O regresso de Joni Mitchell aos palcos constitui um dos pontos mais altos nas
recordações de 2022.
Para a história fica a inesperada aparição de Joni Mitchell no Newport Folk
Festival onde ela tinha actuado pela primeira vez em 1967 pela mão de Judy Collins. Sob o nome Brandi Carlile and Friends surge a surpresa da Joni Mitchell que já não actuava desde 2000. Lembre-se que Joni Mitchell,
actualmente com 79 anos sofreu, em 2015, de um aneurisma cerebral que lhe
retirou mobilidade e capacidade de falar e tocar. Um longo processo de
recuperação e de reaprendizagem permitiu que se pudesse voltar a ouvir Joni Mitchell cantar temas tão carismáticos como "Both Sides Now", "Circle Game",
"Big Yellow Taxi" ou, novidade, a interpretação do clássico "Summertime".
Entretanto em termos discográficos Joni Mitchell continua empenhada na edição
dos seus arquivos, para além de material nunca editado também a edição
remasterizada da discografia oficial.
The Asylum Albuns (1972-1975)-Caixa de 4 CD com refs:R2 680935 / 603497840960-1
Depois da caixa "The Reprise Albums
(1968–1971)" editada em 2021, seguiu-se no ano que acabou "The Asylum Albums
(1972–1975)" contendo os seguintes álbuns:
- For the Roses (1972) - Court and Spark (1974) - Miles
of Aisles (1974)
- The Hissing of Summer Lawns (1975)
Neil Young escreve para Joni Mitchell
Em "Miles of Aisles" pode-se ouvir a seguinte versão ao vivo de "Both Sides Now".
Recorde-se a maravilhosa Joni Mitchell!
Richard Thompson é um dos meus músicos preferidos desde há mais de 50 anos.
Tem sabido gerir a sua carreia com qualidade relevante e continua aos 73 anos
a ser uma figura de referência no melhor Folk-Rock praticado. Quanto ao ano de
2022 não foi, no que diz respeito a edições discográficas, dos mais
significativos.
Espera-se, ansiosamente, por novo álbum de inéditos, o último "13 Rivers" data
de 2018 não considerando a edição caseira de "Bloody Noses/Serpents Tears"
(2021), que tanto quanto sei não tem ainda data prevista. Não foi em 2022,
esperemos que seja em 2023.
Quanto a 2022 as novidades ficaram pela reedição de "Music from Grizzly Man"
banda sonora do filme-documentário "Grizzly Man" de Werner Herzog editado em
2005. Eu, que não sou muito dado a bandas sonoras reconheço e recomendo este
CD, podem primeiro ver o filme e depois adquiri-lo.
Edição USA, pela No Quarter com a ref: NOQ080-2
Em Agosto foi editado o álbum "Live From Honolulu" pelo The Richard Thompson
Acoustic Trio formado por ele próprio e mais dois músicos
extraordinários, Michael Jerome, percussões e Danny Thompson no baixo.
Infelizmente a edição só está disponível em formato digital e a aguardada
edição física ainda não se realizou, esperemos.
Entretanto fiquemos com esta pequena maravilha, "Waltzing's For Dreamers" que
pertencia originalmente ao álbum "Amnesia" de 1988. Richard Thompson ao vivo
em Honolulu em data incerta mas provavelmente 2006.
Admirável é a persistência de Neil Young, que aos 77 anos, tal como Van Morrison, mantem uma actividade surpreendente, senão vejamos:
Em termos de gravações são publicados no ano de 2022 nada mais que 7 álbuns, a
saber:
Na longa e complexa divisão discográfica em séries dos arquivos oram
publicados, em Maio de 2022, 3 álbuns Official Bootleg Series (OBS) cujo
propósito seria melhorar a qualidade sonora de gravações que circulam de forma
não oficial. Depois do promissor "Carnegie Hall", OBS01, publicado em 2021,
eis os referidos álbuns:
- OBS03 - "I'm Happy That Y'all Came Down" gravado em Los Angeles Music Center
Dorothy Chandler Pavilion a 1 de Fevereiro de 1971
https://www.discogs.com/
- OBS04 - "Royce Hall" gravado em Royce Hall (UCLA-Los Angeles) a 30 de
Janeiro de 1971.
https://www.discogs.com/
e
- OBS05 - "Citizen Kane Jr. Blues" gravado em The Bottom Line, New York City,
16 de Maio de 1974
Edição Shakey Pictures Records em CD
Optei pela aquisição deste último por se tratar de um período menos
explorado, comparado com os anos de 1970, 1971, em termos de gravações ao
vivo e com o aliciante de ouvir temas do álbum "On The Beach" ao vivo. No
entanto, contrariamente às expectativas, pois Neil Young é um arauto da
qualidade sonora, o som é de baixa qualidade, trata-se mesmo de um
"bootleg"!
No mês de Julho mais um álbum novo de Neil Young, desta feita acompanhado
pelos Crazy Horse. Trata-se do álbum "Toast" a fazer parte da Special
Release Series (SRS) com o nº 09.
Edição canadiana da Reprise, em CD, com a ref: 93624985150
O álbum foi gravado em 2001com os Crazy Horse e que Neil Young pôs de lado,
por ser demasiado triste, gravando e editando em seu lugar "Are You
Passionate?", um álbum então menos bem recebido mas que eu apreciei. Quatro
das sete canções que compõem "Toast" foram regravadas em "Are You
Passionate?". "Toast", um grande álbum felizmente editado, entre o melhor de
Neil Young.
O mês de Agosto trás mais um álbum de Neil Young, agora a encaixar em PS
(Performance Series) tendo o nº 21. "Noise & Flowers" é mais um grande
álbum de Neil Young aqui acompanhado pelos Promise of the Real, gravado ao
vivo na Europa em 2019 e dedicado ao seu manager, Elliot Roberts, por mais
de 50 anos e falecido pouco antes. Um disco a agradar a fãs de várias
gerações e portanto bastante recomendado.
E chega o mês de Novembro e com ele um novo álbum de originais a integrar a
Original Realease Series (ORS), trata-se de "World Record" e leva o nº 52.
Edição alemã da Reprise, em CD, com a ref:93624869009
Com apreciações contraditórias "World Record" encontra-se, para mim abaixo,
dos anteriores "Colorado" (2019) e "Barn" (2021), talvez por procurar novos
ambientes não característicos do acompanhamento dos Crazy Horse e por falta
de maturação de algumas boas ideias. Parece-me um álbum inacabado, tanto
mais que sendo um duplo CD, o primeiro só tem cerca de 30 minutos e o
segundo não chega aos 18. Nada que me surpreenda, sempre tive a sensação que
se Neil Young fosse mais ponderado no nº de gravações o produto final
poderia ser ainda melhor.
E finalmente veio o mês de Dezembro e a edição comemorativa dos 50 anos do
álbum "Harvest", o 4º da sua discografia a solo e aquele que lhe trouxe
maior popularidade. "Harvest - 50th Anniversary Edition" é composto por 3 CD
e 2 DVD e é com certeza de se adquirir à primeira oportunidade, pelo menos
pelos fãs como eu.
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Que assim continue por muitos e bons anos, serão mais horas de prazer
àquelas que ele já me forneceu desde que há mais de 50 anos o descobri.
Do álbum "World Record" a proposta vai para "Chevrolet", aqui Neil Young e
os Crazy Horse no seu melhor.
Depois de um interregno maior do que estava à espera, férias e Natal pelo
meio, eis que estou, neste início de ano de volta aos meus Regresso ao
Passado. E começo por uma viagem curta no tempo, como tem sido meu hábito com
uma retrospectiva do ano terminado, ou seja alguma da música que fui ouvindo
ao longo do ano de 2022.
Para começar recordar como é que a velha geração dos anos 60 marcou presença
neste ano. E, embora sejam cada vez menos os sobreviventes daqueles anos,
alguns teimam em, de alguma forma, se manterem musicalmente vivos.
Começo com Van Morrison que mais uma vez marca presença com nova gravação.
"What's It Gonna Take?" é o 43º álbum de estúdio e continua marcado pela sua
posição contra a aceitação da pandemia COVID o que contribui para um álbum
mediano e dos menos interessantes da sua longa carreira. Salva-se pela boa
prestação musical a que nos habituou, de qualquer forma um disco que não
ficará para a história. Eu sei que a idade não o permite, Van Morrison já tem
77 anos, mas talvez devesse fazer uma pausa nas gravações o que parece que não
irá acontecer pois já foi anunciado novo álbum, "Moving On Skiffle", para
Março próximo.
Ouça-se "Pretending", como se Van Morrison fosse novo...
Mais um grupo do qual pouco ficou na história da música popular e que faz
estreia nestes meus Regresso ao Passado, quem se lembra dos Beggars Opera?
Escoceses de origem os Beggars Opera produziram um Rock Progressivo agradável
à época mas nada de verdadeiramente inovador, ouve-se a sua música e logo se
dá conta da semelhança com outros grupos bem mais interessantes. À memória vêm
os
Emerson, Lake and Palmer, ou talvez mais correctamente
The Nice
pelas semelhanças de Alan Park nos teclados com
Keith Emerson.
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"Raymond's Road" era o tema de que me lembrava melhor, pertencia ao primeiro
LP "Act One" e foi publicado em 1970. Para quem for apreciador aqui vão estes
longos onze minutos de "Raymond's Road".
Os King Crimson foram uma das bandas mais bem conseguidas do Rock Progressivo,
com alguns interregnos ainda existem sob a batuta do seu líder, o guitarrista
Robert Fripp, o único que se mantem desde o princípio em 1968. Da formação
actual destaca-se ainda Mel Collins regressado depois de ter integrado o grupo
de 1970 a 1972 e, para além do já histórico Tony Levin, a presença de três
(!!) bateristas.
Muitos outros músicos de relevo passaram pelos King Crimson, lembro-me de Greg Lake, John Wetton, Bill Bruford, Adrian Belew, e os originais Michael Giles e
Ian McDonald. E cheguei aos dois nomes que pretendia, ou seja estes dois
últimos que pertenceram à formação inicial dos King Crimson tendo ambos saído no ano
de 1969.
Michael Giles, baterista e Ian McDonald (1946-2002), teclados e sopros
mantiveram-se juntos para a realização de um único álbum, "McDonald and
Giles", publicado em 1970.
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Sem dúvida um bom disco que devia ter tido melhor recepção assim como
continuidade. Soa a King Crimson por todos os lados, é verdade, mas não faziam
eles parte dos King Crimson? O duo privilegiou uma faceta mais calma que, para
meu gosto, o torna ainda hoje muito agradável de se ouvir. Começava com o tema
longo "Suite In C" que fica como sugestão de audição.
Mais um grupo da área do Rock Progressivo que surgiu no ano de 1970 e que
gravou de imediato o seu disco de estreia, quem se lembra dos Curved Air?
Sim os grupos de Rock pululavam no final dos anos 60, início da década de 70,
em particular aqueles que procuravam explorar novos caminhos para a evolução
que o Rock operava desde o surgimentos dos The Beatles. Curved Air era um
desses grupos.
Já não era o Rock simples, pró Pop, de êxito fácil, os novos grupos sondavam
novos desafios introduzindo instrumentos até então desconhecidos no âmbito das
formações tradicionais do Pop-Rock. Era o caso dos Curved Air que, para além
dos sintetizadores que então começaram a vulgarizarem-se, electrificaram o
violino e passaram-no a usar, via Darryl Way, como instrumento central em
muitas das suas composições. E depois tínhamos a voz única e límpida
de Sonja Kristina, que eu gostava particularmente, que estabelecia uma
ligação periclitante com o virtuosismo musical dos restantes elementos dos
Curved Air.
O álbum de estreia, surgiu logo em 1970 designou-se "Airconditioning" e por
ele já passei por duas vezes. Não foi o melhor disco do grupo, esse continua a
ser "Phantasmagoria" (1972) mas trazia algo de novo ao Rock então tão
apelativo.
Desta vez fica para ouvir "Hide And Seek", uma sonoridade original rapidamente
copiada por muitos outros grupos.
Um dos melhores grupos de Rock Progressivo, senão o melhor, foram os Gentle Giant que duraram toda a década de 70 (iniciaram-se em 1970 e terminaram em
1980). Foram também um dos menos conhecidos, talvez por algum experimentalismo
que a sua música manifestava mas também pela postura do grupo pouco dado a
abordagens comerciais, mesmo depois do fim até hoje recusaram-se a regressar à
ribalta.
Com uma discografia composta por onze álbuns de originais, a minha atenção
fixou-se nos quatro primeiros trabalhos editados de 1970 a 1972. Pouco a pouco
o Rock Progressivo foi perdendo força e também os Gentle Giant não resistiram
ao seu declínio.
Edição do Reino Unido com a ref: 6360020. Preço 216$00 (cerca de 1 €)
Do surpreendente 1º álbum de 1970, que já recordei várias vezes, aqui vai uma
faixa, "Isn't It Quiet And Cold". Espero que apreciem tanto quanto eu naqueles
tempos e ainda agora também.
Keith Emerson fez parte dos The Nice, Greg Lake dos King Crimson e Carl Palmer
dos Atomic Rooster. Os três em 1970 formam os Emerson, Lake and Palmer.
Apreciei imenso os ELP mas foi sol de pouca dura, não resisti aos primeiros
quatro álbuns que adquiri quando foram editados (entre 1970 e 1972) para logo
depois deles desligar. Para mim tinham esgotado, à semelhança de muitos grupos
de Rock Progressivo da mesma altura, e pareciam-me pretensiosos e
progressivamente desajustados no tempo.
Edição portuguesa, em vinil, referência 10.287224.35
O melhor estava quando foram novidade pelo que fiquemos no ano de 1970, ano do
primeiro álbum homónimo e claramente o trabalho mais bem conseguido do grupo.
Predominantemente instrumental, mas com belíssimas intervenções de Greg Lake
nas faixas com voz, era composto por seis temas das quais quatro originais e
duas adaptações de composições de músicos clássicos, Béla
Bartók, Leoš Janáček e Johann Sebastian Bach.
Tendo em conta que já recordei "Take a Pebble", "The Barbarian" e "Lucky Man",
continuo com "Knife-Edge", um arranjo de Keith Emerson sobre composições
de Leoš Janáček e Johann Sebastian Bach.
Em 1970 os Genesis eram um grupo muito pouco conhecido, eu pelo menos
desconhecia-os de todo. Na realidade só os conheci em 1972 com o excelente
"Foxtrot", um dos melhores discos de Rock Progressivo de sempre, para logo de
seguida conhecer o anterior ""Nursery Crime" do ano anterior que com muitos
bons momentos de Rock não atinge o nível de "Foxtrot".
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Mas antes ainda mais dois LP respectivamente "From Genesis to Revelation"
(1968) e "Trespass" (1969) que ficaram para mim desconhecidos durante muito
tempo, o que, na verdade, não se perdeu muito dada a inferioridade evidente
dos mesmos. Tão pouco se poderão catalogar de Rock Progressivo, embora
"Trespass" dele se aproxime em temas como "The Knife" que agora se pode ouvir.
De notar que nem Phil Collins, nem Steve Hackett faziam ainda parte do grupo.
De qualquer forma Tony Banks nos teclados e Peter Gabriel na voz e flauta eram
já marcas reconhecíveis do que veio a ser a melhor sonoridade do grupo.
Se a memória não me falha "Atom Heart Mother" foi o primeiro LP dos Pink Floyd
que adquiri no início dos anos 70. Publicado em 1970 era o 5º álbum do grupo
inglês já com reconhecimento em alguns países (Reino Unido, França, EUA, por
exemplo) mas ainda longe do estrelado que com o correr da década de 70 iria
obter.
"Atom Heart Mother" é provavelmente o álbum mais polémico do grupo, um disco
com duas faces bem distintas, a primeira uma suite com mais de 23m gravada com
orquestra era uma das experiências mais atrevidas e polémica da fusão da
música de um quarteto de Rock e os coros, cordas e metais clássicos. No dizer
de Jean-Marie Leduc, em "Pink Floyd", "Atom Heart Mother", a composição, terá
provocado o deleite de uma população menos jovem, enquanto o segundo lado, bem
mais variado, explorava sons que iam do Folk à música Concreta. Para Roger
Waters "Atom Heart Mother é apenas uma passagem. uma experiência"
Edição de 1970 do Reino Unido com a referência SHVL 781
O álbum terminava com uma peça instrumental de 13 minutos de nome "Alan's
Psychedelic Breakfast" dividida em três partes "Rise and Shine", "Sunny Side
Up" e "Morning Glory". Era mais um tema a gerar discórdia quanto ao seu valor.
Entre o psicadélico e a música Concreta aprecie-se "Alan's Psychedelic
Breakfast", os Pink Floyd na sua fase mais experimental.
Mais um grupo de Rock Progressivo que me traz as melhores memórias. Com a
música dos The Moody Blues fizeram-se ligações de três gerações. Por volta de
1970 dei a ouvir The Moody Blues ao meu pai e foi o suficiente para o cativar
para o universo sonoro do Rock mais imaginativo. O mesmo fiz com a minha
filha, agora em CD, já nos anos 90 e passadas duas décadas, quando do Rock
Progressivo já nada sobrava, a "velha" música dos The Moody Blues ainda lhe
prendeu a a atenção.
Há muito que The Moody Blues deixaram de produzir algo de minimamente
interessante, actualmente restam as digressões que John Lodge e Justin
Hayward, recordando velhos êxitos, ainda realizam a solo, resta pois recuar e
recordar os sete álbuns realizados entre 1967 e 1972 e a bela música que eles
encerram.
Entre eles está "A Question of Balance" de 1970, que ainda consta em excelente
estado de conservação na minha discoteca, e que a ele recorro de tempos a
tempos, começando por admirar a capa que naqueles tempos eram complementos
verdadeiramente artísticos.
Abandonando o formato conceptual dos álbuns anteriores, "A Question Of
Balance" apresentava ainda um conjunto de canções dignas de registo.
Acrescento às que já divulguei mais esta, "Dawning Is the Day".
Não sei se já o disse, mas no início dos anos 70 tinha um fraquinho pelo grupo
de Rock Progressivo de nome Yes.
O primeiro álbum que me lembro de ter ouvido foi "The Yes Album", de 1971, que
logo adquiri pois correspondia a algo que nunca antes tinha ouvido, era tudo
novo desde a voz de Jon Anderson à sonoridade criada pelos restantes músicos,
a saber nesta altura, Chris Squire (1948-2015), Steve
Howe, Tony Kaye e Bill Bruford.
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Mas antes já os Yes tinham gravado 2 LP, o homónimo álbum de 1969 e "Time and
Word", dois discos ainda com Peter Banks no lugar que viria a ser de
Steve Howe, dois discos que não tiveram o sucesso que "The Yes Album" viria a
ter e ainda em busco de um som que a entrada de Steve Howe viria ajudar a
definir.
Para recordar os primórdios dos Yes fica o teme título "Time and a Word".
Isto da catalogação dos músicos e grupos em determinado género tem que se lhe
diga. Muitas das vezes nem sequer os imagino em determinado género, mas o
rótulo indica-os como tal. Vale o que vale e vale pouco, o que efectivamente
interessa é a real qualidade, novidade e criatividade que apresentam.
Lembro-me dos Traffic que aparecem nas listagens do Rock Progressivo e que eu,
quando me lembro deles, associo mais ao Folk-Rock e ao Jazz-Rock.
Adiante, que, como disse, o importante é a obra que nos deixaram e a dos
Traffic não é de menosprezar. Com uma formação centrada em Steve Winwood, Dave Mason , Jim Capaldi (1944-2005) e Chris Wood
(1944-1983), também por lá passaram músicos como Ric Grech (1945-1990),
ex-Family e ex-Blind Faith, e Rebop Kwaku Baah (1944-1983).
Referência ILPM 9116, edição de 1987 do Reino Unido, faz parte da série: Island Life Collection
"John Barleycorn Must Die" marca o ano de 1970, é o quarto álbum do grupo e é
um dos meus preferidos.
Deste álbum a canção que mais se ouvia era "Empty Pages" que já se encontra
disponível para audição noutro Regresso ao Passado, para hoje sugiro, a
escolha não é fácil pois este trabalho é muito homogéneo, "Glad" a faixa de
abertura composta por Steve Winwood.
O Rock dito progressivo teve experiências bem radicais no final dos anos 60,
início da década de 70. Em particular as que procuraram a fusão do Rock com a
música Clássica. Os exemplos mais evidentes são a dos The Moody Blues, em
1967, com "Days of Future Passed", os Procol Harum com "Procol Harum Live: In
Concert with the Edmonton Symphony Orchestra" editado em 1972 mas gravado ao
vivo no ano anterior, os Deep Purple com "Concerto for Group and Orchestra" em
1969 e talvez menos conhecido os Pink Floyd com a peça "Atom Heart Mother" que
ocupava o lado A do álbum com o mesmo nome gravado com a EMI Pops Orchestra em
1970.
Por ventura menos conhecida é a proposta de hoje, o grupo dá pelo nome The Nice, um grupo vanguardista inglês, que existiu de 1967 a 1970 e onde
pontificava a figura de Keith Emerson mais conhecido pelos históricos Emerson, Lake and Palmer e o álbum é predominantemente ao vivo tendo o nome de "Five
Bridges". O disco foi editado em 1970 já após do fim do grupo e as gravações
ao vivo foram realizadas em Croydon em 1969.
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The Nice foram a expressão maior do Rock Progressivo no final da década de 60,
aqui numa experiência sinfónica com o suporte The Sinfonia Of London, onde são
interpretados temas de Sibelius, Tchaikovsky, e a suite "Five Bridges" da
autoria de Keith Emerson e Lee Jackson que ocupava todo o lado A.
Foram muitos os discos de Rock Progressivo que se editaram no ano de 1970, era
um género recém-nascido, em pleno crescimento e pleno de potencialidades que
permitiu a muitos grupos afirmarem-se com características muito próprias e
facilmente identificáveis. Fosse pela vocalização, pelos instrumentos
utilizados ou (e) pelo estilo de composição, mal se ouvia um disco novo
rapidamente se reconhecia de que grupo se tratava. É o exemplo de hoje com os
Procol Harum cuja voz de Gary Brooker (1945-2022) e o estilo de composição
entre o barroco e o Rock Psicadélico os colocavam entre os grupos que eu mais
apreciava no seio do Rock progressivo.
Em particular os primeiros discos do grupo que tão grandes canções nos
deixaram de "A Whiter Shade of Pale" e "Homburg" à obra prima que
foi "Salty Dog" (álbum e canção), sem esquecer por exemplo "In Held 'Twas
in I" ou "Whaling Stories".
"Home" é o quarto LP do grupo e foi editado em 1970. Um disco um pouco
inferior aos anteriores, pelo menos para meu gosto, talvez à procura de acerto
após a saída de Matthew Fisher, organista dos Procol Harum desde a sua
formação.
"Dead Man's Dream", um tema relativamente desconhecido do grupo é uma das
minhas preferências deste álbum, é a proposta que fica para audição.
Constituíram-se em meados dos anos 60 e tiveram o seu melhor período na
década de 70 onde se encontram os seus mais significativos trabalhos, são os
Barclay James Harvest, mais um grupo inglês de Rock Progressivo.
Aos mais atentos não passaram despercebidos os primeiros trabalhos do grupo
onde se destacava a canção "Mocking Bird" do segundo álbum "Once Again"
(1971), isto antes de ganharem maior notoriedade com discos como "Time
Honoured Ghosts" (1975) e o auge da popularidade com o álbum ao vivo "Berlin
(A Concert For The People)" de 1982, mas gravado em 1980, junto ao muro que
então separava as duas Alemanhas.
Quanto ao ano de 1970 que é o que agora me interessa os Barclay James Harvest publicaram o primeiro LP de nome homónimo e diga-se passou quase
despercebido, pelo menos eu não me recordo de todo pelo que tive de ouvir
agora. Os anos passaram mas não trouxeram valor acrescentado a este
disco
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De "Taking Some Time On", que foi editada em Single, não gostei, seguiu-se
"Mother Dear" que me deu algum alento para continuar, assim como com "The Sun
Will Never Shine" e lá fui ouvindo sem grande entusiasmo o resto do álbum.
E no final tinha os sons de "When The World Was Woken" no ouvido pelo que fica
como exemplo dos primórdios dos Barclay James Harvest.
Um dos projectos musicais mais interessantes da minha juventude e que também
abordaram o Rock Progressivo, embora não fossem menos atraentes quando
estiveram mais próximos do Blues-Rock e do Folk-Rock, foram os Jethro Tull.
Por cá os Jethro Tull não era um grupo muito conhecido, pelo menos nos
primeiros anos (1968-1970) em que publicaram três bem inovadores álbuns e onde
a figura de Ian Anderson se foi tornando dominante no grupo, a divulgação
maior veio no início dos anos 70 com disco com "Aqualung", "Thick as a Brick"
e "Passion Play".
No ano de 1970, que estou a recordar, os Jethro Tull editam "Benefit", o seu
terceiro trabalho e no qual constavam temas com riff bem poderosos como então
estava em moda no Rock de características mais progressivas.
Edição em vinil da Chrysalis, ref:ILPS 9123, de 1970
importada do Reino Unido
De um tempo em que as novidades musicais proliferavam de dia para dia, quer em
quantidade quer em diversidade eis o tema de abertura "With You There to
Help Me".
Uma das minhas preferências na área do Rock Progressivo ia para os
King Crimson, um dos grupos pioneiros do género que tive oportunidade de ver uma única
vez em 1980 no Estádio de Belém em Lisboa.
Um dos que melhor navegaram nas águas do dito Rock Progressivo e talvez os
únicos que o conseguiram com a devida qualidade até aos nossos dias, facto que
se deverá ao seu líder
Robert Fripp
e à qualidade dos músicos de que se rodeou ao longo de quase seis décadas com
algumas interrupções pelo meio.
Depois do surpreendente "In the Court of the Crimson King" (1969), somos
prendados, no ano de 1970, com mais dois álbuns bem representativos das
sonoridades que o grupo então explorava, "In the Wake of Poseidon" e "Lizard".
Edição em CD de 2000 com a referência CDVKC2 da editora
Virgin
À época gostava mais do primeiro que do segundo, talvez a sentir a falta da
voz de
Greg Lake
entretanto saído para integrar um dos super grupos de maior sucesso, os
Emerson, Lake and Palmer. Por isso volto a "In the Wake of Poseidon" para sugerir para audição o tema
título. Mais um belo tema que o Rock Progressivo nos deixou.
Depois dos
Soft Machine
faz todo o sentido continuar com os
Caravan
nesta senda que estou a efectuar pelo Rock Progressivo no ano de 1970. Tal
como os
Soft Machine
são oriundos de Canterbury e a sua música insere-se na mesma "Canterbury
Scene", aliás os dois grupos tiveram origem em músicos que faziam parte dos
Wilde Flowers ou seja as raízes foram as mesmas.
Constituíram-se em 1968 e em 1970 publicam o seu segundo LP, "If I Could Do It
All Over Again, I'd Do It All Over You", aquele que eu conheci melhor.
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Se o tema título foi o mais divulgado, tendo sido editado em Single, a
proposta de audição vai, no entanto, para o tema longo "With An Ear To The
Ground You Can Make It" bem condizent
com os sons mais experimentais que os
grupos de Rock Progressivo exploravam naqueles tempos. Aí vai.
Caravan - With An Ear To The Ground You Can Make It
Os Soft Machine foram um dos grupos mais importantes do Rock Progressivo do
Reino Unido. Formados em Canterbury em 1966 foram o centro musical do que
ficou conhecido como "Canterbury Scene", conjunto de músicos que privilegiaram
O Rock Progressivo, o improviso e o Rock de fusão com o Jazz.
Talvez o grupo que melhor aproximação fez do Rock ao Jazz. Os anos de ouro dos
Soft Machine foram de 1968 a 1971, antes da saída de Robert Wyatt, período em
que gravaram quatro álbuns seminais bem distintos do que a maior parte dos
grupos faziam, mesmos os da área do Rock Progressivo.
"Third" era o terceiro álbum do grupo e foi publicado em 1970. Quatro faixas,
cada uma a ocupar cada lado do álbum duplo que era, no tempo do vinil.
Com mais de dezanove minutos segue "Moon In June", da autoria de Robert Wyatt,
uma das minhas preferidas do grupo.
Daevid Allen (1938-2015) foi um músico de origem australiana que ficou
conhecido por fazer parte da formação inicial de grupos como os Soft Machine e
Gong, ambos com origens no ano de 1967. Dois grupos conectados com o Rock
Progressivo, os dois com presença discográfica no ano de 1970.
Impedido de regressar a Inglaterra após digressão na Europa com os Soft Machine, então no seu início e ainda sem qualquer gravação efectuada, Daevid
Allen fica em Paris onde forma os Gong. O primeiro LP, de nome "Magick
Brotrher", só vai surgir em 1970 apresentando uma sonoridade muito psicadélica
com laivos jazzísticos bem notórios.
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Deste estranho álbum bem demonstrativo dos caminhos que o Rock explorava
escolho o tema "Gong Song".
Aqui continuo eu na senda de álbuns, de 1970, do chamado Rock Progressivo.
Depois do desvio que fiz aos Estados Unidos para ouvir Frank Zappa, eis de
volta às Ilhas Britânicas, onde o Rock Progressivo nasceu e melhor se deu. E
continuo com um grupo que também ele editou dois álbuns em 1970, o grupo é Van der Graaf Generator e os álbuns são: "The Least We Can Do Is Wave to Each
Other" e "H to He, Who Am the Only One".
A sonoridade do grupo é única, original e bem identificável não só pela voz do
seu líder Peter Hammil mas também, em particular, pela singularidade dos
sopros a cargo de David Jackson. Menos populares que os seus congéneres da
época, talvez com uma música menos comercial com temas, regra geral longos,
que oscilavam entre belas baladas e tema complexos e muito bem elaborados.
Edição do Reino Unido em vinil com a ref: CHC 5 de 1982
A escolha de hoje vai para o LP "The Least We Can Do Is Wave to Each Other"
sobre o qual disse o próprio Peter Hammil:
"Don't listen when you're hustling, because it won't get in your head.
Don't listen when you're angry, because you'll smash something. Don't listen
when you're depressed, because you'll get more so. Don't listen with any
preoccupations, because you'll blow it. And if you're a perpetually angry,
depressed hustler with set ideas, don't bother, it wasn't meant for you in
the first place".
Sem pressas, sem zangas, sem depressão, com nenhuma preocupação a proposta de
audição vai para "Refugees".
Disse no anterior Regresso ao Passado que o Rock Progressivo foi um movimento
musical surgido na segunda metade dos anos 60 fundamentalmente britânico. E
assim foi, os melhores grupos do género surgiram nas ilhas britânicas. No
entanto, alargando a definição de Rock Progressivo, já de si bastante
abrangente, podemos encontrar, nomeadamente nos Estados Unidos, grupos que de
alguma forma podemos referenciá-los nesta categoria.
Por exemplo The Mothers of Invention. Formados a meio da década de 60, neles
pontificava Frank Zappa (1940-1993), figura excêntrica e multifacetada
da cena underground norte-americana, desenvolveram um projeto musical cuja
sonoridade demonstrava as mais variadas influências, do Rock à distante música
Concreta.
O ano de 1970 foi particularmente fértil. The Mothers of Invention publicam
dois álbuns, "Burnt Weeny Sandwich" e "Weasels Ripped My Flesh" e Frank Zappa
"Chunga's Revenge".
"Chunga's Revenge" seguia-se ao excelente "Hot Rats" (1969), o primeiro que
conheci de Frank Zappa, dele escolhi a faixa longa "The Nancy & Mary
Music" com a sua profusão de géneros.