2 LP e 3 discos de pequena duração foi quanto consegui apurar na
discografia de José Jorge Letria antes de 1974, o melhor estava no álbum "Até
ao Pescoço" (1972).
José Jorge Letria é um dos cantores-autores mais significativos da geração
imediatamente a seguir a José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Luís Cília
que utilizou a sátira e o tango como elementos de crítica à sociedade atrasada
anterior ao 25 de Abril de 1974. Ouça-se "Tango dos Pequenos Burgueses" ou a
proposta de hoje "Folhetango".
Gravado pouco antes do 25 de Abril, este "Folhetango", dizendo ele próprio,
conforme texto na capa:
"«Folhetango» é um exercício jocoso àcerca da avalanche fotonovelesca que
premeditadamente se abate sobre a população incauta e mal informada. O tom é
deliberadamente revisteiro porque estou saturado de retóricas."
https://www.discogs.com/
Bem melhor que a fase panfletária que se seguiria logo a seguir ao 25 de
Abril, por exemplo com "A Vitória é Difícil" e "Só de Punho Erguido", por isso
a escolha de hoje: "Folhetango".
Diz a Wikipédia:
“Maria Elisa Pavia de Magalhães Lisboa (Lisboa, São José, 8 de Março de 1944)
é uma actriz portuguesa. …
É Professora de Interpretação na Escola Superior de Teatro e Cinema. Teve
algumas participações em séries ou novelas televisivas, salientando a
participação em trabalhos na Rede Globo.”
É frequente a presença de Elisa Lisboa em telenovelas nacionais, de
“Morangos com Açucar” a “Doce Tentação” sem esquecer a série "Conta-me como
Foi". Ficamos ainda a saber que esteve para ser, em 1969, a intérprete da
“Desfolhada”, que viria a ganhar o Festival da Canção na voz da Simone, e
que gravou, em 1974, um Single com o Quarteto 1111.
E é uma agradável surpresa a audição deste Single. José Cid compõe os
2 temas deste vinil: o primeiro “Os Poetas” com letra de José Régio, e o
segundo um tema em inglês com a designação de “Old Uncle Tom”.
https://www.discogs.com/
Continuo assim a recordação do ano de 1974, com mais uma, das inúmeras,
colaborações que caracterizaram José Cid neste período. Agora é com Elisa Lisboa e o agradável “Old Uncle Tom” que ficamos, vamos ouvir.
É sempre com prazer que volto a Teresa Paula Brito (1944-2003). Desta
vez para a gravação que efectuou após o 25 de Abril, um Single de nome
"Mulheres Guerrilheiras" depois do qual se assistiria a um progressivo
afastamento da cantora do mundo musical.
Neste Single continua a sua colaboração com a poetisa Maria Teresa Horta sendo
desta as letras das duas canções, respectivamente "Mulheres Guerrilheiras" e "A
Solidão da Mulher", as músicas, arranjos e direcção de orquestra ficaram a
cargo de Pedro Jordão.
São ainda de Maria Teresa Horta as palavras que constavam na contra-capa do
disco:
"Pela primeira vez em Portugal, as mulheres CANTAM: cantam-se, contam-se;
dizem da opressão a que têm sido sujeitas, mas não só: gritam a sua revolta
e recusam-se a continuar por mais tempo caladas, aceitando essa sujeição. O
uso. A humilhação, portanto, que durante séculos e séculos (perde-se na
noite dos tempos...) foi seu estigma.
"Mulheres Guerrilheiras", aparece, pois, como o primeiro disco feminista
português; ele cresceu, foi criado pelo Movimento de Libertação das
Mulheres. Outros se seguirão: chegou a nossa vez de falar, de CANTAR, de
encontrarmos, ganharmos a nossa autêntica voz... Que a voz de Teresa Paula
Brito, aqui, outra coisa não pretende ser que a voz de todas as mulheres,
nossas irmãs, e os meus poemas outra coisa não são, que a tentativa de
encontrar as suas (nossas) palavras verdadeiras."
https://www.discogs.com/
Fica para ouvir precisamente "Mulheres Guerilheiras", mais uma bem
representativa dos tempos que então se viviam.
Discografia curta para este cantor do Porto de quem tanto se esperava tendo em
conta as gravações que efectuou até ao 25 de Abril de 1974, um EP e dois
Singles que muito prometiam. Já por eles de alguma forma passei.
A sua música era simples, directa mas não deixava de ser importante no
contexto da época. Ele próprio tinha noção das suas limitações quer na voz,
quer na composição e em entrevista à revista R&T em 1972 afirmava mesmo:
"Não faço mais canções enquanto não aprender música."
Se "O Casamento da Menina Manuela" é das suas composições talvez a mais bem
conseguida, letra e música, será "Erguer a Voz e Cantar" que constava no EP de
1970 aquela que ficou no imaginário popular antes e depois do 25 de
Abril.
É mesmo recuperada depois do 25 de Abril e publicada em Single agora com a
designação do refrão "Canta, Amigo, Canta". É esta que volto a recordar.
Na falta de informação sobre o disco de hoje socorro-me do texto que consta no sítio https://www.discogs.com/ relativamente a este Single editado em 1974 por um grupo denominado SARL (Sociedade Artística Recreativa Lusitana):
"Durante 25 anos, este foi um conjunto mistério. O primeiro disco, "Funchal, 23", data de Junho de 1974, mas ninguém sabia nada de nada. Quem cantava, quem tocava, quem tinha feito as músicas, quem escrevera as letras.
O mistério só foi desvendado em 1999. O autor da canção é José Niza que a compôs em casa de Daniel Proença de Carvalho ao ler no "Diário de Lisboa" a notícia da partida do Funchal para o Brasil no dia 23 de Maio (daí o título) de Moreira Baptista e Silva Cunha (ministros da ditadura deposta).
José Niza limitou-se a musicar o texto da notícia.
Dias depois, José Niza, Daniel Proença de Carvalho, Carlos Perez Álvaro, então director da Movieplay, Rui Ressurreição, Thilo Krasmann e José Manuel Pedrosa gravaram "Funchal, 23" e "De Como A Canção Social Tem Uma Função Capital... Quer Dizer..." no estúdio da Musicorde. (Luís Pinheiro de Almeida)
Niza revela que ele próprio fazia parte do grupo-fantasma. Ele, Thilo Krassman, Rui Ressurreição e até o então director da Movieplay, Carlos Perez Álvaro... (Nuno Pacheco, Público, 1999)"
https://www.discogs.com/
Estranho um pouco este mistério, pois quanto ao grupo, que reapareceu no final dos anos 70 e chegou a concorrer ao Festival da Canção da RTP sabe-se que era constituído pelo Carlos Alberto Moniz, Pedro Osório e o Samuel. Portanto a estranheza poderá ser mais relativamente a este disco em particular cuja história era então desvendada, julgo eu, em artigo no jornal "Público".
Francisco Naia, nasceu no Alentejo e aí estudou tendo tido por sorte, em
Aljustrel, como professor José Afonso que logicamente iria deixar a sua
influência. Ainda
"Em Aljustrel Francisco Naia canta pela primeira vez num espectáculo de
estudantes. Começa então a escrever e a fazer músicas."
de acordo com Eduardo Raposo em "Canto de Intervenção 1960-1974".
Na mesma fonte e no dizer do próprio:
"No 'Zip-Zip', nunca mais me esqueço, fui aplaudido de de pé. Fui
extremamente censurado. Dos vinte temas apresentados escolheram quatro,
[...] mas fui muito bem recebido no Teatro Villaret e isso deu-me muita
força para continuar a fazer aquele género de música, para continuar a
cantar."
Até ao 25 de Abril de 1974 publica 4 EP, a saber: "Barco Novo" (1969), "Amigo
João" (1970), "Canto Suão" (1971) e "Porque Teimas em Voar?" (1974)
https://www.discogs.com/
É deste EP a canção de hoje, "Crónica de El-Rei D. Mundo II", um canto
fortemente influenciado pelo canto de Coimbra com arranjos diria arrojados
para o género.
Escreveu João Carlos Callixto em "Canta, Amigo, Canta":
"Com um único disco editado, Deniz Marques da Costa não viu o seu trabalho
devidamente reconhecido pelas gerações vindouras."
De acordo com a mesma fonte em 1973 assinou contrato com a Sassetti, tendo
gravado um EP de 4 faixas, que seria publicado no início do ano de 1974 ou
seja ainda antes da revolução iniciada em Abril daquele ano.
Um "Disco obscuro", segundo https://www.discogs.com/ que o coloca
no estilo Acid Rock, Folk, que vale o que vale. De qualquer modo sobressaem os
arranjos de Rui Cardoso que também toca os instrumentos de sopro. As músicas e
letras são do próprio Deniz, assim assina no disco.
Oriundo da ilha Terceira, veio estudar para o Continente em 1967 onde trava
conhecimento com José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, evidencia-se ao
divulgar temas populares açorianos como São Macaio (1970) e também em duo com
a Maria do Amparo. Colabora com as figuras mais destacadas do panorama musical
português oposicionista ao regime político fascista, por exemplo no disco de
José Afonso "Eu Vou Ser Como a Toupeira" (1972).
Improviso, SARL, Grupo Outubro são formações de que fez parte durante os anos
70. Foi intensa sua produção discográfica, sobretudo Singles e EP,
durante a década e em particular nos anos imediatamente anteriores e
posteriores a 1974.
https://www.discogs.com/
É de 1974, em pleno processo de libertação do fascismo e no entusiasmo popular
de construção de uma nova sociedade, o disco que recupero para hoje.
"A Mim Não Me Enganas Tu", um tema simplista e letra bem identitária do ano em
que foi publicada.
Carlos Alberto Moniz, Maria do Amparo - A Mim Não Me Enganas Tu
Intróito foi um quarteto vocal formado nos finais dos anos 60, a partir
do Orfeão da Universidade Técnica de Lisboa, que durou até ao ano de 1975.
Grupo de orientação Folk, iniciou-se no programa televisivo "Zip-Zip" em 1969,
tornou-se mais conhecido com a participação nos Festivais da Canção RTP em
1970 e 1971 e deixou vários discos gravados todos em formato pequeno ou
seja Singles e EP. Com preocupações sociais e políticas, que lhes
trouxeram problemas com a Comissão de Censura, que se tornaram evidentes após
o 25 de Abril de 1974 e que se traduziram em mais dois discos gravados:
"Recado" e "Cantiga do Trabalho", respectivamente de 1974 e 1975.
https://www.discogs.com/
"Recado", apesar da orquestração e direcção de Jorge Palma e a presença
de alguns nomes conhecidos como Rui Cardoso nos metais e Victor Mamede nas
percussões, não teve grande divulgação e não ficou na nossa memória colectiva.
Um grupo de circunstância, diria eu, é a escolha de hoje. Praticamente
desconhecidos o grupo Movimento, formado por seis elementos, com características Pop-Rock um
tanto piroso, efectuou gravações nos anos de 1974 e 1975, ou seja nos anos
"quentes" da revolução.
Prevaleciam as versões de êxitos internacionais que iam dos ABBA a David Bowie, mas o processo revolucionário também os levou a cantar outro tipo de
canção, sempre numa vertente bem comercial, conhecendo-se dois Singles com
temas ditos de intervenção: "Os Ventos de Abril" de 1974 e no ano seguinte
"Somos Livres" com uma versão da canção com o mesmo nome de Ermelinda Duarte e
que muito se ouviu naquele ano.
https://www.discogs.com/
"Os Ventos de Abril" uma canção bem representativa de uma sonoridade
simples e significativa dos ventos que então sopravam em Portugal, mas da qual
não me lembro de todo.
O sítio https://www.discogs.com/ refere Edmundo Falé como membro do
grupo, terá sido?
"Portugal Ressuscitado" é uma canção do 25 de Abril. Gravada sob o nome de
Grupo In-Clave, quem faria parte do grupo?, na contra capa dá as vozes ao
Grupo In-Clave, Fernando Tordo e Tonicha, quanto à letra e música vão
directamente para Ary dos Santos e Pedro Osório.
Disco único sob o nome do Grupo In-Clave continha três temas, o dito "Portugal
Ressuscitado", "In-Memorium", poema declamado pelo próprio Ary dos Santos e
"Canção Combate" com letra também de Ary dos Santos e música de Fernando Tordo.
https://www.discogs.com/
"Portugal Ressuscitado" ficou como uma canção panfletária, ouvida em excesso
em tudo o que era manifestação popular, não a apreciava particularmente. Ficou
mais conhecida pelo refrão "Agora o povo unido / nunca mais será vencido /
nunca mais será vencido", não confundir com a canção do mesmo ano de Luís Cília "A Povo Unido Nunca Mais Será Vencido" adaptação da canção
revolucionária chilena.
Como se estivéssemos em 1974 aqui fica "Portugal Ressuscitado", outros
tempos...
Em 1974, depois do 25 de Abril, proliferaram as canções de cariz popular
que celebravam a liberdade então conquistada. E essas canções surgiram um
pouco por todos os géneros, quer na música então dita de intervenção que
obviamente enaltecia os tempos que se começavam a viver, quer da música mais
ligeira.
A Tonicha encontrava-se neste último lote e também não ficou indiferente à
situação política e social que se vivia cheia de esperanças e de dúvidas e
incertezas também.
Tonicha era uma cantora bem conhecida do antes do 25 de Abril com uma vasta
obra editada desde 1965. Já tinha revelado várias facetas ao gravar temas
desde o folclores de características mais acessíveis a interpretar versões de
canções de Patxi Andión, em 1974 grava o LP "As Duas Faces de Tonicha"
bem condizente com o período que se vivia..
https://www.discogs.com/
O álbum era composto por 11 canções com letras de Ary dos Santos sendo o lado
A com música de Fernando Tordo e o lado B com música de Pedro Osório, a que
ficou mais conhecida foi "Obrigado Soldadinho" que agora recupero.
Álvaro Oliveira, um nome que não fixei a seu tempo e que graças à
internet consegui recuperar as suas canções. Dois discos de formato pequeno
são o que ficou gravado e demonstrativo dos tempos em que foram gravados,
"De Construção simples, nelas se denunciavam alguns dos problemas da
sociedade de então" conforme dizer de João Carlos Callixto em "Canta, Amigo, Canta".
O primeiro, "Canções Alentejanas", de 1971, é constituído por cinco canções,
uma original e quatro tradicionais. O segundo é já posterior ao 25 de Abril de
1974 e é composto por quatro faixas, mais Pop-Folk, a saber: "Há-de Haver
Bagos De Sol", "Os Tiranos", "Pagas Outra Vez" e "Mercenários", a denúncia
mais livre das injustiças da sociedade.´
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Resta ouvir a primeira faixa, "Há-de Haver Bagos De Sol", bem condizente com o
ano em que foi editada.
Um projecto a dois que teve um único Single editado em 1974, uma bela
recordação, espero que surpresa para quem não conhecer. Os dois eram
TóZé Brito
e Daphne,
quer um quer outro já com passagens por este blogue.
TóZé Brito, ainda muito novo esteve em grupos como os
Pop Five Music Incorporated, no Porto, de seguida partiu para Lisboa e ingressou no
Quarteto 1111. Em 1972 participa, com a canção "Se Quiseres Ouvir Cantar", no Festival RTP
da Canção e em 1973, encontrando-se já em Londres donde regressará somente
após o 25 de Abril, grava com
Daphne a
recordação de hoje.
Daphne,
cantora que se tornou conhecida no final dos anos 60 ao integrar o quarteto
Música Novarum
que na altura gravaram o muito interessante e único EP. Em 1971 grava com o
seu marido
Nuno Rodrigues
e sob o nome de
Family Fair
um Single a despertar o Folk-Rock nacional. No mesmo ano participa no Festival
RTP da Canção com a canção "Verde Pino" e no ano de 1972 grava o Single
Barzabu, canção de
Nuno Rodrigues
mais tarde recriada na Banda do Casaco. Entretanto, estabelece-se em Londres
onde com
TóZé Brito
forma o duo de curta duração Som Dois.
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A gravação só seria publicada já depois do 25 de Abril de 1974 e na
contra-capa constavam as seguintes palavras de
TóZé Brito:
"Parti sem saber por quanto tempo, para onde ou para o quê. Sabia apenas
porquê. Londres, música e por fim o vinte e cinco de um mês de Abril
eliminaram as dúvidas. Depois de quase dois anos voltei. Trouxe comigo só
certezas. E trouxe-me um estado de alma que traduzido em música e palavras
aqui fica. Aqui continua.
O «Som Dois» (a Daphne e eu) é o espelho para esse estado de alma. Um
espelho que espero não seja côncavo ou convexo, não distorça a imagem em
questão."
"A Um Amigo" era uma das duas canções que compunham este disco. Espero que
gostem.
Os três têm muito em comum, a começar por terem feito parte do grupo de
Pop-Rock Sheiks nos anos 60, a passarem a cantores relevantes da melhor música
ligeira feita neste país após a aventura roqueira. Nos Sheiks, esteve desde o
início, 1963, até ter saído em 1967.
Até 1974 só editos discos em formato pequeno, ou seja Singles e EP e
participou no álbum colectivo "Fala do Homem Nascido" com poesias de António
Gedeão e música de José Niza.
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A canção de hoje, " Alegre Se Fez Triste" é uma canção gravada em Madrid em
1973 e editada em Single no ano de 1974, presumo que antes da revolução de
Abril, com letra de Manuel Alegre e música de José Niza. Marcava um estilo
muito próprio entre o Pop e a balada que ele então continuou a desenvolver.
A década de 70, no período anterior ao 25 de Abril de 1974, assistiu a
um crescimento enorme da quantidade e qualidade da música, quer a dita
popular, quer na vertente rock, produzida em Portugal.
Os anos de 1974 a 1976 teriam na música popular mais politizada o centro de
todas as atenções, ficando o Rock (português) a aguardar por melhores
dias.
Fernando Tordo depois da breve passagem pelos Sheiks (1966-68) tornar-se-ia
numa figura incontornável da música ligeira antes do 25 de Abril, em
particular com os sucessos “Cavalo à Solta” e “Tourada” na parceria com o Ary
dos Santos.
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Ainda em 1974, mas já após o 25 de Abril, as suas gravações revelam bem o
ambiente político e social que então se vivia. Da revista “Uma no cravo, outra
na ditadura”, onde se estreou como actor, grava o Single “O Emprego” bem
representativo da época.
Segue precisamente o tema “O Emprego” com música do Fernando Tordo, letra de
Ary dos Santos e arranjos de Pedro Osório. E festejemos o 25 de Abril, sempre.
Na realidade, 1974 foi um ano particularmente importante para Paulo de Carvalho, não basta-se ter vencido o Festival RTP da Canção com a canção "E
Depois do Adeus", como esta vai ficar como um dos símbolos da revolução
iniciada em 25 de Abril.
Apesar de ter feito companhia com as canções da Suiça, Alemanha e Noruega no
último lugar no Festival da Eurovisão "E Depois do Adeus" era uma bela canção,
das melhores que passaram pelo nosso Festival, mas as classificações da
Eurovisão estavam (ainda estarão?) repletas de incongruências e influências
políticas que não correspondiam ao real valor das canções e respectivas
interpretações.
Depois foi escolhida pelos Capitães de Abril, pela sua inocuidade política, para ser o primeiro sinal de que o golpe de estado se ia concretizar, para tal
teve passagem nos Emissores Associados de Lisboa pouco antes das 11 horas da
noite do dia 24 sendo a confirmação dada às 00h 20m, na Rádio Renascença, com
a passagem de "Grândola, Vila Morena" de José Afonso.
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Com letra de José Niza e música, arranjos e direcção musical de José Calvário,
"E Depois do Adeus", ficou como uma das canções mais representativas do ano de
1974, recorde-se.
Se em 1973 se assistiu a um decréscimo nas edições discográficas
relativas à música popular portuguesa, nomeadamente no surgimento de novos valores, o ano de 1974 não foi melhor.
O ano fica marcado, claro, pela revolução iniciada com o golpe militar de 25
de Abril que derrubou o regime fascista então vigente e todo o ambiente criado
em torno da dita revolução com todas as lutas e reivindicações populares
que se desenvolveram a reflectirem-se inevitavelmente na produção musical.
A percepção de que algo estava para acontecer no país era já evidente no
início do ano de 1974, as dúvidas eram relativamente à natureza das
movimentações que se sabia existirem, seria uma radicalização ainda maior do
regime pondo fim a alguma liberalização que se estava a assistir com Marcelo
Caetano ou, pelo contrário, seria no sentido de libertar o país da opressão em
que vivia.
A música popular acompanhou estes tempos atribulados, quer antes quer depois
do 25 de Abril, no imediatamente antes o relevo vai para o I Encontro da
Canção Portuguesa, efectuado em Lisboa, no Coliseu dos Recreios, a 29 de
Março. O regime estava prestes a cair, o Coliseu estava completamente cheio, a
polícia e a PIDE encontrava-se um pouco por todo o lado, fora e dentro, as
canções tinham sido previamente sujeitas à censura.
Capa do livro de Eduardo M. Raposo com fotografia do I Encontro da
Canção Portuguesa
Conhecido é o episódio relativo a Manuel Freire que viu as letras das canções
censuradas, em público afirmou que se tinha esquecido das letras durante a
viagem de comboio.
Manuel Freire em 1974 editou o LP "Manuel Freire" sem inéditos, eram 12
canções já editadas em formato pequeno. Dele recorda-se "Pequenos Deuses
Caseiros", letra de Sidónio Muralha e música de Manuel Freire que fazia parte
do EP "Abaixo o D. Quixote" do ano anterior.
E termino hoje a passagem pelo nº 7 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" cuja
publicação ocorreu a 1 de Maio de 1971. Termino com o artigo que ocupava a
contra-capa, um texto de António Pinho sobre o Quarteto 1111 e José Cid.
Revisão sumária do percurso de José Cid dos tempos do Orfeão Académico de
Coimbra e do Conjunto Mistério ao primeiro LP a solo editado em 1971. Ou seja,
para meu gosto o melhor período de José Cid com um contributo indiscutível na
renovação da música popular portuguesa.
Da revolucionária "A Lenda d'el Rei D. Sebastião",
"Parecia ser possível fazer aquilo que há muito se julgara impossível: BOA
MÚSICA PORTUGUESA", à "influência de Jorge Ben" em "Zé Ninguém".
Ouça-se "Zé Ninguém" que não fez parte do álbum mas sim do EP "Lisboa Perto e
Longe" também daquele ano. Uma boa colheita musical este ano de 1971!
"Juca Chaves Violou o Terceiro Mandamento" intitulava o texto sobre o "Brasil
de Hoje" que constava no jornal "DISCO MÚSICA & MODA" nº 7 publicado em
Maio de 1972. Notícias soltas que passavam entre outras por Juca Chaves,
Elizabeth Cardoso, Gal Costa, João Gilberto e a nossa Paula Ribas que então se
encontrava no Brasil.
Fico-me por Juca Chaves, compositor, intérprete e humorista brasileiro, de
cuja música pouco ou nada me lembrava, talvez "Take me Back to Piauí" que
entretanto ouvi e julgo que mais nada, nem a canção de hoje e que era alvo do
texto acima referido. "Jeová, Jeová", que terá sido objecto de crítica pelo
facto de, sendo ele judeu, ter violado a Lei de Deus pois
"O terceiro mandamento dos Judeus proíbe pronunciar o anto nome do Senhor
em vão".
Altura para ouvir "Jeová, Jeová":
"Jeová, Jeová
Olhe também pra mim que estou mais pra lá do que pra cá..."
Mais um pequeno texto de Jazz neste nº 7 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA",
não mais que uma notícia com os Prémios da Academia Francesa de Jazz, atribuídos em Março de 1971, relativos a 1970.
Alguns dos premiados foram, Charlie Mingus, Don Cherry, Django Reinhardt, Slim
Harpo e Ike and Tina Turner. Destes a merecer fotografia encontrava-se Don
Cherry que recebeu o Prémio de melhor disco de vanguarda pelo álbum "Mu – 1st
& 2nd Part".
Don Cherry (1936-1955) foi um músico de Jazz, trompetista, praticando um som
de vanguarda, colaborou com músicos como John Coltrane, Sonny Rollins, Archie Shepp, Albert Ayler e Carla Bley. É considerado um pioneiro da World Music,
procurando "a pureza no meio da desordem" - em "Os Grandes Criadores de Jazz", "Estou envolvido numa espécie de expedição acústica sem fim nem
fronteiras", dizia o próprio.
Do premiado "Mu" onde Don Cherry toca trompete, flauta, piano e percursão e é
acompanhado por Ed Blackwell na bateria, vamos ouvir "Smiling Faces, Going
Places".
No seguimento de nºs anteriores do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" mais um artigo sobre os "Elementos Constitutivos do Jazz", era o 4º
artigo o que vinha publicado no nº 7 de Maio de 1971. Depois de tratar o
ritmo, o swing, a matéria sonora, eis agora a improvisação, uma das
características fundamentais do Jazz, no dizer do articulista:
"... o «jazz» verdadeiramente significativo de qualquer das épocas, sempre
foi a afirmação de liberdade mais esplêndida e absoluta dos seus
intérpretes, na comparação que possamos efectuar com as restantes formas
musicais conhecidas."
Foi assim que fui descobrindo e depois procurado ouvir esta música, à época
genericamente mal vista e sem a divulgação necessária.
"A música de «jazz» é, a todo o momento, uma manifestação de liberdade", precisamente o que por cá não havia.
Para acompanhar este texto recorro a John Coltrane e ao álbum "Giant Steps", o
disco
"que qualificou Coltrane como um dos improvisadores mais importantes de seu
tempo", em https://www.jazzbossa.com/.
Ficamos com o tema título e recuamos ao ano de 1960, ano da sua edição, tema
tornado entretanto um standard do jazz e interpretado por um sem número de
músicos de Jazz.
Uma fotografia e uma legenda com o título "Novo Conjunto para Jean-Luc Ponty"
constava no nº 7 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA" que tem vindo a servir
para estes meus Regresso ao Passado.
Jean-Luc Ponty violinista de Jazz francês tornou-se particularmente conhecido,
pelo menos para mim foi quando o conheci, no final dos anos 60, início dos
anos 70 ao colaborar com músicos da área do Rock mais avançado como Frank Zappa e a Mahavishnu Orchestra de John McLaughlin.
É nesta fase que forma o grupo Experience de que a legenda dá nota. "Open
Strings" é o álbum editado em 1971 apresentado como Jean-Luc Ponty Experience
sendo a formação que o gravou idêntica à referida na legenda excepto no
contra-baixo onde surge Peter Warren no lugar de Freddy Deronde.
Deste LP fica como amostra "Sad Ballad" para apreciar a sonoridade de Jean-Luc Ponty.
Mais uma muito pequena notícia publicada no nº 7 do jornal "DISCO MÚSICA & MODA", em Maio de 1971, na base do Regresso ao Passado de hoje. A notícia era
sobre
Isaac Hayes
e nela se referia que um concerto realizado no Phillarmonic Hall de Nova
Iorque iria ser editado brevemente em álbum e ainda que se encontrava ocupado
no argumento de um "filme que interpretará" bem como
"o lançamento nos Estados Unidos do seu quarto álbum".
Ora bem parece que este pequeno texto contem, a meu ver, algumas imprecisões.
Primeiro não conheço nenhum disco ao vivo com a gravação referida no
Philarmonic Hall, em 1973 surgiria o primeiro LP ao vivo mas gravado no Sahara
Tahoe no Nevada. Depois em Maio de 1971
Isaac Hayes
já tinha 4 álbuns publicados e ainda no mesmo anos seriam publicados "Shaft",
a banda sonora do filme, e "Black Moses", o 5º trabalho de estúdio.
Deste último álbum seleciono "Never Can Say Goodbye", canção bem conhecida em
múltiplas versões originalmente gravada pelos
The Jackson 5
também em 1971.
Cream foi um super grupo que existiu de 1966 a 1968 constituído por três
músicos de excepção: Eric Clapton (1945-), Ginger Baker (1939-2019) e Jack Bruce (1943-2014). Com base no Blues-Rock desenvolveram sonoridades de Rock
Psicadélico e até Hard-Rock, deixaram 4 álbuns bem representativos do melhor
Rock que então se praticava.
No jornal "DISCO MÚSICA & MODA" de Maio de 1971, um pequeno texto, dava a
possibilidade de reagrupamento dos seus elementos o que de facto não
aconteceu, mas serve de pretexto para o Regresso ao Passado de hoje.
Mas os Cream voltaram a juntar-se mas muitos anos mais tarde, concretamente em
2, 3, 5 e 6 de Maio de 2005 para um conjunto de concertos realizados no Royal
Albert Hall, local onde se tinham despedido, em 1968.
Destes concertos, dos quais possuo o duplo DVD, escolho " Stormy Monday",
um belo tema, aqui com destaque na interpretação de Eric Clapton, original
de T-Bone Walker de 1947.