Alguns temas da música underground dos anos 60
A década de 60 viveu, musicalmente, um período único de grande criatividade, de florescimento de múltiplos géneros musicais para os quais o "establishment" não estava preparado. O confronto entre as sucessivas vagas de música Rock e a ordem social estabelecida leva mesmo a revista "Life" a afirmar que "O Rock'n'Roll é subversivo".
Tuli Kupferberg, poeta e mentor dos The Fugs, afirma: "As nossas acções precipitam-se. Será algo de grandioso e excitante, conseguirmos sobreviver a tudo isto".
A música popular era um factor de crítica social e havia quem visse nisso um instrumento da revolução. O mesmo Tuli Kupferberg nela acreditava: "Estamos prestes a descobrir como fazer a revolução. Temos que escolher formas políticas, formas novas, nunca utilizadas. ao mesmo tempo, há que prosseguir a revolução cultural. Ambos os aspectos são partes integrantes de um todo".
Country Joe and the Fish foi um conjunto californiano formado em torno de Country Joe McDonald e Barry "The Fish" Melton e a sua música teve particular importância na cena cultural americana. O amor livre, o uso de drogas e os protestos contra a guerra do Vietname estavam no centro da sua música. Foram nucleares na cena underground americana no período de 1965 a 1970.
Ainda antes de se tornarem conhecidos editam por conta própria 2 EP que tiveram alguma notoriedade no meio underground, em 1967 chega o 1º LP com o sugestivo nome "Electric Music for the Mind and Body".
O livro "O Mundo da Música Pop" referindo-se a Country Joe and the Fish afirma:
"Os seus blues electrónicos não são canções com formosas melodias. Nas suas actuações incluem números marcadamente políticos. Por exemplo, na canção Superbird refere-se ao então presidente Lyndon B. Johnson. Joe McDonald faz baixar o presidente do céu dos super-homes e das super-aeronaves, para devolvê-lo ao rancho do Texas."
(A propósito o jornal Melody Maker no dia 26 de Outubro de 1968 tinha como título na página 13:
"Don't Laugh, but the Next Step Could Be Pop as a Political Power")
Segue "Superbird", eram Country Joe and the Fish e decorria o ano de 1967.
Country Joe and the Fish - Superbird
Para uns recordações, para outros descobertas. São notas passadas, musicais e não só...
domingo, 31 de janeiro de 2016
sábado, 30 de janeiro de 2016
Grateful Dead - That's It For The Other One
Alguns temas da música underground dos anos 60
"O Rock subversivo provoca no ouvinte uma tomada de consciência. Mas cuidado: não só a letra provoca essa tomada de consciência, como igualmente a música o faz. Os conjuntos rock como Grateful Dead, MC 5, Limbus ou Khol Caravan [estes 2 últimos grupos alemães] praticam grandemente uma música que se liberta dos condicionamentos económicos e sociais.", pode-se ler em "O Mundo da Música Pop".
Os Grateful Dead foram um dos grupos Rock mais importantes da contracultura dos anos 60. Oriundos de S. Francisco, a cidade onde o movimento underground mais se desenvolveu, os Grateful Dead elaboraram uma sonoridade única repleta de ecletismo onde sobressaíam os longos improvisos nas actuações ao vivo.
"Ao improvisar, os músicos representam-se a si mesmos. Por consequência, praticam também uma música política, já que esta se desenvolve no meio de uma sociedade que impede ao homem de dispor de si próprio." lia-se na continuação da citação anterior.
Esta nova música, cheia de influências mas simultaneamente livre, autónoma, criativa teve nos Grateful Dead a expressão mais genuína; com Jerry Garcia (1942-1995) como o elemento mais destacado do grupo deixaram-nos uma extensa discografia indispensável na compreensão do fenómeno musical de S. Francisco.
"Anthem of the Sun" é o segundo álbum dos Grateful Dead, foi editado em 1968 e era um disco mais complexo que o primeiro do ano anterior. Composto somente por 5 faixas pretendia assim ter uma sonoridade mais próxima dos concertos ao vivo.
Ficamos pela faixa de abertura "That's It For The Other One" bem característica da música então praticada pelos Grateful Dead.
Grateful Dead - That's It For The Other One
"O Rock subversivo provoca no ouvinte uma tomada de consciência. Mas cuidado: não só a letra provoca essa tomada de consciência, como igualmente a música o faz. Os conjuntos rock como Grateful Dead, MC 5, Limbus ou Khol Caravan [estes 2 últimos grupos alemães] praticam grandemente uma música que se liberta dos condicionamentos económicos e sociais.", pode-se ler em "O Mundo da Música Pop".
Os Grateful Dead foram um dos grupos Rock mais importantes da contracultura dos anos 60. Oriundos de S. Francisco, a cidade onde o movimento underground mais se desenvolveu, os Grateful Dead elaboraram uma sonoridade única repleta de ecletismo onde sobressaíam os longos improvisos nas actuações ao vivo.
"Ao improvisar, os músicos representam-se a si mesmos. Por consequência, praticam também uma música política, já que esta se desenvolve no meio de uma sociedade que impede ao homem de dispor de si próprio." lia-se na continuação da citação anterior.
Esta nova música, cheia de influências mas simultaneamente livre, autónoma, criativa teve nos Grateful Dead a expressão mais genuína; com Jerry Garcia (1942-1995) como o elemento mais destacado do grupo deixaram-nos uma extensa discografia indispensável na compreensão do fenómeno musical de S. Francisco.
"Anthem of the Sun" é o segundo álbum dos Grateful Dead, foi editado em 1968 e era um disco mais complexo que o primeiro do ano anterior. Composto somente por 5 faixas pretendia assim ter uma sonoridade mais próxima dos concertos ao vivo.
Ficamos pela faixa de abertura "That's It For The Other One" bem característica da música então praticada pelos Grateful Dead.
Grateful Dead - That's It For The Other One
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
The Mothers of Invension - Brown Shoes Don't Make It
Alguns temas da música underground dos anos 60
A abordagem da música underground não é tão linear quanto há primeira vista pode parecer.
Podemos considerar "...que o underground não é senão uma mentira, uma falsificação." e que "...alguns conjuntos musicais são apresentados como «típicos» representantes underground pelo simples facto de não haver mais nada a identificá-los..." ou seja não passa de uma manobra de marketing das empresas discográficas e nada mais acrescentamos. Ou "... apesar de toda a alienação musical, existe uma música secreta ou underground." e que "Tudo quanto se diga em referência à música underground, diz respeito à música com letra escrita entre 1965 e 1969" (citações tiradas de "O Mundo da Música Pop") .
Se se tiver uma visão muito restritiva do underground ter-se-á que considerar "a total autonomia em relação aos produtores e a relação directa entre a música e a situação sociopolítica dentro da qual actua o conjunto.", numa aproximação mais sensata e alargada podemos considerar o conjunto de géneros musicais que, em particular nos anos 60 (aquela que agora nos interessa), foram contra a cultura dominante. Ou seja podemos aqui englobar alguma da música psicadélica e de protesto então praticada.
Para hoje o retorno a Frank Zappa e a The Mothers of Invention, referências maiores da contra-cultura americana. Já passámos pelo 1º álbum "Freak Out!" de 1966 e 3º "We're Only In It For The Money" de 1968, ficamos agora com o 2º LP "Absolutely Free".
Editado em 1967 "Absolutely Free" é um álbum complexo de forte crítica política e social. Sem estilo definido "Absolutely Free" salta frequentemente de improvisações jazzísticas a influências de Stravinsky. "Brown Shoes Don't Make It", a faixa escolhida para audição, com variações constantes de género musical é o culminar da experimentação de Frank Zappa num período tão criativo. Uma mini Ópera Rock condensada em 7 minutos, eis "Brown Shoes Don't Make It".
The Mothers of Invension - Brown Shoes Don't Make It
A abordagem da música underground não é tão linear quanto há primeira vista pode parecer.
Podemos considerar "...que o underground não é senão uma mentira, uma falsificação." e que "...alguns conjuntos musicais são apresentados como «típicos» representantes underground pelo simples facto de não haver mais nada a identificá-los..." ou seja não passa de uma manobra de marketing das empresas discográficas e nada mais acrescentamos. Ou "... apesar de toda a alienação musical, existe uma música secreta ou underground." e que "Tudo quanto se diga em referência à música underground, diz respeito à música com letra escrita entre 1965 e 1969" (citações tiradas de "O Mundo da Música Pop") .
Se se tiver uma visão muito restritiva do underground ter-se-á que considerar "a total autonomia em relação aos produtores e a relação directa entre a música e a situação sociopolítica dentro da qual actua o conjunto.", numa aproximação mais sensata e alargada podemos considerar o conjunto de géneros musicais que, em particular nos anos 60 (aquela que agora nos interessa), foram contra a cultura dominante. Ou seja podemos aqui englobar alguma da música psicadélica e de protesto então praticada.
Para hoje o retorno a Frank Zappa e a The Mothers of Invention, referências maiores da contra-cultura americana. Já passámos pelo 1º álbum "Freak Out!" de 1966 e 3º "We're Only In It For The Money" de 1968, ficamos agora com o 2º LP "Absolutely Free".
Editado em 1967 "Absolutely Free" é um álbum complexo de forte crítica política e social. Sem estilo definido "Absolutely Free" salta frequentemente de improvisações jazzísticas a influências de Stravinsky. "Brown Shoes Don't Make It", a faixa escolhida para audição, com variações constantes de género musical é o culminar da experimentação de Frank Zappa num período tão criativo. Uma mini Ópera Rock condensada em 7 minutos, eis "Brown Shoes Don't Make It".
The Mothers of Invension - Brown Shoes Don't Make It
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Blitz Nº 65 de 28 de Janeiro de 1986
Jornal "Blitz"
Mais um nº do jornal Blitz a fazer 30 anos.
A 26 de Janeiro de 1986 a capa do jornal Blitz trazia uma fotografia dos irmãos Jim e William Reid, eram os Jesus and Mary Chain, a revelação de 1985.
- Na página 2 confirma-se a nova data da vinda de Sade a Portugal ara o dia 9 de Abril. Sting e os Dires Straits em concerto, na Austrália, no dia 11 de Abril, noite de maior visibilidade do cometa Halley.
- Página 3, destaque à música francesa: Juliette Greco é anunciada para a Aula Magna para o dia 31 e Jacques Hilegin para Outubro.
- Página 4 com o fim do III Ciclo de Rock no Porto, por onde passaram Xutos e Pontapés, Bramassaji, Martinis, Mler Ife Dada e Sétima Legião.
- Página 5 dedicada aos The Jesus and Mary Chain, sob o título «Os cavaleiros do novo apocalipse». A recuperação do melhor Rock no disco "Psychcandy", comparado a "White Light, White Head" dos Velvet Underground, "Never Mind the Bollocks" dos Sex Pistols e "Unknown Pleasures" dos Joy Division.
- Páginas 6 ocupada com «Vídeo Clips, anos 80». É anunciada repetição do ciclo ocorrido na Gulbenkian: "Quatro dias de Ciclo «Video Clips, Anos 80» no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, deram a ver, perante a incompreensão do público, a maior importância dos realizadores de telediscos sobre as canções e as músicas que unem às imagens, proporcionando a existência de uma estética audiovisual, e assinalando, na indústria discográfica e no comércio artístico, a presença de um novo e definitivo elemento."
- Página 7, mais vídeo, agora é «O concerto na perspectiva do vídeo».
" Mas, se o concerto, mesmo com o vídeo integrado, não tem mais valor promocional, ou se pelo menos deixou de ser obrigatório, qual é o papel que lhe podem atribuir os músicos e as companhias discográficas que os financiam?" interroga Luís Maio.
- Página 8 com os Diva.
- Página 9 com o artigo «As imagens (ao lado) das músicas» fala-nos da moda e da sua ligação com a música. "1985 foi o ano de moda, de modas e de modismos e foi também o anos em que a moda mais vulgarizou a Pop.», lê-se.
- Páginas centrais com «Cascais - a aura do verão», oportunidade de falar entre outras coisas dos Delfins. "sentia a tentação daquelas festas de Verão até ao amanhecer" (de uma música dos Delfins).
- Página 12, já não posso com estes «Pregões e Declarações».
- Página 13, artigo «Força do Futuro, mas» a propósito do fim do AIJ. O que é o AIJ? É o Ano Internacional da Juventude.
- Página 14, Busca no Sótão continua com «A maior banda de Rock and Roll do Mundo - Rolling Stones». Há 50 anos (1966) "Paint It Black" foi nº 1 na Grã-Bretanha.
- Página 15 totalmente ocupada com o Cardápio
- Página 16, destaque para «Histórias Britânicas - 1» que começa com a história do Rock nos anos 60 na Grã-Bretanha: Jimmy Hendrix, Eric Clapton, The Who, Small Faces, John Mayall, etc., etc..
- Página 17 com «Este Mundo e o Outro», a edição de dois discos de Nico, "Blue Angel" compilação e o último disco de originais "Camera Obscura".
- Páginas 18 e 19 com os Top e nada se salva. Em Portugal em nº 1 dos Singles "Nikita" do Elton John, nos LP "Top Jackpot 85", nos EUA, nos Singles o 1º lugar vai para "Say You, Say Me" de Lionel Richie e nos LP para a banda sonora de Miami Vice, na Grã-Bretanha vá lá, nos Singles "West End Girl" dos Pet Shop Boys e nos LP "Brothers In Arms" dos Dire Straits.
- Última página, não vai para música mas para o Cometa Halley. No dia 11 de Abril estará a 63 milhões de quilómetros da Terra e só será visível novamente daí a 75 anos, ou seja, lá para o ano 2061.
Mais um nº do jornal Blitz a fazer 30 anos.
A 26 de Janeiro de 1986 a capa do jornal Blitz trazia uma fotografia dos irmãos Jim e William Reid, eram os Jesus and Mary Chain, a revelação de 1985.
- Na página 2 confirma-se a nova data da vinda de Sade a Portugal ara o dia 9 de Abril. Sting e os Dires Straits em concerto, na Austrália, no dia 11 de Abril, noite de maior visibilidade do cometa Halley.
- Página 3, destaque à música francesa: Juliette Greco é anunciada para a Aula Magna para o dia 31 e Jacques Hilegin para Outubro.
- Página 4 com o fim do III Ciclo de Rock no Porto, por onde passaram Xutos e Pontapés, Bramassaji, Martinis, Mler Ife Dada e Sétima Legião.
- Página 5 dedicada aos The Jesus and Mary Chain, sob o título «Os cavaleiros do novo apocalipse». A recuperação do melhor Rock no disco "Psychcandy", comparado a "White Light, White Head" dos Velvet Underground, "Never Mind the Bollocks" dos Sex Pistols e "Unknown Pleasures" dos Joy Division.
- Páginas 6 ocupada com «Vídeo Clips, anos 80». É anunciada repetição do ciclo ocorrido na Gulbenkian: "Quatro dias de Ciclo «Video Clips, Anos 80» no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, deram a ver, perante a incompreensão do público, a maior importância dos realizadores de telediscos sobre as canções e as músicas que unem às imagens, proporcionando a existência de uma estética audiovisual, e assinalando, na indústria discográfica e no comércio artístico, a presença de um novo e definitivo elemento."
- Página 7, mais vídeo, agora é «O concerto na perspectiva do vídeo».
" Mas, se o concerto, mesmo com o vídeo integrado, não tem mais valor promocional, ou se pelo menos deixou de ser obrigatório, qual é o papel que lhe podem atribuir os músicos e as companhias discográficas que os financiam?" interroga Luís Maio.
- Página 8 com os Diva.
- Página 9 com o artigo «As imagens (ao lado) das músicas» fala-nos da moda e da sua ligação com a música. "1985 foi o ano de moda, de modas e de modismos e foi também o anos em que a moda mais vulgarizou a Pop.», lê-se.
- Páginas centrais com «Cascais - a aura do verão», oportunidade de falar entre outras coisas dos Delfins. "sentia a tentação daquelas festas de Verão até ao amanhecer" (de uma música dos Delfins).
- Página 12, já não posso com estes «Pregões e Declarações».
- Página 13, artigo «Força do Futuro, mas» a propósito do fim do AIJ. O que é o AIJ? É o Ano Internacional da Juventude.
- Página 14, Busca no Sótão continua com «A maior banda de Rock and Roll do Mundo - Rolling Stones». Há 50 anos (1966) "Paint It Black" foi nº 1 na Grã-Bretanha.
- Página 15 totalmente ocupada com o Cardápio
- Página 16, destaque para «Histórias Britânicas - 1» que começa com a história do Rock nos anos 60 na Grã-Bretanha: Jimmy Hendrix, Eric Clapton, The Who, Small Faces, John Mayall, etc., etc..
- Página 17 com «Este Mundo e o Outro», a edição de dois discos de Nico, "Blue Angel" compilação e o último disco de originais "Camera Obscura".
- Páginas 18 e 19 com os Top e nada se salva. Em Portugal em nº 1 dos Singles "Nikita" do Elton John, nos LP "Top Jackpot 85", nos EUA, nos Singles o 1º lugar vai para "Say You, Say Me" de Lionel Richie e nos LP para a banda sonora de Miami Vice, na Grã-Bretanha vá lá, nos Singles "West End Girl" dos Pet Shop Boys e nos LP "Brothers In Arms" dos Dire Straits.
- Última página, não vai para música mas para o Cometa Halley. No dia 11 de Abril estará a 63 milhões de quilómetros da Terra e só será visível novamente daí a 75 anos, ou seja, lá para o ano 2061.
The Fugs - Kill for Peace
Alguns temas da música underground dos anos 60
Do movimento Underground da segunda metade doa anos 60 já aqui fizemos algumas referências. Dada a sua importância nos vários domínios culturais e sociais a ele voltamos.
Se é verdade que a designação Underground não passou (e agora muito mais) de um engodo comercial de forma a levar os mais incautos a adquirir muitas vezes gato por lebre, não é menos verdade que sob o ponto de vista musical esta designação teve particular significado no período de 1965-1969 onde o movimento Underground foi uma realidade.
Recorrendo-nos do livro "O Mundo da Música Pop":
"Na música. o underground manifesta-se como uma fórmula de experiência e política, socialmente consciente. A música de um conjunto como The Fugs escandaliza qualquer burguês. As experiências de The Mothers of Invention já não podem ser consumidas através do tradicional «easy listenning»."
Revisitemos The Fugs e a sua música.
Recordemos, The Fugs formados, em 1963, em Nova-Iorque pelos poetas Ed Sanders e Tuli Kupferberg são talvez o grupo mais próximo da pureza do significado original do Underground. Juntamente com Ken Weaver constituíram o núcleo central dos The Fugs de 1963 a 1969.
"Os três companheiros trabalharam no início como letristas, sem terem muito a ideia do que era a música. Mas em 1965 tiveram a «vivência de conversão». Passaram a ouvir os Beatles e Bob Dylan e descobriram deste modo, uma possibilidade de transmitir as suas ideias nas suas canções beat."
Em 1966 editam o segundo álbum "The Fugs", mais tarde "The Fugs Second Album", e
é a este LP que vamos buscar o tema de hoje "Kill for Peace". Era a contestação da guerra do Vietname, "...a matança em prol da paz: Kill for peace.".
The Fugs - Kill for Peace
Do movimento Underground da segunda metade doa anos 60 já aqui fizemos algumas referências. Dada a sua importância nos vários domínios culturais e sociais a ele voltamos.
Se é verdade que a designação Underground não passou (e agora muito mais) de um engodo comercial de forma a levar os mais incautos a adquirir muitas vezes gato por lebre, não é menos verdade que sob o ponto de vista musical esta designação teve particular significado no período de 1965-1969 onde o movimento Underground foi uma realidade.
Recorrendo-nos do livro "O Mundo da Música Pop":
"Na música. o underground manifesta-se como uma fórmula de experiência e política, socialmente consciente. A música de um conjunto como The Fugs escandaliza qualquer burguês. As experiências de The Mothers of Invention já não podem ser consumidas através do tradicional «easy listenning»."
Revisitemos The Fugs e a sua música.
Recordemos, The Fugs formados, em 1963, em Nova-Iorque pelos poetas Ed Sanders e Tuli Kupferberg são talvez o grupo mais próximo da pureza do significado original do Underground. Juntamente com Ken Weaver constituíram o núcleo central dos The Fugs de 1963 a 1969.
"Os três companheiros trabalharam no início como letristas, sem terem muito a ideia do que era a música. Mas em 1965 tiveram a «vivência de conversão». Passaram a ouvir os Beatles e Bob Dylan e descobriram deste modo, uma possibilidade de transmitir as suas ideias nas suas canções beat."
Em 1966 editam o segundo álbum "The Fugs", mais tarde "The Fugs Second Album", e
é a este LP que vamos buscar o tema de hoje "Kill for Peace". Era a contestação da guerra do Vietname, "...a matança em prol da paz: Kill for peace.".
The Fugs - Kill for Peace
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
David Bowie - Amsterdam
Desde a morte de David Bowie que já ouvi uma boa parte da sua discografia. E a certa altura passei pelo LP "Bowie Rare" ao qual, na realidade, volto de tempos a tempos.
"Bowie Rare" é uma compilação editada em 1982, depois do excelente "Scary Monsters (And Super Creeps)" e antes do período mais comercial de "Let's Dance" e "Tonight".
Não é propriamente o melhor de Bowie, mas não desmerece uma audição atenta e regular deste registo.
Na realidade, trata-se, como o nome sugere, de uma compilação de temas raros de David Bowie gravados entre 1969 e 1980 e o seu interesse advém precisamente disso. Entre algumas versões de originais de David Bowie e versões de outros autores assim se faz "Bowie Rare".
- "Holy Holy", "Velvet Goldmine", "Young Americans", as duas primeiras somente editadas em Single respectivamente em 1971 e 1973, a terceira é a versão em Single da canção também editada no álbum com o mesmo nome.
- "John, I’m Only Dancing (Again)", regravação, da canção original de 1972, durante as sessões de "Young Americans" e editada em Single em 1979.
- "Panic in Detroit" versão ao vivo de 1974, lado B do Single "Knock on Wood", editado em 1974.
- "Round and Round", original de Chuck Berry, lado B do Single "Drive-In Saturday", editado em 1973.
- "Ragazzo solo, ragazza sola", versão em italiano da canção "Space Oddity" editada em Single em 1970.
- "Helden" versão em inglês e alemão da canção "Heroes" editada em Single em 1977.
- "Crystal Japan", tema instrumental, utilizado num anúncio no Japão e aí editado em Single em 1980.
- "Amsterdam", versão da canção original de Jacques Brel, lado B do Single "Sorrow" editado em 1973.
- "Moon of Alabama" versão da canção original de Kurt Weill/Bertolt Brecht de 1927 e editada em single em 1980 (Veio-nos à memória a versão interpretada por Jim Morrison, mais bonita mas menos intensa que esta).
E aqui ficamos com David Bowie a interpretar Jacques Brel, é "Amsterdam". Uma grande interpretação.
David Bowie - Amsterdam
"Bowie Rare" é uma compilação editada em 1982, depois do excelente "Scary Monsters (And Super Creeps)" e antes do período mais comercial de "Let's Dance" e "Tonight".
Não é propriamente o melhor de Bowie, mas não desmerece uma audição atenta e regular deste registo.
Na realidade, trata-se, como o nome sugere, de uma compilação de temas raros de David Bowie gravados entre 1969 e 1980 e o seu interesse advém precisamente disso. Entre algumas versões de originais de David Bowie e versões de outros autores assim se faz "Bowie Rare".
- "Holy Holy", "Velvet Goldmine", "Young Americans", as duas primeiras somente editadas em Single respectivamente em 1971 e 1973, a terceira é a versão em Single da canção também editada no álbum com o mesmo nome.
- "John, I’m Only Dancing (Again)", regravação, da canção original de 1972, durante as sessões de "Young Americans" e editada em Single em 1979.
- "Panic in Detroit" versão ao vivo de 1974, lado B do Single "Knock on Wood", editado em 1974.
- "Round and Round", original de Chuck Berry, lado B do Single "Drive-In Saturday", editado em 1973.
- "Ragazzo solo, ragazza sola", versão em italiano da canção "Space Oddity" editada em Single em 1970.
- "Helden" versão em inglês e alemão da canção "Heroes" editada em Single em 1977.
- "Crystal Japan", tema instrumental, utilizado num anúncio no Japão e aí editado em Single em 1980.
- "Amsterdam", versão da canção original de Jacques Brel, lado B do Single "Sorrow" editado em 1973.
- "Moon of Alabama" versão da canção original de Kurt Weill/Bertolt Brecht de 1927 e editada em single em 1980 (Veio-nos à memória a versão interpretada por Jim Morrison, mais bonita mas menos intensa que esta).
E aqui ficamos com David Bowie a interpretar Jacques Brel, é "Amsterdam". Uma grande interpretação.
David Bowie - Amsterdam
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Jets - Chase Your Blues Away
Os Jets já por aqui passaram naquilo que foi o único registo que deixaram, um EP de 1967.
Com uma sonoridade muito consentânea com o que de mais recente se fazia lá fora tiveram a honra do texto da contra-capa ser escrito por Luiz Villas-Boas, mais virado para a divulgação da música do diabo, o Jazz:
“Não temos preconceitos musicais. A nossa única preocupação é a qualidade, independentemente do tipo de música. Além disso gostamos e acreditamos na juventude.
Isso nos levou a pensar, que mais cedo ou mais tarde os jovens (músicos e ouvintes) se cansariam da fragilidade da música à qual nos últimos anos dedicaram tão grande interesse.
Isso está finalmente a acontecer.
Depois da pobreza da caótica fase primária em que predominavam as “violas eléctricas”, está neste momento a verificar-se uma evolução positiva, com instrumental mais variado (órgão, saxofone, etc.) e maior apuramento técnico (melódico, harmónico e rítmico). O que inicialmente era uma má cópia do “Rhythm and blues” (a música “POP” dos negros), está actualmente a identificar-se com essa música negra fortemente sincopada, viril e emocionante, conservando no entanto uma identidade própria, o que lhe confere uma validade que não possuía.
Essa evolução também se está a dar entre nós. Foi o que sucedeu a 4 jovens universitários e 1 músico, conhecidos entre os estudantes por “Jets”, que vão surgir na sua primeira gravação.
Por esse motivo pensou-se numa forma de compromisso: Dois “originais” e duas “adaptações”. Estas serão os números “fortes” ou “comerciais”: “Green, Green” (um trecho tradicional) e “Lovin’ you” (que Bobby Darin popularizou). Como “originais”, “Chase Your Blues Away” de Júlio Gomes e “Let Me Live My Life”, um tema bem construído, do único músico do grupo, João Abreu (para os amigos o “Beethoven”). No entanto, depois da gravação, a nossa opinião mudou. Os “originais” são aqueles em que mais acreditamos. Esta é uma opinião. Há certamente outras. Qual será a vossa?”
A minha escolha vai para o segundo original “Chase Your Blues Away” que se ouve com muito gozo. Fica a insatisfação de só terem gravado este EP.
Jets - Chase Your Blues Away
Com uma sonoridade muito consentânea com o que de mais recente se fazia lá fora tiveram a honra do texto da contra-capa ser escrito por Luiz Villas-Boas, mais virado para a divulgação da música do diabo, o Jazz:
“Não temos preconceitos musicais. A nossa única preocupação é a qualidade, independentemente do tipo de música. Além disso gostamos e acreditamos na juventude.
Isso nos levou a pensar, que mais cedo ou mais tarde os jovens (músicos e ouvintes) se cansariam da fragilidade da música à qual nos últimos anos dedicaram tão grande interesse.
Isso está finalmente a acontecer.
Depois da pobreza da caótica fase primária em que predominavam as “violas eléctricas”, está neste momento a verificar-se uma evolução positiva, com instrumental mais variado (órgão, saxofone, etc.) e maior apuramento técnico (melódico, harmónico e rítmico). O que inicialmente era uma má cópia do “Rhythm and blues” (a música “POP” dos negros), está actualmente a identificar-se com essa música negra fortemente sincopada, viril e emocionante, conservando no entanto uma identidade própria, o que lhe confere uma validade que não possuía.
Essa evolução também se está a dar entre nós. Foi o que sucedeu a 4 jovens universitários e 1 músico, conhecidos entre os estudantes por “Jets”, que vão surgir na sua primeira gravação.
Por esse motivo pensou-se numa forma de compromisso: Dois “originais” e duas “adaptações”. Estas serão os números “fortes” ou “comerciais”: “Green, Green” (um trecho tradicional) e “Lovin’ you” (que Bobby Darin popularizou). Como “originais”, “Chase Your Blues Away” de Júlio Gomes e “Let Me Live My Life”, um tema bem construído, do único músico do grupo, João Abreu (para os amigos o “Beethoven”). No entanto, depois da gravação, a nossa opinião mudou. Os “originais” são aqueles em que mais acreditamos. Esta é uma opinião. Há certamente outras. Qual será a vossa?”
A minha escolha vai para o segundo original “Chase Your Blues Away” que se ouve com muito gozo. Fica a insatisfação de só terem gravado este EP.
Jets - Chase Your Blues Away
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Conjunto Universitário Hi-Fi - Back From The Shore
A meio dos anos 60 o movimento Pop ia, por cá, na sua segunda vaga.
O Ié-Ié e o ambiente sonoro dominante dos The Shadows começavam a dar lugar a outras influências relacionadas com a “british invasion”, próximo, nomeadamente, dos The Beatles e dos The Kinks. E em 1967 os sons da “West Coast” também já se faziam sentir.
É nesta confluência de sons que novos conjuntos se vão formando um pouco por todo o país. Por entre os mais interessantes, e neste caso relativamente pouco conhecido, está o Conjunto Universitário Hi-Fi. Recuperamos-los agora pela 2ª vez.
Formado em Coimbra em 1966, grava o primeiro EP em 1967, onde para além da versão de “I Call Your Name” dos The Beatles continha 3 originais a não desmerecer. A recordação, ou talvez a descoberta de hoje, vai para “Back from the Shore” onde se destaca mais uma vez Ana Maria que julgo ter sido a primeira voz feminina à frente de um conjunto Pop-Rock português.
O texto da contra-capa reza assim:
“Este, o primeiro disco de um conjunto, formado apenas há cerca de meio ano. Logo não é obra definitiva. No entanto há dois aspectos que me parecem dignos de especial referência. Em primeiro lugar, o bom nível atingido pelo HI-FI, como quinteto vocal: excelentes vozes e um estilo já bem definido e actual. Em segundo lugar, a estreia de Carlos Correia – Viola solo – como autor de três das canções gravadas. Especialmente «BACK FROM THE SHORE», faz-me ver nele grande sensibilidade musical. Guardei para o fim aquilo, que considero, um caso muito sério: a voz de Ana Maria. Na carreira de um conjunto, o primeiro disco, é algo de decisivo, que se deseja e que se receia. Pois bem, eu aposto no HI-FI»
Porque merece ser recuperado e ter a devida audição, segue “Back from the Shore” pelo Conjunto Universitário Hi-Fi.
Conjunto Universitário Hi-Fi - Back From The Shore
É nesta confluência de sons que novos conjuntos se vão formando um pouco por todo o país. Por entre os mais interessantes, e neste caso relativamente pouco conhecido, está o Conjunto Universitário Hi-Fi. Recuperamos-los agora pela 2ª vez.
Formado em Coimbra em 1966, grava o primeiro EP em 1967, onde para além da versão de “I Call Your Name” dos The Beatles continha 3 originais a não desmerecer. A recordação, ou talvez a descoberta de hoje, vai para “Back from the Shore” onde se destaca mais uma vez Ana Maria que julgo ter sido a primeira voz feminina à frente de um conjunto Pop-Rock português.
O texto da contra-capa reza assim:
“Este, o primeiro disco de um conjunto, formado apenas há cerca de meio ano. Logo não é obra definitiva. No entanto há dois aspectos que me parecem dignos de especial referência. Em primeiro lugar, o bom nível atingido pelo HI-FI, como quinteto vocal: excelentes vozes e um estilo já bem definido e actual. Em segundo lugar, a estreia de Carlos Correia – Viola solo – como autor de três das canções gravadas. Especialmente «BACK FROM THE SHORE», faz-me ver nele grande sensibilidade musical. Guardei para o fim aquilo, que considero, um caso muito sério: a voz de Ana Maria. Na carreira de um conjunto, o primeiro disco, é algo de decisivo, que se deseja e que se receia. Pois bem, eu aposto no HI-FI»
Porque merece ser recuperado e ter a devida audição, segue “Back from the Shore” pelo Conjunto Universitário Hi-Fi.
Conjunto Universitário Hi-Fi - Back From The Shore
domingo, 24 de janeiro de 2016
Conjunto Sousa Pinto - Summer in The City
Mais anos 60.
Mais um conjunto português, mais um do Porto.
O Conjunto Sousa Pinto. É a sua primeira passagem por este Regresso ao Passado.
O seu início remonta a 1960 (tendo Sérgio Godinho sido candidato a baterista – de acordo com a “Biografia do Ié-Ié” de Luís Pinheiro de Almeida, no dizer do próprio Sousa Pinto). Terão durado até 1967 e dele chegou a fazer parte José Lello (o do Partido Socialista) antes de ingressar em 1967 nos Os Titãs.
Com diversos EP gravados e uma sonoridade muito próxima da música ligeira com interpretações de temas bem populares como “Sunny” ou “The More I See You”. Também cantavam, entre outros, Tony Bennett, Small Faces e The Beatles.
A escolha vai, no entanto, para uma versão de um grande êxito dos The Lovin’ Spoonful (1964-1969). Nº 1, em 1966, nos Estados Unidos, “Summer in the City” para recordar no original
Sem a energia do original, segue esta muito suavizada versão de “Summer in the City”, também de 1966, pelo Conjunto Sousa Pinto.
Curiosidade o EP tinha 6 faixas o que, penso ser raro, e à época talvez mesmo inédito.
Conjunto Sousa Pinto - Summer in The City
Mais um conjunto português, mais um do Porto.
O Conjunto Sousa Pinto. É a sua primeira passagem por este Regresso ao Passado.
O seu início remonta a 1960 (tendo Sérgio Godinho sido candidato a baterista – de acordo com a “Biografia do Ié-Ié” de Luís Pinheiro de Almeida, no dizer do próprio Sousa Pinto). Terão durado até 1967 e dele chegou a fazer parte José Lello (o do Partido Socialista) antes de ingressar em 1967 nos Os Titãs.
Com diversos EP gravados e uma sonoridade muito próxima da música ligeira com interpretações de temas bem populares como “Sunny” ou “The More I See You”. Também cantavam, entre outros, Tony Bennett, Small Faces e The Beatles.
A escolha vai, no entanto, para uma versão de um grande êxito dos The Lovin’ Spoonful (1964-1969). Nº 1, em 1966, nos Estados Unidos, “Summer in the City” para recordar no original
Sem a energia do original, segue esta muito suavizada versão de “Summer in the City”, também de 1966, pelo Conjunto Sousa Pinto.
Curiosidade o EP tinha 6 faixas o que, penso ser raro, e à época talvez mesmo inédito.
Conjunto Sousa Pinto - Summer in The City
sábado, 23 de janeiro de 2016
Conjunto Académico Ruy Manuel - Fuga
Era comum na primeira metade da década de 60 a designação dos grupos musicais incluir o nome do elemento principal. Por aqui já passaram alguns, por exemplo Conjunto de Oliveira Muge, Pedro Osório e o seu Conjunto, Conjunto Académico João Paulo, Conjunto Jorge Machado, Conjunto José Nóvoa, Walter Behrend e seu Conjunto, Toni Hernandez e seu Conjunto, Conjunto de Jaime João.
Hoje é a vez do Conjunto Académico Ruy Manuel e um EP editado em 1966 onde constavam quatro «shakes» originais, na contra-capa, mais um dos habituais deliciosos textos, rezava assim:
“- O Conjunto “ACADÉMICO RUY MANUEL” – conforme o seu nome indica – é formado por quatro estudantes, mais concretamente por quatro jovens estudantes.
Este agrupamento, constituído há cerca de 3 anos, conseguiu já há muito cativar quantos o escutaram, pois, além de interpretar músicas mais em voga, tem procurado, tanto quanto possível, criar música genuinamente portuguesa, adaptando-a aos ritmos modernos.
De facto, os seus componentes têm conjugado os seus melhores esforços no intuito de comporem músicas suas. O aparecimento deste disco no mercado português veio demostrar àqueles que não acreditam na música ligeira portuguesa que esta existe e serve também para criar o incentivo a todos os compositores portugueses que ainda não colaboraram na valorização e na internacionalização da nossa música.
Isto só se conseguirá com o trabalho e a compreensão de todos os discófilos nacionais.”
A qualidade, essa é menor, numa cópia fraca dos sons Pop que nos invadiam.
Segue o tema instrumental “Fuga”, era um “Shake”.
Conjunto Académico Ruy Manuel - Fuga
Hoje é a vez do Conjunto Académico Ruy Manuel e um EP editado em 1966 onde constavam quatro «shakes» originais, na contra-capa, mais um dos habituais deliciosos textos, rezava assim:
“- O Conjunto “ACADÉMICO RUY MANUEL” – conforme o seu nome indica – é formado por quatro estudantes, mais concretamente por quatro jovens estudantes.
Este agrupamento, constituído há cerca de 3 anos, conseguiu já há muito cativar quantos o escutaram, pois, além de interpretar músicas mais em voga, tem procurado, tanto quanto possível, criar música genuinamente portuguesa, adaptando-a aos ritmos modernos.
De facto, os seus componentes têm conjugado os seus melhores esforços no intuito de comporem músicas suas. O aparecimento deste disco no mercado português veio demostrar àqueles que não acreditam na música ligeira portuguesa que esta existe e serve também para criar o incentivo a todos os compositores portugueses que ainda não colaboraram na valorização e na internacionalização da nossa música.
Isto só se conseguirá com o trabalho e a compreensão de todos os discófilos nacionais.”
A qualidade, essa é menor, numa cópia fraca dos sons Pop que nos invadiam.
Segue o tema instrumental “Fuga”, era um “Shake”.
Conjunto Académico Ruy Manuel - Fuga
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Sheiks - Lonely Lost and Sad
Neste ano de 2016 primeiro regresso à música feita no nosso Portugal nos anos 60.
A década de 60 quase que pode ser dividida em duas partes consoante as principais influências que por cá se fizeram sentir. A primeira, mais curta, até sensivelmente 1963, com o predomínio avassalador de Cliff Richard and The Shadows, e a segunda com a invasão dos The Beatles.
Por cá um grupo está na origem desta divisão. Formados em 1963 os Sheiks, donde se viriam a destacar Carlos Mendes e Paulo de Carvalho e mais tarde Fernando Tordo, revolucionaram o panorama musical nacional com a adesão a uma sonoridade mais próxima dos The Beatles. Com capacidades vocais, técnicas e de produção acima da média ficam como uma das boas memórias dos nossos anos 60. Não se confinaram exclusivamente a interpretações de temas consagrados internacionalmente ("Summertime", "Michelle", "These Boots Are Made For Walkin'" são exemplo), também fizeram uma aposta em originais, alguns dos quais de gosto inegável.
Ao vivo na RTP podemos recordar os Sheiks, em ritmo “shake”, em duas canções , respectivamente “Summertime” e “Copo” (esta é de fugir!) ambas do primeiro EP.
Em 1966, o ano de maior produção, é editado o 3º EP e o destaque ia direito para o original “Lonely Lost And Sad” que não desmereceria qualquer grupo internacional da época. Nesse mesmo ano a internacionalização esteve por um fio com destaque para o êxito alcançado em Paris onde viriam a gravar um EP. Recordemos então “Lonely Lost And Sad” um verdadeiro “slow” como se dizia nesse tempo. Foi há 50 anos!
Sheiks - Lonely Lost and Sad
A década de 60 quase que pode ser dividida em duas partes consoante as principais influências que por cá se fizeram sentir. A primeira, mais curta, até sensivelmente 1963, com o predomínio avassalador de Cliff Richard and The Shadows, e a segunda com a invasão dos The Beatles.
Por cá um grupo está na origem desta divisão. Formados em 1963 os Sheiks, donde se viriam a destacar Carlos Mendes e Paulo de Carvalho e mais tarde Fernando Tordo, revolucionaram o panorama musical nacional com a adesão a uma sonoridade mais próxima dos The Beatles. Com capacidades vocais, técnicas e de produção acima da média ficam como uma das boas memórias dos nossos anos 60. Não se confinaram exclusivamente a interpretações de temas consagrados internacionalmente ("Summertime", "Michelle", "These Boots Are Made For Walkin'" são exemplo), também fizeram uma aposta em originais, alguns dos quais de gosto inegável.
Ao vivo na RTP podemos recordar os Sheiks, em ritmo “shake”, em duas canções , respectivamente “Summertime” e “Copo” (esta é de fugir!) ambas do primeiro EP.
Em 1966, o ano de maior produção, é editado o 3º EP e o destaque ia direito para o original “Lonely Lost And Sad” que não desmereceria qualquer grupo internacional da época. Nesse mesmo ano a internacionalização esteve por um fio com destaque para o êxito alcançado em Paris onde viriam a gravar um EP. Recordemos então “Lonely Lost And Sad” um verdadeiro “slow” como se dizia nesse tempo. Foi há 50 anos!
Sheiks - Lonely Lost and Sad
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Blitz Nº 64 de 21 de Janeiro de 1986
Jornal "Blitz"
Sob o título «Sade em Portugal» e uma fotografia a ocupar toda a 1ª página assim se faz a capa do nº 64 do jornal Blitz que agora faz 30 anos.
- Na página 2, entre outras notícias, é anunciado o novo álbum de nome "Dirty Works" dos The Rolling Stones. Início de nova digressão dos Talking Heads promocional do filme "True Stories".
- Página 3, é anunciada a vinda de Sade a Portugal para concerto único a 20 de Abril no Pavilhão de Cascais. São noticiadas as próximas edições discográficas entre as quais, sublinhava eu, "Medicine Show" dos Dream Syndicate, "Encontros e Despedidas" de Milton Nascimento, nas reedições "Mudlark" de Leo Kotke e "Pearl" de Janis Joplin.
- Páginas 4 e 5 ocupadas com a iniciativa «Video-Clips Anos 80» a ocorrer durante 3 dias na Gulbenkian. A selecção e organização dos vídeos era de Miguel Esteves Cardoso. No terceiro dia «Long Form: A Primeira Geração» lá estão "Triller" de Michael Jackson, realização de John Landis, e "Jazzin' for Blue Jeans" de David Bowie com realização de Julien Temple.
- Página 6 dedicada a Jimmy Somerville, dos Bronski Beat aos Communards.
- Página 7 toda para os portugueses Ban, com o título «Perícia sem imaginação», a propósito da passagem do grupo portuense pelo Rock Rendez-Vous. Em fotografia João Loureiro, actualmente presidente do Boavista, após uma tentativa falhada de regressar à música.
- Página 8 vai para Tom Paxton, «O eterno trovador da América», uma boa lembrança, em 1986 já pouco falado.
- Página 9, «Busca no Sótão» dedicada a The Rolling Stones, «A maior banda de rock and roll do mundo». Brevíssima história do grupo com a discografia de 1964 a 1985.
- Páginas centrais com «Sade - Uma vida de diamantes». A propósito da sua vinda a Portugal dizia-se: "Com 26 anos e dois álbuns gravados ela é uma das maiores surpresas da década e no seu trabalho abarca estilos que vão dos blues ao rock, passando por muitos sons tirados directamente do jazz.". Que é feito dela?
- Adiante com a página 12 dedicada a «Pregões e Declarações».
- Página 13 com o «Blitz Metálico» com os Slayer então com 2 LP editados, "Show No Mercy" e "Hell Awaits".
- Sem interesse a página 14 «Trapos» uma colecção de moda «Rapazes de Lisboa» de Paulo Pedro Gonçalves dos Heróis do Mar.
- Página 15, «Cardápio» dá-nos a conhecer a programação de Música ao Vivo, Rádio, Cinema, Televisão, Exposições e Acontecimentos. Na rádio para quem se lembrar ouvia-se o «Som da Frente» de António Sérgio e »A Luz de Edison» de Jorge Gil.
- Página 16, no «Blitzpectrum» anuncia-se o jogo «Never Ending Story». "Limahl: no princípio era uma canção - agora «Never Ending Story» também em jogo para computador."
- Página 17, «Escolha do Blitz» destaca as edições de "Medicine Show" dos Dream Syndicate com 4 estrelas e "Steve McQueen" dos Prefab Sprout com 5 estrelas.
- As listas de Top das páginas 18 e 19 não evidenciam nada de especial, a não ser em Portugal dois álbuns de Amália Rodrigues entre os 10 primeiros ou ainda Robert Wyatt em 6º lugar com o LP "Old Rottenhat" na lista de Independentes na Grã-Bretanha.
- Última página para o Hot Clube de Portugal, «A escola não fornece talento»: "ensinamos teoria, introduzimos história, pomos as pessoas a tocar com orientação, mas não depende de nós que elas venham a ser boas, porque no Jazz é preciso, mais que tocar bem, tocar personalizadamente."
Sob o título «Sade em Portugal» e uma fotografia a ocupar toda a 1ª página assim se faz a capa do nº 64 do jornal Blitz que agora faz 30 anos.
- Na página 2, entre outras notícias, é anunciado o novo álbum de nome "Dirty Works" dos The Rolling Stones. Início de nova digressão dos Talking Heads promocional do filme "True Stories".
- Página 3, é anunciada a vinda de Sade a Portugal para concerto único a 20 de Abril no Pavilhão de Cascais. São noticiadas as próximas edições discográficas entre as quais, sublinhava eu, "Medicine Show" dos Dream Syndicate, "Encontros e Despedidas" de Milton Nascimento, nas reedições "Mudlark" de Leo Kotke e "Pearl" de Janis Joplin.
- Páginas 4 e 5 ocupadas com a iniciativa «Video-Clips Anos 80» a ocorrer durante 3 dias na Gulbenkian. A selecção e organização dos vídeos era de Miguel Esteves Cardoso. No terceiro dia «Long Form: A Primeira Geração» lá estão "Triller" de Michael Jackson, realização de John Landis, e "Jazzin' for Blue Jeans" de David Bowie com realização de Julien Temple.
- Página 6 dedicada a Jimmy Somerville, dos Bronski Beat aos Communards.
- Página 7 toda para os portugueses Ban, com o título «Perícia sem imaginação», a propósito da passagem do grupo portuense pelo Rock Rendez-Vous. Em fotografia João Loureiro, actualmente presidente do Boavista, após uma tentativa falhada de regressar à música.
- Página 8 vai para Tom Paxton, «O eterno trovador da América», uma boa lembrança, em 1986 já pouco falado.
- Página 9, «Busca no Sótão» dedicada a The Rolling Stones, «A maior banda de rock and roll do mundo». Brevíssima história do grupo com a discografia de 1964 a 1985.
- Páginas centrais com «Sade - Uma vida de diamantes». A propósito da sua vinda a Portugal dizia-se: "Com 26 anos e dois álbuns gravados ela é uma das maiores surpresas da década e no seu trabalho abarca estilos que vão dos blues ao rock, passando por muitos sons tirados directamente do jazz.". Que é feito dela?
- Adiante com a página 12 dedicada a «Pregões e Declarações».
- Página 13 com o «Blitz Metálico» com os Slayer então com 2 LP editados, "Show No Mercy" e "Hell Awaits".
- Sem interesse a página 14 «Trapos» uma colecção de moda «Rapazes de Lisboa» de Paulo Pedro Gonçalves dos Heróis do Mar.
- Página 15, «Cardápio» dá-nos a conhecer a programação de Música ao Vivo, Rádio, Cinema, Televisão, Exposições e Acontecimentos. Na rádio para quem se lembrar ouvia-se o «Som da Frente» de António Sérgio e »A Luz de Edison» de Jorge Gil.
- Página 16, no «Blitzpectrum» anuncia-se o jogo «Never Ending Story». "Limahl: no princípio era uma canção - agora «Never Ending Story» também em jogo para computador."
- Página 17, «Escolha do Blitz» destaca as edições de "Medicine Show" dos Dream Syndicate com 4 estrelas e "Steve McQueen" dos Prefab Sprout com 5 estrelas.
- As listas de Top das páginas 18 e 19 não evidenciam nada de especial, a não ser em Portugal dois álbuns de Amália Rodrigues entre os 10 primeiros ou ainda Robert Wyatt em 6º lugar com o LP "Old Rottenhat" na lista de Independentes na Grã-Bretanha.
- Última página para o Hot Clube de Portugal, «A escola não fornece talento»: "ensinamos teoria, introduzimos história, pomos as pessoas a tocar com orientação, mas não depende de nós que elas venham a ser boas, porque no Jazz é preciso, mais que tocar bem, tocar personalizadamente."
The Association - Requiem for the Masses
Na sequencia do Rock religioso dos The Electric Prunes, a recordação de hoje vai para os também californianos The Association que igualmente experimentaram a abordagem religiosa na sua música.
É em 1967 que The Association vão conhecer o maior sucesso com o hit que foi "Never My Love" incluído no 3º álbum "Insight Out".
"Insight Out" é um álbum musicalmente diversificado e reflecte a perspectiva do novo produtor de tornar The Association mais comerciais, alguns temas não são escritos pela banda e alguns músicos de estúdio são adicionados. O sucesso de "Windy" e "Never My Love" concretizaram essa preocupação.
O álbum, algo eclético, passava pelo Folk-Rock, pelo Rock psicadélico e terminava com o ambicioso "Requiem for the Masses", uma crítica velada à guerra do Vietname.
Do álbum de "Windy" e "Never My Love" constava então este "Requiem for the Masses" o tema religioso que agora lembramos.
The Association - Requiem for the Masses
É em 1967 que The Association vão conhecer o maior sucesso com o hit que foi "Never My Love" incluído no 3º álbum "Insight Out".
"Insight Out" é um álbum musicalmente diversificado e reflecte a perspectiva do novo produtor de tornar The Association mais comerciais, alguns temas não são escritos pela banda e alguns músicos de estúdio são adicionados. O sucesso de "Windy" e "Never My Love" concretizaram essa preocupação.
O álbum, algo eclético, passava pelo Folk-Rock, pelo Rock psicadélico e terminava com o ambicioso "Requiem for the Masses", uma crítica velada à guerra do Vietname.
Do álbum de "Windy" e "Never My Love" constava então este "Requiem for the Masses" o tema religioso que agora lembramos.
The Association - Requiem for the Masses
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
The Electric Prunes - Gloria
Ainda a propósito da influência da música indiana na música ocidental nos anos 60, no que ficou conhecido por Raga-Rock, refere o livro "O Mundo da Música Pop":
"... numeroso conjuntos pop têm tentado, por um lado, encontrar um pouco de felicidade «raga» para si próprios e, por outro lado, transmiti-la aos seus ouvintes. Alguns conjuntos tentaram pela forma cristã, tradicional. Assim, o conjunto Electric Prunes apresentou a canção Mess in F Minor (Cordeiro de Deus, dai-nos a paz), e The Association fabricou a sua composição Requiem for the masses.".
Quer um quer outro já os recordei, hoje retomamos The Electric Prunes.
"Mess In F Minor" é o 3º registo do grupo e foi editado em 1968.
O projecto para o 3º álbum do grupo foi entregue a David Axelrod, compositor e produtor, que conceptualizou e escreveu "Mess In F Minor", uma missa com arranjos de Rock psicadélico cantado em Latim. O álbum é composto pelas canções: "Kyrie Eleison", "Gloria", "Credo", "Sanctus", "Benedictus" e "Agnus Dei".
A gravação de "Mess In F Minor" ficou envolta em peripécias resultante das ideias e pretensões de David Axelrod e a dificuldade dos elementos do grupo em as assimilar, assim enquanto as três primeiras faixas foram tocadas pelos The Electric Prunes, para as restantes foram contratados músicos de estúdio de forma a acelerar a conclusão do disco.
O falhanço na interpretação de "Mess In F Minor" ao vivo ajudou ao fim do grupo em 1968, outra formação com o mesma designação manteve-se até 1970, tempo de gravarem mais 2 álbuns.
"Kyrie Eleison" vai-se tornar conhecida e marca da contracultura underground americana ao fazer parte da banda sonora do filme "Easy Rider" em 1969.
A faixa que segue a inicial "Kyrie Eleison" é "Gloria" e é com este Rock religioso que este Regresso ao Passado recorda The Electric Prunes.
The Electric Prunes - Gloria
"... numeroso conjuntos pop têm tentado, por um lado, encontrar um pouco de felicidade «raga» para si próprios e, por outro lado, transmiti-la aos seus ouvintes. Alguns conjuntos tentaram pela forma cristã, tradicional. Assim, o conjunto Electric Prunes apresentou a canção Mess in F Minor (Cordeiro de Deus, dai-nos a paz), e The Association fabricou a sua composição Requiem for the masses.".
Quer um quer outro já os recordei, hoje retomamos The Electric Prunes.
"Mess In F Minor" é o 3º registo do grupo e foi editado em 1968.
O projecto para o 3º álbum do grupo foi entregue a David Axelrod, compositor e produtor, que conceptualizou e escreveu "Mess In F Minor", uma missa com arranjos de Rock psicadélico cantado em Latim. O álbum é composto pelas canções: "Kyrie Eleison", "Gloria", "Credo", "Sanctus", "Benedictus" e "Agnus Dei".
A gravação de "Mess In F Minor" ficou envolta em peripécias resultante das ideias e pretensões de David Axelrod e a dificuldade dos elementos do grupo em as assimilar, assim enquanto as três primeiras faixas foram tocadas pelos The Electric Prunes, para as restantes foram contratados músicos de estúdio de forma a acelerar a conclusão do disco.
O falhanço na interpretação de "Mess In F Minor" ao vivo ajudou ao fim do grupo em 1968, outra formação com o mesma designação manteve-se até 1970, tempo de gravarem mais 2 álbuns.
"Kyrie Eleison" vai-se tornar conhecida e marca da contracultura underground americana ao fazer parte da banda sonora do filme "Easy Rider" em 1969.
A faixa que segue a inicial "Kyrie Eleison" é "Gloria" e é com este Rock religioso que este Regresso ao Passado recorda The Electric Prunes.
The Electric Prunes - Gloria
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
A mística hindu na música de Ravi Shankar
A 17 de Abril de 1970, no nº 1610 da Revista "Vida Mundial", uma caixa com um pequeno artigo, sob o título "A mística hindu na música de Ravi Shankar" dava a conhecer o músico indiano Ravi Shankar, referia-se:
"Shankar e a sua música tomaram conta do Ocidente a partir dos Beatles. A necessidade de novos sons levou George Harrison à Índia para aprender com o pandit (o mestre), as linhas básicas da raga (forma melódica hindu) e usá-las, depois, na música moderna ocidental."
Da influência da música indiana na música Pop-Rock dos anos 60 demos conta em Regresso ao Passado através de canções dos mais importantes grupos de então, dos The Beatles e The Rolling Stones a Led Zeppelin e The Byrds ou ainda esse cantautor escocês que encantou a nossa juventude, Donovan.
Essa influência manter-se-ia nas décadas seguintes e mesmo neste século, mas sem, o gosto e a criatividade dos anos 60, pelo menos para meu gosto.
"Shankar e a sua música tomaram conta do Ocidente a partir dos Beatles. A necessidade de novos sons levou George Harrison à Índia para aprender com o pandit (o mestre), as linhas básicas da raga (forma melódica hindu) e usá-las, depois, na música moderna ocidental."
Da influência da música indiana na música Pop-Rock dos anos 60 demos conta em Regresso ao Passado através de canções dos mais importantes grupos de então, dos The Beatles e The Rolling Stones a Led Zeppelin e The Byrds ou ainda esse cantautor escocês que encantou a nossa juventude, Donovan.
Essa influência manter-se-ia nas décadas seguintes e mesmo neste século, mas sem, o gosto e a criatividade dos anos 60, pelo menos para meu gosto.
Ravi Shankar - Dhun
A influência da música indiana na música Pop nos anos 60
"George Harrison foi, possivelmente, o primeiro a utilizar o sitar [cítara] num disco pop. Na sua composição Love you too (incluída no LP Revolver), utilizou pela primeira vez, o instrumento hindu." de volta ao livro "O Mundo da Música Pop".
"Love You Too" pelos The Beatles já foi aqui devidamente recordada, assim como algumas canções de um número significativo de grupos que na segunda metade da década de 60 introduziram habilmente a cítara e a música indiana nas suas composições. É chegada a altura de ficarmos pelo mestre da cítara, Ravi Shankar (1920-2012).
"Harrison «descobriu» a sitar [cítara] com a ajuda do magistral músico hindu Ravi Shankar, que, por sua vez, granjeou fama em todo o mundo, graças aos Beatles."
"Desde tenra idade que Ravi Shankar se interessa pelo instrumento em forma de cabeça, cujo domínio total exige uma preparação inicial de um guru.", citações de "O Mundo da Música Pop".
Depois de sete anos de árdua aprendizagem, chegando a ensaiar catorze horas por dia, é primeiro graças a George Harrison, depois à sua participação no Festival Pop de Monterey em 1967, que Ravi Shankar ganha notoriedade. Ravi Shankar relata assim a sua passagem pelo Festival:
" O ambiente era completamente diferente daquele a que estava acostumado. Milhares de rapazes e raparias com as caras pintadas ... e por todo o lado flores e mais flores e paus perfumados. Com tudo isso criou-se uma atmosfera maravilhosa que me inspirou profundamente, a mim e à minha música."
Do álbum "Ragas & Talas", de 1964, segue a faixa "Dhun".
Ravi Shankar - Dhun
"George Harrison foi, possivelmente, o primeiro a utilizar o sitar [cítara] num disco pop. Na sua composição Love you too (incluída no LP Revolver), utilizou pela primeira vez, o instrumento hindu." de volta ao livro "O Mundo da Música Pop".
"Love You Too" pelos The Beatles já foi aqui devidamente recordada, assim como algumas canções de um número significativo de grupos que na segunda metade da década de 60 introduziram habilmente a cítara e a música indiana nas suas composições. É chegada a altura de ficarmos pelo mestre da cítara, Ravi Shankar (1920-2012).
"Harrison «descobriu» a sitar [cítara] com a ajuda do magistral músico hindu Ravi Shankar, que, por sua vez, granjeou fama em todo o mundo, graças aos Beatles."
"Desde tenra idade que Ravi Shankar se interessa pelo instrumento em forma de cabeça, cujo domínio total exige uma preparação inicial de um guru.", citações de "O Mundo da Música Pop".
Depois de sete anos de árdua aprendizagem, chegando a ensaiar catorze horas por dia, é primeiro graças a George Harrison, depois à sua participação no Festival Pop de Monterey em 1967, que Ravi Shankar ganha notoriedade. Ravi Shankar relata assim a sua passagem pelo Festival:
" O ambiente era completamente diferente daquele a que estava acostumado. Milhares de rapazes e raparias com as caras pintadas ... e por todo o lado flores e mais flores e paus perfumados. Com tudo isso criou-se uma atmosfera maravilhosa que me inspirou profundamente, a mim e à minha música."
Do álbum "Ragas & Talas", de 1964, segue a faixa "Dhun".
Ravi Shankar - Dhun
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Spirit - Girl In Your Eye
A influência da música indiana na música Pop nos anos 60
Tomei conhecimento do grupo Spirit através de um duplo álbum de 1970, uma colectânea de nome Rock Buster com uma capa muito pirosa, onde o musculado Arnold Schwarzenegger, em pose, ocupava toda a dupla capa. Nesta muito interessante colectânea de Rock predominantemente americano com muitos bons grupos por cá muito pouco conhecidos como It´s A Beautiful Day, Flock, Poco, Skid Row, constava um tema, que na altura me chamou a atenção, de nome "Mr. Skin" dos tais Spirit.
Os Spirit iam já no 4º álbum de nome "Twelve Dreams of Dr. Sardonicus" onde aparecia esse tema, "Mr. Skin".
Spirit foi um grupo californiano de Rock psicadélico formado em 1967 e regra geral subestimado.
Em 1968 editam o primeiro álbum "Spirit" pleno de psicadelismo e revela-se uma surpresa para quem não o conhecer ou não se lembrar. Julgo poder colocá-lo entre o que de mais interessante então se fazia com arranjos arrojados e muitas influências jazzísticas.
Nesse mesmo ano fazem digressão com os Led Zeppelin e ao que parece a faixa "Taurus" do primeiro álbum dos Spirit vai ser a inspiração para "Stairway to Heaven" que os Led Zeppelin editariam no seu 4º álbum em 1972 (que as semelhanças são grandes lá isso é verdade).
Mas a escolha deste primeiro álbum dos Spirit vai para "Girl In Your Eye" onde é manifesta a influência que os sons indianos exerciam também na West Coast.
Spirit - Girl In Your Eye
Tomei conhecimento do grupo Spirit através de um duplo álbum de 1970, uma colectânea de nome Rock Buster com uma capa muito pirosa, onde o musculado Arnold Schwarzenegger, em pose, ocupava toda a dupla capa. Nesta muito interessante colectânea de Rock predominantemente americano com muitos bons grupos por cá muito pouco conhecidos como It´s A Beautiful Day, Flock, Poco, Skid Row, constava um tema, que na altura me chamou a atenção, de nome "Mr. Skin" dos tais Spirit.
Os Spirit iam já no 4º álbum de nome "Twelve Dreams of Dr. Sardonicus" onde aparecia esse tema, "Mr. Skin".
Spirit foi um grupo californiano de Rock psicadélico formado em 1967 e regra geral subestimado.
Em 1968 editam o primeiro álbum "Spirit" pleno de psicadelismo e revela-se uma surpresa para quem não o conhecer ou não se lembrar. Julgo poder colocá-lo entre o que de mais interessante então se fazia com arranjos arrojados e muitas influências jazzísticas.
Nesse mesmo ano fazem digressão com os Led Zeppelin e ao que parece a faixa "Taurus" do primeiro álbum dos Spirit vai ser a inspiração para "Stairway to Heaven" que os Led Zeppelin editariam no seu 4º álbum em 1972 (que as semelhanças são grandes lá isso é verdade).
Mas a escolha deste primeiro álbum dos Spirit vai para "Girl In Your Eye" onde é manifesta a influência que os sons indianos exerciam também na West Coast.
Spirit - Girl In Your Eye
domingo, 17 de janeiro de 2016
Led Zeppelin - Black Mountain Side
A influência da música indiana na música Pop nos anos 60
Continuamos com a música Pop-Rock dos anos 60 com influências da música indiana, em particular pela introdução da cítara e da tabla, instrumentos então bastante difundidos entre os grupos mais conceituados.
Os Led Zeppelin não ficaram imunes a essa influência. Logo no primeiro álbum "Led Zeppelin I" de 1969 as referências à música oriental estão presentes, concretamente no tema "Black Mountain Side" de Jimmy Page.
"Black Mountain Side" é um tema Folk interpretado por Jimmy Page com a guitarra afinada de modo a simular a cítara com o acompanhamento de tabla de Viram Jasani.
Para os mais atentos "Black Mountain Side" remete-nos para a superior interpretação de Bert Jansch do tradicional irlandês "Down By Blackwaterside" de 1966. Sem dúvida "Black Mountain Side" foi inspirada naquele versão do tema tradicional.
Ao vivo "Black Mountain Side" era normalmente precedida de "White Summer" (também esta de influências orientais) gravada por Jimmy Page quando da passagem pelos The Yardbirds em 1967.
Led Zeppelin - Black Mountain Side
Continuamos com a música Pop-Rock dos anos 60 com influências da música indiana, em particular pela introdução da cítara e da tabla, instrumentos então bastante difundidos entre os grupos mais conceituados.
Os Led Zeppelin não ficaram imunes a essa influência. Logo no primeiro álbum "Led Zeppelin I" de 1969 as referências à música oriental estão presentes, concretamente no tema "Black Mountain Side" de Jimmy Page.
"Black Mountain Side" é um tema Folk interpretado por Jimmy Page com a guitarra afinada de modo a simular a cítara com o acompanhamento de tabla de Viram Jasani.
Para os mais atentos "Black Mountain Side" remete-nos para a superior interpretação de Bert Jansch do tradicional irlandês "Down By Blackwaterside" de 1966. Sem dúvida "Black Mountain Side" foi inspirada naquele versão do tema tradicional.
Ao vivo "Black Mountain Side" era normalmente precedida de "White Summer" (também esta de influências orientais) gravada por Jimmy Page quando da passagem pelos The Yardbirds em 1967.
Led Zeppelin - Black Mountain Side
sábado, 16 de janeiro de 2016
David Bowie, Três Décadas de Metamorfoses
"David Bowie, Três Décadas de Metamorfoses" é um livro editado pela Centelha em Dezembro de 1983 e era o nº 8 da colecção Rock On.
Escrito pelo colectivo Rock On (Álvaro Costa, Fernando Costa, Francisco Pacheco), o livro dividido em 4 capítulos, da juventude até 1983, inclui ainda uma discografia oficial e pirata, discos em que colaborou bem como uma filmografia e teatro.
"Bowie está na moda. A moda é efémera. A síntese seria Bowie é efémero. Mas Bowie não surgiu há quinze dias. Nem vai desaparecer dentro de quinze dias. A síntese não funciona com David Robert Jones." lia-se no prefácio do livro. Um livro a reler à primeira oportunidade.
Custou 350$00 ou seja 1,75€ aproximadamente.
Escrito pelo colectivo Rock On (Álvaro Costa, Fernando Costa, Francisco Pacheco), o livro dividido em 4 capítulos, da juventude até 1983, inclui ainda uma discografia oficial e pirata, discos em que colaborou bem como uma filmografia e teatro.
"Bowie está na moda. A moda é efémera. A síntese seria Bowie é efémero. Mas Bowie não surgiu há quinze dias. Nem vai desaparecer dentro de quinze dias. A síntese não funciona com David Robert Jones." lia-se no prefácio do livro. Um livro a reler à primeira oportunidade.
Custou 350$00 ou seja 1,75€ aproximadamente.
David Bowie - ★
Ainda e sempre!, David Bowie.
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| Bowie está na moda. A moda é efémera. A síntese seria Bowie é efémero. Mas Bowie não surgiu há quinze dias. Nem vai desaparecer dentro de quinze dias. A síntese não funciona com David Robert Jones. |
Antecipava eu no passado dia 1 que o novo disco de David Bowie, “Blackstar” era “pela amostra já conhecida, exploração de sonoridades de difícil assimilação à primeira audição”, confirma-se.
O que estava longe de antecipar era que o disco era a encenação da sua própria morte. David Bowie a surpreender-nos até ao último suspiro.
Agora compreendemos melhor “Blackstar” ou corrigindo ★, assim sem letras, o álbum e a canção chamam-se ★ e não “Blackstar”.
A capa também é uma surpresa, pela primeira vez a figura de David Bowie não aparece de alguma forma representada, sendo mais feliz a capa do álbum em vinil, toda preta com uma estrela recortada através da qual se vê o disco em vinil preto. A prensagem em vinil é óptima e justifica a diferença de preço e como é agora normal vem com código para se fazer o download digital.
A música, essa é, como previa, para se ir ouvindo, sempre!, ao longo dos tempos e acabarmos por dar conta que, qual Lazarus, ele afinal está vivo.
"Bowie está na moda. A moda é efémera. A síntese seria Bowie é efémero. Mas Bowie não surgiu há quinze dias. Nem vai desaparecer dentro de quinze dias. A síntese não funciona com David Robert Jones." do livro "David Bowie, Três Décadas de Metamorfoses", edição centelha, de 1983.
Terminamos com ★. Talvez agora o compreendamos melhor.
David Bowie - ★
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