Como já anteriormente tinha dito, são inúmeras as canções que Neil Diamond
popularizou no início dos anos 70. Já recordei algumas, hoje vai mais uma, "Soolaimón" de título.
De acordo com a wikipédia só no ano de 1970 Neil Diamond publicou: um álbum de
originais, "Tap Root Manuscript", um álbum ao vivo, "Gold: Recorded Live at
the Troubadour", um álbum compilação "Shilo" e oito Singles entre os quais se
encontrava "Soolaimón".
Recordo-me como se fosse hoje da passagem das canções de Neil Diamond na rádio
daquele tempo e de ficar com uma sensação mista, por um lado considerar que as
canções eram regra geral de assimilação fácil que rapidamente ficavam no
ouvido o que não me atraía, por outro não resistir à sua voz e respectivas
interpretações. "Soolaimón" é um desses exemplos.
"Soolaimón", a letra vinha publicada no nº 11 da revista "mundo da canção",
estávamos em Outubro de 1970. "Soolai, Soolai, Soolaimón..."
Em zafara.com pode-se ler a propósito do grupo espanhol Aguaviva:
" A finales de los 60, el famoso Manolo Díaz, que a la sazón ya había
superado su etapa de cantautor para integrarse en la alta dirección de
compañías discográficas, fue el instigador musical del asunto, compositor y
orientador de todos los temas de los comienzos, aunque nunca subió a un
escenario como parte del grupo. José Antonio Muñoz, hombre de letras, poesía
y teatro, era a su vez el alma espiritual del fondo intelectual del
proyecto, que era básicamente eso : musicar e interpretar en teatro a los
poetas malditos y las creaciones propias de contenido crítico político y
social en la misma línea."
Os Aguaviva foram um excelente grupo de Folk-Rock espanhol formado nos finais
dos anos 60 e com um enorme êxito internacional durante a década de 70.
Segundo artigo da revista "mundo da canção" no seu nº 11 de Outubro de 1970,
actuaram naquele ano no Teatro Villaret em Lisboa. O artigo relata conversa
tida com o ideólogo do grupo Manolo Diaz e com o seu protagonista principal
José António Muñoz.
Lembro-me bem de alguns discos deles como por exemplo "La Casa De San Jamás",
"Apocalipsis", "Poetas Andaluces De Ahora" ou ainda "No Hay Derecho". Em 1970
ouvia-se "Poetas Andaluces" e este "Cantaré" que hoje fica para audição,
música e letra de Manolo Diaz.
Continuo com o nº 11 da revista de divulgação musical "mundo da canção"
publicado em Outubro de 1970.
Depois da passagem pela música portuguesa e há falta de referências à música
brasileira passo para a vizinha Espanha. A primeira nota vai para o nosso
conhecido Paco Ibáñez que via assim publicada a letra de mais uma canção sua,
era "La Poesia Es Un Arma Cargada De Futuro".
Com letra do poeta Gabriel Celaya (1911-1991) música e voz de Paco Ibáñez "La
Poesia Es Un Arma Cargada De Futuro" fazia parte do álbum " Paco Ibáñez
2", também conhecido como "La Poésie Espanhole de Nos Jours et de Toujours"
ou, ainda mais tarde, "La Poesia Española De Ahora Y De Siempre". O original
data do ano de 1967, eis então mais uma bela canção de Paco Ibáñez, "La Poesia
Es Un Arma Cargada De Futuro".
Paco Ibáñez - La Poesia Es Un Arma Cargada De Futuro
Não só a publicidade ao seu último Single editado,
como um texto onde se citavam as afirmações entusiásticas do autor das
duas canções do espanhol Manolo Diaz, onde ele dizia:
"Eu penso que Paulo de Carvalho é um dos melhores cantores europeus. No seu
estilo talvez não encontremos outro na Europa Continental."
E claro trazia as letras das duas canções respectivamente "Waiting For the
Bus" e "Walk On the Grass", era tentativa de internacionalização de Paulo de Carvalho.
Finalmente a ficha mc nº 10 era a ele dedicada e nela se fazia uma breve
resenha da sua, já na altura, significativa carreira.
Volto assim novamente à bem agradável "Waiting For the Bus".
Quatro canções, editadas em EP, davam a conhecer em 1970 um novo cantor na
música popular portuguesa, António Macedo. Mais um a juntar-se a um conjunto
de propostas que nos últimos anos tinham surgido e que vinham renovar, ou
mesmo revolucionar, a canção de expressão popular.
À pergunta "- Com quem emparceiraria?", António Macedo respondeu
"- Em certos aspectos com o Freire, noutros com a Filarmónica Fraude." Podia-se ler na entrevista que a revista "mundo da canção" lhe fez e
que constava no nº 11 da revista publicada em Outubro de 1970. E sim tinha
razão da Filarmónica Fraude tinha o sarcasmo das letras, do Manuel Freire o
estilo da balada então tão em voga.
O disco novo que o título sugere deveria ser o "Casamento da Menina Manuela"
que o texto refere mas que tanto julgo saber só viu a luz do dia em 1972.
Naquela data existia somente o 1º registo acima referido. É dele a canção
"Antes de Ti" com letra e música do próprio.
Presença quase obrigatória na revista "mundo da canção" era a de
José Afonso
(de alguma forma aparece nos primeiros 11 números).
Desta vez o propósito era a publicação da letra da canção "Era de Noite e
Levaram" que constava no LP "Contos Velhos Rumos Novos" do ano de 1969.
"Era de Noite e Levaram" para não esquecer ou fazer os mais novos interrogarem
sobre um período negro da nossa história onde as pessoas eram presas pela cada
da noite. Numa altura em que o fascismo, seja sob que vestes for, surge um
pouco por todo o lado recordemos
José Afonso
lutador incansável e cantor exemplar como demonstra esta canção que volto a
lembrar.
Em 1970 o Quarteto 1111 era o melhor conjunto Pop-Rock português no activo.
Eram sem dúvida os mais criativos e os que juntavam temáticas bem nacionais ao
som Rock moderno internacionalmente dominante (infelizmente a Filarmónica Fraude que navegava nas mesmas águas tiveram duração muito curta e já tinham
terminado).
O Quarteto 1111 vinha já de 1967 e tinha provas mais que dadas com num
conjunto de composições verdadeiramente ímpares para a época, ouça-se "A Lenda
De El-Rei D. Sebastião" (1967), "Balada Para D. Inês", "Partindo-se", "Dona
Vitória", "Meu Irmão" (todas de 1968) e também "Nas Terras Do Fim Do Mundo"
(1969). Mas é no ano de 1970 que o melhor do Quarteto 1111 se superou ao
realizar o LP homónimo, um trabalho de fôlego que lhes valeu a censura do
regime ao abordar os temas da guerra colonial e da emigração.
Não bastasse o LP editado, o ano de 1970 ainda vê a publicação de um novo
Single com as canções "Todo o Mundo e Ninguém" e "É Tempo de Pensar em Termos
de Futuro", temas escritos por José Cid e TóZé Brito, este último oriundo dos
portuenses Pop Five Music Incorporated em substituição de Mário Rui Terra
(baixo) entretanto mobilizado para a guerra no Ultramar.
As letras das duas canções vinham publicadas em Outubro de 1970 no nº 11 da
revista "mundo da canção", ficando para audição o lado B do disco, ou seja, "É
Tempo de Pensar em Termos De Futuro". Era ainda o prolongar do melhor que o Quarteto 1111 tinha feito.
Quarteto 1111 - É Tempo de Pensar em Termos De Futuro
José Cheta foi um cantor cuja actividade artística se centrou na década de 70,
para os poucos anos em que gravou foi vasta a produção de Singles e EP que
deixou.
Nunca foi do meu particular agrado e também não marcou significativamente a
nossa música popular daquela época. A única canção que conseguiu atrair a
minha atenção, então um jovem adolescente em busca de novidades, foi
precisamente o disco de estreia que contava com a canção que proponho para
hoje, "Para Lá Daqueles Montes".
Gravado com a colaboração de José Cid e do Quarteto 1111 na contracapa do EP
lia-se:
"Ainda que breve, impõe-se a apresentação de uma nova aparição no nosso
meio musical.
E, assim apresentamos José Cheta que além de cantar compõe algumas das suas
canções, acompanhando-se à viola.
Este é o seu primeiro disco em que é acompanhado pelo Quarteto 1111.
O seu nome completo é José Cheta da Silva, e nasceu em Odemira em 23 de
Janeiro de 1945.
Depois desta breve apresentação, apenas desejamos que José Cheta vá ser do
agrado do público."
"Para Lá Daqueles Montes" é uma canção de autoria de José Cid, cuja letra
vinha publicada no nº 11 da revista "mundo da canção" em Outubro de 1970.
Ei-la.
Os Chinchilas foram um grupo Pop-Rock que existiu entre 1964 e 1971 e teve
como figura principal o guitarrista Filipe Mendes (1947-2018), o único a
manter-se nas várias formações que o grupo teve.
São dele as seguintes palavras retiradas do livro "Biografia do Ié-Ié" de Luís
Pinheiro de Almeida:
"Como gostávamos dos Animals, que foi uma das nossas influências, e como
estavam na moda os casacos e as criações de chinchilas, e as miúdas achavam
os bichinhos muito giros, ficámos Chinchilas.
Começámos nos bailes de finalistas, alongando as músicas, a improvisar e a
alongar as partes instrumentais e a entrar no psicadelismo, desde o som
distorcido da guitarra às roupas bizarras, passando pela decoração dos
instrumentos com motivos psicadélicos."
Gravaram um EP e três Singles, sendo o último editado em 1970 com uma formação
reformulada. Continha as canções "Barbarela" e "D. João".
"Aplausos pela Esquerda", era uma rubrica que existiu na revista "mundo da canção" em contraponto a uma outra denominada "Tiros pela "Direita"
(subtilezas de conotação política, penso eu) e que no nº 11 de Outubro de 1970
continha uma referência aos Chinchilas e ao novo disco.
Dizia-se que os Chinchilas
"...são um dos melhores conjuntos de música pop no nosso país" que "Barbarela"
"...é um tema bem construído e melhor desenvolvido..." e já em relação
a "D. João" "...achamo-la mais fraca."
"Teresa Paula Brito é uma mulher inteligente, culta, sensível. No meio
pobre, medíocre, do nosso meio musical, a sua voz cresce como um corpo
diferente... um grito de autenticidade...", assim começava o artigo, intitulado "Encontro com Teresa Paula Brito",
assinado pela Maria Teresa Horta que foi publicado no nº 11 da revista "mundo da canção" que comecei anteontem a recordar e que nos irá fazer companhia mos
próximos dias.
Primeiro Nuno Filipe, depois Teresa Paula Brito entrevistada pela Maria Teresa Horta, os três estariam juntos no EP "Minha Senhora de Mim" que seria editado
no ano de 1971. Projecto provavelmente já a decorrer aquando desta entrevista
pois face à pergunta
"No teu próximo disco, quem é que irás cantar?" Teresa Paula Brito"sorri, divertida" e incluía a
entrevistadora na resposta.
No ano de 1970, depois da colaboração no álbum "Contos Velhos, Rumos Novos"
(1969) de José Afonso, gravou um EP com quatro canções daquele cantor, uma
delas era "Balada do Sino" que hoje se recorda.
Como tem sido costume começo pelo nacional, textos e letras referentes à
produção musical portuguesa que vinham publicados no nº 11 da revista de
divulgação musical "mundo da canção" de Outubro de 1970.
Logo na página 4 vinha um texto assinado por Tito Lívio referente ao então
novo disco de Nuno Filipe.
Nuno Filipe, recorde-se, foi um nome importante mas pouco conhecido cuja
actividade musical se centrou no período de 1967 a 1971, tendo gravado em nome
próprio 3 EP e 1 Single, acrescente-se ainda o EP "Minha Senhora de Mim" para
o qual Teresa Paula Brito deu a voz. A qualidade das letras estava assegurada
pela sua cunhada a poetisa Maria Teresa Horta e a composição musical
afastava-se da convencional música ligeira ou do movimento baladeiro tão
popular na época, para explorar um Pop-Rock psicadélico pouco convencional.
No dizer de Tito Lívio:
"Nuno Filipe, dentro da via de uma canção internacionalista e urbana (nas
suas coordenadas melódicas, musicais e instrumentais). Embora envolvendo
temáticas enraízadas. Como os poemas de Maria Teresa Horta - uma das mais
válidas vozes da poesia de hoje."
O disco em apreço continha as canções "Queixume" e "Cantiga à Mulher"
que infelizmente não consegui obter, deixo aqui o pedido para quem tenha e
queira disponibilizá-las terei muito gosto em divulgá-las neste meu blogue, assim sendo socorro-me de momento ao EP do ano anterior com a canção "As
Barcas".
Retorno à revista "mundo da canção" para recuperar mais um número, o nº 11 de
Outubro de 1970.
A capa vai para uma fotografia de José Feliciano, que não tem qualquer
desenvolvimento no interior a não ser a publicação de uma letra de uma canção,
"Rain" era o nome.
O editorial era um "Oxalá que neste Outono...", uma lista de desejos do que se
desejava que acontecesse e não acontecesse.
De artigos diversos e publicação de letras de canções genericamente conhecidas
quer nacionais quer estrangeiras, assim se fazia mais este nº com que vou
fazer os próximos Regresso ao Passado.
Para hoje e para fazer jus à capa a música "Rain" que pertencia ao álbum "10
to 23" do ano de 1969. Uma das mais bonitas que José Feliciano compôs e
interpretou.
Tomei conhecimento da morte da Judy Dyble, cantora que tardiamente aprendi a
apreciar embora já a conhecesse do remoto primeiro LP dos Fairport Convention
de 1968.
Conheci-a pessoalmente em 2017, em Cropredy, onde ela actuou com o seu
grupo, The Band of Perfect Strangers, e também no concerto final dos
Fairport Convention. Estive com ela alguns momentos, tirar umas fotos e
assinar-me alguns CD. Transbordava simpatia e não manifestava pressas.
A descoberta da sua música é uma necessidade para quem aprecie o Folk-Rock
britânico mas também as suas incursões mais progressivas nomeadamente com os
fundadores dos King Crimson.
Recordo-a em "Talking With Stangers", a canção do excelente álbum homónimo de
2009.
Este lote de recordações de 1972 termina da melhor maneira possível, termina com
Sandy Denny.
Por 2 anos consecutivos, 1970 e 1971, os leitores do jornal Melody Maker
votaram Sandy Denny como “a melhor voz feminina”. A sua crescente actividade,
o primeiro disco a solo, o dueto com Robert Plant em “The Battle of Evermore “
no álbum “Led Zeppelin IV”, a colaboração na gravação da versão orquestral da
Ópera-Rock “Tommy” dos The Who, a participação na banda sonora do filme “Pass
of Arms” (que passou despercebido) e ainda nos LP a solo de Ian Matthews
(ex-Fairport Convention) e de Richard Thompson (ex-Fairport Convention também)
não fizeram aumentar a sua popularidade e os seus discos nunca foram êxitos
comerciais.
A própria Sandy Denny dava conta de não atingir largas camadas de público ao
afirmar em 1972 em entrevista à BBC:
“I just want to communicate to more people. I communicate to a lot of
people but it's not enough yet, you know. And it's not purely from a
mercenary point of view. I mean, I just want to, that is my ambition. I want
to be happy. I want to be happy in my work. On one day I might reach
something a little bit closer to the way I want to evolve (?), you know. But
it's all happening in a very slow way and if we've got time left in this
world, you know, perhaps I'll get there one day.”
Edição espanhola de 1972 com as ref: 86 384.I, 86.384-I
Na primavera de 1972 grava o segundo álbum a solo de nome “Sandy” com produção
de Trevor Lucas (também ex-Fotheringay e seu futuro marido). É mais um
excelente, pouco conhecido, registo de Sandy Denny e é também o começo do
afastamento das suas raízes Folk. Há ainda um tema de Bob Dylan (Tomorrow Is a
Long Time) e um tradicional (Quiet Joys of Brotherhood) brilhantemente
interpretado, mas prevalecem, agora, as composições em nome próprio, baladas
tristes e melancólicas com arranjos orquestrais que não eram usuais antes do
início das gravações a solo.
Mantém-se a companhia de músicos da área Folk-Rock com destaque para Richard Thompson.
Para audição, segue o tradicional “Quiet Joys of Brotherhood” com Sandy Denny
a cappela e o subtil violino de Dave Swarbrick, muito, mas mesmo muito bom.
Uma obra-prima.
Continuo com as minha deambulações musicais em torno do ano de 1972 e remexendo
na memória lembrei-me dos Jackson Heights.
Lee Jackson é um baixista/cantor inglês que teve o seu melhor e reconhecido
valor nos distantes anos 60 e 70.
Primeiro, no super grupo The Nice e, com o fim deste em 1970, no grupo
Jackson Heights por ele formado.
Gravaram entre 1970 e 1973 quatro álbuns de êxito mediano e para alguns
subestimados. Longe do classicismo dos The Nice, numa toada muito mais Pop,
os Jackson Heights conseguem alguma notoriedade ao terceiro álbum,
“Ragamuffins Fool” de 1972. E é entre abordagens mais “eruditas”, de que se
destaca “Chorale” herdada directamente da parceria com Keith Emerson ainda
no tempo dos The Nice, e sons mais eminentemente acessíveis, capazes de
entrar nos Top de vendas, como é o caso de “Maureen” então editada em
Single, que se faz “Ragamuffins Fool”.
Mas, nem Jackson Heights nem o seu grupo posterior de nome Refugee
conseguiram equiparar-se aos The Nice de boa memória. Lee Jackson
afastar-se-ia das lides musicais até à reunião dos The Nice já neste
milénio.
“Maureen”, o tema mais divulgado e que então passava na nossa rádio, é uma
canção a marcar o ano de 1972 e é com a sua frescura e elegância que ficamos
passados tantos anos.
Nos primeiros anos da década de 70 assistiu-se, em Portugal, a um verdadeiro
“boom” de concertos de música moderna.
Depois do Festival de Vilar de Mouros e do 1º Festival de Jazz de Cascais,
ambos em 1971, assistir-se-ia à realização crescente (ou ao simples anunciar)
de concertos centrados fundamentalmente em Lisboa. Eis alguns nos anos de
1972/3:
Também neste período surge a hipótese dos The Who tocarem no estádio da luz,
os The Moody Blues estiveram quase certos, na agenda estavam ainda os Deep Purple e imaginem os Pink Floyd.
Os Black Sabbath estiveram agendados para Abril de 1973, o concerto foi adiado
para Junho por hospitalização do viola-baixo e posteriormente cancelado. Até
Paul McCartney e os Wings foram hipótese para Agosto de 1973.
Os Vinegar Joe, com duas deslocações a Portugal no ano de 1973, são hoje o
objecto de recordação.
O grupo de curta duração (1972-1974) deixou 3 álbuns para a história e
lançaria dois vocalistas com destacado êxito nas respectivas carreiras a solo:
Robert Palmer (1949-2003) e Elkie Brooks (1945-) (lembram-se de “Pearl’s a
Singer” de 1977?).
Os Vinegar Joe navegaram por águas bem interessantes, no cruzamento do Rock e
dos Blues com enérgicas vocalizações de Elkie Brooks a destacarem-se em
concertos de forte excitação física e de grande adesão do público.
Dizia Sérgio Fernandes no jornal “musicalíssimo” em Janeiro de 1973 depois da
1ª passagem dos Vinegar Joe por Portugal:
“Elkie Brooks é uma nova senhora dos blues brancos… Elkie é, realmente, uma
excelente intérprete de rhythm and blues, fazendo-nos lembrar a espaços os
melhores momentos de Maggie Bell em disco e relembrar, com os seus gritos
dilacerantes, a Janis Joplin dos nossos tempos”.
Para recordação segue o tema título do 2º álbum de 1972, “Rock'n'Roll
Gypsies”.
Com o passar dos tempos é comum ficar-se mais tolerante, tornando-se o filtro,
das memórias musicais mais remotas, mais largo. Ou seja, muitas músicas a que
não se deu, por vezes, a devida atenção, ou porque passaram mais ou menos
despercebidas, ou não passaram no filtro exigente da juventude, o simples
recordá-las provoca uma sensação de bem-estar de não fácil explicação (na
realidade nem sempre é assim, por vezes acontece também interrogarmo-nos de
como é que eu gostava desta ou aquela música. Adiante).
Tenho, por vezes, tentado a utilização de um filtro tipo banda larga na
esperança de encontrar registos que de alguma forma me tenham escapado.
Por exemplo, tentei-o com The Moody Blues alargando o filtro além 1972 e
não fui bem sucedido, o mesmo para os Pink Floyd pós 1973, o mesmo efeito. E
podia continuar com muitos outros exemplos.
A reedição de “RAM” de Paul McCartney em 2012 e os adjectivos elogiosos por
parte de alguma imprensa (por exemplo, o “Expresso” de 7 de Julho de 2012 dá 5
estrelas a “RAM” e considera-o “uma peça maior” ao nível de “Revolver” ou
“Rubber Soul” e em 1 de Setembro de 2012 volta à carga e refere-se à reedição
de “RAM” como “obra-prima”) fizeram-me aplicar o mesmo exercício a Paul McCartney, ou seja, vamos lá ouvir, como se fosse a primeira vez, o que ele
fez depois da separação dos The Beatles, na expectativa de, de alguma forma,
ficar agradavelmente surpreendido.
O primeiro registo de Paul McCartney pós The Beatles foi, ainda em 1970, “McCartney” e foi penoso recordá-lo, simplesmente para esquecer. O segundo foi
precisamente “RAM” já lá vão 48 anos e por muito que alargasse o filtro nunca
consegui passar das 3 estrelas. Excepção para “Uncle Albert/Admiral Halsey”
que provocou a tal sensação de bem-estar e que fica como a escolha para hoje.
Os anos 60 foram férteis na produção de bons grupos de música em várias
variantes, Rock, Pop, Blues, Fusão, etc., de uma forma genérica na chamada
música popular anglo-saxónica. Uma das bandas de maior destaque e popularidade
foram The Moody Blues.
A primeira formação dos The Moody Blues data de 1964, sendo no entanto a
formação de maior êxito a que em 1967 gravaria um dos álbuns de maior
importância nas novas sonoridades então emergentes. Refiro-me a ”Days of
Future Passed” um disco de fusão com a música clássica. Posteriormente o som
orquestral dos The Moody Blues manter-se-ia graças a Michael Pinder e à
utilização do Mellotron, instrumento de teclado surgido nos anos 60 que
permitia, entre outros, a simulação de sons orquestrais. The Moody Blues foi o grupo que melhor uso deu ao Mellotron.
A música dos The Moody Blues é transversal a várias gerações e será de futuro,
creio, uma referência no estudo da música popular da 2ª metade do século XX.
De 1967 a 1971 gravaram:
“Days of Future Passed” – 1967 – O álbum clássico.
“In Search of the Lost Chord” – 1968 – O melhor álbum.
“On the Threshold of a Dream” – 1969 – O álbum experimental.
“To Our Childrens’s Children’s Children” – 1969 – O álbum esquecido.
“A Question of Balance” – 1970 – O álbum mais comercial.
“Every Good Boy Deserves Favour” – 1971 – O álbum mais simples.
Aqui, The Moody Blues deviam, provavelmente, ter acabado, em 5 anos tinham
feito 6 álbuns de excepção.
Em 1972 gravam, num último fôlego, “Seventh Sojourn” onde se destacava ainda a
bela “For my Lady”, embora o tema mais popular tenha sido “I’m Just a Singer
(In a Rock and Roll Band)”.
https://www.amazon.co.uk/
Do quinteto clássico de 1967 saíram entretanto Michael Pinder (1978) e Ray Thomas (2002), este falecido em 2018. Se bem que mantendo-se como trio: Justin
Hayward, John Lodge e Graeme Edge é Justin Hayward, mas também John Lodge que a
solo continuam a divulgar o rico legado do grupo.
Segue do álbum "Seven Sojourn", mais uma bela recordação, “Isn't Life
Strange”.
O decréscimo quantitativo/qualitativo de gravações em 1972 era evidente.
No entanto, um conjunto de nomes rompia fulgurantemente na busca de novas
experiências sonoras e também visuais: David Bowie com talvez o melhor disco
da década, Lou Reed como inultrapassável "Transformer", John Cale com o seu
experimentalismo radical, são bons exemplos. Também nos conjuntos Rock há boas
novidades e no representativo destas novas tendências a escolha vai para o
álbum de estreia dos inovadores e criativos Roxy Music.
Os Roxy Music iriam ser um dos melhores representantes dessas novas
sonoridades então em formação. Experimentalismo, sofisticação (de Brian Eno)
aliavam-se à imagem e voz neo-romântica de Bryan Ferry (o Rock tinha novamente
o seu Frank Sinatra, lembre-se que Jim Morrison tinha morrido no ano
anterior). Com uma produção visual exuberante, a imagem “dandy”, anos 30, de
Brian Ferry impunha-se a um conjunto de músicos virtuosos onde para além do
referido Brian Eno (sintetizadores) se destacavam Phil Manzanera, na guitarra,
e o erudito Andy Mackay no saxofone e oboé.
Edição portuguesa com a Ref: 2310 552, data provável 1977
Do primeiro e excelente álbum dos Roxy Music de 1972, proponho o tema
"Ladytron" uma boa amostra da mescla vanguardismo/decadentismo que
representavam.
Algumas “pérolas” da música popular dos anos 60/70 estão praticamente
perdidas, ou melhor esquecidas.
Ocorre-me esta ideia ao ouvir um disco que em 1972 passou injustamente
despercebido e que dificilmente alguma vez virá a ter o devido reconhecimento,
ou seja uma pequena “pérola” musical perdida no tempo, para ouvir sempre!
Refiro-me ao grupo Plainsong e ao álbum “In Search of Amelia Earhart”.
Situemo-nos: Plainsong foi uma criação de Ian Matthews, ex-Fairport Convention, ex-Matthews Southern Comfort e o álbum, como o nome indica, “In
Search of Amelia Earhart”, tem por referência o desaparecimento da aviadora
Amelia Earhart (primeira mulher a fazer a travessia aérea do Atlântico) e
desaparecida na tentativa de dar a volta ao mundo em 1937. Mero acidente ou
acidente com captura pelos japoneses são as hipóteses mais colocadas deste
desaparecimento nunca esclarecido (O filme “Amelia” de 2009, com Hilary Swank
no papel de Amelia Earhart, fica-se pela falta de comunicação entre Amelia e a
ilha Howland onde devia aterrar).
Edição em CD de 2001 da editora Perfect Pitch com a Ref: PP009
Tema para audição “True Story of Amelia Earhart”, letra e música de Ian Matthews.
Nota: Em 2017 no 50º aniversário dos Fairport Convention estive no Festival em Cropredy, fazendo os Plainsong parte do alinhamento. Actuaram em trio, Ian Matthews, Andy Roberts e Mark Griffiths
Entre desilusões, confirmações e esperanças assim decorreu o ano.
No grupo dos primeiros estava à cabeça Elton John, a qualidade invulgar
esbarrava com os compromissos comerciais, e perdia-se com canções como “Honky
Cat” ou “Rocket Man”; Paul McCartney era uma decepção com canções como
“Hi-hi-hi” ou “Mary had a little lamb”, o génio tinha desaparecido; de Ringo Starr e do seu “Back off Boogaloo”, nem falar. Ainda nas desilusões tínhamos
os Chicago, inversamente proporcional ao êxito, “Saturday in the Park” é
exemplo; outros estavam a caminho e prenunciavam esgotamento criativo, como os
The Moody Blues com “I'm Just a Singer (In a Rock and Roll Band)”.
As esperanças iam directas para os Roxy Music, Eagles e America com os
respectivos primeiros álbuns, mas as suas histórias não sobreviveriam aos anos
70.
Também do ano de 1972, não foram desilusões, nem confirmações, nem esperanças,
foram simplesmente os piores, eis alguns: Chicory Tip - Son of My Father;
Donny Osmond - Puppy Love; Hot Butter – Popcorn; The Sweet - Wig Wam Bam;
Slade - Mama Weer All Crazee Now dos horripilantes Slade.
Edição alemã, em vinil, com as ref: AS 53 007, (SD 5057), K 53 007
Para terminar bem, porque não se enquadra em lado nenhum, nem está presa a
nenhuma classificação, Joni Mitchell.
Era “For the Roses” o 5º álbum e era mais uma obra-prima, segue o tema
homónimo, mais uma pérola da música popular.
No início era o Rock’n’roll. Depois por simplificação ficou só Rock. Entretanto
o Rock foi sendo adjectivado conforme a respectiva variante, aparece o Hard Rock
para sonoridades mais agressivas e mais apelativas a uma juventude irrequieta. E
novas cambiantes surgiram, o Heavy Metal, Nu Metal, Death Metal, Trash Metal,
etc. para distinguir (?) sonoridades cada vez mais provocadoras e confessemos,
destituídas de qualquer interesse, diria mesmo demoníacas.
Na origem maléfica destes horripilantes sons está, entre outros, o grupo
Black Sabbath dos idos anos 60/70, e do seu mentor o mafarrico Ozzy
Osbourne. No início os Black Sabbath apresentaram-se com um som próximo dos
Blues e do Hard Rock, na linha dos Deep Purple, mas rapidamente “evoluíram”
para ambientes mais soturnos abordando temas “satânicos” e de “ocultismo”.
No meio, porém, compuseram bonitas baladas, por exemplo no álbum “Vol.4” de
1972 podemos encontrar "Changes" e "Laguna Sunrise".
"Laguna Sunrise" é um tema acústico, muito gracioso e agradável de se ouvir.
Eram os Black Sabbath de há 48 anos! Mas atenção, nada de enganos, também
Darth Vader antes de se converter às forças do mal era um insuspeito Mestre
Jedi.
Objectivo, conjunto de Rock formado em Portugal em 1969 que teve existência até
ao ano de 1972. nesse espaço de tempo gravaram um EP e três Singles. Disse
formado em Portugal e não português pois na realidade na sua constituição teve
uma mistura de músicos nacionais e estrangeiros como não me lembro de outro.
Formação muito variável por ele passaram, espero não esquecer nenhum, os
seguintes músicos:
- Mário Guia, baterista
- Zé Nabo, baixo
- Tó Gândara, guitarra
- Luís Filipe, guitarra
- Mike Sergeant, guitarra
- Kevin Hoidale, órgão
- Zé da Cadela, bateria
- Jim Cregan, guitarra
- Dick Stubbs, guitarra
- Bas Lee Riche, guitarra
- Terry Thomas, guitarra
- Guilherme Inês, bateria
O som era predominantemente Progressivo e cantavam exclusivamente em inglês.
Passaram pelo programa televisivo Zip-Zip (1969), tocavam em bailes de
finalistas e estiveram presentes no Festival de Vilar de Mouros de 1971.
https://www.discogs.com/
Em 1972 é editado o último Single com os temas "Out of Darkness" e "Music".
Actualmente um Single difícil de encontrar, em Discogs.com encontra-se à venda
sem capa por 50€!
Hard Rock e Heavy Metal são variantes do Rock cujas fronteiras não são fáceis de
definir. As duas resultam de um som forte, pesado onde as guitarras predominam e
as vocalizações agressivas se evidenciam. Hard Rock primeiro, ainda nos anos 60,
onde se destacaram por exemplo The Who, Deep Purple e Led Zeppelin. Heavy Metal
depois, com uma radicalização do Hard Rock, mais duro, vocalizações mais
violentas e temáticas soturnas e satânicas a dominarem, teve nos BlackSabbath um dos seus primordiais e principais protagonistas.
Por cá também se assistiu ao desenvolvimento de grupos cuja sonoridade era
crescentemente mais pesada, com solos de guitarra mais intensos, até mesmo
agressivos. Não me recordo, no entanto, de no início da década de 70 o termo
Heavy Metal ser por cá utilizado, talvez só na década seguinte.
Estou a recuperar o ano de 1972 e neste ano encontro as gravações dos Heavy Band efectuadas quando se encontravam em Angola.
Os Heavy Band eram constituídos por Filipe Mendes (1947-2018), guitarrista
também conhecido por Phil Mendrix com passagem pelos Chinchilas e Grupo 5,
João Heitor, Bateria, Zé Nabo, baixo ex-Objectivo, José Eduardo e finalmente
Fernando Girão, vocalista então conhecido por Very Nice tinha passado pelos
Turma 6 e Pentágono.
Deixaram 2 Singles sendo o segundo composto por uma única composição, "Your
New Motel", dividida em duas partes, recordo a 1ª parte.
Na contra capa do disco lê-se:
"Your New Motel (Face A e B) uma composição de Phil, o segundo êxito
em disco do conjunto Heavy Band gravaram mais um disco em Angola para todos
os seus admiradores. Agora que partiram, sentimos a grandiosa herança em
disco que nos deixaram. «Your New Motel» uma composição de Phil
(viola solo), uma versão diferente no seu género de
Música Progressiva."
Formação que tomou designações ligeiramente diferentes, primeiro Beatniks, mais
tarde Beatnicks, os seus constituintes também foram mudando ao longo dos anos e
o estilo também conforme a constituição e a época, existiram de 1965 a 1982.
A fase mais interessante terá sido no início dos anos 70, quando o grupo é
reformulado com Rui Pipas na guitarra. Na compilação em vinil editada em 2009
pela etiqueta
Portuguese Progressive Pearls com as 7 composições por eles gravadas lê-se na contra-capa:
"The BEATNICKS are thee pionners of PORTUGUESE Heavy Rock back in 1971"
Em relação ao Single, hoje objecto de recordação, editado em 1972 é dito:
"...the label asks tem 2 more songs for another single which didn't appear
cited in some books of Portuguese music for the sake of it's own obscurity.
This single, is the Grand Funk meets Sabbath style, while the first Ep had
more influence of Hendrix and MC5. It´s released in the same label (Tecla)
and was called "Money".
Vamos lá ouvir esta mistura de Grand Funk e de Black Sabbath, pelos pioneiros portugueses de Rock pesado Beatniks, estávamos no ano de 1972 e a canção é "Money", um original do grupo.