segunda-feira, 24 de junho de 2019

Genesis – Foxtrot

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70


O Rock Progressivo teve o seu auge na primeira metade dos anos 70. Foi uma época em que grandes grupos de Rock alargaram as fronteiras e exploraram novas sonoridades. As canções ultrapassavam os limites dos 2, 3 minutos e prolongavam-se por longos minutos, por vezes a ocupar todo um lado de um LP, cerca de 20 minutos, ou até mesmo mais. Muitos dos discos eram conceptuais ou seja desenvolviam um tema ao longo do disco em diversas canções muitas das vezes interligadas. Gostava, gostava muito de alguns grupos absolutamente marcantes desse período, sobretudo os grupos ingleses, eis alguns: Jethro Tull, Yes, King Crimson, Van Der Graaf Generator, Gentle Giant, Genesis, Pink Floyd, Emerson, Lake and Palmer, etc., etc..

A duração foi curta e o filtro do tempo foi cruel para muitas desses grupos. Mesmo assim não resisto a alguns registos que agora incluo nesta selecção de 20 da referida década de 70. O ano de 1972 foi particularmente fértil para este género e nele encontro o disco que então mais me marcou e que eu tanto ouvi, eram os Genesis e o disco dava pelo nome de "Foxtrot". Adquiri-o rapidamente e ainda hoje o ouço, é uma edição portuguesa com as referências 6369 922 (CAS 1058) na capa (Printed in Germany) e 633405 na rodela do disco com indicação de "Editado por EDISOM, LDA".






Com diversas formações ao longo dos anos (1967-1998) aquela que considero a melhor foi a que existiu de 1971 a 1975, era a seguinte a composição:
Tony Banks – teclados
Peter Gabriel – voz e flauta
Mike Rutherford – baixo
Phil Collins – bateria
Steve Hackett – guitarra
Nesse período gravaram 4 álbuns fundamentais do Rock Progresssivo, são eles "Nursery Crime" (1971), "Foxtrot" (1972), "Selling England by the Pound" (1973) e finalmente o duplo álbum "The Lamb Lies Down on Broadway" (1974), todos devidamente recomendados.

Composto por 6 faixas das quais a última é a suite "Supper's Ready" com os seus 23 minutos, talvez o ponto mais alto de toda a obra dos Genesis, "Foxtrot" é merecidamente o disco do ano na área do Rock Progressivo.
Começo pelo princípio, é com "Watcher of the Skies". Era o que eu ouvia com os meus 15, 16 anos.




Genesis - Watcher of the Skies

domingo, 23 de junho de 2019

David Bowie – Ziggy Stardust

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70


Avanço mais um ano, para 1972, onde escolho mais 3 álbuns, o primeiro dos quais é o inevitável "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" de David Bowie.

David Bowie (1947-2016), ele próprio figura ímpar da cena Rock mundial, teve na década de 70 os seus mais produtivos e também mais importantes trabalhos discográficos. 11 álbuns foram quantos contabilizei, que nos deram a conhecer um David Bowie em múltiplas facetas.
Se é verdade que David Bowie já era uma figura bem conhecida do Rock, não fossem canções como  "Space Oddity" (1969), "The Man Who Sold the World" (1970) ou ainda "Changes" (1971) é com a edição de "Ziggy Stardust" (simplificando a designação) e a respectiva tournée mundial que o fenómeno David Bowie atinge proporções que talvez não se conhecessem desde o surgimentos dos The Beatles. Paradoxalmente só mais no final da década é que eu dei conta da importância desde disco.
David Bowie criou a personagem Ziggy Stardust, estrela Rock extraterrestre que vem à Terra para a salvar, sendo a personagem levada a tal ponto que o próprio se confunde com ela. "... Bowie assemelha-se perigosamente à personagem que tinha ajudado a criar, "Penso que já não existe grande diferença entre o que eu faço em palco e fora dele. Sou raramente David Jones." lê-se em "David Bowie, Três décadas de metamorfoses", edição Centelha, 1983.

Edição portuguesa de 1972 com a ref: PL-14702





"Ziggy Stardust" foi o que de melhor a década de 70 nos deixou e desde então tem vindo a recolher praticamente de forma unânime os mais rasgados elogios pelos mais diversos críticos, é, na realidade, um disco perfeito, um disco que é uma raridade tal a perfeição que alcança. Difícil de igualar.

Fica-se com a faixa de abertura "Five Years", que beleza!




David Bowie - Five Years

sábado, 22 de junho de 2019

Carole King – Tapestry

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70

Ainda do ano de 1971 mais um disco que destaco nesta escolha de 20 álbuns da década de 70. É o álbum "Tapestry" da Carole King e foi o primeiro a ser editado entre os 4 que escolhi deste ano.
Compositora maior, Carole King destacou-se desde muito cedo na escrita de canções, em particular nos anos 60 na dupla que fez com o então seu marido Gerry Goffin. Como intérprete o sucesso surgiu somente nos anos 70, em concreto com o 2º LP "Tapestry" que agora evidencio.


https://en.wikipedia.org

"Tapestry" é o disco de uma vida, pese a longa carreira não mais igualou este registo, é o disco de "You've Got a Friend", "Will You Love Me Tomorrow?", "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman", "It's Too Late" entre outras grandes canções.

Um disco consensual e com merecido reconhecimento. Para ouvir "It's Too Late".




Carole King - It's Too Late

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Leonard Cohen, Redescoberta da Vida e Uma Alegoria a Eros

Data de Dezembro de 1975 e é considerado raro o livro "Leonard Cohen, Redescoberta da Vida e Uma Alegoria a Eros" de Manuel Cadafaz de Matos.





Manuel Casdafaz de Matos é, segundo https://www.goodreads.com, "Mestre em Literatura e Culturas Portuguesas - Época Moderna (1990) e Doutor em Estudos Portugueses - especialidade História do Livro (1998), pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nova de Lisboa". Fez parte da redacção inicial do jornal "Blitz" com início de publicação em 1984.

Quanto ao livro é um estudo do trabalho literário e da carreira musical de Leonard Cohen até 1974. Inclui uma entrevista com Leonard Cohen realizada em Paris a 8 de Setembro de 1974 no dia a seguir a ter actuado na festa anual do jornal "L'Humanité" e ainda as letras, em inglês e português, das canções até então editados.


Trata-se uma edição da Livros E(CO)LOGIAR A TERRA.


Leonard Cohen – Songs of Love and Hate

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70

Do Canadá vieram três nomes dos que mais apreciei, e aprecio, desde a explosão da música popular nos anos 60 e que rapidamente me cativaram. Nesta "Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70" já passei dois deles, Neil Young e Joni Mitchell, faltava o inevitável Leonard Cohen.

Leonard Cohen (1934-2016), poeta de raiz, emprestou os seus poemas e a sua voz sussurrada a lindíssimas melodias que concebeu e arquitectou desde o seu primordial "Songs of Leonard Cohen" (1967) até ao seu testamentário "You Want It Darker" (2016). Mais de 50 anos na música e 14 álbuns de originais são o legado musical que Leonard Cohen nos deixou para nosso contentamento e para todo o sempre.

Não foi o seu disco mais popular, esse viria mais tarde com "Im Your Man" (1988), mas é aquele que mais horas de fruição me deu, falo de "Songs of Love and Hate" (1971), um álbum singular de um ano altamente produtivo. Os arranjos sumptuosos de Paul Buckmaster deram uma intensidade e dramatismo que levou o próprio Leonard Cohen e secundarizá-lo, mas para mim vieram somente intensificar e evidenciar a grandeza das suas composições de "amor e ódio".


Edição portuguesa de 1971 com a referência S 69004


O álbum termina com a conhecida e belíssima canção "Joan of Arc" com os seus longos 6 minutos e meio.
No livro "Leonard Cohen - Redescoberta da Vida e uma Alegoria a Eros" de Manuel Cadafaz de Matos, na entrevista por este feita a Leonard Cohen, em Paris, a 8 de Setembro de 1974 à pergunta "... Tu tens mostrado há já longa data um certo favoritismo por essa figura nacional francesa [Joana d'Arc]. Onde talvez conseguiste atingir uma maior craveira poética dessa mulher foi na última canção do álbum «Songs Of Love And Hate» no tema com o seu nome. É uma das tuas composições que eu considero como uma de maior profundidade talvez até a nível metafísico. Esse tema não terá para ti fundamentos psicanalíticos ou então de tendências psicológicas? Que representa esse tema para ti?
respondeu Leonard Cohen:
"É muito difícil falar sobre isso porque eu apenas compreendo que Joana d'Arc está no poema. Não consigo bem explicar porque todos os meus sentimentos e emoções estão destilados no poema que é um «todo» que eu sinto e não consigo dissecá-lo. Sinto o poema mas não o posso explicar".
E a entrevista continuava assim:
"-Tu principiaste a interessar-te pelo tema Joana d'Arc a partir de um determinado momento histórico, não é verdade? Foi a sua lenda que te influenciou? A sua vida e a sua obra e o que ela representou para o povo francês numa época determinada?
- Historicamente eu conheci Joana d'Arc pela sua lenda. Mas hoje, nos nossos dias, eu sinto que ela está viva, pois (ainda) representa certas relações existentes entre os homens e as mulheres. É uma personagem actual muito grande, muito importante, muito viva, numa paisagem secreta, vivendo em todos os corações. Em França, no Quebeque e até mesmo nos Estados Unidos ela existe como qualquer qualquer coisa muito difícil de definir. Para mim eu sei-o, apenas talvez não o consiga neste momento dizer aos outros. O que eu sei é que a personagem de Joana d'Arc tocou em mim e atraíu-me.
- Por exemplo quando tu afirmas no teu poema-canção «Joana d'Arc»: «If he was fire, oh then she must be wood», «Se ele era fogo, oh então ela (Joana) devia ser lenha (para ser ardida)», não será que tu consideras que uma mulher normal - que vieram a rotular de santa - tem necessidade de ser satisfeita nas suas mais elementares necessidades biológicas como é o caso da satisfação sexual?
- Sim e não, porque eu acho que o poema tem a sua vida própria. Temos de analisar um todo e não só um elemento. Passei dois anos a escrever esta canção, mudando com frequência as suas formas musicais e poéticas. Lembro-me bem da manhã em que comecei a escrever esta canção. Estava num quarto do Hotel Chelsea em Nova Iorque."

Depois confessa que começou a escrever o poema depois de ter "...tido relações sexuais. Mas já não me lembro do nome dela pois isto passou-se num daqueles dias em que eu tomava ácido e me drogava."

Referindo-se a esta canção a wikipédia afirma: "This song was apparently inspired by Cohen's love for the German model Nico" pelo que fica agora a dúvida, inspirado em Nico, que cativou o mundo artístico underground dos anos 60, ou simplesmente fruto de uma relação ocasional e sob efeitos de droga?









Com a letra e respectiva tradução, que também faz parte do mesmo livro, e sem mais delongas segue para audição "Joan of Arc".




Leonard Cohen - Joan of Arc

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Joni Mitchell – Blue

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70


Da melhor cantora do Reino Unido, Sandy Denny, para a melhor cantora dos Estados Unidos, Joni Mitchell.
Cantora será mesmo redutor quer para uma quer para a outras, as duas foram extraordinárias compositoras que elevaram a música popular, em particular a música Folk, para patamares difíceis de igualar. As duas assinaram álbuns em 1971 que os coloco nesta passagem pelos 20 mais da década de 70. A primeira, prematuramente desaparecida em 1978, foi o motivo do Regresso ao Passado de ontem, para hoje fica Joni Mitchell, actualmente debilitada com os seus 75 anos.

Em 1971, Joni Mitchell publica o seu 4º álbum de originais, "Blue" de seu nome e é hoje quase unanimemente considerado como o expoente maior não só da sua obra como de toda a história da música popular. Vejam-se as distinções que tem tido através dos tempos.


Edição alemã em Vinil de 1999 (?) com as Ref: 44 128, (MS 2038), K 44 128


O álbum todo composto e produzido por Joni Mitchell contém 10 canções ímpares do Folk-Rock, tivesse Joni Mitchell somente feito este disco e já seria suficiente para ter um lugar de destaque na galeria das eleitas de Apolo para nosso deleite.
"Blue" começa com "All I Want", o início de uma viagem pelo amor, a solidão e as desilusões de Joni Mitchell.

"I am on a lonely road and I am traveling, traveling, traveling, traveling...", assim começa, este disco único e maravilhoso que desde 1971 me acompanha.




Joni Mitchel - All I Want

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Sandy Denny - The North Star Grassman and the Ravens

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70


Nesta passagem por 20 discos de excepção que marcaram a década de 70, cinco  eram de 1970 e já os recordei, passo agora para o ano de 1971 aonde fui buscar mais quatro álbuns. O primeiro dos quais é "The North Star Grassman and the Ravens" da minha saudosa Sandy Denny.


Edição Espanhola de 1971 Ref: 85.675-L, (ILPS 9165)

E assim pela segunda vez incluo Sandy Denny nesta escolha dos 20 mais da década de 70, primeiro foi com "Fotheringay" do grupo homónimo e agora a solo, o seu primeiro disco a solo com esse nome estranho de "The North Star Grassman and the Ravens".
Infelizmente não teve o sucesso que ela merecia, mas teve o reconhecimento dos leitores do jornal britânico "Melody Maker" que a consideraram pelo segundo ano consecutivo a melhor cantora do ano.









Composto, na edição original, por 11 canções, 1 tradicional ("Blackwaterside"), 1 rockabilly ("Let's Jump the Broomstick"), 1 versão ("Down in the Flood", de Bob Dylan) e 8 originais da própria Sandy Denny. Entre elas está o tema que dá título ao álbum e que é referida por Patrick Humphries, nas notas da "Deluxe Edition" de 2011, assim:
"The title track ... echoes with the unharnessed power of the sea, while suggesting a swerve into wonderland world of Lewis Carroll.", embarquemos então em "The North Star Grassman and The Ravens".




Sandy Denny - The North Star Grassman and the Ravens

terça-feira, 18 de junho de 2019

Neil Young – After the Gold Rush

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70


Poucos foram os músicos que se revelaram na década de 60 que tiveram um percurso tão longo e profícuo como Neil Young. Presença regular neste Blog já deram com certeza conta que Neil Young se encontra entre as minhas preferências, não só dos anos 60 e 70 mas também de hoje, mantendo uma regularidade de gravações de qualidade ainda assinaláveis. Este ano acabou de publicar, saído dos arquivos, "Tuscaloosa", álbum gravado, no primeiro trimestre de 1973, na Universidade de Alabama e já está anunciado o álbum de estúdio "Pink Moon" (algo a ver com o disco com o mesmo nome de Nick Drake?) com os regressados Crazy Horses. 6 décadas de onde, em todas elas, se podem encontrar gravações excelentes de Neil Young, hoje está em causa a década de 70 e se há disco que mereça ser aqui considerado, é logo "After the Gold Rush"
 "After the Gold Rush" era o terceiro registo a solo de Neil Young, o primeiro da nova década, e ao longo dos anos veio, progressivamente a ganhar novos adeptos e a ser considerado, por muitos, como o seu melhor trabalho. Foi o primeiro que conheci na íntegra pois foi o primeiro LP de Neil Young que adquiri.


Edição portuguesa em vinil de 1972 com a ref: REP 44088

É um disco singular, daqueles que marcam uma geração, pelo menos a mim deixou marcas significativas com composições tão distintas como "Southern Man", "After the Gold Rush", ou a escolha de hoje, "Tell Me Why". Assim começava este lindíssimo disco, deliciem-se.




Neil Young - Tell Me Why

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Fotheringay - Fotheringay

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70

Absolutamente único este 4º álbum do ano de 1970 que se encontra nestas minhas escolhas de discos "ímpares da década de 70", "Fotheringay" do grupo com o mesmo nome, registo único da então formação da Sandy Denny.

Quis a fortuna que, quando foi editado, encontra-se numa loja do Porto este disco, ao que consegui apurar trata-se de uma edição do Reino Unido de 1970 com a referência ILPS 9125.


Formato: Vinil, LP, Repress, Gatefold; Etiqueta: Island Records - ILPS 9125

Mais um disco que me acompanha há quase 50 anos e que eu preservo com todo o cuidado. Durante muitos anos não mais encontrei "Fotheringay" à venda até ao advento do CD com várias edições, a partir de 1987 encontram-se duas faixas extra respectivamente "Two Last Weeks In Summer" e "Gypsy Davey". Mais recentemente, 2015, aparece na compilação "Nothing More (The Collected Fotheringay)" constituída por 3 CD e 1 DVD. Nesta edição as faixas extras são:

-"The Sea",  "Winter Winds"  e "The Pond And The Stream" (Studio Demos)
- "The Way I Feel" (Original Version)
- "Banks Of The Nile" e "Winter Winds" (Alternate Takes)

Uma delícia para os fãs de Sandy Denny e desta sua formação que existiu somente no ano de 1970.
Musicalmente e esteticamente, aprecie-se a capa, também, "Fotheringay" é um disco ímpar da música popular em geral e do Folk-Rock em particular. Ter tido toda a minha vida a oportunidade de desfrutar desta pequena maravilha foi, e é ainda, uma enorme satisfação, a ele volto regularmente.
Para todos os que tiverem gostado das passagens que já fiz por este disco a sugestão só pode ser a sua aquisição, agora que é fácil, está à distancia de um click. Entretanto tempo para ouvir "Banks of the Nile", um tradicional com arranjos de Sandy Denny e Trevor Lucas, um ponto muito alto não só deste álbum como de toda a música Folk. Sandy Denny no seu melhor, desta vez com os Fotheringay.




Fotheringay - Banks of the Nile

domingo, 16 de junho de 2019

Elton John – Elton John

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70


Fonte inesgotável de prazer o registo de Elton John do ano de 1970. "Elton John" foi o disco que deu a conhecer o seu autor e que por isso, para muitos ficou, como o seu primeiro disco, quando, na realidade, ele tinha sido antecedido de "Empty Sky" no ano anterior.
"Elton John" foi a obra-prima de Elton John e nunca mais por ele igualada nos 30 álbuns de estúdio que ele gravou até à data. Distinto, sóbrio, elegante, com arranjos envolventes de Paul Buckmaster e interpretações excelentes de Elton John colocaram este disco entre os melhores do ano e no final da década ainda encontrava um lugar de destaque. Como hoje, continua a ser uma referência do que melhor a década de 70 nos deixou.


Edição portuguesa de 1970 com a ref: DJLPS 406


São dele temas inesquecíveis como "Your Song", "Sixty Years On" e "Border Song" que entretanto podem ser escutadas em Regresso ao Passado mais antigos. Para hoje escolhi mais uma pequena pérola devidamente guardada neste LP que me acompanha há quase 50 anos, "I Need You to Turn To" é o nome. Para ouvir de preferência no silêncio absoluto da noite.




Elton John - I Need You to Turn To

sábado, 15 de junho de 2019

The Doors – Morrison Hotel

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70

Só no ano de 1970 encontram-se 5 dos 20 álbuns que estão, para mim, como dos mais representativos da década de 70 ou, dizendo de outra maneira, que, olhando hoje para aqueles anos, são dos que, seja qual for a razão, mais me tocaram e maiores saudades me deixaram.

Ontem recordei o primeiro, "Bridge Over Troubled Water" do duo Simon and Garfunkel, hoje vou, por ordem cronológica, para o segundo que é, nada mais nada menos, que "Morrison Hotel" dos muito singulares The Doors.


Edição italiana em vinil de 1977, ref: W 42080, EKS 75007




The Doors, que preencheram alguns dos melhores momentos das minhas recordações musicais, publicavam em 1970 o seu 5º álbum de originais e retornavam ao som puro e duro do Rock e do Blues que tão bem cultivaram.
"Morrison Hotel" encontra-se entre as manifestações mais poderosas do Blues-Rock, "Land Ho!", "Peace Frog", "Roadhouse Blues", "Blue Sunday", que se podem descobrir neste blog, são disso testemunho. Grandes canções, intemporais, que se ouvem ainda hoje não de forma exclusivamente nostálgica mas com um vigor e satisfação que muita da música popular de agora não tem e não dá.

Na edição em CD de 2007, comemorativa dos 40 anos dos The Doors, David Fricke escrevia:
"... in November 1969, Morrison, organist Ray Manzarek, guitarrist Robby Krieger, and drummer John Densmore started making the music Morrison described that day - electric blues, anchored in tradition but pointed to the future - at Elektra Records, Los Angeles studios. The result - 11 original songs, sung and played with concentrated fire and muscular concision - would be released a mere three months later, in February 1970, as Morrison Hotel." 


Para o "futuro" ficava, por exemplo, "Waiting for the Sun". Ora ouçam.

"This is the strangest life I've ever known"




The Doors - Waiting for the Sun

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Simon and Garfunkel - Bridge Over Troubled Water

Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 70


Depois de, em tempos, ter, sob tema "Passagem por 20 álbuns ímpares da década de 60" recordado 20 LP marcantes daquela década, nada mais natural do que fazer, agora, o mesmo para a década de 70.

Escolhas circunstanciais, feitas sem grande reflexão, ou seja, foram os discos que me vieram à memória, num primeiro exercício, de forma muito espontânea. Como tal acredito que esta lista feita noutra altura poderia ser diferente, mas não muito, são as minhas impressões e não as de qualquer "best of" que se pode encontrar com facilidade na internet. Só tive que ter uma preocupação, pois comecei a constatar que facilmente chegava aos 20 discos somente com os primeiros anos da década, pelo que tive que conceder de forma a chegar a 1979. Mesmo assim 12 das escolhas concentram-se nos primeiros 3 anos, o que por um lado julgo corresponder a uma realidade objectiva, decréscimo de qualidade/quantidade ao longo dos anos, por outro uma razão subjectiva, os estudos universitários (1973-1978) e algum envolvimento político pós 25 de Abril de 1974 terão levado a uma menor atenção ao que ia sendo produzido, acredito que mais a primeira que a segunda.
Um constatação interessante após a lista já estar elaborada, o nº de álbuns em nome individual supera de longe o de grupos, isto num tempo em que os conjuntos Rock estavam tão em voga.


Procurarei seguir a ordem da data pela qual foram editados sem qualquer ordem de preferência, começo pois pelo ano de 1970 e por aquele que viu primeiro a luz do dia, "Bridge Over Troubled Water" de Simon and Garfunkel.


Edição portuguesa ref: 63699, CBS S 63699


Um disco histórico, uma referência obrigatória! Era o fim do duo Simon and Garfunkel e o prenúncio do fim de um ciclo musical também ele ímpar da música popular moderna. Foi um grande sucesso, e bem merecido, em quase todo o lado muito se ouviu "Bridge Over Troubled Water", não só a canção como quase todo o disco.

Aos poucos, sob os mais diversos pretextos, já está quase todo o álbum disponível através de diversos Regresso ao Passado .
Se são amantes da música popular e por algum motivo não têm este disco, façam favor de o adquirir, de preferência em Vinil, depois em CD ou, por fim, em formato Digital.
Segue "Why Don't You Write Me".




Simon and Garfunkel - Why Don't You Write Me

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Stephen Stills – Change Partners

É bom lembrar a rádio que por cá se fazia no final dos anos 60, início dos anos 70.

A revista “Vida Mundial” referia-se assim ao programa de rádio “Página Um”:
“A arrancada contra o esquema tradicional do comodismo; a superação do imobilismo de que enferma a radiodifusão portuguesa; uma rubrica que começa a marcar posição de destaque na paupérrima imaginação da rádio nacional. Um novo conteúdo ou a linha de continuidade de uma nova expressão que alguns novos trouxeram para os microfones.” "Vida Mundial" nº 1579 de 12-09-1969

David Crosby, Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young foram 4 músicos com passagem regular naquele programa e foram dos mais importantes na definição das diversas matizes do Folk-Rock então em pleno desenvolvimento. A solo ou nas diversas combinações musicais que efectuaram entre si: Crosby, Stills & Nash, Crosby, Stills, Nash & Young, The Stills-Young Band, Crosby & Nash, para não recuar aos Buffalo Springfield, The Byrds e The Hollies onde deixaram marca, foram no período de 1969 a 1974 de uma produtividade fora do vulgar e tiveram o devido destaque na variada programação que “Página Um” dispunha. Desta vez a evidência vai para Stephen Stills.




Depois do álbum de estreia, “Stephen Stills” de 1970, onde se destacava "Love the One You're With", em 1971 é editado “Stephen Stills 2” onde se prolonga a boa aceitação que o disco de estreia tinha tido. Aqui o destaque ia para "Change Partners" que tão bem me recordo de ouvir no “Página Um”. “Página Um”, um programa que primava pela sobriedade, diversidade e qualidade musical, não dependendo de qualquer “play-list” como a generalidade dos programas de hoje.
Página Um”, em 1969 “começa a marcar posição de destaque”, em 1971 uma certeza na melhor programação da nossa rádio. Agora, como se fora 1971, sem a voz nasalada de José Manuel Nunes para apresentar, eis Stephen Stills e "Change Partners".




Stephen Stills – Change Partners

quarta-feira, 12 de junho de 2019

if - Your City Is Falling

O primeiro concerto Rock a que assisti foi no Coliseu do Porto, decorria o ano de 1972, tinha pois os meus 15/16 anos, o grupo principal era inglês e dava pelo nome de if, grupo de Jazz-Rock, uma 2ª vaga, e 2ª linha também, do que melhor então se fazia com os Blood, Sweat & Tears e Chicago à cabeça. Actuaram também em Lisboa e no "flyer" desse concerto podia-se ler:
" IF é ainda a única banda inglesa no seu género. A mistura dos melhores elementos do Jazz e do Rock normalmente resulta em desastre, especialmente em Inglaterra, onde algumas tentativas nesse sentido viram os seus objectivos transformados em desemprego. O principal motivo que origina esta situação reside no facto de serem escassos os músicos de Jazz de grande categoria, tendo como agravante o facto de poucos entre eles conseguirem atingir a perfeita noção do que é fundamentalmente para constituir um conjunto «Rock» bem conseguido. Neste particular os «IF» lograram uma certa vantagem à partida sobre iniciativas idênticas, porque a sua formação incluiu desde logo dois dos músicos mais respeitados no mundo do Jazz e que são Dick Morrisey (saxofone-tenor e flauta) e Terry Smith (guitarra), bem acompanhados pelos também excelentes J. W. Hodgkinson (vocalista), Dave Quincy (tenor e flauta) Eric Leese (órgão e piano), Dave Wintour (baixo) e Cliff Davies (bateria), tendo com estes elementos criado à sua volta um clima de expectativa e interesse bastante acentuado mesmo antes de se apresentarem ao público."


Iam, então, no 4º álbum ("if", "if2", "if3", "if4").  Em 1971 a conhecida revista “Billboard” tinha-se referido aos if, a propósito de um concerto destes em Los Angeles, desta forma: “If is unquestionably the best of the so-called jazz-rock groups”.





Não irei tão longe, mas também, foi pena, terem ficado praticamente esquecidos. Vamos então ao fundo do baú e saquemos aquele que por cá teve maior divulgação, o álbum “if2”. Dele escolhi “Your City Is Falling” que bem se ouvia em alguns programas da nossa rádio.




if - Your City Is Falling

terça-feira, 11 de junho de 2019

Jethro Tull - Locomotive Breath

O ano de 1971 viu surgir o 4º e melhor álbum dos Jethro Tull: “Aqualung”.

“Aqualung” é não só dos melhores discos de 1971, mas de sempre! Um disco na intercepção de um Rock mais “hard” e o tradicional Folk. Uma mistura difícil, mas explosiva quando bem feita, é o caso. À época foi considerado um álbum polémico e de, à primeira audição, difícil aceitação. Na realidade, era, no mínimo, desconcertante, ao oscilar entre o extremamente simples de “Wand’ring Aloud” e a complexidade de “My God” ou o tema título “Aqualung”. A unidade era dada pela temática do álbum, a visão de Ian Anderson sobre Deus e a religião. A própria capa (de muito bom gosto), um mendigo (com semelhanças evidentes com Ian Anderson), a mostrar onde se deve procurar Deus, nos vadios e indefesos da sociedade.
O alto valor dos Jethro Tull culminava no seu líder, cantor, compositor e flautista fora do vulgar: Ian Anderson, um verdadeiro animal de palco.

LP com a ref: ILPS9145, edição do Reino Unido de 1971




Um dos temas mais ouvidos, e que tem acompanhado os Jethro Tull ao longo dos tempos, é "Locomotive Breath", o ritmo e o barulho de um comboio repleto e descontrolado, uma paródia ao crescimento populacional desgovernado.

Segue "Locomotive Breath" (para ouvir alto) dos Jethro Tull um dos grupos mais originais de sempre.




Jethro Tull - Locomotive Breath

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Leonard Cohen - Famous Blue Raincoat

Depois de 2 magníficos álbuns, 1971 seria o ano de Leonard Cohen gravar o sobre-excelente e inultrapassável “Songs of Love and Hate”.
Este é um dos pontos mais altos da música popular dos últimos 60 anos. É um álbum triste, como quase toda a discografia de Cohen, de uma beleza angustiante, por vezes mesmo depressivo (neste particular só ultrapassável, anos mais tarde, por Ian Curtis e os Joy Division). Canções de ódio, mas também de amor como “Famous Blue Raincoat” que escolhi para hoje. “Songs of Love and Hate” acabaria por ser um marco, os anos sessenta terminavam aqui.


Edição portuguesa de 1971 com a referência S 69004


Socorrendo-me de um artigo intitulado “Como ser um Crítico de Rock – um guia prático” de Miguel Esteves Cardoso publicado na revista “Música e Som” em 1981, recomendava ele a certa altura:
“Há duas coisas que nunca deveria escrever: a primeira é «a não perder» e a segunda «indispensável». Sabe-se que «indispensável» quer dizer algo sem o qual não se pode absolutamente passar e, à parte a excepção que constitui «Songs of Love and Hate», de Leonard Cohen, não há disco algum que corresponda a essa exigência. É logo evidente que todos os discos Rock são dispensáveis, uns mais que outros.” 

“Songs of Love and Hate” é a obra-prima de Leonard Cohen. “Songs of Love and Hate” é um disco indispensável e “Famous Blue Raincoat” o seu expoente máximo.




Leonard Cohen - Famous Blue Raincoat

domingo, 9 de junho de 2019

Comus - The Herald

Entre um Rock Progressivo em crescendo e o estertor da música popular “hippie”, “flower power” pós 1967, assim se situaram os melhores registos musicais do ano de 1971.

Nos primeiros, os Yes, Emerson, Lake & Palmer, Jethro Tull, Gentle Giant, Led Zeppelin e The Who, nos segundos Leonard Cohen, David Crosby, Ian Matthews, Stephen Stills, Mary Travers, Graham Nash, Cat Stevens, James Taylor, Tom Paxton e Loudon Wainwright III. E algures no meio The Doors, Blood, Sweat & Tears, Chicago, Seatrain, Comus e Procol Harum.
Por aqui passou o que de melhor o ano de 1971 nos deixou.

Hoje o destaque vai para os muito pouco conhecidos Comus. A origem musical é nitidamente “folk” mas o resultado é claramente "progressivo". É nesta simbiose que se desenvolve o som desta gravação única de nome “First Utterance”, estávamos no ano de 1971. Não tendo obtido qualquer êxito rapidamente desapareceram tendo regressado em 2008 para satisfação dos mais nostálgicos.
De seguida podemos ver os regressados Comus a tocar “The Herald” :





 “And somewhere in the black distance 
Another herald puts down his flute
And the dewy dawn creeps on
And the night withdraws” 

Imperdível, para uma audição melhorada, mais cuidada, mais intensa, segue o original da mesma canção “The Herald” (12 minutos encantadores), entretanto deixemo-nos arrebatar pelo arauto e a sua flauta enquanto os dias seguem inexoravelmente o seu caminho.




Comus - The Herald

sábado, 8 de junho de 2019

Joni Mitchell - Blue

A década de 60 termina em... 1971.
A atestá-lo está um conjunto de discos de qualidade maior e que nos fazia acreditar que o som da década anterior estava para ficar, eis alguns exemplos:
- Pearl – Janis Joplin
- Mary – Mary Travers
- Mud Slide Slim & the Blue Horizon – James Taylor
- Songs for Beginners –  Graham Nash
- The North Star Grassman and the Ravens – Sandy Denny
- Blue – Joni Mitchell
- If You Saw Throught My Eyes –  Ian Matthews
- Imagine – John Lennon
- Honky Dory –  David Bowie
- L.A. Woman – The Doors

E muitos mais, e ainda o melhor do melhor “Songs of Love and Hate” de Leonard Cohen.
Mas o ano iria ser marcado pelo triunfar do Rock Progressivo, então com uma qualidade que rapidamente se evaporaria, eis alguns exemplos:
- Meddle – Pink Floyd
- The Yes Album – Yes
- Nursery Crime – Genesis
- Islands – King Crimson
- Acquaring the Taste – Gentle Giant
- In Concert with the Edmonton Symphony – Procol Harum
- Aqualung – Jethro Tull
- Tarkus – Emerson, Lake & Palmer
(uma curiosidade: os preços dos álbuns eram de 157$50 ou 188$50 conforme fossem edições nacionais ou importados)

O destaque, hoje, vai para o primeiro grupo e entre eles para Joni Mitchell e esse maravilhoso álbum que foi “Blue”.
Joni Mitchell com um percurso de décadas imaculado, soube criar uma sonoridade única e ser admirada nas mais diversas áreas, do Folk ao Jazz (Herbie Hancock não resistiu e gravou o álbum “River: The Joni Letters” só com músicas dela).


Edição alemã em Vinil de 1999 (?) com as Ref: 44 128, (MS 2038), K 44 128


“ Joni Mitchell – todas as canções dela – fez e faz a música mais esquecida e subestimada do mundo inteiro. Joni Mitchell é a verdade da arte musical.”, Miguel Esteves Cardoso, jornal “Público”, 10 de Julho de 2011.
Era a “voz de rouxinol” como lhe chamava José Manuel Nunes no programa “Página Um”.

“Blue”, o tema título, manifestação superior da arte de Joni Mitchell, segue para audição.




Joni Mitchell - Blue

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Judy Collins - Amazing Grace

Mais uma boa memória de 1971. “Amazing Grace” é um hino religioso que data do século XVIII, teve infinitas versões e foi utilizada pelos cantores Folk dos anos 60 em luta pelos direitos humanos e contra a guerra do Vietname.
A primeira versão que me lembro (e talvez por isso a que mais gosto) é a da cantora norte-americana Judy Collins e fechava o álbum “Whales & Nightingales” de 1970. Então muito popular Judy Collins destacou-se na interpretação de outros autores nomeadamente Bob Dylan, Leonard Cohen e Joni Mitchell. Fez parte activa do movimento hippie e contestatário da década de 60.
Escrevia Miguel Esteves Cardoso a propósito de “Whales & Nightingales”:
“Tão glorioso como os seus álbuns de 60, este álbum tem o coração dum espiritual negro, retendo ainda alguma da pureza do folk que Judy Collins elevara a um novo plano de sensibilidade poética.”


http://www.45cat.com, edição portuguesa


“Amazing Grace” foi gravado na igreja de St Paul em Nova Iorque e demonstra Judy Collins na posse de uma voz segura e plena de emoção, seria um dos seus maiores êxitos e fica, para sempre, como uma das melhores recordações de 1971.
Em Maio de 1971 “Amazing Grace” estava, em Portugal, no Top 10 de Singles e EP.
Seguem 4 minutos abençoados, “Amazing Grace” pela Judy Collins.




Judy Collins - Amazing Grace


PS: A confirmar a popularidade do tema “Amazing Grace”, também em 1971, Rod Stewart fez uma pequena versão a merecer a melhor atenção.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

T Rex - Jeepster

Na primeira metade da década de 70 desenvolveu-se um género de Rock que tomou a designação de Glam Rock (Glam de Glamour). Musicalmente muito abrangente, desde o Pop mais comercial dos Sweet, ao rock mais complexo e vanguardista dos Roxy Music, o Glam Rock impôs-se mais como estética visual onde dominavam as roupas extravagantes, penteados e maquilhagens andróginas; David Bowie é o melhor exemplo, na estética e na música.

O ano de 1971 despontava para o Glam Rock com um dos seus primeiros representantes, os T. Rex de Marc Bolan. Formados ainda nos anos 60 como Tyrannosaurus Rex iriam abreviar o nome para T.Rex, ao mesmo tempo que adoptavam um som mais “eléctrico” e uma estética condizente com o tal glamour. E a nossa rádio, e os nossos Top 10 foram invadidos pelos T.Rex, primeiro “Hot Love” seguido de “Get It On”, “Jeepster”, “Telegram Sam” e ainda “Metal Guru” e o famoso “Children of the Revolution”.


https://www.discogs.com, edição portuguesa a valer 75€

“Hot Love”, talvez a que teve maior sucesso, não resistiu ao passar dos anos, consumiu-se nos amores do veraneio de 1971 e aí ficou. "Jeepster" foi o 3º Single saído do seminal LP "Electric Warrior" que agora recordo com alguma nostalgia dos tempos de juventude onde tudo parecia evidente e menos complicado.




T.Rex - Jeepster

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Don McLean - Vincent

Mais um álbum que marcou definitivamente o ano de 1971. O disco é “American Pie” e dava a conhecer ao mundo o cantor folk norte-americano Don McLean. Era o 2º e foi o mais aclamado registo de Don McLean onde o destaque maior ia, precisamente, para a canção título “American Pie”.

Da longa e nunca explicada letra aqui fica o refrão:
“We were singing,"bye-bye, miss american pie."
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin’ whiskey and rye
And singin’, "this’ll be the day that I die.
"this’ll be the day that I die."” 

 Do mesmo álbum, não teve o destaque de “American Pie”, mas, mesmo assim, foi sobejamente divulgada, a minha escolha e a minha preferida: “Vincent”. “Vincent” é Van Gogh, Vincent Van Gogh e a canção relata a vida e obra do pintor.
“Starry Night…” (quadro com o mesmo nome), “sketch the trees and the daffodils…” (esboço de árvores e narcisos), “How you suffered for your sanity”, “You took your life, as lovers often do" (a sanidade e suicídio de Van Gogh).


https://www.discogs.com/



“Vincent” a simplicidade e beleza no melhor de Don McLean. 1971, decididamente ainda um grande ano.




Don McLean - Vincent

terça-feira, 4 de junho de 2019

Buffy Sainte-Marie - Soldier Blue

Uma bela canção e uma grande intérprete marcaram o ano de 1971. A canção foi “Soldier Blue” e a cantora a índia, canadiana Buffy St Marie.
Sem o êxito internacional que tiveram, e ainda têm, os seus conterrâneos Leonard Cohen (1934-2016), Joni Mitchell e Neil Young, Buffy St Marie fez parte do grupo de cantores de protesto dos anos 60 e viu canções suas serem interpretadas por grandes nomes como Donovan, Gram Parsons, Janis Joplin, Joe Cocker e até Elvis Presley.
Uma das suas primeiras canções foi “Universal Soldier” (1963) que foi mais conhecida no lado de cá do Atlântico na versão de Donovan.


https://www.discogs.com/



“Soldier Blue” passou regularmente na nossa rádio em 1971 no programa “Página Um”, já não a ouvia há muitos anos mas é daqueles temas que nunca mais se esquece.
“Soldier Blue” marcou definitivamente o ano de 1971 e deu-me a conhecer esta grande voz que agora recordo com alguma saudade, é verdade.




Buffy Sainte-Marie - Soldier Blue

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Curved Air - Back Street Luv

O ano de 1971 foi um ano de transição. A melhor música popular Anglo-saxónica pós-hippie fazia-se ainda ouvir, mas "a depressão apática pós-Woodstock", como dizia o Miguel Esteves Cardoso, manifestava-se e abria espaços para o surgimento do Rock sinfónico e progressivo.

Tecnicamente bem dotados, os grupos que então surgiram não controlaram as suas tendências megalómanas e rapidamente se tornaram, na maior parte, insuportáveis, morrendo aos pés do punk que em 1976 explodiria. Quem no final da década de 70 suportava os exageros de Keith Emerson (Emerson, Lake and Palmer), as viagens ao centro do mundo ("Journey to the center of the world") do ex-Yes Rick Wakeman, os arranjos aparatosos dos Pink Floyd a disfarçar uma nítida quebra de qualidade (mesmo com "The Wall"), a inferioridade dos Genesis sem Peter Gabriel, os Jethro Tull esgotados, os The Who moribundos ...?
De entre os grupos a praticar um Rock progressivo e que, como tantos outros, não sobreviveu à década de 70 estiveram os Curved Air (1970-1976), com o destaque directo para Sonja Kristina, na voz, e Darryl Way, no violino. No início da década de 70 o violino tinha deixado de ser instrumento de orquestras sinfónicas ou de grupos folclóricos para invadir o mundo do Rock, os Curved Air foram um dos primeiros.

https://www.discogs.com



O tema que segue é "Back Street Luv", a canção mais popular do grupo e bem característica da síntese entre a sonoridade mais agressiva então praticada e a voz "folk" de Sonja Kristina.
"Back Street Luv" ficou como uma referência do ano de 1971.




Curved Air - Back Street Luv

domingo, 2 de junho de 2019

The Byrds - Chestnut Mare

Vou continuar a recordar canções do ano de 1971, um ano que particularmente gosto, não fosse ter então 14 anos. Algumas das canções já estão disponíveis neste blog nomeadamente sob o tema "1971 - Algumas escolhas de Miguel Esteves Cardoso", mas a elas volto, podia agora ser "1971 - Algumas das minhas escolhas". Foram canções que marcaram o ano de 1971 e que me deram enorme satisfação. A satisfação das mesmas, fica, agora, ao gosto de cada um.


Don McLean, Judy Collins, Byrds, Buffy St Marie, Curved Air e T. Rex são alguns dos destaques daquele ano. Começo pelos The Byrds.

Um dos grupos mais marcantes da década de 60, com seu início em 1964, viu o seu final em 1973. Estava pois já próximo o fim. Grupo com múltiplas formações e múltiplas sonoridades, do Folk-Rock ao Rock mais psicadélico, fizeram êxito com versões inesquecíveis de canções como “Mr. Toumbourine Man” (Bob Dylan), “Turn! Turn! Turn!” (Pete Seeger), mas também com originais como “So You Want to Be a Rock 'n' Roll Star”, “Ballad of Easy Rider” (do filme “Easy Rider”) ou o tema agora em questão “Chestnut Mare” do álbum “Untitled” (e já iam no nono álbum).


https://en.wikipedia.org


O período áureo já tinha passado, mas “Chestnut Mare” ainda transportava o melhor som praticado pelos The Byrds a meio da década de 60. Definitivamente, o ano de 1971 resistia a despedir-se da década anterior. “Chestnut Mare”, actualmente um clássico do Folk-Rock norte-americano, foi uma das canções mais representativas do ano de 1971.




The Byrds - Chestnut Mare

sábado, 1 de junho de 2019

Bob Dylan - The Mighty Quinn

mundo da canção nº 8 de Julho de 1970

Ainda algumas notas sobre este nº da revista "mundo da canção" que hoje termino a sua recordação.

Primeiro uma página com "mc figuras" com duas fotos, os Ohio Express e Sir Douglas Quintet, dois grupos muito pouco conhecidos, mas nada de importante , o primeiro já recordei, há dois anos atrás, a propósito da publicação da letra da canção "Cowboy Convention" no nº 4 da revista, o segundo já os referi como autores da canção "Mendocino" que a recordei na versão do alemão Michael Holm.




Depois uma secção intitulada "Tiro pela Direita", onde são referidas o que de menos bom era editado e se aproveitava para as críticas mais negativas, de "Instant Karma" do John Lennon à versão da "Pedra Filosofal" pelo Carlos do Carmo. Nem António Macedo se safava com a sua "Sei de uma menina".






Uma página com "Fotos e Notícias", Luís Rego, Pedro Barroso e Mungo Jerry são as fotos e as notícias e deles já dei a devida nota neste blog.




Finalmente "Curiosidades do Mundo da Canção", as curiosidades vão para Bob Dylan, Led Zeppelin, Mungo Jerry, Leonard Cohen, Mick Jagger e Country Joe.





Destas curiosidades proponho a audição "The Mighty Quinn", Bob Dylan ao vivo no Festival da Ilha de Wight, pertencia ao duplo LP "Self Portrait" de 1970.




Bob Dylan - The Mighty Quinn