia Francesa. 
No entanto, em 1952, as discotecas tinham recambiado o seu primeiro disco com a indicação «invendável, obsceno», e a rádio nacional tinha-o proibido. Era vulgar ouvir-se dizer: «Tudo o que ele diz é absurdo, ou, então, obsceno. É um desafio ao bom gosto.» Ele desafiava, sim, mas outras coisas bem mais importantes do que a razão ou as boas maneiras. Brassens desmitificava, desintoxicava. Era, e é ainda, inimigo duma sociedade inimiga do homem. Restituiu ao público o gosto pela poesia, pois o público encontra nos versos de Brassens coisas que compreende e lhe dizem respeito. Não é exagero dizer-se que, devido à sua imensa popularidade, Brassens contribuiu mais do que qualquer outro para o rejuvenescimento das ideias. O seu sucesso teve o carácter dum fenómeno social. Conseguir manter-se em cena no Bobino durante três meses é um acontecimento social."

Começava assim o artigo intitulado "Georges Brassens: Luta Contra uma Sociedade Inimiga do Homem", um exclusivo para a "Vida Mundial" da revista francesa "Rock & Folk", publicado no nº 1591 de 5 de Dezembro de 1969.

São 3 páginas que o artigo ocupa, ao longo do qual se relata a vida de Georges Brassens intermediada por declarações do próprio.








Georges Brassens (1921-1981) foi um cantautor francês que se notabilizou nos anos 50 e 60, ainda nos anos 40 escreve os primeiros poemas e adere à causa anarquista. Diz o próprio:
"Penso que já tinha a anarquia dentro de mim aos 10 anos. O que é certo é que já estava predestinado para ela. A sua filosofia e o seu comportamento perante a vida convinham-me. Foi por isso que me juntei a eles. Ainda hoje procuro a companhia dos meus amigos anarquistas. Há uma coisa que me impressionou e me seduziu neles: o medo de se enganarem. Os anarquistas são os seres mais escrupulosos que conheço."

Em 1952 grava o primeiro álbum que ficou conhecido pelo nome da primeira canção, "La Mauvaise Réputation". Mais tarde um tema interpretado por outros cantores dos quais saliento Paco Ibáñez e Luís Cília.



Georges Brassens - La Mauvaise Réputation

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Caetano Veloso - Alegria, Alegria

A revista "Vida Mundial" e a música popular


Vamos para o nº 1588 da revista "Vida Mundial" editada a 14 de Novembro de 1969. O artigo que agora destacamos aparece nas páginas finais na secção "Actualidades «V. M.»", na parte dedicada à "Música" e intitulava-se "Tropicalismo - forma alegre de dizer não".

Tropicalismo foi um movimento artístico, fundamentalmente musical surgido nos anos 60 no Brasil, então debaixo de um regime militar ditatorial. Esteticamente atrevido, misturava a música tradicional brasileira com o Pop-Rock internacional então em expansão.

"Não pode ser negada a influência do tropicalismo no Brasil, nos vários ângulos da vida nacional, incidindo desde interesses económicos, na indústria de tecidos, artigos domésticos, nos vários sectores da criação publicitária (no mesmo padrão da influência internacional dos Beatles), até ao campo das artes plásticas, do próprio teatro e até mesmo da poesia." afirmava-se no citado artigo.

Entre os mais destacados do tropicalismo encontravam-se Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Os Mutantes, foram os que obtiveram maior sucesso.


 


Ainda do mesmo artigo:
"Foi ao lado de Capinam, Torquato Neo e Gilberto Gil, que Caetano Veloso deu o primeiro passo com «Ale­gria, Alegria», verdadeira retratação de uma irresponsabilidade contestatória, ponto de partida para toda a polémica, interpretações e «nascimento» de um movimento não esquematizado."

"Alegria, Alegria" é uma canção composta e interpretada por Caetano Veloso e fazia parte do seu primeiro álbum a solo editado em 1968, ainda em 1967 tinha sido editada em Single, era o início do movimento tropicalista.


Caetano Veloso - Alegria, Alegria

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

José Afonso - Natal dos Simples

A revista "Vida Mundial" e a música popular


Num número em que a "Vida Mundial" tinha como capa Jannis Xenakis sob o tema de "Música de Vanguarda" e a quem dedicava um artigo de 6 páginas, espaço ainda para uma pequena caixa onde se destacava o último álbum de José Afonso.

Estávamos a 11 de Abril de 1969, era o nº 1557 da revista e José Afonso tinha editado em Dezembro do ano anterior o seu 2º LP de nome "Cantares do Andarilho".

José Afonso (1929-1987) era à época um nome ainda relativamente pouco conhecido do público português. Isto apesar do 1º álbum de 1964 e de mais 4 EP já editados. Era claramente mais conhecido entre a juventude e particularmente no meio estudantil universitário. O pequeno texto da "Vida Mundial" assim o testemunhava:
"Zeca Afonso, o dr. José Afonso, é um dos nomes grandes no panorama da canção portuguesa, apesar de ainda, e infelizmente, desconhecido do grande público."





O artigo transcrevia ainda as notas da contra-capa escritas por Urbano Tavares Rodrigues e que já tivemos oportunidade de divulgar em Regresso ao Passado anterior.

Recordamos mais um tema de "Cantares do Andarilho", em período natalício a escolha vai para "Natal dos Simples".



José Afonso - Natal dos Simples

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Elvin Jones - Reza

A revista "Vida Mundial" e a música popular

A "Vida Mundial", enquanto revista. existiu entre os anos de 1967 e 1979 (teve início em 1939 no formato de jornal). A revista, de edição semanal, era presença em casa dos meus pais, tendo sobrevivido bastantes nºs de 1967 a 1973 os quais ainda guardo. Pese a censura, a "Vida Mundial" constituiu uma lufada de ar fresco na imprensa de então tratando sobretudo de assuntos de política nacional e internacional. Também a cultura tinha presença garantida.

Já foram diversas as referências que fizemos a alguns nºs da "Vida Mundial" onde, de alguma forma, se fazia referência à música popular que então transbordava fronteiras e era ouvida um pouco por todo o lado.

Altura para, de uma forma um pouco mais completa, recordarmos textos que também me ajudaram a tomar contacto com algumas propostas então divulgadas, do Rock ao Jazz, à música popular portuguesa.

Começamos pelo nº 1503 de 29 de Março de 1968 e um artigo de Jazz sobre Elvin Jones intitulado "Uma Bateria Diferente".




Elvin Jones (1927-2004) foi um baterista de Jazz, "indiscutivelmente o maior baterista dos anos 60" citando o artigo.
É efectivamente na década de 60 que Elvin Jones se vai dar a conhecer a um público maior, nomeadamente na passagem pelo famoso quarteto de John Coltrane entre 1960 e 1966.
Conforme o texto, Elvin Jones refere-se àquele período de colaboração e aprendizagem com John Coltrane: "Tenho a noção nítida do que uma criança sentiria se tivesse férias ilimitadas na escola."

É em formato de trio que Elvin Jones grava em 1968 o álbum "Puttin' It Together", referindo-se este artigo ao trio da seguinte forma:
"Jones parece ter encontrado um máximo de efeitos mágicos num trio. Joe Farrel, saxofone-tenor, ágil e vibrante, tem uma estranha maneira de se embrenhar na essência das melodias; e o contrabaixo Jimmy Garrison, ataca as cordas de forma requintada, com interrupções duplas e triplas, ou fá-las cantar, com a clareza e a maviosidade duma guitarra espanhola. Todos três executam as suas complexas improvisações no mais elevado estilo."

A este álbum vamos buscar o tema "Reza", um belíssima canção da Bossa Nova, original de Edu Lobo.



Elvin Jones - Reza

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Rodriguez - Sugar Man

Passou, por cá, quase despercebida a exibição, em 2013, do filme/documentário “Searching for the Sugar Man”. É um belo documentário, uma história incrível e comovente sobre o músico folk americano Sixto Rodriguez.

Rodriguez, filho de emigrantes mexicanos, gravou 2 álbuns “Cold Fact” e “Coming from Reality”, respectivamente em 1970 e 71. O sucesso nos Estados Unidos foi nulo, mas, não se sabendo exactamente como, as gravações foram parar à África do Sul tendo-se transformado em objecto de culto com enorme sucesso e influência no meio branco na luta anti-apartheid. Diz-se no documentário com vendas superiores a meio-milhão de discos.

Rodriguez, trabalhador na construção civil em Detroit, desconhecia por completo o culto de que era objecto na África do Sul (e Austrália também); na África do Sul desconhecia-se por completo o que tinha acontecido a Rodriguez correndo a lenda que se teria suicidado durante um concerto.

 Em 1997 a filha mais velha de Rodriguez descobre, pela internet, o sucesso do pai na África do Sul (diz-se igual à de Bob Dylan e superior a Elvis Presley) e da busca, por alguns fãs sul-africanos, do rasto de Sixto Rodriguez.





Várias tounées pela África do Sul, o documentário e o reconhecimento nos Estados Unidos e um pouco por todo o lado, assim se resume o resto da história de Rodriguez. Para conhecer um pouco melhor segue em anexo a canção “Sugar Man”, tema de abertura do primeiro álbum “Cold Fact” de 1970 e que só depois da sua redescoberta tivemos o prazer de conhecer.



Rodriguez - Sugar Man

domingo, 18 de dezembro de 2016

The Nice - Hang on to a dream

The Nice foi a designação de um dos melhores grupos dos anos 60 e um dos primeiros a desenvolver um estilo que mais tarde se designaria por Rock Progressivo.

Do quarteto destacar-se-ia no piano, pela sua formação clássica, Keith Emerson (mais conhecido nos futuramente famosos Emerson, Lake & Palmer). No curto período de duração do grupo (1967 a 1970) gravaram 4 álbuns repletos de influências Clássicas (Leonard Bernstein, Sibelius, Bach, Rachmaninoff, Tchaikovsky) e de Jazz (Dave Brubeck, Charles Lloyd) também.

A selecção para hoje vai, no entanto, para algo distante destas influências, vai para a versão de um tema de Tim Hardin, esse “Folk Singer”, ignorado e esquecido e prematuramente desaparecido.Trata-se da belíssima canção “Hang On To A Dream” por ele composta em 1966.
A versão original pode ser lembrada no seguinte vídeo do YouTube.




Tendo o original passado quase despercebido, foram  The Nice a dar-lhe alguma notoriedade, existindo pelos menos 2 versões. Uma primeira do 3º álbum de nome “Nice” de 1969 gravada em estúdio e uma outra ao vivo no “Fillmore East” no álbum póstumo “Elegy” de 1971 com quase 13 minutos e complexidade acrescida. Em virtude da duração fica a escolha na gravação de estúdio.

Da simplicidade do original de Tim Hardin, para a complexidade e virtuosismo de Keith Emerson e restantes The Nice.



The Nice - Hang on to a dream

sábado, 17 de dezembro de 2016

The Rolling Stones - Love In Vain

Mais uma passagem para os sempre bem vindos The Rolling Stones.
Esclareçamos, The Rolling Stones nunca estiveram no topo das nossas preferências. E cada vez menos, ou melhor, o nosso interesse é inversamente proporcional à sua longevidade. Longevidade essa, que se por um lado é de admirar, por outro é de desconfiar. Vamos lá ver, há quantos anos (décadas?) é que não fazem um álbum a colocar entre os melhores? Não serei tão radical quanto um artigo surgido em 1972 no jornal “a memória do elefante” que punha de rastos The Rolling Stones pós “Beggar’s Banquet” (1968) parodiando num dos títulos:
 “Rolling Stones: ritmo «porreiro», voz «bestial» e depois aquele som todo pá um gajo não resiste percebes!”
 e assim os descrevia:
 “DEFINIÇÃO ACTUAL – Stones: a podridão hipócrita de um condicionalismo acústico de feira, chinfrim paranóico que afinal não passa de uma nova forma de marcha bélica, desportiva, musicata de romaria, etc., destinada (pois esta expressão «musical» tem um OBJECTIVO!) a polarizar o psiquismo de massas incultas (ou anti-cultas).”

 ou ainda,
 “Caro leitor: se julga que «Wild Horses» é a suprema beleza experimente Cohen; se quer à força música para dar saltos de raiva existencial, ouça os Doors. Com os Stones perde (pelo menos!) tempo. E tem muita sorte de não perder ainda outras coisas mais importantes. Stones: para escatófagos.”




Concedemos-lhes, no entanto, o benefício da dúvida até, pelo menos, 1971 e o álbum “Sticky Fingers” (precisamente o de “Wild Horses”, ui! e a magnífica capa de Andy Warhol). A escolha de hoje vai para “Love in Vain”, de 1969, claramente dentro da janela de validade dos The Rolling Stones.
“Love in Vain” pertencia ao muito bom álbum “Let It Bleed” com que The Rolling Stones fechavam a década, uma década que não repetiriam.



Rolling Stones - Love In Vain

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Tim Buckley - Phantasmagoria in Two

Por vezes é assim, aparecem músicos completamente únicos e impossíveis de catalogar.

A wikipédia na dificuldade de classificar Tim Buckley, atribui-lhe os seguintes géneros: Folk, Rock Experimental, Jazz Rock, Funk, Rythm & Blues, Soul Music.
Por nós, dada a sua singularidade, está acima de qualquer classificação, era somente um construtor de canções único.
Compositor de rara qualidade, possuidor de uma voz ímpar, foi, ao longo de cerca de 10 anos (1966-1975), um “avant-garde” pouco conhecido. Faleceu prematuramente de overdose em 1975 com apenas 28 anos.

 Em 1967 Tim Buckley toca no clube “The Folklore Center” perante cerca 35 pessoas. O dono pede-lhe autorização para gravar o concerto. Nem um microfone presente, voz e viola directos para a fita, a única produção foi carregar no botão “Rec”. Em 2009 apareceu em CD “Tim Buckley - Live At The Folklore Center, NYC-March 6, 1967”, para os puristas do som será para esquecer, para os amantes de Tim Buckley uma oportunidade única de fechar os olhos e ouvir durante mais de uma hora o melhor de Tim Buckley, então com 21 anos, sem qualquer produção de estúdio. “I never asked to be your mountain”, “Phantasmagoria in two”, “Dolphins”, ”No man can find the war” ou “Carnival Song” só mais tarde gravadas em estúdio podem ser já aqui ouvidas em todo o seu fulgor.

Primeiro a versão de estúdio de “Phantasmagoria in two”.


 


Agora “Phantasmagoria in two” no “Folklore Center” e como diz um comentário no YouTube, “A ecouter seul en forêt, les yeux fermés, l'esprit envahi par les senteurs du printemps! Ô Délire.“. Uma pequena maravilha!



Tim Buckley - Phantasmagoria in Two

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

CCR - Down on the Corner

Para os mais novos o nome John Fogerty, provavelmente, pouco dirá e a sigla CCR também não. Para os mais velhos, se a memória não atraiçoar, CCR remeterá para o grupo Creedence Clearwater Revival e John Fogerty o seu líder.

Todo o mundo sintonizado resta perguntar, quem não se lembra de “Have You Ever Seen the Rain?”, “Who’ll Stop the Rain”, ou as anteriores “Proud Mary”, “Green River”, “Bad Moon Rising”? Estas são algumas das mais conhecidas canções que os CCR gravaram em 6 álbuns entre 1968 e 1970 e que nunca mais saíram da memória. Rock simples, forte, “riffs” de ficarem no ouvido, simplesmente eficaz. Ou seja, estilo muito directo e de fácil assimilação. Por isso a revista “Rolling Stones” afirmava na época:
“São o limite máximo admissível na comercialidade musical”. Ok!

John Fogerty era o elemento principal da banda a quem se deve a maioria das composições que nos ficaram na lembrança. De um concerto gravado em 2005, John Fogerty então com 60 anos, em plena forma, aqui fica, de 1969, para que ninguém fique indiferente, o muito conhecido “Down on the Corner” (a mesma energia passados quase 40 anos!). Diga-se que, em 2016, continua activo e recomenda-se.




 “Down on the Corner” aparece a abrir o 4º álbum da banda de nome “Willy and the Poor Boys” e é com o original que, por agora, ficamos.



CCR - Down on the Corner

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Ten Years After - Love Like A Man

Alvin Lee (1944-2013) foi um virtuoso guitarrista que liderou a banda de Blues-Rock Ten Years After, particularmente produtiva no final dos nos 60, início dos anos 70, do século passado.

A segunda metade dos anos 60 foi profícua no surgimento de grupos de Rock, tendo muitos deles, na sua génese, forte influência dos Blues. Os Ten Years After foram um deles.
Apesar de se terem formado em 1967, em Portugal só viriam a ter algum reconhecimento já na década de 70 com álbuns como: "A Space in Time", "Rock & Roll Music to the World" e ainda "Positive Vibrations". No entanto a sua fase mais interessante reside na década anterior onde a presença e fusão com os Blues era mais nítida.
O primeiro contacto que tive com a banda foi com o excelente álbum "Ssssh" de 1969. Em 1970, publicam ainda um interessante e popular álbum de nome "Cricklewood Green" onde se destacava o tema "Love Like a Man". O tema, de composição muito simples, tinha um riff poderoso e acessível de trautear, associado a uma letra igualmente simples e de fácil memorização, "Love like a man, love all you can …".

No liceu, aos mais interessados por estas músicas, o tema não passou despercebido, e felizes, imitávamos e cantarolávamos, o refrão do guitarrista Alvin Lee. Na primeira deslocação ao Porto em vão procurei este disco, para minha infelicidade nenhuma discoteca conhecia os Ten Years After e o seu “Love Like a Man” (devo ter procurado demasiado cedo pois "Love Like a Man" foi cá editado em Single). E a baixa do Porto tinha, que eu me lembre, pelo menos 8 discotecas, a Valentim de Carvalho, a Santo António, a Melodia, a Casa Figueiredo, a Electro-Visão, etc.

Alvin Lee, talvez o guitarrista mais virtuoso a seguir a Jimi Hendrix, era então considerado o mais rápido guitarrista e, com os seus Ten Years After, teria o seu ponto alto em 1969 no festival de Woodstock.
Não passados 10 anos, mas sim 25 (em 1983),  “Love Like a Man” como se ainda estivéssemos nos anos 60.


 


Segue a versão original de estúdio. É bom recordar “Love Like a Man”…



Ten Years After - Love Like A Man