Jethro Tull é o nome de um agricultor Inglês dos
séculos XVII/XVIII que inventou a semeadora mecânica. Também é a designação
tomada por uma das bandas mais interessantes que o Rock produziu.
Os Jethro Tull são a encarnação do seu líder,
cantor, flautista, Ian Anderson.
Com uma discografia de elevado valor
salientam-se os discos, das diversas formações dos Jethro Tull, entre 1968 e
1978.
Altamente criativos e de uma destacada
originalidade percorreram diversos estilos com influências do Jazz ao Folk Celta,
mas normalmente aparecem rotulados na gaveta pouco abonatória do Rock
Progressivo.
Dos muitos e bons discos que produziram, hoje o
realce vai para o magnífico 2ª LP “Stand UP” (1969) e começamos com “Nothing Is Easy”, os Jethro Tull no Festival da Ilha
de Wight em 1970.
Deste excelente LP escolhemos ainda “We Used to Know”
e uma curiosidade: cópia ou fonte de inspiração note-se as semelhanças com “Hotel
California” dos Eagles. Alguém disse: “No rock nada se cria, tudo se copia”.
Nem sempre é verdade, como é lógico, mas que, neste caso, as semelhanças são
grandes, lá isso são.
Ora, aqui vai “We used to know” dos Jethro Tull neste
retorno a 1969.
Jethro Tull - We used to know
Para uns recordações, para outros descobertas. São notas passadas, musicais e não só...
terça-feira, 18 de novembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Van Morrison – Astral Weeks
Mais memórias de Coimbra. Agora a propósito
de Van Morrison e do álbum “Astral Weeks”.Van Morrison era então, como agora, um dos meus músicos preferidos. Já dispunha
de 2 álbuns dele, "Saint Dominic's Preview" e “Hard Nose the Highway” e ouvia o recém
saído, o incrível duplo ao vivo, “It's Too Late to Stop Now” (1974). Mais uma vez o meu amigo António Oliveira é
protagonista desta história, pois foi numa deslocação que ele fez a França que
eu aproveitei para lhe pedir se me trazia o álbum “Astral Weeks”, de 1968, caso
o encontrasse.

Não sei se nessa época ele foi editado em Portugal, mas não me lembro de o ver à venda. E é assim que na minha colecção figura este “Astral Weeks”, edição francesa. Mas na contra capa consta "Originally released in November, 1968. An original Warner Bros. recording on Midi Records.distibuted by WEA Music GmbH., a Warner Communications Company. Made in Germany.℗ 1968 Warner Bros. Records ©1974 WEA Music GmbH”.
Na rodela do disco consta “℗ 1972”. O preço, conforme se pode ver na capa foi de 18,50 Francos (ou seja quase 3 €). O site http://www.discogs.com coloca o disco nos géneros Jazz, Rock, Blues, Folk, World, & Country, ou seja inclassificável.

Não sei se nessa época ele foi editado em Portugal, mas não me lembro de o ver à venda. E é assim que na minha colecção figura este “Astral Weeks”, edição francesa. Mas na contra capa consta "Originally released in November, 1968. An original Warner Bros. recording on Midi Records.distibuted by WEA Music GmbH., a Warner Communications Company. Made in Germany.℗ 1968 Warner Bros. Records ©1974 WEA Music GmbH”.
Na rodela do disco consta “℗ 1972”. O preço, conforme se pode ver na capa foi de 18,50 Francos (ou seja quase 3 €). O site http://www.discogs.com coloca o disco nos géneros Jazz, Rock, Blues, Folk, World, & Country, ou seja inclassificável.
Van Morrison – Sweet Thing
Uma pitada de Rock, Blues, Jazz, Funk, Soul, Folk (Celtic),
o doseamento dos ingredientes fica ao sabor de cada um, e aí temos o
maior músico que a Irlanda nos deu a conhecer: Van Morrison.
50 anos de carreira, 40 álbuns editados e um percurso invejável, Van Morrison poderá hoje em dia já não surpreender, mas também não desilude (ou quase nunca).
Homem pouco simpático e de poucas falas, escondido no seu chapéu e nos óculos escuros, há mais de 2 anos que aguardamos por novidades discográficas (o último “Born to Sing: No Plan B” a ser muito bem recebido pela crítica).
O anterior (2009) tinha sido a recriação ao vivo do mítico álbum “Astral Weeks” de 1968, no Top 3 dos melhores discos de sempre (não estou a exagerar).
“Astral Weeks Live at the Hollywood Bowl” foi editado em DVD, donde recuperamos, para aguçar o apetite, “Sweet Thing”.
Na única passagem - penso eu - por Portugal em 1993, o concerto no Coliseu do Porto, ficou, infelizmente, muito aquém das expectativas, foi tipo “um vê-se-te-avias”.
Esperemos que algum dia se possa redimir.
Para uma audição repousada, o mesmo Van Morrison, a mesma “Sweet Thing” mas em 1968.
Van Morrison - Sweet Thing
50 anos de carreira, 40 álbuns editados e um percurso invejável, Van Morrison poderá hoje em dia já não surpreender, mas também não desilude (ou quase nunca).
Homem pouco simpático e de poucas falas, escondido no seu chapéu e nos óculos escuros, há mais de 2 anos que aguardamos por novidades discográficas (o último “Born to Sing: No Plan B” a ser muito bem recebido pela crítica).
O anterior (2009) tinha sido a recriação ao vivo do mítico álbum “Astral Weeks” de 1968, no Top 3 dos melhores discos de sempre (não estou a exagerar).
“Astral Weeks Live at the Hollywood Bowl” foi editado em DVD, donde recuperamos, para aguçar o apetite, “Sweet Thing”.
Na única passagem - penso eu - por Portugal em 1993, o concerto no Coliseu do Porto, ficou, infelizmente, muito aquém das expectativas, foi tipo “um vê-se-te-avias”.
Esperemos que algum dia se possa redimir.
Para uma audição repousada, o mesmo Van Morrison, a mesma “Sweet Thing” mas em 1968.
Van Morrison - Sweet Thing
domingo, 16 de novembro de 2014
John Lee Hooker – Boogie Chillun
A par de Muddy Waters e de B.B. King, John Lee Hooker faz parte de um conjunto de músicos de Blues que marcaram toda uma
geração e influenciaram fortemente as seguintes.
Originário de Mississipi, John Lee Hooker
(1917-2001) ficou para sempre ligado ao Blues de Chicago, recusou arranjos sofisticados
da sua música, preferindo manter, muitas vezes, a intensidade da voz e da
guitarra na mais pura expressão de bluesman.
Dos músicos que influenciou (chegando a colaborar com alguns deles) os destaques vão de The Doors (versão de “Roadhouse Blues” com John Lee Hooker, “Crawling King Snake” no álbum “L.A. Woman”) a Van Morrison com quem manteve uma colaboração estreita. É reconhecida a importância que teve nos anos 60 na cena Rock inglesa, The Rolling Stones são o melhor exemplo. É da colaboração com o irlandês Van Morrison que recuperamos o vídeo seguinte de um documentário por ele realizado de 1991.
O primeiro êxito de John Lee Hooker data de 1948 com “Boogie Chillun”, voz, guitarra e o ritmo marcado pelo sapateado foram suficientes para alcançar o nº 1 das tabelas de Rhythm’n’Blues.
John Lee Hooker – Boogie Chillun
Dos músicos que influenciou (chegando a colaborar com alguns deles) os destaques vão de The Doors (versão de “Roadhouse Blues” com John Lee Hooker, “Crawling King Snake” no álbum “L.A. Woman”) a Van Morrison com quem manteve uma colaboração estreita. É reconhecida a importância que teve nos anos 60 na cena Rock inglesa, The Rolling Stones são o melhor exemplo. É da colaboração com o irlandês Van Morrison que recuperamos o vídeo seguinte de um documentário por ele realizado de 1991.
O primeiro êxito de John Lee Hooker data de 1948 com “Boogie Chillun”, voz, guitarra e o ritmo marcado pelo sapateado foram suficientes para alcançar o nº 1 das tabelas de Rhythm’n’Blues.
John Lee Hooker – Boogie Chillun
sábado, 15 de novembro de 2014
Screamin' Jay Hawkins - I Put a Spell On You
A música negra e branca norte-americana tinham,
na década de 50, características substancialmente diferentes. A interpenetração
destas duas culturas musicais e respectivos mercados efectuou-se a meio da década com o surgimento
do Rock´n´Roll. O mercado pop do mundo branco viu-se progressivamente
confrontado com a adesão da juventude branca aos ritmos rápidos do Rhythm’n’Blues,
a sua expansão fez-se adocicando, quer no ritmo quer nas letras da música negra,
e no lançamento de ídolos branco de mais fácil aceitação, Pat Boone, Paul Anka,
Bill Halley, Elvis Presley.
Screamin’ Jay Hawkins (1929-2000) foi um músico negro de Rhythm’n’Blues, tendo-se destacado em poderosas vocalizações consideradas obscenas e verdadeiras representações teatrais. Screamin’ Jay Hawkins foi mesmo “… proibido de actuar em público por indecência: entrava em palco num caixão donde saía segurando um crâneo que fumava um cigarro e a que chamava Henry, provocava os espectadores física e oralmente, e depois ia-se embora envolto numa nuvem de fumo” em “POPMUSIC-ROCK” de Philippe Daufouy/Jean-Pierre Sarton.
Com carreira e discografia longas o tema pelo qual ficaria a ser conhecido foi “I Put A Spell On You” de 1956. Das dezenas de versões que teve a mais conhecida deverá ser a efectuada pelos CreedenceClearwater Revival para o primeiro álbum do grupo em 1968.
Agora a recuperação de “I Put A Spell On You” pelos Creedence Clearwater Revival, em Woodstock, a 16 de Agosto de 1969.
Outros destaques vão para “Not Anymore”, “Frenzy” ou talvez a melhor de todas “Constipation Blues”, mas não resisto a terminar com o incontornável “I Put A Spell On You”. Excelente!
Screamin' Jay Hawkins - I Put a Spell On You
Screamin’ Jay Hawkins (1929-2000) foi um músico negro de Rhythm’n’Blues, tendo-se destacado em poderosas vocalizações consideradas obscenas e verdadeiras representações teatrais. Screamin’ Jay Hawkins foi mesmo “… proibido de actuar em público por indecência: entrava em palco num caixão donde saía segurando um crâneo que fumava um cigarro e a que chamava Henry, provocava os espectadores física e oralmente, e depois ia-se embora envolto numa nuvem de fumo” em “POPMUSIC-ROCK” de Philippe Daufouy/Jean-Pierre Sarton.
Com carreira e discografia longas o tema pelo qual ficaria a ser conhecido foi “I Put A Spell On You” de 1956. Das dezenas de versões que teve a mais conhecida deverá ser a efectuada pelos CreedenceClearwater Revival para o primeiro álbum do grupo em 1968.
Agora a recuperação de “I Put A Spell On You” pelos Creedence Clearwater Revival, em Woodstock, a 16 de Agosto de 1969.
Outros destaques vão para “Not Anymore”, “Frenzy” ou talvez a melhor de todas “Constipation Blues”, mas não resisto a terminar com o incontornável “I Put A Spell On You”. Excelente!
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| Screamin' Jay Hawkins |
Screamin' Jay Hawkins - I Put a Spell On You
The Bunch – Rock On
Estudava em Coimbra, em meados da
década de 70, quando adquiri o álbum “Rock On” dos The Bunch.
A história é simples. Um colega de apartamento, o António Oliveira, amante de música como eu, queria vender alguns álbuns que pelos vistos na altura não lhe interessavam. Entre eles estava esta relíquia de um grupo de existência circunstancial, The Bunch, formado pelos músicos identificados na capa, ou seja os Fairport Convention e amigos – destaque para Sandy Denny e Richard Thompson – para tocarem temas de Rock’n’Roll. Trata-se de uma edição espanhola da Ariola de 1972.

Curiosidade: o disco custou-me 80$00 (0,40€), comprei ainda o “Lizard” dos King Crimson por 120$00 (0,60€), ou seja os 2 ficaram-me por 200$00 (1€), o preço de "Lizard", ainda na etiqueta, era de 216$50.
A história é simples. Um colega de apartamento, o António Oliveira, amante de música como eu, queria vender alguns álbuns que pelos vistos na altura não lhe interessavam. Entre eles estava esta relíquia de um grupo de existência circunstancial, The Bunch, formado pelos músicos identificados na capa, ou seja os Fairport Convention e amigos – destaque para Sandy Denny e Richard Thompson – para tocarem temas de Rock’n’Roll. Trata-se de uma edição espanhola da Ariola de 1972.

Curiosidade: o disco custou-me 80$00 (0,40€), comprei ainda o “Lizard” dos King Crimson por 120$00 (0,60€), ou seja os 2 ficaram-me por 200$00 (1€), o preço de "Lizard", ainda na etiqueta, era de 216$50.
Buddy Holly (The Crickets) - That'll Be The Day
Foram as editoras independentes, que gravavam o
Rhythm’n’Blues e que dominavam o mercado negro, as primeiras a divulgar o
Rock’n’Roll.
Los Angeles, Chicago, Memphis foram algumas das cidades a estar na origem, nos anos 50, de muitos cantores cujo sucesso rapidamente ultrapassou as fronteiras locais. Entraram então em acção as editoras nacionais, predominantemente brancas, a controlar e a definir esteticamente as novas sonoridades então emergentes.
Alguns nomes, então em voga, saídos do mundo branco, foram da maior importância para a expansão do Rock’n’Roll pese as vidas curtas que tiveram: Ritchie Valens (1941-1959), Gene Vincent (1935-1971), EddieCochran (1938-1960), Buddy Holly (1936-1959), são disso exemplo.
Buddy Holly com actividade musical na década de 50, só nos 2 últimos anos de vida efectuou as gravações que lhe grangearam, então e depois, o sucesso devido. Depois de já ter gravado 2 Singles em 1956, é em 1957, como líder dos The Crickets que a editora Brunswick (especializada em Rhythm’n’Blues) se abre ao Rock’n’Roll e edita o sucesso que foi “That'll Be The Day”, 1º lugar nos EUA e no Reino Unido.
A turné em 1958 pela Inglaterra teve na assistência dois jovens que revelariam mais tarde ter sido influenciados por Buddy Holly: Paul McCartney e Mick Jagger. As canções de Buddy Holly irão ser alvo de várias versões, das quais agora recupero a de “That'll Be The Day” efectuada pelo colectivo The Bunch (família Fairport Convention e amigos interpretam temas de Rock’n’Roll) em 1972, com destaque para a voz de SandyDenny.
Em 1959 Buddy Holly faleceria de acidente de avião (juntamente com Ritchie Valens), o dia ficaria celebrizado por Don McLean, em 1971, ao recordá-lo em “American Pie” (the day the music died).
Buddy Holly (The Crickets) - That'll Be The Day
Los Angeles, Chicago, Memphis foram algumas das cidades a estar na origem, nos anos 50, de muitos cantores cujo sucesso rapidamente ultrapassou as fronteiras locais. Entraram então em acção as editoras nacionais, predominantemente brancas, a controlar e a definir esteticamente as novas sonoridades então emergentes.
Alguns nomes, então em voga, saídos do mundo branco, foram da maior importância para a expansão do Rock’n’Roll pese as vidas curtas que tiveram: Ritchie Valens (1941-1959), Gene Vincent (1935-1971), EddieCochran (1938-1960), Buddy Holly (1936-1959), são disso exemplo.
Buddy Holly com actividade musical na década de 50, só nos 2 últimos anos de vida efectuou as gravações que lhe grangearam, então e depois, o sucesso devido. Depois de já ter gravado 2 Singles em 1956, é em 1957, como líder dos The Crickets que a editora Brunswick (especializada em Rhythm’n’Blues) se abre ao Rock’n’Roll e edita o sucesso que foi “That'll Be The Day”, 1º lugar nos EUA e no Reino Unido.
A turné em 1958 pela Inglaterra teve na assistência dois jovens que revelariam mais tarde ter sido influenciados por Buddy Holly: Paul McCartney e Mick Jagger. As canções de Buddy Holly irão ser alvo de várias versões, das quais agora recupero a de “That'll Be The Day” efectuada pelo colectivo The Bunch (família Fairport Convention e amigos interpretam temas de Rock’n’Roll) em 1972, com destaque para a voz de SandyDenny.
Em 1959 Buddy Holly faleceria de acidente de avião (juntamente com Ritchie Valens), o dia ficaria celebrizado por Don McLean, em 1971, ao recordá-lo em “American Pie” (the day the music died).
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| Álbum The "Chirping" Crickets de 1957 |
Agora, ficamos com Buddy Holly, ou melhor, The Crickets com “That'll Be The Day”.
Agora, ficamos com Buddy Holly, ou melhor, The Crickets com “That'll Be The Day”.
Buddy Holly (The Crickets) - That'll Be The Day
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Jane Birkin - Serge Gainsbourg
43 anos separam estas imagens!
Primeiro, a capa do Single, de 1969, “je t’aime… moi non plus” de Jane Birkin com Serge Gainsbourg.
Primeiro, a capa do Single, de 1969, “je t’aime… moi non plus” de Jane Birkin com Serge Gainsbourg.
Em 2012, finalmente o concerto “Jane Birkin canta Serge Gainsbourg” , o
bilhete e o folheto de anúncio do concerto.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Serge Gainsbourg & Jane Birkin - 69 année érotique
Ainda a música francesa, agora, mais recuada.
Serge Gainsbourg e Jane Birkin foram um casal incontornável da cultura francesa das décadas de 60/70. O casal ficaria popularizado pelo polémico e bem conhecido tema “Je t’aime moi non plus“.
Serge Gainbourg enquanto músico percorreu variados caminhos, do Jazz ao Rock, do Reggae ao Pop. Teve uma vida de excesso no tabaco, no álcool e nas mulheres. Provocador nato, ficou conhecido o incidente ao vivo na televisão francesa em 1986 com Whitney Houston quando ele para espanto de todos e atrapalhação do locutor diz referindo-se a Whitney Houston “I want to fuck her”. Ou ainda o clip “Lemon Incest” por ele realizado na cama com a filha, a agora reconhecida actriz, Charlotte Gainsbourg.
Há 45 anos estávamos em 69, o ano erótico para Serge Gainsbourg . “69 Année Érotique” é precisamente o tema eleito.
Separaram-se em 1980. Serge Gainsbourg faleceu em 1991. Jane Birkin continua activa no cinema e na canção. Em, 2012, finalmente vi Jane Birkin em concerto na Casa da Música.
Recuemos a 1969 para ficar com Serge Gainsbourg & Jane Birkin e o seu “69 année érotique”.
Serge Gainsbourg & Jane Birkin - 69 année érotique
Serge Gainsbourg e Jane Birkin foram um casal incontornável da cultura francesa das décadas de 60/70. O casal ficaria popularizado pelo polémico e bem conhecido tema “Je t’aime moi non plus“.
Serge Gainbourg enquanto músico percorreu variados caminhos, do Jazz ao Rock, do Reggae ao Pop. Teve uma vida de excesso no tabaco, no álcool e nas mulheres. Provocador nato, ficou conhecido o incidente ao vivo na televisão francesa em 1986 com Whitney Houston quando ele para espanto de todos e atrapalhação do locutor diz referindo-se a Whitney Houston “I want to fuck her”. Ou ainda o clip “Lemon Incest” por ele realizado na cama com a filha, a agora reconhecida actriz, Charlotte Gainsbourg.
Há 45 anos estávamos em 69, o ano erótico para Serge Gainsbourg . “69 Année Érotique” é precisamente o tema eleito.
Separaram-se em 1980. Serge Gainsbourg faleceu em 1991. Jane Birkin continua activa no cinema e na canção. Em, 2012, finalmente vi Jane Birkin em concerto na Casa da Música.
Recuemos a 1969 para ficar com Serge Gainsbourg & Jane Birkin e o seu “69 année érotique”.
Serge Gainsbourg & Jane Birkin - 69 année érotique
Blitz Nº 2 de 13 de Novembro de 1984
Jornal "Blitz"
Faz agora 30 anos que saiu o nº 2 do jornal Blitz (agora revista). Na capa David Bowie com chamadas para os Bauhaus e Sérgio Godinho.
Vejamos as notícias musicais de há 30 anos:
- Nas 2ª e 3ª página anunciava-se o regresso dos Dexis Midnight Runners, o novo álbum de Jean Luc Ponty, o primeiro álbum a solo de Mick Jagger, o novo LP de Bryan Adams e o regresso de Rui Veloso ao Rock Rendez-Vous.
- Na página 4 anuncia-se os concertos dos Heróis do Mar em Paris. A página 5 é totalmente preenchida com Robert Wyatt sob o título “Wyatt Finalmente”: “Animadas as hostes com a edição de «82-84» de Robert Wyatt, cedo a raiva se elevou em furiosas expressões perante o «assassínio» perpetrado por uma prensagem inacreditável, que quase ensombra a beleza de um trabalho rico e ainda inédito em Portugal.” (disto sou testemunha).
- A página 6 um trabalho de António Sérgio sobre os Bauhaus e na página 7 o novo disco de Sérgio Godinho, “Salão de Festas”.
- “No Futuro A Simplicidade” é o artigo que ocupa as páginas centrais dedicadas a David Bowie a propósito do álbum “Tonight”.
- As páginas 10 e 11 dedicadas respectivamente a Julian Lennon e a Siouxsie Sioux e o seu concerto em Lisboa.
- Página 12, “Busca no Sótão” tirava o pó a Cat Stevens e fazia a sua retrospectiva. Na página 12 Jaime Fernandes projecta a Rádio Renascença para 1985.
- Nos discos editados em Portugal referidos na página 14 passava despercebido o álbum dos Associates, “Fourth Drawer Down”. Na página 15 ficamos a saber que1º lugar do Top de Singles em Portugal era ocupado por “I Just Called To Say I Love You” de Stevie Wonder e nos álbuns o primeiro lugar ia para Tina Turner com “Private Dancer”. Nos EUA o álbum mais vendido era “Purple Rain” de Prince e na Grã Bretanha, fiel a Paul McCartney, o álbum “Give My Regards To Broad Street”.
- A última página anunciava que Sting ia ser Frankenstein. Era o filme “A Prometida”, no original “The Bride”
Faz agora 30 anos que saiu o nº 2 do jornal Blitz (agora revista). Na capa David Bowie com chamadas para os Bauhaus e Sérgio Godinho.
Vejamos as notícias musicais de há 30 anos:
- Nas 2ª e 3ª página anunciava-se o regresso dos Dexis Midnight Runners, o novo álbum de Jean Luc Ponty, o primeiro álbum a solo de Mick Jagger, o novo LP de Bryan Adams e o regresso de Rui Veloso ao Rock Rendez-Vous.
- Na página 4 anuncia-se os concertos dos Heróis do Mar em Paris. A página 5 é totalmente preenchida com Robert Wyatt sob o título “Wyatt Finalmente”: “Animadas as hostes com a edição de «82-84» de Robert Wyatt, cedo a raiva se elevou em furiosas expressões perante o «assassínio» perpetrado por uma prensagem inacreditável, que quase ensombra a beleza de um trabalho rico e ainda inédito em Portugal.” (disto sou testemunha).
- A página 6 um trabalho de António Sérgio sobre os Bauhaus e na página 7 o novo disco de Sérgio Godinho, “Salão de Festas”.
- “No Futuro A Simplicidade” é o artigo que ocupa as páginas centrais dedicadas a David Bowie a propósito do álbum “Tonight”.
- As páginas 10 e 11 dedicadas respectivamente a Julian Lennon e a Siouxsie Sioux e o seu concerto em Lisboa.
- Página 12, “Busca no Sótão” tirava o pó a Cat Stevens e fazia a sua retrospectiva. Na página 12 Jaime Fernandes projecta a Rádio Renascença para 1985.
- Nos discos editados em Portugal referidos na página 14 passava despercebido o álbum dos Associates, “Fourth Drawer Down”. Na página 15 ficamos a saber que1º lugar do Top de Singles em Portugal era ocupado por “I Just Called To Say I Love You” de Stevie Wonder e nos álbuns o primeiro lugar ia para Tina Turner com “Private Dancer”. Nos EUA o álbum mais vendido era “Purple Rain” de Prince e na Grã Bretanha, fiel a Paul McCartney, o álbum “Give My Regards To Broad Street”.
- A última página anunciava que Sting ia ser Frankenstein. Era o filme “A Prometida”, no original “The Bride”
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Zélia Duncan – Pelo Sabor do Gesto
Ainda acerca do filme “Les chansons d'amour" e da sua
magnífica banda sonora para destacar o seu autor Alex Beaupain (que também
colabora noutros filmes de Christophe Honoré - ver “Dans Paris”, “La Belle
Personne”-A Bela Junie). Porque as canções de Alex Beaupain (e em particular as
da banda sonora de “Les chansons d'amour”) estão
efectivamente a um nível que acalentam a esperança do retorno da canção
francesa a um maior destaque na cena internacional.
Aqui vai então mais uma canção de Alex Beaupain, “As-tu déjà aimé?” com a respectiva cena do filme.
Os brasileiros, particularmente atentos, rapidamente descobriram Alex Beaupain e a sua influência se fez sentir.
Zélia Duncan nascida para a música na década de 90, com uma discografia a seguir com atenção grava em 2009 no CD “Pelo Sabor do Gesto” duas canções de Alex Beaupain: “Boas Razões” (Des Bonnes Raison) e “Pelo Sabor do Gesto” (As-tu déjà aimé?). Ouçamos então Alex Beaupain pela voz da brasileira Zélia Duncan, aqui numa versão ao vivo em 2011 de “Pelo Sabor do Gesto”.
Zélia Duncan - Pelo Sabor Do Gesto
Aqui vai então mais uma canção de Alex Beaupain, “As-tu déjà aimé?” com a respectiva cena do filme.
Os brasileiros, particularmente atentos, rapidamente descobriram Alex Beaupain e a sua influência se fez sentir.
Zélia Duncan nascida para a música na década de 90, com uma discografia a seguir com atenção grava em 2009 no CD “Pelo Sabor do Gesto” duas canções de Alex Beaupain: “Boas Razões” (Des Bonnes Raison) e “Pelo Sabor do Gesto” (As-tu déjà aimé?). Ouçamos então Alex Beaupain pela voz da brasileira Zélia Duncan, aqui numa versão ao vivo em 2011 de “Pelo Sabor do Gesto”.
Zélia Duncan - Pelo Sabor Do Gesto
Christophe Honoré – As Canções de Amor – Alex Beaupain
Memórias menos longínquas estas que vêm
de França.
O ano é o de 2007, um filme e um duplo CD.
O filme é “Les Chansons D’Amour” de
Christophe Honoré.
"As Canções de Amor" é um musical que aparenta um filme “ligeiro”, mas que acaba por ser uma profunda ode a esse sentimento incansavelmente explorado no mundo das Artes.” em http://pipocasetretas.wordpress.com/
“Aime moi moins, mais aime moi longtemps” é a frase que nos fica no final do filme.

O CD é duplo, para além da banda sonora do filme tem um CD bónus a não desmerecer com extra de “Comme la pluie” do filme seguinte de Christophe Honoré “La Belle Personne” (A Bela Junie), assim termina o CD.
O ano é o de 2007, um filme e um duplo CD.
"As Canções de Amor" é um musical que aparenta um filme “ligeiro”, mas que acaba por ser uma profunda ode a esse sentimento incansavelmente explorado no mundo das Artes.” em http://pipocasetretas.wordpress.com/
“Aime moi moins, mais aime moi longtemps” é a frase que nos fica no final do filme.

O CD é duplo, para além da banda sonora do filme tem um CD bónus a não desmerecer com extra de “Comme la pluie” do filme seguinte de Christophe Honoré “La Belle Personne” (A Bela Junie), assim termina o CD.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Alex Beaupain – Je n’aime que toi
Continuamos com mais uma banda sonora, esta,
muito mais recente.
Em 2009, na colecção Atalanta Filmes que o jornal Público divulgou a um preço muito atractivo: 1,95€, foi-nos dado a conhecer filmes (julgo que boa parte fora do circuito comercial) que surpreenderam pela sua qualidade.
De entre eles destaco "Les chansons d'amour" que teve o César 2008 para a Melhor Banda Sonora da "Académie des Arts e Techniques du Cinéma".
O filme, do realizador Christophe Honoré, surpreende fundamentalmente pela sua naturalidade. Na história, um "ménage-à-trois", na abordagem da homossexualidade, no desempenho dos actores, nas canções de amor que percorrem todo o filme, tudo se desenrola com uma espontaneidade absolutamente cativante. Tragédia, comédia musical, amor, o quotidiano nas ruas de Paris. O retorno do melhor cinema francês? Ou a sua redescoberta depois de sucessivas décadas toldado pelas grandes produções do cinema norte-americano?
A banda sonora e o filme são um só, são indissociáveis. Banda sonora de 5 estrelas. Também aqui estaremos no regresso da música francesa? O vídeo seguinte com o "trailer" abre o apetite.
"Les chansons d'amour", um filme de Christophe Honoré, música e letras de Alex Beaupain (um músico a descobrir) interpretada pelos próprios actores. "Je n'aime que toi" é uma bela canção aqui interpretada pelo trio amoroso inicial Louis Garrel, Ludivine Sagnier e Clotilde Hesme.
Alex Beaupin - Je n'aime que toi
Em 2009, na colecção Atalanta Filmes que o jornal Público divulgou a um preço muito atractivo: 1,95€, foi-nos dado a conhecer filmes (julgo que boa parte fora do circuito comercial) que surpreenderam pela sua qualidade.
De entre eles destaco "Les chansons d'amour" que teve o César 2008 para a Melhor Banda Sonora da "Académie des Arts e Techniques du Cinéma".
O filme, do realizador Christophe Honoré, surpreende fundamentalmente pela sua naturalidade. Na história, um "ménage-à-trois", na abordagem da homossexualidade, no desempenho dos actores, nas canções de amor que percorrem todo o filme, tudo se desenrola com uma espontaneidade absolutamente cativante. Tragédia, comédia musical, amor, o quotidiano nas ruas de Paris. O retorno do melhor cinema francês? Ou a sua redescoberta depois de sucessivas décadas toldado pelas grandes produções do cinema norte-americano?
A banda sonora e o filme são um só, são indissociáveis. Banda sonora de 5 estrelas. Também aqui estaremos no regresso da música francesa? O vídeo seguinte com o "trailer" abre o apetite.
"Les chansons d'amour", um filme de Christophe Honoré, música e letras de Alex Beaupain (um músico a descobrir) interpretada pelos próprios actores. "Je n'aime que toi" é uma bela canção aqui interpretada pelo trio amoroso inicial Louis Garrel, Ludivine Sagnier e Clotilde Hesme.
Alex Beaupin - Je n'aime que toi
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Elton John - Friends
Em 1971 saiu um filme de nome "Friends" que nunca chegou
a ser por cá estreado. Filme raro, julgo mesmo que não chegou a ter, por cá,
edição em DVD. O filme é uma história de amor de adolescentes para
adolescentes (ou quem o era em 1971).
Portanto para além do puro saudosismo, o que é que sobra deste filme? A excelente banda sonora de alguém que na época estava no apogeu da sua carreira: Elton John. Acrescente-se os óptimos arranjos de Paul Buckmaster (responsável pelos arranjos dos primeiros discos de Leonard Cohen) e os excelentes músicos que então acompanhavam EltonJohn e temos aqui os motivos suficientes para revisitar o filme e a música de "Friends".
No vídeo seguinte o trailer do filme.
Precisamente em 1971 Elton John estaria por cá no Festival de Vilar de Mouros.
No mesmo Festival, um grupo de miúdos de menos de 12 anos que dava pelo nome de Mini-Pop (dos irmãos Barreiros, mais tarde os conhecidos Jáfumega) fazia as delícias do público e de Elton John, interpretando nada mais nada menos que "Friends".
Infelizmente Elton John não manteve o nível qualitativo que então manifestava e progressivamente foi perdendo interesse à medida que ganhou em popularidade (Daniel, Nikita, Crocodile Rock, etc).
Com toda a emoção, como se tivéssemos 15 anos, segue para audição "Friends" de Elton John (recomenda-se a audição de toda a banda sonora, só disponível numa edição "Rare Masters”, que eu saiba).
Elton John - Friends
Portanto para além do puro saudosismo, o que é que sobra deste filme? A excelente banda sonora de alguém que na época estava no apogeu da sua carreira: Elton John. Acrescente-se os óptimos arranjos de Paul Buckmaster (responsável pelos arranjos dos primeiros discos de Leonard Cohen) e os excelentes músicos que então acompanhavam EltonJohn e temos aqui os motivos suficientes para revisitar o filme e a música de "Friends".
No vídeo seguinte o trailer do filme.
Precisamente em 1971 Elton John estaria por cá no Festival de Vilar de Mouros.
No mesmo Festival, um grupo de miúdos de menos de 12 anos que dava pelo nome de Mini-Pop (dos irmãos Barreiros, mais tarde os conhecidos Jáfumega) fazia as delícias do público e de Elton John, interpretando nada mais nada menos que "Friends".
Infelizmente Elton John não manteve o nível qualitativo que então manifestava e progressivamente foi perdendo interesse à medida que ganhou em popularidade (Daniel, Nikita, Crocodile Rock, etc).
Com toda a emoção, como se tivéssemos 15 anos, segue para audição "Friends" de Elton John (recomenda-se a audição de toda a banda sonora, só disponível numa edição "Rare Masters”, que eu saiba).
Elton John - Friends
domingo, 9 de novembro de 2014
Os Ekos - Esquece
Em pleno período do Ié-Ié, concretamente em 1963, formou-se em Portugal
o conjunto Os Ekos. Para muitos uma verdadeira referência do Ié-Ié. Ao vivo
privilegiavam versões dos êxitos dos The Shadows, então no auge da popularidade,
ainda por cima travaram conhecimento no Algarve com o Cliff Richard de quem
ficaram amigos.
Nesta primeira passagem por Os Ekos vamos recordar uma versão de "Hold Me" de P.J. Proby agora com o título "Esquece", aparece no primeiro EP, de 1965, do conjunto.
P.J. Proby cantor norte-americano cujo maior sucesso terá sido “Hold Me” em 1964.
O original, e por cá a versão “Esquece”, foram muito populares. Alguns dirão que, quer uma quer outra, são pirosas, mas que, por vezes, sabe bem recordar estes sons também é verdade. Portanto, qualidade à parte, vamos reviver e não esquecer "Esquece".
"Agora vejo quanto errei
pensei mal de ti, pensei
eu fazer-te mal não quis
perdoa, esquece o que fiz..."
Que maravilha, o Ié-Ié de Os Ekos com “Esquece” estávamos no ano de 1965.
Os Ekos - Esquece
Nesta primeira passagem por Os Ekos vamos recordar uma versão de "Hold Me" de P.J. Proby agora com o título "Esquece", aparece no primeiro EP, de 1965, do conjunto.
P.J. Proby cantor norte-americano cujo maior sucesso terá sido “Hold Me” em 1964.
O original, e por cá a versão “Esquece”, foram muito populares. Alguns dirão que, quer uma quer outra, são pirosas, mas que, por vezes, sabe bem recordar estes sons também é verdade. Portanto, qualidade à parte, vamos reviver e não esquecer "Esquece".
![]() |
| Os Ekos - 1ºEP - 1965 |
"Agora vejo quanto errei
pensei mal de ti, pensei
eu fazer-te mal não quis
perdoa, esquece o que fiz..."
Que maravilha, o Ié-Ié de Os Ekos com “Esquece” estávamos no ano de 1965.
Os Ekos - Esquece
sábado, 8 de novembro de 2014
Conjunto Académico Orfeu - Nivram
Na década de 60 muitos conjuntos portugueses tomaram a designação de
“Académico” (a maior parte dos conjuntos era formada por estudantes), o Conjunto Académico Orfeu foi um deles, estavam sobretudo vocacionados
para animar bailaricos e festas de finalistas.
Mais uma vez a influência dos The Shadows é omnipresente. Em 1966, embora já se fizessem sentir outras influências, nomeadamente The Beatles, o Conjunto Académico Orfeu grava o bem conhecido “Nivram”, um “Fox Blues” como é referenciado na contra-capa. A utilização do xilofone a dar-lhe um agradável toque de easy-listening próprio num qualquer salão de baile.
“Nivram” anagrama de “Marvin” (Hank Marvin guitarrista dos The Shadows)? Talvez. Começamos pelos próprios The Shadows em concerto em 2004 (eles formaram-se em 1958!), a interpretar o seu velho “Nivram", Hank Marvin na guitarra solo.
E agora a versão portuguesa do Conjunto Académico Orfeu, decorria o ano de 1966, aí está, “Nivram”! (na contra-capa do EP o nome está “NIVRAN”).
Mais uma vez a influência dos The Shadows é omnipresente. Em 1966, embora já se fizessem sentir outras influências, nomeadamente The Beatles, o Conjunto Académico Orfeu grava o bem conhecido “Nivram”, um “Fox Blues” como é referenciado na contra-capa. A utilização do xilofone a dar-lhe um agradável toque de easy-listening próprio num qualquer salão de baile.
“Nivram” anagrama de “Marvin” (Hank Marvin guitarrista dos The Shadows)? Talvez. Começamos pelos próprios The Shadows em concerto em 2004 (eles formaram-se em 1958!), a interpretar o seu velho “Nivram", Hank Marvin na guitarra solo.
E agora a versão portuguesa do Conjunto Académico Orfeu, decorria o ano de 1966, aí está, “Nivram”! (na contra-capa do EP o nome está “NIVRAN”).
Conjunto Académico Orfeu - Nivram
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Victor Gomes – Juntos Outra Vez
De retorno aos anos 60 e ao Pop-Rock português.
Em 1963 realizou-se um concurso, no Teatro Monumental, em Lisboa, organizado pelo Vasco Morgado que se chamou “O Rei do Twist”. O vencedor foi Victor Gomes e Os Gatos Negros. Estamos na presença de mais um dos avôs do Rock português.
"Victor Gomes, logo que terminou a sua actuação, tinha assegurado o título de Rei do Twist, pois será difícil, seja onde for, na América ou na França, encontrar alguém que possa interpretar muito melhor este ritmo trepidante que caracteriza bem o dinamismo do nosso século.” no blog Ié-Ié.
E ainda (referência ao "Diário Popular"):
“Esta onda (twist) que há três anos anda na Europa e está já a desaparecer, chegou agora a Portugal (...) Filas inteiras dançavam e a certa altura o pessoal do teatro teve de ameaçar alguns mais entusiastas de que os mandava pôr na rua se prosseguissem na exibição.
A juventude portuguesa, porém, está longe de se entregar aos divertimentos como o fazem os franceses, os italianos ou mesmo os londrinos, que esquecem tudo e têm causado prejuízos sérios em salas e teatros dos seus países. Os "blusons noirs" portugueses não assustam e limitam-se a dançar e a aclamar com palmas e gritos a vitória dos seus ídolos.
No final do espectáculo, a Polícia teve de novo que intervir para evitar que a juventude fosse para o palco dançar. Mas mesmo assim umas largas dezenas de rapazes e raparigas "twistaram" entre clamores e aplausos, sendo imitados nos corredores e nas coxias por "furiosos" que não se contiveram perante os apelos dos acordes lançados no ar pelas guitarras eléctricas e pela voz estentórica de Victor Gomes e os seus Gatos Negros, os reis do twist de 1963.”
Em 1964 entra no filme “A Canção da Saudade” (faz o papel do Tony, o rocker) com a actriz espanhola Soledad Miranda (para os mais curiosos: filha de portugueses, falecida em 1970 em acidente de viação na estrada do Estoril). É bom recordar algumas cenas do filme.
Do único EP gravado por Victor Gomes, em 1967, agora com Os Siderais não com Os Gatos Pretos, “Juntos Outra Vez” a canção com o mesmo nome.
Vítor Gomes - Juntos Outra Vez
Em 1963 realizou-se um concurso, no Teatro Monumental, em Lisboa, organizado pelo Vasco Morgado que se chamou “O Rei do Twist”. O vencedor foi Victor Gomes e Os Gatos Negros. Estamos na presença de mais um dos avôs do Rock português.
"Victor Gomes, logo que terminou a sua actuação, tinha assegurado o título de Rei do Twist, pois será difícil, seja onde for, na América ou na França, encontrar alguém que possa interpretar muito melhor este ritmo trepidante que caracteriza bem o dinamismo do nosso século.” no blog Ié-Ié.
E ainda (referência ao "Diário Popular"):
“Esta onda (twist) que há três anos anda na Europa e está já a desaparecer, chegou agora a Portugal (...) Filas inteiras dançavam e a certa altura o pessoal do teatro teve de ameaçar alguns mais entusiastas de que os mandava pôr na rua se prosseguissem na exibição.
A juventude portuguesa, porém, está longe de se entregar aos divertimentos como o fazem os franceses, os italianos ou mesmo os londrinos, que esquecem tudo e têm causado prejuízos sérios em salas e teatros dos seus países. Os "blusons noirs" portugueses não assustam e limitam-se a dançar e a aclamar com palmas e gritos a vitória dos seus ídolos.
No final do espectáculo, a Polícia teve de novo que intervir para evitar que a juventude fosse para o palco dançar. Mas mesmo assim umas largas dezenas de rapazes e raparigas "twistaram" entre clamores e aplausos, sendo imitados nos corredores e nas coxias por "furiosos" que não se contiveram perante os apelos dos acordes lançados no ar pelas guitarras eléctricas e pela voz estentórica de Victor Gomes e os seus Gatos Negros, os reis do twist de 1963.”
Em 1964 entra no filme “A Canção da Saudade” (faz o papel do Tony, o rocker) com a actriz espanhola Soledad Miranda (para os mais curiosos: filha de portugueses, falecida em 1970 em acidente de viação na estrada do Estoril). É bom recordar algumas cenas do filme.
Do único EP gravado por Victor Gomes, em 1967, agora com Os Siderais não com Os Gatos Pretos, “Juntos Outra Vez” a canção com o mesmo nome.
Vítor Gomes - Juntos Outra Vez
The Who – Summertime Blues

Remonta a 1969 o ano em que comecei a comprar discos, ou melhor, quando meu pai começou me a comprá-los.
Eu, com a minha lista de discos, mais o meu pai, lá íamos os dois ao Porto, onde passávamos o dia, de discoteca em discoteca, em busca e audição (no tempo em que se ouvia os discos ,em cabines insonorizadas, antes de os comprar) dos discos que conseguíamos encontrar. Nessa época as gravações em 45 rpm já estavam em declínio em favor dos LP (Long Play) de 33 rpm, razão pela qual foram poucos os discos Single ou EP-Extended Play de 45 rpm que então comprei. Entre eles está o Single dos The Who “Summertime Blues”, edição portuguesa da Philips, decorria o ano de 1970, que segundo o site http://www.7inchrecords.com vale 110€.
Descobrimos os The Who através da Ópera Rock “Tommy”, duplo álbum de 1969, disco que nos tinha sido, emprestado por um primo afastado que vivia (e vive) em Nova Iorque. Não encontrando essa obra maior que foi (é) “Tommy”, nem o álbum “Live at Leeds” (ambos adquiridos mais tarde) donde tinha sido extraído “Summertime Blues”, comprou-me então o meu pai este Single cuja capa aqui reproduzo.
Eddie Cochran – Summertime Blues
Eddie Cochran
(1938-1960), tinha 21 anos quando faleceu de acidente de automóvel, em Londres,
a 17 de Abril de 1960, no final da turné britânica. Está na lista dos
pioneiros do Rock’n’Roll (mais concretamente do Rockabilly – género de fusão
com o Country), a par de Elvis Presley, Carl Perkins, Bill Halley, Buddy Holly,
Gene Vincent, etc..
Deixou influências dos The Rolling Stones aos The Sex Pistols que interpretaram versões de originais de Eddie Cochran; entre as canções que compôs, uma das que melhor perdurou no tempo foi “Summertime Blues”, da qual destacamos a versão dos britânicos The Who no álbum “Live at Leeds” de 1970.
(Curiosidades:
- “Three Steps to Heaven” editado em Março de 1960 foi nº 1 no Reino Unido após a sua morte.
- Nos primeiros a chegar à cena do acidente de automóvel estava o polícia Dave Dee, mais tarde principal vocalista do grupo pop/rock britânico Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich, no acidente seguiam, para além do taxista, Sharon Sheeley, cantora e namorada de Eddie Cochran e Gene Vincent outro pioneiro do Rock’n’Roll.)
Já com diversos Singles gravados, em 1958 é editado “Summertime Blues” que agora recordamos.
Eddie Cochran – Summertime Blues
“…Eddie Cochran, que se impôs, a partir de
1957, como o melhor produto rock’n’roll de estúdio com Twenty Flight Rock.
Rival de Elvis Presley, de quem copiava o tom enfático nos tempos lentos,
assemelhava-se musical e tematicamente, nos ritmos rápidos, a Chuck Berry
(Summertime Blues, 1958; C’mon Everybody, Something Else, 1959). A estrutura da
sua música anunciava o rock’n’roll instrumental dos anos 60.”
assim é referido Eddie Cochran em “POPMUSIC-ROCK”
de Philippe Daufouy/Jean-Pierre Sarton
Deixou influências dos The Rolling Stones aos The Sex Pistols que interpretaram versões de originais de Eddie Cochran; entre as canções que compôs, uma das que melhor perdurou no tempo foi “Summertime Blues”, da qual destacamos a versão dos britânicos The Who no álbum “Live at Leeds” de 1970.
(Curiosidades:
- “Three Steps to Heaven” editado em Março de 1960 foi nº 1 no Reino Unido após a sua morte.
- Nos primeiros a chegar à cena do acidente de automóvel estava o polícia Dave Dee, mais tarde principal vocalista do grupo pop/rock britânico Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich, no acidente seguiam, para além do taxista, Sharon Sheeley, cantora e namorada de Eddie Cochran e Gene Vincent outro pioneiro do Rock’n’Roll.)
Já com diversos Singles gravados, em 1958 é editado “Summertime Blues” que agora recordamos.
Eddie Cochran – Summertime Blues
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Bo Diddley – Who do you love?
Até à década
de 50 do século passado os Blues e o Rhythm’n’Blues, eram interpretados e
consumidos quase exclusivamente pela população negra norte-americana. Estes
ritmos eram gravados por companhias discográficas negras e os discos (Race
Records) por eles consumidos. Embora, grande parte do população branca dos EUA
não aceitasse o Rhythm’n’Blues dançante e “endiabrado”, este ia progressivamente
ganhando admiradores. Pese a sua suavização de forma a agradar a vastas camadas
da população branca, o Rock’n’Roll veio permitir ao mundo branco o acesso aos
ritmos acelerados do Rhythm’n’Blues.
É, portanto,
no mundo musical negro que vamos encontrar os percursores do Rock’n’Roll, destacando-se,
entre outros, Louis Jordan, Fats Domino, Chuck Berry, Little Richard e BoDiddley.
Bo Diddley (1928-2008), guitarrista e cantor de Blues de Chicago foi, nos anos 50, um dos pioneiros do Rock’n’Roll tendo influenciado, consideravelmente, muitos futuros músicos de Rock.
Entre eles, estavam The Doors, com fortes raízes no Rhythm’n’Blues, que recuperaram “Who do you love?” de Bo Diddley. Aparece pela primeira vez em disco, no registo ao vivo “Absolutely Live” em 1970.
Iniciado nas gravações em 1955, no ano seguinte Bo Diddley grava o Single “Who do you love?”, uma das suas mais populares e duradouras canções e é a minha proposta de audição.
Bo Diddley – Who Do You Love?
Bo Diddley (1928-2008), guitarrista e cantor de Blues de Chicago foi, nos anos 50, um dos pioneiros do Rock’n’Roll tendo influenciado, consideravelmente, muitos futuros músicos de Rock.
Entre eles, estavam The Doors, com fortes raízes no Rhythm’n’Blues, que recuperaram “Who do you love?” de Bo Diddley. Aparece pela primeira vez em disco, no registo ao vivo “Absolutely Live” em 1970.
Iniciado nas gravações em 1955, no ano seguinte Bo Diddley grava o Single “Who do you love?”, uma das suas mais populares e duradouras canções e é a minha proposta de audição.
Bo Diddley – Who Do You Love?
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Joe Turner - Shake, Rattle & Roll
A separação da música negra e branca, relação
directa com a segregação racial existente nos EUA, sofreu na década de 50 forte
alteração. Foi o advento do Rock’n’Roll.
As mudanças na sociedade americana com o fim do maccarthismo, a progressiva penetração do Rhythm’n’Blues em sectores da juventude branca e a sempre atenta indústria discográfica ao promover versões de sucessos de Rhythm’n’Blues no mundo musical branco propiciaram o surgimento do Rock’n’Roll.
É certo que as versões feitas por músicos brancos de músicas originais negras fez-se com uma certa suavização desses sucessos do universo negro. Veja-se a adaptação de “Tutti Frutti” de Little Richard por Pat Bonne ou “Ain’t It a Shame” de Fats Domino pelo mesmo (é procurar no youtube e ver as diferenças), ou ainda, a escolha para hoje, a versão de Bill Haley de “Shake, Rattle & Roll”, original de Joe Turner, ambas do ano de 1954.
Bill Haley (1925-1981), o sucesso tardava, quando em 1952 resolve abraçar o Rock’n’Roll e formar o conjunto Bill Haley & His Comets. Mas só em 1954 conhece a popularidade ao fazer a versão “Shake, Rattle and Roll” que Joe Turner tinha gravado meses antes.
"Shake, Rattle and Roll” seria adulterada por Bill Halley, mais conforme aos bons costumes, tendo também Joe Turner posteriormente aderido à nova lírica.
Joe Turner (1911-1985), também conhecido por Big Joe Turner ou ainda The Boss of Blues, com particular êxito nos anos 50, o destaque maior vai para “Shake, Rattle and Roll” gravado em Fevereiro de 1954. E é com o original, letra incluída, que ficamos.
Joe Turner - Shake, Rattle & Roll
As mudanças na sociedade americana com o fim do maccarthismo, a progressiva penetração do Rhythm’n’Blues em sectores da juventude branca e a sempre atenta indústria discográfica ao promover versões de sucessos de Rhythm’n’Blues no mundo musical branco propiciaram o surgimento do Rock’n’Roll.
É certo que as versões feitas por músicos brancos de músicas originais negras fez-se com uma certa suavização desses sucessos do universo negro. Veja-se a adaptação de “Tutti Frutti” de Little Richard por Pat Bonne ou “Ain’t It a Shame” de Fats Domino pelo mesmo (é procurar no youtube e ver as diferenças), ou ainda, a escolha para hoje, a versão de Bill Haley de “Shake, Rattle & Roll”, original de Joe Turner, ambas do ano de 1954.
Bill Haley (1925-1981), o sucesso tardava, quando em 1952 resolve abraçar o Rock’n’Roll e formar o conjunto Bill Haley & His Comets. Mas só em 1954 conhece a popularidade ao fazer a versão “Shake, Rattle and Roll” que Joe Turner tinha gravado meses antes.
"Shake, Rattle and Roll” seria adulterada por Bill Halley, mais conforme aos bons costumes, tendo também Joe Turner posteriormente aderido à nova lírica.
Joe Turner
|
Bill Haley
|
Get outta
that bed
Wash your face and hands Well, you get in that kitchen Make some noise with the pots and pans
…
|
Get out from that kitchen
and rattle those pots and pans
Well, roll my breakfast 'cause I'm a hungry man
…
|
Way you wear those dresses
The sun comes shinin' through I can't believe my eyes All that mess belongs to you … |
Wearin' those dresses,
your hair done up so nice
You look so warm,
but your heart is cold as ice
…
|
I believe to the soul
You're the devil and now I know
…
|
I believe
you're doin'
me wrong and
now I know
…
|
Joe Turner (1911-1985), também conhecido por Big Joe Turner ou ainda The Boss of Blues, com particular êxito nos anos 50, o destaque maior vai para “Shake, Rattle and Roll” gravado em Fevereiro de 1954. E é com o original, letra incluída, que ficamos.
Joe Turner - Shake, Rattle & Roll
James Brown – Please, Please, Please
O Soul é uma forma de expressão musical negra nascida na década de 50 do
século XX com raízes no Gospel e Rhythm’n’Blues. Teve, no início, como
principais intérpretes Ray Charles, Aretha Franklin e James Brown.
James Brown (1933- 2006), é reconhecidamente uma das figuras mais influentes na música negra do século XX. Foi determinante na evolução do Gospel e Rhythm’n’Blues no Soul e no Funk (do qual foi o principal inovador- “o funk deve-lhe tudo e ele sabe-o” em “Os Grandes Criadores de Jazz” de Gérald Arnaud e Jacques Chesnel), incorporando outras sonoridades que vão do Rock ao Reggae, do Jazz ao Hip-Hop.
"A sua voz trémula e elástica, o seu falsete de fera ferida, fazem dele uma espécie de anti-Ray Charles, incarnando uma alma tão dilacerada como endurecida." em “Os Grandes Criadores de Jazz”.
Desde muito cedo, os seus espectáculos foram de uma entrega total, cheio de Soul, e movimentação constante a deixar o público em êxtase. Ora vejam James Brown, em 1964, a interpretar “Pleease, Please, Please”
James Brown (1933- 2006), é reconhecidamente uma das figuras mais influentes na música negra do século XX. Foi determinante na evolução do Gospel e Rhythm’n’Blues no Soul e no Funk (do qual foi o principal inovador- “o funk deve-lhe tudo e ele sabe-o” em “Os Grandes Criadores de Jazz” de Gérald Arnaud e Jacques Chesnel), incorporando outras sonoridades que vão do Rock ao Reggae, do Jazz ao Hip-Hop.
"A sua voz trémula e elástica, o seu falsete de fera ferida, fazem dele uma espécie de anti-Ray Charles, incarnando uma alma tão dilacerada como endurecida." em “Os Grandes Criadores de Jazz”.
Desde muito cedo, os seus espectáculos foram de uma entrega total, cheio de Soul, e movimentação constante a deixar o público em êxtase. Ora vejam James Brown, em 1964, a interpretar “Pleease, Please, Please”
Citado como o Padrinho do Soul, o Inventor do
Funk , o Avô do Hip-Hop, deixou-nos uma longa discografia e canções que
marcaram várias gerações: “I Feel Good”, “It's a Man's Man's Man's World”, Hot
Pants”, “Sex Machine”, “Living in America”, "Papa's Got A Brand New Bag” são algumas delas.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Patxi Andión – 20 Aniversario (Palabras)
Agora que Patxi Andión está de regresso ao nosso país é um bom motivo
para o recordar.
Depois de o termos conhecido através do programa de televisão Zip-Zip em 1969, Patxi Andión realizou o primeiro concerto em Portugal a 24 de Março de 1974, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a um mês da revolução.
Depois do 25 de Abril, em pleno processo revolucionário, foram vários os músicos espanhóis a terem cá particular sucesso, Patxi Andión, foi um deles. Recordo-me de ter o prazer de o ouvir numa das festas “revolucionárias” no, já não existente, Pavilhão Dramático de Cascais, algures na década de 70. Provavelmente ouvi “El Maestro” do álbum "A Donde El Agua”, de 1973; bonito, no meio da revolução, ouvir uma música como esta.
“Nos pasaran la cuenta”, “El Maestro”, “Canción para un niño en la calle”, “Manuela” são algumas das suas grandes canções e que devem ser revisitadas numa primeira oportunidade.
Agora vamos ao 2º álbum de Patxi Andión, “(11 Canciones Entre Parentesis)”, estávamos em 1971 e ouçamos “20 Aniversario (Palabras)”, faz parte da lista “já não se fazem canções assim”.
20 años de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti, flores, perfumes.
Para mí.......! Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas
porque, porque no me habrían salido.
Ya sabes cosas de viejos!
Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
abonar nuestro destino,
tú bajabas la persiana,
yo, yo apuraba mi último vino.
Hoy, en esta noche fría,
casi como ignorando el sabor
de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los niños.
Y... y ya ves, sólo palabras
sobre notas me han salido,
que al igual que tú y que yo,
ni se importan, ni se estorban,
se soportan amistosas,
mas, mas no son.....no son una canción.
Que helada que está esta casa!
Será que está cerca el río!
O es que entramos en invierno
y están llegando......están llegando
los fríos!
Patxi Andión - 20 Aniversario (Palabras)
Depois de o termos conhecido através do programa de televisão Zip-Zip em 1969, Patxi Andión realizou o primeiro concerto em Portugal a 24 de Março de 1974, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a um mês da revolução.
Depois do 25 de Abril, em pleno processo revolucionário, foram vários os músicos espanhóis a terem cá particular sucesso, Patxi Andión, foi um deles. Recordo-me de ter o prazer de o ouvir numa das festas “revolucionárias” no, já não existente, Pavilhão Dramático de Cascais, algures na década de 70. Provavelmente ouvi “El Maestro” do álbum "A Donde El Agua”, de 1973; bonito, no meio da revolução, ouvir uma música como esta.
“Nos pasaran la cuenta”, “El Maestro”, “Canción para un niño en la calle”, “Manuela” são algumas das suas grandes canções e que devem ser revisitadas numa primeira oportunidade.
Agora vamos ao 2º álbum de Patxi Andión, “(11 Canciones Entre Parentesis)”, estávamos em 1971 e ouçamos “20 Aniversario (Palabras)”, faz parte da lista “já não se fazem canções assim”.
20 años de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti, flores, perfumes.
Para mí.......! Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas
porque, porque no me habrían salido.
Ya sabes cosas de viejos!
Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
abonar nuestro destino,
tú bajabas la persiana,
yo, yo apuraba mi último vino.
Hoy, en esta noche fría,
casi como ignorando el sabor
de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los niños.
Y... y ya ves, sólo palabras
sobre notas me han salido,
que al igual que tú y que yo,
ni se importan, ni se estorban,
se soportan amistosas,
mas, mas no son.....no son una canción.
Que helada que está esta casa!
Será que está cerca el río!
O es que entramos en invierno
y están llegando......están llegando
los fríos!
Patxi Andión - 20 Aniversario (Palabras)
domingo, 2 de novembro de 2014
Sérgio Godinho - Liberdade
Hoje, inicia-se uma nova página de nome “Memorabilia”. Este
espaço será preenchido como o nome indica por “coisas que servem para serem
lembradas”, ou seja, será uma recolha de memórias que podem ir de bilhetes de
concertos a recortes de jornais, capas de discos, etc. Tudo o que se guarda ao longo
dos tempos, objectos ou simplesmente memórias, e nos remete para momentos passados de
significado particular.
Para começar, a memória mais recente, o bilhete do concerto
de ontem de Sérgio Godinho no Rivoli, no Porto. Liberdade, nome de uma canção, agora de um álbum também,
de um concerto, de uma comemoração: 40 anos de Liberdade.
Viemos com o peso do
passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
sábado, 1 de novembro de 2014
Sérgio Godinho – Assim Como Um Postal Para O Canadá
Hoje à noite é dia de concerto de Sérgio Godinho no Rivoli, amanhã repete às 17H. A não perder!
Entretanto recuamos 40 anos e recordamos o Sérgio Godinho de então.
Um dos discos de maior sucesso de Sérgio Godinho foi “À Queima Roupa” editado no ano de 1974. Depois dos inovadores “Sobreviventes” e “Pré-Histórias”, encontra-se já Sérgio Godinho no Canadá, onde casou, entretanto, com a Shila, quando começa a gravar “À Queima Roupa”. “À Queima Roupa” só seria concluído em Lisboa, já depois do 25 de Abril, claro, e é com este álbum que vai granjear uma enorme popularidade. Para esse sucesso contribuíram temas como “Liberdade”, “Ponto nos iis” e “Independência”, a alinharem com o contexto político que então se vivia.
Pese o circunstancialismo em que “À Queima Roupa” foi gravado, com a utilização de uma linguagem maioritariamente simples e directa, não há propriamente uma concessão ao facilitismo, nem ao comercialismo (no mau sentido) de que Sérgio Godinho esteve sempre distante.
Outros temas menos imediatos são dignos de nota, “Tem Ratos”, “A minha Cachopa”, Coração e Raça” e ainda “Assim Como Um Postal Para O Canadá”.
“À Queima Roupa” insere-se numa unidade estética já muito própria, numa fusão letra/música muito peculiar que será uma constante na sua longa discografia e que se prolonga, felizmente, até aos nossos dias.
A escolha fica em “Assim Como Um Postal Para O Canadá”, talvez a faixa menos divulgada deste disco histórico de Sérgio Godinho:
Sérgio Godinho - Assim Como Um Postal Para O Canadá
Entretanto recuamos 40 anos e recordamos o Sérgio Godinho de então.
Um dos discos de maior sucesso de Sérgio Godinho foi “À Queima Roupa” editado no ano de 1974. Depois dos inovadores “Sobreviventes” e “Pré-Histórias”, encontra-se já Sérgio Godinho no Canadá, onde casou, entretanto, com a Shila, quando começa a gravar “À Queima Roupa”. “À Queima Roupa” só seria concluído em Lisboa, já depois do 25 de Abril, claro, e é com este álbum que vai granjear uma enorme popularidade. Para esse sucesso contribuíram temas como “Liberdade”, “Ponto nos iis” e “Independência”, a alinharem com o contexto político que então se vivia.
Pese o circunstancialismo em que “À Queima Roupa” foi gravado, com a utilização de uma linguagem maioritariamente simples e directa, não há propriamente uma concessão ao facilitismo, nem ao comercialismo (no mau sentido) de que Sérgio Godinho esteve sempre distante.
Outros temas menos imediatos são dignos de nota, “Tem Ratos”, “A minha Cachopa”, Coração e Raça” e ainda “Assim Como Um Postal Para O Canadá”.
“À Queima Roupa” insere-se numa unidade estética já muito própria, numa fusão letra/música muito peculiar que será uma constante na sua longa discografia e que se prolonga, felizmente, até aos nossos dias.
A escolha fica em “Assim Como Um Postal Para O Canadá”, talvez a faixa menos divulgada deste disco histórico de Sérgio Godinho:
Sérgio Godinho - Assim Como Um Postal Para O Canadá
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