quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O Jazz – Morley Jones


Há um certo desacordo acerca de o jazz ser ou não um género de música folclórica. Mas o jazz é, sem dúvida, algo de tipicamente norte-americano – é espontâneo, acessível e animado de um certo espírito de aventura. Além disso, o jazz é tradicional: tradicional no sentido de ter usos estabelecidos, roupagens estilísticas definidas e uma gíria, tanto verbal como musical, que são transmitidos nas culturas e entre as culturas por meios não verbais.
Lê-se na introdução do livro “O Jazz” de Morley Jones , edição das Publicações D. Quixote, 1ª edição, Janeiro de 1984.
Livro de leitura e consulta fáceis retrata “A vida e a obra de mais de cinquenta nomes do jazz – de King Oliver e Louis Amstrong, passando por Parker, Coltrane e Miles Davis até aos «novíssimos» como John McLaughlin e Keith Jarrett.”, conforme texto da contra-capa. Dispõe ainda de uma discografia seleccionada de mais de trezentos títulos sempre útil para os amantes deste género de música.



Nat ‘King’ Cole – Sweet Lorraine

Para hoje um Regresso ao Passado bem antigo.
Na década de 30 a música Jazz é dominada pelas grandes orquestras. Os pianistas estão a elas subordinados o que lhes quarteja a criatividade. O final da década vê surgir a formação de Trios (Piano, Baixo e Bateria ou Piano, Baixo e Guitarra – ou Quarteto juntando a guitarra e a bateria) , permitindo maior liberdade interpretativa, e que vão proliferar nos anos seguintes. São ainda hoje uma fórmula bem querida dos músicos de Jazz.

Dos primeiros a adoptar a formação de Trio foi Nat ‘King’ Cole em 1939. Nat ‘King’ Cole (1919-1965) foi um músico de Jazz, o reconhecimento do grande público chegaria nos anos 50  depois de pouco a pouco abandonar o piano e alterar o seu repertório, sendo como crooner (cantor de temas populares suportados por orquestra – Frank Sinatra, BingCrosby e Dean Martin foram os de maior êxito) que ficou para a história.

“Cole era um bom pianista… e um cantor de jazz de tonalidade suave e quente antes de iniciar, nos primeiros anos da década de 50, uma carreira na música popular, mas mesmo no trabalhos mais populares manteve sempre um certo sentido do jazz.” em “O Jazz” de Morley Jones.

A voz suave e doce caracterizavam a sua forma de cantar permitindo assim alcançar largas faixas da população branca. 

 
Recuando agora aos primórdios de Nat ‘King’ Cole, mais concretamente a King Cole Trio e ao primeiro êxito gravado em 1940, “Sweet Lorraine”.
“Sweet Lorraine” é um standard do Jazz, original de 1928, agora na versão de Nat ‘King’ Cole (King Cole Trio), piano, guitarra e baixo.


Nat ‘King’ Cole – Sweet Lorraine

Paulo de Carvalho - mundo da canção nº 11

Em Outubro de 1970 no nº 11 a revista "mundo da canção" dava particular destaque ao novo disco de Paulo de Carvalho, um Single com as canções "Walk on de Grass" e "Waiting for Bus" escritas pelo espanhol Manolo Diaz.
A 1ª referência vai para as letras.



A 2ª referência é um pequeno texto de apresentação do Single.




A 3ª referência vai para um anúncio da Movieplay.



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Paulo de Carvalho - Walk on the Grass

O cantor é de fácil identificação dada a sua voz inconfundível. A música escolhida também o é para quem tiver boa memória e recuar ao ano de 1970.
Comecemos pela música, o nome é "Walk on the Grass" o autor o espanhol Manolo Diaz (compositor e produtor dos Aguaviva de boa memória). O intérprete é português e tentava assim a sua internacionalização. Era uma figura já bem conhecida do público português, fundador dos muito populares Sheiks, passa, no final da década de 60, pelos grupos Banda 4, Fluído e Thilo's Combo e em 1970 participa no Festival da Canção. É o Paulo de Carvalho.

Manolo Diaz afirmava à revista "mundo da canção" nº 11 de Outubro de 1970:
"Eu penso que Paulo de Carvalho é um dos melhores cantores europeus. No seu estilo talvez não encontremos outro na Europa Continental. Por isso eu acredito nele e no êxito deste disco."
A apreciação era razoavelmente exagerada e o êxito do disco não foi suficiente para a sua internacionalização. No nº seguinte de "mundo da canção" a avaliação ao disco era assim feita:
"Paulo de Carvalho - um bom disco - onde já se notam preocupações tanto da maneira de cantar até à de promocionar o disco que não existiam... Parece que isto promete?..."



"Walk on the Grass foi efectivamente muito divulgada, nomeadamente na rádio, mas, infelizmente, perdeu-se na quantidade avassaladora de música Anglo-Saxónica, felizmente boa, que o ano de 1970 proporcionou.
E agora, vamos lá recordar "Walk on the Grass".


Paulo de Carvalho - Walk on the Grass

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Música Novarum - Lenda dos Namorados

Música Novarum foi um quarteto predominantemente vocal formado por Nuno Rodrigues, Daphne, Judi Brennan e António Lobão e existiu no final da década de 60, início de 70. Com uma estética de inspiração medieval, privilegiavam as harmonias vocais fazendo lembrar, aqui e ali, os Peter, Paul and Mary. Por cá eram sonoridades pouco habituais.
A sua curta duração deu para vencer o I Festival de Música Moderna da Costa do Sol (seguidos pelo Sindicato , grupo a que pertencia o Jorge Palma), participar no programa televisivo Zip-Zip  e gravar um disco EP.





Depois deste projecto Nuno Rodrigues juntar-se-ia a António Pinho e Luís Linhares, vindos da Filarmónica Fraude, e, com outros músicos, formariam a Banda do Casaco, o melhor projecto de música popular moderna que conhecemos. Judi Brennan e Daphne também por lá passaram.
A "Lenda dos Namorados" é a faixa escolhida desse EP único de 1969.


Música Novarum - Lenda dos Namorados

Luíz Rego - Amor Novo - Caminho ou Esperança Nova

Ainda Luíz Rego, agora com o artigo de Tito Lívio intitulado "Amor Novo - Caminho ou Esperança Nova" saído no nº 10 da revista "mundo da canção" de Setembro de 1970.

domingo, 30 de novembro de 2014

mundo da canção nº 9 - Luíz Rego

A revista de divulgação musical "mundo da canção" teve início de publicação em Dezembro de1969,  terminando em Julho de 1985 com o nº 67 e da sua importância já muito se escreveu.
No meu caso foi o primeiro contacto escrito que tive com a música que lá ia conseguindo ouvir em programas de rádio como a "Página Um", o "Em Órbita", o "Espaço 3P" ou a "23ª Hora". Neste caso recupero o nº 9 da revista publicada em Agosto de 1970.



A capa era dedicada aos "The Beatles", no interior destacavam-se os artigos sobre os Jethro Tull, The Kinks, Joan Manuel Serrat, Teresa Paula Brito e letras, muitas letras de canções como era usual.




Entre elas lá estava o "Amor Novo" de Luíz Rego que então se ouvia na rádio.

Luíz Rego - Amor Novo

Há mais de 40 anos que não ouvia a canção "Amor Novo" de um cantor de nome Luíz Rego.
Emigrado em França desde o início dos anos 60, de forma a evitar o serviço militar obrigatório, por lá forma o grupo Les Problèmes (mais tarde Les Charlots) que serve de suporte ao popular cantor Antoine. Em 1970 a nossa rádio passa "Amor Novo" como uma uma lufada de ar fresco no panorama musical português. E de certa forma até era. Por um lado distante da crescente presença de uma sonoridade baladeira, por outro longe do saturado cançonetismo vigente, apresenta uma frescura musical cheia de influências da música Pop francesa e inglesa.




Foi pois com prazer que voltei a ouvir este "Amor Novo". Para quem já conhecia espero que desfrute com satisfação este Regresso ao Passado, para os outros aqui fica a descoberta de uma canção quase ignorada.
Há quem considere "Amor Novo" no topo da melhor música popular portuguesa, não irei tão longe, mas também não deve ser votada ao esquecimento como parece estar. Recuperemos, então, "Amor Novo".




Luíz Rego - Amor Novo

"... Viver é saber da vida
O mesmo que sabe o mar
Vai-se uma onda perdida
Outra onda a enrolar ..." 


CSN - Crosby, Stills & Nash (1º álbum)

O 1º álbum dos Crosby, Stills & Nash data de 1969 e foi então considerado pelo programa de rádio "Em Órbita" como o melhor do ano.





É também um dos primeiros álbuns que adquiri e que se conserva, felizmente, em estado perfeito. Para ouvir, ouvir, ouvir ...

sábado, 29 de novembro de 2014

Crosby, Stills & Nash - Guinnevere

Crosby, Stills & Nash já vão em 45 anos de colaboração. Foram (são) um dos grupos a granjear uma simpatia generalizada. Formaram-se em 1969 mas qualquer um deles possuía já créditos firmados noutros grupos. David Crosby tinha terminado uma relação atribulada nos míticos Byrds, Stephen Stills estava liberto após a desintegração dos excelentes Buffalo Springfield e Graham Nash provinha dos muito populares The Hollies.
A discografia de Crosby, Stills & Nash, enquanto trio, é pequena, registando-se somente 5 álbuns de estúdio em mais de 4 décadas. No entanto a produção discográfica dos seus elementos é muito maior tendo em conta a produção a solo, em duo, ou em quarteto (com Neil Young, também proveniente dos desavindos Buffalo Springfield e já com carreira a solo) nos Crosby, Stills, Nash & Young.

O primeiro e homónimo álbum "Crosby, Stills & Nash" (1969) tornou-se uma referência obrigatória na história da música popular. Recordo-me da admiração com que então tomei conhecimento de alguns dos temas mais difundidos. As superlativas harmonias vocais, os arranjos predominantemente acústicos (numa altura de crescente electrificação) produziram temas de uma imponência quase religiosa, estávamos perante algo definitivamente novo.
O álbum começava com um tema de Stephen Stills, “Suite: Judy Blues Eyes”, sendo Judy a cantora Judy Collins antiga namorada de Stephen Stills. Excelente!





"Em Órbita”, o então programa do RCP, considera Crosby, Stills & Nash o melhor álbum de 1969 e faz a leitura do seguinte texto:

“Um conjunto de três personalidades que marcou de forma decisiva todo o processo sonoro do Em Órbita de 1969. Temas que reflectindo as origens diversas dos seus criadores, constituem exemplos acabados da melhor música popular de sempre.
Notável o perfeito ajustamento da forma de inserção das líricas nas linhas melódicas desenvolvidas, atributo que lhes confere uma das suas mais marcantes características.
Crosby, Sills & Nash, são os responsáveis pelo melhor álbum de 1969.”

Para audição, “Guinnevere”, beleza em estado puro.



CSN - Guinnevere

(“Guinevere” aparece em “The Complete Bitches Brew Sessions” de Miles Davis, de 1970, numa surpreendente versão de 21 minutos)

Nick Drake - Time Has Told Me

Porque li hoje no Expresso que no dia 25 de Novembro passaram 40 anos sobre a morte de Nick Drake.
Porque não me lembro da primeira vez que ouvi Nick Drake. Seria no programa de rádio "Em Órbita" que eu ouvia regularmente? muito provavelmente.




Porque a sua música é relativamente pouco conhecida. Porque a sua música é de rara beleza. Porque nunca é demais recordá-lo, aqui fica a primeira passagem por Nick Drake. Começamos com a primeira canção, "Time Has told Me", do primeiro álbum "Five Leaves Left" decorria o ano de 1969.


Nick Drake - Time Has Told Me

Time has told me
You're a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.


And time has told me
Not to ask for more
Someday our ocean
Will find its shore...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

The Kinks - Shangri-La


No melhor do Pop-Rock britânico estão The Kinks. Gravaram mais de 2 dezenas de álbuns sendo o período mais bem conseguido o que vai de 1966 a 1978. Não fora The Beatles terem existido e The Kinks seriam hoje lembrados como são aqueles.
The Kinks, dos irmãos Ray e Dave Davies, fizeram discos de superior bom gosto. Alguns deles álbuns conceptuais (Ópera-Rock como alguns lhe chamariam, numa designação pouco feliz) como “Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire)” de 1969 e de onde escolhemos a faixa início do lado B “Shangri-La”. “Shangri-la” está no role das "grandes canções quase esquecidas” pelo que hoje justamente é recuperada.
Começamos com uma emocionante e impressionante interpretação de “Shangri-La”, por Ray Davies, em 2007 no concerto Electric Proms da BBC.



Ray Davies, actualmente com 70 anos, mantém-se no activo e recomenda-se. Assim esperemos que continue pois a sempre adiada reunião dos The Kinks parece cada vez mais impossível face à longa desavença dos irmãos Davies.
Para todos em busca do seu Shangri-La segue, com a mesma emoção de 1969, o original “Shangri-La” um hino à  música e à vida. 


The Kinks - Shangri-La

 Now that you've found your paradise
This is your kingdom to command
You can go outside and polish your car
Or sit by the fire in your Shangri-la

Here's your reward for working so hard
Gone on the lavatories in the back yard
Gone all the days when you dreamed of that car
You just want to sit in your shangri-la

Put on your slippers and sit by the fire
You've reached your top and you just can't get any higher
You're in your place and you know where you are
In your Shangri-la
Sit back in your old rocking chair
You need not worry, you need not care
You can't go anywhere
Shangri-la

The little man who gets the train
Has got a mortgage hanging over his head
But he's too scared to complain
'Cause he's conditioned that way
Time goes by and he pays off his debts
Got a TV set and a radio
For seven Shillings a week
Shangri-la

All the houses on the street have got a name
'Cause all the houses in the street they look the same
Same chimney pots, same little cars, same window panes
The neighbors call to tell you things that you should know
They say their lines, they drink their tea, and then they go
They tell your business in another Shangri-la
The gas bills and the water rates, and payments on the car
Too scared to think about how insecure you are
Life ain't so happy in your little Shangri-la
Shangri-la
 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Fleetwood Mac - Man Of The World

Peter Green é um nome a merecer a melhor evidência.

Façamos alguma luz sobre ele: Juntamente com Eric Clapton fez parte dos BluesBreakers de John Mayall em 1966/67. Guitarrista/vocalista e membro fundador dos Fleetwood Mac. Esteve no grupo no seu melhor período ou seja 1967-1970.

"Black Magic Woman" tão celebrada pelos Santana não é um original de Carlos Santana, mas sim de Peter Green.




Exímio guitarrista de blues (um dos melhor guitarrista de blues branco) com uma longa carreira mantém-se ainda em actividade.
De entre as muitas músicas que compôs (algumas de rara beleza) o interesse, por agora, vai para “Man of the world” que eu já não ouvia vai para mais de 40 anos. Aqui está uma óptima recordação, mais uma do nostálgico ano de 1969. É hora de recuperar Peter Green com os Fleetwood Mac e “Man of the world”, no grupo das mais bonitas músicas dos anos 60.



Fleetwood Mac - Man Of The World

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

The Drifters - There Goes My Baby

Já passámos pelas harmonias dos The Platters e dos The Coasters, continuemos, dentro da mesma linha, ou seja com uma forte acentuação melódica em detrimento do ritmo, com mais um grupo negro do mesmo período: The Drifters.

The Drifters conjunto vocal negro teve nas sua formação, até aos nossos dias, mais de 60 elementos. Aquela que aqui trago é já a 2ª formação do grupo correspondente ao período de 1958-1960, que teve  Ben E. King como vocalista principal. Nesta passagem de Ben E. King pelos The Drifters, estes atingiram grande popularidade com êxitos como “There Goes My Baby”, “Dance With Me”, This Magic Moments” e “Save The Last Dance For Me”. Mas o seu maior êxito estava ainda para vir quando encetou em 1960 carreira a solo e com produção de Phil Spector, gravou primeiro “Spanish Harlem” e depois, em 1961, o conhecido “Stand By Me”.



Quanto aos The Drifters continuariam com novos sucessos dos quais se destacaria o conhecido “On Broadway” em 1963 ou ainda “Under The Broadwalk” em 1964. Para audição recuamos a 1959 e ao primeiro êxito dos The Drifters com Ben E. King, a já referida “There Goes My Baby” . A eliminação da agressividade do Rhytm’n’Blues estava consumada, no lugar da guitarra tínhamos agora violinos, algumas réstias ainda se mantinham na vocalização áspera de Ben E. King.



The Drifters - There Goes My Baby

terça-feira, 25 de novembro de 2014

The Coasters – Down in Mexico

O cruzamento, nos EUA, nos anos 50, de várias correntes musicais, nomeadamente a Pop Music, consumida maioritariamente pela população branca, e o Rhythm’n’Blues, maioritariamente pela negra, levou ao aparecimento de novas sonoridades e permitir aos artistas negros uma maior aceitação e penetração no mercado branco. Se The Platters são um bom exemplo dessa integração, outros houve a ter, na época, grande sucesso. The Coasters e The Drifters de Ben E. King ultrapassaram barreiras e atingiram os Top das listas de Pop Music e Rhythm’n’Blues.

The Coasters, formados em 1955, mantêm-se até à actualidade mas com uma formação completamente diferente da original. O seu período de ouro vai até ao início dos anos 60 com sucessivos êxitos nas tabelas de Rhythm’n’Blues e também da música Pop.
“Yakety Yak”, de 1958, atingiu o Nº 1 nas duas tabelas referidas, era o Rock’n’Roll.




Dos vários êxitos dos The Coasters (“Searchin’”, ”Young Bood”, ”Poison Ivy”, …) não resisto à primeira gravação efectuada pelo grupo, em 1956, de nome “Down in Mexico” e tão bem recuperada por Quentin Tarantino no filme “Death Proof” (À Prova de Morte) de 2007.

Aqui vão The Coasters e “Down in Mexico”,irresistível!



The Coasters – Down in Mexico

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

The Platters - Take Me In Your Arms


 

 


Os sons dos The Platters são-me familiares, desde muito pequeno, através do EP: “The Platters – Part III”. Trata-se de uma edição Sueca de 1957 e contêm 4 faixas: “Take Me In Your Arms”, “You Can't Depend On Me”, “Temptation” e “I Don't Know Why”.
 
Recorde-se a canção mais conhecida “Take Me In Your Arms” deste EP.


The Platters – I'll Cry When You're Gone

Se, na década de 50, se verificou uma apropriação, diria adulteração, por parte dos músico brancos - Paul Anka, Pat Boone – das sonoridades negras do Rhythm’n’Blues e do Gospel, os próprios músicos negros fizeram uma aproximação, através de letras mais aceitáveis e vocalizações mais suaves e harmoniosas, ao gosto do mercado branco. Veja-se os exemplos de Nat ‘King’ Cole e The Platters para citar os mais conhecidos.

The Platters, com as suas harmonias vocais, conseguiram um êxito estrondoso com sucessos atrás de sucessos. The Platters, catalogados entre o Rhythm’n’Blues, o Soul e o Rock’n’Roll, perduram até aos nossos dias mas com uma formação totalmente diferente da original, esta só se manteve na integra nos anos 50. É este o período mais produtivo do grupo com o primeiro grande êxito, “Only You", a surgir em 1955.




Outros se lhe seguiram como: “The Great Pretender”, “My Prayer”, “Take Me In Your Arms” e “Smoke Gets In Your Eyes”. Para terminar recupero o que penso ser o primeiro Single do grupo, decorria o ano de 1954, “I'll Cry When You're Gone”. Outros tempos!



The Platters – I'll Cry When You're Gone

domingo, 23 de novembro de 2014

Os Diamantes – O Telefone

Os Demónios Negros, Os Blusões NegrosConjunto Diamantes Negros e finalmente ... 
Finalmente tira-se “Negros” não se acrescenta nada e fica só Os Diamantes.

“All I Have to Do Is Dream” é um êxito bem conhecido dos The Everly Brothers de 1958. Por cá um duo de nome OsDiamantes teve a ideia de fazer 1966 uma versão a que chamou “O Telefone”. Desconhecia semelhante conjunto e também não consegui informação relevante sobre os mesmos. Pouco interessa. O que importa é que esta versão é um verdadeiro “Tesourinho Deprimente”. Isto não é um sonho, é um pesadelo! Ouçam, então, a música em anexo e “vejam” o que estes rapazes fizeram de “All I Have to Do Is Dream”  e, já agora, o que pensavam do telefone.
 
The Everly Brothers  foram um duo com enorme popularidade, principalmente nos anos 50, e, recorde-se, com êxitos,  como “Bye-Bye Love”, “Wake up Little Sue” e este  “All I Have to Do Is Dream”. Muitos foram os que fizeram versões de temas dos The Everly Brothers, de Simon & Garfunkel a Bonnie Prince Billy e Dawn  McCarthy no excelente álbum de 2013 “What Brothers Sang”.




Depois de recordar The Everly Brothers no concerto de reunião em 1983 no Royall Albert Hall resta-nos a tal versão de Os Diamantes, o tal “Telefone”, ui!


Os Diamantes - O Telefone

Conjunto Diamantes Negros - Quero-te sempre a meu lado

Depois de Os Blusões Negros … Tira-se “Blusões” e acrescenta-se “Diamantes” e aí temos o Conjunto Diamantes Negros.
Mais ritmo Ié-Ié.
Mais um EP gravado.
Mais versões de músicas de alguma forma populares. O Conjunto Diamantes Negros, formados em 1963 sofreram as influências habituais da época, The Shadows, The Beatles, The Rolling Stones, as mais evidentes. Gravaram um único EP editado em 1966 e passados estes anos todos ainda tocam ocasionalmente.

Em 2008, face à dificuldade de então encontrar as músicas desse EP, foram os próprios a disponibilizar-me os respectivos ficheiros. Disco gravado à pressa e imposição de última hora para cantar em português, resultaram num disco, infelizmente fraco, muito fraco. Os próprios o reconhecem ao dizerem-me ” … Embora os Diamantes sejam muito críticos em relação à qualidade do dito…”.
Dois “Hully Gully”, um “Fado” e um “Shake” compõem o EP. A escolha vai para o “Shake” “Quero-te sempre a meu lado”, versão em português da canção dos The Beatles “I don’t want to spoil the party” do álbum “Beatles for Sale”. O resultado é o que se vai ver (ouvir) a começar pela letra:  “Quero-te sempre a meu lado meu amor, só tu podes consolar a minha dor, amor volta pra mim …”


Eis então o Conjunto Diamantes Negros e “Quero-te sempre a meu lado”.



Conjunto Diamantes Negros - Quero-te sempre a meu lado


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Blusões Negros – Baile de Finalistas

Fiz todo o meu ensino secundário no ENSE (Externato Nossa Senhora da Esperança), nos 2 últimos anos já Liceu Nacional de Ovar.

 
As imagens que se reproduzem referem-se ao convite para um Baile de Finalista, não conseguindo eu identificar, ao certo, o ano, atrevo-me a adiantar 1967 ou 1968. Teria portanto 11, 12 anos e muito provavelmente terei estado no dito baile que foi abrilhantado, como se dizia na época, pelos conjuntos Dragões (de S. João da Madeira) e Blusões Negros (do Porto).
 
Terá sido ao som destes conjuntos que dei os primeiros passos de dança?
 
De notar o preçário:
Senhoras – XL
Cavalheiros – L
Estudantes – XXX
Mesa – LXX
(Em escudos:40, 50, 30 e 70, respectivamente, em Euros: 20, 25, 15 e 35 … cêntimos)

Blusões Negros - Tequilla

Depois de Os Demónios Negros… Tira-se "Demónios” e acrescenta-se “Blusões” e aí temos  Blusões Negros.
Mais um conjunto do Porto.
Mais ritmo Ié-Ié.
Mais um EP gravado.
Mais versões de músicas muito populares.
Um banho de ritmo Ié-Ié e aí está pronta a servir: “Tequilla”.
O original, dos anos 50, é dos norte-americanos The Champs e pode ser lembrado no vídeo seguinte.




Na contra-capa do EP a apresentação do grupo:
Estes são os famosos ‘BLUSÕES NEGROS’. Formados há acerca de quatro anos só agora conseguiram gravar o seu primeiro disco apoiados pela etiqueta ‘RAPSÓDIA’. As suas guitarras em ritmo IÉ IÉ revivem musicalmente sucessos do passado e êxitos do presente”, que maravilha!, “sucessos do passado e êxitos do presente”.

Um “Slow”, uma Valsa, um Tango e o “Shake” “Tequilla” compõem este EP de 1966.“Les Blousons Noirs” foi uma subcultura jovem surgida em França nos final dos anos 50, sob influência americana e do Rock’n’Roll então emergente, rapidamente se alastrou a outros países. Provavelmente foi aqui que os nossos Blusões Negros foram buscar a designação e inspiração para a capa do EP.









Em dose suave ficamos com esta “Tequilla” gravada em 1966 pelos portuenses Blusões Negros.







Blusões Negros-Tequilla

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Os Demónios Negros - Coimbra

Na primeira metade dos anos 60, no nosso canto à beira-mar plantado, proliferaram os grupos Ié-Ié. Viviam musicalmente à sombra dos The Shadows e posteriormente dos The Beatles. The Shadows projectavam a imagem de meninos bem comportados (todos vestidos de igual) com melodias muito cuidadas e arranjos bem feitos. A Shadowmania invadiu o país e a maior parte dos conjuntos que lhes seguiam as pisadas eram tecnicamente débeis e musicalmente pouco inspirados, ou plagiavam descaradamente ou agarravam-se a estafados tradicionais.

Com influências dos The Shadows e The Beatles, Os Demónios Negros foram um dos muitos conjuntos que pululavam pelo país. Oriundos da Madeira não podiam deixar de tocar “O bailinho da Madeira”, mas também o bem conhecido “Coimbra” que agora sugiro.
O conhecido Luis Jardim, então muito novo, fazia parte de Os Demónios Negros onde tocava viola ritmo.
Há já alguns anos recuperou-os e podem ser vistos no vídeo seguinte, nos anos 60 e em 2007.




Quanto a “Coimbra” (um “Twist” conforme consta na contra-capa do EP), foi editada em 1965 e trata-se de uma versão que foi muito popular e frequentemente ouvida em qualquer Domingo à tarde dançante.
Com certeza a trazer boas recordações.


Os Demónios Negros - Coimbra

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

The Moody Blues – Watching and Waiting

Ainda o ano de 1969.

"To Our Children's Children's Children" foi o quarto álbum de originais dos The Moody Blues gravado em 1969 e tendo como fonte de inspiração a chegada do homem à lua. O disco atingiu uma complexidade musical assinalável e por isso não foi dos mais populares do grupo nomeadamente pela dificuldade de reprodução dos temas ao vivo. O álbum fecha com o encantador "Watching and Wating" que resgatamos da secção das boas memórias.
Um particular destaque para a enternecedora voz de Justin Hayward tão acertada numa canção tão cheia de melancolia. De realçar ainda o som do "mellotron" (instrumento dos anos 60, parecido com o órgão, e que dá entre outros o som orquestral) de Mike Pinder e que tanta influência teve na sonoridade dos The Moody Blues.


The Moody Blues - To Our Children's Children's Children


Porque é um tema imemorial e que deve ficar para sempre, "to our children's children's children", aqui vai. Para preservar e divulgar.



The Moody Blues - Watching And Waiting

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Jethro Tull – Coliseu do Porto, 6 Novembro 2000



 
Os Jethro Tull, em 2000, eram constituídos por Ian Anderson, Martin Barre, Doane Perry, Andrew Gidings e Jonthan Noyce. Ou seja da formação inicial só se mantinha o líder Ian Anderson e Martin Barre vinha já de 1969. Foi aquela formação que tive oportunidade de, muito tardiamente, ver em 6 de Novembro de 2000, no Coliseu do Porto. É verdade! Muito tardiamente… Em 2000 procuravam com a edição (no ano anterior) de “J-Tull Dot Com” o retorno aos bons velhos tempos, mas esses tinham definitivamente passado, veja-se o alinhamento do concerto focado (para além de J-Tull Dot Com”) nos anos 60 e 70. Se mesmo assim o concerto foi memorável, como seria se tivesse sido a seu devido tempo?