As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
Muito do melhor que se fez na música popular anglo-americana teve passagem em primeira mão pelo programa "Em Órbita" que, mais uma vez, temos vindo a recordar. Desta, a pretexto do ano de 1969.
Não sei se os Jethro Tull fizeram parte daqueles que tiveram a primeira aparição na nossa rádio no programa "Em Órbita", mas uma coisa é certa, não era comum a sua audição noutros programas. E a sua música não era dada ao gosto fácil de uma grande parte da programação que então se verificava.
É portanto natural que as minhas primeiras audições dos Jethro Tull tenham sido feitas no "Em Órbita", lembro-me bem de ouvir, por exemplo "Boureé", no "Em Órbita". Talvez o mesmo tenha acontecido com "Living In The Past".
"Living In The Past" é uma canção dos Jethro Tull editada em Single em 1969, que não constou em nenhum álbum de originais, a qual teve do "Em Órbita" a devida atenção e que no final do ano a considera a 6ª melhor do ano.
Somente em 1972, na compilação com o mesmo nome, é que encontramos "Living In The Past" editada em LP. Em 1972, face ao sucesso que entretanto os Jethro Tull alcançaram, "Living In The Past" ganha nova vida tornando-se um tema de referência do grupo.
Jethro Tull - Living In The Past
Para uns recordações, para outros descobertas. São notas passadas, musicais e não só...
quinta-feira, 16 de junho de 2016
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Procol Harum - A Salty Dog
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
"Não chega. Não basta ter uma boa ideia. Não basta ser um bom rapaz. Não chegam os Quakers, nem os Adventistas do Sétimo Dia. Rubricas como «Que Quer Ouvir», «Quando o Telefone Toca», «Cartas a Ninguém», «Uma Vedeta na Noite», «Grande Feira do Disco», «Vozes que São Êxito», etc., são o papel químico umas das outras, repetindo a mesma mediocridade, a mesma inutilidade e idêntica sensaboria. Nada as destaca, nada as distingue, constituem, apenas, uma forma de preencher tempo, a mesma colecta de publicidade.
Se «Radiorama», «Em órbita», «Página Um», «Impacto» e toda a programação da 2.a estação da E. N. se distinguem e merecem os argumentos de uma crítica honesta e justa, todas aquelas e muitas outras rubricas podem ficar sob a tutela do mais completo esquecimento. São ridículas de mais para que possam constituir motivo de qualquer julgamento. No entanto, como a atracção exercida por tudo quanto é mau, se torna dia a dia mais perniciosa, seria interessante um estudo sobre os propósitos reais de tais rubricas, sobre a sua desmesurada inconsciência ou as suas intenções pouco claras. Seria curioso saber como e porquê tais rubricas são possíveis e porque motivo resistem e fecundem tão prodigamente. Seria óptimo saber quais as intenções que movem os responsáveis de tais rubricas, e indagar porque as defendem eles com unhas e dentes. Talvez fosse este o modo de se chegar a outras e proveitosas conclusões, sobretudo, às de carácter cultural, social e pedagógico. Sim, porque não acreditamos não ser deliberada a prioridade radiofónica dada a tais absurdos, assim como não acreditamos que outros não vejam e reconheçam a inutilidade de tais emissões. Um propósito existe. Qual?" na rubrica RÁDIO da revista "Vida Mundial" nº 1575 de 15-08-1969.
Mais um texto a dar-nos uma ideia do estado em que se encontrava a rádio portuguesa no ano de 1969.
Felizmente tínhamos o "Em Órbita" a fazer a diferença, toda a diferença. Aqui conseguíamos ouvir o que dificilmente se poderia ouvir noutros programas.
Recordo-me bem de ouvir uma das canções que me marcou para sempre e que o "Em Órbita" vai considerar a 7ª melhor do ano, era "Salty Dog" dos bem queridos Procol Harum.
"A Salty Dog" é o melhor que os Procol Harum produziram e uma das minhas preferidas de sempre. "A Salty Dog" é a composição perfeita, superiormente interpretada por Gary Brooker com arranjos de orquestra grandiosos e está entre o melhor que conhecemos da música popular.
Contra a mediocridade, a inutilidade a sensaboria da generalidade do que então nos era dado ouvir, segue "A Salty Dog", para recordar sempre!
Procol Harum - A Salty Dog
"Não chega. Não basta ter uma boa ideia. Não basta ser um bom rapaz. Não chegam os Quakers, nem os Adventistas do Sétimo Dia. Rubricas como «Que Quer Ouvir», «Quando o Telefone Toca», «Cartas a Ninguém», «Uma Vedeta na Noite», «Grande Feira do Disco», «Vozes que São Êxito», etc., são o papel químico umas das outras, repetindo a mesma mediocridade, a mesma inutilidade e idêntica sensaboria. Nada as destaca, nada as distingue, constituem, apenas, uma forma de preencher tempo, a mesma colecta de publicidade.
Se «Radiorama», «Em órbita», «Página Um», «Impacto» e toda a programação da 2.a estação da E. N. se distinguem e merecem os argumentos de uma crítica honesta e justa, todas aquelas e muitas outras rubricas podem ficar sob a tutela do mais completo esquecimento. São ridículas de mais para que possam constituir motivo de qualquer julgamento. No entanto, como a atracção exercida por tudo quanto é mau, se torna dia a dia mais perniciosa, seria interessante um estudo sobre os propósitos reais de tais rubricas, sobre a sua desmesurada inconsciência ou as suas intenções pouco claras. Seria curioso saber como e porquê tais rubricas são possíveis e porque motivo resistem e fecundem tão prodigamente. Seria óptimo saber quais as intenções que movem os responsáveis de tais rubricas, e indagar porque as defendem eles com unhas e dentes. Talvez fosse este o modo de se chegar a outras e proveitosas conclusões, sobretudo, às de carácter cultural, social e pedagógico. Sim, porque não acreditamos não ser deliberada a prioridade radiofónica dada a tais absurdos, assim como não acreditamos que outros não vejam e reconheçam a inutilidade de tais emissões. Um propósito existe. Qual?" na rubrica RÁDIO da revista "Vida Mundial" nº 1575 de 15-08-1969.
Mais um texto a dar-nos uma ideia do estado em que se encontrava a rádio portuguesa no ano de 1969.
Felizmente tínhamos o "Em Órbita" a fazer a diferença, toda a diferença. Aqui conseguíamos ouvir o que dificilmente se poderia ouvir noutros programas.
Recordo-me bem de ouvir uma das canções que me marcou para sempre e que o "Em Órbita" vai considerar a 7ª melhor do ano, era "Salty Dog" dos bem queridos Procol Harum.
"A Salty Dog" é o melhor que os Procol Harum produziram e uma das minhas preferidas de sempre. "A Salty Dog" é a composição perfeita, superiormente interpretada por Gary Brooker com arranjos de orquestra grandiosos e está entre o melhor que conhecemos da música popular.
Contra a mediocridade, a inutilidade a sensaboria da generalidade do que então nos era dado ouvir, segue "A Salty Dog", para recordar sempre!
Procol Harum - A Salty Dog
terça-feira, 14 de junho de 2016
Led Zeppelin - Whole Lotta Love
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
Uma rádio diferente, era o "Em Órbita"!
Para quem não viveu os anos 60 não é fácil de imaginar o que era a programação de rádio naquela época e a importância que programas como o "Em Órbita" tiveram na alteração do panorama da difusão musical então ocorrido.
Em depoimento a Luís Pinheiro de Almeida, para o jornal "Blitz" nº 22 de 2 de Abril de 1985, Jorge Gil, um dos autores do programa, afirmava:
"Era uma época em que se desconhecia, por completo, o que estava acontecendo em matéria de música popular em países como a Inglaterra e os Estados Unidos, e em que prevalecia a divulgação de subprodutos saídos das editoras espanholas, italianas e francesas, reveladoras do mais completo conformismo face ao gosto dominante do grande público.
O contacto com a música anglo-americana foi, nesses anos, uma espécie da catapulta não apenas para a formação de um novo tipo de «gosto» e de «prazer» , mas também por via das interrogações que ela suscitava, veio provocar uma tomada de consciência face aos problemas do nosso país, designadamente os enfrentados pelos jovens como a guerra colonial".
Anualmente, o "Em Órbita" procedia à elaboração das listas das melhores canções e álbuns, referente ao ano de 1969, nas melhores canções vamos encontrar em 8º lugar aquela que tornou os Led Zeppelin num dos grupos mais populares e queridos da juventude de então, "Whole Lotta Love".
"Whole Lotta Love", mais tarde, foi identificada como tendo origem na canção "You Need Love" de Willie Dixon na interpretação de Muddy Waters de 1962, mas mais evidente na versão, de 1966, da mesma canção, pelos Small Faces.
"Whole Lotta Love" é bem representativo da qualidade e simultaneamente do êxito comercial que a música Pop-Rock então alcançava. O 8º lugar das melhores canções do ano de 1969 era ocupado por "Whole Lotta a Love".
Led Zeppelin - Whole Lotta Love
Uma rádio diferente, era o "Em Órbita"!
Para quem não viveu os anos 60 não é fácil de imaginar o que era a programação de rádio naquela época e a importância que programas como o "Em Órbita" tiveram na alteração do panorama da difusão musical então ocorrido.
Em depoimento a Luís Pinheiro de Almeida, para o jornal "Blitz" nº 22 de 2 de Abril de 1985, Jorge Gil, um dos autores do programa, afirmava:
"Era uma época em que se desconhecia, por completo, o que estava acontecendo em matéria de música popular em países como a Inglaterra e os Estados Unidos, e em que prevalecia a divulgação de subprodutos saídos das editoras espanholas, italianas e francesas, reveladoras do mais completo conformismo face ao gosto dominante do grande público.
O contacto com a música anglo-americana foi, nesses anos, uma espécie da catapulta não apenas para a formação de um novo tipo de «gosto» e de «prazer» , mas também por via das interrogações que ela suscitava, veio provocar uma tomada de consciência face aos problemas do nosso país, designadamente os enfrentados pelos jovens como a guerra colonial".
Anualmente, o "Em Órbita" procedia à elaboração das listas das melhores canções e álbuns, referente ao ano de 1969, nas melhores canções vamos encontrar em 8º lugar aquela que tornou os Led Zeppelin num dos grupos mais populares e queridos da juventude de então, "Whole Lotta Love".
"Whole Lotta Love", mais tarde, foi identificada como tendo origem na canção "You Need Love" de Willie Dixon na interpretação de Muddy Waters de 1962, mas mais evidente na versão, de 1966, da mesma canção, pelos Small Faces.
"Whole Lotta Love" é bem representativo da qualidade e simultaneamente do êxito comercial que a música Pop-Rock então alcançava. O 8º lugar das melhores canções do ano de 1969 era ocupado por "Whole Lotta a Love".
Led Zeppelin - Whole Lotta Love
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Janis Joplin- Kozmic Blues
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
O ano de 1969 foi mais um grande ano na música popular anglo-americana, a testemunhá-lo as listas de melhores canções e melhores álbuns do ano, elaboradas pelo programa "Em Órbita". Um programa de audição obrigatória. É verdade que alguns outros programas, como o "Página um" surgido na Rádio Renascença no ano anterior ou até mesmo a "23ª hora"com os seus "Cinco minutos de Jazz" do José Duarte, vieram alargar o leque de opções, no caso do "Página um" havia mesmo sobreposição de horário o que dificultava a escolha, mas nenhum se lhe comparava em sobriedade, inovação e muito bom gosto.
Então, se queríamos a nata do que melhor se fazia lá fora era mesmo o "Em Órbita" que tínhamos que sintonizar.
Continuamos a recordar a lista das melhores canções do ano de 1969 elaborada pelo "Em Órbita".
No 9º lugar aparece "Kozmic Blues" de Janis Joplin.
Após a saída dos Big Brother and the Holding Company, Janis Joplin (1943-1970) forma a Kozmic Blues Band que a suporta no primeiro e único álbum sob nome próprio editado ainda em vida.
Deste "Espectáculo incomparável" como o "Em Órbita" vai classificar o álbum, a canção "Kozmic Blues" ocupa a 9ª posição entre as melhores de 1969.
Janis Joplin- Kozmic Blues
O ano de 1969 foi mais um grande ano na música popular anglo-americana, a testemunhá-lo as listas de melhores canções e melhores álbuns do ano, elaboradas pelo programa "Em Órbita". Um programa de audição obrigatória. É verdade que alguns outros programas, como o "Página um" surgido na Rádio Renascença no ano anterior ou até mesmo a "23ª hora"com os seus "Cinco minutos de Jazz" do José Duarte, vieram alargar o leque de opções, no caso do "Página um" havia mesmo sobreposição de horário o que dificultava a escolha, mas nenhum se lhe comparava em sobriedade, inovação e muito bom gosto.
Então, se queríamos a nata do que melhor se fazia lá fora era mesmo o "Em Órbita" que tínhamos que sintonizar.
Continuamos a recordar a lista das melhores canções do ano de 1969 elaborada pelo "Em Órbita".
No 9º lugar aparece "Kozmic Blues" de Janis Joplin.
Após a saída dos Big Brother and the Holding Company, Janis Joplin (1943-1970) forma a Kozmic Blues Band que a suporta no primeiro e único álbum sob nome próprio editado ainda em vida.
Deste "Espectáculo incomparável" como o "Em Órbita" vai classificar o álbum, a canção "Kozmic Blues" ocupa a 9ª posição entre as melhores de 1969.
Janis Joplin- Kozmic Blues
domingo, 12 de junho de 2016
Primavera Sound (PJ Harvey - The Ministry Of Defence)
Primavera Sound 2016
Terminado o Primavera Sound 2016, tempo ainda para voltar ao 2º dia, o dia de Brian Wilson, PJ Harvey mas também das competentes Savages ("Em palco as Savages são das melhores formações Rock da actualidade", afirmava hoje o jornal Público).
Se de Brian Wilson nos ficou a nostalgia e a satisfação de ter presenciado o génio de um dos autores mais importantes da segunda metade do século XX, de PJ Harvey ficou a descoberta da poderosa, estranha e bela música que ela interpreta. Ainda segundo a edição de hoje de o Público referindo-se à transformação em palco após a actuação de Brian Wilson:
"Não era apenas o negro noite. Era também o negro vestido pelos músicos e pela cantora. Era a contraluz que envolvia aquelas pessoas em palco numa penumbra misteriosa. Era a música de PJ Harvey, a que a cantora inglesa gravou em The Hope Six Demolition Project, majestosa e actuante, e que no Primavera Sound se mostrou sombria como gospel demoníaco, como blues assombrado, como jazz fantasmagórico."
Centrado no recém editado "The Hope Six Demolition Project" estivemos na presença de uma música fascinante e inovadora. Para (re)descobrir esta cantora, compositora, multi-instrumentista, já no seu nono álbum de originais.
Uma palavra para a excelente organização do Primavera Sound. Tudo a funcionar como deve ser, apesar da lotação esgotada neste dia. Os concertos a começarem na hora exacta.
PJ Harvey - The Ministry Of Defence
Terminado o Primavera Sound 2016, tempo ainda para voltar ao 2º dia, o dia de Brian Wilson, PJ Harvey mas também das competentes Savages ("Em palco as Savages são das melhores formações Rock da actualidade", afirmava hoje o jornal Público).
Se de Brian Wilson nos ficou a nostalgia e a satisfação de ter presenciado o génio de um dos autores mais importantes da segunda metade do século XX, de PJ Harvey ficou a descoberta da poderosa, estranha e bela música que ela interpreta. Ainda segundo a edição de hoje de o Público referindo-se à transformação em palco após a actuação de Brian Wilson:
"Não era apenas o negro noite. Era também o negro vestido pelos músicos e pela cantora. Era a contraluz que envolvia aquelas pessoas em palco numa penumbra misteriosa. Era a música de PJ Harvey, a que a cantora inglesa gravou em The Hope Six Demolition Project, majestosa e actuante, e que no Primavera Sound se mostrou sombria como gospel demoníaco, como blues assombrado, como jazz fantasmagórico."
Centrado no recém editado "The Hope Six Demolition Project" estivemos na presença de uma música fascinante e inovadora. Para (re)descobrir esta cantora, compositora, multi-instrumentista, já no seu nono álbum de originais.
Uma palavra para a excelente organização do Primavera Sound. Tudo a funcionar como deve ser, apesar da lotação esgotada neste dia. Os concertos a começarem na hora exacta.
PJ Harvey - The Ministry Of Defence
Fairport Convention - Genesis Hall
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
Nunca é demais referir a importância que o programa de rádio "Em Órbita" teve, na segunda metade dos anos 60, na divulgação contracorrente da melhor música popular de origem anglo-americana. Na realidade, o panorama da programação radiofónica era fraca, muito fraca remetendo-se, geralmente, para a passagem da chamada música ligeira francesa, italiana e portuguesa.
Num pequeno texto na rubrica RÁDIO da revista "Vida Mundial" nº 1568 de 27/6/1969 podia-se ler a seguinte crítica:
"Teima-se no velho «slogan» de música portuguesa. Mas, afinal, que música portuguesa? Aquela escrita musical sem verdade, com frases «palmadas» aqui e ali, feita por mistificadores que confundem música com «fungagá»? Que música? As cantigas do Calvário, da Madalena, da Maria Pereira, da Simone, do Artur Garcia? A pornografia na voz de um certo Tony de Matos? Ou a tradicional romaria, de nuances folclóricas, nos gritinhos de vidros partidos de uma certa Tonicha?
Quando será desvendado o segredo do que se entende (ou entendem determinadas pessoas), por música portuguesa?
Porque não se dá acesso aos que cantam boa música, sem curarem de saber se é portuguesa? é que acontece muitas vezes esta coisa simples: trata-se, realmente, de verdadeira música de raiz portuguesa. E não é sádica, peganhosa, trágica, onírica, piegas.
Por vezes surge, não se sabe como (e convém a muitos que não surja) um grupo jovem. E fica-se desde logo com uma certeza, depois da sua primeira intervenção, é de longe melhor que os consagrados pelo disco, pela rádio, pela TV."
O "Em Órbita" era o oposto do criticado, era irreverente, inovador, intransigente na qualidade musical. Prova, as classificações elaboradas pelo programa que agora estamos a recordar.
O 10º lugar na lista das melhores canções de 1969 encontramos "Genesis Hall" dos então desconhecidos Fairport Convention.
Depois de um primeiro LP editado em 1968, os Fairport Convention marcam definitivamente o ano de 1969 com 3 álbuns únicos definidores do melhor Folk-Rock. Do álbum "Unhalfbricking", "Em Órbita" vai buscar "Genesis Hall". Um tema de Richard Thompson, com uma interpretação soberba de Sandy Denny e uma excelente execução dos Fairport Convention.
Fairport Convention - Genesis Hall
Nunca é demais referir a importância que o programa de rádio "Em Órbita" teve, na segunda metade dos anos 60, na divulgação contracorrente da melhor música popular de origem anglo-americana. Na realidade, o panorama da programação radiofónica era fraca, muito fraca remetendo-se, geralmente, para a passagem da chamada música ligeira francesa, italiana e portuguesa.
Num pequeno texto na rubrica RÁDIO da revista "Vida Mundial" nº 1568 de 27/6/1969 podia-se ler a seguinte crítica:
"Teima-se no velho «slogan» de música portuguesa. Mas, afinal, que música portuguesa? Aquela escrita musical sem verdade, com frases «palmadas» aqui e ali, feita por mistificadores que confundem música com «fungagá»? Que música? As cantigas do Calvário, da Madalena, da Maria Pereira, da Simone, do Artur Garcia? A pornografia na voz de um certo Tony de Matos? Ou a tradicional romaria, de nuances folclóricas, nos gritinhos de vidros partidos de uma certa Tonicha?
Quando será desvendado o segredo do que se entende (ou entendem determinadas pessoas), por música portuguesa?
Porque não se dá acesso aos que cantam boa música, sem curarem de saber se é portuguesa? é que acontece muitas vezes esta coisa simples: trata-se, realmente, de verdadeira música de raiz portuguesa. E não é sádica, peganhosa, trágica, onírica, piegas.
Por vezes surge, não se sabe como (e convém a muitos que não surja) um grupo jovem. E fica-se desde logo com uma certeza, depois da sua primeira intervenção, é de longe melhor que os consagrados pelo disco, pela rádio, pela TV."
O "Em Órbita" era o oposto do criticado, era irreverente, inovador, intransigente na qualidade musical. Prova, as classificações elaboradas pelo programa que agora estamos a recordar.
O 10º lugar na lista das melhores canções de 1969 encontramos "Genesis Hall" dos então desconhecidos Fairport Convention.
Depois de um primeiro LP editado em 1968, os Fairport Convention marcam definitivamente o ano de 1969 com 3 álbuns únicos definidores do melhor Folk-Rock. Do álbum "Unhalfbricking", "Em Órbita" vai buscar "Genesis Hall". Um tema de Richard Thompson, com uma interpretação soberba de Sandy Denny e uma excelente execução dos Fairport Convention.
Fairport Convention - Genesis Hall
sábado, 11 de junho de 2016
Brian Wilson no Primavera Sound 2016
Primavera Sound 2016
Para a memória futura da passagem de Brian Wilson pelo Primavera Sound 2016, algumas fotos.
Para a memória futura da passagem de Brian Wilson pelo Primavera Sound 2016, algumas fotos.
Primavera Sound (Brian Wilson - Wouldn't It Be Nice)
Primavera Sound 2016
Apesar de algumas críticas terem atenuado o meu arrependimento de, em 2015, não ter assistido à comemoração dos 30 anos de "Horses" pela Patti Smith, este ano decidi, atempadamente, que não ia faltar ao Primavera Sound 2016. Não queria correr o risco de, à posteriori, me arrepender pois o que estava em causa era, nada mais nada menos que o quase mítico Brian Wilson e a comemoração do 50º aniversário de "Pet Sounds". Claro que corria sempre o risco das sobreposições e interferências sonoras (que felizmente não ocorreram durante a actuação de Brian Wilson, mas fizeram-se sentir durante a excelente prestação de PJ Harvey), do desconforto de um espaço aberto, com meio mundo a falar ao telemóvel, a beber e a ligar a tudo (infelizmente confirmou-se) menos ao motivo único que deviam, a música e, neste caso, a Brian Wilson, a Al Jardine (os dois sobreviventes dos The Beach Boys) e a mais 10 magníficos músicos que reviveram "Pet Sounds".
Para mais "Pet Sounds" é um daqueles álbuns, de referência na história da música popular, que nos acompanha desde a adolescência e cujas melodias nos ficaram para sempre na cabeça. Não havia como faltar.
O concerto de Brian Wilson foi memorável porque irrepetível, dificilmente o voltaremos a ver.
Muito fragilizado fisicamente e dificuldades vocais notórias, começou com “California Girls”, “I Get Around”, “Surfer Girl”, "Don't Worry Baby", o álbum "Pet Sounds" na integra, ainda tempo para "Good Vibrations", "Barbara Ann", "Surfin' USA" e no fim "Fun Fun Fun".
Do álbum "Pet Sounds", a passagem por "God Only Knows".
Ficamos com o início de "Pet Sounds", "Wouldn’t It Be Nice". Foi bonito, foi muito bonito.
The Beach Boys - Wouldn't It Be Nice
Apesar de algumas críticas terem atenuado o meu arrependimento de, em 2015, não ter assistido à comemoração dos 30 anos de "Horses" pela Patti Smith, este ano decidi, atempadamente, que não ia faltar ao Primavera Sound 2016. Não queria correr o risco de, à posteriori, me arrepender pois o que estava em causa era, nada mais nada menos que o quase mítico Brian Wilson e a comemoração do 50º aniversário de "Pet Sounds". Claro que corria sempre o risco das sobreposições e interferências sonoras (que felizmente não ocorreram durante a actuação de Brian Wilson, mas fizeram-se sentir durante a excelente prestação de PJ Harvey), do desconforto de um espaço aberto, com meio mundo a falar ao telemóvel, a beber e a ligar a tudo (infelizmente confirmou-se) menos ao motivo único que deviam, a música e, neste caso, a Brian Wilson, a Al Jardine (os dois sobreviventes dos The Beach Boys) e a mais 10 magníficos músicos que reviveram "Pet Sounds".
Para mais "Pet Sounds" é um daqueles álbuns, de referência na história da música popular, que nos acompanha desde a adolescência e cujas melodias nos ficaram para sempre na cabeça. Não havia como faltar.
O concerto de Brian Wilson foi memorável porque irrepetível, dificilmente o voltaremos a ver.
Muito fragilizado fisicamente e dificuldades vocais notórias, começou com “California Girls”, “I Get Around”, “Surfer Girl”, "Don't Worry Baby", o álbum "Pet Sounds" na integra, ainda tempo para "Good Vibrations", "Barbara Ann", "Surfin' USA" e no fim "Fun Fun Fun".
Do álbum "Pet Sounds", a passagem por "God Only Knows".
Ficamos com o início de "Pet Sounds", "Wouldn’t It Be Nice". Foi bonito, foi muito bonito.
The Beach Boys - Wouldn't It Be Nice
Neil Young - The Loner
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
O período de 1 de Abril de 1965 e 31 de Maio de 1971, a primeira série do programa "Em Órbita", transformaram o programa numa lenda da melhor rádio então feita em Portugal. Quem queria estar a par do que melhor se fazia na música popular de expressão anglo-saxónica era sintonizar o Rádio Clube Português em FM (Frequência Modulada - na época pouco acessível pois nem todos os rádios tinham esta opção) e ouvir a selecção criteriosa e intransigente que o programa, que tinha em Paulo Gil o seu principal autor, fazia.
A novidade estava não só na qualidade musical, não indo ao encontro do gosto fácil da maioria do público, mas sim ao gosto e preferências dos seus autores, mas também na forma de apresentação do programa, longe da proximidade, intimidade que a maior parte dos locutores procurava ter junto das massas, antes sóbria e esclarecedora.
Lembro-me de alguma ansiedade na espera de saber quais os melhores discos que o "Em Órbita" elegia, iriam de encontro à nossa previsão? será Simon and Garfunkel ou Donovan na melhor canção? e o melhor LP será para os The Moody Blues ou Leonard Cohen?
No ano de 1969, continuando a recordação das melhores canções do ano escolhidas pelo "Em Órbita", vamos para a 11ª posição.
Pese as canções que já tinha escrito nos tempos dos Buffalo Springfield, Neil Young era, então, um ainda ilustre desconhecido e edita em 1969 o primeiro homónimo disco, "Neil Young".
Hoje, um clássico de Neil Young e do Folk-Rock, "The Loner", a canção saída desse LP é também o primeiro Single de Neil Young e vai ser a escolha para a 11ª melhor canção do ano.
Neil Young - The Loner
O período de 1 de Abril de 1965 e 31 de Maio de 1971, a primeira série do programa "Em Órbita", transformaram o programa numa lenda da melhor rádio então feita em Portugal. Quem queria estar a par do que melhor se fazia na música popular de expressão anglo-saxónica era sintonizar o Rádio Clube Português em FM (Frequência Modulada - na época pouco acessível pois nem todos os rádios tinham esta opção) e ouvir a selecção criteriosa e intransigente que o programa, que tinha em Paulo Gil o seu principal autor, fazia.
A novidade estava não só na qualidade musical, não indo ao encontro do gosto fácil da maioria do público, mas sim ao gosto e preferências dos seus autores, mas também na forma de apresentação do programa, longe da proximidade, intimidade que a maior parte dos locutores procurava ter junto das massas, antes sóbria e esclarecedora.
Lembro-me de alguma ansiedade na espera de saber quais os melhores discos que o "Em Órbita" elegia, iriam de encontro à nossa previsão? será Simon and Garfunkel ou Donovan na melhor canção? e o melhor LP será para os The Moody Blues ou Leonard Cohen?
No ano de 1969, continuando a recordação das melhores canções do ano escolhidas pelo "Em Órbita", vamos para a 11ª posição.
Pese as canções que já tinha escrito nos tempos dos Buffalo Springfield, Neil Young era, então, um ainda ilustre desconhecido e edita em 1969 o primeiro homónimo disco, "Neil Young".
Hoje, um clássico de Neil Young e do Folk-Rock, "The Loner", a canção saída desse LP é também o primeiro Single de Neil Young e vai ser a escolha para a 11ª melhor canção do ano.
Neil Young - The Loner
sexta-feira, 10 de junho de 2016
The Doors - Runnin' Blue
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
O programa "Em Órbita" procurava a divulgação do que mais genuíno e inovador se fazia na língua inglesa. Numa época em que não era fácil o acesso ao que de melhor se fazia na música popular anglo-americana, foi a audição de "Em Órbita" que me foi dado descobrir algumas das propostas mais interessantes que então vieram a contribuir para o meu gosto musical.
The Doors foram uma dessas descobertas, não que não passassem noutros programas, mas o privilegiar a divulgação dos LP em relação aos Singles, a par das considerações que eram feitas, tinha um aspecto formativo então inédito.
Era possível ouvir apreciações como: The Doors são "um caso raro de personalidade afirmada pela simplicidade e rudimentaridade de processos".
The Doors eram uma passagem regular no programa e mereceram a presença nas classificações do programa ao longo dos anos.
Em 1969 voltam a constar na lista das melhores canções do ano e a escolha não foi para a opção óbvia de "Touch Me" mas para "Runnin' Blue" ambas do mesmo LP, "Soft Parade".
Num álbum com maior peso do Blues que os que antecederam e a par de arranjos orquestrais até então inéditos no grupo, "Runnin' Blue" é a 4º aposta em Single e é a escolha do "Em Órbita" para a 12ª melhor canção do ano.
The Doors - Runnin' Blue
O programa "Em Órbita" procurava a divulgação do que mais genuíno e inovador se fazia na língua inglesa. Numa época em que não era fácil o acesso ao que de melhor se fazia na música popular anglo-americana, foi a audição de "Em Órbita" que me foi dado descobrir algumas das propostas mais interessantes que então vieram a contribuir para o meu gosto musical.
The Doors foram uma dessas descobertas, não que não passassem noutros programas, mas o privilegiar a divulgação dos LP em relação aos Singles, a par das considerações que eram feitas, tinha um aspecto formativo então inédito.
Era possível ouvir apreciações como: The Doors são "um caso raro de personalidade afirmada pela simplicidade e rudimentaridade de processos".
The Doors eram uma passagem regular no programa e mereceram a presença nas classificações do programa ao longo dos anos.
Em 1969 voltam a constar na lista das melhores canções do ano e a escolha não foi para a opção óbvia de "Touch Me" mas para "Runnin' Blue" ambas do mesmo LP, "Soft Parade".
Num álbum com maior peso do Blues que os que antecederam e a par de arranjos orquestrais até então inéditos no grupo, "Runnin' Blue" é a 4º aposta em Single e é a escolha do "Em Órbita" para a 12ª melhor canção do ano.
The Doors - Runnin' Blue
quinta-feira, 9 de junho de 2016
The Beatles - Something
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
O melhor programa de divulgação musical que se fez na rádio portuguesa dava pelo nome de "Em Órbita" e ouvia-se no Rádio Clube Português entre as 19h e as 21H e novamente das 00h às 01h.
Às 19h30m tínhamos o conflito com o programa "Página Um" na Rádio Renascença, ora se ouvia um ora o outro conforme a selecção musical.
O "Em Órbita" mais criterioso, o "Página Um" mais popular.
Momentos para agora recordar com a recuperação das listas elaboradas anualmente pelo "Em Órbita" onde se escolhiam os melhores, o pior e a revelação do ano.
Vamos para a 13ª melhor canção de 1969, e a escolha recai sobre The Beatles e a canção "Something".
"Something" é uma composição de George Harrison a ganhar então e, finalmente, algum espaço na hegemonia Lennon/McCartney que estes sempre tiveram na discografia dos The Beatles.
Teve como inspiração "Something In The Way She Moves" que James Taylor gravou em 1968 e que já tivemos oportunidade de recordar.
"Something" saiu em Single conjuntamente com "Come Together" e foi o primeiro nº 1 dos The Beatles que não teve a assinatura da dupla Lennon/McCartney.
Para o "Em Órbita" estava entre as melhores do ano, era a 13ª escolha.
The Beatles - Something
O melhor programa de divulgação musical que se fez na rádio portuguesa dava pelo nome de "Em Órbita" e ouvia-se no Rádio Clube Português entre as 19h e as 21H e novamente das 00h às 01h.
Às 19h30m tínhamos o conflito com o programa "Página Um" na Rádio Renascença, ora se ouvia um ora o outro conforme a selecção musical.
O "Em Órbita" mais criterioso, o "Página Um" mais popular.
Momentos para agora recordar com a recuperação das listas elaboradas anualmente pelo "Em Órbita" onde se escolhiam os melhores, o pior e a revelação do ano.
Vamos para a 13ª melhor canção de 1969, e a escolha recai sobre The Beatles e a canção "Something".
"Something" é uma composição de George Harrison a ganhar então e, finalmente, algum espaço na hegemonia Lennon/McCartney que estes sempre tiveram na discografia dos The Beatles.
Teve como inspiração "Something In The Way She Moves" que James Taylor gravou em 1968 e que já tivemos oportunidade de recordar.
"Something" saiu em Single conjuntamente com "Come Together" e foi o primeiro nº 1 dos The Beatles que não teve a assinatura da dupla Lennon/McCartney.
Para o "Em Órbita" estava entre as melhores do ano, era a 13ª escolha.
The Beatles - Something
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Creedence Clearwater Revival - Proud Mary
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
Numa época em que o que de melhor se fazia na área da música popular de expressão anglo-saxónica era praticamente desconhecida em Portugal, um programa de rádio veio alterar esta realidade, foi o programa "Em Órbita" que teve o seu início a 1 de Abril de 1965.
Era então muito novo, com regularidade comecei a ouvir o "Em Órbita" no final da década, talvez por indicação de algum colega mais velho que ouvisse o programa ou a chamada de atenção de algum artigo da imprensa escrita como o seguinte pequeno texto da revista "Vida Mundial" nº 1561 de 9/5/1969 da rubrica Rádio:
"«Em Órbita» (R. C. P.) — Programa estruturado, que desde o primeiro instante abdicou de qualquer espécie de improvisação, traçando, através de um estilo até aí desconhecido na nossa rádio e depois muito imitado, um vasto panorama da moderna música anglo-saxã. Programa que no seu dinamismo e na sua densidade definiu e esclareceu o próprio movimento da canção actual, sobretudo da música que procura apreender as contradições do nosso tempo e a imagem real dos jovens.
Classificação:***
Pouco ou sem interesse: * Com interesse: ** Com muito interesse: ***"
E continuando na recordação das melhores canções do anos, seguimos com a classificada em 14º lugar, nada mais nada menos que o grande êxito que foi "Proud Mary" e fazia parte do segundo álbum "Bayou Country" do grupo americano de Rock Creedence Clearwater Revival.
Num ano de elevada produção dos CCR, nada mais que 3 LP: "Bayou Country", Green River" e "Willy and the Poor Boys" é a canção "Proud Mary" que o "Em Órbita" iria destacar e classificar na 14º posição.
Creedence Clearwater Revival - Proud Mary
Numa época em que o que de melhor se fazia na área da música popular de expressão anglo-saxónica era praticamente desconhecida em Portugal, um programa de rádio veio alterar esta realidade, foi o programa "Em Órbita" que teve o seu início a 1 de Abril de 1965.
Era então muito novo, com regularidade comecei a ouvir o "Em Órbita" no final da década, talvez por indicação de algum colega mais velho que ouvisse o programa ou a chamada de atenção de algum artigo da imprensa escrita como o seguinte pequeno texto da revista "Vida Mundial" nº 1561 de 9/5/1969 da rubrica Rádio:
"«Em Órbita» (R. C. P.) — Programa estruturado, que desde o primeiro instante abdicou de qualquer espécie de improvisação, traçando, através de um estilo até aí desconhecido na nossa rádio e depois muito imitado, um vasto panorama da moderna música anglo-saxã. Programa que no seu dinamismo e na sua densidade definiu e esclareceu o próprio movimento da canção actual, sobretudo da música que procura apreender as contradições do nosso tempo e a imagem real dos jovens.
Classificação:***
Pouco ou sem interesse: * Com interesse: ** Com muito interesse: ***"
E continuando na recordação das melhores canções do anos, seguimos com a classificada em 14º lugar, nada mais nada menos que o grande êxito que foi "Proud Mary" e fazia parte do segundo álbum "Bayou Country" do grupo americano de Rock Creedence Clearwater Revival.
Num ano de elevada produção dos CCR, nada mais que 3 LP: "Bayou Country", Green River" e "Willy and the Poor Boys" é a canção "Proud Mary" que o "Em Órbita" iria destacar e classificar na 14º posição.
Creedence Clearwater Revival - Proud Mary
terça-feira, 7 de junho de 2016
The Byrds - Old Blue
As 15 melhores canções de 1969 segundo o programa de rádio "Em Órbita"
De retorno ao programa de rádio "Em Órbita". Tornaram-se famosas as listas classificativas dos melhores álbuns e melhores canções que durante alguns anos o programa realizou. Numa exigência de qualidade e inovação que era apanágio dos autores do programa, destacavam-se da mediania ou mesmo pobreza de maior parte da programação radiofónica de então.
Para algumas publicações da imprensa escrita o fenómeno, que "Em Órbita" foi, não passou despercebido e assim, aqui e acolá, é possível encontrar algum texto a fazer referência ao programa. Por exemplo na revista "Vida Mundial" nº 1560 de 2/5/1969 encontrava-se na rubrica "Rádio" o seguinte texto:
"«Em órbita» embarcou na nave cósmica do êxito e transmite dos espaços siderais, com repetições de eco que se perdem no infinito, os últimos sucessos dos Beatles, de Donovan e de outros. E faz critica, fiscalização minuciosa ao que é verdadeiramente mau. Aberta ao que em educação musical da canção moderna tem realmente valor e significado e às inovações que uma exigência rigorosa possa ir certamente justificando, «Em órbita» é de facto uma excepção no panorama radiofónico nacional. Rádio funcional, sendo simultaneamente um processo de assimilação de formas sócio-culturais, «Em órbita», é uma espécie de canção de protesto e um conceito que vai abrindo caminho e está contido numa única palavra — seriedade."
Já passámos pelas listas dos anos de 1967 e 1968, vamos para as classificações de 1969 e começamos pelas melhores canções do ano.
Depois de já terem marcado presença nas listas dos anos de 67 e 68 vamos encontrar os californianos The Byrds no 15º lugar. Tinham lugar cativo nas preferências musicais do programa.
Pioneiros do Folk-Rock, The Byrds vão no ano de 1969 já no sétimo álbum que dava pelo nome de "Dr. Birds & Mr. Hyde" e é de lá que "Em Órbita" vai escolher o tema tradicional "Old Blue". Num disco mais virado, à semelhança do anterior "Sweetheart of the Rodeo", para o Country-Rock, The Byrds da formação original só tinha Roger McGuinn, David Crosby já tinha partido para nos encantar nos Crosby, Stills & Nash.
Não sendo o melhor disco dos The Byrds, "Em Órbita" escolhe "Old Blue", que agora recuperamos, para a 15ª posição.
The Byrds - Old Blue
De retorno ao programa de rádio "Em Órbita". Tornaram-se famosas as listas classificativas dos melhores álbuns e melhores canções que durante alguns anos o programa realizou. Numa exigência de qualidade e inovação que era apanágio dos autores do programa, destacavam-se da mediania ou mesmo pobreza de maior parte da programação radiofónica de então.
Para algumas publicações da imprensa escrita o fenómeno, que "Em Órbita" foi, não passou despercebido e assim, aqui e acolá, é possível encontrar algum texto a fazer referência ao programa. Por exemplo na revista "Vida Mundial" nº 1560 de 2/5/1969 encontrava-se na rubrica "Rádio" o seguinte texto:
"«Em órbita» embarcou na nave cósmica do êxito e transmite dos espaços siderais, com repetições de eco que se perdem no infinito, os últimos sucessos dos Beatles, de Donovan e de outros. E faz critica, fiscalização minuciosa ao que é verdadeiramente mau. Aberta ao que em educação musical da canção moderna tem realmente valor e significado e às inovações que uma exigência rigorosa possa ir certamente justificando, «Em órbita» é de facto uma excepção no panorama radiofónico nacional. Rádio funcional, sendo simultaneamente um processo de assimilação de formas sócio-culturais, «Em órbita», é uma espécie de canção de protesto e um conceito que vai abrindo caminho e está contido numa única palavra — seriedade."
Já passámos pelas listas dos anos de 1967 e 1968, vamos para as classificações de 1969 e começamos pelas melhores canções do ano.
Depois de já terem marcado presença nas listas dos anos de 67 e 68 vamos encontrar os californianos The Byrds no 15º lugar. Tinham lugar cativo nas preferências musicais do programa.
Pioneiros do Folk-Rock, The Byrds vão no ano de 1969 já no sétimo álbum que dava pelo nome de "Dr. Birds & Mr. Hyde" e é de lá que "Em Órbita" vai escolher o tema tradicional "Old Blue". Num disco mais virado, à semelhança do anterior "Sweetheart of the Rodeo", para o Country-Rock, The Byrds da formação original só tinha Roger McGuinn, David Crosby já tinha partido para nos encantar nos Crosby, Stills & Nash.
Não sendo o melhor disco dos The Byrds, "Em Órbita" escolhe "Old Blue", que agora recuperamos, para a 15ª posição.
The Byrds - Old Blue
Revista Vida Mundial - A Rádio no ano de 1969
A 2ª metade da década de 60 vai assistir a algumas alterações na programação musical na rádio portuguesa.
Num país ultra conservador onde musicalmente dominava a música ligeira de gosto duvidoso, prevalecendo produtos ultra comerciais vindos de França, Itália, Espanha e nacionais, de Tony de Matos a António Calvário.
O panorama começou a mudar quando em 1965 se inicia a transmissão do programa "Em Órbita" e a passagem intransigente da melhor música popular, jovem, de expressão anglo-saxónica, de Bob Dylan aos Cream, dos Jefferson Airplane a Georgie Fame.
O panorama começou a mudar quando em 1965 se inicia a transmissão do programa "Em Órbita" e a passagem intransigente da melhor música popular, jovem, de expressão anglo-saxónica, de Bob Dylan aos Cream, dos Jefferson Airplane a Georgie Fame.
Outros programas, como a "Página um", se lhe seguiria no corte com uma situação passadista e caduca no conteúdo e na forma de fazer rádio.
A anteceder a divulgação das listas classificativas do programa "Em Órbita" do ano de 1969 alguns recortes, desse mesmo ano, da revista "Vida Mundial", onde, na rubrica "RÁDIO", se dava nota da situação que então se vivia na nossa rádio. De notar as referências ao programa "Em Órbita".
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Pedro Osório e o Seu Conjunto - Let's Twist Again
É sabido que Pedro Osório (1939-2012) não morria propriamente de amores pelo seu passado musical dos anos 60:
“Andava a tentar descobrir como é que se fazia, e os resultados finais não me enchiam propriamente de prazer”- Visão nº 975 de 2011.
Genericamente era o que quase todos andavam a fazer, andavam a descobrir, copiando, recriando temas populares com a sonoridade importada da Pop britânica. Os resultados eram quase sempre sofríveis com algumas excepções honrosas: Quarteto 1111, Sheiks e mais tarde a Filarmónica Fraude.
Pedro Osório e o seu Conjunto faz a primeira aparição publica no Verão de 1957, em 1960 têm início as primeiras gravações em EP; em 1961 sob o título “O CONJUNTO DE PEDRO OSÓRIO em LISBOA” a revista Plateia de 20 de Dezembro escrevia:
“Esteve recentemente em Lisboa, onde actuou no Cinema Restelo, num espectáculo de variedades organizado pelo «Passatempo para Jovens", o popular conjunto portuense de Pedro Osório.
Todos jovens (e solteiros!), irradiando descontracção e alegria comunicativa, Francisco Pereira da Silva, Pedro Nuno, José Couceiro e Pedro Osório souberam conquistar imediatamente a admiração e o aplauso do público, de todas as idades.
Como nasceu a ideia de formarem um conjunto, explica-a o reservado Pedro Osório em poucas palavras: — «Juntar o útil ao agradável».
Em 1958, veio o dia da estreia e, mais tarde,, a oportunidade de gravarem comercialmente.
— Quantos discos têm gravados, Pedro Osório? — Quatro e vamos gravar brevemente um outro para a marca «Orpheu», com quatro canções, uma das quais se intitula «Pull-over».
— É a primeira vez que vêm actuar em Lisboa, não é verdade?
— Em espectáculos é. Fora deste género porém, já cá viemos actuar em quatro bailes.
— E conseguem conciliar as exigências dos estudos com a vida artística?
— Conseguimos; em vez de gastarmos o tempo com outros meios de distracção, tocamos e cantamos. Algumas jovens de caderninho na mão, vêm ao encontro do nosso entrevistado, deixando-nos apenas livres alguns segundos para desejarmos aos jovens artistas uma longa vida e a continuação dos melhores êxitos.”
Já recordámos “Era um biquini piquinino às bolinhas amarelas” e “Las Clases De Cha Cha Cha”, ambos de 1960, agora vamos para o ano de 1961 e ficamos com “Let's Twist Again”, Pedro Osório a tentar descobrir como é que se fazia.
Pedro Osório e o Seu Conjunto - Let's Twist Again
“Andava a tentar descobrir como é que se fazia, e os resultados finais não me enchiam propriamente de prazer”- Visão nº 975 de 2011.
Genericamente era o que quase todos andavam a fazer, andavam a descobrir, copiando, recriando temas populares com a sonoridade importada da Pop britânica. Os resultados eram quase sempre sofríveis com algumas excepções honrosas: Quarteto 1111, Sheiks e mais tarde a Filarmónica Fraude.
Pedro Osório e o seu Conjunto faz a primeira aparição publica no Verão de 1957, em 1960 têm início as primeiras gravações em EP; em 1961 sob o título “O CONJUNTO DE PEDRO OSÓRIO em LISBOA” a revista Plateia de 20 de Dezembro escrevia:
“Esteve recentemente em Lisboa, onde actuou no Cinema Restelo, num espectáculo de variedades organizado pelo «Passatempo para Jovens", o popular conjunto portuense de Pedro Osório.
Todos jovens (e solteiros!), irradiando descontracção e alegria comunicativa, Francisco Pereira da Silva, Pedro Nuno, José Couceiro e Pedro Osório souberam conquistar imediatamente a admiração e o aplauso do público, de todas as idades.
Como nasceu a ideia de formarem um conjunto, explica-a o reservado Pedro Osório em poucas palavras: — «Juntar o útil ao agradável».
Em 1958, veio o dia da estreia e, mais tarde,, a oportunidade de gravarem comercialmente.
— Quantos discos têm gravados, Pedro Osório? — Quatro e vamos gravar brevemente um outro para a marca «Orpheu», com quatro canções, uma das quais se intitula «Pull-over».
— É a primeira vez que vêm actuar em Lisboa, não é verdade?
— Em espectáculos é. Fora deste género porém, já cá viemos actuar em quatro bailes.
— E conseguem conciliar as exigências dos estudos com a vida artística?
— Conseguimos; em vez de gastarmos o tempo com outros meios de distracção, tocamos e cantamos. Algumas jovens de caderninho na mão, vêm ao encontro do nosso entrevistado, deixando-nos apenas livres alguns segundos para desejarmos aos jovens artistas uma longa vida e a continuação dos melhores êxitos.”
Já recordámos “Era um biquini piquinino às bolinhas amarelas” e “Las Clases De Cha Cha Cha”, ambos de 1960, agora vamos para o ano de 1961 e ficamos com “Let's Twist Again”, Pedro Osório a tentar descobrir como é que se fazia.
Pedro Osório e o Seu Conjunto - Let's Twist Again
domingo, 5 de junho de 2016
Duo Ouro Negro - Muxima
Muito antes de se ouvir falar da “World Music” já por cá tínhamos o Duo Ouro Negro a misturar sons e a criar canções que hoje bem estariam nos top daquela área musical.
Sabiamente, efectuaram a síntese de uma diversidade de linguagens musicais até aí mantidas separadas. A mistura de géneros, da música tradicional angolana à música ligeira, ao folk, e nos anos 70, ao Pop-Rock levou-os ao reconhecimento em lugares tão díspares como o Japão, os Estados Unidos, Angola e quase toda a Europa (de Leste incluída). Deixaram-nos uma discografia de dezenas de LP e EP, desde o disco de maior fôlego, o LP “Blackground” de 1971, a outros de muito pouco interesse como “Maria Rita” ou “Au revoir Sylvie”.
Comecemos pelo primeiro EP por eles gravado em 1960 onde se lia na contra-capa:
“Começaram a cantar de forma imprevista, durante uma festa. E pode dizer-se que o espanto dos ouvintes e amigos foi igual ao dos próprios cantores, de tal forma ficaram surpreendidos com a sua habilidade. Nasceu assim o mais conhecido dos conjuntos de Angola, cujas actuações são disputadas. Eis o seu primeiro disco, primeiro degrau de uma consagração inteiramente merecida.”
Era composto por 4 temas cantados em dialectos angolanos, a saber, conforme texto da contra-capa:
“Tala on n'bundo” – “História de um preto esperto que quer jantar e beber vinho só por 5$00.” “Kurikutela” – “História e reacções de um negro do interior que vê e anda de comboio pela primeira vez.”
“Mana fatita” – “Conta a história de uma vendedeira que por ser bonita e afável consegue ter sempre para vender as mais frescas hortaliças e frutas.”
“Muxima” – “Terra de grande beleza entre Luanda e Malange à beira do rio Quanza altar de Santa Ana (a mais milagreira do norte de Angola). Muxima é justamente um cântico de louvor a Santa Ana.”
Duo Ouro Negro, precursores da World Music. Segue “Muxima”.
Duo Ouro Negro - Muxima
Sabiamente, efectuaram a síntese de uma diversidade de linguagens musicais até aí mantidas separadas. A mistura de géneros, da música tradicional angolana à música ligeira, ao folk, e nos anos 70, ao Pop-Rock levou-os ao reconhecimento em lugares tão díspares como o Japão, os Estados Unidos, Angola e quase toda a Europa (de Leste incluída). Deixaram-nos uma discografia de dezenas de LP e EP, desde o disco de maior fôlego, o LP “Blackground” de 1971, a outros de muito pouco interesse como “Maria Rita” ou “Au revoir Sylvie”.
Comecemos pelo primeiro EP por eles gravado em 1960 onde se lia na contra-capa:
“Começaram a cantar de forma imprevista, durante uma festa. E pode dizer-se que o espanto dos ouvintes e amigos foi igual ao dos próprios cantores, de tal forma ficaram surpreendidos com a sua habilidade. Nasceu assim o mais conhecido dos conjuntos de Angola, cujas actuações são disputadas. Eis o seu primeiro disco, primeiro degrau de uma consagração inteiramente merecida.”
Era composto por 4 temas cantados em dialectos angolanos, a saber, conforme texto da contra-capa:
“Tala on n'bundo” – “História de um preto esperto que quer jantar e beber vinho só por 5$00.” “Kurikutela” – “História e reacções de um negro do interior que vê e anda de comboio pela primeira vez.”
“Mana fatita” – “Conta a história de uma vendedeira que por ser bonita e afável consegue ter sempre para vender as mais frescas hortaliças e frutas.”
“Muxima” – “Terra de grande beleza entre Luanda e Malange à beira do rio Quanza altar de Santa Ana (a mais milagreira do norte de Angola). Muxima é justamente um cântico de louvor a Santa Ana.”
Duo Ouro Negro, precursores da World Music. Segue “Muxima”.
Duo Ouro Negro - Muxima
sábado, 4 de junho de 2016
Sousa Pinto e o Seu Conjunto - Wipe Out
O Conjunto Sousa Pinto, ou Sousa Pinto e o seu Conjunto, já o recordámos por duas vezes, eis mais uma oportunidade para os conhecer melhor.
Dele ficámos com uma impressão menos boa face a versões menos interessantes como “Yesterday” dos The Beatles, "All or Nothing" dos The Small Faces, "Summer in The City" dos Lovin' Spoonful ou ainda “Sunny”, esse grande êxito de Bobby Hebb em 1966. Temas gravados nos anos 65/66 em 2 EP de 6 faixas cada! Ou ainda temas de fado gravados em “ritmos modernos”, também em 1965 no EP “Fado Batido em Surf”.
Recuando no tempo chegamos às primeiras gravações que se efectuaram nos anos de 1962 e 1963. E é ao 2º EP que recuperamos o tema instrumental “Wipe Out” ao ritmo inebriante do Ié-Ié.
“Wipe Out” é um original dos The Surfaris, um grupo de Surf-Rock da Califórnia, aqui num video irresistível.
Nesta gravação Sousa Pinto e o seu Conjunto parecerem bem mais genuínos. Ginguemos pois ao som de “Wipe Out”.
Sousa Pinto e o Seu Conjunto - Wipe Out
Dele ficámos com uma impressão menos boa face a versões menos interessantes como “Yesterday” dos The Beatles, "All or Nothing" dos The Small Faces, "Summer in The City" dos Lovin' Spoonful ou ainda “Sunny”, esse grande êxito de Bobby Hebb em 1966. Temas gravados nos anos 65/66 em 2 EP de 6 faixas cada! Ou ainda temas de fado gravados em “ritmos modernos”, também em 1965 no EP “Fado Batido em Surf”.
Recuando no tempo chegamos às primeiras gravações que se efectuaram nos anos de 1962 e 1963. E é ao 2º EP que recuperamos o tema instrumental “Wipe Out” ao ritmo inebriante do Ié-Ié.
“Wipe Out” é um original dos The Surfaris, um grupo de Surf-Rock da Califórnia, aqui num video irresistível.
Nesta gravação Sousa Pinto e o seu Conjunto parecerem bem mais genuínos. Ginguemos pois ao som de “Wipe Out”.
Sousa Pinto e o Seu Conjunto - Wipe Out
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Conjunto de Jaime João - I Go Ape
Mais um conjunto do início dos anos 60 (anos 50?), mais um conjunto do Porto, mais um com o nome do músico principal na designação, é o Conjunto de Jaime João com Jaime João no piano e voz.
Mais um conjunto de baile a anteceder o Ié-Ié. No único EP gravado em 1961 sob a designação de “San Remo 1961”, das 4 faixas só as 2 primeiras são efectivamente do prestigiado festival de San Remo, a saber: “Al Di Lá” (Guaracha Rock) vencedora do festival e “Carolina Dai” (Cha cha cha), nono lugar. As outras 2 são a famosa “Marcianita” (Fox - sucesso do brasileiro Sergio Murilo de 1959 e também do nosso Daniel Bacelar em 1961) e o rock “I Go Ape” do Neil Sedaka (1959).
Nesta segunda passagem pelo Conjunto de Jaime João, a opção vai para “I Go Ape”, um original de Neil Sedaka do ano de 1959.
O Conjunto de Jaime João teve curta duração e os seus elementos iriam passar por outros projectos designadamente Walter Behrend e o seu Conjunto, Os Morgans e Conjunto Nova Vaga.
E, agora, aqui vai “I Go Ape” na versão feita por este pouco conhecido Conjunto de Jaime João.
Conjunto de Jaime João - I Go Ape
Mais um conjunto de baile a anteceder o Ié-Ié. No único EP gravado em 1961 sob a designação de “San Remo 1961”, das 4 faixas só as 2 primeiras são efectivamente do prestigiado festival de San Remo, a saber: “Al Di Lá” (Guaracha Rock) vencedora do festival e “Carolina Dai” (Cha cha cha), nono lugar. As outras 2 são a famosa “Marcianita” (Fox - sucesso do brasileiro Sergio Murilo de 1959 e também do nosso Daniel Bacelar em 1961) e o rock “I Go Ape” do Neil Sedaka (1959).
Nesta segunda passagem pelo Conjunto de Jaime João, a opção vai para “I Go Ape”, um original de Neil Sedaka do ano de 1959.
O Conjunto de Jaime João teve curta duração e os seus elementos iriam passar por outros projectos designadamente Walter Behrend e o seu Conjunto, Os Morgans e Conjunto Nova Vaga.
E, agora, aqui vai “I Go Ape” na versão feita por este pouco conhecido Conjunto de Jaime João.
Conjunto de Jaime João - I Go Ape
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Conjunto Renato Silva - Macala
De Moçambique dos anos 60 já fizemos várias evocações: Conjunto de Oliveira Muge (Conjunto português radicado em Moçambique), Night Stars, Os Inflexos, Os Impacto.
À semelhança de muitos outros conjuntos a designação incluía o nome do seu mentor, neste caso Renato Silva responsável pelo piano.
Chegou então a vez de recordarmos o Conjunto Renato Silva ao que parece um dos conjuntos mais famosos da década de 60 em Moçambique e que então abrilhantava os salões de baile. O tema escolhido é de um EP do início da década de 60 e contêm quatro interessantes músicas inspiradas no folclore moçambicano.
Na contra-capa do EP lia-se:
“Indiscutivelmente que este Conjunto é um dos melhores de Moçambique fazendo uma constante actualização das novas formas em voga. Para estas gravações o Conjunto Renato Silva fugiu ao reportório mundial procurando falar um pouco de Moçambique, utilizando um nada os ritmos que nascem nas populações nativas no seu contacto com a cidade, mas que mantém toda a virilidade da África misteriosa.”
Mais uma evidência ´da música de fusão por alguns conjuntos portugueses praticada e que mais tarde se haveria de designar por “World Music”. A preferência vai para a bonita “Macala”.
Conjunto Renato Silva - Macala
À semelhança de muitos outros conjuntos a designação incluía o nome do seu mentor, neste caso Renato Silva responsável pelo piano.
Chegou então a vez de recordarmos o Conjunto Renato Silva ao que parece um dos conjuntos mais famosos da década de 60 em Moçambique e que então abrilhantava os salões de baile. O tema escolhido é de um EP do início da década de 60 e contêm quatro interessantes músicas inspiradas no folclore moçambicano.
Na contra-capa do EP lia-se:
“Indiscutivelmente que este Conjunto é um dos melhores de Moçambique fazendo uma constante actualização das novas formas em voga. Para estas gravações o Conjunto Renato Silva fugiu ao reportório mundial procurando falar um pouco de Moçambique, utilizando um nada os ritmos que nascem nas populações nativas no seu contacto com a cidade, mas que mantém toda a virilidade da África misteriosa.”
Mais uma evidência ´da música de fusão por alguns conjuntos portugueses praticada e que mais tarde se haveria de designar por “World Music”. A preferência vai para a bonita “Macala”.
Conjunto Renato Silva - Macala
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Mário Simões e seu Conjunto - Peixinho do mar
“Peixinhos do Mar” é uma canção tradicional brasileira que me está na memória desde sempre.
É, ao que consegui apurar, de domínio público e a sua versão mais popular terá sido a recuperada pelo brasileiro Tavinho Moura. A primeira versão identificada que conhecia era do grande Milton Nascimento, decorria o ano de 1980, e fazia parte do álbum “Sentinela”; com arranjos, adaptação e participação do próprio Tavinho Moura, “Peixinhos do Mar” - cantiga de marujada – era então perfeitamente interpretada por Milton Nascimento.
No video seguinte uma interpretação mais recente de “Peixinhos do Mar” também por Milton Nascimento.
Há já algum tempo descobri uma outra versão, esta, portuguesa e bem mais antiga. Seria a interpretação que preenchia a minha memória até 1980? É essa que agora recupero. Mário Simões e o seu Conjunto, Mário Simões e seu Quarteto ou ainda Quarteto de Mário Simões são as designações que tiveram as várias formações lideradas por Mário Simões, figura, já aqui recordada, marcante da nossa música ligeira dos anos 50 e 60 e a merecer, no futuro, novos destaques nestas nossas viagens ao passado.
Para já fiquemos com, agora, “Peixinho do Mar”. Gravação “His Master’s Voice” feita em Inglaterra com data incerta, provavelmente 1954, em 78 rpm, por Mário Simões e o seu Conjunto (canto por Jaime Nascimento guitarrista do conjunto, também a valer futuras recuperações), em estilo Baião (Canção obtida no site musicasdosanos60.blogspot.pt).
Mário Simões e seu Conjunto - Peixinho do Mar
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