Monterey International Pop Festival 1967
Em 1966 Janis Joplin completa a formação clássica dos Big Brother and The Holding Company. É ainda nesse ano que gravam o primeiro homónimo álbum que seria editado no ano seguinte após o sucesso alcançado no Festival de Monterey nos dias 17 e 18 de Junho.
Originários de S. Francisco eram ainda pouco conhecidos quando actuaram no Verão de 1967 no Festival de Monterey tendo sido a única banda a tocar em dois dias. Depois de uma impressionante actuação no Sábado dia 17 e não tendo sido autorizada pelo manager do grupo a gravação em vídeo, os promotores pedem ao grupo para voltarem ao palco no dia seguinte de forma a Pennebaker poder fazer o registo em filme.
No dia 18 voltaram, felizmente, para tocarem "Combination of The Two" e "Ball and Chain". Eis o imperdível registo de "Ball and Chain".
No dia anterior Big Brother and The Holding Company também interpretaram "Ball and Chain" numa espantosa versão de mais de 8 minutos. Um momento único da melhor Janis Joplin e da música popular que mais admiramos.
Big Brother and The Holding Company - Ball and Chain
Para uns recordações, para outros descobertas. São notas passadas, musicais e não só...
sábado, 19 de março de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
Blitz Nº 72 de 18 de Março de 1986
Jornal "Blitz"
A capa do Nº 72 do jornal de divulgação musical "Blitz" de 18 de Março de 1986 trás o Elvis Costello de "King of America", o 10º álbum de originais editado naquele ano.
- O Ok! da página 2 previa a sua edição em Portugal em Março ou Abril. Entre outras notícias constava a edição do 2º álbum de Julian Lennon, filho do ex-Beatle John Lennon, denominado "The Secret Value of Day Dream".
Na página 3 anuncia-se o novo LP de Frank Zappa "Frank Zappa Meets the Mothers Of Prevention". Ficamos a saber que David Bowie vai realizar nova digressão mundial no ano seguinte, tinha entretanto saído "Absolute Beginners" canção-tema da banda sonora do filme "Labyrinth".
- Página 4 dá-se conta da polémica sobre taxar as cassettes virgens e sob o título "O Princípio do Fim" revela- se a má prestação das bandas que actuaram no Rock Rendez-Vous no âmbito do III Concurso de Música Moderna.
- Página 5 vai para Feargal Skarkey o ex-Undertones convertido à música Pop da moda.
- Página 6 para noticiar a vinda a Portugal, para actuar no Rock Rendez-Vous, da banda de Hard-Rock francesa Dogs
- Página 7 com entrevista a Jim Kerr dos Simple Minds. Ficamos a saber da vida dele e que roubou Chrissie Hynde, a vocalista dos Pretenders a Ray Davies dos The Kinks.
- Página 8, Feira da Ladra e Busca no Sotão dedicados à história e ao regresso dos Monkees.
- Página 9 dedicada a Elvis Costello. Quanto a "King of America" ainda ouvido somente em cassette "é o mais entusiasmante álbum desde há muito tempo e deixa a milhas de distância qualquer concorrência."
- Páginas centrais com fotografias do videoclip "Dunas" do LP "Os Homens Não Se Querem Bonitos" dos GNR.
- Página 12 para o Heavy Metal. Os W.A.S.P. formados em 1982 e que ainda aí andam iam no 2º LP "The Last Command". O vocalista Blackie Lawless dizia "Este grupo vai ser famoso ou eu mesmo morrerei na tentativa.", é o único que se mantém na banda da formação original.
- Página 13 tem Pregões e Declarações.
- Página 14 vai para a exposição "Vestir 1955-1985" a decorrer no Museu Nacional do Trajo e a entrada era grátis aos fins-de-semana.
- Página 15 é para o Cardápio. Dia 21 no Pavilhão do Belenenses, os Xutos e Pontapés, Croix-Sainte, Ban e GNR.
- Página 16, o Rondas Nocturnas vai ao Pavilhão Chinês e à Gafieira. Neste a cerveja custa 200 escudos (1€), a caipira, o vodka e o Gin 250.
- Página 17, nos discos editados na semana anterior quase nada se safa. Valha The Clash com "Cut the Crap", o último álbum que editaram, e nos Singles "In a Lifetime", Moya Brennan em dueto com Bono.
- Páginas 18 e 19 com os Top de Portugal, EUA e GB, nada de muito interessante a salientar, Elton John, Whitney Houston, Dire Straits dominam as listas de álbuns.
- Página 20, toda a página com anúncio ao Lisboa Rock 86 o já referido concerto no Pavilhão dos Belenenses.
A capa do Nº 72 do jornal de divulgação musical "Blitz" de 18 de Março de 1986 trás o Elvis Costello de "King of America", o 10º álbum de originais editado naquele ano.
- O Ok! da página 2 previa a sua edição em Portugal em Março ou Abril. Entre outras notícias constava a edição do 2º álbum de Julian Lennon, filho do ex-Beatle John Lennon, denominado "The Secret Value of Day Dream".
Na página 3 anuncia-se o novo LP de Frank Zappa "Frank Zappa Meets the Mothers Of Prevention". Ficamos a saber que David Bowie vai realizar nova digressão mundial no ano seguinte, tinha entretanto saído "Absolute Beginners" canção-tema da banda sonora do filme "Labyrinth".
- Página 4 dá-se conta da polémica sobre taxar as cassettes virgens e sob o título "O Princípio do Fim" revela- se a má prestação das bandas que actuaram no Rock Rendez-Vous no âmbito do III Concurso de Música Moderna.
- Página 5 vai para Feargal Skarkey o ex-Undertones convertido à música Pop da moda.
- Página 6 para noticiar a vinda a Portugal, para actuar no Rock Rendez-Vous, da banda de Hard-Rock francesa Dogs
- Página 7 com entrevista a Jim Kerr dos Simple Minds. Ficamos a saber da vida dele e que roubou Chrissie Hynde, a vocalista dos Pretenders a Ray Davies dos The Kinks.
- Página 8, Feira da Ladra e Busca no Sotão dedicados à história e ao regresso dos Monkees.
- Página 9 dedicada a Elvis Costello. Quanto a "King of America" ainda ouvido somente em cassette "é o mais entusiasmante álbum desde há muito tempo e deixa a milhas de distância qualquer concorrência."
- Páginas centrais com fotografias do videoclip "Dunas" do LP "Os Homens Não Se Querem Bonitos" dos GNR.
- Página 12 para o Heavy Metal. Os W.A.S.P. formados em 1982 e que ainda aí andam iam no 2º LP "The Last Command". O vocalista Blackie Lawless dizia "Este grupo vai ser famoso ou eu mesmo morrerei na tentativa.", é o único que se mantém na banda da formação original.
- Página 13 tem Pregões e Declarações.
- Página 14 vai para a exposição "Vestir 1955-1985" a decorrer no Museu Nacional do Trajo e a entrada era grátis aos fins-de-semana.
- Página 15 é para o Cardápio. Dia 21 no Pavilhão do Belenenses, os Xutos e Pontapés, Croix-Sainte, Ban e GNR.
- Página 16, o Rondas Nocturnas vai ao Pavilhão Chinês e à Gafieira. Neste a cerveja custa 200 escudos (1€), a caipira, o vodka e o Gin 250.
- Página 17, nos discos editados na semana anterior quase nada se safa. Valha The Clash com "Cut the Crap", o último álbum que editaram, e nos Singles "In a Lifetime", Moya Brennan em dueto com Bono.
- Páginas 18 e 19 com os Top de Portugal, EUA e GB, nada de muito interessante a salientar, Elton John, Whitney Houston, Dire Straits dominam as listas de álbuns.
- Página 20, toda a página com anúncio ao Lisboa Rock 86 o já referido concerto no Pavilhão dos Belenenses.
Canned Heat - Rollin' and Tumblin'
Monterey International Pop Festival 1967
O 2º dia do Festival de Monterey teve um peso significativo de bandas de S. Francisco. A abrir o dia de Sábado de 17 de Junho de 1967 estiveram os Canned Heat.
Os Canned Heat eram um grupo de Blues Rock apresentado no Festival, por John Phillips, como uma banda de S. Francisco.
Com um naipe de excelentes músicos, onde se destacavam o vocalista Bob Hite (1943-1981) e o guitarrista Henry Vestine (1944-1997) praticavam um Rock com forte presença do Blues e faziam em Monterey a sua primeira grande aparição em público.
Aquando do Festival de Monterey tinham acabado de gravar o primeiro álbum "Canned Heat" o qual seria editado no mês seguinte.
"Rollin' and Tumblin'" é um tema de Blues do final da década 20 e popularizada por Muddy Waters em 1950. É também a faixa de abertura do primeiro registo dos Canned Heat e foi com "Rollin' and Tumblin'" que iniciaram o 2º dia do Festival.
Canned Heat - Rollin' and Tumblin'
O 2º dia do Festival de Monterey teve um peso significativo de bandas de S. Francisco. A abrir o dia de Sábado de 17 de Junho de 1967 estiveram os Canned Heat.
Os Canned Heat eram um grupo de Blues Rock apresentado no Festival, por John Phillips, como uma banda de S. Francisco.
Com um naipe de excelentes músicos, onde se destacavam o vocalista Bob Hite (1943-1981) e o guitarrista Henry Vestine (1944-1997) praticavam um Rock com forte presença do Blues e faziam em Monterey a sua primeira grande aparição em público.
Aquando do Festival de Monterey tinham acabado de gravar o primeiro álbum "Canned Heat" o qual seria editado no mês seguinte.
"Rollin' and Tumblin'" é um tema de Blues do final da década 20 e popularizada por Muddy Waters em 1950. É também a faixa de abertura do primeiro registo dos Canned Heat e foi com "Rollin' and Tumblin'" que iniciaram o 2º dia do Festival.
Canned Heat - Rollin' and Tumblin'
quinta-feira, 17 de março de 2016
Simon and Garfunkel - For Emily, Whenever I May Find Her
Monterey International Pop Festival 1967
Simon and Garfunkel era, em 1967, um duo já consagrado na música popular norte-americana. Tinham 3 LP editados sendo o mais recente "Parsley, Sage, Rosemary and Thyme" particularmente bem recebido. Faltavam ainda 2 obras-primas, "Bookends" e "Bridge Over Troubled Waters".
Terminava em beleza o primeiro dia do Festival de Monterey de 1967, acabou com a actuação de Simon and Garfunkel que foram então apresentados por John Phillips.
"The angelic voice of Garfunkel and the beautiful melodies of Simon ... I was so impressed." disse Ravi Shankar.
Da passagem de Simon and Garfunkel por Monterey recordamos "For Emily, Whenever I May Find Her", a combinação perfeita de dois músicos que encantaram a nossa juventude.
Simon and Garfunkel - For Emily, Whenever I May Find Her
Simon and Garfunkel era, em 1967, um duo já consagrado na música popular norte-americana. Tinham 3 LP editados sendo o mais recente "Parsley, Sage, Rosemary and Thyme" particularmente bem recebido. Faltavam ainda 2 obras-primas, "Bookends" e "Bridge Over Troubled Waters".
Terminava em beleza o primeiro dia do Festival de Monterey de 1967, acabou com a actuação de Simon and Garfunkel que foram então apresentados por John Phillips.
"The angelic voice of Garfunkel and the beautiful melodies of Simon ... I was so impressed." disse Ravi Shankar.
Da passagem de Simon and Garfunkel por Monterey recordamos "For Emily, Whenever I May Find Her", a combinação perfeita de dois músicos que encantaram a nossa juventude.
Simon and Garfunkel - For Emily, Whenever I May Find Her
quarta-feira, 16 de março de 2016
Eric Burdon and The Animals - Paint It, Black
Monterey International Pop Festival 1967
"The House of The Rising Sun" e "Don't Let Me Be Misunderstood", de 1964 e 1965 respectivamente, foram duas das mais celebradas canções do grupo inglês The Animals. The Animals foram um afamado conjunto britânico liderado por Eric Burdon e que teve particular sucesso nos Estados Unidos. The Animals assim se designaram de 1963 a 1966. De 1966 a 1968 o sucesso mantem-se mas agora sob o nome de Eric Burdon and The Animals e com uma formação completamente diferente da original (excepto Eric Burdon, claro).
"San Franciscan Nights" e "Monterey" são duas canções de Eric Burdon and The Animals editadas em 1967, a primeira uma canção antiguerra do Vietname, a segunda um tributo à passagem do grupo pelo Festival de Monterey naquele mesmo ano.
Actuam, ainda no primeiro dia do festival , logo a seguir a Johnny Rivers, onde interpretam "San Franciscan Nights", ""Gin House Blues", "Hey Gyp" e "Paint It Black".
"The Festival was wonderful. I just remember how much the people applauded "Gin House Blues" and "Paint It Black", with John Weider on guitar and electric violin. Everyone in the band stepped up to the plate and we managed to leave the stage with applause.
But, honestly, I was glad when the performance was over, ... I could get back to the party backstage." disse Eric Burdon, conforme o site montereyinternationalpopfestival.com
Para audição "Paint It, Black", canção de êxito dos The Rolling Stones, aqui na versão de Eric Burdon and The Animals no Festival de Monterey, antes de Eric Burdon continuar a festa nos bastidores...
Eric Burdon and The Animals - Paint It, Black
"The House of The Rising Sun" e "Don't Let Me Be Misunderstood", de 1964 e 1965 respectivamente, foram duas das mais celebradas canções do grupo inglês The Animals. The Animals foram um afamado conjunto britânico liderado por Eric Burdon e que teve particular sucesso nos Estados Unidos. The Animals assim se designaram de 1963 a 1966. De 1966 a 1968 o sucesso mantem-se mas agora sob o nome de Eric Burdon and The Animals e com uma formação completamente diferente da original (excepto Eric Burdon, claro).
"San Franciscan Nights" e "Monterey" são duas canções de Eric Burdon and The Animals editadas em 1967, a primeira uma canção antiguerra do Vietname, a segunda um tributo à passagem do grupo pelo Festival de Monterey naquele mesmo ano.
Actuam, ainda no primeiro dia do festival , logo a seguir a Johnny Rivers, onde interpretam "San Franciscan Nights", ""Gin House Blues", "Hey Gyp" e "Paint It Black".
"The Festival was wonderful. I just remember how much the people applauded "Gin House Blues" and "Paint It Black", with John Weider on guitar and electric violin. Everyone in the band stepped up to the plate and we managed to leave the stage with applause.
But, honestly, I was glad when the performance was over, ... I could get back to the party backstage." disse Eric Burdon, conforme o site montereyinternationalpopfestival.com
Para audição "Paint It, Black", canção de êxito dos The Rolling Stones, aqui na versão de Eric Burdon and The Animals no Festival de Monterey, antes de Eric Burdon continuar a festa nos bastidores...
Eric Burdon and The Animals - Paint It, Black
terça-feira, 15 de março de 2016
Johnny Rivers - Memphis
Monterey International Pop Festival 1967
Johnny Rivers é hoje um ícone do rock americano, nasceu em 1942 em Nova Iorque e datam ainda dos anos 50 as suas primeiras gravações. As décadas de 60 e 70 são de grande actividade e consagração, nessas duas décadas deixa-nos dezenas de LP entre gravações em estúdio, ao vivo ou compilações.
"A Touch of Gold", de 1969, foi um dos meus primeiros discos e que muito admirei pelo seu estilo Pop-Rock, pelas incursões no Blues e no Soul, pelo encantador "Baby I Need Your Lovin'" ou pelo poderoso e longo "Ode To John Lee".
Johnny Rivers colabora na organização do Festival de Monterey de 1967 e nele actua no primeiro dia, Sexta-feira, 16 de Junho.
Depois de Beverly e antes de Eric Burdon and The Animals, Johnny Rivers fez uma longa actuação, sendo "Memphis" uma das canções que então interpretou.
"Memphis, Tennessee" ou somente "Memphis" é um original de Chuck Berry que Johnny Rivers gravou logo no primeiro álbum por ele editado, o LP, ao vivo, "At The Whisky à Go Go" no início de 1964.
É com esta canção que ficamos, agora no Festival de Monterey em 1967.
Johnny Rivers - Memphis
Johnny Rivers é hoje um ícone do rock americano, nasceu em 1942 em Nova Iorque e datam ainda dos anos 50 as suas primeiras gravações. As décadas de 60 e 70 são de grande actividade e consagração, nessas duas décadas deixa-nos dezenas de LP entre gravações em estúdio, ao vivo ou compilações.
"A Touch of Gold", de 1969, foi um dos meus primeiros discos e que muito admirei pelo seu estilo Pop-Rock, pelas incursões no Blues e no Soul, pelo encantador "Baby I Need Your Lovin'" ou pelo poderoso e longo "Ode To John Lee".
Johnny Rivers colabora na organização do Festival de Monterey de 1967 e nele actua no primeiro dia, Sexta-feira, 16 de Junho.
Depois de Beverly e antes de Eric Burdon and The Animals, Johnny Rivers fez uma longa actuação, sendo "Memphis" uma das canções que então interpretou.
"Memphis, Tennessee" ou somente "Memphis" é um original de Chuck Berry que Johnny Rivers gravou logo no primeiro álbum por ele editado, o LP, ao vivo, "At The Whisky à Go Go" no início de 1964.
É com esta canção que ficamos, agora no Festival de Monterey em 1967.
Johnny Rivers - Memphis
segunda-feira, 14 de março de 2016
Beverley - Happy New Year
Monterey International Pop Festival 1967
Beverley, ou melhor Beverley Kutner, é uma cantora Folk que nasceu em 1947 em Inglaterra.
Começou a sua carreira musical com apenas 16 anos com o grupo The Levee Breakers com quem gravou o primeiro Single "Babe I'm Leaving You".
Em 1965 aparece na fotografia da capa do 2º álbum de Bert Jansch "It Don't Bother".
Em 1966 grava, como Beverley o Single "Happy New Year", canção escrita por Randy Newman, onde é acompanhada por Nicky Hopkins, John Paul Jones e Jimmy Page (os dois últimos futuros Led Zeppelin) . Foi o primeiro Single da editora Deram.
"Good morning, Mr Leitch, have you had a busy day?" a frase a meio da canção "Fakin' It" de Simon and Garfunkel é dita por ela.
Em 1967 participa no Festival de Monterey onde é apresentada por Paul Simon.
Também em 1967 é editado o Single onde Beverley interpretada a canção "Museum" de Donovan, de quem ela era amiga.
Em 1969 conhece John Martyn com quem se casa. Da união saem 2 LP de John and Beverley Martyn editados em 1970.
A solo, a agora Beverley Martyn, tem 2 álbuns, "No Frills" e "The Pheonix and the Turtle" respectivamente de 1998 e 2014.
Recordamos então Beverly, no ano de 1967, com a canção "Happy New Year".
Beverley - Happy New Year
Beverley, ou melhor Beverley Kutner, é uma cantora Folk que nasceu em 1947 em Inglaterra.
Começou a sua carreira musical com apenas 16 anos com o grupo The Levee Breakers com quem gravou o primeiro Single "Babe I'm Leaving You".
Em 1965 aparece na fotografia da capa do 2º álbum de Bert Jansch "It Don't Bother".
Em 1966 grava, como Beverley o Single "Happy New Year", canção escrita por Randy Newman, onde é acompanhada por Nicky Hopkins, John Paul Jones e Jimmy Page (os dois últimos futuros Led Zeppelin) . Foi o primeiro Single da editora Deram.
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| Cartaz promocional do 1º Single da Editora DERAM |
"Good morning, Mr Leitch, have you had a busy day?" a frase a meio da canção "Fakin' It" de Simon and Garfunkel é dita por ela.
Em 1967 participa no Festival de Monterey onde é apresentada por Paul Simon.
Também em 1967 é editado o Single onde Beverley interpretada a canção "Museum" de Donovan, de quem ela era amiga.
Em 1969 conhece John Martyn com quem se casa. Da união saem 2 LP de John and Beverley Martyn editados em 1970.
A solo, a agora Beverley Martyn, tem 2 álbuns, "No Frills" e "The Pheonix and the Turtle" respectivamente de 1998 e 2014.
Recordamos então Beverly, no ano de 1967, com a canção "Happy New Year".
Beverley - Happy New Year
domingo, 13 de março de 2016
Lou Rawls - Dead End Street
Monterey International Pop Festival 1967
Lou Rawls (1933-2006) foi um cantor norte-americano que experimentou géneros como o Soul, o Blues e o Jazz.
Era já um cantor consagrado quando actua no primeiro dia do Festival de Monterey a 16 de Junho de 1967. Dispunha de mais de uma dezena de álbuns gravados pelo que seria provavelmente o músico com mais experiência de quantos passaram pelo festival.
O primeiro LP datava de 1962, "Stormy Monday", onde interpretava alguns clássicos de Jazz; nos álbuns seguintes efectua combinações de Jazz, Blues e música Pop. A meio da década, numa fase bastante produtiva, numa abordagem mais Soul e simultaneamente mais comercial, obtém particular sucesso nas tabelas de R&B.
No ano de 1967 é particularmente generoso, edita 3 álbuns, ganha o primeiro Grammy Award para o melhor R&B Vocal Performance pelo Single "Dead End Street" e participa no Festival Pop de Monterey.
"Dead End Street" pertencia ao álbum "Too Much!", o primeiro dos três editados nesse ano, e foi uma das canções que ele interpretou no Festival de Monterey.
Eis, então, Lou Rawls com "Dead End Street" no Festival de Monterey.
Lou Rawls - Dead End Street
Lou Rawls (1933-2006) foi um cantor norte-americano que experimentou géneros como o Soul, o Blues e o Jazz.
Era já um cantor consagrado quando actua no primeiro dia do Festival de Monterey a 16 de Junho de 1967. Dispunha de mais de uma dezena de álbuns gravados pelo que seria provavelmente o músico com mais experiência de quantos passaram pelo festival.
O primeiro LP datava de 1962, "Stormy Monday", onde interpretava alguns clássicos de Jazz; nos álbuns seguintes efectua combinações de Jazz, Blues e música Pop. A meio da década, numa fase bastante produtiva, numa abordagem mais Soul e simultaneamente mais comercial, obtém particular sucesso nas tabelas de R&B.
No ano de 1967 é particularmente generoso, edita 3 álbuns, ganha o primeiro Grammy Award para o melhor R&B Vocal Performance pelo Single "Dead End Street" e participa no Festival Pop de Monterey.
"Dead End Street" pertencia ao álbum "Too Much!", o primeiro dos três editados nesse ano, e foi uma das canções que ele interpretou no Festival de Monterey.
Eis, então, Lou Rawls com "Dead End Street" no Festival de Monterey.
Lou Rawls - Dead End Street
sábado, 12 de março de 2016
The Paupers - Magic People
Monterey International Pop Festival 1967
"O chamado som de São Francisco é, na realidade, o som de toda a costa ocidental". em "O Mundo da Música Pop".
O Festival de Monterey em 1967 vai ser disso evidência. Pese os grupos mais representativos do som de S. Francisco estarem mais concentrados no segundo dia, todo o festival foi o despertar de sons que a nova música popular desenvolvia, não só em "toda a costa ocidental", mas um pouco por todo o lado , dos The Who, a Ravi Shankar, a Simon and Garfunkel passando, claro, pelos Grateful Dead ou Jefferson Airplane.
Do Canadá vieram The Paupers, já tinham alguns Singles editados quando em 1967 integraram a lista de grupos anunciados para o Festival de Monterey.
É do mesmo ano o primeiro e interessante LP de nome "Magic People", manifestando influências diversas, Byrds, Buffalo Springfield e Lovin' Spoonful são algumas.
Em 1967 foram grupo de suporte dos Jefferson Airplane e actuaram em diversas cidades da West Coast.
No primeiro dia do Festival de Monterey, 16 de Junho, ao que parece tudo lhes correu mal, drogas em excesso e problemas com o check sound, marcaram negativamente a actuação destes canadianos.
Terá sido o princípio do fim, terminam em 1968 após a edição ainda de um segundo LP.
Apresentados por David Crosby do "set list" dos The Paupers constou "Magic People", a canção título do primeiro LP.
The Paupers - Magic People
"O chamado som de São Francisco é, na realidade, o som de toda a costa ocidental". em "O Mundo da Música Pop".
O Festival de Monterey em 1967 vai ser disso evidência. Pese os grupos mais representativos do som de S. Francisco estarem mais concentrados no segundo dia, todo o festival foi o despertar de sons que a nova música popular desenvolvia, não só em "toda a costa ocidental", mas um pouco por todo o lado , dos The Who, a Ravi Shankar, a Simon and Garfunkel passando, claro, pelos Grateful Dead ou Jefferson Airplane.
Do Canadá vieram The Paupers, já tinham alguns Singles editados quando em 1967 integraram a lista de grupos anunciados para o Festival de Monterey.
É do mesmo ano o primeiro e interessante LP de nome "Magic People", manifestando influências diversas, Byrds, Buffalo Springfield e Lovin' Spoonful são algumas.
Em 1967 foram grupo de suporte dos Jefferson Airplane e actuaram em diversas cidades da West Coast.
No primeiro dia do Festival de Monterey, 16 de Junho, ao que parece tudo lhes correu mal, drogas em excesso e problemas com o check sound, marcaram negativamente a actuação destes canadianos.
Terá sido o princípio do fim, terminam em 1968 após a edição ainda de um segundo LP.
Apresentados por David Crosby do "set list" dos The Paupers constou "Magic People", a canção título do primeiro LP.
The Paupers - Magic People
sexta-feira, 11 de março de 2016
The Association - Along Came Mary
Monterey International Pop Festival 1967
O primeiro dia do Festival de Monterey de 1967 ocorreu numa Sexta-feira, dia 16 de Junho e no cartaz para esse dia constavam: The Association, The Paupers, Low Rawls, Beverly, Johnny Rivers, Eric Burdon and The Animals e Simon and Garfunkel.
O ano de 1967, é o ano do 3º álbum dos The Association, "Insight Out", o tal de "Windy", "Requiem for the Masses" e o inesquecível "Never My Love". Já tinham 2 LP, editados em 1966, e eram bem conhecido quando a 16 de Junho são os primeiros a actuar em Monterey após a apresentação de John Phillips.
Entre as canções que The Association então interpretaram estava "Along Came Mary" canção saída do primeiro LP "And Then... Along Comes the Association" e primeiro sucesso do grupo no ano anterior.
"Along Came Mary", onde Mary remete para Marijuana, foi uma das canções que The Association interpretaram em Monterey, agora é só imaginar que se está em 16 de Junho de 1967 e ouvi-la.
The Association provavelmente o grupo mais Pop a estar presente em Monterey.
The Association - Along Came Mary
O primeiro dia do Festival de Monterey de 1967 ocorreu numa Sexta-feira, dia 16 de Junho e no cartaz para esse dia constavam: The Association, The Paupers, Low Rawls, Beverly, Johnny Rivers, Eric Burdon and The Animals e Simon and Garfunkel.
O ano de 1967, é o ano do 3º álbum dos The Association, "Insight Out", o tal de "Windy", "Requiem for the Masses" e o inesquecível "Never My Love". Já tinham 2 LP, editados em 1966, e eram bem conhecido quando a 16 de Junho são os primeiros a actuar em Monterey após a apresentação de John Phillips.
Entre as canções que The Association então interpretaram estava "Along Came Mary" canção saída do primeiro LP "And Then... Along Comes the Association" e primeiro sucesso do grupo no ano anterior.
"Along Came Mary", onde Mary remete para Marijuana, foi uma das canções que The Association interpretaram em Monterey, agora é só imaginar que se está em 16 de Junho de 1967 e ouvi-la.
The Association provavelmente o grupo mais Pop a estar presente em Monterey.
The Association - Along Came Mary
quinta-feira, 10 de março de 2016
Country Joe and The Fish - Fixin' To Die Rag
Monterey International Pop Festival 1967
"São Francisco não está só. Uma música similar ressoa ao largo de toda a costa ocidental. Disso se dá conta a opinião pública ao realizar-se em Monterey o mais importante festival de 1967." em " "O Mundo da Música Pop" a propósito do festival que marcou o início do Summer of Love, o Festival Pop de Monterey.
E de seguida citando o «East Village Other»:
"A Música não era tudo no festival. Os acontecimentos musicais eram como o órgão de expressão da cultura hippie na costa ocidental." ,
"A música era o órgão de expressão da nova cultura. Esta cultura declara-se definitivamente partidária do amor e oposto à guerra."
e
"Tratava-se, efectivamente, de uma espécie de festival anti-bélico."
O Festival que teve a duração de três dias, 16 a 18 de Junho de 1967, teve em Country Joe and The Fish a manifestação antiguerra mais evidente quer através de "Please Don't Drop That HBomb":
"Don't drop your H-Bomb on me
You can drop it right on yourself"
quer na canção "Fixin' To Die Rag" a canção de protesto antiguerra do Vietnam que mais popular se tornou.
"And it's one, two, three,
What are we fighting for?
Don't ask me, I don't give a damn,
Next stop is Vietnam;
And it's five, six, seven, Open up the pearly gates,
Well there ain't no time to wonder why,
Whoopee! we're all gonna die."
Depois do Festival a canção foi gravada no 2º LP, "I-Feel-Like-I'm-Fixin'-to-Die", de Country Joe and The Fish era a faixa de abertura, "The Fish Cheer-I feel like I'm Fixin' to Die Rag".
Aqui a interpretação no dia 17 de Junho de 1967 no Festival Pop Internacional de Monterey.
Country Joe and The Fish - Fixin' To Die Rag
"São Francisco não está só. Uma música similar ressoa ao largo de toda a costa ocidental. Disso se dá conta a opinião pública ao realizar-se em Monterey o mais importante festival de 1967." em " "O Mundo da Música Pop" a propósito do festival que marcou o início do Summer of Love, o Festival Pop de Monterey.
E de seguida citando o «East Village Other»:
"A Música não era tudo no festival. Os acontecimentos musicais eram como o órgão de expressão da cultura hippie na costa ocidental." ,
"A música era o órgão de expressão da nova cultura. Esta cultura declara-se definitivamente partidária do amor e oposto à guerra."
e
"Tratava-se, efectivamente, de uma espécie de festival anti-bélico."
O Festival que teve a duração de três dias, 16 a 18 de Junho de 1967, teve em Country Joe and The Fish a manifestação antiguerra mais evidente quer através de "Please Don't Drop That HBomb":
"Don't drop your H-Bomb on me
You can drop it right on yourself"
quer na canção "Fixin' To Die Rag" a canção de protesto antiguerra do Vietnam que mais popular se tornou.
"And it's one, two, three,
What are we fighting for?
Don't ask me, I don't give a damn,
Next stop is Vietnam;
And it's five, six, seven, Open up the pearly gates,
Well there ain't no time to wonder why,
Whoopee! we're all gonna die."
Depois do Festival a canção foi gravada no 2º LP, "I-Feel-Like-I'm-Fixin'-to-Die", de Country Joe and The Fish era a faixa de abertura, "The Fish Cheer-I feel like I'm Fixin' to Die Rag".
Aqui a interpretação no dia 17 de Junho de 1967 no Festival Pop Internacional de Monterey.
Country Joe and The Fish - Fixin' To Die Rag
quarta-feira, 9 de março de 2016
Zeca do Rock - God of Negroes / Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo - God of Negroes
De
retorno a Zeca do Rock (1943-2012), ou melhor a José das Dores de nome
verdadeiro.
Depois de “O Sansão foi enganado” (1961) a escolha vai para “God of Negroes” já da segunda metade da década de 60 e, julgo eu, sem edição comercial.
A ideia de “God of Negroes” era por ele explicada no seu blog onde afirmava:
““Entrei em quadrícula” na região de Farim, no norte da Guiné-Bissau, como oficial do Batalhão de Caçadores 1887, em 1966, após uma estadia de poucos meses no quartel da Amura em Bissau. Todos aqueles meses de Guiné provocaram em mim uma grande tristeza e desânimo, ao constatar que os mais de 500 anos de presença portuguesa naquelas paragens não tinham produzido nenhum resultado civilizacional palpável. As populações indígenas viviam no meio das maiores carências, sem meios sanitários de qualquer espécie à sua disposição, não falando uma palavra da língua portuguesa, abandonadas, exploradas, ignoradas, desprezadas.
A administração pública e os lugares de chefia dentro da sociedade civil estavam entregues a uma elite de cabo-verdianos que exerciam a mais tirânica repressão sobre os guineenses. Estes, desamparados, pareciam até esquecidos por Deus. Foi então que me surgiu a ideia de me dirigir ao “Deus dos Negros” a pedir-lhe piedade para o seu povo, já que o deus dos brancos parecia tê-lo abandonado. “
De um conjunto de gravações domésticas de Zeca do Rock ficamos agora com o original “God of Negroes”, “…rascunhos.” “… a figurar como fichas num arquivo de memórias”, ou o que poderia ter sido uma grande canção.
Zeca do Rock - God of Negroes
Em 1972, o Conjunto Académico João Paulo, aliás Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo assim, entretanto, renomeado face à popularidade crescente de Sérgio Borges, gravam o que julgo ser a única edição comercial de “God of Negroes”.
Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo - God of Negroes
Depois de “O Sansão foi enganado” (1961) a escolha vai para “God of Negroes” já da segunda metade da década de 60 e, julgo eu, sem edição comercial.
A ideia de “God of Negroes” era por ele explicada no seu blog onde afirmava:
““Entrei em quadrícula” na região de Farim, no norte da Guiné-Bissau, como oficial do Batalhão de Caçadores 1887, em 1966, após uma estadia de poucos meses no quartel da Amura em Bissau. Todos aqueles meses de Guiné provocaram em mim uma grande tristeza e desânimo, ao constatar que os mais de 500 anos de presença portuguesa naquelas paragens não tinham produzido nenhum resultado civilizacional palpável. As populações indígenas viviam no meio das maiores carências, sem meios sanitários de qualquer espécie à sua disposição, não falando uma palavra da língua portuguesa, abandonadas, exploradas, ignoradas, desprezadas.
A administração pública e os lugares de chefia dentro da sociedade civil estavam entregues a uma elite de cabo-verdianos que exerciam a mais tirânica repressão sobre os guineenses. Estes, desamparados, pareciam até esquecidos por Deus. Foi então que me surgiu a ideia de me dirigir ao “Deus dos Negros” a pedir-lhe piedade para o seu povo, já que o deus dos brancos parecia tê-lo abandonado. “
De um conjunto de gravações domésticas de Zeca do Rock ficamos agora com o original “God of Negroes”, “…rascunhos.” “… a figurar como fichas num arquivo de memórias”, ou o que poderia ter sido uma grande canção.
Zeca do Rock - God of Negroes
Em 1972, o Conjunto Académico João Paulo, aliás Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo assim, entretanto, renomeado face à popularidade crescente de Sérgio Borges, gravam o que julgo ser a única edição comercial de “God of Negroes”.
Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo - God of Negroes
terça-feira, 8 de março de 2016
Grupo 5 - Daydream Believer
The Monkees foram um grupo pop americano dos anos 60, tiveram um sucesso enorme em particular com “I’m Believer” mas também com o tema de hoje, “Daydream Believer”.
Comecemos por recordar “Daydream Believer”, The Monkees em 1967.
Por cá a música dos The Monkees foi bastante popular e os conjuntos portugueses atentos aos seus êxitos.
Os Chinchilas gravaram, em 1967, “I’m a Believer” e em 1968 um conjunto do Porto vai incluir “Daydream Believer” no seu primeiro EP. O conjunto dava pelo nome de Grupo 5 e gravou 3 EP entre 1968 e 1970.
A liderar o grupo encontrava-se Sousa Pinto, o mesmo do Conjunto Sousa Pinto e por ele passaram alguns músicos importantes como o André Sarbib (actual destacado músico de jazz). De êxito e duração curta, Sousa Pinto estaria em 1970 na origem de novo grupo o Pentágono, mas isso já são, definitivamente, outras músicas.
Para já, “Daydream Believer” pelo Grupo 5.
Grupo 5 - Daydream Believer
Comecemos por recordar “Daydream Believer”, The Monkees em 1967.
Por cá a música dos The Monkees foi bastante popular e os conjuntos portugueses atentos aos seus êxitos.
Os Chinchilas gravaram, em 1967, “I’m a Believer” e em 1968 um conjunto do Porto vai incluir “Daydream Believer” no seu primeiro EP. O conjunto dava pelo nome de Grupo 5 e gravou 3 EP entre 1968 e 1970.
A liderar o grupo encontrava-se Sousa Pinto, o mesmo do Conjunto Sousa Pinto e por ele passaram alguns músicos importantes como o André Sarbib (actual destacado músico de jazz). De êxito e duração curta, Sousa Pinto estaria em 1970 na origem de novo grupo o Pentágono, mas isso já são, definitivamente, outras músicas.
Para já, “Daydream Believer” pelo Grupo 5.
Grupo 5 - Daydream Believer
segunda-feira, 7 de março de 2016
Conjunto Académico João Paulo - Jezebel
Na década de 60 eram raros os concertos de música pop em Portugal.
Os poucos que houve foram quase todos em Lisboa. Por cá passaram: Francoise Hardy, Sylvie Vartan (também no Coliseu do Porto), Charles Aznavour, Richard Anthony, France Gall, Rita Pavone, Sandie Shaw (também no Porto), Dalida; no pop-rock The Searchers, The Animals e Cliff Richard and the Shadows todos em 1965 e em 1968 o George Fame.
A 8 de Dezembro de 1965 o jornal Diário de Notícias escrevia "um aviso: não tragam os Beatles! Será o fim do Monumental - teatro e cinema - a avaliar pelo delírio que ontem provocaram The Animals. (...) Gritos estridentes, ininterruptos, agudos, lancinantes, um uivo sincopado de yé-yé, definindo quase um sentimento de dor" (não foi necessário trazerem The Beatles para acabarem com o Monumental, acrescentamos).
Para os cantores e conjuntos portugueses estava reservado fazerem a primeira parte dos espectáculos de algum artista estrangeiro ou a participação em Concursos que então começavam a proliferar.
Ora vejamos:
- Concurso Radiofónico “Os Caloiros da Canção”. Os vencedores, Os Conchas e o Daniel Bacelar tiveram o privilégio de gravar a meias em 1960 o que é considerado o primeiro disco de Ié-Ié português.
- Concurso “Rei do Twist”. Realizado em Setembro de 1963 no Teatro Monumental com a vitória para Victor Gomes e os Gatos Negros.
- Concurso de Conjuntos Portugueses do tipo dos Shadows. Realizado no mesmo mês de Setembro de 1963, saiu vencedor o Conjunto Mistério com direito à gravação de um disco e viagem a Londres para conhecer o conjunto The Shadows.
- Festival Rock e Twist. Realizado em Setembro de 1963 no Cinema Águia d’Ouro no Porto. O destaque vai para o Armindo do Rock.
“Por fim, quando chegou a vez de Armindo do Rock, toda a multidão que enchia o «Águia d’Ouro» pôs-se de pé, galvanizada por duas canções que ele cantou fora de cena. «Depois – escreve o «Jornal de Notícias» - mostrou-se aos olhos dos seus adeptos e foi o delírio». A polícia teve que intervir para acalmar os ânimos, suspendendo o espectáculo com «o palco cheio» e o teatro «em ebulição»", dizia a revista Plateia.
- Festival de Ritmos Modernos. Realizado em Janeiro de 1964 no Teatro Monumental.
"O Festival foi o mais completo sucesso em termos de rock and roll, com a assistência a gritar, dançar, e aplaudir-nos vibrantemente. O grande erro foi o Vasco Morgado (talvez para fazer a vontade à Censura) ter tentado misturar cançonetistas tradicionais com intérpretes de rock. Pela nossa parte, tudo bem, porque éramos colegas e amigos dos tradicional-cançonetistas, mas certo público jovem, cansado da música que lhe era impingida pelas instâncias oficiais, estava ali para soltar o grito do Ipiranga, contra o antigo regime em termos de preferências musicais. Em consequência, decidiu pura e simplesmente recusar-se a ouvir esses intérpretes, vaiando-os e até lançando objectos para o palco.” Relato de Zeca do Rock ao blog Ié-Ié.
- 1º Grande Festival de Shake Rock'n'Roll. Realizado em Abril de 1965 no Cinema Águia d'Ouro, no Porto, com a participação de Armindo do Rock, Tony Araújo e o Conjunto Os Galãs.
- Concurso de Ié-Ié. Final realizada em Abril de 1966 no Teatro Monumental com a vitória do conjunto Os Claves de Lisboa.
E fiquemos pelo ano de 1966. Foi neste ano que se realizou o primeiro concerto (ou será melhor dizer espectáculo?) de um conjunto português. Foi no Teatro Monumental e o protagonista deste facto histórico foi o Conjunto Académico João Paulo já então consagrado com a edição de vários EP. Deste concerto saiu o primeiro LP português de música pop e logo registado ao vivo. Ao vivo, não terá sido na totalidade, pois, pelos vistos, algumas faixas foram gravadas em estúdio com adição posterior dos aplausos. De qualquer forma é um disco histórico e nunca foi editado em CD.
O tema de abertura do LP é “Jezebel” a mostrar bem a dinâmica que o conjunto evidenciava e agora, vamos lá ouvir "Jezebel" e toca a bater palmas.
Conjunto Académico João Paulo - Jezebel
Os poucos que houve foram quase todos em Lisboa. Por cá passaram: Francoise Hardy, Sylvie Vartan (também no Coliseu do Porto), Charles Aznavour, Richard Anthony, France Gall, Rita Pavone, Sandie Shaw (também no Porto), Dalida; no pop-rock The Searchers, The Animals e Cliff Richard and the Shadows todos em 1965 e em 1968 o George Fame.
A 8 de Dezembro de 1965 o jornal Diário de Notícias escrevia "um aviso: não tragam os Beatles! Será o fim do Monumental - teatro e cinema - a avaliar pelo delírio que ontem provocaram The Animals. (...) Gritos estridentes, ininterruptos, agudos, lancinantes, um uivo sincopado de yé-yé, definindo quase um sentimento de dor" (não foi necessário trazerem The Beatles para acabarem com o Monumental, acrescentamos).
Para os cantores e conjuntos portugueses estava reservado fazerem a primeira parte dos espectáculos de algum artista estrangeiro ou a participação em Concursos que então começavam a proliferar.
Ora vejamos:
- Concurso Radiofónico “Os Caloiros da Canção”. Os vencedores, Os Conchas e o Daniel Bacelar tiveram o privilégio de gravar a meias em 1960 o que é considerado o primeiro disco de Ié-Ié português.
- Concurso “Rei do Twist”. Realizado em Setembro de 1963 no Teatro Monumental com a vitória para Victor Gomes e os Gatos Negros.
- Concurso de Conjuntos Portugueses do tipo dos Shadows. Realizado no mesmo mês de Setembro de 1963, saiu vencedor o Conjunto Mistério com direito à gravação de um disco e viagem a Londres para conhecer o conjunto The Shadows.
- Festival Rock e Twist. Realizado em Setembro de 1963 no Cinema Águia d’Ouro no Porto. O destaque vai para o Armindo do Rock.
“Por fim, quando chegou a vez de Armindo do Rock, toda a multidão que enchia o «Águia d’Ouro» pôs-se de pé, galvanizada por duas canções que ele cantou fora de cena. «Depois – escreve o «Jornal de Notícias» - mostrou-se aos olhos dos seus adeptos e foi o delírio». A polícia teve que intervir para acalmar os ânimos, suspendendo o espectáculo com «o palco cheio» e o teatro «em ebulição»", dizia a revista Plateia.
- Festival de Ritmos Modernos. Realizado em Janeiro de 1964 no Teatro Monumental.
"O Festival foi o mais completo sucesso em termos de rock and roll, com a assistência a gritar, dançar, e aplaudir-nos vibrantemente. O grande erro foi o Vasco Morgado (talvez para fazer a vontade à Censura) ter tentado misturar cançonetistas tradicionais com intérpretes de rock. Pela nossa parte, tudo bem, porque éramos colegas e amigos dos tradicional-cançonetistas, mas certo público jovem, cansado da música que lhe era impingida pelas instâncias oficiais, estava ali para soltar o grito do Ipiranga, contra o antigo regime em termos de preferências musicais. Em consequência, decidiu pura e simplesmente recusar-se a ouvir esses intérpretes, vaiando-os e até lançando objectos para o palco.” Relato de Zeca do Rock ao blog Ié-Ié.
- 1º Grande Festival de Shake Rock'n'Roll. Realizado em Abril de 1965 no Cinema Águia d'Ouro, no Porto, com a participação de Armindo do Rock, Tony Araújo e o Conjunto Os Galãs.
- Concurso de Ié-Ié. Final realizada em Abril de 1966 no Teatro Monumental com a vitória do conjunto Os Claves de Lisboa.
E fiquemos pelo ano de 1966. Foi neste ano que se realizou o primeiro concerto (ou será melhor dizer espectáculo?) de um conjunto português. Foi no Teatro Monumental e o protagonista deste facto histórico foi o Conjunto Académico João Paulo já então consagrado com a edição de vários EP. Deste concerto saiu o primeiro LP português de música pop e logo registado ao vivo. Ao vivo, não terá sido na totalidade, pois, pelos vistos, algumas faixas foram gravadas em estúdio com adição posterior dos aplausos. De qualquer forma é um disco histórico e nunca foi editado em CD.
O tema de abertura do LP é “Jezebel” a mostrar bem a dinâmica que o conjunto evidenciava e agora, vamos lá ouvir "Jezebel" e toca a bater palmas.
Conjunto Académico João Paulo - Jezebel
domingo, 6 de março de 2016
Nuno Filipe - Canção à Maneira da Saudade
De alguns nomes da música feita em Portugal nos anos 60 retinha somente o nome e (ou) a lembrança da leitura de algum texto sobre os mesmos enquanto a sua música pura e simplesmente não conhecia ou, na piordas hipóteses, não me lembrava de todo. Por exemplo o Nuno Filipe, a Magdalena Pinto Basto ou até a Teresa Paula Brito, pelo que a curiosidade de os (re)descobrir era grande.
Pois bem, aqui estamos, mais uma vez, com o Nuno Filipe (1947-2002).
Nuno Filipe deixou-nos 4 discos (3 EP e 1 single) sempre com a colaboração nas letras da poetisa Maria Teresa Horta. Em Outubro de 1970 a revista “mundo da canção” referia-se à dupla Nuno Filipe/Maria Teresa Horta assim:
“Nuno Filipe. Dentro da via de uma canção internacionalista e urbana (nas suas coordenadas melódicas, musicais e instrumentais). Embora envolvendo temáticas enraizadas. Como os poemas de Maria Teresa Horta – uma das mais válidas vozes da poesia de hoje.”
Em 1969 foi editado o muito bem conseguido 3º EP, do qual me recordava mal, e ao que parece alvo da censura então vigente. O tema escolhido é o 2º de nome “Canção à maneira de saudade, conforme poema de El-Rei D. Diniz”. O tom “jazzístico” é dado pelo acompanhamento musical do conjunto Álamos e a própria Maria Teresa Horta participa na gravação com a leitura de pequenos versos. É dela o texto da contra-capa que se transcreve:
“O microfone à minha frente tinha ao centro um pequeno coração vermelho, saliente, brilhante… tentei concentrar nele a atenção enquanto procurava não me lembrar ainda das palavras que teria de dizer, de gravar, sobre um fundo esgarçado de «jazz»: mundo diferente e tenso numa espécie de raiva e de doçura de arrepiar os nervos; a enroscar-se na pele …
À minha frente o coração parece uma pequena jóia, mas os olhos escorregam para o papel onde as letras se destacam firmes e precisas a formarem os seus versos:
Ai minha dor minha amizade / notícias aqui desta cidade / Ai, Deus, e u é?
… Onde estão novas, onde estão dias / rasgado naquilo que nos servia / Ai, Deus, e u é?
À minha frente o coração de metal cromado… mexo nos cabelos a aliviar o peso dos auscultadores e mais à vontade, agora que já gravei, ensaio um sorriso tranquilo. Oiço os meus poemas cantados: a voz rebelde e agressiva de Nuno Filipe e sùbitamente a minha: apenas um momento numa das canções a dar um toque de mulher e de corpo. E volto para o meu lugar, atrás do vidro grosso, debruçado sobre a sala, fascinada.
…
Ai meu amor, ai meu amigo / cantai bem alto o que vos digo / Ai, Deus, e u é?”
Nuno Filipe - Canção à Maneira da Saudade
Nuno Filipe deixou-nos 4 discos (3 EP e 1 single) sempre com a colaboração nas letras da poetisa Maria Teresa Horta. Em Outubro de 1970 a revista “mundo da canção” referia-se à dupla Nuno Filipe/Maria Teresa Horta assim:
“Nuno Filipe. Dentro da via de uma canção internacionalista e urbana (nas suas coordenadas melódicas, musicais e instrumentais). Embora envolvendo temáticas enraizadas. Como os poemas de Maria Teresa Horta – uma das mais válidas vozes da poesia de hoje.”
Em 1969 foi editado o muito bem conseguido 3º EP, do qual me recordava mal, e ao que parece alvo da censura então vigente. O tema escolhido é o 2º de nome “Canção à maneira de saudade, conforme poema de El-Rei D. Diniz”. O tom “jazzístico” é dado pelo acompanhamento musical do conjunto Álamos e a própria Maria Teresa Horta participa na gravação com a leitura de pequenos versos. É dela o texto da contra-capa que se transcreve:
“O microfone à minha frente tinha ao centro um pequeno coração vermelho, saliente, brilhante… tentei concentrar nele a atenção enquanto procurava não me lembrar ainda das palavras que teria de dizer, de gravar, sobre um fundo esgarçado de «jazz»: mundo diferente e tenso numa espécie de raiva e de doçura de arrepiar os nervos; a enroscar-se na pele …
À minha frente o coração parece uma pequena jóia, mas os olhos escorregam para o papel onde as letras se destacam firmes e precisas a formarem os seus versos:
Ai minha dor minha amizade / notícias aqui desta cidade / Ai, Deus, e u é?
… Onde estão novas, onde estão dias / rasgado naquilo que nos servia / Ai, Deus, e u é?
À minha frente o coração de metal cromado… mexo nos cabelos a aliviar o peso dos auscultadores e mais à vontade, agora que já gravei, ensaio um sorriso tranquilo. Oiço os meus poemas cantados: a voz rebelde e agressiva de Nuno Filipe e sùbitamente a minha: apenas um momento numa das canções a dar um toque de mulher e de corpo. E volto para o meu lugar, atrás do vidro grosso, debruçado sobre a sala, fascinada.
…
Ai meu amor, ai meu amigo / cantai bem alto o que vos digo / Ai, Deus, e u é?”
Nuno Filipe - Canção à Maneira da Saudade
sábado, 5 de março de 2016
Paulo de Carvalho e Fluido - Sorrow and Pain
Paulo de Carvalho, com mais de 50 anos de actividade, tem alguns períodos da sua carreira relativamente pouco conhecidos.
Depois de abandonar os Sheiks em 1968 e antes do início da carreira a solo em 1970/71, existem algumas gravações dos grupos que entretanto formou que não são de menosprezar. Para além de um EP gravado com a Banda 4, algumas gravações com os Fluido são deveras agradáveis apresentando um registo de voz particularmente atraente e algumas influências psicadélicas que, infelizmente, rapidamente abandonaria. Com temas em português, mas também em inglês (a pensar já na tentativa de internacionalização?), as gravações não tiveram grande divulgação e consequentemente diminuta popularidade.
Como evidência desses tempos, escolhemos “Sorrow and Pain”, uma pequena e bonita canção, do género quanto mais se ouve, mais se gosta. Espero que seja uma agradável surpresa e mostra um Paulo de Carvalho que só teria a ganhar, digo eu, se tivesse enveredado por caminhos que aqui parecia começar a desbravar.
Este é um tema gravado num EP, em 1969, Paulo de Carvalho com os Fluido.
Paulo de Carvalho e Fluido - Sorrow and Pain
Depois de abandonar os Sheiks em 1968 e antes do início da carreira a solo em 1970/71, existem algumas gravações dos grupos que entretanto formou que não são de menosprezar. Para além de um EP gravado com a Banda 4, algumas gravações com os Fluido são deveras agradáveis apresentando um registo de voz particularmente atraente e algumas influências psicadélicas que, infelizmente, rapidamente abandonaria. Com temas em português, mas também em inglês (a pensar já na tentativa de internacionalização?), as gravações não tiveram grande divulgação e consequentemente diminuta popularidade.
Como evidência desses tempos, escolhemos “Sorrow and Pain”, uma pequena e bonita canção, do género quanto mais se ouve, mais se gosta. Espero que seja uma agradável surpresa e mostra um Paulo de Carvalho que só teria a ganhar, digo eu, se tivesse enveredado por caminhos que aqui parecia começar a desbravar.
Este é um tema gravado num EP, em 1969, Paulo de Carvalho com os Fluido.
Paulo de Carvalho e Fluido - Sorrow and Pain
sexta-feira, 4 de março de 2016
The Mamas and The Papas - California Dreamin'
O Som de S. Francisco
O curto espaço de tempo, de finais de 1965 a meados de 1967, foi mais que suficiente para o nascimento, desenvolvimento e morte da nova cultura que se desenvolveu em S. Francisco. As suas repercussões, essas mantiveram-se ao longo dos tempos.
"...esta nova cultura foi silenciada durante um ano pela imprensa mundial, que lhe deu a chancela «hippie» para convertê-la num simples slogan turístico." em "O Mundo da Música Pop".
Quando ela se espalhou um pouco por todo o lado, cá também, já S. Francisco tinha declarado o seu fim.
A 6 de Outubro de 1967 é declarado o fim do movimento hippie: "The Death of The Hippie" foi o funeral celebrado.
Musicalmente os acontecimentos ocorreram de formas diversas, através da Family Dog Concerts (que se prolongaram por 1968), os concertos no Carousel Ballroom (durante alguns meses transformado numa espécie de centro comunitário gerido pelos Grateful Dead, Jefferson Airplane, Quicksilver Messenger Service e Big Brother and the Holding Company), posteriormente os famosos concertos no Fillmore West de Bill Graham, os Trips Festival no Longshoreman's Hall ou ainda os concertos ao ar livre no Panhandle e Golden Gate Park (centro do Summer of Love).
Para além dos muitos e bons grupos originários de S. Francisco, muitos dos quais já aqui se deu conta, outros não oriundos de S. Francisco mas de alguma forma a ela relacionados são de referir, Crosby, Stills, Nash & Young, The Doors, Bob Dylan, Scott Mckenzie, The Youngbloods, The Mamas and The Papas, etc..
Fechamos esta passagem pelo Som de S. Francisco com um grupo bem distante da West Coast: The Mamas and The Papas.
The Mamas and The Papas eram um quarteto predominantemente vocal formado por Cass Elliot (1941-1974), John Phillips (1935-2001), Michelle Phillips (1944-) e Denny Doherty (1940-2007), originários de Nova York, ficaram para sempre ligados à contracultura hippie dos anos 60.
John Phillips é mesmo o autor de "San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)" eternizada na voz de Scott Mackenzie, editada em Maio de 1967 e promotora do Monterey Pop Festival (o qual teve em John Philips um dos principais organizadores) que se realizou em Junho, era o início do Summer of Love.
Recuperamos, mais uma vez, "California Dreamin'", editada em finais de 1965, e que ficará para sempre como um símbolo da cena musical da West Coast.
The Mamas and The Papas - California Dreamin'
O curto espaço de tempo, de finais de 1965 a meados de 1967, foi mais que suficiente para o nascimento, desenvolvimento e morte da nova cultura que se desenvolveu em S. Francisco. As suas repercussões, essas mantiveram-se ao longo dos tempos.
"...esta nova cultura foi silenciada durante um ano pela imprensa mundial, que lhe deu a chancela «hippie» para convertê-la num simples slogan turístico." em "O Mundo da Música Pop".
Quando ela se espalhou um pouco por todo o lado, cá também, já S. Francisco tinha declarado o seu fim.
A 6 de Outubro de 1967 é declarado o fim do movimento hippie: "The Death of The Hippie" foi o funeral celebrado.
Para além dos muitos e bons grupos originários de S. Francisco, muitos dos quais já aqui se deu conta, outros não oriundos de S. Francisco mas de alguma forma a ela relacionados são de referir, Crosby, Stills, Nash & Young, The Doors, Bob Dylan, Scott Mckenzie, The Youngbloods, The Mamas and The Papas, etc..
Fechamos esta passagem pelo Som de S. Francisco com um grupo bem distante da West Coast: The Mamas and The Papas.
The Mamas and The Papas eram um quarteto predominantemente vocal formado por Cass Elliot (1941-1974), John Phillips (1935-2001), Michelle Phillips (1944-) e Denny Doherty (1940-2007), originários de Nova York, ficaram para sempre ligados à contracultura hippie dos anos 60.
John Phillips é mesmo o autor de "San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)" eternizada na voz de Scott Mackenzie, editada em Maio de 1967 e promotora do Monterey Pop Festival (o qual teve em John Philips um dos principais organizadores) que se realizou em Junho, era o início do Summer of Love.
Recuperamos, mais uma vez, "California Dreamin'", editada em finais de 1965, e que ficará para sempre como um símbolo da cena musical da West Coast.
The Mamas and The Papas - California Dreamin'
quinta-feira, 3 de março de 2016
Santana - Jingo
O Som de S. Francisco
Depois de ter postado várias recordações sob a designação de O Som de S. Francisco fácil é de constatar que não estávamos na presença de uma homogeneidade sonora, antes face a uma diversidade de sons que as diversas bandas que então surgiram desenvolveram de forma tão criativa.
A escolha para hoje é mais uma prova dessa diversidade ao evidenciar um som assaz original na fusão do Rock e do Blues com a música latina e os ritmos africanos.
Carlos Santana é um músico mexicano que, na segunda metade dos anos 60, se encontrava em S. Francisco quando dá início à sua carreira musical.
É no caldo musical de S. Francisco que Carlos Santana vai, em 1967, formar o grupo que toma o seu nome, Santana, e que ainda hoje perdura com o sucesso que se conhece.
Santana é o último grande grupo a surgir na fervilhante S. Francisco. Influenciado por músicos como BB King e John Lee Hooker é na variedade musical que então se vivia em S. Francisco que Carlos Santana vai desenvolver a sonoridade que em 1969 vai surpreender e encantar Woodstock.
Somente depois do Festival de Woodstock é que é editado o primeiro LP "Santana", que ainda hoje se encontra entre o melhor que Carlos Santana gravou. "Santana" é uma explosão sonora, era o nascer de um novo estilo musical.
"Santana" é um disco obrigatório, para quem não conhecer (será possível?) os Santana é por este disco que devem começar, quem os conhecer do êxito que foi "Supernatural" no virar do século, sugere-se a audição deste "Santana".
"Jingo" é um tema bem ilustrativo da música praticada pelos Santana no seu início, irresistível!
Santana - Jingo
Depois de ter postado várias recordações sob a designação de O Som de S. Francisco fácil é de constatar que não estávamos na presença de uma homogeneidade sonora, antes face a uma diversidade de sons que as diversas bandas que então surgiram desenvolveram de forma tão criativa.
A escolha para hoje é mais uma prova dessa diversidade ao evidenciar um som assaz original na fusão do Rock e do Blues com a música latina e os ritmos africanos.
Carlos Santana é um músico mexicano que, na segunda metade dos anos 60, se encontrava em S. Francisco quando dá início à sua carreira musical.
É no caldo musical de S. Francisco que Carlos Santana vai, em 1967, formar o grupo que toma o seu nome, Santana, e que ainda hoje perdura com o sucesso que se conhece.
Santana é o último grande grupo a surgir na fervilhante S. Francisco. Influenciado por músicos como BB King e John Lee Hooker é na variedade musical que então se vivia em S. Francisco que Carlos Santana vai desenvolver a sonoridade que em 1969 vai surpreender e encantar Woodstock.
Somente depois do Festival de Woodstock é que é editado o primeiro LP "Santana", que ainda hoje se encontra entre o melhor que Carlos Santana gravou. "Santana" é uma explosão sonora, era o nascer de um novo estilo musical.
"Santana" é um disco obrigatório, para quem não conhecer (será possível?) os Santana é por este disco que devem começar, quem os conhecer do êxito que foi "Supernatural" no virar do século, sugere-se a audição deste "Santana".
"Jingo" é um tema bem ilustrativo da música praticada pelos Santana no seu início, irresistível!
Santana - Jingo
quarta-feira, 2 de março de 2016
Sly and The Family Stone - A Trip to Your Heart
O Som de S. Francisco
Tendo por base a família Stone, foi formado, em 1967, em S. Francisco o grupo Sly and The Family Stone. Tendo por elemento principal o cantor, compositor e produtor Sly Stone e grupo era na sua origem constituído por elementos negros e brancos o que talvez tenha propiciado a mistura de sons que então praticavam. Ao Soul e ao predominante Funk era acrescido o Rock psicadélico então dominante em S. Francisco o que lhes concedeu um lugar particular na história da música negra norte-americana.
Logo em 1967 editaram o primeiro LP "A Whole New Thing" que pese a boa aceitação da crítica não teve correspondência nas tabelas de venda.
O sucesso maior iria ocorrer a partir de 1969, nomeadamente com a participação no Festival de Woodstock, o final dos anos 60 e início dos anos 70 conheceu êxitos como "Every Day People", "Thank You", "I Want to Take You Higher" e "Family Affair"
"A Whole new thing - Good gracious alive! - It sure is!
Sly takes us on a trip that makes stops at all the musical ports of planet Earth's hip circles.
Lyrics that say more than "my baby loves me" or "my baby don't love me", as the case may be. Arrangements that swing with melodic variations and the unexpected. Sly and The Family Stone's performance in this setting contains all the warm feeling and exciting soul that we who live in S. Francisco Bay area have known for some time." lê-se nas notas da edição original de "A Whole New Thing".
"A Trip to Your Heart" faz parte da "trip" que Sly Stone nos propões neste primeiro LP. Embarquemos!
Sly and The Family Stone - A Trip to Your Heart
Tendo por base a família Stone, foi formado, em 1967, em S. Francisco o grupo Sly and The Family Stone. Tendo por elemento principal o cantor, compositor e produtor Sly Stone e grupo era na sua origem constituído por elementos negros e brancos o que talvez tenha propiciado a mistura de sons que então praticavam. Ao Soul e ao predominante Funk era acrescido o Rock psicadélico então dominante em S. Francisco o que lhes concedeu um lugar particular na história da música negra norte-americana.
Logo em 1967 editaram o primeiro LP "A Whole New Thing" que pese a boa aceitação da crítica não teve correspondência nas tabelas de venda.
O sucesso maior iria ocorrer a partir de 1969, nomeadamente com a participação no Festival de Woodstock, o final dos anos 60 e início dos anos 70 conheceu êxitos como "Every Day People", "Thank You", "I Want to Take You Higher" e "Family Affair"
"A Whole new thing - Good gracious alive! - It sure is!
Sly takes us on a trip that makes stops at all the musical ports of planet Earth's hip circles.
Lyrics that say more than "my baby loves me" or "my baby don't love me", as the case may be. Arrangements that swing with melodic variations and the unexpected. Sly and The Family Stone's performance in this setting contains all the warm feeling and exciting soul that we who live in S. Francisco Bay area have known for some time." lê-se nas notas da edição original de "A Whole New Thing".
"A Trip to Your Heart" faz parte da "trip" que Sly Stone nos propões neste primeiro LP. Embarquemos!
Sly and The Family Stone - A Trip to Your Heart
terça-feira, 1 de março de 2016
It's A Beautiful Day - White Bird
O Som de S. Francisco
Do manancial de formações musicais que surgiram em S. Francisco na 2ª metade dos anos 60, muitos grupos ficam por abordar. Nesta passagem pelo Som de S. Francisco ainda tempo para mais 3 bandas cuja única coisa em comum é terem sido formadas naquela cidade no ano de 1967: It's A Beautiful Day, Sly and The Family Stone e Santana.
Sonoridades diferentes, percursos diferentes e popularidades diferentes tiveram estas 3 bandas de S. Francisco. Comecemos por aquela talvez menos conhecida, It's A Beautiful Day.
A primeira vez que ouvi It´s A Beautiful Day foi através de uma colectânea de 1970, já anteriormente aqui referida, de nome Rock Buster. Os It´s A Beautiful Day abriam a referida colectânea com o tema "Don and Dewey" que também era faixa de abertura do 2º LP, "Marrying Maiden", também editado em 1970. E logo fiquei, com os meus 15 aninhos, fascinado por uma sonoridade que para mim era praticamente desconhecida, uma mistura única de Rock, Folk e Jazz.
It's A Beautiful Day não foram uma banda, por cá, de alguma forma, muito divulgada pelo que nunca cheguei a conhecer os seus discos como deve ser.
Tocaram em Clubes de Seattle e S. Francisco antes de em 1969 terem a oportunidade de gravar o primeiro álbum. Liderados por David LaFlamme, na voz e violino, e sua esposa Linda LaFlamme nos teclados, terminaram em 1974 após constantes alterações na formação do grupo.
Deste muito agradável disco a escolha vai para "White Bird" a faixa que maior realce teve quando o LP foi editado.
It's A Beautiful Day - White Bird
Do manancial de formações musicais que surgiram em S. Francisco na 2ª metade dos anos 60, muitos grupos ficam por abordar. Nesta passagem pelo Som de S. Francisco ainda tempo para mais 3 bandas cuja única coisa em comum é terem sido formadas naquela cidade no ano de 1967: It's A Beautiful Day, Sly and The Family Stone e Santana.
Sonoridades diferentes, percursos diferentes e popularidades diferentes tiveram estas 3 bandas de S. Francisco. Comecemos por aquela talvez menos conhecida, It's A Beautiful Day.
A primeira vez que ouvi It´s A Beautiful Day foi através de uma colectânea de 1970, já anteriormente aqui referida, de nome Rock Buster. Os It´s A Beautiful Day abriam a referida colectânea com o tema "Don and Dewey" que também era faixa de abertura do 2º LP, "Marrying Maiden", também editado em 1970. E logo fiquei, com os meus 15 aninhos, fascinado por uma sonoridade que para mim era praticamente desconhecida, uma mistura única de Rock, Folk e Jazz.
It's A Beautiful Day não foram uma banda, por cá, de alguma forma, muito divulgada pelo que nunca cheguei a conhecer os seus discos como deve ser.
Tocaram em Clubes de Seattle e S. Francisco antes de em 1969 terem a oportunidade de gravar o primeiro álbum. Liderados por David LaFlamme, na voz e violino, e sua esposa Linda LaFlamme nos teclados, terminaram em 1974 após constantes alterações na formação do grupo.
Deste muito agradável disco a escolha vai para "White Bird" a faixa que maior realce teve quando o LP foi editado.
It's A Beautiful Day - White Bird
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