segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Phil Ochs - Power and Glory

Foram muitos os músicos a fazer parte das "blacklists" durante o período do McCarthismo (finais dos anos 40, início dos anos 50), Leonard Bernstein na música Clássica, Pete Seeger, mas também Josh White e Lead Belly aqui recentemente lembrados, na  música folk, talvez os mais conhecidos.
No final dos anos 50 e em particular no início dos anos 60 assistiu-se a um recrudescer da música Folk ligada a novas causas como o "Civil Rights Movement" e posteriormente contra o envolvimento dos Estados Unidos na guerra do Vietname. Pete Seeger, Bob Dylan, Judy Collins, Janis Ian, Joan Baez são alguns nomes significativos deste período e que por aqui já passaram. Outros, como Phil Ochs, oportunidade para agora recordar.

Phil Ochs (1940-1976) foi um cantor norte-americano comprometido com a canção de protesto e que teve larga atividade nos anos 60 e 70. Mais do que canções de protesto, Phil Ochs considerava as suas canções de "Topical Songs", ou seja canções de crítica social ou política, sendo ele um "singing journalist".



Deixou-nos 7 álbuns de estúdio sendo o  primeiro "All the News That's Fit to Sing" (segundo a frase do New York Times "All the News That's Fit to Print") de 1964.
Uma das canções mais conhecidas de Phil Ochs é "Power and Glory" que pertence a "All the News That's Fit to Sing" .

Nas notas do LP pode-se ler:
"POWER AND THE GLORY Considered by many to be Och's "masterpiece" and ranked close to Guthrie's This Land."



Phil Ochs - Power and Glory

domingo, 29 de novembro de 2015

Lead Belly - The Gallis Pole

De há muito que a música Folk norte-americana teve o reconhecimento que merece. Se na década de 60 do século passado se revelou e foi divulgada um pouco por todo o lado, já antes um conjunto significativo de cantores Folk se tinham imposto embora numa dimensão mais nacional.

"Os primeiros sintomas de uma mutação de estruturas foram sentidas ao ser recuperada pela primeira vez a folk-song, no princípio dos anos quarenta. A partir daí, intérpretes folk como Big Bill Broonzy, Josh White, Huddy Ledbetter ((chamado Leadbelly ou King of the twelve-string-guitar), Pete Seeger e Woody Guthrie, alcançaram ressonância Nacional."  lia-se no já aqui muito referenciado "O Mundo da Música Pop".

Dos referidos,  Josh White, Pete Seeger e Woody Guthrie já passaram pelo Regresso ao Passado, desta vez recordamos Huddy Ledbetter que ficou conhecido como Lead Belly.



Lead Belly (1888-1949) foi um músico negro norte-americano, cantor de Blues e Folk tendo-se evidenciado a tocar guitarra de 12 cordas. Com problemas frequentes com a justiça, passou diversas vezes pela prisão, onde ganhou notoriedade com a sua música. Nos anos 30 ele é descoberto por John Lomax e o filho Alan Lomax tendo então gravado algumas canções entre as quais, talvez a sua mais conhecida "Goodnight, Irene". Deixou um legado musical admirado por inúmeros músicos que vão de Tom Waits ("Goodnight, Irene"), CCR ("Midnight Special"), aos Nirvana ("Where Did You Sleep Last Night") e aos Led Zeppelin ("Gallows Pole"), só para citar alguns.

A escolha, na  longa lista de canções que interpretou, recai sobre um tema tradicional, que ficou conhecida na versão de Lead Belly como "The Gallis Pole" e na versão dos Led Zeppelin como "Gallows Pole". "The Gallis Pole" do álbum "Negro Sinful Songs" de 1939.



Lead Belly - The Gallis Pole

sábado, 28 de novembro de 2015

Josh White - Freedom Road

"Ao invés da canção popular europeia e a sua interpretação por parte dos filólogos, a canção popular norte-americana não se contenta com temas andinos ou exaltante de uma paixão, mas adopta um compromisso político diretamente relacionado com a problemática da vida quotidiana."
pode-se ler  em "O Mundo da Música Pop" no capítulo dedicado ao Folk.

Josh White (1914-1969) foi um cantautor, guitarrista e activista dos direitos civis norte-americano.
A par com outros intérpretes bem conhecidos como Big Bill Broonzy, Huddy Ledbetter (Leadbelly), Pete Seeger e Woody Guthrie deixou marcas no Folk e no Blues com destaque para as canções de carácter político e de protesto.
Josh White foi confidente do presidente Roosevelt com quem discutia os problemas raciais e direitos civis. As suas posições políticas, expressas em muitas canções, levaram a que fosse perseguido e prejudicado na sua carreira durante o período do McCarthismo.



O seu estilo musical vai deixar influências em músicos que vão de Pete Seeger, Peter, Paul and Mary a  Ry Cooder ou Bob Dylan, ou ainda Lonnie Donegan para não ficarmos somente pelos Estados Unidos.

Segue uma canção de protesto de nome "Freedom Road", gravada inicialmente em 1944 e posteriormente no álbum "The House I Live In" de 1960.



Josh White - Freedom Road

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Lonnie Donegan - Rock Island Line


Se,  no final da década de 50, no Reino Unido, o Rock'n'Roll emergia com os já aqui recordados Tommy Steele e Cliff Richard, outras ondas musicais manifestavam-se com uma vitalidade surpreendente alterando definitivamente o panorama musical então vigente. Estou a falar no entusiasmo com que a juventude britânica abraçou o Skiffle.
O género musical designado Skiffle é uma fusão de Jazz, Blues com o Folk e que "se podia tocar com a ajuda de instrumentos que toda a gente podia apreender a dominar rapidamente" (de acordo com "O Mundo da Música Pop").

De "O Mundo da Música Pop" citando o estudioso do Folk Alan Lomax:
"Antes da onda skiffle, eram raros os londrinos que faziam a sua própria música. O cantar e o actuar eram coisas para os exibicionistas e artistas profissionais. Mas hoje, os jovens deste país têm as suas canções que adoram cantar."

Chris Barber e Lonnie Donegan estão entre os principais impulsionadores do Skiffle no Reino Unido.
Os dois fizeram parte das formações em nome individual: Chris Barber's Jazz Band e The Lonnie Donegan Skiffle Group e dominaram nos anos 50 a cena musical inglesa.



O primeiro Single de Lonnie Donegan (The Lonnie Donegan Skiffle Group) é editado em 1955 com uma versão de uma canção de Blues americana intitulada "Rock Island Line" e foi a que teve maior êxito.



Lonnie Donegan - Rock Island Line

Curiosidades:
- Ringo Starr teve o seu início no conjunto The Eddie Clayton Skiffle.
- John Lennon era um admirador do Skiffle e de Donegan, a primeira banda de John Lennon, The Quarrymen, era um grupo de Skiffle.
- No virar do século, Janeiro de 2000, é editado o álbum, gravado ao vivo em Belfast, de Van Morrison com Lonnie Donegan e Chris Barber, "The Skiffle Sessions"

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Cliff Richard - Move It

O bem conhecido Cliff Richard, de nome verdadeiro Harry Rodger Webb, nasceu na Índia em 1940 e após a independência em 1947 rumou com os pais para Inglaterra, onde ainda adolescente se interessa pela música Skiffle (género musical, com origem nos EUA, popular no Reino Unido nos anos 50, caracterizado por mistura do Blues, Jazz e Folk, tocado na sua origem com instrumentos rudimentares).

Em 1958 começa a cantar o Rock'n'Roll e com o grupo inglês The Drifters grava o primeiro Single e obtêm o primeiro sucesso com "Move It" considerada a primeira canção britânica de Rock'n'Roll.




"Move it" foi escrita pelo guitarrista dos The Drifters e chegou a nº 2 nas tabelas de Singles do Reino Unido em 1958.
O sucesso internacional viria no ano seguinte com "Living Doll" e a partir daí o êxito nunca mais parou, foi o único artista a ter um nº 1 no Reino Unido em 5 décadas diferentes: 50, 60, 70, 80 e 90.
Altura para recordar "Move It" o início do Rock'n'Roll do lado de cá do Atlântico.



Cliff Richard - Move It

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Tommy Steele - Singing the Blues

"Antes que o Beat fizesse a sua aparição, teve que decorrer bastante tempo. Numa primeira fase, o rock'n'roll expandiu-se de forma universal. Imitando os grandes astros do cinema, foram aparecendo jovens cantores noutros países, em especial na Grã-Bretanha, que puseram termo ao que até aí tinha sido a hegemonia da música estadunidense. Em 1959, a música pop inglesa conseguiu autonomizar-se quase por completo dos preceitos norte-americanos. Tommy Steele destronou Elvis Presley e Cliff Richard converteu-se, com o single Living Doll, no cantor inglês de maior sucesso em 1959." assim descreve "O Mundo da Música Pop" a expansão do Rock'n'Roll na década de 50.

Hoje, Tommy Steele, amanhã Cliff Richard, aqui recordamos a música pop do final da década de 50 em Inglaterra.
Tommy Steele (1936-) é tido como o primeiro ídolo do Rock'n'Roll em Inglaterra, tendo seu percurso artístico sido dividido entre o cinema e a canção. Em 1956 grava o primeiro Single "Rock With the Caveman" e é ainda nesse ano que grava "Singing the Blues", canção com a qual atingiria o primeiro lugar, no Reino Unido, no início de 1957.
Para conhecer melhor o seu início, o melhor é mesmo ler o texto da contracapa do EP então editado com "Singing the Blues":

""Rags to riches'’ . . . "overnight success" . . . “one leap to stardom”. These are the empty phrases of show business, used and used again until they have no meaning. But all of them, and many more, are true when it comes to talking about Tommy Steele, the boy from Bermondsey whose meteoric rise into the top bracket of British popular singers has left everyone gasping.
Tommy Steele went to sea as a lad of fifteen, and not so very much later was sent to hospital for nine dreary months with a serious illness. In the ward he met a man who taught him to play a guitar, and Tommy started to sing, to his own accompaniment. Back at sea he was singing wherever and whenever he could—in the crew's quarters to amuse his mates; in the first class lounge to entertain the passengers; on shore in amateur talent shows. All the time, as he travelled the seven seas, he was listening to the world’s folk singers and developing his own highly personal style of folk singing.

Then come the day of decision. Tommy decided to quit the sea and try for professional recognition as a singer. The urge to sing had become so strong in him that he could no longer be satisfied by an occasional audience. He wanted to sing every night, to people who come especially to hear him. But were there many such people? Tommy didn't know, and he knew it would be a risk finding out. He limited the risk to a fortnight. If no one was willing to employ him as a singer by the end of that time, then he would go back to sea. The extraordinary, quite amazing, utterly fantastic truth is that, long before the two weeks were up Tommy's feet were firmly on the ladder which was to lead him to stardom in less than a month.



On stage, Tommy showed at once that he is a fine artist with a natural gift for holding an audience. On records, he has shown that he is one of those rarest of rare popular singers—an individualist who forces his personality into the wax platter. There is no mistaking the impact of a Steele record. It is alive, vibrating, thrillingly exciting to anyone whose ears are attuned to the music of today.

Tommy is essentially a happy singer, with many of the erratic musical whims of the natural performer; but, above all, he has the most valuable gift that any folk singer can have - vitality. Just to listen to him singing is to feel the strength, the courage, the excitement of youth tingling in every note and phrase. To see him as well is to realize that here is a born entertainer - a youth whose style and whole being vibrates with the pleasure of the rhythms which are his life-blood. A national newspaper has elected him teen-ager of the year; the British record-buying public has rated him their number-one favourite; and here, on this record, he shares his happiness with us all."

Tommy Steele, a resposta britânica a Elvis Presley com uma canção americana "Singing the Blues".


Tommy Steele - Singing the Blues

terça-feira, 24 de novembro de 2015

The Beatles - Roll Over Beethoven

O Rock'n'Roll, emergente nos Estados Unidos, é marcado não só pela sua expressão musical como pelo espectáculo em si, muitas vezes de insinuação sexual.
Chuck Berry diria:
"Quando os adolescentes começaram a fixar-se em mim, tive de cuidar ao máximo da minha maneira de actuar. De contrário, os pais não teriam deixado os seus filhos assistir ao meu espectáculo." em "O Mundo da Música Pop".

O  Rock'n'Roll então florescente vai ter repercussões um pouco por todo o lado, a começar e principalmente no Reino Unido. Formaram-se inúmeros conjuntos com influências notórias do Rock'n'Roll que chegava do outro lado do Atlântico, entre eles constavam The Beatles.

Aos The Beatles não foram alheiras as influências sonoras e estilísticas de músicos como Fats Domino, Carl Perkins,  Buddy Holly, Chuck Berry ou Elvis Presley.

Deste último são conhecidas igualmente as performances e a atração que tal exerceu sobre a juventude. Ainda do livro "O Mundo da Música Pop":
"... na primeira formação dos Beatles, Pet Best e Stuart Sutcliffe, personificavam a vitalidade de um Elvis Presley.
Enquanto outros conjuntos rock abrandaram e adoçaram os sons, os Beatles continuaram a manter os sons duros e as actuações desenfreadas e potentes. A sua carreira começou, portanto com um estilo muito semelhante ao rock original. Encontraram o público adepto nas tabernas portuárias de Liverpool e Hamburgo. Em 1961, as suas actuações terminavam sempre em tumultos."



Já o primeiro Single "Love Me Do" circulava em Inglaterra quando The Beatles (já com Ringo Starr) retornam a Hamburgo para uma série de actuações. São de Dezembro de 1962 as gravações de um duplo álbum não oficial "Live! at the Star-Club in Hamburg, Germany; 1962", infelizmente a qualidade destas gravações não é a melhor mas dá-nos ideia das "actuações desenfreadas e potentes" que então efectuavam.
Em Hamburgo, 1962, a influência de Chuck Berry, eram The Beatles e "Roll Over Beethoven".



The Beatles - Roll Over Beethoven

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Chuck Berry - Maybellene

Mais um nome incontornável no surgimento do Rock'n'Roll, Chuck Berry.
Chuck Berry (1926-) é uma lenda viva, é um dos pioneiros da música que iria marcar a segunda metade do século XX, o Rock'n'Roll.

Nascido em St. Louis, Missouri, cedo desperta para a música, é numa viagem a Chicago em 1955 que efectua a primeira de muitas gravações de sucesso que realizou até finais dos anos 70.
Muitas foram as composições de Chuck Berry que ficaram como marca do Rock'n'Roll então nascente: "Roll Over Beethoven", "School Day", "Sweet Little Sixteen", "Johnny B. Goode", foram algumas delas.




Em "POPMUSIC-ROCK"  a propósito das origens musicais do Rock'n'Roll, lê-se:
"Apenas o jump [forma de Blues tocado de forma acelerada] se impôs com dois Negros, Chuck Berry e Bo Diddley, que praticaram o «pass for white»; o primeiro com Maybellene (1955), cuja rítmica, na fronteira do permissível, foi aceite graças à vocalização límpida e clara de Berry e ao matraquear publicitário de Alan Freed ( o seu empresário)"
e mais adiante,
"Um e outro marcaram o rock'n'roll não pelos seus sucessos pessoais, pois eram Negros, mas pela influência que tiveram nos seus contemporâneos. Entretanto, os temas de Berry louvavam o «verde paraíso» da adolescência (School Day; Sweet Little Sixteen; Oh, Baby Doll), donde um abrandamento do ritmo; nunca a brutalidade da sua primeira gravação veio a ser retomada, demonstrando claramente as concessões exigidas para a sua aceitação no mercado branco."

Relativamente a "Maybellene", a primeira gravação de Chuck Berry, a revista Rolling Stone chega mesmo a escrever "Rock'n'Roll guitar stars here".
E é com mais esta gravação dos primórdios do Rock'n'Roll que ficamos, Chuck Berry e a sua "Maybellene".



Chuck Berry - Maybellene

domingo, 22 de novembro de 2015

Elvis Presley - That's All Right

Mais novo que Bill Haley, mas com um sucesso incomparavelmente superior Elvis Presley foi o maior sucesso branco dos novos ritmos que então emergiam nos Estados Unidos.

Elvis Presley (1935-1977) aprendeu a tocar viola sozinho e começa a ganhar a vida como camionista. Desde muito novo que canta e o Rhythm'n'Blues não lhe é estranho. Tornou-se um dos maiores símbolos da cultura norte-americana e ficou para sempre com o epíteto de "Rei do Rock'n'Roll".
É numa pequena empresa discográfica, a "Sun", que vai efectuar as primeiras gravações comerciais.
Em 1954 é editado o primeiro Single com as canções "That's All Right" e "Blue Moon of Kentucky", com uma sonoridade marcadamente Rockabilly (Rock+Hillbilly - estilo Country and Western).





Para muitos "That's All Right" é para ser considerado o primeiro disco de Rock'n'Roll.
Em 1955 a RCA compra Elvis Presley à Sun Records e transforma-o no sucesso que se conhece.
O início está em "That's All Right", estávamos no ano de 1954.



Elvis Presley - That's All Right

sábado, 21 de novembro de 2015

Bill Haley - Rock A Beatin' Boogie

Na década de 50 vai nascer um novo estilo musical, baseado nos ritmos da música negra, mas, por vezes suavizados, interpretada sobretudo por brancos. Era o Rock'n'Roll.

"O rock'n'roll levou aos brancos dos Estados Unidos a música dos seus concidadãos negros." em "O Mundo da Música Pop".

Tendo o Rock'n'Roll sido um processo evolucionista não é possível identificar com certeza qual a primeira gravação digna desse nome. Muitos apontam para "Rock A Beatin' Boogie", canção composta por Bill Haley em 1952, então gravada pelos The Esquire Boys, mas só gravada por Bill Halley and his Comets em 1955, como "the very first rock'n'roll song".



"Bill Haley, nascido em Michigan em 1927 [na realidade 1925], soube o que era a sorte no princípio dos anos 50. Aos 13 anos, de uma caixa de charutos fez uma viola. Ganhava 1 dólar por semana, fazendo audições no mercado de leilões, que eram transmitidas do escritório por altifalantes, poi Bill Haley tinha medo de actuar directamente para o público. Quando perfez quinze anos, criou o seu primeiro conjunto e fugiu de casa. No início, as emissoras de rádio não deram por ele. Mas finalmente, logrou o seu primeiro êxito: Rock a beat in Boogie." também em "O Mundo da Música Pop".

"Rock A Beatin' Boogie", os primórdios do Rock'n'Roll, na interpretação de Bill Haley and his Comets é o que segue para audição.



Bill Haley - Rock A Beatin' Boogie

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Fats Domino - The Fat Man


Depois de produzirem para o mercado negro o Rhythm'n'Blues e os grupos vocais negros, as editoras discográficas independentes foram as primeiras a propor o Rock'n'Roll em maior escala. Até 1955 é graças a essas editoras de carácter regional (Chicago, Los Angeles, Memphis,...) que o fenómeno Rock'n'Roll se vai desenvolver.
Por exemplo, em Los Angeles era a Speciality (Larry Williams, Little Richard) , a Alladin (Lightnin' Hopkins, Charles Brown, Shirley and Lee), a Modern (John Lee Hooker, BB King, Elmore James, Etta James), a Imperial (Fats Domino, Ricky Nelson) ou ainda a Liberty (Bobby Vee, Eddie Cohran)

Foi para a Imperial que Fats Domino, pianista e cantor norte-americano, nascido em New Orleans em 1928, gravou de 1949 a 1962. Pode-se ler em "POPMUSIC-ROCK":

"Foi um ex-R&Bman, Fats Domino, que impôs a marca Imperial (1947). Para ascender ao sucesso, aceitou todas as subserviências, inclinou-se perante toda e qualquer exigência, e o resultado esteve à altura duma tal demissão: o Top Ten em 1956, com I'm In Love Again e oito hits entre 1957 e 1962. A sua reaquisição pela ABC Paramount e a voga do twist fizeram cessar brutalmente a sua popularidade."



Até ao sucesso que foi "Ain't That a Shame" em 1955 foram muitas as gravações efectuadas por Fats  Domino para a Imperial, entre elas logo a primeira, "The Fat Man", editada em finais de 1949, chamou a atenção e chega a nº 2 das tabelas de Rhythm'n'Blues.

"The Fat Man" é mais uma a figurar como candidata a primeira canção de Rock'n'Roll.



Fats Domino - The Fat Man

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Blitz nº 55 de 19 de Novembro de 1985

Jornal "Blitz"

O Nº 55 do então jornal semanal de divulgação musical saiu há 30 anos.
Vejamos o conteúdo deste número.



- A capa era ocupada na integra ocupada por fotografia pela banda Pop britânica Prefab Sprout de reconhecida popularidade nos anos 80.
- No OK! da página 2 destacava-se: "Lionel Richie reaparece" e "Bryan Adams sucesso no Canadá".
- Página 3 diversificada entre Breves, onde se anuncia o novo álbum dos ZZ Top, Passatempo com Dire Straits e U2, os Del Amitri são anunciados para o RRV (Rock Rendez Vous).
- A página 4 ocupada com o regulamento para o 3º concurso de música moderna no RRV para 1986.
- Página 5, para além dos anúncios a ocupar quase toda a página, a notícia da deslocação dos Mler Ife Dada a Barcelona para participação na 1ª Bienal de Produções Culturais Juvenis da Europa Mediterrânica.
- Página 6 com o Punk nacional: "Musicalmente , o punk pode não ter muito para oferecer. Mas ele não é, talvez nunca tenha sido, uma corrente estritamente musical. Como ficou provado pela actuação dos Ku de Judas e Grito Final no RRV, mais do que música, o punk é hoje uma forma de militância juvenil colectiva."
- Na página 7 sob o título "A Noite Nacional" Miguel Esteves Cardoso disserta sobre música popular cá e lá fora. Destacana os dois álbuns do Grupo Etnogáfico de Cantares do Manhouce, dizendo: "Esta é a música insubstituível, que não podemos trocar pelas músicas dos países estrangeiros".
- Na página 8 destaque para a história no Busca no Sótão dos britânicos Dave Clark Five  e respectiva discografia na Feira da Ladra.
- Carly Simon «Se não fosse cantora talvez fosse escritora ou cozinheira...» ocupa toda a página 9.
- O êxito do 2º álbum "Steve McQueen" justifica as páginas centrais sobre os Prefab Srout - o encanto  das cantigas.
- Páginas 12 e 13 com Pregões e Declarações que já ninguém lê.
- Uma discoteca lisboeta O Central Park justifica o Rondas Nocturnas da página 14.
- Música ao Vivo, Exposições, Televisão, Rádio, Cinema, Locais e Recomendações aso Viajantes constituem o Roteiro da página 15. Na Música ao vivo tínhamos os UHF em Lisboa, Sérgio Godinho nas Caldas da Rainha e os Telectu no Porto.
- Página 16 dedicada ao ZX Spectrum e ao programa The Artist, "...uma criação Softek: com este programa qualquer utilizador do ZX pode fazer elaborados desenhos com o computador, pintando, fazendo sombras, redes, criando gráficos e figuras, à vontade."
- A página 17 tem os discos editados na semana onde destaco "Cores e Aromas" do António Pinho Vargas e "Greatest Songs" de Woody Guthrie e ainda a escolha do Blitz "Hounds of Love" da Kate Bush.
- Os Top ocupam agora 2 páginas, a 18 e 19 , com nada de interessante. Em Portugal é nº 1 "Brothers in Arms" dos Dire Straits, nos EUA, "Soundtracl" de Miami Vice e na Grã Bretanha "The Love Songs" de George Benson (na lista dos Independentes "Love" dos Cult), outras classificações ocupam espaço, os cem amis da Rádio Renascença,  a Lista Rebelde do Som da Frente e a lista de No Calor Da Noite.
- Página 20 que é a contar capa totalmente com O «coração» dos Heart, grupo que nunca apreciei particularmente.

Little Richard - Taxi Blues

"Demorou uns tempos até que os fabricantes de música popular saíssem dos seus hábitos traçados de há muito. Mas uma vez dispostos a mudar de alvo, exploraram sem quaisquer escrúpulos a música dos negros para satisfação dos interesses comerciais dos brancos. Fabricaram-se novas estrelas, entre as quais esporadicamente algum músico negro com a capacidade suficiente para herdar a herança do Rhythm and Blues, bem assim todo o branco necessário à sua popularização." em "O Mundo da Música Pop" a propósito do surgimento do Rock'n'Roll.

Little Richard, Fats Domino, Chuck Berry foram alguns dos negros a destacarem-se como iniciadores do Rock'n'Roll.
Little Richard (1932-), filho de família pobre e numerosa cedo se vê obrigado a trabalhar para ajudar a sustentar a família, e que ficou conhecido pelas então extravagantes actuações em palco, ganhou notoriedade no mundo da música ao vencer um concurso de canções. Começa então a sua carreira de êxitos.

Várias gravações depois sem sucesso, é em 1955 com "Tutti-Frutti" ( "A-wop-bom-a-loo-mop-a-lomp-bom-bom!"), agora um clássico, que vai alcançar o seu maior êxito. Era o início do Rock'n'Roll.


Anterior a "Tutti-Frutti", no que julgo ser a primeira gravação comercial de Little Richard em finais de 1951, "Taxi Blues", a música de Little Richard no Pré-Rock'n'Roll.



Little Richard - Taxi Blues

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sonny Boy Williamson - Don't Start Me Talkin'

O Rock'n'Roll trouxe à população branca dos Estados Unidos a música que era ouvida pelos negros. A população negra tinha os seus próprios programas de rádio e as suas próprias editoras de discos, as conhecidas race records. O Rhythm'n'Blues, essa evolução citadina e ritmada do Blues, exclusivamente interpretada e consumida pelos negros vai originar numa versão mais polida, o Rock'n'Roll, a ser interpretado indistintamente por brancos e negros.

Nunca é pois demais, voltar às origens e recordar alguns dos principais intérpretes de Rhythm'n'Blues, dois dos quais já aqui passaram: Sonny Boy Williamson e Muddy Waters. Mas lembrar também, por exemplo, Little Richard e Fats Domino.



Sonny Boy Williamson (1912?-1965) foi já aqui recuperado a propósito do álbum de 1963 acompanhado pelos The Yardbirds onde tocava Eric Clapton.
"Don't Start Me Talkin'" é uma canção de Blues, Chicago Blues mais concretamente, gravada por Sonny Boy Williamson em 1955 e então editada em Single e é a proposta para audição.

Nota: Sonny Boy Williamson aqui referido é o Sonny Boy Williamson II, não confundir com Sonny Boy Williamson I (1914-1948) igualmente cantor de Blues.


Sonny Boy Williamson - Don't Start Me Talkin'

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Muddy Waters - Rollin' Stone

Expressão prematura do Rhythm'n'Blues, o Chicago Blues teve em Muddy Waters um dos seus expoentes máximos. É agora consensual a importância que o Blues de Chicago teve na origem do Rock'n'Roll.
Com a crescente migração da população negra para o norte, o Blues triste do sul vai evoluir para novas formas  de expressão musical mais consentâneo com o ritmo de vida das cidades. Os instrumentos vão ser electrificados e novas sonoridades são obtidas por músicos tão criativos como, por exemplo, Muddy Waters (1913-1983) (veja-se a utilização do bottleneck na guitarra eléctrica).



Esta música que durante muito tempo ficou circunscrita à população negra, só viria a ser descoberta pelo grande público branco quando o Rock'n'Roll já era dominante e mandava nas tabelas de vendas.
Muitos grupos de Rock tiveram o seu início e inspiração no Rhythm'n'Blues e em particular nos Blues de Chicago, veja-se o exemplo dos The Rolling Stones, que, para além do som inicial, foram buscar a sua designação a uma canção de Muddy Waters, "Rollin' Stone".

Para audição, precisamente, "Rollin' Stone" gravada em 1950 por Muddy Waters.



Muddy Waters - Rollin' Stone

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

The Mothers of Invention - Absolutely Free

Até à década de 60 a maior produção musical, um pouco por todo o lado, ia para a música ligeira, com predomínio de linhas melódicas suaves e letras de partir corações. Os cantores mais do que sentirem ou identificarem-se com as letras limitavam-se a interpretá-las de um modo mais ou menos sentimental tão ao agrado do grande público.
O crítico alemão Rolf-Ulrich Kaiser no seu livro "O Mundo da Música Pop" (início dos anos 70) ia mais longe ao considerar que inclusivé o Jazz ("Este jazz de consumo, fomentado hoje em dia por numerosas orquestras norte-americanas de baile,..."), que no seu início era uma música que se tocava na rua, se tinha convertido "numa música estabelecida". E referindo-se ao Festival de Jazz de Berlim notava que "os artistas do outro lado do Atlântico" tinham sido transportados "à custa da companhia aérea Pan America e da organização estatal norte-americana United States Travel Service."

Os anos 60 vêm trazer grandes alterações no mundo da música popular. Mais do que meros intérpretes, muitos dos novos cantores cantam temas seus, muitos, resultado da sua experiência e das suas ideias (veja-se o movimento folk nos Estados Unidos com Bob Dylan à cabeça).

A indústria discográfica, com diferentes velocidades conforme os países, reage tardiamente a um movimento que se diz anti-establishment, até se apoderar dele e dele tirar o devido proveito.

Socorrendo-nos ainda de "O Mundo da Música Pop":
"Deste modo até 1967, começou a falar-se de uma forma já bastante intensa da música pop, matéria tratada nesta obra. Falaram-se em grupos críticos conscientes da realidade, como, por exemplo, o grupo Mothers of Invention. Chamada telefónica para os seus representantes alemães:
- Queríamos fotos e material informativo.
- De quem, por favor?
- Do grupo Mothers of Invention!
- Ah, esses! Mas não temos nada deles...
- Como? Mas se há tanta gente que lhes vai solicitar material ...
- Talvez. Mas, você sabe, falando francamente, esse grupo interessa-nos pouco. Não encaixa no nosso programa..."

The Mothers of Invention iriam actuar nas Jornadas Musicais Internacionais de Essen (julgo que em 1968, onde se iniciaram os alemães Amon Duul e Tangerine Dream). Do mesmo livro: "Pouco depois, porém os califas do ramo convenceram-se. A nova onda, oferece-lhes uma única alternativa: ganhar dinheiro com ela ou não...Publicou-se um folheto informativo especial e no mercado apareceram quatro discos do grupo."

Falta saber como foram transportados para a Alemanha, segundo Rolf-Ulrich Kaiser "É de crer que esta mesma organização (a United States Travel Service) se recusaria terminantemente a transportar conjuntos como os Fugs, Mothers of Invention ou Country Joe and the Fish."


Oportunidade para voltar aos sons dos The Mothers of Invention onde pontificava, recordemos, Frank Zappa. A escolha recai em "Absolutely Free" do álbum de 1968  "We're Only in It for the Money" (nem de propósito!).

"The first word in this song is discorporate. It means to leave your body.". Em tom psicadélico a crítica ao movimento hippie então preponderante.



The Mothers of Invention - Absolutely Free

domingo, 15 de novembro de 2015

Quarteto 1111 - Balada para D. Inês

Mais uma passagem pelo Quarteto 1111. Das propostas musicais portuguesas mais interessantes que conhecemos nos idos tempos dos anos 60.
Depois de no ano de 1967 a cena musical ter sido sacudida com o aparecimento do Quarteto 1111 e abalada com a canção "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", em 1968 o Quarteto 1111, e o seu principal mentor José Cid, continuam a fazer da música pop mais criativa e inovadora de então como o demonstram os dois EP e um Single que gravaram.
O primeiro EP de 1968 contem para além da "Balada para D. Inês", as canções "Partindo-se" (do mais bonito que o José Cid compôs), "Vale da Ilusão" e Dragão".



"Balada para D. Inês", segue na mesma linha de "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", e é com ela que José Cid concorre ao Festival da canção da RTP alcançando o 3º lugar (o Festival em 1968 foi ganho por Carlos Mendes com "Verão").

Tempo de recordarmos "Balada para D. Inês" num tempo em que, claramente, eram os mais qualificados na cenário da música Pop feita em Portugal.



Quarteto 1111 - Balada para D. Inês

sábado, 14 de novembro de 2015

Nuno Filipe - A Feira

Ainda a música feita em Portugal no ano de 1968 para trazer à colação um cantor, autor de 4 discos no período de 1967 a 1970, que ficou praticamente desconhecido mas que é fundamental ser recuperado, refiro-me a Nuno Filipe.
Nuno Filipe (1947-2002) é um caso singular no panorama musical português da segunda metade dos anos 60. Os discos podem-se incluir na área do Pop-Rock com influências psicadélicas pouco vulgares por cá, começa-se por estranhar e acaba-se a admirar o que poderia ter sido um caso sério na cena musical não tivesse ele deixado de gravar tão cedo.

Todos os discos foram feitos a partir da poesia de Maria Teresa Horta, de quem era cunhado, o que lhes confere uma riqueza superior. "Cunhado da escritora Maria Teresa Horta, Nuno Filipe soube tirar dessa relação familiar o melhor partido possível." Em "Canta, Amigo, Canta" de João Carlos Calixto.



Na certeza de voltarmos a este, infelizmente esquecido, cantor ficamos com a canção "A Feira" (letra de Maria Teresa Horta e música de Nuno Filipe) do 2º EP de Nuno Filipe, editado em 1968.



Nuno Filipe - A Feira

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Teresa Paula Brito - Ven Oir el Mar


Em maré de recordação da música feita em Portugal no ano de 1968 mais uma oportunidade para lembrar Teresa Paula Brito.
Teresa Paula Brito (1944-2003) foi uma cantora que abordou vários estilos musicais, a canção ligeira, o jazz e a música popular, sendo possuidora de uma bela e singular voz.
Depois das passagens já aqui feitas de "Chevrolet" no duo "The Strollers" em 1967 e "Verdes Anos"  do EP "Canções para Fim de Noite" em 1968, recuperamos agora o 2º EP de 1968. Trata-se de um EP eclético de 4 faixas a saber:
- Those Were lhe Das
- Your Heart Is Free Just Live the Wind
- Ven Oir El Mar
- Para Não Dizer Que Não Falei de Flores


A versão de "Para Não Dizer Que Não Falei de Flores" do brasileiro Geraldo Vandré fica para outra ocasião, por agora oportunidade para ouvir "Ven Oir El Mar" de Eugénio Pepe e Francisco Nicholson acompanhamento do Conjunto de Shegundo Galarza.



Teresa Paula Brito - Ven Oir el Mar

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Daniel - Hino a Joan Baez

Antecipando o surto significativo de novas propostas musicais da nova canção portuguesa ocorrida no final da década de 60, começamos por recordar mais um músico português que, manifestando influências de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, teve a primeira gravação no ano de 1968.

Daniel, de nome, não teve a repercussão nem a importância musical que outros do mesmo género, alguns já aqui lembrados, tiveram num período tão rico da história da música popular. Na contracapa  do primeiro EP editado em 1968, Daniel era apresentado como "criador do movimento da nova canção nacional, há qual já alguns jovens aderiram..." e musicalmente encontrávamos para além das já citadas influências baladeira e trovadoresca de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, alinhamento na música Folk oriunda dos Estados Unidos. A capa do EP e o tema título "Hino a Joan Baez" assim o mostrava.



As canções que compõem este EP são: "Hino a Joan Baez", "Vou Passar a Nulidade", "O Sol É Doido" e "Canção da Gente do Mar", todas de autoria de Daniel. A escolha vai para "Hino a Joan Baez".



Daniel - Hino a Joan Baez