quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Joni Mitchell - Both Sides Now

 Algumas memórias de 2022

O regresso de Joni Mitchell aos palcos constitui um dos pontos mais altos nas recordações de 2022.

Para a história fica a inesperada aparição de Joni Mitchell no Newport Folk Festival onde ela tinha actuado pela primeira vez em 1967 pela mão de Judy Collins. Sob o nome Brandi Carlile and Friends surge a surpresa da Joni Mitchell que já não actuava desde 2000. Lembre-se que Joni Mitchell, actualmente com 79 anos sofreu, em 2015, de um aneurisma cerebral que lhe retirou mobilidade e capacidade de falar e tocar. Um longo processo de recuperação e de reaprendizagem permitiu que se pudesse voltar a ouvir Joni Mitchell cantar temas tão carismáticos como "Both Sides Now", "Circle Game", "Big Yellow Taxi" ou, novidade, a interpretação do clássico "Summertime".



Entretanto em termos discográficos Joni Mitchell continua empenhada na edição dos seus arquivos, para além de material nunca editado também a edição remasterizada da discografia oficial.


The Asylum Albuns (1972-1975)-Caixa de 4 CD
 com refs:R2 680935 / 603497840960-1


Depois da caixa "The Reprise Albums (1968–1971)" editada em 2021, seguiu-se no ano que acabou "The Asylum Albums (1972–1975)" contendo os seguintes álbuns:

- For the Roses (1972)
- Court and Spark (1974)
- Miles of Aisles (1974)
- The Hissing of Summer Lawns (1975)


Neil Young escreve para Joni Mitchell

 

Em "Miles of Aisles" pode-se ouvir a seguinte versão ao vivo de "Both Sides Now". Recorde-se a maravilhosa Joni Mitchell!




Joni Mitchell - Both Sides Now

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Richard Thompson - Waltzing's For Dreamers

Algumas memórias de 2022


Richard Thompson é um dos meus músicos preferidos desde há mais de 50 anos. Tem sabido gerir a sua carreia com qualidade relevante e continua aos 73 anos a ser uma figura de referência no melhor Folk-Rock praticado. Quanto ao ano de 2022 não foi, no que diz respeito a edições discográficas, dos mais significativos.

Espera-se, ansiosamente, por novo álbum de inéditos, o último "13 Rivers" data de 2018 não considerando a edição caseira de "Bloody Noses/Serpents Tears" (2021), que tanto quanto sei não tem ainda data prevista. Não foi em 2022, esperemos que seja em 2023.

Quanto a 2022 as novidades ficaram pela reedição de "Music from Grizzly Man" banda sonora do filme-documentário "Grizzly Man" de Werner Herzog editado em 2005. Eu, que não sou muito dado a bandas sonoras reconheço e recomendo este CD, podem primeiro ver o filme e depois adquiri-lo.


Edição USA, pela No Quarter com a ref: NOQ080-2


Em Agosto foi editado o álbum "Live From Honolulu" pelo The Richard Thompson Acoustic Trio formado por ele próprio e mais dois músicos extraordinários, Michael Jerome, percussões e Danny Thompson no baixo. Infelizmente a edição só está disponível em formato digital e a aguardada edição física ainda não se realizou, esperemos. 




Entretanto fiquemos com esta pequena maravilha, "Waltzing's For Dreamers" que pertencia originalmente ao álbum "Amnesia" de 1988. Richard Thompson ao vivo em Honolulu em data incerta mas provavelmente 2006.





Richard Thompson - Waltzing's For Dreamers

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Neil Young - Chevrolet

  Algumas memórias de 2022


Admirável é a persistência de Neil Young, que aos 77 anos, tal como Van Morrison, mantem uma actividade surpreendente, senão vejamos:

Em termos de gravações são publicados no ano de 2022 nada mais que 7 álbuns, a saber:

Na longa e complexa divisão discográfica em séries dos arquivos oram publicados, em Maio de 2022, 3 álbuns Official Bootleg Series (OBS) cujo propósito seria melhorar a qualidade sonora de gravações que circulam de forma não oficial. Depois do promissor "Carnegie Hall", OBS01, publicado em 2021, eis os referidos álbuns:

- OBS03 - "I'm Happy That Y'all Came Down" gravado em Los Angeles Music Center Dorothy Chandler Pavilion a 1 de Fevereiro de 1971

https://www.discogs.com/

- OBS04 - "Royce Hall" gravado em Royce Hall (UCLA-Los Angeles) a 30 de Janeiro de 1971.

https://www.discogs.com/

e
- OBS05 - "Citizen Kane Jr. Blues" gravado em The Bottom Line, New York City, 16 de Maio de 1974

Edição Shakey Pictures Records em CD


Optei pela aquisição deste último por se tratar de um período menos explorado, comparado com os anos de 1970, 1971, em termos de gravações ao vivo e com o aliciante de ouvir temas do álbum "On The Beach" ao vivo. No entanto, contrariamente às expectativas, pois Neil Young é um arauto da qualidade sonora, o som é de baixa qualidade, trata-se mesmo de um "bootleg"!

No mês de Julho mais um álbum novo de Neil Young, desta feita acompanhado pelos Crazy Horse. Trata-se do álbum "Toast" a fazer parte da Special Release Series (SRS) com o nº 09.


Edição canadiana da Reprise, em CD, com a ref: 93624985150

O álbum foi gravado em 2001com os Crazy Horse e que Neil Young pôs de lado, por ser demasiado triste, gravando e editando em seu lugar "Are You Passionate?", um álbum então menos bem recebido mas que eu apreciei. Quatro das sete canções que compõem "Toast" foram regravadas em "Are You Passionate?". "Toast", um grande álbum felizmente editado, entre o melhor de Neil Young.

O mês de Agosto trás mais um álbum de Neil Young, agora a encaixar em PS (Performance Series) tendo o nº 21. "Noise & Flowers" é mais um grande álbum de Neil Young aqui acompanhado pelos Promise of the Real, gravado ao vivo na Europa em 2019 e dedicado ao seu manager, Elliot Roberts, por mais de 50 anos e falecido pouco antes. Um disco a agradar a fãs de várias gerações e portanto bastante recomendado.

E chega o mês de Novembro e com ele um novo álbum de originais a integrar a Original Realease Series (ORS), trata-se de "World Record" e leva o nº 52.


Edição alemã da Reprise, em CD, com a ref:93624869009

Com apreciações contraditórias "World Record" encontra-se, para mim abaixo, dos anteriores "Colorado" (2019) e "Barn" (2021), talvez por procurar novos ambientes não característicos do acompanhamento dos Crazy Horse e por falta de maturação de algumas boas ideias. Parece-me um álbum inacabado, tanto mais que sendo um duplo CD, o primeiro só tem cerca de 30 minutos e o segundo não chega aos 18. Nada que me surpreenda, sempre tive a sensação que se Neil Young fosse mais ponderado no nº de gravações o produto final poderia ser ainda melhor.

E finalmente veio o mês de Dezembro e a edição comemorativa dos 50 anos do álbum "Harvest", o 4º da sua discografia a solo e aquele que lhe trouxe maior popularidade. "Harvest - 50th Anniversary Edition" é composto por 3 CD e 2 DVD e é com certeza de se adquirir à primeira oportunidade, pelo menos pelos fãs como eu.


https://www.discogs.com/

Que assim continue por muitos e bons anos, serão mais horas de prazer àquelas que ele já me forneceu desde que há mais de 50 anos o descobri.

Do álbum "World Record" a proposta vai para "Chevrolet", aqui Neil Young e os Crazy Horse no seu melhor.



Neil Young - Chevrolet

domingo, 1 de janeiro de 2023

Van Morrison - Pretending

 Algumas memórias de 2022


Depois de um interregno maior do que estava à espera, férias e Natal pelo meio, eis que estou, neste início de ano de volta aos meus Regresso ao Passado. E começo por uma viagem curta no tempo, como tem sido meu hábito com uma retrospectiva do ano terminado, ou seja alguma da música que fui ouvindo ao longo do ano de 2022.

Para começar recordar como é que a velha geração dos anos 60 marcou presença neste ano. E, embora sejam cada vez menos os sobreviventes daqueles anos, alguns teimam em, de alguma forma, se manterem musicalmente vivos.

Eis alguns nomes: Roger Waters, Neil Young, Van Morrison, Justin Hayward, Bruce Springsteen, John Cale, John Mayall, Richard Thompson, Joni Mitchell e ainda os Jethro Tull, Chicago...




Começo com Van Morrison que mais uma vez marca presença com nova gravação. "What's It Gonna Take?" é o 43º álbum de estúdio e continua marcado pela sua posição contra a aceitação da pandemia COVID o que contribui para um álbum mediano e dos menos interessantes da sua longa carreira. Salva-se pela boa prestação musical a que nos habituou, de qualquer forma um disco que não ficará para a história. Eu sei que a idade não o permite, Van Morrison já tem 77 anos, mas talvez devesse fazer uma pausa nas gravações o que parece que não irá acontecer pois já foi anunciado novo álbum, "Moving On Skiffle", para Março próximo.

Ouça-se "Pretending", como se Van Morrison fosse novo...





Van Morrison - Pretending

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Férias

 Férias!

E agora uma interrupção nos meus Regresso ao Passado para as minhas primeiras férias de reformado.





Espero estar de volta em meados do mês de Dezembro.

Até lá boas recordações musicais!!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Beggars Opera - Raymond's Road

  O Rock Progressivo nos anos 70


Mais um grupo do qual pouco ficou na história da música popular e que faz estreia nestes meus Regresso ao Passado, quem se lembra dos Beggars Opera?

Escoceses de origem os Beggars Opera produziram um Rock Progressivo agradável à época mas nada de verdadeiramente inovador, ouve-se a sua música e logo se dá conta da semelhança com outros grupos bem mais interessantes. À memória vêm os Emerson, Lake and Palmer, ou talvez mais correctamente The Nice pelas semelhanças de Alan Park nos teclados com Keith Emerson.


https://www.discogs.com/


"Raymond's Road" era o tema de que me lembrava melhor, pertencia ao primeiro LP "Act One" e foi publicado em 1970. Para quem for apreciador aqui vão estes longos onze minutos de "Raymond's Road".



Beggars Opera - Raymond's Road

terça-feira, 8 de novembro de 2022

McDonald and Giles - Suite In C

 O Rock Progressivo nos anos 70


Os King Crimson foram uma das bandas mais bem conseguidas do Rock Progressivo, com alguns interregnos ainda existem sob a batuta do seu líder, o guitarrista Robert Fripp, o único que se mantem desde o princípio em 1968. Da formação actual destaca-se ainda Mel Collins regressado depois de ter integrado o grupo de 1970 a 1972 e, para além do já histórico Tony Levin, a presença de três (!!) bateristas.

Muitos outros músicos de relevo passaram pelos King Crimson, lembro-me de Greg Lake, John Wetton, Bill Bruford, Adrian Belew, e os originais Michael Giles e Ian McDonald. E cheguei aos dois nomes que pretendia, ou seja estes dois últimos que pertenceram à formação inicial dos King Crimson tendo ambos saído no ano de 1969.

Michael Giles, baterista e Ian McDonald (1946-2002), teclados e sopros mantiveram-se juntos para a realização de um único álbum, "McDonald and Giles", publicado em 1970.


https://www.discogs.com/


Sem dúvida um bom disco que devia ter tido melhor recepção assim como continuidade. Soa a King Crimson por todos os lados, é verdade, mas não faziam eles parte dos King Crimson? O duo privilegiou uma faceta mais calma que, para meu gosto, o torna ainda hoje muito agradável de se ouvir. Começava com o tema longo "Suite In C" que fica como sugestão de audição.



McDonald and Giles - Suite In C

domingo, 6 de novembro de 2022

Curved Air – Hide And Seek

 O Rock Progressivo nos anos 70


Mais um grupo da área do Rock Progressivo que surgiu no ano de 1970 e que gravou de imediato o seu disco de estreia, quem se lembra dos Curved Air?

Sim os grupos de Rock pululavam no final dos anos 60, início da década de 70, em particular aqueles que procuravam explorar novos caminhos para a evolução que o Rock operava desde o surgimentos dos The Beatles. Curved Air era um desses grupos.

Já não era o Rock simples, pró Pop, de êxito fácil, os novos grupos sondavam novos desafios introduzindo instrumentos até então desconhecidos no âmbito das formações tradicionais do Pop-Rock. Era o caso dos Curved Air que, para além dos sintetizadores que então começaram a vulgarizarem-se, electrificaram o violino e passaram-no a usar, via Darryl Way, como instrumento central em muitas das suas composições. E depois tínhamos a voz única e límpida de Sonja Kristina, que eu gostava particularmente, que estabelecia uma ligação periclitante com o virtuosismo musical dos restantes elementos dos Curved Air.




O álbum de estreia, surgiu logo em 1970 designou-se "Airconditioning" e por ele já passei por duas vezes. Não foi o melhor disco do grupo, esse continua a ser "Phantasmagoria" (1972) mas trazia algo de novo ao Rock então tão apelativo. 

Desta vez fica para ouvir "Hide And Seek", uma sonoridade original rapidamente copiada por muitos outros grupos.



Curved Air – Hide And Seek

sábado, 5 de novembro de 2022

Gentle Giant - Isn't It Quiet And Cold

O Rock Progressivo nos anos 70


Um dos melhores grupos de Rock Progressivo, senão o melhor, foram os Gentle Giant que duraram toda a década de 70 (iniciaram-se em 1970 e terminaram em 1980). Foram também um dos menos conhecidos, talvez por algum experimentalismo que a sua música manifestava mas também pela postura do grupo pouco dado a abordagens comerciais, mesmo depois do fim até hoje recusaram-se a regressar à ribalta.

Com uma discografia composta por onze álbuns de originais, a minha atenção fixou-se nos quatro primeiros trabalhos editados de 1970 a 1972. Pouco a pouco o Rock Progressivo foi perdendo força e também os Gentle Giant não resistiram ao seu declínio.


Edição do Reino Unido com a ref:
6360020. Preço 216$00 (cerca de 1 €)


Do surpreendente 1º álbum de 1970, que já recordei várias vezes, aqui vai uma faixa, "Isn't It Quiet And Cold". Espero que apreciem tanto quanto eu naqueles tempos e ainda agora também.



Gentle Giant - Isn't It Quiet And Cold

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Emerson, Lake & Palmer - Knife-Edge

   O Rock Progressivo nos anos 70


Keith Emerson fez parte dos The Nice, Greg Lake dos King Crimson e Carl Palmer dos Atomic Rooster. Os três em 1970 formam os Emerson, Lake and Palmer. Apreciei imenso os ELP mas foi sol de pouca dura, não resisti aos primeiros quatro álbuns que adquiri quando foram editados (entre 1970 e 1972) para logo depois deles desligar. Para mim tinham esgotado, à semelhança de muitos grupos de Rock Progressivo da mesma altura, e pareciam-me pretensiosos e progressivamente desajustados no tempo.


Edição portuguesa, em vinil, referência 10.287224.35


O melhor estava quando foram novidade pelo que fiquemos no ano de 1970, ano do primeiro álbum homónimo e claramente o trabalho mais bem conseguido do grupo. Predominantemente instrumental, mas com belíssimas intervenções de Greg Lake nas faixas com voz, era composto por seis temas das quais quatro originais e duas adaptações de composições de músicos clássicos, Béla Bartók, Leoš Janáček e Johann Sebastian Bach.

Tendo em conta que já recordei "Take a Pebble", "The Barbarian" e "Lucky Man", continuo com "Knife-Edge", um arranjo de Keith Emerson sobre composições de Leoš Janáček e Johann Sebastian Bach. 



Emerson, Lake & Palmer - Knife-Edge

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Genesis – The Knife

  O Rock Progressivo nos anos 70


Em 1970 os Genesis eram um grupo muito pouco conhecido, eu pelo menos desconhecia-os de todo. Na realidade só os conheci em 1972 com o excelente "Foxtrot", um dos melhores discos de Rock Progressivo de sempre, para logo de seguida conhecer o anterior ""Nursery Crime" do ano anterior que com muitos bons momentos de Rock não atinge o nível de "Foxtrot".


https://www.discogs.com/


Mas antes ainda mais dois LP respectivamente "From Genesis to Revelation" (1968) e "Trespass" (1969) que ficaram para mim desconhecidos durante muito tempo, o que, na verdade, não se perdeu muito dada a inferioridade evidente dos mesmos. Tão pouco se poderão catalogar de Rock Progressivo, embora "Trespass" dele se aproxime em temas como "The Knife" que agora se pode ouvir. De notar que nem Phil Collins, nem Steve Hackett faziam ainda parte do grupo.

De qualquer forma Tony Banks nos teclados e Peter Gabriel na voz e flauta eram já marcas reconhecíveis do que veio a ser a melhor sonoridade do grupo.



Genesis – The Knife

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Pink Floyd - Alan's Psychedelic Breakfast

 O Rock Progressivo nos anos 70


Se a memória não me falha "Atom Heart Mother" foi o primeiro LP dos Pink Floyd que adquiri no início dos anos 70. Publicado em 1970 era o 5º álbum do grupo inglês já com reconhecimento em alguns países (Reino Unido, França, EUA, por exemplo) mas ainda longe do estrelado que com o correr da década de 70 iria obter.

"Atom Heart Mother" é provavelmente o álbum mais polémico do grupo, um disco com duas faces bem distintas, a primeira uma suite com mais de 23m gravada com orquestra era uma das experiências mais atrevidas e polémica da fusão da música de um quarteto de Rock e os coros, cordas e metais clássicos. No dizer de Jean-Marie Leduc, em "Pink Floyd", "Atom Heart Mother", a composição, terá provocado o deleite de uma população menos jovem, enquanto o segundo lado, bem mais variado, explorava sons que iam do Folk à música Concreta. Para Roger Waters "Atom Heart Mother é apenas uma passagem. uma experiência"


Edição de 1970 do Reino Unido com a referência  SHVL 781


O álbum terminava com uma peça instrumental de 13 minutos de nome "Alan's Psychedelic Breakfast" dividida em três partes "Rise and Shine", "Sunny Side Up" e "Morning Glory". Era mais um tema a gerar discórdia quanto ao seu valor. Entre o psicadélico e a música Concreta aprecie-se "Alan's Psychedelic Breakfast", os Pink Floyd na sua fase mais experimental.



Pink Floyd - Alan's Psychedelic Breakfast

terça-feira, 1 de novembro de 2022

The Moody Blues - Dawning Is the Day

O Rock Progressivo nos anos 70


Mais um grupo de Rock Progressivo que me traz as melhores memórias. Com a música dos The Moody Blues fizeram-se ligações de três gerações. Por volta de 1970 dei a ouvir The Moody Blues ao meu pai e foi o suficiente para o cativar para o universo sonoro do Rock mais imaginativo. O mesmo fiz com a minha filha, agora em CD, já nos anos 90 e passadas duas décadas, quando do Rock Progressivo já nada sobrava, a "velha" música dos The Moody Blues ainda lhe prendeu a a atenção.

Há muito que The Moody Blues deixaram de produzir algo de minimamente interessante, actualmente restam as digressões que John Lodge e Justin Hayward, recordando velhos êxitos, ainda realizam a solo, resta pois recuar e recordar os sete álbuns realizados entre 1967 e 1972 e a bela música que eles encerram.

Entre eles está "A Question of Balance" de 1970, que ainda consta em excelente estado de conservação na minha discoteca, e que a ele recorro de tempos a tempos, começando por admirar a capa que naqueles tempos eram complementos verdadeiramente artísticos. 




Abandonando o formato conceptual dos álbuns anteriores, "A Question Of Balance" apresentava ainda um conjunto de canções dignas de registo. Acrescento às que já divulguei mais esta, "Dawning Is the Day".



The Moody Blues - Dawning Is the Day

domingo, 30 de outubro de 2022

Yes - Time and a Word

  O Rock Progressivo nos anos 70


Não sei se já o disse, mas no início dos anos 70 tinha um fraquinho pelo grupo de Rock Progressivo de nome Yes.

O primeiro álbum que me lembro de ter ouvido foi "The Yes Album", de 1971, que logo adquiri pois correspondia a algo que nunca antes tinha ouvido, era tudo novo desde a voz de Jon Anderson à sonoridade criada pelos restantes músicos, a saber nesta altura, Chris Squire (1948-2015), Steve Howe, Tony Kaye e Bill Bruford.


https://www.discogs.com/


Mas antes já os Yes tinham gravado 2 LP, o homónimo álbum de 1969 e "Time and Word", dois discos ainda com Peter Banks no lugar que viria a ser de Steve Howe, dois discos que não tiveram o sucesso que "The Yes Album" viria a ter e ainda em busco de um som que a entrada de Steve Howe viria ajudar a definir.

Para recordar os primórdios dos Yes fica o teme título "Time and a Word".





Yes - Time and a Word

sábado, 29 de outubro de 2022

Traffic - Glad

 O Rock Progressivo nos anos 70


Isto da catalogação dos músicos e grupos em determinado género tem que se lhe diga. Muitas das vezes nem sequer os imagino em determinado género, mas o rótulo indica-os como tal. Vale o que vale e vale pouco, o que efectivamente interessa é a real qualidade, novidade e criatividade que apresentam. Lembro-me dos Traffic que aparecem nas listagens do Rock Progressivo e que eu, quando me lembro deles, associo mais ao Folk-Rock e ao Jazz-Rock.

Adiante, que, como disse, o importante é a obra que nos deixaram e a dos Traffic não é de menosprezar. Com uma formação centrada em Steve Winwood, Dave Mason , Jim Capaldi (1944-2005) e Chris Wood (1944-1983), também por lá passaram músicos como Ric Grech (1945-1990), ex-Family e ex-Blind Faith, e Rebop Kwaku Baah (1944-1983).


Referência ILPM 9116, edição de 1987 do Reino Unido,
faz parte da série: Island Life Collection


"John Barleycorn Must Die" marca o ano de 1970, é o quarto álbum do grupo e é um dos meus preferidos.

Deste álbum a canção que mais se ouvia era "Empty Pages" que já se encontra disponível para audição noutro Regresso ao Passado, para hoje sugiro, a escolha não é fácil pois este trabalho é muito homogéneo, "Glad" a faixa de abertura composta por Steve Winwood.



Traffic - Glad

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

The Nice – Five Bridges

O Rock Progressivo nos anos 70


O Rock dito progressivo teve experiências bem radicais no final dos anos 60, início da década de 70. Em particular as que procuraram a fusão do Rock com a música Clássica. Os exemplos mais evidentes são a dos The Moody Blues, em 1967, com "Days of Future Passed", os Procol Harum com "Procol Harum Live: In Concert with the Edmonton Symphony Orchestra" editado em 1972 mas gravado ao vivo no ano anterior, os Deep Purple com "Concerto for Group and Orchestra" em 1969 e talvez menos conhecido os Pink Floyd com a peça "Atom Heart Mother" que ocupava o lado A do álbum com o mesmo nome gravado com a EMI Pops Orchestra em 1970.

Por ventura menos conhecida é a proposta de hoje, o grupo dá pelo nome The Nice, um grupo vanguardista inglês, que existiu de 1967 a 1970 e onde pontificava a figura de Keith Emerson mais conhecido pelos históricos Emerson, Lake and Palmer e o álbum é predominantemente ao vivo tendo o nome de "Five Bridges". O disco foi editado em 1970 já após do fim do grupo e as gravações ao vivo foram realizadas em  Croydon em 1969.


https://www.discogs.com/


The Nice foram a expressão maior do Rock Progressivo no final da década de 60, aqui numa experiência sinfónica com o suporte The Sinfonia Of London, onde são interpretados temas de Sibelius, Tchaikovsky, e a suite "Five Bridges" da autoria de Keith Emerson e Lee Jackson que ocupava todo o lado A.



The Nice – Five Bridges

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Procol Harum – Dead Man's Dream

  O Rock Progressivo nos anos 70


Foram muitos os discos de Rock Progressivo que se editaram no ano de 1970, era um género recém-nascido, em pleno crescimento e pleno de potencialidades que permitiu a muitos grupos afirmarem-se com características muito próprias e facilmente identificáveis. Fosse pela vocalização, pelos instrumentos utilizados ou (e) pelo estilo de composição, mal se ouvia um disco novo rapidamente se reconhecia de que grupo se tratava. É o exemplo de hoje com os Procol Harum cuja voz de Gary Brooker (1945-2022) e o estilo de composição entre o barroco e o Rock Psicadélico os colocavam entre os grupos que eu mais apreciava no seio do Rock progressivo.

Em particular os primeiros discos do grupo que tão grandes canções nos deixaram de "A Whiter Shade of Pale" e "Homburg" à obra prima que foi "Salty Dog" (álbum e canção), sem esquecer por exemplo "In Held 'Twas in I" ou "Whaling Stories".




"Home" é o quarto LP do grupo e foi editado em 1970. Um disco um pouco inferior aos anteriores, pelo menos para meu gosto, talvez à procura de acerto após a saída de Matthew Fisher, organista dos Procol Harum desde a sua formação.

"Dead Man's Dream", um tema relativamente desconhecido do grupo é uma das minhas preferências deste álbum, é a proposta que fica para audição.



Procol Harum – Dead Man's Dream

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Barclay James Harvest - When The World Was Woken

 O Rock Progressivo nos anos 70


 Constituíram-se em meados dos anos 60 e tiveram o seu melhor período na década de 70 onde se encontram os seus mais significativos trabalhos, são os Barclay James Harvest, mais um grupo inglês de Rock Progressivo.

Aos mais atentos não passaram despercebidos os primeiros trabalhos do grupo onde se destacava a canção "Mocking Bird" do segundo álbum "Once Again" (1971), isto antes de ganharem maior notoriedade com discos como "Time Honoured Ghosts" (1975) e o auge da popularidade com o álbum ao vivo "Berlin (A Concert For The People)" de 1982, mas gravado em 1980, junto ao muro que então separava as duas Alemanhas.

Quanto ao ano de 1970 que é o que agora me interessa os Barclay  James Harvest publicaram o primeiro LP de nome homónimo e diga-se passou quase despercebido, pelo menos eu não me recordo de todo pelo que tive de ouvir agora. Os anos passaram mas não trouxeram valor acrescentado a este disco 


https://www.discogs.com/


De "Taking Some Time On", que foi editada em Single, não gostei, seguiu-se "Mother Dear" que me deu algum alento para continuar, assim como com "The Sun Will Never Shine" e lá fui ouvindo sem grande entusiasmo o resto do álbum.

E no final tinha os sons de "When The World Was Woken" no ouvido pelo que fica como exemplo dos primórdios dos Barclay James Harvest.



Barclay James Harvest - When The World Was Woken

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Jethro Tull – With You There to Help Me

 O Rock Progressivo nos anos 70


Um dos projectos musicais mais interessantes da minha juventude e que também abordaram o Rock Progressivo, embora não fossem menos atraentes quando estiveram mais próximos do Blues-Rock e do Folk-Rock, foram os Jethro Tull.

Por cá os Jethro Tull não era um grupo muito conhecido, pelo menos nos primeiros anos (1968-1970) em que publicaram três bem inovadores álbuns e onde a figura de Ian Anderson se foi tornando dominante no grupo, a divulgação maior veio no início dos anos 70 com disco com "Aqualung", "Thick as a Brick" e "Passion Play".

No ano de 1970, que estou a recordar, os Jethro Tull editam "Benefit", o seu terceiro trabalho e no qual constavam temas com riff bem poderosos como então estava em moda no Rock de características mais progressivas.


Edição em vinil da Chrysalis, ref:ILPS 9123,
 de 1970 importada do Reino Unido


De um tempo em que as novidades musicais proliferavam de dia para dia, quer em quantidade quer em diversidade eis o tema de abertura "With You There to Help Me".



Jethro Tull – With You There to Help Me

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

King Crimson - In the Wake of Poseidon

O Rock Progressivo nos anos 70


Uma das minhas preferências na área do Rock Progressivo ia para os King Crimson, um dos grupos pioneiros do género que tive oportunidade de ver uma única vez em 1980 no Estádio de Belém em Lisboa.

Um dos que melhor navegaram nas águas do dito Rock Progressivo e talvez os únicos que o conseguiram com a devida qualidade até aos nossos dias, facto que se deverá ao seu líder Robert Fripp e à qualidade dos músicos de que se rodeou ao longo de quase seis décadas com algumas interrupções pelo meio.

Depois do surpreendente "In the Court of the Crimson King" (1969), somos prendados, no ano de 1970, com mais dois álbuns bem representativos das sonoridades que o grupo então explorava, "In the Wake of Poseidon" e "Lizard".


Edição em CD de 2000 com a referência CDVKC2 da editora Virgin


À época gostava mais do primeiro que do segundo, talvez a sentir a falta da voz de Greg Lake entretanto saído para integrar um dos super grupos de maior sucesso, os Emerson, Lake and Palmer. Por isso volto a "In the Wake of Poseidon" para sugerir para audição o tema título. Mais um belo tema que o Rock Progressivo nos deixou.



King Crimson - In the Wake of Poseidon

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Caravan - With An Ear To The Ground You Can Make It

   O Rock Progressivo nos anos 70


Depois dos Soft Machine faz todo o sentido continuar com os Caravan nesta senda que estou a efectuar pelo Rock Progressivo no ano de 1970. Tal como os Soft Machine são oriundos de Canterbury e a sua música insere-se na mesma "Canterbury Scene", aliás os dois grupos tiveram origem em músicos que faziam parte dos Wilde Flowers ou seja as raízes foram as mesmas.

Constituíram-se em 1968 e em 1970 publicam o seu segundo LP, "If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You", aquele que eu conheci melhor. 


https://www.discogs.com/


Se o tema título foi o mais divulgado, tendo sido editado em Single, a proposta de audição vai, no entanto, para o tema longo "With An Ear To The Ground You Can Make It" bem condizent com os sons mais experimentais que os grupos de Rock Progressivo exploravam naqueles tempos. Aí vai.



Caravan - With An Ear To The Ground You Can Make It

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Soft Machine – Moon In June

   O Rock Progressivo nos anos 70


Os Soft Machine foram um dos grupos mais importantes do Rock Progressivo do Reino Unido. Formados em Canterbury em 1966 foram o centro musical do que ficou conhecido como "Canterbury Scene", conjunto de músicos que privilegiaram O Rock Progressivo, o improviso e o Rock de fusão com o Jazz.

Talvez o grupo que melhor aproximação fez do Rock ao Jazz. Os anos de ouro dos Soft Machine foram de 1968 a 1971, antes da saída de Robert Wyatt, período em que gravaram quatro álbuns seminais bem distintos do que a maior parte dos grupos faziam, mesmos os da área do Rock Progressivo.




"Third" era o terceiro álbum do grupo e foi publicado em 1970. Quatro faixas, cada uma a ocupar cada lado do álbum duplo que era, no tempo do vinil.

Com mais de dezanove minutos segue "Moon In June", da autoria de Robert Wyatt, uma das minhas preferidas do grupo.



Soft Machine – Moon In June

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Gong - Gong Song

  O Rock Progressivo nos anos 70


Daevid Allen (1938-2015) foi um músico de origem australiana que ficou conhecido por fazer parte da formação inicial de grupos como os Soft Machine e Gong, ambos com origens no ano de 1967. Dois grupos conectados com o Rock Progressivo, os dois com presença discográfica no ano de 1970.

Impedido de regressar a Inglaterra após digressão na Europa com os Soft Machine, então no seu início e ainda sem qualquer gravação efectuada, Daevid Allen fica em Paris onde forma os Gong. O primeiro LP, de nome "Magick Brotrher", só vai surgir em 1970 apresentando uma sonoridade muito psicadélica com laivos jazzísticos bem notórios.


https://www.discogs.com/


Deste estranho álbum bem demonstrativo dos caminhos que o Rock explorava escolho o tema "Gong Song".



Gong - Gong Song

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Van der Graaf Generator - Refugees

 O Rock Progressivo nos anos 70


Aqui continuo eu na senda de álbuns, de 1970, do chamado Rock Progressivo. Depois do desvio que fiz aos Estados Unidos para ouvir Frank Zappa, eis de volta às Ilhas Britânicas, onde o Rock Progressivo nasceu e melhor se deu. E continuo com um grupo que também ele editou dois álbuns em 1970, o grupo é Van der Graaf Generator e os álbuns são: "The Least We Can Do Is Wave to Each Other" e "H to He, Who Am the Only One".

A sonoridade do grupo é única, original e bem identificável não só pela voz do seu líder Peter Hammil mas também, em particular, pela singularidade dos sopros a cargo de David Jackson. Menos populares que os seus congéneres da época, talvez com uma música menos comercial com temas, regra geral longos, que oscilavam entre belas baladas e tema complexos e muito bem elaborados.


Edição do Reino Unido em vinil com a ref: CHC 5 de 1982



A escolha de hoje vai para o LP "The Least We Can Do Is Wave to Each Other" sobre o qual disse o próprio Peter Hammil: "Don't listen when you're hustling, because it won't get in your head. Don't listen when you're angry, because you'll smash something. Don't listen when you're depressed, because you'll get more so. Don't listen with any preoccupations, because you'll blow it. And if you're a perpetually angry, depressed hustler with set ideas, don't bother, it wasn't meant for you in the first place".

Sem pressas, sem zangas, sem depressão, com nenhuma preocupação a proposta de audição vai para "Refugees".



Van der Graaf Generator - Refugees

domingo, 16 de outubro de 2022

Frank Zappa - The Nancy & Mary Music

O Rock Progressivo nos anos 70

Disse no anterior Regresso ao Passado que o Rock Progressivo foi um movimento musical surgido na segunda metade dos anos 60 fundamentalmente britânico. E assim foi, os melhores grupos do género surgiram nas ilhas britânicas. No entanto, alargando a definição de Rock Progressivo, já de si bastante abrangente, podemos encontrar, nomeadamente nos Estados Unidos, grupos que de alguma forma podemos referenciá-los nesta categoria.

Por exemplo The Mothers of Invention. Formados a meio da década de 60, neles pontificava  Frank Zappa (1940-1993), figura excêntrica e multifacetada da cena underground norte-americana, desenvolveram um projeto musical cuja sonoridade demonstrava as mais variadas influências, do Rock à distante música Concreta.

O ano de 1970 foi particularmente fértil. The Mothers of Invention publicam dois álbuns, "Burnt Weeny Sandwich" e "Weasels Ripped My Flesh" e Frank Zappa "Chunga's Revenge".




"Chunga's Revenge" seguia-se ao excelente "Hot Rats" (1969), o primeiro que conheci de Frank Zappa, dele escolhi a faixa longa "The Nancy & Mary Music" com a sua profusão de géneros.



Frank Zappa - The Nancy & Mary Music