sábado, 9 de janeiro de 2021

Matthews Southern Comfort - Feed It

  Algumas memórias de 2020

Americana é um género musical resultante da amálgama do Folk, Country, Blues e Rock americanos.

Johnny Cash, John Prine, Gram Parsons, Loretta Lynn, Judy Collins, Neil Young, Willie Nelson, Lucinda Williams, Joan Baez, John Fogerty, Bonnie Raitt, Emmylou Harris são alguns nomes mais conhecidos que podemos associar à música dita Americana. Também deste lado do Atlântico nomes há que de alguma forma podemos referenciar àquele género musical, Ian Matthews é um deles.

Ian Matthews, recorde-se, fez parte dos Fairport Convention gravando com eles os 3 primeiros álbuns. Em 1969 abandona o grupo, inicia carreira solo e não só, forma os Matthews Southern Comfort e de seguida os Plainsong, em 1973 inicia nova carreira nos Estados Unidos. Em 2000 regressa à Europa, Holanda concretamente, e com novos músicos recupera o nome Matthews Southern Comfort.


https://www.discogs.com/


É de 2020 o registo mais recente do grupo denominado "The New Mine" onde Ian Matthews continua a revelar dotes significativos na construção de belas canções assim como um excelente intérprete pese a voz já revelar o fardo da idade. Mais um disco agradável que o ano transato nos deixou, gravado na Holanda mas a soar a Americana, não estivesse Ian Matthews 27 anos nos Estados Unidos, e onde Joni Mitchell não foi esquecida ("Ethiopia"), mais um conjunto de canções que por vezes nos transportam para os sons dos iniciais Matthews Southern Comfort. "Feed It" é a minha escolha.



Matthews Southern Comfort - Feed It

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Fairport Convention - Shuffle and Go

 Algumas memórias de 2020

Simon Nicol, Dave Pegg, Chris Leslie, Ric Sanders e Gerry Conway constituem a actual formação dos Fairport Convention que mantêm em 2020 uma legião de fãs na qual me incluo, não tanto pela produção actual, mas por toda a carga que transportam após 53 anos de existência (embora só Simon Nicol sobreviva da primeira formação).

Referência obrigatória do melhor Folk-Rock praticado nas Ilhas Britânicas os Fairport Convention editaram em 2020 o 29º álbum de estúdio sob a designação de "Shuffle and Go".


https://en.wikipedia.org/


"Shuffle and Go", editado no início do ano passado, é surpreendentemente agradável de se ouvir revelando uma frescura que tem mantido os Fairport Convention como uma verdadeira instituição do Folk-Rock britânico. No entanto, há quase sempre um "no entanto", estão longe dos inesquecíveis trabalhos que assinaram nos anos 60 e 70, eram outros tempos e os protagonistas também.

Comparativamente, preferi "Est'd 1969" editado meses antes, ainda em 2019, pelos arqui-concorrentes Steeleye Span.

Chris Leslie, no grupo desde 1997, tem vindo a afirmar-se como um dos principais compositores do grupo assinando 5 das 13 canções do álbum, é dele a faixa título "Shuffle and Go" que fica para audição.

A maldita pandemia não permitiu a realização do tradicional festival Fairport's Cropredy Convention, para o qual já tinha os bilhetes, em Agosto passado e onde para além dos próprios Fairport Convention que tocariam o álbum "Full House" (1970) na íntegra, actuariam Richard Thompson e Ian Matthews com  a sua formação Matthews Southern Comfort. O Line-up passou na totalidade para 2021, será que se vai realizar?



Fairport Convention - Shuffle and Go

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

James Taylor - The Nearness Of You

   Algumas memórias de 2020


A década de 70 foi a mais produtiva de James Taylor, foi naqueles anos que gravou canções como "Sweet Baby James", "Country Road", "Fire and Rain", "You've Got a Friend", "You Can Close Your Eyes" e "Don't Let Me Be Lonely Tonight". Canções que facilmente ficarão a fazer parte do cancioneiro norte-americano e que ficaram no imaginário da juventude que viveu aqueles tempos.

Sempre gostei de James Taylor, das suas canções e interpretações tão suaves e doces, às quais retorno sempre com satisfação. Entretanto diminuíram os discos que foi gravando mas é sempre com curiosidade que procuro ouvir os seus novos álbuns. Em 2020 editou o seu 20º trabalho de estúdio denominado "American Standard" onde revisita o cancioneiro mais antigo, concretamente 14 canções datadas entre 1924 e 1961.


https://en.wikipedia.org/


Se muitas vezes não vejo com bons olhos álbuns de versões de standards, como que um refúgio que alguns artistas efectuam nas suas já longas, por vezes estafadas carreiras em que a inspiração já se desvaneceu, em James Taylor é uma satisfação. A voz extraordinariamente acolhedora e confortante que James Taylor ainda apresenta assenta muito bem na recuperação destes "american standart". É assim uma das boas novidades de 2020 este retorno de James Taylor 5 anos depois de "Before This World". Como exemplo segue "The Nearness Of You", uma canção de 1939 então interpretada por Glen Miller & his Orchestra com Ray Eberle na voz.



James Taylor - The Nearness Of You

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Neil Young - Star Of Bethlehem

   Algumas memórias de 2020


Neil Young tem tido uma regularidade nas minhas memórias não só de anos mais distantes como dos mais recentes o que revela a importância que ele tem tido nas minhas preferências musicais. É verdade que os seus discos mais significativos se ficaram pelas décadas 70, 80 e 90, mas mesmo assim há alguns trabalhos posteriores que denotam uma energia e criatividade invejável mesmo para gerações mais novas.

50 álbuns de estúdio, 8 ao vivo e um sem número de discos recuperados dos Neil Young Archives (NYA) com destaque para os álbuns sob a designação Performance Series (PS) e Special Release Series (SRS) são o legado de um proeminente artista que me tem acompanhado ao longo da minha vida. É certo que os discos de originais mais recentes não encantam mas mesmo assim não resisto a "The Monsanto Years" (2015)  e a temas como "Driftin' Back" (2012), "Who's Gonna Stand Up" (2014), "Children of Destiny" (2017) ou ainda mais recente "Milky Way" (2019).

Mas o melhor tem sido a edição de álbuns retirados dos seus famosos arquivos (NYA) que têm saído com uma frequência impressionante. Vejamos então as edições do ano 2020:

- "Homegrown" (SRS 02)


Edição europeia em CD com a ref: 93624898672



"Homegrown" é um álbum gravado em 1974/75 e que não chegou então a ser publicado. Em detrimento deste foi editado "Tonight's the Night" que já aguardava a sua vez deste 1973. Sem dúvida que a escolha foi bem feita pois ao ouvir-se agora "Homegrown" dá-nos, por vezes, a sensação de estarmos na presença de demos que mereciam ter tido outro desenvolvimento, para não falar da escusada "Florida". "Love Is a Rose" é uma versão da conhecida "Dance, Dance, Dance", "Homegrown" e "Star of Bethlehem" já eram conhecidas de "American Stars 'n Bars" (1977), "Little Wing" abria o álbum "Hawks & Doves" (1980). Resumindo uma recuperação a valer 3 estrelas.


-  "Return to Greendale" (PS 16)


Edição alemã em CD com a ref: 93624893851



Em 2003 Neil Young trouxe-nos "Greendale", a história da família Green numa pequena cidade norte-americana. Foi genericamente bem recebido pela crítica  com elogios do género: "Young has rarely sounded so fresh and inspired" em "Chicago Sun-Times" e "One of the most important [albuns] in Young's storied career" em The Miami Herald. A acompanhar um muito interessante concerto acústico em formato DVD gravado em Vicar st., Dublin, com a reprodução de todo o álbum.

No mesmo ano Neil Young e os Crazy Horse reproduzem "Greendale" em palco, merecendo em 2020 a publicação em diferentes formatos: duplo CD e edição "deluxe" 2LP, 2CD, Blu-ray e DVD.

Quem já tiver "Greendale" e poder optar pela 2ª escolha (cerca de 100€ !!!) terá o gosto do Blu-ray mas parece-me pouco para tal preço, quanto ao duplo CD pouco acrescenta ao original.


- "Neil Young Archives Volume II: 1972–1976" 

https://neilyoung.warnerartists.net/


Depois de em 2009 ter sido publicado "The Archives Vol. 1 1963–1972" eis agora o 2º volume constituído por 10 CD a compreender o riquíssimo período de 1972 a 1976. De qualidade indiscutível parece, no entanto, que esta edição se destina sobretudo a colecionadores ou eventuais especuladores pois a edição estava limitada a 3000 exemplares e o custo a cerca de 240€. Este 2º volume tem 10 CD , num total de 131 faixas, das quais 63 nunca antes editadas mas somente 12 são inéditas as restantes são versões. Ou seja para quem já tinha as edições originais pouco acrescenta esta edição se tivermos em consideração o custo da mesma.


 - "The Times" - EP


https://www.amazon.co.uk/

Durante o confinamento Neil Young realizou uma série de sessões a partir de casa, "Fireside Sessions", entre a lareira e as galinhas onde interpretou de forma descontraída algumas das suas canções, também foi possível ouvir de Bob Dylan "The Times They Are A-Changin'". Sete destas canções viram edição em EP sob o nome "The Times" mas que tratando-se de gravações "lo-fi" não vieram acrescentar nada de novo à sua discografia, a não justificar os 10€.

Resumindo um ano de muita produção mas de pouco sumo. Esperemos, que num futuro próximo à falta de novos discos continuem a ser publicados os seus infindáveis arquivos, para já o previsto é "Way Down in the Rust Bucket" mais um a fazer parte das Performance Series (PS) 




Neil Young - Star Of Bethlehem

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Paul McCartney - The Kiss Of Venus

  Algumas memórias de 2020

Paul McCartney tem 78 anos e é uma referência para todos nós amantes dos anos 60 e dos The Beatles em particular. Foi muito o que ele deu ao mundo em termos musicais e não só. A melhor forma de agradecer será continuar a ouvi-lo em particular o que ele produziu naqueles tempos únicos.

Tenho sido razoavelmente crítico em relação a toda a sua produção discográfica pós-The Beatles e parece que ainda não é desta que mudo de opinião.

As críticas têm sido simpáticas com o último trabalho, "McCartney III", mas pessoalmente, após uma primeira audição não fiquei convencido. A voz já não ajuda e o facto de tocar todos os instrumentos também não, a produção é artesanal quase amadora, apesar de tudo uma ou outra aproximação a algum som do tempo dos The Beatles mas que depressa se desvanece. Rapidamente fica insosso sem nenhum rasgo de genialidade de quem tanto deu e de quem tanto se espera. Assim dificilmente se volta a ouvir este disco depois de uma primeira audição, é pena e a idade nada justifica face aos bons exemplos que ainda se encontram de outros da mesma geração.


https://en.wikipedia.org/


"Find My Way" foi a primeira canção escolhida para edição em Single mas não me convence de todo. prefiro "The Kiss Of Venus" a lembrar outros tempos.



Paul McCartney - The Kiss Of Venus

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Van Morrison - No More Lockdown

 Algumas memórias de 2020


Uns melhores outros nem por isso lá se vão tendo notícias discográficas de alguns artistas cujas carreiras se tornaram de alguma forma notadas ainda nos idos anos 60 do século passado, ou seja há mais de 50 anos.

E hoje começo por Van Morrison que tantas horas de prazer me tem proporcionado ao longo de tantos e tantos anos. Felizmente ainda no activo este artista da Irlanda do Norte, que tive oportunidade de ver por duas vezes, em 1993 no Porto e em 2018 em Cascais, tem-se revelado particularmente produtivo nos últimos anos sem no entanto alcançar a genialidade dos anos 60 e 70.

A pandemia de 2020 veio estragar tudo, depois do promissor "Three Chords & the Truth" de 2019, esperava-se que continuasse pelo menos no mesmo registo ou seja com níveis qualitativos idênticos, no entanto tal não aconteceu. Van Morrison escreveu 4 canções de protesto, a saber: "Born To Be Free", "As I Walked Out", "No More Lockdown" e "Stand and Deliver", esta último com interpretação de Eric Clapton, e em nenhuma se saiu bem. Uma coisa é combater o fascismo e a limitação à liberdade, outra coisa é combater uma pandemia e Van Morrison, infelizmente, parece que confundiu as duas coisas.




Tome-se, por exemplo, "No More Lockdown", quer lírica quer musicalmente revela-se uma verdadeira decepção. Van Morrison é assim a desilusão de 2020. Para compensar vou ver o Blu-Ray "In Concert" (2018) e acreditar que vai voltar a melhores dias.



Van Morrison - No More Lockdown

domingo, 3 de janeiro de 2021

Kate Rusby - Friday I'm In Love

Algumas memórias de 2020


Hoje começo com uma lista de discos que de alguma forma parece-me conter algumas das propostas mais interessantes do ano de 2020. Nesta lista não constam algumas das minhas preferências do ano transacto e que correspondem  a artistas com origens mais distantes pois nos anos 60 todos eles já tinham efectuado gravações, mas estes ficam para os próximos dias.

Eis então 30 álbuns, sem qualquer ordem em especial, que, muitas deles, sem deslumbrarem fui ouvindo ao longo do ano:

Wire - Mind Hive
Grimes - Miss Anthropocene
Maria McKee - La Vita Nuova
Jonathan Wilson - Dixie Blur
The Weeknd - After Hours
Anna Calvi - Hunted
The Homesick - The Big Exercise
Porridge Radio - Every Bad
Fiona Apple - Fetch The Bolt Cutters
Hamilton Leithouser - The Loves Of Your Life
Perfume Genius - Set My Heart On Fire Immediately
Laura Marling - Song For My Daughter
Moses Sumney - Grae
Modern Studies - The Weight Of The Sun
The Magnetic Fields - Quickies
Jehnny Beth - To Love Is To Live
Phoebe Bridgers - Punisher
The Motorcycle Boy - Scarlet
Protomartyr - Ultimate Sucess Today
Fontaine D.C. - A Hero's Death
Angel Olsen - Whole New Mess
Stick In The Wheel - Hold Fast
Kevin Morby - Sundowner
Sufjan Stevens - The Ascencion
Bill Callahan - Gold Record
Rufus Wainwright - Unfollow The Rules
Elvis Costello  - Hey Clockface
Adrianne Lenker - Songs and Instrumentals
This Is The Kit - Off Off On
Kate Rusby - Hand Me Down


A minha escolha recai sobre este último álbum "Hand Me Down" de Kate Rusby.


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Kate Rusby é uma cantora Folk inglesa já com créditos firmados que há mais de duas décadas se tem vindo a revelar como uma das mais importantes intérpretes Folk-Rock britânicas. Desde que a descobri em "Sleepless" (1999) que sigo esta excelente cantora-compositora a descobrir novos caminhos para a música tradicional e popular a fazer-me lembrar, por vezes, a memorável Sandy Denny.

Depois de no ano passado nos ter presenteados com dois álbuns dignos de registo "Philosophers, Poets & Kings" e "Holly Head" este ano aventura-se por um disco só de versões, o que é uma aposta claramente ganha. Bangles, Coldplay, The Kinks, Taylor Swift, Cyndi Lauper, James Taylor, The Cure, Bob Marley, estão aqui tão bem representados que por vezes nos esquecemos do original.

Gosto, particularmente, de "Friday I'm In Love" dos The Cure, ei-la. Com entrada directa para o meu tema "Grandes Versões".



Kate Rusby - Friday I'm In Love

sábado, 2 de janeiro de 2021

Adrianne Lenker - Anything

 Algumas memórias de 2020


As minhas escolhas continuam no feminino, depois de nos anos anteriores ter escolhido respectivamente PJ Harvey, Laura Marling, Lucy Dacus e Angel Olsen, em 2020 é a vez de Adrianne Lenker.

Se bem que genericamente o seu último trabalho a solo "Songs & Instrumentals" tenha sido bem recebido pela crítica o mesmo não se fez reflectir nas listas elaboradas para melhores álbuns de 2020. A melhor que encontrei foi na nossa revista Blitz que lhe concedeu o 6º lugar.

Na sequência da pandemia, que levou prematuramente ao fim dos concertos que Adrianne Lenker tinha com o seu grupo, os também aclamados Big Thief ("U.F.O.F." de 2019 a merecer audição), gravou em ambiente caseiro "Songs and Instrumentals", 11 canções e 2 instrumentais o Folk em modo Lo-Fi.


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"Songs and Instrumentals" a confirmação de Adrianne Lenker, guitarrista, cantora, como uma grande construtora de canções. 11 canções genuinamente simples e belas revelam uma capacidade de composição que me surpreendeu e encantou logo na primeira audição, sem dúvida uma das boas recordações do ano passado. O todo é bastante agradável sendo que os 2 instrumentais, colagem de improvisos e sons da natureza, servem sobretudo para música de fundo enquanto se anda a devagar pela casa em qualquer afazer. Bendita a hora em que Adrianne Lenker se decidiu retirar e isolar em terras altas do Massachusetts.

"Anything" é uma pequena maravilha que espero se repita por muitos anos. Adrianne Lenker bem vinda à galeria das minhas preferências.

And I don’t wanna talk about anything
I don’t wanna talk about anything
I wanna kiss, kiss your eyes again
Wanna witness your eyes looking

I don’t wanna talk about anyone
I don’t wanna talk about anyone
I wanna sleep in your car while you’rе driving
Lay on your lap when I’m crying



Adrianne Lenker - Anything

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Fiona Apple - Shameika

Algumas memórias de 2020


E aqui estou para a revisitação de mais um ano que acabou. 2020, um ano para esquecer com a famigerada pandemia que obrigou a confinamentos e à impossibilidade da realização de concertos e festivais de música como estávamos habituados.

Mas, mesmo assim, um ano de muitas recordações musicais, concertos on-line, gravações sem suporte físico e muitas, muitas compilações para todos os gostos e todas as bolsas, algumas das quais não se consegue resistir.

Olhando para as listas de melhores álbuns dos ano encontra-se um álbum que parece ter reunido o consenso de maior parte das listas elaboradas e pelo qual começo. Trata-se do novo disco de Fiona Apple designado "Fetch the Bolt Cutters". Ora vejamos a sua classificação em algumas listas:

1º lugar - Blitz, Expresso, albumoftheyear.org, Pitchfork, Forbes, Slant Magazine, 2º lugar - Rolling Stone, npr, The New York Times, 3º lugar - Time




Fionna Apple é uma cantora, compositora norte americana cuja carreira musical teve início nos anos 90, pratica um Pop alternativo que não é de fácil aceitação à primeira audição. "Fetch the Bolt Cutters" somente ainda o 5º registo de longa duração é um álbum experimental que levou cerca de 5 anos a ser completado. As percussões, num aparente ambiente caótico, definem o som primordial deste álbum com vocalizações simultaneamente subtis e intensas.

Um disco que não é para se ouvir todos os dias mas que ganha maior dimensão por cada dia que passa. Portanto não desistir e ouvir Fiona Apple, por exemplo começar com "Shameika"



Fiona Apple - Shameika

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Curved Air - U.H.F.

A formação base de um grupo de Rock é: um vocalista, um guitarrista, um baixista e um baterista. Mas, de muito cedo, esta constituição sofreu variações evidentes com a introdução de uma segunda guitarra (uma ritmo, outra solo), ou uma guitarra acústica (viola). Nos primórdios do Rock’n’Roll também o piano se afirmou (mas seria rapidamente suplantado pela guitarra eléctrica) e nos anos 60 o órgão era bastante comum na constituição dos grupos de Rock. Os metais também se intrometeram aproximando o Rock ao Jazz. A diversificação dos instrumentos nos grupos de Rock seria nos anos 60 marcante na inovação, diferenciação da sonoridade de muitos conjuntos. Nos Procol Harum destacavam-se os teclados, nos The Moody Blues os sintetizadores e harmonias vocais, nos Blood, Sweat and Tears os saxofones, trompetes e trombone, nos Jethro Tull era (imagine-se!) a flauta. Em 1967 The Moody Blues tiveram o arrojo de gravar com a The London Festival Orchestra; em 1969 os Deep Purple gravavam ao vivo com a The Royal Philarmonic Orchestra, o álbum “Concerto for Group and Orchestra”; em 1971 era a vez dos Procol Harum gravarem “Procol Harum Live In Concert with the Edmonton Symphony Orchestra”.

Também o violino acabou por ser introduzido na formação base de alguns grupos de rock identificados por sonoridades mais progressistas, por exemplo: The Velvet Underground e os King Crimson. Também em agrupamentos menos identificados com o Rock tais como a Mahavishnu Orchestra, os Fairport Convention ou os Bluesbreakers de John Mayall.


Edição do Reino Unido em Vinil de 1973 com as Ref:
K46224; K 46224




Em 1974 ouvia-se “Air Cut” dos Curved Air, era o 4º de uma discografia iniciada em 1970 e tinha sido editado no ano anterior. O destaque ia directo, para além da voz cristalina de Sonja Kristina, para o violino, assegurado neste álbum por Eddie Jobson (posteriormente nos Roxy Music, King Crimson ou ainda com passagens esporádicas pela banda de Frank Zappa, pelos Yes e Jethro Tull). Anteriormente e posteriormente o violino foi assegurado pelo virtuoso Darryl Way.

O menos considerado álbum “Air Cut” é, talvez, o menos progressivo dos Curved Air, mas é talvez dos que melhor sobreviveu ao passar dos anos. Em anexo segue o tema “U.H.F.” bem demonstrativo do estilo musical dos saudosos Curved Air.



Curved Air - U.H.F.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Marvin Gaye - Come Get To This

É sabido, a década de 70 foi uma curva de Gauss invertida, ou seja, algo parecida com um U (esta analogia é da autoria de Miguel Esteves Cardoso). No ano de 1973 estávamos pois no lado descendente da curva até atingirmos o pior dos anos: 1975. De uma forma necessariamente sucinta passemos os olhos (ou os ouvidos? para quem tem boa memória auditiva) pelo que nos era dado ouvir na rádio (em FM, claro) no dito ano de 1973.

Elton John. Ouvia-se “Daniel”, mas também “Saturday Night’s Alright For Fighting” e “Goodbye Yellow Brick Road” numa tentativa desesperada de evitar a derrocada.

Rolling Stones. Do álbum “Goats Head Soup” saía “Angie”, mas o melhor já tinha passado.

Chicago. Rendiam-se a uma música mais ligeira e comercial com “Feeling Stronger Everyday” e “Just You ‘n’ Me”.

Paul McCartney. “My Love”, “Live And Let Die”, e “Helen Wheels” não escondiam a menor criatividade deste ex-Beatle; Ringo Starr raiava a mediocridade com “Photograph” e “You’re Sixteen”; John Lennon desembaraçava-se com “Mind Games”, o mesmo não acontecendo com George Harrison e o seu “Give Me Love”.

Doobie Brothers e The Eagles ganhavam notoriedade. Os primeiros com “China Grove” e “Long Train Running”; os segundos, com “Peaceful Easy Feeling” e “Take it Easy”, iniciavam uma ascensão meteórica.

Entre os consagrados ouvia-se The Moody Blues, do estertor de “Seventh Sojourn” saía a bela “For My Lady”; dos Led Zeppelin ouvia-se ainda com agrado “The Song Remains the Same”; “Smoke On The Water” dos Deep Purple escutava-se por todo o lado; Paul Simon continuava a encantar-nos, agora com “American Tune”, embora a mais popular fosse “Kodachrome”.

Na música negra ouvia-se Gladys Knight & The Pips com “Midnight Train To Georgia” e “Neither One Of Us”; Diana Ross e “Touch Me In The Morning”; Stevie Wonder estava no topo e entre as que mais se ouvia constava "You Are the Sunshine of My Life", Robert Flack deslumbrava com “”Killing Me Softy”. Mas o melhor estava reservado para Marvin Gaye e o seu “Let’s Get It On”.




Marvin Gaye (1939-1984) cantor soul com longa discografia de que se destacam os anos de 1971 e 1973 com, respectivamente, “What’s Going On” e “Let’s Get It On”.

Deste último álbum recupero "Come Get To This".



Marvin Gaye -  Come Get To This

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Clifford T. Ward - Gaye

De entre os bons programas de divulgação musical que a nossa rádio tinha antes de Abril de 74 havia um que ficará para a memória de todos os que seguiam atentamente a produção musical dessa época. Não só a música anglo-saxónica nas suas mais variadas formas: Pop, Rock, Folk, Rock-Folk, Rock progressivo, Country … mas também a música francesa, a melhor nova música portuguesa, a MPB, etc.

O programa dava pelo nome "Página Um", era apresentado pelo José Manuel Nunes (uma voz que nunca mais se esquece) e passava na Rádio Renascença das 19H30M às 20H30M, mais tarde até às 21H. A liberdade, o bom gosto e a variedade musical que se verificava em todo o programa talvez se devesse ao facto do programa ser na Rádio Renascença e esta não estar, talvez, sujeita a uma censura tão apertada quanto as restantes estações.

O indicativo do programa era "Page One" um tema do grupo do Porto Pop Five Music Incorporated ainda sem Miguel Graça Moura. A música começa com uma batida forte de bateria e baixo, o programa é anunciado e o indicativo termina antes da parte cantada começar (Got to be page one …).

O programa apostava na diversidade, qualidade e actualidade musical e manifestava ainda preocupações políticas e sociais (nomeadamente pelas reportagens do Adelino Gomes); ouviam-se músicas incómodas para o regime, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, José Mário Branco e José Afonso eram passagens regulares. Recordo-me em 1971 da transmissão, em directo a partir do Cinema Roma, do lançamento do 1º álbum do José Mário Branco "Mudam-se os tempos mudam-se as vontades" e do 1º EP do Sérgio Godinho "Romance de um dia na estrada" e da importância que tal facto então teve.

A enumeração de grupos e músicos então divulgados é infindável, eis alguns, poucos: Crosby, Stills, Nash & Young ("Déjà Vu", "Four Way Street") e todas as suas variantes, Neil Young ("After the Gold Rush", "Harvest"), Graham Nash ("Songs For Beginners", "Wild Tales"), Stephen Stills ("I" e "II") e posteriormente no grupo Manassas, David Crosby e esse monumento que é “If I Could Only Remember My Name”. Joni Mitchell ("Blue") a voz de Rouxinol como dizia o José Manuel Nunes, Sandy Denny ("Like An Old-Fashioned Waltz"), Maggie Bell e a Claire Hamill. Jethro Tull ("Benefit"), The Moody Blues ("Question of Balance"), Genesis ("Foxtrot"), Barclay James Harvest e o inesquecível “Mockingbird”. E ainda Maxime Le Forestier (quem se lembra dele?), Serge Reggiani, Léo Ferré. E mais, muito mais, T. Rex, Janis Joplin, Eric Burdon, Cat Stevens, Ian Matthews, Plainsong, Judee Sill, Clifford T. Ward….


Edição Virgin de 1992 com as Ref:
CASCD 1066; 7876862

Agora é só recuar, neste caso, até 1973 e imaginar uma possível apresentação de, por exemplo, Clifford T. Ward (1944-2001):

Clifford T. Ward tem 28 anos é professor do ensino secundário numa pequena cidade do interior de Inglaterra e dirige o grupo de teatro da escola. Dando prioridade à sua actividade docente rejeita a fama e o vedetismo que o êxito do seu álbum “Home Thougths” alcançou. O jornal Melody Maker rasga-lhe fortes elogios e coloca “Gaye” ao nível de “Yesterday” de Paul McCartney. De seguida ouve-se “Gaye”:
 


Clifford T. Ward - Gaye

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

King Crimson - Book of Saturday

De entre os muitos grupos de Rock Progressivo que dominaram a cena musical na primeira metade da década de 70 encontrava-se um grupo denominado King Crimson, um dos que maior qualidade transportou para o universo da música Rock

Os King Crimson formaram-se em 1968 e foram (são) o alter-ego de Robert Fripp (guitarrista e principal compositor), músico fundador e elemento constante nas inúmeras formações que conheceram. Depois do primeiro e um dos melhores álbuns de Rock Progressivo de sempre, “In the Court of the Crimson King”, obrigatório em qualquer discoteca básica, os King Crimson iam, em 1973, no seu quinto registo e na sua quinta formação, mas a qualidade essa continuava intacta. Foi há 47 anos que surgiu esse álbum que deu pelo estranho nome de “Larks’ Tongues in Aspic”.

O tema título, que aqui aparece em 2 partes, teria futuros desenvolvimentos em 1984 (parte 3) e 2000 (parte 4).


Edição em vinil, de 1973, importada do Reino Unido
com a ref: ILPS 9230


Tiveram o bom senso de, contrariamente a muitos outros que se arrastaram penosamente no declínio que este género musical então iniciou, terminarem em alta, no ano de 1974, após a gravação de mais dois álbuns.

Em 1982, no primeiro regresso dos King Crimson, tive oportunidade de os ver, em Lisboa, no Estádio de Belém, a fazer a primeira parte (antecedidos pelos Heróis do Mar) dos também, entretanto, regressados Roxy Music de Brian Ferry, mas com uma grande diferença: os King Crimson estavam renovados e criativos, enquanto os Roxy Music, não disfarçavam desgaste, algumas vezes xaroposos nas fórmulas menos interessantes de “Avalon”. Curiosidade, o custo do bilhete foi de 600$00 (cerca de 3€)!

Bem, mas voltando a 1973 e a esse tal disco de nome estranho, a ele vou buscar o tema para hoje: “Book of Saturday”.



King Crimson - Book of Saturday

domingo, 27 de dezembro de 2020

John Cale - Paris 1919

Tenho de o reconhecer, John Kay, J. J. Cale, John Cage, John Cale, eram nomes que no início dos anos 70, por vezes, me baralhavam. Na leitura de algum artigo ou alguma referência em programa na rádio deixavam-me na dúvida a quem, de facto, se estariam a referir. A música, essa era bem distinta e não deixava, normalmente, campo para dúvida. Para que não haja confusões:

John Kay (1944-) – Guitarrista e vocalista do grupo Steppenwolf dos anos 60. Ficaram para sempre ligados ao seu tema mais conhecido, o hino rock “Born to Be Wild” popularizado no filme “Easy Ryder”. 

J. J. Cale (1938-2013) – Cantor, compositor e guitarrista norte-americano com uma longa discografia e maneira peculiar de tocar guitarra. Dizem, fonte de inspiração para a forma de tocar de Mark Knopfler. Eric Clapton teve um grande êxito com uma canção de J. J. Cale, “Cocaine”. 

John Cage (1912-1992) – Músico norte-americano de vanguarda, experimentalista, explorador do silêncio e do ruído. Ficou célebre a peça 4’33’’, composição com 3 andamentos, sem qualquer nota. as diferentes formas do silêncio?


Edição alemã em CD de 1993 com a ref: 7599-25926-2

John Cale (1942-) – Músico galês, compositor, interprete, membro fundador conjuntamente com Lou Reed do grupo mais importante da história do rock, The Velvet Underground. No início da década de 60 chegou a colaborar com John Cage (para ajudar na minha confusão) e mais tarde com os músicos vanguardistas La Monte Young e Terry Riley. Seis décadas depois é referência obrigatória na história da música rock. A sua música ficará na história do rock e, acredito, a ser, no futuro, objecto de estudo.

Actualmente com 78 anos, continua activo com algumas passagens pelo nosso país. Tive oportunidade de o ver no já longínquo ano de 1988, no Rivoli.

Segue para audição o estado da arte do rock de John Cale em 1973. Do álbum “Paris 1919”, um dos melhores registos de John Cale.



John Cale - Paris 1919

sábado, 26 de dezembro de 2020

Cockney Rebel - Sebastian

A memória não ajuda muito e a internet pouco mais. Mas aqui vai: de entre os excelentes programas de rádio que tivemos nos anos 60, 70 e até 80, já aqui referi por mais de uma vez o “Página Um” e o “Em Órbita”, no entanto outros houve que merecem ser recordados.

Lembro-me de um denominado “Dois Pontos” diariamente das 11h às 13 horas, apresentado pelo Jaime Fernandes. A fórmula era simples, nas duas horas que durava faziam a passagem integral de 2 álbuns, normalmente recém editados, podendo-se assim proceder à gravação, nas velhas cassetes, desses mesmos discos sem qualquer interferência. Pink Floyd, os alemães Can, os The Nitty Gritty Dirt Band, os Flying Burrito Brothers, Roy Harper do álbum “Bullinamingvase” são alguns que me recordo de ouvir, se a memória não me atraiçoa.

Mas há um disco cuja passagem na íntegra me ficou particularmente registada, tratava-se do primeiro álbum de 1973 dos Cockney Rebel. Liderados por Steve Harley, os Cockney Rebel perduraram até aos nossos dias, ora somente como Steve Harley, ora como Cockney Rebel ou ainda Steve Harley & Cockney Rebel e inseriam-se, no seu início, no Rock Progressivo então em voga. No entanto a música que se ouvia em “The Human Menagerie” (assim se chamava o álbum) era, por vezes, demasiado “graciosa” para a associarmos ao Rock Progressivo, mas simultaneamente de uma complexidade que a afastava do universo Pop. Era uma música estranha (como a voz de Steve Harley, dialecto Cockney?) que talvez justifique o relativo pouco sucesso.


https://www.discogs.com/


Em “The Human Menagerie” destacava-se o tema “Sebastian” que tendo todos os ingredientes para ter sido um êxito maior do que aquele que efectivamente teve, não chegou a alcançar os primeiros lugares dos Top.

Parece que ainda hoje estou a ouvir qualquer coisa do género: “Vamos ficar, nesta primeira hora do programa, com a passagem integral do primeiro álbum “The Human Menagerie” do grupo inglês Cockney Rebel" (E agora sem nenhuma perturbação ouça-se “Sebastian”). 



Cockney Rebel - Sebastian

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Kevin Ayers - Oh! Wot a Dream

 “Era um dos grandes excêntricos da pop, um eremita sem temperamento e estrutura para jogar o jogo da celebridade. Era um bon vivant convicto, um dandy que saía de cena, não para criar uma aura de mistério à sua volta, mas porque preferia simplesmente ambientes “relaxados”, “com um melhor sentido de cerimónia para as coisas básicas da vida – comida, música, dança, sexo”.”

Foi assim que o jornal "O Público" reagiu à notícia da morte de Kevin Ayers em Fevereiro de 2013. Kevin Ayers foi um dos ídolos da minha juventude que apreciei quer enquanto fundador, em 1966, conjuntamente com Robert Wyatt dos essenciais Soft Machine, quer numa vasta discografia a solo a partir de 1968.

O destaque vai para o período de 1969 a 1974 onde se encontram 6 discos da melhor Pop experimental que conheço. Possuidor de uma peculiar voz de barítono, conviveu e gravou com os melhores músicos da época como John Cale, Brian Eno, Nico e Mike Oldfield.


Edição EMI, em CD, de 2003 com a ref: 07243-582780-2-6


"Bananamour" era, em 1973 , o seu 4º trabalho a solo e dele recordo "Oh! Wot a Dream", a admiração de Kevin Ayers por Syd Barrett, disse ele sobre esta canção: "The sincerest form of flattery being imitation, it's quite deliberately sung in Syd Barrett's style. What I tried to do was get some of the feeling that's unique to him just to show that, althought we don't meet or talk, I have a certain closeness to what he's doing and can relate to it."



Kevin Ayers - Oh! Wot a Dream

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Renaissance - Carpet Of The Sun

Os Renaissance foram uma banda inglesa de Rock Progressivo com razoável sucesso nos anos 70. Experimentaram a fusão do Rock progressivo com  Folk, apresentavam arranjos exuberantes e eram muito agradáveis de ouvir, seriam mais uma banda a não resistir (infelizmente) à explosão do movimento punk no final da década. A música centrada no piano e na voz cristalina de Annie Haslam (excelente voz injustamente esquecida), uma viola acústica à medida e um baixo mais forte do que era comum, teria um dos seus melhores momentos no 4º e bem conseguido LP, “Ashes Are Burning” de 1973.


Edição alemã de 1995 com a ref: REP 4575-WY


Os temas, sempre bem desenvolvidos, com influências clássicas de Albinoni a Rimsk-Korsakov, tinham normalmente durações muito além dos habituais 3 minutos. Tiveram em Annie Haslam, que substituiu Jane Relf em 1971 e que continua ainda hoje a liderar o grupo, uma das principais referências.

Estes Renaissance e Annie Haslam mereciam ter ido mais longe (soube a pouco), “Carpet Of The Sun”, o tema mais curto de “Ashes Are Burning”  é prova disso, ora ouçam.



Renaissance - Carpet Of The Sun

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Nitty Gritty Dirt Band - Will The Circle Be Unbroken

Apareceu por cá em 1973 um álbum, editado em 1972 em formato triplo, de um grupo, já com algum nome, designado Nitty Gritty Dirt Band, dando a gravação pelo título de “Will the Circle Be Unbroken”.

Os Nitty Gritty Dirt Band navegavam nas águas do Country-Rock, género que foi particularmente fértil na primeira metade da década de 70. Um grupo constituído ainda nos anos 60 que persiste nos nossos dias pese as alterações em relação à formação original.

Os Nitty Gritty Dirt Band convidaram, para a realização do álbum, um conjunto de músicos consagrados nos anos 40, 50 e 60 e revisitaram ao longo de 37 canções muitos temas populares do country e bluegrass norte-americano. Experiência que seria continuada em 1989  e 2002.


https://www.discogs.com/


“Will the Circle Be Unbroken”, a canção, é um gospel tradicional do início do século XX e conheceu versões de Johnny Cash a Jeff Buckley. Mas a interpretação que eu prefiro é sem dúvida a efectuada pelos Pentangle (a merecerem uma evocação mais alargada) em 1971 e que é absolutamente imperdível (não há estrelas suficientes para os classificar, a ela hei-de chegar).

Segue a versão gospel/bluegrass de “Will the Circle Be Unbroken” pelos Nitty Gritty Dirt Band que hoje aqui trago pela primeira vez.



The Nitty Gritty Dirt Band - Will the Circle Be Unbroken

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Pentangle - Willie O' Winsbury

Balanço de 1973 entre formados e acabados. 

De entre os novos grupos que se constituíram no ano de 1973 pouco há de digno a registar. Eis alguns, que de alguma forma vieram a ter os seus momentos de fama: AC/DC, Bachman-Turner Overdrive, Cabaret Voltaire, Cheap Trick, Los Lobos, Television, The Tubes, Bad Company, Heart, Journey, Kiss, Penguin Cafe Orchestra; ou seja, uma boa parte a prescindir com facilidade, com excepção, talvez, para os Television de Tom Verlaine, Los Lobos e os Penguin Cafe Orchestra; revisão, sobre revisão de sonoridades tiradas ao manancial dos anos 60, sem nada genuinamente novo.

De entre os grupos que terminaram no ano de 1973 os destaques vão para: The Byrds, Free, Spirit, The Doors, Jackson Heights, Manassas, Pentangle, The Velvet Underground, Vinegar Joe; ou seja, uma boa parte, nomes importantes a deixarem marcas, algumas únicas, na música popular dos anos 60 e 70.

Um saldo, para meu gosto claro, negativo, a década continuava no seu ciclo descendente até atingir o fundo em 1975.


Edição em CD de 2003 com a ref: CMQCD555, depois
de descobertas as gravações originais


Os Pentangle, a merecerem outras atenções, terminavam em 1973 sem antes deixarem, no final de 1972, mais um excelente e menos considerado trabalho do Folk-Rock britânico, o sexto álbum “Solomon’s Seal”. Formados por Bert Jansch (1943-2011), John Renbourn (1944-2015), Jacqui McShee (1943-), Danny Thompson (1939-) e Terry Cox (1937-), tudo músicos que marcaram as últimas décadas da música Folk britânica, constituíram um quinteto que elevou (a par com os Fairport Convention) a música de raiz tradicional a patamares até hoje não mais ultrapassados.

Em anexo segue “Willie O' Winsbury” um tema tradicional do século XVIII recriado na perfeição pelos Pentangle (os Fairport Convention também já o tinham feito sob o nome de “Farewell, Farewell” no histórico álbum “Liege & Lief” em 1969).



Pentangle - Willie O' Winsbury

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Matching Mole - Instant Pussy

Em 1972 discutia-se o Euro-Rock.

Em artigo intitulado precisamente “Euro-Rock” saído no nº 5 do jornal “musicalíssimo” de Dezembro de 1972 dizia-se:

“Exceptuando os Stones e The Who, os artistas (…) britânicos dão-se a fazer música forte, suave, melodiosa, estridente, com o único objectivo de que ela resulte bem. Resulta mal, dado que passa a ser, quando consumida como acontece em doses fabris, uma manifestação de acordo com as situações vigentes aqui, ali e, sobretudo lá - onde eles vivem e convivem (?). O que, até revisão das estruturas em que nos baseamos, está errado.

A “nova escola” inglesa não só assume esta posição como se testemunha, consciente ou inconscientemente, não importa, contra os princípios que regiam os passos a dar pelo rock quando do seu aparecimento. Os que “a” integram são músicos, apenas isso, e mais não querem ser.

O mesmo acontece com alguns grupos franceses e alemães que, apesar de terem uma consciência de grupo mais coadunável com a dos colegas norte-americanos, passaram a basear-se nos princípios postulados (?) pelos seus congéneres ilhéus. Tal facto origina a formação de um movimento musical a nível continental a que podemos chamar… Euro-Rock.”

Neste movimento destacavam-se em França os Magma e os Gong, enquanto na Alemanha a referência ia para os Amon Düül II, Can e Faust. Das ilhas britânicas podíamos escolher os Nice, os Pink Floyd e os Soft Machine.

Fiquemos com estes últimos: os Soft Machine. Formados, em 1966, no movimento underground britânico, destacam-se, na sua prolífera discografia, os 4 primeiros álbuns gravados entre 1968 e 1971 ainda com a presença do inventivo baterista e vocalista Robert Wyatt. De então para cá conheceram inúmeras formações por onde passaram mais de duas dezenas de excelentes músicos fixando-se numa sonoridade de fusão rock-jazz.

Em 1971, Robert Wyatt forma os Matching Mole - trocadilho do nome em francês (Machine Moelleux) do seu anterior grupo os Soft Machine - de que resultariam dois únicos álbuns gravados em 1972 seguindo-se o término do grupo.  

O ano de 1973 seria fatídico para Robert Wyatt: uma queda de uma janela de um terceiro andar deixa-o paraplégico, terminando assim as suas aventuras como baterista. O retorno à música far-se-ia no ano de 1974 com o aclamado álbum a solo “Rock Bottom” com o excepcional tema “Sea Song”, imperdível.


https://cuneiformrecords.bandcamp.com/


Construtor de uma inusitada discografia, Robert Wyatt é hoje admirado e venerado por uma legião de músicos e fiéis seguidores. A sua última obra, com Gilad Atzmon e Ros Stephen, “For the Ghosts Within” de 2010 assim o confirma.

Mas, voltemos ao euro-rock dos anos 70  para finalizar com os Matching Mole e o tema “Instant Pussy” gravado ao vivo algures na Europa em 1972 (o destaque vai directo para Robert Wyatt – voz e percussão).



Matching Mole - Instant Pussy

domingo, 20 de dezembro de 2020

Country Joe & The Fish - I Feel Like I'm Fixin' To Die Rag

Em oposição ao confinamento provocado por esta pandemia que tem tem restringido as nossas liberdades no ano de 2020, o Festival de Woodstock ocorrido em 1969 durante 3 dias no mês de Agosto onde estiveram presentes cerca de 400000 jovens ávidos de paz, amor e boa música em ambiente de total liberdade.

Mais de 50 anos de Woodstock! É muito tempo! É tempo de celebrar Woodstock!

A forma mais simples será, para quem já viu, rever o filme, para quem nunca viu, é aproveitar estes tempos de vida mais caseira para o verem pela primeira vez e já agora recuperar o álbum triplo que na sequência do festival foi editado.

Por lá passaram Jimi Hendrix, Janis Joplin, (só faltou Jim Morrison), Joan Baez, Santana, The Who, Crosby, Stills, Nash & Young, Jefferson Airplane e tantos, tantos outros em pleno auge criativo. Se a música era da melhor (já se encontram versões de 20 CD com as sucessivas recuperações de 3 dias de “peace & music”) é no entanto no filme/documentário de Michael Wadleigh que melhor se descobre o espírito da época. 


https://www.discogs.com/


Um dos que melhor traduzia esse estado de alma era Country Joe McDonald, então vocalista da banda de Pop/rock psicadélico Country Joe & The Fish e já com uma discografia reconhecida. Lá interpretou “Feel Like I'm Fixing To Die Rag” que hoje recordo mas na versão original do LP "I-Feel-Like-I'm-Fixin'-to-Die" publicado em 1967.



Country Joe & The Fish - Cheer & I-Feel-Like-I'm-Fixin'-To-Die Rag

sábado, 19 de dezembro de 2020

Chick Corea - What Game Shall We Play Today

 

Até ao final do ano  algumas recordações  avulso sem qualquer temática subjacente. Uma parte vou buscar a 1973, ano que tenho dado particular relevo nos últimos meses, mas não só é por exemplo a recordação de hoje.

Talvez pelo confinamento que esta pandemia tem provocado, recordei-me de alguns concertos que assisti e que agora eram impossíveis de serem realizados, por exemplo os do Porto Blues Jazz organizados pela Câmara do Porto já lá vão alguns anos. Lembrei-me de Herbie Hancock em 2008 e de Chick Corea & Gary Burton em 2009. Realizados nos aprazíveis jardins do Palácio Cristal eram de entrada gratuita e de um bom gosto inegável. Este último trazia Chick Corea, um dos maiores vultos do Jazz mundial e Gary Burton um dos maiores vibrafonistas da actualidade.


Chick Corea - Porto em 2009


Um concerto excelente na simplicidade com que tocaram temas do último álbum conjunto ("The New Crystal Silence"), mas também noutras abordagens, na homenagem a Bud Powell, na música de Thelonious Monk ou no belo “Waltz for Debby” de Bill Evans.


Edição alemã da ECM (1987) com as
 ref: ECM 1022; 811 978-2 Y

Foquemo-nos em Chick Corea, o seu contributo maior foi/é no Jazz de Fusão que vem dos tempos de Miles Davis de “Bitches Brew”. Fusão com o Rock mas também com outras sonoridades como a música brasileira, em particular na formação Return to Forever do início dos anos 70 onde participava esse excelente casal de músicos brasileiros Airto Moreira (bateria) / Flora Purim (voz).

Em 1972 gravam um dos melhores álbuns de Jazz que conheço, precisamente “Return to Forever”.
“Return to Forever” (o álbum) aconselhável para amantes de Jazz e não só.

Agora ouçam, deixem-se envolver pelo som de “What Game Shall We Play Today “ terceira faixa de “Return to Forever”.



Chick Corea - What Game Shall We Play Today