Nas últimas décadas a cidade do Porto esteve
sempre bem representado em termos musicais.
Na 2ª metade dos anos 60, ainda sob grande influência dos The Beatles (mas não
só), o Porto viu surgir o grupo Pop Five Music Incorporated que teve um sucesso
muito razoável. Por lá passaram Tozé Brito (mais tarde Quarteto 1111, Green
Windows, Gemini, etc), e Miguel Graça e Moura (esse mesmo da Orquestra
Metropolitana de Lisboa e demitido por suspeita de apropriação indevida de
dinheiro).
O grupo não se limitava às versões, mas também à composição tendo-se destacado
em 1970 com o tema "Page One" que serviu durante anos de intróito ao
programa da Rádio Renascença "Página um". Quem ouvia este programa do
José Manuel Nunes, das 19h30m às 21h, na Rádio Renascença, vai logo reconhecê-lo
e gostar de "matar saudades".
Um excelente tema, que ainda hoje se ouve com agrado. É sempre bom recordá-lo.
"Page One" muito bem tocado e com um interessante desenvolvimento...,
hoje, rivalizaria com as melhores bandas.
Pop Five Music Incorporated - Page one
Para uns recordações, para outros descobertas. São notas passadas, musicais e não só...
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
domingo, 12 de outubro de 2014
U2 – October
34 anos separam o 1º do 13º álbum da banda de Rock irlandesa U2. O novo registo dá pelo nome de “Songs of Innocence”. O surgimento de um novo
álbum dos U2 é, normalmente, alvo de entusiásticas campanhas de marketing, o
que me leva a ficar na reserva e com dúvidas quanto à qualidade do mesmo. Os
últimos álbuns (por exemplo, ”no line on the horizon”) assim o justificavam, nada digno de
registo, um Rock mainstream desinspirado para toda a família.
João Lisboa na sua análise no Expresso de 7 de Março de 2009 relativamente a "no line on the horizon" dizia e bem: “…uma óptima oportunidade para ficar calado” e mais adiante “… não só este não é o melhor álbum dos U2 como é bem capaz de ser um dos piorzinhos”. Nem as super produções de Brian Eno/Daniel Lanois os salvaram.
Disso conscientes os U2 procuraram em “Songs of Innocence” um retorno (… à idade da inocência?), ou tentativa de recuperar a energia dos primeiros anos, mas parece-me, mesmo assim, longe do seu melhor.
O melhor dos U2 há muito
que já ficou para trás. Vamos recuar a 1981 para ouvir “Gloria”, a faixa de
abertura, do álbum “October”.
Num filão há muito esgotado, regressemos a 1981 e ao tema título do álbum “October”.
U2 - October
João Lisboa na sua análise no Expresso de 7 de Março de 2009 relativamente a "no line on the horizon" dizia e bem: “…uma óptima oportunidade para ficar calado” e mais adiante “… não só este não é o melhor álbum dos U2 como é bem capaz de ser um dos piorzinhos”. Nem as super produções de Brian Eno/Daniel Lanois os salvaram.
Disso conscientes os U2 procuraram em “Songs of Innocence” um retorno (… à idade da inocência?), ou tentativa de recuperar a energia dos primeiros anos, mas parece-me, mesmo assim, longe do seu melhor.
Num filão há muito esgotado, regressemos a 1981 e ao tema título do álbum “October”.
U2 - October
Os Titãs - Quando eu era pequenino
No retorno aos grupos portugueses fortemente influenciadas pelos The Shadows
vamos de encontro a Os Titãs. Grupo formado em 1963, caracterizava-se por tocar
temas, sobretudo instrumentais, “à moda” dos The Shadows. Também Os Titãs
pegavam em temas populares portugueses e adaptavam-os à sonoridade importada de
Inglaterra. É o caso desta “Canção da Beira Baixa” de 1963, e que todos conhecem
por “Quando eu era pequenino”. Boas recordações!
Várias foram as versões que teve ao longo do tempo. Uma delas (bem diferente da de Os Titãs) é de Adriano Correia de Oliveira gravada em 1968 e que, desde já, recordamos:
Quanto a Os Titãs é de referir que eram de Matosinhos terminaram 1969 e gravaram 3 EP. Na última formação fez parte o um actual bem conhecido político. Dirigente do PS, já foi Secretário de Estado e Ministro, é do José Lello que se trata.
Agora tempo de ouvir “Canção da Beira Baixa” com sonoridade à Shadows:
Os Titãs - Canção Da Beira Baixa
Várias foram as versões que teve ao longo do tempo. Uma delas (bem diferente da de Os Titãs) é de Adriano Correia de Oliveira gravada em 1968 e que, desde já, recordamos:
Quanto a Os Titãs é de referir que eram de Matosinhos terminaram 1969 e gravaram 3 EP. Na última formação fez parte o um actual bem conhecido político. Dirigente do PS, já foi Secretário de Estado e Ministro, é do José Lello que se trata.
Agora tempo de ouvir “Canção da Beira Baixa” com sonoridade à Shadows:
Os Titãs - Canção Da Beira Baixa
sábado, 11 de outubro de 2014
Jota Herre - Penina
Que a influência dos The Beatles foi grande em boa parte dos conjuntos
portugueses nos idos anos 60 já todos
sabemos, que Paul McCartney tinha escrito, em Portugal, uma música, e que a tinha
oferecido a um desconhecido conjunto português, já poucos saberão.
Foi há 45 anos, mais precisamente de 7 para 8 de Janeiro de 1969, e reza assim a história pelo próprio Paul McCartney:
“"Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio".
- em “Biografia do IÉ-IÉ” de Luís Pinheiro de Almeida.
O grupo era pouco conhecido, davam pelo nome de Jotta Herre e por lá passaram pelo menos 2 nomes mais tarde com sucesso: Jean Sarbib, de quem já falámos acerca do Quinteto Académico, e, o então jovem, Vitorino.
Os Jotta Herre gravaram “Penina” sem grande êxito, embora o EP tenha sido editado em diversos países. Carlos Mendes também assinaria a sua versão com um pouco mais de notoriedade. Quanto aos The Beatles a música ficaria por um demo (menos de 1 minuto) gravado aquando das sessões de “Let it Be”.
Aqui fica esta curiosidade, pois não estamos a falar propriamente dos atributos da música.
Jotta Herre - Penina
Foi há 45 anos, mais precisamente de 7 para 8 de Janeiro de 1969, e reza assim a história pelo próprio Paul McCartney:
“"Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio".
- em “Biografia do IÉ-IÉ” de Luís Pinheiro de Almeida.
O grupo era pouco conhecido, davam pelo nome de Jotta Herre e por lá passaram pelo menos 2 nomes mais tarde com sucesso: Jean Sarbib, de quem já falámos acerca do Quinteto Académico, e, o então jovem, Vitorino.
Os Jotta Herre gravaram “Penina” sem grande êxito, embora o EP tenha sido editado em diversos países. Carlos Mendes também assinaria a sua versão com um pouco mais de notoriedade. Quanto aos The Beatles a música ficaria por um demo (menos de 1 minuto) gravado aquando das sessões de “Let it Be”.
Aqui fica esta curiosidade, pois não estamos a falar propriamente dos atributos da música.
Jotta Herre - Penina
The Beatles - Penina
Biografia do IÉ-IÉ - Luís Pinheiro de Almeida
“Ié – Ié
Termo francês criado pelo
programa de rádio Salut les Copains, derivado dos «yeah! Yeah!» das canções, o
ié-ié chega a Portugal de forma descontextualizada e é explorado por uma
imprensa mal informada, Se, no país de origem, se reportava sobretudo a jovens
cantoras, ícones de sensualidade e alguma inocência – Françoise Hardy, Silvie
Vartan, Sheila -, com os devidos rapazes a acompanhar – Antoine, Jacques
Dutronc, Johnny Halliday -, em Portugal, em anos de beatlemania, erroneamente
recorreu-se à designação para englobar e descrever os novos conjuntos que
surgiram entre 1964 e 1967.”
Começo da introdução de Afonso Cortez ao livro “Biografia do
IÉ-IÉ” de Luís Pinheiro de Almeida, edição da DOCUMENTA, de 2014.
Leitura fácil, cativante e cheia de curiosidades, são
histórias de quase uma centena de conjuntos e cantores que marcaram a música
pop em Portugal nos anos 60.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Carlos Mendes - Nobody Knows You When You're Down and Out
Na edição de 1968 do EP “Verão”, canção com a qual Carlos Mendes ganhou o Festival da
Canção, aparece uma faixa de nome “Nobody Knows You When You're Down and Out”.
Se Carlos
Mendes mostrava algumas fragilidades na interpretação de “Verão”, ao cantar em
inglês apresenta uma segurança que torna “Nobody Knows You When You're Down and
Out” numa agradável surpresa. Da primeira vez, ouve-se, depois, vai-se
entranhando.
A canção foi
escrita (não há certeza) por James Cox (Jimmy Cox) em 1923, e teve ao longo do tempo inúmeras versões: Otis Redding, Bessie Smith, Janis Joplin, B.B. King,
Nina Simone, são algumas delas, e até noutra “onda” John Lennon e Peter, Paul & Mary e ainda, Carla Bruni.
A minha
escolha vai para Bessie Smith:
Depois da
passagem pelos Sheiks, Carlos Mendes dá, em 1968, início a carreira a solo, e
que belo início com esta interpretação de “Nobody Wants You When You're Down
and Out “.
Carlos Mendes
- Nobody Wants You When You're Down and Out
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Leonard Cohen – Filhos da Neve
Agora que Leonard Cohen edita, aos 80 anos, o 13º álbum de originais: “Popular Problems”, altura de recuperar a sua poesia mais antiga.
“Os poemas cujas
versões são aqui apresentadas, foram extraídas dos seguintes livros: Let us
compare mythologies, The spice-box of earth, Flowers for Hitler, Parasites of
Heaven, New Poems, The energy of slaves. A selecção obedeceu apenas a um único –
e sagrado – critério: o do prazer.
Tentamos na medida do
possível preservar a melodia intrínseca de cada poema, a temperatura ora de
chumbo derretido ora de neve. Só nos resta esperar que apesar da mudança de
leito – e de águas – este rio que é a poesia de Leonard Cohen, consiga apanhar
o leitor desprevenido – como apanhou os tradutores – num dos deus inúmeros
redemoinhos.” na Nota Marginal de Jorge de Sousa Braga e Carlos Tê ao
livro “Leonard Cohen – Filhos da Neve” edição bilingue da Assírio e Alvim de
1985.
Jeff Buckley - Halleluyah
Pese a magia do período que vai de 1967 a 1974 (a minha preferida),
Leonard Cohen nunca fez um disco menor.
É mesmo à década de 80 ao álbum “Various Positions” (1984) que vamos
buscar uma das mais intensas composições de Leonard Cohen e alvo de múltiplas
versões de superior qualidade (de John Cale a Jeff Buckley): “Hallelujah”.
Leonard Cohen em 1988 ao vivo em San Sebastian interpreta “Hallelujah”.
Não é fácil pensar na música de Leonard Cohen interpretada por outros tal é a sua força e peculiaridade.
No entanto desta “Halleluyah” há uma versão que não fica a dever nada ao original. Refiro-me a Jeff Buckley e à sua interpretação de “Halleluyah” incluída no único disco “Grace” de 1994 editado antes da sua morte prematura em 1997 com apenas 31 anos. “Grace”, uma gravação que viria rapidamente a alcançar o estatuto de disco de culto. É notória a semelhança vocal com seu pai Tim Buckley, também ele precocemente falecido (28 anos) em 1975. Tal como o pai, possuidor de um estilo único e inconfundível. Subtil, enérgica, adjectivos para a música de ambos (atributos só para alguns, para Leonard Cohen também).
Tim e Jeff Buckley vidas trágicas com grandes músicas.
Quase 7 minutos de prazer para ouvir repetidas vezes, Jeff Buckley e “Halleluyah”:
Jeff Buckley - Halleluyah
Leonard Cohen em 1988 ao vivo em San Sebastian interpreta “Hallelujah”.
Não é fácil pensar na música de Leonard Cohen interpretada por outros tal é a sua força e peculiaridade.
No entanto desta “Halleluyah” há uma versão que não fica a dever nada ao original. Refiro-me a Jeff Buckley e à sua interpretação de “Halleluyah” incluída no único disco “Grace” de 1994 editado antes da sua morte prematura em 1997 com apenas 31 anos. “Grace”, uma gravação que viria rapidamente a alcançar o estatuto de disco de culto. É notória a semelhança vocal com seu pai Tim Buckley, também ele precocemente falecido (28 anos) em 1975. Tal como o pai, possuidor de um estilo único e inconfundível. Subtil, enérgica, adjectivos para a música de ambos (atributos só para alguns, para Leonard Cohen também).
Tim e Jeff Buckley vidas trágicas com grandes músicas.
Quase 7 minutos de prazer para ouvir repetidas vezes, Jeff Buckley e “Halleluyah”:
Jeff Buckley - Halleluyah
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Canta, Amigo, Canta – Nova Canção Portuguesa (1960-1974)
“ 1960-1974. Quinze
anos em que a música portuguesa se transformou, de forma lenta mas segura, para
desaguar no 25 de Abril de 1974. Entre a “Balada de Outono”, de José Afonso, em
1960, e “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, em 1974, muitos foram os
nomes que surgiram, uns de carreiras fugazes e outros a construirem aí os
primeiros passos de uma obra maior confirmada depois de Abril. Todos eles,
nascidos num Portugal mergulhado no Estado Novo, foram autores de uma “nova
canção”, que já assim era designada na época e que de facto se mantém hoje em
dia como nova quando posta em comparação com os modelos de canção ligeira então
vigentes.”
Do intróito do Livro Canta, Amigo, Canta – Nova Canção
Portuguesa (1960-1974) de João Carlos Callixto, acabado de ser editado. Muito
bem apresentado, é sucinto e de fácil consulta. Recomenda-se.
Richard Thompson - Oops!...I Did It Again
Oops! Hoje um Regresso ao Passado completamente diferente, no tempo e no espaço. Dos anos 60
do século passado para os anos 00 deste século, da música feita em Portugal
para a música anglo-saxónica feita lá fora.
Em 2000 Britney Spears gravou o álbum “Oops!...I Did It Again“ onde constava a canção com o mesmo nome. Num estilo Dance-Pop, de interesse relativamente menor, foi um êxito enorme e ocupou os primeiros lugares nos Top de vendas. Recorde-se o vídeo:
Êxito circunstancial passaria rapidamente à história, como tantos outros que proliferam pelos Top, não fosse a sua recuperação por Richard Thompson.
E o importante é o que se segue.
Richard Thompson, músico com mais de 40 anos de carreira, membro fundador da banda inglesa de Folk-Rock Fairport Convention, referência obrigatória na história da música popular dos últimos 50 anos, faz, em 2006, a sua versão de “Oops!...I Did It Again” e então tudo é diferente. Como por um toque de magia, tudo se transforma e, o que era menos estimulante e repetitivo, é agora alegre, divertido e, muito bem interpretado.
Richard Thompson ao vivo com “Oops!...I Did It Again”:
"Oops!...I did it again
Oops! You think I'm in love…”
Do CD “1000 years of popular music”, onde Richard Thompson interpreta canções de 1260 (data provável) a 2004, eis “Oops!...I Did It Again”
Richard Thompson - Oops!...I did it again
Em 2000 Britney Spears gravou o álbum “Oops!...I Did It Again“ onde constava a canção com o mesmo nome. Num estilo Dance-Pop, de interesse relativamente menor, foi um êxito enorme e ocupou os primeiros lugares nos Top de vendas. Recorde-se o vídeo:
Êxito circunstancial passaria rapidamente à história, como tantos outros que proliferam pelos Top, não fosse a sua recuperação por Richard Thompson.
E o importante é o que se segue.
Richard Thompson, músico com mais de 40 anos de carreira, membro fundador da banda inglesa de Folk-Rock Fairport Convention, referência obrigatória na história da música popular dos últimos 50 anos, faz, em 2006, a sua versão de “Oops!...I Did It Again” e então tudo é diferente. Como por um toque de magia, tudo se transforma e, o que era menos estimulante e repetitivo, é agora alegre, divertido e, muito bem interpretado.
Richard Thompson ao vivo com “Oops!...I Did It Again”:
"Oops!...I did it again
Oops! You think I'm in love…”
Do CD “1000 years of popular music”, onde Richard Thompson interpreta canções de 1260 (data provável) a 2004, eis “Oops!...I Did It Again”
Richard Thompson - Oops!...I did it again
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Conjunto Académico João Paulo - Non son degno di te
O Conjunto Académico João Paulo teve na década de 60 bastante sucesso, em particular devido às qualidades interpretativas do seu vocalista: o Sérgio Borges (que vozeirão!). Para além de composições originais
fizeram inúmeras interpretações de músicas então muito populares com destaque
para temas franceses e italianos que resistiam (em declínio) à invasão
anglo-saxónica.
Hoje vamos ficar com o celebérrimo tema de 1965 de Gianni Morandi "Non son degno di te" interpretado em italiano pelo Conjunto Académico João Paulo.
No video Gianni Morandi interpreta "Non son degno di te" no filme com o mesmo nome, a não perder:
Ao 4º EP, no ano de 1966, aparece a versão do nosso Conjunto Académico João Paulo, dada a profícua discografia deixada pelo Conjunto Académico João Paulo, mais tarde Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo, a eles havemos de voltar.
Conjunto Académico João Paulo - Non Son Degno Di Te
Hoje vamos ficar com o celebérrimo tema de 1965 de Gianni Morandi "Non son degno di te" interpretado em italiano pelo Conjunto Académico João Paulo.
No video Gianni Morandi interpreta "Non son degno di te" no filme com o mesmo nome, a não perder:
Ao 4º EP, no ano de 1966, aparece a versão do nosso Conjunto Académico João Paulo, dada a profícua discografia deixada pelo Conjunto Académico João Paulo, mais tarde Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo, a eles havemos de voltar.
Conjunto Académico João Paulo - Non Son Degno Di Te
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Fernando Conde - Amar, viver, sonhar
Fala-se muito
do Rui Veloso como pai do Rock Português, mas normalmente esquecem-se dos avós.
Na realidade
há um conjunto de músicos no início dos anos 60 que de forma mais ou menos
insípida davam os primeiros passos nas influências tardias do Rock’n Roll dos
anos 50 (o ostracismo político e cultural ajudavam no atraso).
Fernando
Conde (1947-) foi um deles, tinha boa aparência e fazia o delírio das meninas.
Participa em diversos concursos (Concurso do Rei do Twist, Concurso de Conjuntos Portugueses do tipo dos Shadows ambos
em 1963) e actua no Casino Estoril.
O tema que
vamos recordar é “Amar, viver, sonhar” gravado em 1965 e é uma adaptação de
“Sweet Little Sixteen” de Chuck Berry.
E por fim “Amar,
viver, sonhar”, vamos lá “Amar, Amar, Viver,
Viver, Sonhar, Sonhar”!!!
Fernando Conde - Amar, viver, sonhar
domingo, 5 de outubro de 2014
Pedro Osório e o seu Conjunto - Era um biquini piquinino às bolinhas amarelas
Nos anos 60
antes de integrar o Quinteto Académico, Pedro Osório (1939-2012) teve o seu
conjunto, era Pedro Osório e o seu Conjunto, tendo gravado vários discos. Num EP
de 1960 aparecia uma música que foi muito popular:” Era um biquini piquinino às
bolinhas amarelas”.
A música era absolutamente banal, de gosto
duvidoso e no que diz respeito à letra…
“Ela não queria sair da barraca,
ninguém podia tirá-la dali, então eu fui espreitar e o que vi era um biquini
piquinino às bolinhas amarelas, que loucura, é de tarar!...”
O original de
Brian Hyland dava pelo nome de “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot
Bikini” e não era melhor:
Quem tiver
netos pode aproveitar para cantar “Era um biquini piquinino às bolinhas
amarelas…” para os distrair; quem não os tiver oportunidade de divertir-se e
esquecer por minutos a crise.
Pedro Osório e o seu Conjunto - Era um biquini
piquinino às bolinhas amarelas
Quinteto Académico - Winchester Cathedral
Um dos conjuntos mais populares da música pop portuguesa nos anos 60 foi o Quinteto Académico.
Por lá passaram diversos músicos conhecidos como o Pedro Osório, o Jean Sarbib
(posteriormente radicado em Nova-Iorque e actual destacado músico de Jazz) ou o
Mike Seargent quando a formação teve
sete músicos e se designou Quinteto Académico + 2.
O conjunto teve assinalável êxito e no seu reportório constavam versões de canções que foram grandes sucessos internacionais. Entre elas constava “Winchester Cathedral” grande sucesso , em 1966, no original dos The New Vaudeville Band.
Recordemos.
Em 1967, ao 2º EP (disco de vinil de 4 faixas), o Quinteto Académico faz a sua versão de “Winchester Cathedral”.
Uma delícia, agora ponham uma mola no nariz, cantem e divirtam-se:
“Winchester Cathedral, You're bringing me down, You stood and you watched as, My baby left town …”
Quinteto Académico - Winchester Cathedral
O conjunto teve assinalável êxito e no seu reportório constavam versões de canções que foram grandes sucessos internacionais. Entre elas constava “Winchester Cathedral” grande sucesso , em 1966, no original dos The New Vaudeville Band.
Recordemos.
Em 1967, ao 2º EP (disco de vinil de 4 faixas), o Quinteto Académico faz a sua versão de “Winchester Cathedral”.
Uma delícia, agora ponham uma mola no nariz, cantem e divirtam-se:
“Winchester Cathedral, You're bringing me down, You stood and you watched as, My baby left town …”
Quinteto Académico - Winchester Cathedral
sábado, 4 de outubro de 2014
Quarteto 1111 - A Lenda de el-rei D. Sebastião
Nesta viagem
pelos anos 60 é inevitável passar pelo Quarteto 1111.
Em 1967
gravam “A Lenda de el-rei D. Sebastião” uma verdadeira lufada de ar fresco na
cena musical daquela altura. É a primeira canção portuguesa a passar no então
excelente programa de rádio “Em Órbita” (esse mesmo a quem a PT patrocinava os
concertos de música barroca).
Ficou para a história. Para os curiosos aqui fica o início
e o fim do texto lido antes da passagem de “A Lenda de el-rei D. Sebastião”
Início do
texto lido pelo “Em Órbita”:
“Em Órbita vai proceder hoje à transmissão de um trecho de música popular portuguesa. Porque se trata de uma medida sem precedentes neste programa, e por termos o maior respeito pela nossa própria coerência e por todos quantos nos acompanham com a sua adesão consciente e construtiva, tem pleno cabimento algumas palavras introdutórias ao trecho que vamos apresentar."
Fim do texto lido pelo “Em Órbita”:
“Depois, é um tema eterno, de criação nacional e de validade perene e universal. É um Sebastianismo colectivo que na lenda se retrata É a ideologia negativista dos que têm uma crença irracional em coisas, em valores e em poderes que não existem, dos que se deixam enganar pelos falsos Messias do oportunismo e da mistificação. A lenda del Rey D. Sebastião, escreveu José Cid, é o Quarteto 1111.”
Começaram bem (“Lenda de el-rei D. Sebastião” e “Balada para D. Inês”), estiveram muito bem até 1970 com a edição do excelente álbum “Quarteto 1111” proibido pela censura do regime. Acabaram menos bem, esgotados e pouco inspirados (Rock Sinfónico, imitação clara dos Genesis com “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas” em 1974).
Porque merecem, a eles havemos de voltar.
Para já a “A lenda de El-Rei D. Sebastião”
Quarteto 1111
- A lenda de El-Rei D. Sebastião
Conjunto de Oliveira Muge em Vila Pery

Retirado do Boletim Extraordinário da Junta de Freguesia de Ovar de Julho de 2012 de Homenagem ao Conjunto de Oliveira Muge
Conjunto de Oliveira Muge - A Mãe
Noutros ambientes mais próximos da música ligeira do que do
Pop-Rock (cá Ié-Ié) um conjunto teve em 1966 enorme êxito com um único tema. Os
elementos do conjunto estavam emigrados em Moçambique e o seu êxito foi
sobretudo em África.
Era o Conjunto de Oliveira Muge e o tema "A Mãe". Quem se lembra?
É esta a canção que vos proponho relembrar. Não é uma obra-prima, mas é de ficar com a lágrima no canto do olho.
(Capa e contra-capa do EP do Conjunto Oliveira Muge que contem a canção "A Mãe" com o texto de alguém (soldado?) dedicou à mãe, adquiri-o recentemente)
Uma das razões de me recordar desta canção está na infância pois tinha um colega chamado Muge. Ora bem, ele era da família Oliveira Muge. Pois é, afinal o conjunto tinha surgido na minha terra natal, chegaram mesmo a chamar-se Conjunto de Ovar.
Já nos anos 90 torna-se popular a cantora de nome Amélia Muge. Eu bem desconfiava, e depois confirmei, ela é da família dos Oliveira Muge. Bom, mas com ela a música é outra.
Voltando à sentimental “A Mãe” para lembrar da popularidade que a música teve, em particular junto da tropa portuguesa que então combatia na Guerra Colonial.
Conjunto de Oliveira Muge - A Mãe
Era o Conjunto de Oliveira Muge e o tema "A Mãe". Quem se lembra?
É esta a canção que vos proponho relembrar. Não é uma obra-prima, mas é de ficar com a lágrima no canto do olho.
(Capa e contra-capa do EP do Conjunto Oliveira Muge que contem a canção "A Mãe" com o texto de alguém (soldado?) dedicou à mãe, adquiri-o recentemente)
Uma das razões de me recordar desta canção está na infância pois tinha um colega chamado Muge. Ora bem, ele era da família Oliveira Muge. Pois é, afinal o conjunto tinha surgido na minha terra natal, chegaram mesmo a chamar-se Conjunto de Ovar.
Já nos anos 90 torna-se popular a cantora de nome Amélia Muge. Eu bem desconfiava, e depois confirmei, ela é da família dos Oliveira Muge. Bom, mas com ela a música é outra.
Voltando à sentimental “A Mãe” para lembrar da popularidade que a música teve, em particular junto da tropa portuguesa que então combatia na Guerra Colonial.
Conjunto de Oliveira Muge - A Mãe
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Sheiks - Missing You
Porque não seria de todo justo ficarmos na memória só o tema "Eusébio" dos Sheiks (na realidade não fica na
memória) e porque produziram temas com efectivo interesse retomamos novamente
os Sheiks.
Um dos temas que terá merecidamente ficado como referência é "Missing You" de 1966. A música enquadra-se perfeitamente no espírito da época, a melodia perfeita para a letra certa. Se tivesse sido gravada por um grupo inglês teria chegado aos Top Ten internacionais, assim ficou-se pelo nosso cantinho e na memória de alguns.
E agora uma pequena surpresa:
voilá, os Sheiks! "missing you" em ... 2008!!! Vejam se reconhecem alguém?
Agora, o original, recuamos ao ano de 1966.
Sheiks - Missing You
Um dos temas que terá merecidamente ficado como referência é "Missing You" de 1966. A música enquadra-se perfeitamente no espírito da época, a melodia perfeita para a letra certa. Se tivesse sido gravada por um grupo inglês teria chegado aos Top Ten internacionais, assim ficou-se pelo nosso cantinho e na memória de alguns.
E agora uma pequena surpresa:
voilá, os Sheiks! "missing you" em ... 2008!!! Vejam se reconhecem alguém?
Agora, o original, recuamos ao ano de 1966.
Sheiks - Missing You
Sheiks - Eusébio
Depois dos exemplos de interpretação de um êxito internacional e adaptação de um tema
popular português, vamos agora ouvir o que acontecia quando os conjuntos portugueses nos idos anos
60 se punham a compôr.
O grupo que mais se destacou e que mais popularidade obteve foi sem dúvida os Sheiks. Por lá passaram o Carlos Mendes, o Paulo de Carvalho e também o Fernando Tordo.
E, se tiveram temas de inegável qualidade, outros eram de arrepiar. Vamos ficar com um exemplo desta última categoria.
A música para recordar chama-se "Eusébio", nem mais! A gravação foi feita em homenagem ao 3º lugar no Mundial de Futebol de 1966.
Sheiks – Eusébio
Bons tempos !!!
O grupo que mais se destacou e que mais popularidade obteve foi sem dúvida os Sheiks. Por lá passaram o Carlos Mendes, o Paulo de Carvalho e também o Fernando Tordo.
E, se tiveram temas de inegável qualidade, outros eram de arrepiar. Vamos ficar com um exemplo desta última categoria.
A música para recordar chama-se "Eusébio", nem mais! A gravação foi feita em homenagem ao 3º lugar no Mundial de Futebol de 1966.
Sheiks – Eusébio
Bons tempos !!!
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