As primeiras canções que conheci da June Tabor foram do álbum "Silly Sisters"
gravado em duo com Maddy Prior em 1976, é também de 1976 o seu primeiro álbum
solo "Airs and Graces". É o que consta na generalidade das informações que se
deparam da discografia de June Tabor.
Mas, é possível encontrar algumas gravações anteriores àquele ano. Serão as
tais raridades.
Caixa de 4 CD editada pela Topic Records, em 2005, com a
ref:TSFCD4003
"Always" é uma caixa retrospectiva de 4 CD publicada em 2005 que inclui muitas
gravações raras, ao vivo e anteriormente não editadas, na contra-capa lê-se:
"JUNE TABOR is far more than a folk singer, she is quite simply one of the
Britains' greatest interpreters of popular song with an extraordinary range
and ability to mix intensity, passion and drama."
Entre as intérpretes vivas e ainda no activo será, maior parte das vezes, a
minha preferida.
"Always" recupera um conjunto de canções que de outra forma não estariam
disponíveis e que se recomenda sem restrições para os amantes do Folk-Rock. Se
algumas das 67 canções se podem encontrar na sua rica e original discografia,
uma boa parte poderíamos colocar o rótulo de raridade.
Uma das mais antigas, é pelo menos a mais antiga que eu conheço, na voz de
June Tabor é "The Week Before Easter" interpretada a cappela, trata-se de um
arranjo de uma canção tradicional, também conhecida como "The False Bride"
(Sandy Denny cantou-a no LP "Alex Campbell and His Friends" de 1967),
gravada em Edinburgh em Setembro de 1971. Faz parte do CD A desta colectânea
onde se pode ler pela própria June Tabor:
"The wonderful imaginary of this song and those verses of the impossible
'The men of the forest they ask it for me / How many strawberries grow in
the salt sea? / I answer them back with a tears in my eye / Aye, as many
ships sail in yon forest.' make it a classic example of the English love
lyric. I love these striking antitheses that crop up so frequently to
express absolute impossibility."
As palavras valem o significado que num determinado tempo se lhes dá. É cada
vez mais comum assistirmos à adulteração de determinadas palavras, muitas das
vezes com a cumplicidade dos media, vulgarizando o significado que tinham. Dou
como exemplo as palavras "icónico" e "épico" tão mal tratadas hoje em dia,
tudo é icónico, tudo é épico. Evito a utilização de tais palavras.
Noutras o aviltamento não será tão evidente ou não chegará mesmo a acontecer,
depende.
Por exemplo "raridade" que serve para este novo tema que hoje introduzo.
Raridade ou raridades é um termo que tem vindo a ganhar terreno e a ser
utilizado com maior frequência nos meios musicais e que muitas vezes me deixam
na dúvida se estão a ser bem utilizadas ou não. Julgo que muitas vezes, mais
marketing que outra coisa, é anunciada, nomeadamente na republicação de obra
mais antiga de artistas consagrados da música Pop-Rock, a edição de novos
discos com raridades quer nas imagens, quer no áudio. Serão mesmo raridades?
O senso comum dizia-me que raridade é algo que é raro ou seja que existe muito
pouco e que é muito difícil de encontrar. Tinha uma noção muito restritiva da
palavra e 'raramente' a usava.
Vejamos o que diz o Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo,
Livraria Bertrand, Lisboa 1949:
Raro, Que não é denso ou que é pouco denso. Pouco espesso:
arvoredo raro. Que acontece poucas vezes; que não é corrente:
as libras hoje são raras.
Extraordinário.
ou num dicionário mais recente, o Dicionário da Língua Portuguesa
Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa de 2001:
raro. O m. que ralo
ralo.
1. Que tem pouca espessura, pouca densidade. = RARO
2. Que se apresenta com espaços entre si. = ESPAÇADO, INTERVALADO
3. Que existe em pequena quantidade, em pequeno número; que é pouco frequente.
= RARO
Sem contrariar o que eu pensava da palavra, fiquei, no entanto, mais
confortável com a sua utilização, podendo haver alguma subjectividade, o que é
pequena quantidade?, ou pequeno número? ou ainda pouco frequente?
Assim sendo início hoje o tema "Raridades" que ficará em aberto para futuras
passagens.
Começo com Richard Thompson, figura ímpar e pouco conhecida da música
Folk-Rock. para uma melhor contextualização sugiro passagem primeira pelas
outras entradas referentes a Richard Thompson, por mim anteriormente utilizadas.
Caixa editada pela Free Reed, Ref: FRQCD-55
Em 2006 é editada uma caixa de 5 CD denominada "RT The life and music of
Richard Thompson", e não preciso de chegar ao último CD denominado "Something
Here Worth More Than Gold - Real Rarities" para encontrar um tema que
considere que merece constar nestas "Raridades". Muitos dos 85 temas que
compõem esta caixa são
"...previously unreleased and extremely hard to find..." pelo que
encaixariam bem neste meu propósito de escolher uma raridade. Fico no CD 4
"Songs pour down like silver - Covers and Sessions" e escolho "The Who Medley:
My Generation/Can't Explain/Substitute", nem mais, Richard Thompson a
interpretar The Who.
No livro de 167 páginas que acompanha esta caixa pode-se ler,
"Thanks to Richard for allowing the inclusion of this very impromptu
performance. ("I don't think I know the words to all those songs: ah, I
cleraly didn't"), Second encore at this memorable concert, wherein Richard
surprises and delights by improvising a medley of My Generation, I Can´t
Explain and a rather different version of Substitute"
(gravado em Iron House, Massachusetts, 1990)
Para quem não estiver familiarizado com a música de Richard Thompson esta
caixa não será a melhor opção para o fazer, algumas faixas deixam mesmo a
desejar em termos de qualidade de gravação, trata-se portanto de uma caixa
para os fãs deste histórico músico inglês. Uma boa entrada será a colectânea
de 3 CD "Watching The Dark" publicada em 1993.
E aqui fica esta primeira raridade, Richard Thompson a interpretar The Who.
Será, ele próprio uma raridade?
Richard Thompson - The Who Medley: My Generation/Can't Explain/Substitute
Não fosse esta maldita pandemia e estaria hoje em Cropredy, Oxfordshire,
Inglaterra.
Era o Festival anual dos Fairport Convention que hoje iria
terminar e onde se destacavam naturalmente os concertos de Richard Thompson
(elemento fundador dos Fairport Convention em 1967) a solo, dos regressados
Matthews Southern Comfort de Ian Matthews (também ele elemento fundador dos
ditos Fairport Convention) e finalmente o concerto dos Fairport Convention e
amigos onde seria reproduzido na integra o grande disco que foi "Full House"
de 1970. Se tudo correr bem ficará para o próximo ano que os bilhetes já cá
estão!
À meia-noite, no encerramento do Festival, este iria terminar com a inevitável
"Meet on the Ledge", canção composta por Richard Thompson tinha ele 19 anos que estaria longe de imaginar quão simbólica se transformaria na história
do grupo. Teve primeira realização no álbum "What We Did On Our Holidays" em
1968 onde se destacavam os vozes de Ian Matthews e de Sandy Denny.
Em 2017, tinham feito os Fairport Convention 50 anos e claro com ela
terminaram o seu excelente concerto em Cropredy naquele ano, saudades!
O concerto foi gravada e editado no duplo CD, "What We Did On Our Saturday", e
lá estava no fim "Meet on the Ledge".
Hoje, aqui me encontro com todos os meu amigos.
Meet on the ledge, we're going to meet on the ledge When my time is up, I'm going to see all my friends Meet on the ledge, we're going to meet on the ledge
If you really mean it, it all comes around again
Termino com o Regresso ao Passado de hoje a passagem pelo nº 11 da revista
"mundo da canção" que foi publicada em Outubro de 1970. Vai a recordação para uma das pequenas notícias que constava na rubrica "Sabias Que...",
era uma entre as 10 "Sabias Que...".
Escolhi, quase aleatoriamente, Jeff Beck, dizia assim:
"JEFF BECK foi definido por Frank Zappa como o melhor guitarrista da
actualidade, será ele que acompanhará Frank nos concertos que irá dar nos
próximos meses pela Europa."
Não consegui apurar se Jeff Beck acompanhou Frank Zappa na turné europeia de
1971 mas parece que não, o que é manifestamente verdade é a apreciação que
Frank Zappa fazia dele tendo numa entrevista nos anos 80, referindo-se-lhe, dito:
"One of my favorite guitar players on the planet. From a melodic standpoint
and just in terms of the conception of what he plays, he's fabulous. I like
Jeff."
Em 1970, pese a sua então curta carreira, Jeff Beck era já um guitarrista
consagrado, Tinha-se evidenciado nos célebres The Yardbirds substituindo Eric Clapton, e gravado dois LP, "Truth" e "Beck-Ola" que não passaram
despercebidos, hoje é considerado um dos mais influentes guitarristas da
história do Rock.
A canção de abertura de "Beck-Ola" (1969) é "All Hook Up" gravada por Elvis Presley em 1957, aqui a voz é nada mais nada menos que a de Rod Stewart antes
de se aventurar a solo e de formar The Faces.
Ainda tempo para mais duas passagens retiradas da revista "mundo da canção" no
seu nº 11 publicado em Outubro de 1970.
Primeiro aproveitando a rubrica "curiosidades do mundo da música" onde
constavam três pequenas notícias:
- o anúncio do Festival Internacional da Canção Popular em Tóquio que, tanto
quanto consegui apurar, teve nesse ano a participação de Sérgio Borges que
tinha ganho o nosso Festival da Canção com "Onde Vais Rio Que Eu Canto" mas
que não chegou a participar no Festival da Eurovisão pois Portugal tinha
protestado o sistema de votação do ano anterior.
- a realização de um novo disco dos britânicos The Hollies denominado
"Gasoline Alley Bred" onde se dizia que ia haver uma versão de "Go Where You
Gonna Go" dos The Mamas and The Papas. "Gasoline Alley Bred" foi efectivamente
realizada em Single mas desconheço que tenham gravado a tal anunciada versão.
- finalmente estava em promoção o novo disco de Ringo Starr, "Beaucoups of
Blues" que aproveito para recordar.
O fim dos The Beatles permitiu que os seu elementos corressem a fazer as suas
gravações individuais. O anúncio do fim foi em Abril de 1970, logo em Abril
Paul McCartney publicou "McCartney", John Lennon fê-lo em Dezembro com a sua
Plastic Ono Band, um mês antes tinha sido George Harrison com o triplo "All
Things Must Pass" e finalmente Ringo Starr que não esperou pela demora, em
Março já tinha cá fora ""Sentimental Journey", um disco desajustado a incluir
standards de Jazz e em Setembro precisamente "Beaucoups of Blues".
"Beaucoups of Blues" parece ser o registo certo para as limitações vocais
evidentes que Ringo Starr sempre evidenciou, um disco marcadamente Country,
via que devia ter melhor explorado.
Em 1970 não me lembro de ouvir Elvis Presley. Para mim Elvis Presley era coisa
do passado e, julgo, para a nossa rádio também. Pelo menos nos programas que
mais ouvia não me recordo de o ouvir, ou se ouvi foi esporádico.
Na realidade, era tanta a novidade que se impunha, de qualidade ou não, que
não havia espaço para aquele que nos anos 50 tinha revolucionado a música dita
branca com os ritmos ditos negros. Ficou-lhe o epíteto "The King" que só mais
tarde apreciei e percebi porquê. O Rei do Rock'n'Roll não iria terminar a
década que então começava, a droga iria tomar conta dele e um ataque de
coração poria ponto final em 1977.
Claro que não podia tê-lo ouvido na devida altura, ou seja anos 50, início de
60, mas quanto mais tardiamente menos impressão deixou. O seu compromisso com
o cinema levou a que fosse ultrapassado por uma miríade de novos músicos que
surgiram na década de 60 e a sua música menos ouvida. Tenta o retorno no final
da década com novos discos e novos espectáculos, alguns dos discos vão
constituir os primeiros registos ao vivo, sendo em 1970 editado o 3º álbum ao
vivo "On Stage".
Neste álbum constava "The Wonder of You", também editada em Single, que andou
nos Top das tabelas de vendas. A letra de "The Wonder of You", uma canção do
final dos anos 50, vinha publicada no nº 11 da revista "mundo da canção", cuja
recuperação tenho vindo a fazer e que se aproxima do fim.
Se os sons de Alan Price eram já conhecidos dos teclados do grupo britânico
The Animals (ouça-se o órgão em "The House of The Rising Sun" de 1964), é
depois em carreira a solo, ou em parceria com Georgie Fame, que ganha
internacionalmente alguma notoriedade. Em 1965 abandona The Animals, por um
lado por exaustão,
"I simply can’t stand the pressures of the pop world anymore", disse,
por outro a sua fobia de voar, terão estado na origem da decisão.
Ainda em 1965 efectua as primeiras gravações a solo e acompanha Bob Dylan na
turné "Don't Look Back", mesmo ele dizendo mais tarde
"I went into hibernation when I left The Animals. I had a bit of a drink
problem...it was like a semi-breakdown."
As gravações continuaram e até 1970 grava 2 LP, "The Price To Play" e "A Price
on His Head", e vários Singles de sucesso moderado.
Tendo em consideração as suas qualidades instrumentais e vocais parece que a
sua carreira ficou muito aquém das potencialidades reveladas em alguns temas,
por exemplo na sua excelente versão de "I Put A Spell On You".
Em 1970 editou o single "Sunshine and Rain ((The Name Of The Game)" que teve
edição nacional e cuja letra vinha publicada no nº 11 da revista "mundo da canção". Uma canção Pop de fácil consumo mas que não conheceu os Top de
vendas. É uma daqueles que às duas por três me vem à memória, não havia
necessidade...
Em maré de repetições, aqui vai mais uma, desta vez, indiscutivelmente uma boa
repetição. Trata-se de Smokey Robinson & The Miracles e a sua "Tears of a
Clown".
Se Smokey Robinson só começou a gravar a solo em 1973, é ainda nos anos 50,
mas sobretudo nos anos 60, que se evidência no mundo musical como autor e
intérprete integrando o grupo The Miracles, um dos mais bem sucedidos da
Motown Records. A dimensão de Smokey Robinson leva a que a partir de 1965 os
discos venham assinados como Smokey Robinson & The Miracles.
"The Tears os a Clown" é uma grande canção que em 1970 teve enorme sucesso na
sua edição em Single, é, no entanto, de 1967 do LP "Make It Happen". Em
Outubro de 1970 a revista "mundo da canção" publicava a letra, o pretexto para
a ela novamente voltar. Espero que gostem tanto quanto eu.
Smokey Robinson & The Miracles - The Tears of a Clown
Entre um "Tiro pela Direita" na revista "mundo da canção" no seu nº 10 a
"Single representativo" do ano de 1970 na apreciação de Miguel Esteves Cardoso
assim de dividiam as opiniões sobre a versão que The Beach Boys fizeram da
canção dos anos 40 "Cotton Fields".
"Cotton Fields" pertencia ao LP "20/20" de 1969 (o 15º a ser publicado em 8
anos!), um disco tido como desconexo, um repositório de canções abandonadas e
então recuperadas. Muito longe portanto de um "Pet Sounds" (1966) ou mesmo
"Smiley Smile" (1967). Não tenho memórias deste disco, nem mesmo desta versão
de "Cotton Fields", pelo contrário lembrava-me bem da mesma canção na versão
dos Creedence Clearwater Revival que, coincidência, era do mesmo ano de 1969.
No nº 11 a revista "mundo da canção", desta vez, trazia a letra desta canção
de autoria de Huddie Ledbetter (1988-1949), mais conhecido por Lead Belly,
sendo a interpretação dada aos The Beach Boys. Ora, vamos ouvi-la novamente.
Presença dupla dos The Beatles nesta edição da revista "mundo da canção",
primeiro com duas letras de canções de "Abbey Road", respectivamente "I Want
You (She's So Heavy)" e "You Never Give Me Your Money" e agora com mais duas
letras de canções do que seria o último álbum por eles publicado, "Let It Be",
eram elas "Across The Universe" e "I've Got A Feeling".
"Let It Be" seria o 12º álbum de originais e seria editado no Reino Unido em
Maio de 1970. No entanto as gravações vinham de Janeiro de 1969 e tinham, sido
preteridas em favor da gravação e publicação de "Abbey Road". The Beatles
pretendiam com "Let It Be" fazer um disco o mais simples possível e com o
mínimo arranjos de estúdio. Mas algumas faixas acabaram por ser pós-produzidas
nomeadamente "Across The Universe" com acrescento de orquestra e coros.
Objecto de várias versões pelos próprios The Beatles segue o original de "Let
It Be" do ano de 1970.
Se houve um cantor negro nos anos 60 e 70 que aliasse fama a uma
inquestionável qualidade, esse foi Stevie Wonder.
Foram várias as aproximações que fez a géneros musicais como o Pop, o Jazz ou
o Funk, tendo sempre como ponto de partida o Rythm'n'Blues e o Soul que desde
muito cedo cultivou.
Por vezes resvalou para um Pop comercial, mas, diga-se mesmo assim agradável,
tipo "I Just Call To Say I Love You" (1984). Em 1970, já com uma carreira
consagrada e estando o melhor ainda para vir, Stevie Wonder publica o álbum
"Signed, Sealed & Delivered" donde saíram sucessos como "Heaven Hell Us
All", "Never Had a Dream Come True", "We Can Work It Out" e a recordação para
hoje "Signed, Sealed, Delivered, I'm Yours".
A letra encontrava-se no nº 11 da revista "mundo da canção" de Outubro do ido
ano de 1970.
Para a recordação de hoje apetece dizer: "Já não há grupos assim, e não se
fazem canções Pop como esta". O grupo é Chicago de boa memória e a canção "25
or 6 to 4" do ano distante de 1970.
Os Chicago são um grupo de fusão do Rock com tudo, do Pop à música Clássica,
formaram-se em 1967 e segundo o seu site oficial (https://chicagotheband.com/)
continuam em actividade pese as diferenças significativas na sua composição,
da formação original, com 11 elementos, restam, de acordo
com a mesma fonte, Robert Lamn, Lee Loughnane e James Pankow.
São 37 o nº de álbuns que publicaram até à data, mas o período que me
interessa é o de 1967 a 1974 com a formação clássica inicial e deste período o
mais importante está nos anos de 1969, 1970 e 1971 com os 3 primeiros duplos
álbuns de excepção.
É ao 2º álbum, um disco que recomendo sem reservas, que ganham sucesso
comercial, nomeadamente com a canção "25 or 6 to 4" escrita por Robert Lamn.
A letra de "25 or 6 to 4" vinha publicada, em Outubro de 1970, na revista
"mundo da canção" nº 11.
Sempre tive dificuldade em memorizar o nome desta banda, Dozy, Beaky, Mick
& Tich, saía-me sempre alguma coisa trocada. Agora imaginem quando era
Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich! Pois é, havia um grupo nos anos 60 que
tomava este nome, ou seja, os nomes dos seus elementos.
O maior sucesso desde grupo Pop, ainda com o nome completo foi "The Legend of
Xanadu" em 1968, mas lembro-me também de por exemplo de "Bend It!"
Já a canção de hoje, "Mr. President", de 1970, já depois da saída de Dave Dee,
estava perdida na memória e não fora a revista "mundo da canção" e não mais
dela me lembraria.
Na secção "Tiro pela direita" lê-se sobre ela: "Mr. - Dozy, Beaky, Mick & Tich - o único intento, vender este disco, para isso os rapazes agora sem o Dave Dee, continuam a cantar as mesmas «coisinhas bonitinhas» para serem muito dançadas, ouvidas... e... compradas!!!..."
A letra vinha publicada neste nº 11 da revista "mundo da canção" de
Outubro de 1970 que tenho vindo a recordar e a ela se deve mais este Regresso
ao Passado.
Fez 50 anos que The Beatles acabaram e no entanto sou hoje
surpreendido, ou talvez não, de acordo com a revista "Rolling Stones"
(Brasil) os "Beatles são a banda de rock de maior sucesso em 2020" e que
"venderam mais de 1 milhão de discos no 1º semestre".
The Beatles, sempre The Beatles! O grupo mais importante que a música Pop
conheceu e que ainda hoje atrai milhões de compradores, espero que não só os
mais velhos mas também os mais novos, das reedições que vão sendo feitas da
sua obra.
Tinha 13 anos quando The Beatles anunciaram o fim do grupo e os sons que
andavam no ar eram de "Abbey Road", o álbum que o meu pai me tinha comprado no
final do ano anterior.
"Abbey Road" o último álbum gravado, penúltimo editado, é um dos melhores da
discografia que The Beatles deixaram para a posteridade. Um LP recheado de
belas canções com uma super produção de George Martin, um verdadeiro clássico
do Rock ao qual devemos retornar regularmente.
Publicava o nº 11 da revista "mundo da canção" mais duas letras de canções do
álbum "Abbey Road": "I Want You (She's So Heavy)" e "You Never Give Me Your
Money", é esta última a escolha de hoje.
Saudosos os tempos em que coexistiam os mais diversos estilos musicais, em que
os grupos musicais Pop, centrados numa sonoridade Rock, procuravam, de forma
criativa, os mais diversificados caminhos, explorando encontros com outras
formas musicais, ou atrevendo-se mesmo a procurar novas rotas.
1970 era um caldeirão de sons, do Pop mais simples ao Jazz mais sofisticado,
um pouco de tudo é possível encontrar naquele ano que tantos bons discos nos
deixou. Entre eles estava o 3º registo dos Blood, Sweat and Tears, grupo
pioneiro nas experiências de fusão do Pop, do Rock, do Jazz.
"Blood, Sweat & Tears 3" pecava por ser quase todo feito de versões, mas
não lhe tirava o brilhantismo das interpretações.
Começava com "Hi-De-Ho" escrita pela dupla Gerry Goffin/Carole King e,
julgo eu, só por ela gravado em 1980. Terão sido, pois, os Blood, Sweat and Tears
os primeiros a gravar "Hi-De-Ho". Cativante esta canção, exemplarmente tocada
e uma vocalização meritória de David Cayton-Thomas, cantor marcante na
carreira do grupo.
O nº 11 da revista "mundo da canção" de Outubro de 1970 reproduzia a letra e
eu deixo agora a música para mais uma bela recordação.
Em 1970 os Jethro Tull eram uma dos meus grupos preferidos. Diferentes do
comum das formações Rock mais divulgadas pela rádio, eram sui generis no som
praticado em grande parte pela originalidade da flauta de Ian Anderson. O
álbum que então passava na rádio, pelo menos no programa "Página Um", era
"Benefit", um dos que sempre mais gostei do grupo e dele ouvia-se "With
You There to Help Me" ou "To Cry You a Song". "Benefit" um disco na
encruzilhada do Rock Progressivo com alguns laivos de Folk era a terceira
proposta dos Jethro Tull, notava-se um afastamento das influências dos Blues e
abria caminho à obra capital do ano seguinte, "Aqualung".
Talvez por ter sido o primeiro disco dos Jethro Tull que adquiri, tenha por
ele um carinho especial e a ele volto, ainda, com alguma regularidade, continuo a pensar que é um disco subestimado.
"Benefit" ia de canções com poderosos riffs, ouça-se a citada "With You There
to Help Me", a esta linda canção de amor, "Inside", que hoje recordo.
"Inside" era mais uma das letras publicadas neste nº 11 da revista "mundo da canção" e que viu a luz do dia em Outubro de 1970.
Os Jethro Tull no seu melhor imediatamente antes da fase conceptual com
"Aqualung", "Thick as a Brick" e "Passion Play" com os quais se esgotaram.
Presença regular nas páginas da revista "mundo da canção", os Creedence Clearwater Revival, ou abreviadamente CCR, eram em 1970 um grupo de enorme
popularidade. Fenómeno interessante este dos CCR que de alguma forma é comum a
boa parte do mundo musical POP, estou-me a referir ao facto de o sucesso e os
êxitos alcançados se circunscreverem ao início das carreiras por um período
mais ou menos curto e depois desaparecerem ou prolongarem-se à custa do
passado, não acrescentado nada de novo ao que se lhes conheceu no início.
Em poucos anos (1968 a 1972), os CCR publicaram 7 álbuns que lhes
proporcionaram níveis de fama invulgares, todo o mundo gostava da música
deles, canções simples, riffs poderosos fáceis de ficar no ouvido que
provavelmente só eram possíveis de ter sido criados naqueles já longínquos
anos.
Depois acabaram e as carreiras a solo não tiveram a projecção que juntos
tiveram. Nem mesmo os membros principais John Fogerty, ainda no activo, e Tom
Fogerty, falecido em 1990, trouxeram algo de novo nos discos que
posteriormente editaram. O sucesso estava mesmo nos CCR e numa colecção
invejável de canções que se perpetuaram no tempo.
Do álbum "Cosmo's Factory" de 1970, a revista "mundo da canção", em Outubro
daquele ano, no seu nº 11 publicava duas letras: "Lookin' Out My Back Door" e
"Long As I Can See The Light".
Já recordei a primeira falta "Long As I Can See The Light" que fechava o dito
álbum.
Creedence Clearwater Revival - Long As I Can See the Light
Em 1970 uma estranha canção atingiu os Top de vendas e passava com
regularidade em alguns programas da nossa rádio. Estranha pois tratava-se de
um tema de um filme Western, não se identificava com o Pop-Rock dominante e
era interpretava por uma voz que via-se não tinha sido feita para cantar. A
voz era a do actor Lee Marvin (1924-1987) e a canção, que já tive oportunidade
de recordar já lá vão alguns anos, era "Wand'rin' Star", o filme era "Os
Maridos de Elizabeth".
O certo é que no conjunto era, para mim ainda é, agora acrescida de uma boa
dose de nostalgia, uma canção irresistível.
Publicada no nº 11 da revista "mundo da canção" em Outubro de 1970, a letra de
"Wand'rin' Star" que a ela volto novamente, cantarolemos!
Uma das canções mais bonitas dos anos 60 foi-nos deixada pelos The Moody Blues
no álbum conceptual "Days of Future Passed" (1967), trata-se da
incontornável "Nights In White Satin", bastante divulgada à época e que
promoveram o grupo para a ribalta da melhor música Pop então praticada. Num
desafio da editora Decca de adaptarem a sinfonia "New World" de Antonín
Dvořák (1841-1904), The Moody Blues responderam com um conjunto de canções,
para grupo e orquestra, sobre o ciclo de vida de um dia que muitos consideram
o início do Rock Progressivo.
Um disco que muito cedo tomei conhecimento e que tem-me acompanhado desde que
o adquiri vai para 50 anos! Um disco transversal a gerações, com ele o meu pai
começou a apreciar a nova música Pop que então explodia, gosto que se prolongou para a minha filha
mais velha.
"Nights In White Satin" foi escrita por Justin Hayward recém chegado ao
grupo em substituição de Denny Laine (futuro membro dos Wings de Paul McCartney) e que contribuiria para a nova sonoridade do grupo, até
então próxima do Rythm'n'Blues.
A letra vinha publicada, em Outubro de 1970, no nº 11 da revista "mundo da canção", encontrava-se nos "Êxitos de Ontem".
A versão original completa já se encontra neste blogue pelo que desta vez fui
buscar uma outra versão, desta vez ao vivo em Red Rocks com a Orquestra
Sinfónica do Colorado a 9 de Setembro de 1992, já The Moody Blues viviam de
recordações, felizmente boas recordações.
Pese o crescimento que se assistia da música Pop-Rock em geral e das suas
variantes Hard-Rock e Rock Progressivo que, em 1970, atraiam camadas cada vez
maiores da juventude, o Soul e o Rythm'n'Blues de origem negra norte-americana
continuavam, através de alguns dos seus melhores intérpretes, a marcar
presença bem significativa e a rivalizar nos Top internacionais. Aretha Franklin era uma delas.
Aretha Franklin (1942-2018), a rainha do Soul como justamente ficou conhecida
tinha tido na década de 60 anos fulgurantes que a catapultaram para a cena
internacional e a tornaram uma figura querida e transversal por largas camadas
de entusiastas da música popular.
"... a voz mais bela dos nossos tempos faz de todas as canções um hino." escrevia-se em "Os Grandes Criadores do Jazz" de Gérald Arnaud e
Jacques Chesnel, edição original de 1989 e tradução portuguesa e respectiva
publicação em 1991.
Em 1970 Aretha Franklin publicou 2 LP, primeiro "This Girl's in Love with You"
numa aproximação ao Pop e depois "Spirit In the Dark" mais fiel ao Soul e ao
Blues, francamente melhor.
A letra de "Spirit In the Dark", a canção título, vinha publicada no nº 11 da
revista "mundo da canção" estávamos então no mês de Outubro de 1970.
Tinha 14 anos quando o álbum "Déjà Vu" dos Crosby, Sttills, Nash & Young
foi publicado e lembro-me como ficava boquiaberto quando ouvia alguma das
faixas que passavam em alguns programas da nossa rádio. A sensação ao ouvi-lo
era de estupefacção, eram, para mim, sonoridades completamente novas, era como
que com o surgimento daquele disco estivesse a assistir a algo de novo, único
até mesmo revolucionário. Vozes únicas em uníssono ou a solo, temas acústicos
simples ou eléctricos sofisticados, uma panóplia de novos sons a descobrir.
O que sentia era contrastante com o parecer de Fernando Cordeiro que assinava
um texto, intitulado "Déjà Vu ou uma música que se vai dessacralizando", no nº
11 da revista "mundo da canção".
O disco já não me provoca as mesmas sensações que em 1970, no entanto,
continuo, tal como quando o li pela primeira vez, a não me rever no artigo que
serve hoje de pretexto para voltar a um dos melhores discos que aquele ano nos
deixou.
"Déjà Vu" a canção que abria o lado B do LP com o mesmo nome parecia ser o que
merecia melhor apreço no texto em questão, afirmava-se:
"«Déjà Vu» - dos melhores temas do LP. Trabalho vocal tecnicamente
engenhoso. Onde o bateria Dallas Taylor, abre a válvula da sua imaginação.
Um tema de Crosby a lembrar do Jazz a Donovan."
"Déjà Vu", uma menos conhecida composição, um ponto de encontro com o melhor
do álbum, que hoje se recorda.
Em 1970 o duo Simon and Garfunkel gozava de uma uma notoriedade enorme e
merecida, em poucos anos Paul Simon e Art Garfunkel tinham construído uma obra
ímpar bem justificativa da popularidade granjeada.
Nem sempre é assim, muitas
vezes a qualidade da obra fica restrita a níveis da população mais interessada
e estudiosa dessa obra ou então o reconhecimento vem, quando vem, anos mais
tarde, por vezes depois da morte. Simon and Garfunkel tiveram sucesso e
mereceram-no inteiramente, para a história ficaram 5 álbuns, editados entre
1964 e 1970, de qualidade superior. Em 1970 terminavam com o consagrado LP
"Bridge Over Troubled Water", obra de referência da melhor música popular, um
disco de síntese da década que tinha terminado.
Estou a recordar a revista "mundo da canção" que foi uma das referências
musicais da minha adolescência, em Outubro de 1970 no seu nº 11 publica mais
uma letra da dupla Simon and Garfunkel, desta vez era "Fakin' It", editada em
Single em 1967 e pertencia ao LP "Bookends" (1968).
Depois foi Emitt Rhodes (1950-2020) a 19 de Julho. Músico menos conhecido mas
de boa memória de "The Merry-Go-Round" (1967) e "The American Dream" (1970).
Curiosamente uma canção o liga a Judy Dyble: "Time Will Shown The Wiser".
Dessa ligação já a recordei em "Grandes Versões".
Finalmente, ontem (25 de Julho) foi anunciada a morte de Peter Green que eu
tanto apreciava no seu estilo Blues-Rock.
Longe vão os tempos quando em 1966 foi substituir Eric Clapton nos
Bluesbreakers de John Mayall. Daí ao sucesso foi um passo que teve a melhor
expressão nos três primeiros LP dos Fleetwood Mac: "Fleetwood Mac" (1968),
"Mr. Wonderful" (1968) e "Then Play On" (1969). Esquizofrenia e drogas
comprometeram uma carreira que se prolongou erraticamente a solo e na formação
Peter Green Splinter Group.
Já o recordei em algumas belas canções que ficaram para sempre no património
da melhor música popular dos anos 60 e 70. Lembre-se "Albatross", "Man of the
World", "Oh Well", "The Green Manalishi" ou "Black Magic Woman" que poucos a
ele associam face ao sucesso que teve a versão dos Santana.
É aos famosos concertos de Boston de 5, 6 e 7 de Fevereiro de 1970,
disponíveis em 3 CD, que vou buscar "Black Magic Woman", eram os Fleetwood Mac
de Peter Green.
Um dos meus primeiros contactos com a música Reggae foi através do músico
jamaicano Jimmy Cliff. Na realidade não seria bem Reggae mas tinha alguns
traços, tratava-se da versão que Jimmy Cliff efectuou em 1970 da canção "Wild
World" de Cat Stevens. E se bem me lembro, espero que a memória não me
atraiçoe, conheci primeiro a versão de Jimmy Cliff e só posteriormente o
original. Bem pelo menos confirmo que "Wild World" conheceu primeiro os Top de
vendas na versão de Jimmy Cliff.
Continuo, passados estes anos todos, a preferir a interpretação de Jimmy Cliff
ao original, vá-se lá saber porquê.
Em Outubro de 1970 a revista "mundo da canção" incluia a letra de "Wild World"
na sua edição nº 11, referindo letra e música de Cat Stevens e a
interpretação de Jimmy Cliff o que reforça a minha ideia que a versão foi,
pelo menos por cá, difundida primeiro que o original.
Robin Gibb (1949-2012), Barry Gibb (1946-) e Maurice Gibb (1949-2003) foram os
três irmãos que constituíram o celebérrimo trio Bee Gees (pronúncia das
iniciais de Brothers Gibb), uma carreira repleta de sucessos que atravessou 6
décadas.
Tiveram as suas desavenças e nos finais de 1969 iniciaram experiências a solo
de curta duração, em meados de 1970 estavam novamente juntos. Nos entretanto
Robin editou um álbum, Maurice e Barry um Single cada um.
Barry Gibb começou a gravar um LP que não chegou a ser editado, sendo
publicado somente o Single "I'll Kiss Your Memory", uma bonita canção que não
teve grande êxito.
Não passou despercebida à revista "mundo da canção" que publicou a letra da
canção no seu nº 11 de Outubro de 1970. Matemos saudades das melodias dos Bee Gees com esta "I'll Kiss Your Memory".