sábado, 4 de julho de 2020

Black Sabbath - Laguna Sunrise


No início era o Rock’n’roll. Depois por simplificação ficou só Rock. Entretanto o Rock foi sendo adjectivado conforme a respectiva variante, aparece o Hard Rock para sonoridades mais agressivas e mais apelativas a uma juventude irrequieta. E novas cambiantes surgiram, o Heavy Metal, Nu Metal, Death Metal, Trash Metal, etc. para distinguir (?) sonoridades cada vez mais provocadoras e confessemos, destituídas de qualquer interesse, diria mesmo demoníacas.

Na origem maléfica destes horripilantes sons está, entre outros, o grupo Black Sabbath dos idos anos 60/70, e do seu mentor o mafarrico Ozzy Osbourne. No início os Black Sabbath apresentaram-se com um som próximo dos Blues e do Hard Rock, na linha dos Deep Purple, mas rapidamente “evoluíram” para ambientes mais soturnos abordando temas “satânicos” e de “ocultismo”.







No meio, porém, compuseram bonitas baladas, por exemplo no álbum “Vol.4” de 1972  podemos encontrar "Changes" e "Laguna Sunrise".

"Laguna Sunrise" é um tema acústico, muito gracioso e agradável de se ouvir.
Eram os Black Sabbath de há 48 anos! Mas atenção, nada de enganos, também Darth Vader antes de se converter às forças do mal era um insuspeito Mestre Jedi.



Black Sabbath - Laguna Sunrise

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Objectivo – Out of Darkness

Objectivo, conjunto de Rock formado em Portugal em 1969 que teve existência até ao ano de 1972. nesse espaço de tempo gravaram um EP e três Singles. Disse formado em Portugal e não português pois na realidade na sua constituição teve uma mistura de músicos nacionais e estrangeiros como não me lembro de outro. Formação muito variável por ele passaram, espero não esquecer nenhum, os seguintes músicos:

- Mário Guia, baterista
- Zé Nabo, baixo
- Tó Gândara, guitarra
- Luís Filipe, guitarra
- Mike Sergeant, guitarra
- Kevin Hoidale, órgão
- Zé da Cadela, bateria
- Jim Cregan, guitarra
- Dick Stubbs, guitarra
- Bas Lee Riche, guitarra
- Terry Thomas, guitarra
- Guilherme Inês, bateria

O som era predominantemente Progressivo e cantavam exclusivamente em inglês. Passaram pelo programa televisivo Zip-Zip (1969), tocavam em bailes de finalistas e estiveram presentes no Festival de Vilar de Mouros de 1971.



https://www.discogs.com/



Em 1972 é editado o último Single com os temas "Out of Darkness" e "Music". Actualmente um Single difícil de encontrar, em Discogs.com encontra-se à venda sem capa por 50€!



Objectivo – Out of Darkness

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Heavy Band - Your New Motel Part 1

Hard Rock e Heavy Metal são variantes do Rock cujas fronteiras não são fáceis de definir. As duas resultam de um som forte, pesado onde as guitarras predominam e as vocalizações agressivas se evidenciam. Hard Rock primeiro, ainda nos anos 60, onde se destacaram por exemplo The Who, Deep Purple e Led Zeppelin. Heavy Metal depois, com uma radicalização do Hard Rock, mais duro, vocalizações mais violentas e temáticas soturnas e satânicas a dominarem, teve nos BlackSabbath um dos seus primordiais e principais protagonistas.

Por cá também se assistiu ao desenvolvimento de grupos cuja sonoridade era crescentemente mais pesada, com solos de guitarra mais intensos, até mesmo agressivos. Não me recordo, no entanto, de no início da década de 70 o termo Heavy Metal ser por cá utilizado, talvez só na década seguinte.

Em Portugal, numa primeira vaga podemos encontrar os Pop Five Music Incorporated, Beatniks, Albatroz, Heavy Band, mais tarde, os Arte e Ofício, Psico, Tantra, etc.





Estou a recuperar o ano de 1972 e neste ano encontro as gravações dos Heavy Band efectuadas quando se encontravam em Angola.
Os Heavy Band eram constituídos por Filipe Mendes (1947-2018), guitarrista também conhecido por Phil Mendrix com passagem pelos Chinchilas e Grupo 5, João Heitor, Bateria, Zé Nabo, baixo ex-Objectivo, José Eduardo e finalmente Fernando Girão, vocalista então conhecido por Very Nice tinha passado pelos Turma 6 e Pentágono.

Deixaram 2 Singles sendo o segundo composto por uma única composição, "Your New Motel", dividida em duas partes, recordo a 1ª parte.

Na contra capa do disco lê-se:
"Your New Motel (Face A e B) uma composição de Phil, o segundo êxito em disco do conjunto Heavy Band gravaram mais um disco em Angola para todos os seus admiradores. Agora que partiram, sentimos a grandiosa herança em disco que nos deixaram. «Your New Motel» uma composição de Phil (viola solo), uma versão diferente no seu género de Música Progressiva."



Heavy Band - Your New Motel Part 1

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Beatniks – Money

Formação que tomou designações ligeiramente diferentes, primeiro Beatniks, mais tarde Beatnicks, os seus constituintes também foram mudando ao longo dos anos e o estilo também conforme a constituição e a época, existiram de 1965 a 1982.
A fase mais interessante terá sido no início dos anos 70, quando o grupo é reformulado com Rui Pipas na guitarra. Na compilação em vinil editada em 2009 pela etiqueta Portuguese Progressive Pearls com as 7 composições por eles gravadas lê-se na contra-capa:
"The BEATNICKS are thee pionners of PORTUGUESE Heavy Rock back in 1971"

Em relação ao Single, hoje objecto de recordação, editado em 1972 é dito:
"...the label asks tem 2 more songs for another single which didn't appear cited in some books of Portuguese music for the sake of it's own obscurity. This single, is the Grand Funk meets Sabbath style, while the first Ep had more influence of Hendrix and MC5. It´s released in the same label (Tecla) and was called "Money".






Vamos lá ouvir esta mistura de Grand Funk e de Black Sabbath, pelos pioneiros portugueses de Rock pesado Beatniks, estávamos no ano de 1972 e a canção é "Money", um original do grupo.




Beatniks – Money

terça-feira, 30 de junho de 2020

Albatroz – Sixty Years On

1972, o Hard-Rock e o Rock Progressivo ganhavam terreno e em Portugal o fenómeno também tinha os seus seguidores. Os novos grupos de Rock que se formavam tinham naquelas referências  as suas principais influências. É o caso da escolha de hoje, os Albatroz.

Os Albatroz constituíram-se em 1971, tiveram uma curta existência e gravaram um só Single pelo que a informação a eles referente é naturalmente escassa. Mesmo assim, uma pesquisa rápida e eis o que consegui.

No nº 18 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" de Outubro de 1971 consta:
"No período em que, como no futebol, se fazem «transferências» com vista à `nova temporada, um novo grupo surgiu em Lisboa, formado por alguns dos maiores nomes da cena Pop nacional. 
Albatroz é o nome e dele fazem parte Jean Sarbib, viola-solo (ex-Quinteto Académico), Rui Pipas, viola-solo (ex-Beatnicks), Pedro Taveira, baterista (ex-Pentágono) e André Sarbib, organista (ex-Grupo 5), o que a priori nos poderá deixar concluir estarmos perante uma formação de grande impacto musical.
De algum tempo a esta parte Jean Sarbib tentava a formação de um agrupamento de Rock, juntamente com seu irmão André, chegado de Angola onde tocou com «Grupo 5». Ocupando grande parte do seu tempo com THE BRIDGE sem dúvida o melhor agrupamento de jazz existente em Portugal, Jean Sarbib, simultaneamente interessado pelo Rock é indubitavelmente um nome de extraordinária projecção no actual panorama musical do país.
Por outro lado, Rui Pipas, que pode talvez ser considerado o melhor solista português de Hard Rock, e que fez anteriormente parte dos Beatniks, parece ter abandonado aquele grupo por «incompatibilidades de ordem musical» com os demais elementos, foi imediatamente convidado pelos irmãos Sarbib para fazer parte de ALBATROZ.
Pedro Taveira, sem dúvida alguma o melhor elemento daquele que até há pouco se poderia considerar um dos melhores, sendo o melhor, agrupamento português, o Pentágono (do Porto), resolveu procurar novas fontes de inspiração, novos horizontes e aceitar o convite para vir para Lisboa e tocar com o recém formado grupo.
Entretanto, o agrupamento acaba de gravar um single e prepara-se para actuar em diversos espectáculos. Aguardemos ALBATROZ e façamos votos para uma longa sobrevivência, deste Super-grupo."

Eram, na realidade, constituídos por alguns dos que eram considerados os melhores músicos portugueses no género. Jorge Lima Barreto num longo texto intitulado "Música Pop Portuguesa no Reino da Mediocridade" que foi publicado no jornal Expresso de 24 de Fevereiro de 1973, no seu crivo bem exigente dizia:
"Houve, em tempos que já lá vão, uma tentativa bizantina de organizar um grupo com a fina-flor da pop portuguesa: o Albatroz. Tudo resultou num fiasco tímido e as tais «starlettes» esfumaram-se no anonimato."

Mais à frente reconhece que "Taveira possui os requisitos necessários para ser um óptimo baterista: agilidade, inventiva, mobilidade, suplesse."


https://www.discogs.com/



O referido Single constava de duas músicas "It Could Happen" de André Sarbib e Terry Thomas e uma versão da bem conhecida "Sixty Years On" de Elton John e Bernie Taupin. Com esta última ficamos.

Nota final: Vi no ano de 1972 no baile de finalistas daquele ano no Café Progresso de Ovar os Albatroz a actuarem. Lembro-me que ocasiões houve em que mais que um baile era um concerto a que se assistia, recordo-me por exemplo de terem tocado "Nothing At All" dos Gentle Giant, tinha eu 15 anos!






Albatroz – Sixty Years On

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Pop Five Music Incorporated - Take Me To the Sun

Outro grupo que fez a transição dos anos 60 para os de 70 foi a Pop Five MusicIncorporated.
Sérgio Borges e o Conjunto de João Paulo, que ontem recordei, eram mais antigos, eram oriundos da Madeira e tocavam um um Pop-Rock ligeiro condizentes com as influências da primeira metade da década de 60. Os Pop Five Music Incoporated, com origem no Porto, e formados em 1967 sofreram outro tipo de influências que os levou a evoluir para um Rock mais progressivo. Começaram a interpretar versões do Pop internacional, "Those Were The Days", e terminaram com composições próprias próximas do Hard-Rock tipo "Orange" e "Stand By".





É em 1971 que têm oportunidade de gravar nos estúdios da Pye Records, em Londres, e é de lá que saem os últimos discos que o grupo editou,  um Singles em 1971 e mais dois em 1972.
À semelhança de Sérgio Mendes e o Conjunto de João Paulo, os Pop Five Music Incorporated dão por terminada a sua carreira como grupo no ano de 1972.
Deste ano e já com uma fraca divulgação, pelo menos eu não me lembro de a ter ouvido, o Single "Take Me To the Sun", para agora recordar.



Pop Five Music Incorporated - Take Me To the Sun

domingo, 28 de junho de 2020

Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo - Mar (Meu Pão, Pedra, Fome)

Não foram muitos os grupos, que de uma forma significativa, dobraram a década de 60 para a de 70.
Mesmo aqueles que o fizeram, pouco duraram, os tempos eram outros e as sonoridades também.

Lembram-se do Conjunto Académico João Paulo? Tem sido presença frequente neste blogue e foi um dos conjuntos cuja actividade se prolongou ao início dos anos 70.

Tinham uma longa carreira, iniciada em 1962, com níveis de sucesso relevantes que se traduziram em variados discos publicados. Em 1970 Sérgio Borges é o elemento grupo mais conhecido, mais não fosse a vitória no Festival da Canção da RTP com "Onde Vais Rio Que Eu Canto". Tal facto "... confirmou o seu protagonismo como intérprete individual, mas contribuiu, a par da crescente expansão do meio musical do período marcelista, para o desvanecimento da carreira do grupo." de acordo com a "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX".






O grupo muda de designação e passa a ser Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo mas o seu fim estava próximo, a última gravação vai para o Single, de 1972, "Mar (Meu Pão, Pedra, Fome)", diria já deslocado no tempo.



Sérgio Mendes e o Conjunto João Paulo - Mar (Meu Pão, Pedra, Fome)

sábado, 27 de junho de 2020

Petrus Castrus - Tudo isto, tudo mais

Antes da edição, em 1973, do álbum "Mestre", hoje avidamente procurado por coleccionadores, os Petrus Castrus já tinham gravado dois discos de curta duração.

Formados a partir dos irmãos Pedro e José Castro foram a melhor representação do Rock Progressivo feito em Portugal na década de 70. Os 2 EP reflectem ainda um estilo muito Pop-Rock, agradável de se ouvir e com letras satíricas e enquadradas no espírito crítico anterior a Abril de 1974.


https://www.discogs.com/



Depois do primeiro EP (1971), hoje recordo o segundo (1972), "Tudo isto, tudo mais", que para além da faixa com este nome, incluía ainda "Familiada" e "Moscas, Sol e Gente".



Petrus Castrus - Tudo isto, tudo mais

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Os Novíssimos – Altos Castelos

Estes não os conhecia de todo, portanto, diria graças à net e a alguns estudiosos da música portuguesa da minha adolescência a possibilidade do Regresso ao Passado de hoje.

Os Novíssimos, assim se designava o grupo e eram uma formação coral de cerca de 30 elementos. Deste agrupamento são conhecidos três EP, os dois primeiros de 1972 e o terceiro de 1973.

Informação escassa, para não dizer nula, o melhor que consegui foi um pequeno texto de João Carlos Callixto inserido no seu livro "Canta, Amigo, Canta" e que começa assim:
"Grupo coral com mais de trinta elementos, os Novíssimos foram formados em Outubro de 1970 na sequência de convívios juvenis. O seu reportório incluía três tipos de canções: de raiz tradicional, versões de autores da nova música portuguesa e, maioritariamente, originais da autoria de elementos do próprio grupo."







O primeiro EP contem 4 canções a saber:

- Altos Castelos (Do álbum Baladas e Canções de 1964 de José Afonso)
- Maria da Conceição (Canção Popular das Beiras)
- Vem Cantar (Original de Valente Jorge/Augusto Guedes)
- Ribeira Vai Cheia (Canção Popular do Alentejo)


Fica-se com "Altos Castelos" ou seja um das "versões de autores da nova música popular".



Os Novíssimos – Altos Castelos

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Mini-Pop – Delta Queen

1972 também teve lugar para os Mini-Pop.
Não mais que crianças os Mini-Pop eram da cidade do Porto e estiveram na origem, na década seguinte dos bem conhecidos Jáfumega.  Evidenciaram-se, em parte, pelo reportório escolhido, para além de originais a interpretação de êxitos internacionais que lhes permitiu elogios da crítica, nomeadamente, na passagem que fizeram pelo Festival de Vilar de Mouros de 1971. Distinguiram-se pois de outras formações de tenra idade (por exemplo La Pandilha de Espanha lembram-se?) pela qualidade das suas interpretações coladas aos originais quando versões de canções estrangeiras.

Passagens várias pela RTP, espectáculos pelo país, participação no Festival da Canção RTP de 1973 e a gravação de 6 discos com canções em inglês e português, assim se resume o percurso dos Mini-Pop que terminariam no final da década, os Jáfumega estavam à espreita.






Em 1972 são publicados 2 Singles, um com temas em inglês o outro em português. Do primeiro fica a canção "Delta Queen", canção objecto, internacionalmente, de muitas versões e que os Mini-Pop também a fizeram para a posteridade.



Mini-Pop – Delta Queen

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Quarteto 1111 - Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo

Nesta passagem pela música feita em Portugal no ano de 1972 comecei com um conjunto de cantores a solo que, julgo, bem representativos do que naquele ano por cá se editou. E no que diz respeito aos grupos de Rock, ou Pop-Rock, como é que foi o panorama deste ano? Muitos dos grupos que fizeram furor nos anos 60 tinham acabado, outros se iniciavam e a sonoridade era, genericamente, bem diferente, diria, mais pesada, condizente com as influências estrangeiras que se manifestavam no Rock.

Outros persistiam mas já não tinham o encanto do seu início, por exemplo, o Quarteto 1111. Encontravam-se numa encruzilhada, da sonoridade original já pouco tinham, um Rock mais pesado no Festival de Vilar de Mouros, um Pop mais ligeiro nas gravações a adivinhar os próximos Green Windows. Ainda por cima José Cid e TóZé Brito dispersavam-se em carreiras a solo, conforme já testemunhei, mesmo assim tempo para o Quarteto 1111 gravar ainda um Single em 1972.





Cheio de la-la-las, o Single era composto pelos temas "Sabor a Povo" e "Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo", temas com que o grupo participou no Festival dos Dois Mundos realizado no Teatro São Luiz.

"Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo" composta por José Cid e TóZé Brito fica a juízo de cada um.



Quarteto 1111 - Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo

terça-feira, 23 de junho de 2020

TóZé Brito - Se Quiseres Ouvir Cantar

Nasceu no Porto e ainda adolescente está na formação inicial dos Pop Five MusicIncorporated, rapidamente migrou de cidade e de grupo musical, foi para Lisboa e passou a integrar o Quarteto 1111, era o TóZé Brito.

No início dos anos 70 é mais um a aventurar-se em carreira a solo. Fá-lo em 1972, depois de no Quarteto 1111 ter colaborado com José Cid na escrita de algumas canções e com eles ter actuado no 1º Festival de Vilar de Mouros em 1971. É, portanto, em 1972 que se apresenta a solo no Festival da Canção da RTP com a canção, por ele composta, "Se Quiseres Ouvir Cantar" ficando-se por um modesto 5º lugar em oito canções e que vai constituir o seu primeiro disco.



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Até à revolução de Abril de 1974 encontra-se em Inglaterra onde chega a gravar em duo com a Daphne um Single. Regressado a Portugal está na origem de grupos Pop de sucesso como os Green Windows e os Gemini. Continua a gravar em nome próprio e a compor para outros artistas e no final da década inicia actividade editorial.

Sem apreciar particularmente o seu estilo de composição sempre gostei da sua bonita voz como se comprova em "Se Quiseres Ouvir Cantar".



TóZé Brito - Se Quiseres Ouvir Cantar

segunda-feira, 22 de junho de 2020

José Cid – Corpo Abolido

De alguns dos mais importantes grupos Rock nacionais dos anos 60 emergiram nomes que se destacaram na década seguinte. Os melhores exemplos vêm dos Sheiks, donde saíram Fernando Tordo, Carlos Mendes e Paulo de Carvalho, e do Quarteto 1111, donde sobressaíram, José Cid, claro, e Tózé Brito.

Portanto mais um Regresso ao Passado para o José Cid. Lembro que tenho estado a recordar o ano de 1972, ano de coexistência de José Cid a solo e do Quarteto 1111. Infelizmente, para meu gosto, os dois em declínio face ao que já tinham produzido.
Pena é que tivesse optado por um leque tão diversificado de estilos, desde a Rock Progressivo à música ligeira de cariz mais popular.





No ano de 1972, de José Cid é publicado um EP de nome "Camarada", com 4 composições, sendo a faixa título a menos interessante e a denunciar um gosto fácil posteriormente por ele desenvolvido em canções de largo sucesso. "Corpo Abolido" é uma das outras canções com poema de Natália Correia e música de José Cid. A ouvir.



José Cid – Corpo Abolido

domingo, 21 de junho de 2020

Paulo de Carvalho – Vamos Cantar de Pé

Paulo de Carvalho era o 3º (os outros foram o Fernando Tordo e o Carlos Mendes) a dar continuidade ao seu percurso musical após passagem pelo grupo Pop-Rock Sheiks nos anos 60.
Antes de se iniciar a solo ainda teve outras curtas experiências, em vários grupos Rock, passou pelos Thilo's Combo, Banda 4 e Fluído alargando assim as suas influências ao Rythm'n'Blues e Soul. Entra na década de 70 a solo ao participar no Festival da Canção da RTP daquele ano com a canção "Corre Nina", certame que viria a vencer em 1974 com a conhecida "E Depois do Adeus".


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No ano de 1972 falhou o Festival da Canção da RTP mas participou no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro com a canção "Maria Vida Fria" de José Niza e Pedro Osório. Gravou neste ano, ao que consegui apurar, 4 Singles todos eles nos Estúdios Celada em Madrid. Entre eles constava o Single com as canções "Esta Festa das Cidades" e "Vamos Cantar de Pé" (versão em inglês), as duas concorrentes ao referido Festival respectivamente nas vozes de João Henrique e Paco Bandeira.

Bem conhecida no original de Paco Bandeira, não me recordava de "Vamos Cantar de Pé" na versão em inglês de Paulo de Carvalho, aqui vai ela.



Paulo de Carvalho – Vamos Cantar de Pé

sábado, 20 de junho de 2020

Carlos Mendes – Inventar a Vida

Fernando Tordo, Carlos Mendes e Paulo de Carvalho deixaram a sua marca no ano de 1972.
Depois de ontem Fernando Tordo ter inventado o amor ("Invenção do Amor"), hoje é a vez de Carlos Mendes "Inventar a Vida".

Carlos Mendes foi elemento fundador dos Sheiks em 1963 onde se manteve como vocalista e guitarrista até 1967. Logo no ano seguinte vence o Festival da Canção da RTP com a canção "Verão", que seria o seu primeiro Single a solo , tendo obtido o 11º lugar no Festival da Eurovisão, a nossa melhor classificação até então.





No ano de 1972 vence novamente o nosso Festival da Canção, com "A Festa da Vida" conseguindo, com ela, o 7º lugar na Festival da Eurovisão daquele ano.
Revelou-se um ano muito produtivo, tendo, para além da participação no LP "A Fala do Homem Nascido" já várias vezes por mim destacado, gravado vários Singles, sendo a um deles que fui buscar "Inventar a Vida", uma canção da autoria de José Niza e José Calvário.



Carlos Mendes – Inventar a Vida

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Fernando Tordo – Invenção do Amor

No início dos anos 70 Portugal tinha ganho três novos intérpretes da canção, digamos, mais ligeira que iriam marcar uma época e redefinir a canção portuguesa libertando-a musicalmente do alheamento de influências estrangeiras e das letras "...conotadas com o nacional-cançonetismo..." que "...eram superficiais, fúteis e propagandísticas, recorrendo frequentemente a temáticas patrióticas, bem como a elogias à pobreza, à devoção religiosa e à humildade" (ver a entrada "nacional-cançonetismo" na "Enciclopédia da Música em Portugal noSéculo XX").
Esses intérpretes eram Fernando Tordo, Carlos Mendes e Paulo de Carvalho e que tinham em comum ter passado por um dos melhores grupos Pop-Rock nacionais dos anos 60, os Sheiks.

Em finais de 1966, Fernando Tordo substitui Carlos Mendes nos Sheiks e em 1967 o grupo grava o último EP, "That's All". "A partir de 1968 desenvolveu uma intensa e profícua colaboração com Ary dos Santos que se prolongou por 14 anos, da qual resultaram perto de 400 composições,..." ("Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX"). Entre Singles e EP contabilizei, até 1972, 13 publicações o que para a época era obra!


https://www.discogs.com/



É deste ano o Single "Eu Não Vou Nisso"/"Invenção do Amor". Segue "Invenção do Amor" com letra de Ary dos Santos e música de Fernando Tordo.



Fernando Tordo – Invenção do Amor

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Duo Ouro Negro – Construção

Terá sido através do Duo Ouro Negro que tive os primeiros contactos com a música que não sendo exactamente música popular portuguesa, não era o Rock anglo-saxónico, nem a música Pop oriunda de Itália e França.
Era algo que hoje facilmente se catalogaria na World Music, tal era mistura de géneros e influências. Veja-se o que diz a "Enciclopédia da Música em Portugal no SéculoXX":
"A escolha de repertório para gravação foi, desde o início, pautado pela diversidade. À fase de recriação de géneros performativos tradicionais, primeiro cantados em línguas angolanas, depois em português (como reflexo dum contexto político favorecendo a «mestiçagem» cultural no que dizia respeito aos territórios ultramarinos portugueses), juntaram-se composições do Duo Ouro Negro, versões da MPB e da música popular francesa, inglesa, norte-americana, latino-americana e sul-africana, cantadas em língua portuguesa. Esta estratégia editorial, abrangendo um repertório de música popular contemporâneo globalmente difundido, vocacionado para um público jovem e alargado."






Em 1972, após o sucesso do conceptual "Blackground", um EP com três canções, sendo uma delas, a sugestão para hoje, a versão de "Construção" um original e êxito então recente de Chico Buarque.



Duo Ouro Negro – Construção

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Jorge Palma - Come, Morpheus

Em 1972 Jorge Palma estava longe dos níveis de popularidade que actualmente aos 70 anos tem. Nome grande e incontornável da música popular portuguesa, JorgePalma começou, com forte influência do Rock, no grupo de fusão Sindicato do qual resultou um Single editado em 1971. Findo o grupo,  enveredou por carreira a solo tendo logo no ano seguinte gravado o primeiro Single sob nome próprio, os LP só vieram depois do 25 de Abril de 1974.






Longe ainda do estilo que foi criando ao longo dos anos depois da Revolução, sintonizado com o Pop-Rock anglo-saxónico da época, o Single contêm 2 canções interpretadas em inglês, respectivamente "The Nine Billion Names of God", noutro momento recordado neste blogue, e "Come Morpheus".

O Jorge Palma principiante na composição ainda longe do seu estilo característico, diria mesmo irreconhecível, até na voz, os menos atentos não a reconhecerão. Segue "Come Morpheus".



Jorge Palma - Come, Morpheus

terça-feira, 16 de junho de 2020

Tonicha – Puedo Inventar

Mais uma voz feminina no panorama da música popular portuguesa no ano de 1972, Tonicha.

Não se encontrando entre as minhas preferências, gostava muito mais de uma Daphne praticamente desconhecida, tenho procurado trazer aqui a Tonicha numa vertente para mim muito mais agradável do que a faceta mais popular, diria popularucha, pela qual ficou mais conhecida.

Bem conhecida do grande público com êxitos muito comerciais e de gosto fácil, teve paralelamente um conjunto de gravações que não tiveram a divulgação merecida. Recorde-se, por exemplo, a colaboração, nos anos 60 com José Cid ou em 1972 a participação no trabalho de José Niza "Fala do Homem Nascido". 





Também do ano de 1972 é o EP com quatro canções do cantor espanhol Patxi Andión que Ary dos Santos tratou de adaptar para português. É dele o texto que consta na contra-capa do disco:
"Pax Andion (?) é - e já muitos o têm dito - um «caso» musical. Mas, quanto a mim, a grandeza desse «caso» reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino.
Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Cano de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personalizado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."


"Puedo Inventar" é uma canção do álbum "Palabra por Palabra" que Patxi Andión publicou em 1972, no mesmo ano Tonicha cantava-a assim:



Tonicha – Puedo Inventar

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Daphne – Barzabu

Daphne, de nome verdadeiro Clara Stock de Aguiar, foi uma cantora que eu apreciei no início dos anos 70. Foi, infelizmente, relativamente curta a sua passagem pela música pois possuía uma voz que tinha potencialidades para ter ido bem mais longe.
Em resumo:
Em 1968 Daphne dá a voz, assim como Judi Brennan, no Single do grupo de Rock Chinchilas que continha os temas "Calmas São as Imagens" e "Don't Want You No More".
1969 as duas encontram-se, com Nuno Rodrigues e António Lobão, no quarteto Música Novarum tendo gravado o magnífico EP  "Barca de Flores".
O ano de 1971 vê Daphne, com Nuno Rodrigues, integrada no grupo Family Fair tendo ficado como registo o Single "Mrs Colbeck"/"Soldier", o melhor Folk-Rock então cá praticado. Ainda em 1971 Daphne estreia-se a solo com o tema "Verde Pino" com o qual participou no Festival da Canção da RTP.





E chego a 1972, ao segundo Single por ela gravado. "Barzabu" e "Pastora" compostos por Nuno Rodrigues, uma belíssima amostra do que estava para acontecer com a formação da Banda do Casaco (1974). Ouça-se "Barzabu" e depois "Canto de Amor e Trabalho" do álbum "Coisas do Arco da Velha" (1976) e veja-se as semelhanças.



Daphne – Barzabu

domingo, 14 de junho de 2020

Carlos Portugal - Quem Te Viu Amor e Quem Te Vê

Como intérprete as gravações de Carlos Portugal terminam em 1972. 

Dois LP, vários Singles e EP são o legado que Carlos Portugal nos deixou numa carreira iniciada em 1967 e que se prolongaria pela década de 70 como produtor e compositor para outros artistas.
Musicalmente teve as suas raízes na Canção de Coimbra mas não se ficou por aí, da balada ao Pop e até mesmo ao Rock e ao Soul se podem encontrar na sua obra.







O ano de 1972 viu publicados dois Singles intitulados "A Nova Música de Carlos Portugal - 1" e "A Nova Música de Carlos Portugal - 2", sendo os arranjos do Pedro Osório com quem já trabalhava desde o final dos anos 60.

Não era, infelizmente, um nome sonante da nossa música popular e não são muitas as canções que a nossa memória colectiva dele se lembrará, talvez, de acordo com João Carlos Callixto em "Canta, Amigo, Canta",  "Viva Quem Canta" (1969) seja a mais conhecida, pelo que urge continuar a lembrar este, e muitos outros cantores de um período tão importante da nossa história.
Do primeiro Single fica-se com "Quem Te Viu Amor e Quem Te Vê", entre o Pop e a música ligeira, uma proposta menos interessante de Carlos Portugal.
 



Carlos Portugal - Quem Te Viu Amor e Quem Te Vê

sábado, 13 de junho de 2020

Tino Flores – Passa o Tempo

Em tempos idos em que não havia liberdade de expressão e qualquer manifestação de discordância com o regime era reprimida, a expressão artística não foi excepção. A forma de contornar revelou várias facetas umas mais subtis que outras, umas conseguindo "furar" a censura outras nem por isso. Algumas revelando-se mais radicais mas musicalmente mais pobres ou mesmo muito pobres, revelavam-se no exterior, em particular em França, e alguns discos chegavam cá e eram distribuídos clandestinamente é o caso da escolha de hoje.






Tino Flores encontrava-se exilado em Paris e será lá que gravará os seus discos. Em "Canta, Amigo, Canta" de João Carlos Callixto lê-se: "Em todos eles tanto as letras como as músicas são de sua autoria, tendo sido bastante divulgadas composições como "Na Casa do Operário", "Viva a Liberdade" ou "O Meu Amigo Está Preso", em que a linguagem utilizada era acutilante e bem mais directa do que a da generalidade dos cantores de protesto - o que se devia, sobremaneira, ao facto de Tino Flores não ter de passar a sua criatividade pelo crivo da censura."  

É de 1972 o EP "Organizado o Povo É Invencível" onde constava "Na Casa do Operário", mas também este "Passa o Tempo".



Tino Flores – Passa o Tempo

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Manuel Freire - Pedro Só

Mas o ano de 1972 não se fez somente dos 5 LP que acabei de recordei, mais houve a merecer constar numa recordação daquele ano, trabalhos mais pequenos, Singles e EP, é certo mas mesmo assim com a qualidade e importância de destacar.
Lembro-me, por exemplo, do António Macedo cujo Single "O Casamento da Menina Manuela"/"Baila, Baila Rapariga" já pode ser encontrado neste blogue ou ainda o nome de Manuel Freire que continuava a gravar com regularidade e a alinhar, conjuntamente com os referidos nos últimos Regresso ao Passado e outros, na renovação da nossa música popular de pendor contestatário contra o fascismo.





Menos conhecido no conjunto da sua obra, consta o Single de 1972 que continha as canções "Pedro Só" e "Pelo Caminho". Tinham letra do escritor Fernando Assis Pacheco e fazia parte da banda sonora do filme "Pedro Só" primeira longa-metragem de Alfredo Tropa, cineasta inserido no chamado Cinema Novo de oposição ao regime.

Bonito tema, bonita voz, é Manuel Freire e "Pedro Só".




Manuel Freire - Pedro Só

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Samuel – Poema da Malta das Naus

No livreto do CD "Margem de Certa Maneira" de José Mário Branco podia-se ler:
"Nos habituais balanços de fim de ano, o "Diário de Lisboa" ouviu, entre outros, Carlos Cruz essa avaliação: "O mais importante deste ano está nos LPs do José Mário Branco, do José Afonso, do José Letria e no álbum 'Fala do Homem Nascido' com música do Niza e poemas do Gedeão." (31/12/72)".

Antes demais duas notas, primeira, bons tempos em os balanços e escolhas dos melhores do ano se faziam no final do ano e não, como agora, que no mês de Novembro já há listas com os melhores do ano, segunda a esta lista falta o, já por mim referido, 1º LP de Sérgio Godinho, um marco importante de 1972.
Posto isto, eis a escolha de hoje, precisamente o álbum "Fala do Homem Nascido" que tinha como intérpretes Carlos Mendes, Duarte Mendes, Samuel e Tonicha. Coisa pouco comum, um trabalho de colaboração de vários artistas para composições de um outro, neste caso, José Niza.






Já dei testemunho deste álbum nas vozes de Tonicha e Carlos Mendes, respectivamente com Poema da Auto Estrada" e "Poema do Fecho Éclair", hoje proponho Samuel com o "Poema da Malta das Naus".



Samuel – Poema da Malta das Naus

quarta-feira, 10 de junho de 2020

José Afonso – Por Trás Daquela Janela

Tinha referido 5 álbuns incontornáveis no universo da música popular portuguesa no ano de 1972. Vou hoje para o 4º LP que vai para o inevitável José Afonso e esse grande disco que é "Eu Vou Ser como a Toupeira".


Edição Orfeu, Referência STAT 012, de 1972


Um disco menos referido de José Afonso, mas um dos meus preferidos, vá-se lá saber porquê. Bem, talvez o facto de ter sido o meu primeiro LP de José Afonso tenha tido a sua influência..
"Eu Vou Ser como a Toupeira" sucedia a "Cantigas de Maio", para muitos o melhor disco de sempre da música popular portuguesa, e era diferente, talvez menos acessível, mas sem dúvida um grande trabalho.
José Mário Branco dava o lugar a José Niza na produção, o estúdio de gravação passava de Hérouville, Paris, para os Estudos Celada em Madrid, no lugar de músicos maioritariamente franceses a colaboração de portugueses como o José Jorge Letria, Teresa Silva Carvalho, Carlos Alberto Moniz, o próprio José Niza e ainda o galego Benedicto Garcia Villar. Um disco talvez menos exuberante mas mais, diria, intimista.
"Por Trás Daquela Janela" uma bela canção com letra e música de José Afonso é a proposta de hoje.



José Afonso – Por Trás Daquela Janela