O Som de S. Francisco
São Francisco, na segunda metade dos anos 60, foi o centro de uma verdadeira revolução artística com epicentro numa comunidade de "new people" que, para além de protestos políticos, desenvolvia uma nova cultura, uma nova maneira de estar na vida.
"Vinte mil pessoas tinham-se concentrado ali, com o único objectivo de expressar o seu amor e a sua alegria, para celebrar a unidade naquele parque banhado de sol; na companhia de pessoas que tinham o mesmo aspecto que os outros, o mesmo pensamento, o mesmo compartilhar de esperanças e ídolos. cujo único desejo era permanecerem sozinhos e viver como melhor lhes aprouver." escrevia o jornal East Villlage Other acerca do "human be-in" ocorrido na cidade de São Francisco a de 14 de Janeiro de 1967 (citação do livro "O Mundo da Música Pop").
Este movimento da juventude americana, primeiro em São Francisco, depois em Nova Iorque e depois um pouco por todo o lado, foi designado de hippie (na origem pretendendo significar "que está na moda" ou "o mais actualizado possível") tendo por principais lemas "Make Love, Not War" e "Flower Power".
A música e a realização de concertos, cada vez com maior número de participantes, vão ser determinantes e centrais na actividade do movimento hippie. Em São Francisco a importância foi tal que a música então aí praticada acabou por tomar a designação de "O som de São Francisco" (San Francisco Sound).
As novas sonoridades características dos grupos formados em S. Francisco tiveram forte influência do Rhythm'n'Blues e do Folk-Rock então emergente. Aqueles que ficaram para sempre mais conhecidos foram os já aqui lembrados Jefferson Airplane e Grateful Dead.
"No dia 6 de Outubro de 1965, iniciou-se a era do «San Francisco sound»", de acordo com "O Mundo da Música Pop". Nesse dia realizou-se um concerto onde actuaram Jefferson Airplane, Great Society, Charlatans e The Marbles.
Do grupo The Marbles não se editaram, que eu conheça, qualquer disco, dos restantes, e muitos outros hoje não aqui referenciados, deixaram-nos gravações mais que suficientes para podermos testemunhar o Som de S. Francisco.
Comecemos pelos incontornáveis Jefferson Airplane.
Ainda em 1965 começaram as gravações para o primeiro álbum a ser editado em 1966 de nome "Jefferson Airplane Takes Off", ainda com Signe Toly Anderson na voz, antes, portanto, de ser substituída por Grace Slick.
"Tobacco Road" é uma canção do início da década de 60 que em 1970 teve particular êxito na versão de 14 minutos de Eric Burdon and The War
Hoje, a versão dos Jefferson Airplane. Era o som de S.Francisco.
Jefferson Airplane - Tobacco Road
Para uns recordações, para outros descobertas. São notas passadas, musicais e não só...
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Grateful Dead -Morning Dew
O Som de S. Francisco
"O facto de ao fim e ao cabo se poder falar de um «sound» característico, tem razão primordial social. Efectivamente, havia mais de 500 conjuntos na cidade. Vulgarmente, viam-se conjuntos a viver em comunas, premissa essencial para a formação de um «sound» colectivo." afirmava-se em "O Mundo da Música Pop".
Logo de seguida citava-se Ralph Gleason, conhecido crítico musical:
"Todos eles, eram conjuntos cooperativistas e, duma maneira geral, nos espectáculos luminosos, por exemplo, engenheiros de som, mulheres, crianças cada um com o seu serviço específico, etc. Habitualmente viviam todos em conjunto, como acontecia com o conjunto Grateful Dead na sua casa de Height Ashbury, abandonada há já alguns anos."
Passagem obrigatória, mais uma, pelos Grateful Dead. Referência incontornável da música psicadélica de S. Francisco, os Grateful Dead marcaram presença, a partir de finais de 1965, na generalidade dos concertos que então se realizaram em S. Francisco.
Depois da gravação de um primeiro Single ainda em 1966, em 1967 é gravado e editado o primeiro LP. Dele recuperamos a faixa "Morning Dew", uma canção folk originária de Bonnie Dobson editada em 1964.
"Morning Dew", na manhã seguinte após o apocalipse, a conversa entre o homem e a mulher únicos sobreviventes.
Grateful Dead -Morning Dew
"O facto de ao fim e ao cabo se poder falar de um «sound» característico, tem razão primordial social. Efectivamente, havia mais de 500 conjuntos na cidade. Vulgarmente, viam-se conjuntos a viver em comunas, premissa essencial para a formação de um «sound» colectivo." afirmava-se em "O Mundo da Música Pop".
Logo de seguida citava-se Ralph Gleason, conhecido crítico musical:
"Todos eles, eram conjuntos cooperativistas e, duma maneira geral, nos espectáculos luminosos, por exemplo, engenheiros de som, mulheres, crianças cada um com o seu serviço específico, etc. Habitualmente viviam todos em conjunto, como acontecia com o conjunto Grateful Dead na sua casa de Height Ashbury, abandonada há já alguns anos."
Passagem obrigatória, mais uma, pelos Grateful Dead. Referência incontornável da música psicadélica de S. Francisco, os Grateful Dead marcaram presença, a partir de finais de 1965, na generalidade dos concertos que então se realizaram em S. Francisco.
"Morning Dew", na manhã seguinte após o apocalipse, a conversa entre o homem e a mulher únicos sobreviventes.
Grateful Dead -Morning Dew
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Les Fanatic's - The Spotnick Theme
Les Fanatic’s é o nome de um conjunto português dos anos 60.
Eram alunos do Liceu Francês e tiveram diversas formações. De entre eles nota para o Michel da Costa (bateria e voz) que é, nem mais nem menos, que o famoso cozinheiro Michel. Com idades compreendidas entre os 16 e 19 anos, três franceses e um português, gravaram em 1964 um EP que é o motivo deste Regresso ao Passado. Os quatro temas, todos instrumentais, são do mais Shadowsiano que se pode ouvir. Já viram a quantidade de conjuntos portugueses influenciados pelos The Shadows? Ou talvez melhor dizendo, que copiavam a sonoridade inconfundível dos The Shadows.
O EP tem dois “twist”, um “slow” e uma “marcha” e é precisamente a “marcha” de nome “The Spotnick Theme” a música escolhida.
“The Spotnick Theme” é um original do conjunto sueco The Spotnicks gravado em 1961, recordemo-lo.
Para a curta história de Les Fanatic’s destaque para a primeira parte que fizeram do espectáculo da Sylvie Vartan em Lisboa precisamente em 1964.
E finalmente a recuperação da versão de “The Spotnick Theme” pelos Les Fanatic’s, aqui está.
Les Fanatic's - The Spotnick Theme
Eram alunos do Liceu Francês e tiveram diversas formações. De entre eles nota para o Michel da Costa (bateria e voz) que é, nem mais nem menos, que o famoso cozinheiro Michel. Com idades compreendidas entre os 16 e 19 anos, três franceses e um português, gravaram em 1964 um EP que é o motivo deste Regresso ao Passado. Os quatro temas, todos instrumentais, são do mais Shadowsiano que se pode ouvir. Já viram a quantidade de conjuntos portugueses influenciados pelos The Shadows? Ou talvez melhor dizendo, que copiavam a sonoridade inconfundível dos The Shadows.
O EP tem dois “twist”, um “slow” e uma “marcha” e é precisamente a “marcha” de nome “The Spotnick Theme” a música escolhida.
“The Spotnick Theme” é um original do conjunto sueco The Spotnicks gravado em 1961, recordemo-lo.
Para a curta história de Les Fanatic’s destaque para a primeira parte que fizeram do espectáculo da Sylvie Vartan em Lisboa precisamente em 1964.
E finalmente a recuperação da versão de “The Spotnick Theme” pelos Les Fanatic’s, aqui está.
Les Fanatic's - The Spotnick Theme
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Guitarras de Fogo – Memphis
Nos anos 60, em Portugal, pululavam muitos grupos que ganhavam a vida animando bailes e festas de finalistas. Gravar um disco era um sonho que nem todos conseguiam e, entre aqueles que o fizeram, muitos não passaram do primeiro Single ou EP.
Os Guitarras de Fogo, da Costa da Caparica, foram disso exemplo, um único disco EP gravado em 1966. As influências iam directas para os The Shadows, mas também para The Beatles, que faziam já sentir claramente uma viragem nos gostos musicais de muitos dos grupos da época.
O outro lado do Atlântico marcava igualmente forte presença, de Ricky Nelson a Elvis Presley passando por Chuck Berry de quem os Guitarras de Fogo gravaram um tema. Tratou-se de “Memphis” que recordamos no original.
De acordo com o Blog Ié-Ié os Guitarra de Fogo participaram e venceram (à frente dos Tártaros do Porto) a 10ª eliminatória do Concurso de Ié-Ié que se realizou, no Teatro Monumental em Lisboa, no ano de 1965. Por entre temas dos The Beatles tocam precisamente “Memphis” que hoje é o motivo deste Regresso ao Passado. Seriam eliminados, já em 1966, na 3ª meia-final do concurso, pelos Espaciais, também do Porto.
Esta agradável versão é somente instrumental como era então vulgar.
Guitarras de Fogo – Memphis
Os Guitarras de Fogo, da Costa da Caparica, foram disso exemplo, um único disco EP gravado em 1966. As influências iam directas para os The Shadows, mas também para The Beatles, que faziam já sentir claramente uma viragem nos gostos musicais de muitos dos grupos da época.
O outro lado do Atlântico marcava igualmente forte presença, de Ricky Nelson a Elvis Presley passando por Chuck Berry de quem os Guitarras de Fogo gravaram um tema. Tratou-se de “Memphis” que recordamos no original.
De acordo com o Blog Ié-Ié os Guitarra de Fogo participaram e venceram (à frente dos Tártaros do Porto) a 10ª eliminatória do Concurso de Ié-Ié que se realizou, no Teatro Monumental em Lisboa, no ano de 1965. Por entre temas dos The Beatles tocam precisamente “Memphis” que hoje é o motivo deste Regresso ao Passado. Seriam eliminados, já em 1966, na 3ª meia-final do concurso, pelos Espaciais, também do Porto.
Esta agradável versão é somente instrumental como era então vulgar.
Guitarras de Fogo – Memphis
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Os Tubarões - Poema do Homem Rã
No período de 1967-1969, Portugal assistiu a um verdadeiro boom de conjuntos Pop-Rock.
Para além dos consagrados: Quarteto 1111, Quinteto Académico, Conjunto Académico João Paulo, Os Espaciais, Sheiks, Os Titãs, outros de menor notoriedade: Jets, Conjunto Universitário Hi-Fi, The Strollers, Os Vodkas, Álamos e Grupo 5 são merecedores de referência.
Neste 2º grupo pode-se colocar a escolha de hoje, o conjunto Os Tubarões (não confundir com os excelentes cabo-verdianos de mesmo nome surgidos nos anos 70).
Estes Os Tubarões eram de Viseu tiveram o seu início em 1963 e terminariam em 1968 devido ao serviço militar obrigatório. Com actuações entre Viseu e Figueira da Foz participaram ainda em 1965 no Concurso Ié-Ié no Teatro Municipal de Lisboa. De 1968 ficou a gravação do único EP de Os Tubarões, na contra-capa do EP lia-se:
“Tudo começo por uma ideia que alguém, um dia agarrou nas ruas de Viseu. Andava, então, música a fervilhar nas cabeças jovens de 6 rapazes. Música sem pautas musicais. Quase sem forma. Mas música jovem, inquieta, quase irreverente.
Os 6 rapazes (da música jovem, quase diríamos nova) não pontapeavam bola em intervalo de aula. Antes tocavam imaginários instrumentos; antes assobiavam «modinhas» que ninguém conhecia…”
Pese o som não ser o melhor aqui fica, de um poema de António Gedeão, o tema principal “Poema do Homem Rã”.
Os Tubarões - Poema do Homem Rã
Para além dos consagrados: Quarteto 1111, Quinteto Académico, Conjunto Académico João Paulo, Os Espaciais, Sheiks, Os Titãs, outros de menor notoriedade: Jets, Conjunto Universitário Hi-Fi, The Strollers, Os Vodkas, Álamos e Grupo 5 são merecedores de referência.
Neste 2º grupo pode-se colocar a escolha de hoje, o conjunto Os Tubarões (não confundir com os excelentes cabo-verdianos de mesmo nome surgidos nos anos 70).
Estes Os Tubarões eram de Viseu tiveram o seu início em 1963 e terminariam em 1968 devido ao serviço militar obrigatório. Com actuações entre Viseu e Figueira da Foz participaram ainda em 1965 no Concurso Ié-Ié no Teatro Municipal de Lisboa. De 1968 ficou a gravação do único EP de Os Tubarões, na contra-capa do EP lia-se:
“Tudo começo por uma ideia que alguém, um dia agarrou nas ruas de Viseu. Andava, então, música a fervilhar nas cabeças jovens de 6 rapazes. Música sem pautas musicais. Quase sem forma. Mas música jovem, inquieta, quase irreverente.
Os 6 rapazes (da música jovem, quase diríamos nova) não pontapeavam bola em intervalo de aula. Antes tocavam imaginários instrumentos; antes assobiavam «modinhas» que ninguém conhecia…”
Pese o som não ser o melhor aqui fica, de um poema de António Gedeão, o tema principal “Poema do Homem Rã”.
Os Tubarões - Poema do Homem Rã
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Os Claves - California Dreamin'
Começámos este Blog em Outubro de 2014 com Os Claves e a versão de "Keep on Running". Voltemos então a Os Claves para mais uma boa recordação. Desta vez para rever a versão que fizeram de “California Dreaming”, grande sucesso dos The Mamas & The Papas.
Comecemos pelo original.
“California Dreaming” de 1966 aparece no 2º e último EP do grupo cujos elementos eram apresentados na contra-capa do EP, assim:
“Cinco rapazes estudantes são os elementos do conjunto “Os Claves”, Luís Pinto de Freitas, o viola-solo de 20 anos e 7º ano liceal: Luís de Freitas Branco, viola-ritmo de 19 e também o 7º ano liceal. João Valeriano, viola-baixo de 19 e 1º ano de Universidade .João Ferreira da Costa, órgão electrónico, 19 e 7º ano liceal e José Atouguia, bateria, de 18 anos e no 7º ano liceal”
(Luís de Freitas Branco, filho do musicólogo João de Freitas Branco e neto do compositor com o mesmo nome).
Os Claves formados em 1965, venceram, recordo, em 1966 o “Grande Concurso Yé-Yé” que os jornais então noticiaram. “O Século” dizia: “Explosão juvenil no Monumental”, “O Diário de Notícias” em título: “Final Yé-Yé: delírio e pandemónio” e ainda “O melhor entre 100: o conjunto «Os Claves»”.
“California Dreaming” pelos Os Claves não tem o encanto dos The Mamas & The Papas, mas enfim, eram outros tempos...
Os Claves - California Dreamin'
Comecemos pelo original.
“California Dreaming” de 1966 aparece no 2º e último EP do grupo cujos elementos eram apresentados na contra-capa do EP, assim:
“Cinco rapazes estudantes são os elementos do conjunto “Os Claves”, Luís Pinto de Freitas, o viola-solo de 20 anos e 7º ano liceal: Luís de Freitas Branco, viola-ritmo de 19 e também o 7º ano liceal. João Valeriano, viola-baixo de 19 e 1º ano de Universidade .João Ferreira da Costa, órgão electrónico, 19 e 7º ano liceal e José Atouguia, bateria, de 18 anos e no 7º ano liceal”
(Luís de Freitas Branco, filho do musicólogo João de Freitas Branco e neto do compositor com o mesmo nome).
Os Claves formados em 1965, venceram, recordo, em 1966 o “Grande Concurso Yé-Yé” que os jornais então noticiaram. “O Século” dizia: “Explosão juvenil no Monumental”, “O Diário de Notícias” em título: “Final Yé-Yé: delírio e pandemónio” e ainda “O melhor entre 100: o conjunto «Os Claves»”.
“California Dreaming” pelos Os Claves não tem o encanto dos The Mamas & The Papas, mas enfim, eram outros tempos...
Os Claves - California Dreamin'
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Os Cinco Bambinos - Eu Chamo Por Ti
Uma boa parte dos conjuntos portugueses vivia de adaptações de músicas de reconhecido êxito internacional.
The Beatles foram uma das fontes que mais interpretações tiveram das suas músicas. Para o bem e para o mal! Muitas vezes mal.
Ora vejamos o caso de um conjunto que dava pelo nome de Os Cinco Bambinos com origem no Porto. Fizeram em 1966 uma versão de “I Call your Name” dos The Beatles.
“Eu Chamo por Ti” assim se chamou este “Shak” como diz a capa (também lá aparece uma versão de “Let Kiss” - já aqui recordada na versão de Os Diamantes - e é de fugir!). O resultado é mau, muito mau, música bacoca, ai aquele órgão Farfisa (?) a arrastar-se do princípio ao fim, a voz estridente, nada se salva (ao contrário da excelente versão da mesma canção feita pelo Conjunto Universitário Hi-Fi).
Diga-se de verdade, o original também não era nada de especial, mesmo sendo dos The Beatles. The Beatles gravaram-na num EP em 1964 e não chegou a ser incluída em nenhum álbum de originais.
Segue "Eu Chamo Por Ti" pelos Os Cinco Bambinos.
Os Cinco Bambinos - Eu Chamo Por Ti
“Eu Chamo por Ti” assim se chamou este “Shak” como diz a capa (também lá aparece uma versão de “Let Kiss” - já aqui recordada na versão de Os Diamantes - e é de fugir!). O resultado é mau, muito mau, música bacoca, ai aquele órgão Farfisa (?) a arrastar-se do princípio ao fim, a voz estridente, nada se salva (ao contrário da excelente versão da mesma canção feita pelo Conjunto Universitário Hi-Fi).
Diga-se de verdade, o original também não era nada de especial, mesmo sendo dos The Beatles. The Beatles gravaram-na num EP em 1964 e não chegou a ser incluída em nenhum álbum de originais.
Segue "Eu Chamo Por Ti" pelos Os Cinco Bambinos.
Os Cinco Bambinos - Eu Chamo Por Ti
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Os Inflexos - Missing You
Por aqui já passaram Os Inflexos grupo de Moçambique e os seus sucedâneos Os Impacto.
Divulguei então “Oh-kai-di, oh-kai-da “ a versão, muito fraca, de “Ob-la-di-Ob-la-da” dos The Beatles. Eram de Lourenço Marques e, é sabido, animavam bailes e festas de finalistas. Para além do único EP então gravado, sobreviveram algumas gravações ao vivo (já não me lembro onde as encontrei, algures na Net) não editadas que me parecem particularmente interessantes, a merecerem mesmo uma atenção maior do que o EP. Assim, entre outras, existe uma versão de 1969 de “Missing You”, original e grande êxito de 1966 dos Sheiks e já aqui recuperado.
Recordemos primeiro o original.
E agora, se fecharem os olhos, se se imaginarem com 16 aninhos, e ouvirem Os Inflexos ao vivo a tocarem “Missing You”, ainda vão pensar que estão num bailarico nos remotos anos 60, não custa experimentar.
Os Inflexos - Missing You
Divulguei então “Oh-kai-di, oh-kai-da “ a versão, muito fraca, de “Ob-la-di-Ob-la-da” dos The Beatles. Eram de Lourenço Marques e, é sabido, animavam bailes e festas de finalistas. Para além do único EP então gravado, sobreviveram algumas gravações ao vivo (já não me lembro onde as encontrei, algures na Net) não editadas que me parecem particularmente interessantes, a merecerem mesmo uma atenção maior do que o EP. Assim, entre outras, existe uma versão de 1969 de “Missing You”, original e grande êxito de 1966 dos Sheiks e já aqui recuperado.
Recordemos primeiro o original.
E agora, se fecharem os olhos, se se imaginarem com 16 aninhos, e ouvirem Os Inflexos ao vivo a tocarem “Missing You”, ainda vão pensar que estão num bailarico nos remotos anos 60, não custa experimentar.
Os Inflexos - Missing You
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Os Rocks - Only One Such As You
Nova passagem pelo conjunto Os Rocks.
Relembremos: OsRocks eram originários de Angola, gravaram em 1966 o primeiro EP e o destaque ia todo para a promissora voz do vocalista Eduardo Nascimento (que muitos se lembram do Festival da Canção de 1967 e do seu “O vento levou”).
Desse primeiro EP, a escolha (depois de “I Put A Spell On You”) vai agora para o tema final “Only One Such As You” uma versão do original de Adam Faith de 1964.
Adam Faith (1940-2003) cantor Pop britânico com particular sucesso nos anos 60
Comecemos por lembrar o original.
Reconheçamos que a versão de Os Rocks não fica nada atrás do original, em parte, graças à voz pujante de Eduardo Nascimento.
Não terminamos sem a leitura do texto da contra-capa, verdadeira história do conjunto até 1966:
“Desde 1963 que este conjunto se compõe de Luiz Alfredo, Fernando Saraiva, Eduardo Nascimento, João Cláudio e Elmer Pessoa.
Considerado o melhor agrupamento de Angola, percorreram esta nossa província, actuando centenas de vezes em festas, espectáculos e programas de rádio.
Já em 1962 se haviam deslocado à Metrópole onde se exibiram com êxito na “Ronda” ao lado do Conjunto de THILO’S COMBO. A televisão contou com a sua presença também nessa altura. Regressando a Angola foi a vez de começar a recolher os troféus ganhos em todos os festivais em que colaboraram, finalizando por ser reconhecidos como “os melhores de Angola de 1966”, pela Imprensa e Rádio Angolanas.
Presentes pela 2ª vez na Metrópole para a final do Concurso de “Yé-Yé” foram incontestavelmente os vencedores do certame como teve ocasião de verificar quem a ele assistiu. A sua classificação em 2º lugar deu aso a ruidosas manifestações de descontentamento, perante a decisão do júri.
Os mais destacados artistas portugueses têm sido acompanhados por este magnífico conjunto que actualmente actua no “Porão da Nau” e brevemente surgirá como atracção da fantasia de grande montagem ESTA LISBOA QUE EU AMO.
Mas será através deste disco, o primeiro gravados pelos “ROCKS” que o público melhor apreciará o valor destes rapazes que fixados entre nós, não tardará que adquiram uma projecção que será o reflexo da sua invulgar categoria.”
Agora, mais familiarizados com Os Rocks ouçamos “Only One Such As You”.
Os Rocks - Only One Such As You
Relembremos: OsRocks eram originários de Angola, gravaram em 1966 o primeiro EP e o destaque ia todo para a promissora voz do vocalista Eduardo Nascimento (que muitos se lembram do Festival da Canção de 1967 e do seu “O vento levou”).
Desse primeiro EP, a escolha (depois de “I Put A Spell On You”) vai agora para o tema final “Only One Such As You” uma versão do original de Adam Faith de 1964.
Adam Faith (1940-2003) cantor Pop britânico com particular sucesso nos anos 60
Comecemos por lembrar o original.
Reconheçamos que a versão de Os Rocks não fica nada atrás do original, em parte, graças à voz pujante de Eduardo Nascimento.
Não terminamos sem a leitura do texto da contra-capa, verdadeira história do conjunto até 1966:
“Desde 1963 que este conjunto se compõe de Luiz Alfredo, Fernando Saraiva, Eduardo Nascimento, João Cláudio e Elmer Pessoa.
Considerado o melhor agrupamento de Angola, percorreram esta nossa província, actuando centenas de vezes em festas, espectáculos e programas de rádio.
Já em 1962 se haviam deslocado à Metrópole onde se exibiram com êxito na “Ronda” ao lado do Conjunto de THILO’S COMBO. A televisão contou com a sua presença também nessa altura. Regressando a Angola foi a vez de começar a recolher os troféus ganhos em todos os festivais em que colaboraram, finalizando por ser reconhecidos como “os melhores de Angola de 1966”, pela Imprensa e Rádio Angolanas.
Presentes pela 2ª vez na Metrópole para a final do Concurso de “Yé-Yé” foram incontestavelmente os vencedores do certame como teve ocasião de verificar quem a ele assistiu. A sua classificação em 2º lugar deu aso a ruidosas manifestações de descontentamento, perante a decisão do júri.
Os mais destacados artistas portugueses têm sido acompanhados por este magnífico conjunto que actualmente actua no “Porão da Nau” e brevemente surgirá como atracção da fantasia de grande montagem ESTA LISBOA QUE EU AMO.
Mas será através deste disco, o primeiro gravados pelos “ROCKS” que o público melhor apreciará o valor destes rapazes que fixados entre nós, não tardará que adquiram uma projecção que será o reflexo da sua invulgar categoria.”
Agora, mais familiarizados com Os Rocks ouçamos “Only One Such As You”.
Os Rocks - Only One Such As You
Blitz Nº 67 de 11 de Fevereiro de 1986
Jornal "Blitz"
O nº 67 do jornal Blitz trazia na capa uma fotografia de Jim Kerr líder da então muito popular banda Simple Minds.
- Na página 2 algumas notícias soltas: Anuncia-se o 2º LP póstumo de Marvin Gaye, o início da carreira de Caetano Veloso como cineasta e Ney Matogrosso está em fase de gravação de um novo disco.
- Na página 3, entre outras notícias, em «Breve» reivindica a edição em Portugal de "Romantically Your" de Marvin Gaye, "Old Rottenhat" de Robert Wyatt e "The King of America" de Elvis Costello. Rui Veloso faz campanha pela candidatura de Mário Soares a presidente.
- Na página 4 artigo sobre a cantora Jennifer Rush: «O meu instrumento de trabalho é a minha voz».
- "A primeira vez é a surpresa e a novidade. A segunda é a instabilidade e a hesitação. Porém, quando se chega à terceira é mesmo a valer.", a página 5 totalmente ocupada com o «III Concurso de Música Moderna»
- Página 6, o teledisco "Dunas" dos GNR é pretexto para conhecer Edgar Pêra, "Um cineasta português no écran da videomúsica".
- Página 7 totalmente ocupada com os Simple Minds: "Se não fosse o Live Aid as coisas não seriam como são agora para os Simple Minds - a transmissão mundial pela Televisão do espectáculo foi um precioso auxiliar para imprimir uma nova velocidade ao grupo na sua divulgação popular, levando-o a mais gente com um álbum que parecia feito de encomenda para essa situação, «Once Upon A Time», de que aqui já se falou no mês passado."
- Página 8 para o grupo marroquino e alemão que participou na Bienal de Barcelona.
- Os New Order em "a busca da facilidade ocupam a página 9. Já tinham 3 LP editados: "Movement", "Power, Corruption & Lies" e "Low Life". Era a continuação dos Joy Division.
- As páginas centrais sob o título "Prolegómenos a uma nova literatura juvenil - Uma apologia dos fanzines".
- Página 12, «Busca no Sótão» e «Feira da Ladra» resumem a carreira e a discografia dos Genesis.
"Beatle e filho de Beatle em disco", Paul McCartney edita "Spies Like Us" e Julian Lennon "Beacause".
- Página 13 vai para «Pregões e Declarações»
- Página 14 com «Rondas Nocturnas», o destaque vai para a discoteca lisboeta Jardim-Cinema «Loucuras».
- Página 15, o «Cardápio» destaca o Carnaval, mas nada de especial.
- "O Jazz internacional tem, desde há três anos, um novo ídolo - chama-se Winton Marsalis e é um dos mais famosos trompetistas da actualidade, talvez mesmo o mais famoso e de maior cotação.", assim começa o artigo da página 16 «No Calor do Jazz» dedicado a Winton Marsalis.
- Página 17 referência a dois excelentes discos"Mudlark" de Leo Kottke e "Music for the Knee Plays" de David Byrne.
- Páginas 18 e 19 com os top e nos primeiros lugares nada digno de nota, excepto na Lista Rebelde do programa de rádio Som da Frente com a canção "Just Like Honey" dos Jesus and Mary Chain em primeiro lugar.
- Finalmente a página 20 dedicado a Coimbra, bares e outros lugares de interesse a visitar, "O encanto da despedida".
O nº 67 do jornal Blitz trazia na capa uma fotografia de Jim Kerr líder da então muito popular banda Simple Minds.
- Na página 2 algumas notícias soltas: Anuncia-se o 2º LP póstumo de Marvin Gaye, o início da carreira de Caetano Veloso como cineasta e Ney Matogrosso está em fase de gravação de um novo disco.
- Na página 3, entre outras notícias, em «Breve» reivindica a edição em Portugal de "Romantically Your" de Marvin Gaye, "Old Rottenhat" de Robert Wyatt e "The King of America" de Elvis Costello. Rui Veloso faz campanha pela candidatura de Mário Soares a presidente.
- Na página 4 artigo sobre a cantora Jennifer Rush: «O meu instrumento de trabalho é a minha voz».
- "A primeira vez é a surpresa e a novidade. A segunda é a instabilidade e a hesitação. Porém, quando se chega à terceira é mesmo a valer.", a página 5 totalmente ocupada com o «III Concurso de Música Moderna»
- Página 6, o teledisco "Dunas" dos GNR é pretexto para conhecer Edgar Pêra, "Um cineasta português no écran da videomúsica".
- Página 7 totalmente ocupada com os Simple Minds: "Se não fosse o Live Aid as coisas não seriam como são agora para os Simple Minds - a transmissão mundial pela Televisão do espectáculo foi um precioso auxiliar para imprimir uma nova velocidade ao grupo na sua divulgação popular, levando-o a mais gente com um álbum que parecia feito de encomenda para essa situação, «Once Upon A Time», de que aqui já se falou no mês passado."
- Página 8 para o grupo marroquino e alemão que participou na Bienal de Barcelona.
- Os New Order em "a busca da facilidade ocupam a página 9. Já tinham 3 LP editados: "Movement", "Power, Corruption & Lies" e "Low Life". Era a continuação dos Joy Division.
- As páginas centrais sob o título "Prolegómenos a uma nova literatura juvenil - Uma apologia dos fanzines".
- Página 12, «Busca no Sótão» e «Feira da Ladra» resumem a carreira e a discografia dos Genesis.
"Beatle e filho de Beatle em disco", Paul McCartney edita "Spies Like Us" e Julian Lennon "Beacause".
- Página 13 vai para «Pregões e Declarações»
- Página 14 com «Rondas Nocturnas», o destaque vai para a discoteca lisboeta Jardim-Cinema «Loucuras».
- Página 15, o «Cardápio» destaca o Carnaval, mas nada de especial.
- "O Jazz internacional tem, desde há três anos, um novo ídolo - chama-se Winton Marsalis e é um dos mais famosos trompetistas da actualidade, talvez mesmo o mais famoso e de maior cotação.", assim começa o artigo da página 16 «No Calor do Jazz» dedicado a Winton Marsalis.
- Página 17 referência a dois excelentes discos"Mudlark" de Leo Kottke e "Music for the Knee Plays" de David Byrne.
- Páginas 18 e 19 com os top e nos primeiros lugares nada digno de nota, excepto na Lista Rebelde do programa de rádio Som da Frente com a canção "Just Like Honey" dos Jesus and Mary Chain em primeiro lugar.
- Finalmente a página 20 dedicado a Coimbra, bares e outros lugares de interesse a visitar, "O encanto da despedida".
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Sheiks - Tell Me Bird
Os
anos de 1966/67 foram os melhores e de maior produção para os Sheiks de Carlos Mendes e Paulo de Carvalho (e ainda Fernando Chaby e Edmundo Silva). Em 1968 o
grupo termina com a saída de Paulo de Carvalho (já antes Carlos Mendes tinha
saído e fora substituído pelo Fernando Tordo).
No 2º EP de que já recordámos "Missing You", outro tema se destacava de nome “Tell Me Bird”.
Em 1979 voltam a juntar-se, na constituição original, e gravam o LP “Pintados de Fresco” com reinterpretação de velhos temas, entre os quais “Tell me Bird”. No vídeo seguinte podemos lembrar o que fizeram ao interessante “Tell Me Bird”, adaptando-o ao som “Disco”, tipo Bee Gees, então em moda (estávamos na época de “Saturday Night Fever”), é fraco, muito fraco.
Mas voltemos ao EP gravado em 1966 onde, na contra capa, cada um dos músicos era apresentado.
Para Carlos Mendes o texto era o seguinte:
“Toca há ano e meio, viola de acompanhamento.
É de Lisboa, muito embora esteja bastante ligado ao Norte.
Gosta de andar bem vestido.
Tem 1,78 m. de altura.
«Mousse» de chocolate é o seu «fraco».
Prefere leite a qualquer outra bebida.
Carros: «Ferrari».
Gosta das louras.
É fã dos «Beatles» e dos «Beach Boys».”
E para Paulo de Carvalho:
“É o baterista.
É de Lisboa.
Ele e Carlos são os compositores do conjunto.
Tem 1,79 m. de altura.
De bebidas gosta de leite.
Não fuma.
«Porch» Super 90 é o seu carro favorito.
Adora as louras de cabelos compridos.
Gosta do «Samba Trio», «Shadows» e «Beach Boys»”
Feitas as apresentações dos meninos bem comportados, fiquemos com o êxito que foi “Tell Me Bird” no original, o de 1966, claro.
Sheiks - Tell Me Bird
No 2º EP de que já recordámos "Missing You", outro tema se destacava de nome “Tell Me Bird”.
Em 1979 voltam a juntar-se, na constituição original, e gravam o LP “Pintados de Fresco” com reinterpretação de velhos temas, entre os quais “Tell me Bird”. No vídeo seguinte podemos lembrar o que fizeram ao interessante “Tell Me Bird”, adaptando-o ao som “Disco”, tipo Bee Gees, então em moda (estávamos na época de “Saturday Night Fever”), é fraco, muito fraco.
Mas voltemos ao EP gravado em 1966 onde, na contra capa, cada um dos músicos era apresentado.
Para Carlos Mendes o texto era o seguinte:
“Toca há ano e meio, viola de acompanhamento.
É de Lisboa, muito embora esteja bastante ligado ao Norte.
Gosta de andar bem vestido.
Tem 1,78 m. de altura.
«Mousse» de chocolate é o seu «fraco».
Prefere leite a qualquer outra bebida.
Carros: «Ferrari».
Gosta das louras.
É fã dos «Beatles» e dos «Beach Boys».”
E para Paulo de Carvalho:
“É o baterista.
É de Lisboa.
Ele e Carlos são os compositores do conjunto.
Tem 1,79 m. de altura.
De bebidas gosta de leite.
Não fuma.
«Porch» Super 90 é o seu carro favorito.
Adora as louras de cabelos compridos.
Gosta do «Samba Trio», «Shadows» e «Beach Boys»”
Feitas as apresentações dos meninos bem comportados, fiquemos com o êxito que foi “Tell Me Bird” no original, o de 1966, claro.
Sheiks - Tell Me Bird
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Conjunto Hi-Fi - I See The Rain
De regresso ao Conjunto Universitário HI-FI.
Grupo de Coimbra, existiu entre 1966 e 1968, pelo meio deixou dois marcantes EP.
Do primeiro para o segundo algumas alterações se verificaram: o nome, deixa de ser “Universitário” para ficar somente Conjunto HI-FI; na composição, sai, para além do baterista, a vocalista Ana Maria, essa linda voz que dava muita frescura ao primeiro registo e finalmente a sonoridade, numa abordagem muito mais psicadélica, mostravam estar atentos ao que de novo se produzia lá fora.
Novamente três temas originais, a confirmar a qualidade da primeira gravação, e uma versão de um tema dos então muito populares The Marmalade de nome “I See the Rain”.
“I See the Rain” é um clássico de 1967, perdido no tempo, pelo qual Jimi Hendrix, parece, tinha particular afeição, com que o nosso Conjunto HI-FI, em 1968, se despedia. Entre o mais interessante que por cá se fazia na área do Pop-Rock.
Ora ouçam:
Conjunto Hi-Fi - I See The Rain
Grupo de Coimbra, existiu entre 1966 e 1968, pelo meio deixou dois marcantes EP.
Do primeiro para o segundo algumas alterações se verificaram: o nome, deixa de ser “Universitário” para ficar somente Conjunto HI-FI; na composição, sai, para além do baterista, a vocalista Ana Maria, essa linda voz que dava muita frescura ao primeiro registo e finalmente a sonoridade, numa abordagem muito mais psicadélica, mostravam estar atentos ao que de novo se produzia lá fora.
Novamente três temas originais, a confirmar a qualidade da primeira gravação, e uma versão de um tema dos então muito populares The Marmalade de nome “I See the Rain”.
“I See the Rain” é um clássico de 1967, perdido no tempo, pelo qual Jimi Hendrix, parece, tinha particular afeição, com que o nosso Conjunto HI-FI, em 1968, se despedia. Entre o mais interessante que por cá se fazia na área do Pop-Rock.
Ora ouçam:
Conjunto Hi-Fi - I See The Rain
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Conjunto Sousa Pinto - All Or Nothing
O Conjunto Sousa Pinto era do Porto e já o recordámos neste Regresso ao Passado.
De início o nome do grupo designava-se Sousa Pinto e o seu Conjunto dando assim destaque maior ao seu organista Sousa Pinto. De uma forma ou de outra o grupo, e apesar de ter conseguido a gravação de diversos EP, nunca passou, em meu entender, do sofrível. De fados tocados em ritmo Ié-Ié (Ex: “Novo Fado da severa”, “Madragoa”, etc) a versões mais que duvidosas de êxitos internacionais (Ex: “Yesterday” - The Beatles, “Adeus Amor” tradução de “Goodbye My Love” dos The Searchers), gravam no último EP uma versão de “All and Nothing” do grupo de Rock inglês Small Faces.
Relativamente a estes, antes da entrada de Rod Stewart para o grupo e passar a chamar-se somente Faces, podemos recordá-los no original de “All and Nothing”, êxito do grupo em 1966.
A versão do Conjunto Sousa Pinto de 1966, no mesmo ano do original, perde energia e mais parece um slow para um chá dançante. A versão arrasta-se por dois minutos e meio e parece que não chega a arrancar, assim como começa assim acaba.
Do mesmo EP (o tal com 6 faixas) de "Summer in the City" aqui está, infelizmente numa versão menos bem conseguida, "All Or Nothing".
Conjunto Sousa Pinto - All Or Nothing
De início o nome do grupo designava-se Sousa Pinto e o seu Conjunto dando assim destaque maior ao seu organista Sousa Pinto. De uma forma ou de outra o grupo, e apesar de ter conseguido a gravação de diversos EP, nunca passou, em meu entender, do sofrível. De fados tocados em ritmo Ié-Ié (Ex: “Novo Fado da severa”, “Madragoa”, etc) a versões mais que duvidosas de êxitos internacionais (Ex: “Yesterday” - The Beatles, “Adeus Amor” tradução de “Goodbye My Love” dos The Searchers), gravam no último EP uma versão de “All and Nothing” do grupo de Rock inglês Small Faces.
Relativamente a estes, antes da entrada de Rod Stewart para o grupo e passar a chamar-se somente Faces, podemos recordá-los no original de “All and Nothing”, êxito do grupo em 1966.
A versão do Conjunto Sousa Pinto de 1966, no mesmo ano do original, perde energia e mais parece um slow para um chá dançante. A versão arrasta-se por dois minutos e meio e parece que não chega a arrancar, assim como começa assim acaba.
Do mesmo EP (o tal com 6 faixas) de "Summer in the City" aqui está, infelizmente numa versão menos bem conseguida, "All Or Nothing".
Conjunto Sousa Pinto - All Or Nothing
domingo, 7 de fevereiro de 2016
The Fugs - Nothing
Alguns temas da música underground dos anos 60
Nesta curta passagem pela música underground dos anos 60 acabamos como começámos com o agrupamento norte-americano The Fugs.
The Fugs, grupo underground por excelência, produziram de 1965 a 1969 (período de referência da música underground) os discos mais estranhos que nos foi dado ouvir.
Quanto aos espectáculos, esses eram manifestações marcadamente políticas tendo Tuli Kupferberg dito:
"... o nosso intento é conseguir que uma grande parte dos espectadores indecisos se ponha do nosso lado. Isto acontece todas as noites. No início do show há muita insegurança e nervosismo. Alguns espectadores abandonam a sala e outros olham nervosamente a reacção dos vizinhos. Mas como há sempre alguns que se divertem e aplaudem, também outros reagem do mesmo modo, primeiro timidamente, depois com maior entusiasmo. Assim começam a entender o espectáculo e a aplaudi-lo por sua conta. Desta forma se desenvolve uma espécie de processo educativo." conforme "O Mundo da Música Pop".
Lendo-se de seguida:
"O espectáculo dos Fugs é eminentemente político. Resulta evidente na sua crítica social quando na canção «nothing» contrapõem ao ídolo da produtividade norte-americana a negação total do «nothing»."
Voltamos ao primeiro álbum dos The Fugs onde é patente a música anti-estabelishment então praticada. Musicalmente rude, áspero (no melhor estilo garage) é brutalmente espontâneo e transborda energia por todas as espiras.
The Fugs e a "negação total", eis "Nothing".
The Fugs - Nothing
Nesta curta passagem pela música underground dos anos 60 acabamos como começámos com o agrupamento norte-americano The Fugs.
The Fugs, grupo underground por excelência, produziram de 1965 a 1969 (período de referência da música underground) os discos mais estranhos que nos foi dado ouvir.
Quanto aos espectáculos, esses eram manifestações marcadamente políticas tendo Tuli Kupferberg dito:
"... o nosso intento é conseguir que uma grande parte dos espectadores indecisos se ponha do nosso lado. Isto acontece todas as noites. No início do show há muita insegurança e nervosismo. Alguns espectadores abandonam a sala e outros olham nervosamente a reacção dos vizinhos. Mas como há sempre alguns que se divertem e aplaudem, também outros reagem do mesmo modo, primeiro timidamente, depois com maior entusiasmo. Assim começam a entender o espectáculo e a aplaudi-lo por sua conta. Desta forma se desenvolve uma espécie de processo educativo." conforme "O Mundo da Música Pop".
Lendo-se de seguida:
"O espectáculo dos Fugs é eminentemente político. Resulta evidente na sua crítica social quando na canção «nothing» contrapõem ao ídolo da produtividade norte-americana a negação total do «nothing»."
Voltamos ao primeiro álbum dos The Fugs onde é patente a música anti-estabelishment então praticada. Musicalmente rude, áspero (no melhor estilo garage) é brutalmente espontâneo e transborda energia por todas as espiras.
The Fugs e a "negação total", eis "Nothing".
The Fugs - Nothing
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Captain Beefheart and His Magic Band - Abba Zaba
Alguns temas da música underground dos anos 60
Nascido Don Glen Vliet (1941-2010) mas conhecido por Captain Beefheart foi uma figura proeminente do underground norte-americano dos anos 60. Cantor, compositor e mais tarde pintor, Captain Beefheart era amigo de Frank Zappa com quem colaborou e rivalizou na música que desenvolviam.
Ambos com raízes no Blues de Chicago, Captain Beefheart será acompanhado, com diferentes formações, pelo grupo que dava pelo nome The Magic Band e vai desenvolver uma discografia de 13 álbuns de originais no período de 1967 a 1982.
Começamos pela primeira gravação de Captain Beefheart, decorria o ano de 1967 (incontornável este ano!) e o álbum que dava pelo nome de "Safe as Milk", hoje um disco venerado, na altura praticamente ignorado.
Nas notas da edição em CD de "Safe as Milk" pode-se ler:
"Only a handful of rock performers can genuinely claim to have radically changed the parameters and perceptions of the genre, and one of them is Don Van Vliet alias Captain Beefheart."
"Safe as a Milk" é, podemos dizer, um clássico do underground, tendo uma forte influência dos Blues; já aqui recordámos o pouco convencional "Electricity", desta vez ocasião para o estranho "Abba Zaba".
Captain Beefheart and His Magic Band - Abba Zaba
Nascido Don Glen Vliet (1941-2010) mas conhecido por Captain Beefheart foi uma figura proeminente do underground norte-americano dos anos 60. Cantor, compositor e mais tarde pintor, Captain Beefheart era amigo de Frank Zappa com quem colaborou e rivalizou na música que desenvolviam.
Ambos com raízes no Blues de Chicago, Captain Beefheart será acompanhado, com diferentes formações, pelo grupo que dava pelo nome The Magic Band e vai desenvolver uma discografia de 13 álbuns de originais no período de 1967 a 1982.
Começamos pela primeira gravação de Captain Beefheart, decorria o ano de 1967 (incontornável este ano!) e o álbum que dava pelo nome de "Safe as Milk", hoje um disco venerado, na altura praticamente ignorado.
"Only a handful of rock performers can genuinely claim to have radically changed the parameters and perceptions of the genre, and one of them is Don Van Vliet alias Captain Beefheart."
"Safe as a Milk" é, podemos dizer, um clássico do underground, tendo uma forte influência dos Blues; já aqui recordámos o pouco convencional "Electricity", desta vez ocasião para o estranho "Abba Zaba".
Captain Beefheart and His Magic Band - Abba Zaba
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Soft Machine - Hope For Happiness
Alguns temas da música underground dos anos 60
Ainda na cena underground de Londres da década de 60 sobressaiu, para além dos Pink Floyd, o grupo originário de Canterbury, Soft Machine, que se tornariam numa das mais influentes bandas do Rock progressivo.
Em 1966 o mundo assiste a uma verdadeira revolução cultural nascida originariamente em São Francisco, na Califórnia, onde os jovens se juntam aos milhares "e assistem a «espectáculos totais» multidimensionais em que a música, as imagens e os perfumes estão intimamente associados.", era o início do movimento hippie.
"...a América silenciosa que não vê no movimento hippie senão a apologia do sexo, da droga, e da imoralidade, encontra na mesma altura estranhas ressonâncias na Inglaterra. Robert Wyatt, baterista de um conjunto progressista com o curioso nome de Soft Machine (Máquina Suave, segundo o título de um romance de W. Borroughs) declara: «Quase todos os grupos de pop-music, aqui ou na América, fabricam indefinidamente sons e melodias para fazer consumir, sob formas mais ou menos novas, as mesmas emoções, facilmente identificadas e assimiladas pelo público. Queremos quebrar esta imagem e este conceito, reencontrar o espírito do jazz, ou seja uma expressão autêntica, selvagem, mas desta vez nossa e não dos Negros».", citações do livro "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
Depois do Single "Love Makes Sweet Music" editado em 1967, o primeiro LP surge em 1968 e começava com a faixa "Hope For Happiness".
"Hope For Happiness", exemplo da melhor música praticada nos anos 60, para agora recordarmos.
Soft Machine - Hope For Happiness
Ainda na cena underground de Londres da década de 60 sobressaiu, para além dos Pink Floyd, o grupo originário de Canterbury, Soft Machine, que se tornariam numa das mais influentes bandas do Rock progressivo.
Em 1966 o mundo assiste a uma verdadeira revolução cultural nascida originariamente em São Francisco, na Califórnia, onde os jovens se juntam aos milhares "e assistem a «espectáculos totais» multidimensionais em que a música, as imagens e os perfumes estão intimamente associados.", era o início do movimento hippie.
"...a América silenciosa que não vê no movimento hippie senão a apologia do sexo, da droga, e da imoralidade, encontra na mesma altura estranhas ressonâncias na Inglaterra. Robert Wyatt, baterista de um conjunto progressista com o curioso nome de Soft Machine (Máquina Suave, segundo o título de um romance de W. Borroughs) declara: «Quase todos os grupos de pop-music, aqui ou na América, fabricam indefinidamente sons e melodias para fazer consumir, sob formas mais ou menos novas, as mesmas emoções, facilmente identificadas e assimiladas pelo público. Queremos quebrar esta imagem e este conceito, reencontrar o espírito do jazz, ou seja uma expressão autêntica, selvagem, mas desta vez nossa e não dos Negros».", citações do livro "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
Depois do Single "Love Makes Sweet Music" editado em 1967, o primeiro LP surge em 1968 e começava com a faixa "Hope For Happiness".
"Hope For Happiness", exemplo da melhor música praticada nos anos 60, para agora recordarmos.
Soft Machine - Hope For Happiness
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Pink Floyd - See Emily Play
Alguns temas da música underground dos anos 60
Os populares Pink Floyd no seu início foram um grupo ligado à cena underground londrina. Particularmente no seu princípio, antes da entrada de David Gilmour em finais de 1967, ainda sob a liderança de Syd Barrett (1946-2006) a música por eles praticada era estranha, muito estranha com uma larga dose de experimentalismo.
"É em Londres que John Hopkins descobre o grupo, atraído pela sua música e pela forma de se apresentar em palco, profundamente originais. Com efeito, os Pink Floyd, apaixonados pela electrónica e pela ficção científica, começaram já a triturar os sons dos seus instrumentos e a experimentar as técnicas do larsen e do eco. A primeira etapa para se tornarem conhecidos do público é a noite de lançamento do IT na Roundhouse, ocasião para o conjunto enfrentar o underground londrino, com o qual nunca tinha sido verdadeiramente confrontado, apesar de várias passagens na escola experimental livre de John Hopkins." lê-se em "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
No ano de 1967 foram lançados dois Singles e o 1º álbum "The Piper At The Gates Of Dawn".
Em Junho de 1967 é então editado o 2º Single dos Pink Floyd, que tinha "See Emily Play" como tema principal.
Syd Barrett disse: "Estava a dormir num bosque, depois de um espectáculo, quando vi aproximar-se por entre as árvores uma rapariga que gritava e dançava. Era Emily."
Verdade ou mentira (mais tarde Barrett terá dito que era só publicidade) aqui vai a fantasia surrealista de Syd Barrett em "See Emily Play" longe do som mainstream com que os Pink Floyd vieram a terminar.
Pink Floyd - See Emily Play
Os populares Pink Floyd no seu início foram um grupo ligado à cena underground londrina. Particularmente no seu princípio, antes da entrada de David Gilmour em finais de 1967, ainda sob a liderança de Syd Barrett (1946-2006) a música por eles praticada era estranha, muito estranha com uma larga dose de experimentalismo.
"É em Londres que John Hopkins descobre o grupo, atraído pela sua música e pela forma de se apresentar em palco, profundamente originais. Com efeito, os Pink Floyd, apaixonados pela electrónica e pela ficção científica, começaram já a triturar os sons dos seus instrumentos e a experimentar as técnicas do larsen e do eco. A primeira etapa para se tornarem conhecidos do público é a noite de lançamento do IT na Roundhouse, ocasião para o conjunto enfrentar o underground londrino, com o qual nunca tinha sido verdadeiramente confrontado, apesar de várias passagens na escola experimental livre de John Hopkins." lê-se em "Pink Floyd" de Jean-Marie Leduc.
No ano de 1967 foram lançados dois Singles e o 1º álbum "The Piper At The Gates Of Dawn".
Em Junho de 1967 é então editado o 2º Single dos Pink Floyd, que tinha "See Emily Play" como tema principal.
Syd Barrett disse: "Estava a dormir num bosque, depois de um espectáculo, quando vi aproximar-se por entre as árvores uma rapariga que gritava e dançava. Era Emily."
Verdade ou mentira (mais tarde Barrett terá dito que era só publicidade) aqui vai a fantasia surrealista de Syd Barrett em "See Emily Play" longe do som mainstream com que os Pink Floyd vieram a terminar.
Pink Floyd - See Emily Play
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
The Rolling Stones - Let's Spend The Night Together
Alguns temas da música underground dos anos 60
Numa das várias citações que "O Mundo da Música Pop" faz de Mick Farren (1943-2013), cantor do grupo underground inglês The Deviants, ele afirma:
"Houve um tempo em que as estrelas populares da canção eram uns jovens robustos, amorosamente acarinhados pelos seus empresários. O pior que lhes podia acontecer era acusá-los de se aproximarem da morte ou do sexo ou mesmo de manter estranhas relações com os respectivos empresários. Mas foram desalojados dos seus tronos por essa brigada menos bem aceite de cabeludos, antigos estudantes das belas-artes, expulsos das universidades, beatnicks que tentavam enriquecer. Todos eles poderiam fazer aquilo que nunca interessou aos outros. Sabiam o que se estava a passar. Provavelmente, começaram a produzir a música mais honesta desde o começo da era do rock."
para logo se constatar:
"Gordon McLendon, presidente de uma cadeia de emissores locais norte-americanos ficou desagradavelmente surpreendido com estes novos discos. Irritado, deu a seguinte ordem:
«As emissoras da cadeia McLendon não transmitirão qualquer disco que ataque ou fira, consciente ou inconscientemente, a moral pública, a dignidade e bom gosto».
Por consequência, proibiu a difusão de Let's spend the night together (Rolling Stones), Penny Lane e A day in the life (The Beatles) e Sock it to me Baby (Mitch Rider)."
Não sendo estas canções das mais identificadores do que de mais underground se fazia não deixam de constituir abordagens que à época foram ousadas ao ponto de serem banidas por certa moral estabelecida.
"Let's Spend The Night Together" gravada, em 1967, pelos The Rolling Stones, teve problemas diversos devido à sugestão de carácter sexual da letra, no "The Ed Sullivan Show" tiveram mesmo que alterar a letra passando "Let's Spend The Night Together" a ser "Let's Spend Some Time Together".
The Rolling Stones - Let's Spend The Night Together
Numa das várias citações que "O Mundo da Música Pop" faz de Mick Farren (1943-2013), cantor do grupo underground inglês The Deviants, ele afirma:
"Houve um tempo em que as estrelas populares da canção eram uns jovens robustos, amorosamente acarinhados pelos seus empresários. O pior que lhes podia acontecer era acusá-los de se aproximarem da morte ou do sexo ou mesmo de manter estranhas relações com os respectivos empresários. Mas foram desalojados dos seus tronos por essa brigada menos bem aceite de cabeludos, antigos estudantes das belas-artes, expulsos das universidades, beatnicks que tentavam enriquecer. Todos eles poderiam fazer aquilo que nunca interessou aos outros. Sabiam o que se estava a passar. Provavelmente, começaram a produzir a música mais honesta desde o começo da era do rock."
para logo se constatar:
"Gordon McLendon, presidente de uma cadeia de emissores locais norte-americanos ficou desagradavelmente surpreendido com estes novos discos. Irritado, deu a seguinte ordem:
«As emissoras da cadeia McLendon não transmitirão qualquer disco que ataque ou fira, consciente ou inconscientemente, a moral pública, a dignidade e bom gosto».
Por consequência, proibiu a difusão de Let's spend the night together (Rolling Stones), Penny Lane e A day in the life (The Beatles) e Sock it to me Baby (Mitch Rider)."
Não sendo estas canções das mais identificadores do que de mais underground se fazia não deixam de constituir abordagens que à época foram ousadas ao ponto de serem banidas por certa moral estabelecida.
"Let's Spend The Night Together" gravada, em 1967, pelos The Rolling Stones, teve problemas diversos devido à sugestão de carácter sexual da letra, no "The Ed Sullivan Show" tiveram mesmo que alterar a letra passando "Let's Spend The Night Together" a ser "Let's Spend Some Time Together".
The Rolling Stones - Let's Spend The Night Together
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
MC5 - Motor City Is Burning
Alguns temas da música underground dos anos 60
"Brothers and Sisters! I want to see a sea of hands out there! Let me see a sea of hands! I want everyone to kick up some noise! I want to hear some revolution out there Brothers! I want to hear a little revolution! Brothers and Sisters, the time has come for each and every one of you to decide whether you are going to be the problem or whether you are going to be the solution! (That's right!) You ...must choose Brothers, you must choose! It takes five seconds, five seconds of decision, five seconds to realize your purpose here on the planet! It takes five seconds to realize that it's time to move, it's time to get down with it! Brothers, it's time to testify and I want to know, are you ready to testify? Are you ready? I give you a testimonial!"
Assim começam os MC5 no primeiro álbum do grupo, o famoso "Kick Out the Jams", um LP ao vivo de 1969. Gravado na cidade de Detroit em 1968, num clima pré revolucionário, o álbum é a imagem clara do ambiente de contestação então existente na sociedade norte-americana. Os MC5 ficariam ligados (através do seu manager John Sinclair) à formação do White Panther Party, formação política anti-racista associada aos Black Panthers.
Se a revista Rolling Stones à época o considerou ridículo e pretensioso hoje coloca-o na lista dos 500 melhores discos de todos os tempos.
"Kick Out the Jams" um álbum pleno de energia, hoje considerado uma das melhores gravações Rock ao vivo, onde se destacavam, por exemplo, para além do tema título, a versão de "Motor City Is Burning", original de John Lee Hooker.
MC5 - Motor City Is Burning
"Brothers and Sisters! I want to see a sea of hands out there! Let me see a sea of hands! I want everyone to kick up some noise! I want to hear some revolution out there Brothers! I want to hear a little revolution! Brothers and Sisters, the time has come for each and every one of you to decide whether you are going to be the problem or whether you are going to be the solution! (That's right!) You ...must choose Brothers, you must choose! It takes five seconds, five seconds of decision, five seconds to realize your purpose here on the planet! It takes five seconds to realize that it's time to move, it's time to get down with it! Brothers, it's time to testify and I want to know, are you ready to testify? Are you ready? I give you a testimonial!"
Assim começam os MC5 no primeiro álbum do grupo, o famoso "Kick Out the Jams", um LP ao vivo de 1969. Gravado na cidade de Detroit em 1968, num clima pré revolucionário, o álbum é a imagem clara do ambiente de contestação então existente na sociedade norte-americana. Os MC5 ficariam ligados (através do seu manager John Sinclair) à formação do White Panther Party, formação política anti-racista associada aos Black Panthers.
Se a revista Rolling Stones à época o considerou ridículo e pretensioso hoje coloca-o na lista dos 500 melhores discos de todos os tempos.
"Kick Out the Jams" um álbum pleno de energia, hoje considerado uma das melhores gravações Rock ao vivo, onde se destacavam, por exemplo, para além do tema título, a versão de "Motor City Is Burning", original de John Lee Hooker.
MC5 - Motor City Is Burning
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
The Deviants - Let´s Loot the Supermarket
Alguns temas da música underground dos anos 60
"A alteração produzida na música desde a canção melódica adormecedora e inebriante até às canções politizadas, foi demasiado rápida para a indústria discográfica. Muitos dos economicamente interessados neste mercado, parecem temer que num futuro próximo possam ser desalojados, em virtude da rapidez dos acontecimentos que se abatem sobre eles." em "O Mundo da Música Pop".
Por esta perspectiva alinhava Mick Farren (1943-2013) do grupo underground londrino The Deviants que, de acordo com a mesma fonte, defendeu a um jornalista do "Melody Maker":
"A música pop é ainda o último meio que não se encontra totalmente debaixo do controlo das empresas discográficas".
Mais adiante, é referido: "Em Londres, Mick Farren faz um apelo para o estabelecimento da «guerrilha pop», pois considera a música pop como um dos poucos meios de comunicação verdadeiramente livres.".
Em "Disposable" de 1968, The Deviants começavam em "Somewhere To Go", a faixa de abertura cantando "We want the world to be free", para em "Let's Loot the Market" proclamarem "this is the day civilisation ends".
Sem dúvida, outros tempos, outras músicas. O underground da Grã-Bretanha pelos The Deviants com "Let's Loot the Market".
come on everybody, come gather round friends,
this is the day civilisation ends;
come on everybody, let's sing and dance
and let's go loot the supermarket, while we got the chance.
The Deviants - Let´s Loot the Supermarket
"A alteração produzida na música desde a canção melódica adormecedora e inebriante até às canções politizadas, foi demasiado rápida para a indústria discográfica. Muitos dos economicamente interessados neste mercado, parecem temer que num futuro próximo possam ser desalojados, em virtude da rapidez dos acontecimentos que se abatem sobre eles." em "O Mundo da Música Pop".
Por esta perspectiva alinhava Mick Farren (1943-2013) do grupo underground londrino The Deviants que, de acordo com a mesma fonte, defendeu a um jornalista do "Melody Maker":
"A música pop é ainda o último meio que não se encontra totalmente debaixo do controlo das empresas discográficas".
Mais adiante, é referido: "Em Londres, Mick Farren faz um apelo para o estabelecimento da «guerrilha pop», pois considera a música pop como um dos poucos meios de comunicação verdadeiramente livres.".
Em "Disposable" de 1968, The Deviants começavam em "Somewhere To Go", a faixa de abertura cantando "We want the world to be free", para em "Let's Loot the Market" proclamarem "this is the day civilisation ends".
Sem dúvida, outros tempos, outras músicas. O underground da Grã-Bretanha pelos The Deviants com "Let's Loot the Market".
come on everybody, come gather round friends,
this is the day civilisation ends;
come on everybody, let's sing and dance
and let's go loot the supermarket, while we got the chance.
The Deviants - Let´s Loot the Supermarket
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